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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Feliz Dia d@ Professor@

No dia 15 de outubro de 2009, inaugurei este blog para também servir como um espaço de reflexão e socialização de práticas pedagógicas, que preferencialmente caminhem para uma relação entre docentes e estudantes para além do trivial. Hoje, ele completa cinco anos de existência e decidi selecionar algumas imagens desta minha aparentemente curta trajetória como professor de Educação Física de diversas redes públicas. Saudosismos à parte, é muito bacana relembrar nomes, situações, festas, atividades fora da escola, perguntas engraçadas, abraços afetivos, esporros e perceber que a maioria dos estudantes para quem tive a honra de lecionar hoje estão crescid@s e se transformaram em homens e mulheres com potencial para fazer a diferença. 

Após passar como docente pelo Colégio de Aplicação da UFRJ (2008); Colégio Estadual Professor Ubiratan Reis Barbosa (2009/2010) em Nilópolis; Escola Municipal Edilson Vignoli Marins (2009/2010) em Saquarema; Escola Municipal Carlos Magno Legentil de Mattos (2010) em Maricá; Escola Municipal Vereador Pedro Moreira dos Santos e Escola Municipal Maria Teixeira de Paula (2010) em Rio das Ostras; Colégio Municipal Botafogo (2010-2014) em Macaé; Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (2013) na FIOCRUZ; e Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato (2010-2014) na rede do Rio de Janeiro, tenho certeza de que a trajetória possui falhas e sucessos, erros e acertos. Mas vale ressaltar que dedicação e interesse por um melhor futuro para esses estudantes sempre estiveram lado a lado com o planejamento e a intervenção de cada uma das aulas, trabalhando com os conhecimentos da cultura corporal e tentando, apesar de todas as limitações de materiais, de falta de espaço e em alguns casos de apoio institucional, oferecer uma Educação Física diversificada e participar de eventos fora do ambiente escolar e de torneios e campeonatos.

Exatamente neste ano de 2014, rumo para um desafio maior, atuando desde o dia 7 de outubro como professor da Educação Básica, Técnica e Tecnológica no campus Quissamã do Instituto Federal Fluminense e espero que a experiência anterior propicie uma atuação pedagógica cada vez mais consolidada, oferecendo práticas corporais com sentidos e significados positivos para os estudantes. E que, com a abertura do curso de Licenciatura em Educação Física no IFF, eu também possa ajudar a formar futur@s professor@s da nossa área. 

Como não poderia deixar de citar, que nossa categoria caminhe para uma unificação maior, defendendo a Educação Pública e lutando efetivamente para que conquistemos a valorização e a respeitabilidade que merecemos. E isto só conseguiremos garantir com muita mobilização, por meio da ação organizada a partir dos Sindicatos que nos representam, enfrentando patrões e governantes e realizando na práxis o nosso discurso de transformação, demonstrando aos discentes que apenas a Luta muda a Vida! Para mim, para meu pai, minha irmã, minha namorada e demais parentes professor@s, para meus e minhas ex-professor@s e para tod@s meus e minhas colegas da Educação em todo o país, um FELIZ DI@ D@ PROFESSOR@!

Saudações pedagógicas, 
Gabriel Marques.

Estudantes do CAp-UFRJ e Licenciandos da UFRJ (2008)

Turma do 1º ano do Ensino Médio do C. E. Professor Ubiratan Reis Barbosa (2009)

Caminhada até o Morro da Urca com estudantes do 3º ano do Ensino Médio do C. E. P. U. R. B. (2009)

Jogos Cooperativos na turma de 8º ano do Ensino Fundamental da E. M. Edilson Vignoli Marins (2009)

Jogos Cooperativos na turma de 9º ano na E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Turma de 6º ano do Ensino Fundamental da E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Jogos Cooperativos na turma de 9º ano na E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Formatura da turma do 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação da UFRJ (2008)

Ida ao Morro do Pão de Açúcar com o C. M. Botafogo (2011)

Festa surpresa no meu aniversário organizada pelos estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Festa surpresa no meu aniversário organizada pelos estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Visita ao Maracanã com os estudantes do C. M. Botafogo (2011)

Gabriel dos Santos medalhista de ouro no lançamento de disco dos JEEM de Macaé (2011)

Visita guiada ao Morro do Pão de Açúcar com os estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Aula de Esportes Radicais com a turma do 7º ano do Ensino Fundamental da E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Apresentação de Jogos Populares de um dos grupos do 8º ano do Ensino Fundamental da E, M. Maria Teixeira de Paula (2010)

Aulão de Forró na E. M. Ministro Orosimbo Nonato durante Festa da Primavera Folclórica (2011)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Foi lá...*

Ao longo desses quase 25 anos de idade, já participei de alguns concursos públicos, principalmente nos últimos anos após concluir o curso de Licenciatura em Educação Física. Em muitos deles, fiquei dentro das vagas; noutros, atingi o necessário para obter aprovação; em apenas um, fiquei reprovado. Independentemente dos resultados, retorno ao ano de 1995, período em que pela única vez efetivamente me preparei para encarar um concurso.

Foram diversos meses, deslocando-me do Méier para a Rua Alzira Brandão, na Tijuca, onde passava três tardes inicialmente e todas as tardes durante o período de férias, com apenas 10 anos de idade. Um intensivo de lições de Português e Matemática: exercícios, contas, expressões, pontuações, redações, leituras... Nunca é demais agradecer a oportunidade oferecida pela querida Dona Hanid, que me recebeu de braços abertos, sabendo das limitações financeiras, e apostou que seria possível concretizar o sonho paulatinamente construído: ser estudante do Colégio Pedro II. Vale destacar também o maciço apoio dos familiares mais próximos – Vó Dulce, além de preparar meu papá, me levava todas as tardes e meu pai me buscava – que chegavam a afirmar que no ano seguinte eu estaria estudando no Engenho Novo. Após obter 7,25 em Matemática – que era meu forte – Português foi mais uma superação: 8,25. Média de 7,75, garantindo o posicionamento entre os 25 primeiros para um total de aproximadamente 70 vagas.

Chegou o ano de 1996. Depois de sair duma escola pequena e privada, era tempo de encarar muros mais altos, professores variados e alunos de diferentes faixas etárias. Estava no segundo ciclo do Ensino Fundamental, na 5ª série. Acostumado com banheiros individuais, após perder corrida para os recém-colegas de sala, entrei subitamente na porta ao lado: era o banheiro feminino! Um micaço logo no primeiro dia de aula. Sapato preto, meias pretas, camisa branca com botões e emblema do CPII para dentro da calça de brim azul marinho: devidamente uniformizado, carregando a caderneta que continha uma breve história da instituição e marcações de carimbos com assiduidade e espaço para as notas. Foram 7 anos da minha vida lá dentro, sem nenhuma advertência e com apenas 2 provas finais em Física.

Saudosismo à parte, posso recordar que...

Foi lá que pela primeira vez votei, para escolher representantes de turma e professores conselheiros.

Foi lá que pela primeira vez escolhi uma chapa para representar o corpo discente – o Grêmio Estudantil.

Foi lá que pela primeira vez participei de uma equipe representativa – o time de basquete do CPII – sim, por pouco tempo, mas fui do time de basquete dirigido pelo Professor Mauro Raso.

Foi lá que terminei um curso técnico em Processamento de Dados – pasmem!

Foi lá que pela primeira vez representei uma turma – gostei tanto que fui pelo menos outras três vezes.

Foi lá que comecei a andar sozinho, de ônibus, pelas ruas cariocas.

Foi lá que tive minhas paqueras e paixões mais inocentes.

Foi lá que decidi participar do Movimento Estudantil, compondo a chapa vencedora do pleito para o Grêmio Estudantil num processo extremamente politizado.

Foi lá que fiz meu primeiro discurso em público.

Foi lá que escrevi meu primeiro texto para um jornal discente.

Foi lá que pela primeira vez fiz parte de um Comando de Greve.

Foi lá que pela primeira vez atuei numa peça de teatro – fantasiado de Chapolin Colorado, incentivado pelo Professor Mauro Veras.

Foi lá que consegui ler quase 100 livros em apenas um ano – excelente projeto da Professora Marília.

Foi lá que pela primeira vez ganhei um Concurso Literário – grande incentivo da Professora Isabel Vega.

Foi lá que vi minha mãe – trêmula – fazer um discurso em público, diante de centenas de pessoas, para me defender.

Foi lá que participei de minha primeira passeata – em defesa do Passe Livre.

Foi lá que aprendi a tocar flauta doce.

Foi lá que dancei quadrilha, organizei eventos artísticos e coordenei Assembléias Estudantis.

Foi lá que descobri que os alunos poderiam entoar hinos e tabuadas com orgulho e vigor.

Enfim, foi lá que cresci politicamente e comecei a entender e praticar o exercício da crítica, protagonizar lutas e perceber que é preciso nos organizarmos para modificar a situação ao nosso redor. Mas foi lá também que descobri que gostaria de ser professor, de lecionar, de ensinar. E foi lá que escolhi a disciplina de Educação Física, principalmente a partir das aulas do Professor Marco Santoro, diante de dúvidas de cursos como Medicina, Direito, História, Química, Biologia e Informática. Hoje tenho certeza da correta opção. E voltei ao CPII para realizar metade da carga horária de minha Prática de Ensino, sendo bem recepcionado pelas Professoras Ana Julia e Kátia Regina. Ironias do destino? No campo da História da Educação, atualmente chego ao Colégio Pedro II como objeto de minha dissertação de Mestrado na UFRJ. Como ex-aluno, há três anos freqüento a Feijoada de dezembro. Um caminho percorrido para um novo sonho: retornar ao CPII como docente.

Abril de 2010: aparece o edital para três vagas de professor de Educação Física. Imediatamente agi, fui o terceiro inscrito! Concomitante à empolgação pelo concurso, gestou-se a decepção ao ver a bibliografia assim como ao visualizar a prova do concurso de 2002. O embate não seria com os demais 635 inscritos no Concurso, mas com a banca e uma concepção de Educação Física senão antagônica, totalmente distinta da que pude construir na Graduação, no Movimento Estudantil e na pós-Graduação. No dia 2 de maio, o balde jorrou granizo. Foi um cumprimento burocrático comparecer na Unidade de São Cristóvão, local onde em 2001 acompanhava Assembléias lotadas por centenas de professores e técnico-administrativos enfrentando a implementação do neoliberalismo e defendendo a Educação Pública. Em 1h 15min, apressado, sem tesão e acompanhando meu desejo escapar, marquei as 40 questões da prova, sabendo que estaria satisfeito se conseguisse acertar 50%, o que seria insuficiente, já que o edital exigia 70% e ficar entre as 24 maiores notas.

Nesse dia, a banca atuou como fogo-amigo, atacando soldados da ciência, que não sucumbiram e continuarão resistindo, acumulando forças para construir uma visão de Educação Física atrelada à necessária transformação radical da sociedade desigual e opressora, inerente às relações capitalistas. Pode ser que o sonho de voltar ao CPII como docente tenha sido adiado ou até mesmo não seja possível se concretizar, mas permanece a chama de lutar em defesa de que todas as crianças possam ser soldados da ciência, tendo acesso a uma Educação de Qualidade tal como eu pude ter e continuarei persistindo para socializar nas escolas em que trabalho e trabalharei.

Foi lá que saí entristecido no último Domingo. Porém, foi lá que me propiciou começar a semana mais rejuvenescido, ciente das tarefas árduas que nos esperam enquanto sujeitos da história, visando melhorar, aperfeiçoar e enriquecer minha Práxis Pedagógica, que busque superações, subversões, transformações, revoluções...


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Ex-aluno do CPII – U. E. Engenho Novo II (1996 a 2002)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Proposta Curricular para o Ensino de Educação Física - Saquarema

Em 2008, fiz a prova para professor de Educação Física do município de Saquarema-RJ: 10 vagas divulgadas pelo edital. Como sempre, pelo critério de desempate, mesmo com número de pontos iguais ao do 6º colocado, fiquei na 11ª colocação. A primeira convocação veio apenas no início de 2009. No mesmo ano, mais professsores foram chamados numa segunda convocação e eu tomei posse no município em agosto, atuando na Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Edilson Vignoli Marins.

Por conta da elaboração de um projeto e planejamento na referida escola para lecionar Educação Física no turno da noite e de ter o trabalho comentado e elogiado, a Coordenação do 2º Segmento do Ensino Fundamental entrou em contato comigo no final do ano, solicitando a formulação de uma proposta curricular para a rede municipal. Em breve o documento estará disponível em .doc e .pdf. Por enquanto, compartilho aqui no blog. Tal documento certamente necessita de amplos debates a partir de sua gradativa materialização para que novas formulações possam ser feitas no município e compartilhadas com as demais locaidades.

Gabriel.

PROPOSTA CURRICULAR PARA O ENSINO
DE EDUCAÇÃO FÍSICA

TERCEIRO E QUARTO CICLOS
DO ENSINO FUNDAMENTAL - 6º AO 9º ANOS

SAQUAREMA, 2010



Contextualização


A Educação Física é considerada componente curricular obrigatório da Educação Básica(1) e sua proposta pedagógica deve encontrar-se integrada à proposta da instituição escolar, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9396/96), que também apresenta a necessidade da educação escolar vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Diante desse quadro, apresentamos esse documento ao corpo docente de Educação Física do município de Saquarema a fim de retomar algumas importantes discussões da área e emitir suporte e orientações curriculares para a elaboração dos planos de trabalho, que zelem pela aprendizagem dos alunos e auxiliem na articulação com as famílias e a comunidade (BRASIL, 1996).

Longe de querer moldar as práticas pedagógicas e/ou ferir a autonomia do profissional no que tange à elaboração de seus planos curriculares, consideramos esta uma iniciativa, um pontapé inicial em Saquarema para que nos aproximemos de um eixo comum que sistematize os conteúdos da disciplina ao longo dos quatro anos do terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Estamos certos de que nossa presença na escola pode contribuir de maneira significativa para a formação básica do cidadão, que desenvolva a capacidade de aprender; que compreenda a fundamentação da sociedade em seus valores e aspectos tecnológicos, artísticos, políticos e sociais; e que adquira conhecimentos e habilidades, formando atitudes e valores (BRASIL, 1996).

Importantes iniciativas já foram apresentadas em outras localidades, tanto para a formulação de uma proposta curricular (MINAS GERAIS, 2005a; ARACAJU, 2007; SÃO PAULO, 2008) quanto para elaboração de materiais e livro didático de Educação Física (MINAS GERAIS, 2005b; CURITIBA, 2006; RIO DE JANEIRO, 2006).

A compreensão da cidadania como participação social e política; o posicionamento de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais; o conhecimento de características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais; a valorização da pluralidade sociocultural brasileira; a percepção enquanto integrante e agente transformador do ambiente; o desenvolvimento do conhecimento ajustado sobre si próprio e do sentimento de confiança; o conhecimento do próprio corpo e sua devida valorização; a utilização de diversas linguagens para expressão e comunicação; a sapiência para utilização de diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos; e o questionamento à realidade configuram o escopo de objetivos para os alunos do Ensino Fundamental, objetivos estes orientados por três aspectos fundamentais, a saber: a) princípio da inclusão, realizado por meio da participação e reflexão e no qual se busca a superação do quadro histórico de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais; b) princípio da diversidade, aplicado na construção do processo de ensino aprendizagem e no qual se busca a legitimação de variadas possibilidades de aprendizagem nas dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos; c) categorias de conteúdos, apresentados sob as formas conceitual (fatos, conceitos e princípios), procedimentos (ligados ao fazer) e atitudinal (normas, valores e atitudes) (BRASIL, 1998).

Os objetivos acima explicitados e os aspectos fundamentais contidos nos PCNs estarão imersos no currículo escolar, onde nenhuma disciplina se legitima de maneira isolada, ou seja, cada matéria ou disciplina é considerada como um componente curricular ao passo que seu objeto está articulado aos diversos objetos dos demais componentes do currículo. É necessário que ocorra um

Tratamento articulado do conhecimento sistematizado nas diferentes áreas que permite[a] ao aluno constatar, interpretar, compreender e explicar a realidade social complexa, formulando uma síntese no seu pensamento à medida que vai se apropriando do conhecimento científico universal sistematizado pelas diferentes ciências ou áreas do conhecimento. (...)
A relação entre as matérias enquanto partes e o currículo enquanto todo é uma das referências do conceito de currículo ampliado que propomos. (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 28-29)

Diante desse panorama, fica explícita a importância de construção coletiva de projetos político-pedagógicos nas escolas, com a participação da comunidade escolar, alicerçados sobre uma base material que congregue o trato com o conhecimento, a organização escolar e a normatização escolar. Qualquer proposta curricular feita de forma separada está desafiada por consideráveis limites.

Para consubstanciar a proposta curricular abaixo apresentada, elencamos inicialmente quatro diferentes grupos, contendo cada um deles quatro propostas de conteúdos, que foram divididas entre os quatro anos dos terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Vilaça & Marques (2006) criticam o quadrado mágico formado por futsal, basquetebol, voleibol e handebol enquanto a hegemonia da educação física na escola atualmente vigente, explicitando duas características fundamentais que o desporto acarreta: a pronta e acrítica obediência e internalização de regras estabelecidas por entidades regulamentadoras; e a exclusão e discriminação diante dos aspectos relacionados ao talento e à competição exacerbada. Ademais, pautamo-nos pelo entendimento de que as atividades físicas tematizadas pela Educação Física—Jogo, Ginástica, Lutas, Dança, Capoeira—são mecanismos de linguagem, de comunicação, que carregam sentidos, significados e constituem um acervo, um patrimônio da humanidade. Podem ser observados, compreendidos, executados e aprimorados a partir de dimensões técnicas sem que sejam reduzidos à performance ou a uma abordagem tecnicista (SOARES, 2006). Os objetivos dos conteúdos na escola não devem se basear nos objetivos do esporte, da dança ou da luta profissionais; devem, portanto, oportunizar à totalidade dos estudantes o desenvolvimento de suas potencialidades e seu aperfeiçoamento enquanto seres humanos (BRASIL, 1998). Optamos, portanto, diversificar as propostas curriculares, caminhando ao encontro do que Marques (2009) defende

Não rebaixar a Educação Física ao desportivismo hegemônico que segrega, exclui e ressalta valores individualistas é um desafio, que deve ser complementado pela apresentação de inovações, incorporando elementos da cultura corporal como a Dança, o Folclore, a Capoeira, as Brincadeiras Populares e contextualizando nossas práticas à realidade cruel da sociedade em que vivemos, para que possamos questionar e acumular forças rumo à construção de novas relações. Para construir o diferente, a obtenção e a conquista de respeitabilidade e a participação discente são essenciais, que, somados ao prazer, à alegria, à satisfação, podem facilitar o alcance de objetivos que hoje nos aparentam ser árduos (p. 1)

Os grupos foram os seguintes: a) Jogos – Jogos Populares; Grandes Jogos; Jogos cooperativos; e Jogos de rebater e de tabuleiro; b) Esportes – Esportes coletivos com bola (duplicado); Esportes de aventura; Esportes aquáticos/de praia; c) Lutas, Atletismo e Ginásticas – Ginástica; Capoeira; Atletismo; e Lutas; d) Atividades rítmicas e expressivas e conhecimentos sobre o corpo – Corpo e Sociedade; Folcore; Dança, ritmo e movimento; e Expressão e Comunicação Corporal. Sugerimos também que o conjunto das aulas garanta as discussões sobre aspectos sociais, históricos e culturais de cada um dos conteúdos assim como outras atividades possam ser concomitantemente praticadas, como piques, alongamentos, utilização de filmes e até mesmo confecção coletiva dos materiais necessários a partir de recicláveis e/ou outras matérias-primas.

Em relação à avaliação, consideramos interessante que a mesma seja composta por instrumentos diversos, como trabalhos em grupo, provas, relatórios, fichas de observação etc., que se relacionem aos objetivos indicados, se distanciem de mecanismos de pressão ou castigo e possam fornecer um panorama sobre os caminhos da proposta curricular realizada, ou seja, que gere elementos para aprimorarmos nossas práticas pedagógicas e contribuir de maneira significativa para o crescimento dos estudantes. Darido & Rangel (2005) apresentam interessantes e breves questões sobre o processo de avaliação bem como os conteúdos sob as dimensões conceitual, atitudinal e procedimental. A própria LDB apresenta a necessidade de que a avaliação seja contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos sobre os quantitativos e os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais (BRASIL, 1996). Os estudantes devem estar cientes de como serão avaliados e podem participar da elaboração de alguns dos instrumentos, algo que pode fazer parte do próprio processo contínuo de diagnóstico da situação.



Proposta Curricular(2)


6º ano / Fase VI

Temas transversais prioritários: Ética e Meio Ambiente

6.1 → Jogos Populares

• Amarelinha

• Pique-bandeira

• Queimado

• Bola de gude

• Pipa

• Pião

• Boliche


6.2 → Esportes com bola

• Futsal

• Voleibol

• Basquetebol

• Handebol

• Futebol

• Rugby

• Corfebol

• Hóquei


6.3 → Ginástica

• Rolamentos

• Avião

• Vela

• Ponte

• Equilíbrio

• Pirâmide humana

• Paradas com apoio

• Estrela


6.4 → Expressão e Comunicação Corporal

• Reflexo

• Mímica

• Memória

• Criatividade

• Coordenação motora

• Elementos do circo e do teatro

• Raciocínio

• Lógica

• Yoga



7º ano / Fase VII


Temas transversais prioritários: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual


7.1 → Grandes Jogos

• Totó Humano

• Jogo dos cones

• Arremessobol

• Goleirobol


7.2 → Esportes de aventura

• Skate

• Patins

• Ciclismo

• Surfe

• Escalada

• Parkour


7.3 → Atletismo

• Saltos

• Corridas de curta e longa distância

• Arremessos

• Corrida de orientação


7.4 → Folclore

• Danças e personagens folclóricos

• Carnaval

• Tradições



8º ano / Fase VIII


Tema transversal prioritário: Saúde


8.1 → Jogos de rebater e de tabuleiro

• Tênis

• Tênis de mesa

• Peteca

• Badminton

• Basebol

• Taco

• Xadrez

• Damas

• Peteleco


8.2 → Esportes com bola

• Futsal

• Voleibol

• Basquetebol

• Handebol

• Futebol

• Rugby

• Corfebol

• Hóquei


8.3 → Lutas

• Esgrima

• Judô

• Karatê

• Boxe

• Taekwondo


8.4 → Dança, ritmo e movimento

• Coreografias

• Alongamentos

• Samba

• Forró

• Frevo

• Bambolês

• Dança da laranja


9º ano / Fase VIII


Tema transversal prioritário: Trabalho e Consumo


9.1 → Jogos cooperativos

• Passeio do bambolê

• Nó humano

• Lápis na garrafa

• Engrenagem humana

• João confiança


9.2 → Esportes aquáticos/de praia

• Natação

• Pólo aquático

• Nado sincronizado

• Vela

• Canoagem

• Remo

• Surfe

• Mergulho

• Voleibol de praia

• Futebol de areia

• Handebol de praia


9.3 → Capoeira

• Movimentos de ataque e defesa

• Roda

• Ladainha

• Instrumentos

• Maculelê


9.4 → Corpo e Sociedade

• Competição X cooperação

• Inclusão X exclusão

• Gênero e sexualidade

• Massagem e relaxamento

• Sentidos do corpo

• Lazer


(1) Vale mencionar seu aspecto facultativo ao aluno que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; maior de trinta anos de idade; que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; portador de afecções congênitas ou adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, determinando distúrbios agudos ou agudizados; que tenha prole.

(2) A proposta curricular é também direcionada para a modalidade de Ensino de Jovens e Adultos, ou seja, consideramos as fases equivalentes aos respectivos períodos do Ensino Fundamental. Em cada um dos períodos, estão contidas sugestões gerais de conteúdos, que podem ser divididos nos bimestres, de acordo com a realidade da turma. Os temas transversais devem ser trabalhados de maneira correlata aos conteúdos da disciplina, buscando um diálogo com as demais disciplinas para articulação de projetos e atividades conjuntas.

REFERÊNCIAS

ARACAJU. Proposta Curricular de Educação Física. Departamento de Educação Física. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação: 2007.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Educação Física. 1998a.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Temas Transversais. 1998b.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos. Campinas, SP: Papirus, 2006.

CURITIBA. Educação Física. 2 ed. Curitiba, Secretaria de Estado de Educação, 2006.

DARIDO, Suraya Cristina & RANGEL, Irene Conceição Andrade. Educação Física na Escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

MARQUES, Gabriel Rodrigues Daumas. Educação Física na escola pública: entre os ditames da ordem vigente e as possibilidades de resistência. Lecturas, Buenos Aires, v. 14, n. 138, nov. 2009.

MINAS GERAIS. Proposta Curricular: Educação Física. Ensinos Fundamental e Médio. CBC. Minas Gerais: Secretaria de Estado de Educação, 2005a.

______. Roteiro de Atividades. Educação Física. Ensino Fundamental. Minas Gerais: Secretaria de Estado de Educação, 2005b.

RIO DE JANEIRO. Reorientação Curricular: Educação Física. Materiais didáticos. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado de Educação, 2006.

SÃO PAULO. Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Educação Física. São Paulo: Secretaria de Estado de Educação, 2008.

SOARES, Carmen Lúcia. Educação Física Escolar: conhecimento e especificidade. Revista Paulista de Ed. Física, supl. 2, p. 6-12, 1996.

VILAÇA, Murilo Mariano; MARQUES, Gabriel Rodrigues Daumas. Educação Física desportivista: considerações críticas à prática, predominantemente vigente, de Educação Física escolar. In: ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, 10., 2006, Niterói. Lazer e Educação Física escolar. Anais... Niterói: Departamento de Educação Física e Desportos, Universidade Federal Fluminense, 2006.