Mostrando postagens com marcador Nilton Santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nilton Santos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de março de 2017

Exaltemos o Niltão! Abaixo o cretinismo clubista!

Exaltemos o Niltão! Abaixo o cretinismo clubista!

Gabriel Marques
Botafoguense desde 30 de maio de 1985
Autor do livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”

                Uma desnecessária e mesquinha polêmica tem aparecido nas redes sociais e no jornalismo esportivo nas últimas semanas.

No Estado do Rio de Janeiro, nas últimas décadas, acompanhamos milionárias obras que absurdamente utilizaram recursos públicos, diminuíram a capacidade do até então maior Estádio do mundo, retiraram a sua folclórica geral, culminando com sua transferência para a iniciativa privada. Em suma, o resultado do legado dos megaeventos esportivos para o Estádio Jornalista Mario Filho foi sua adequação ao elitista padrão FIFA e sua subutilização, não apenas afastando muitos torcedores devido aos altos preços dos ingressos, como também não sediar jogos devido à ausência de acordos com o consórcio que nos tomou de assalto o querido Maracanã!

Seguindo algumas estações da linha de trem, em virtude da realização dos Jogos PanAmericanos, em 2007, houve a construção de um novo Estádio na Cidade Maravilhosa. Bastante ouvido pela voz de Jorge Ben Jor, o suburbano bairro Engenho de Dentro ficou nacional e até mesmo internacionalmente famoso, recebendo shows como da banda Guns N’ Roses e do ex Beatles Paul McCartney e sendo o palco de emocionantes momentos nos Jogos Olímpicos de 2016, como as vitórias de Usain Bolt no Atletismo. Contudo, estes marcantes momentos estão precedidos de algumas histórias importantes.

Em 2007, foi aberto um edital de licitação para administração do então denominado Estádio Olímpico Municipal João Havelange, que recebeu a alcunha de Engenhão devido à localização geográfica. Neste mesmo ano, apesar da divulgação midiática sobre interesses de Fluminense e Flamengo, o único concorrente ao edital, sagrando-se vencedor, fora o Consórcio Botafogo. Estabelece-se, assim, uma relação de concessão para administração por duas décadas, vinculada ao Botafogo de Futebol e Regatas. Portanto, durante este período, a casa está alugada e pertence ao Glorioso – que inclusive foi o maior prejudicado quando os governos estadual e municipal do PMDB forçaram a suspensão temporária da concessão, sob a infundada alegação do risco de queda de sua cobertura. Passados este absurdo e os Jogos Olímpicos 2016, o Estádio ganhou vida nova. Com significativa adesão da torcida, o Estádio ficou a cada dia mais alvinegro, com a bela Estrela Solitária brilhando por diversas partes, com tremendo potencial de ser um trunfo para belíssimas campanhas do Fogão.

Como vocês perceberam, o nome de 2007 nunca teve forte adesão. Não por João Havelange ser tricolor, mas pelo fato do ex-mandatário da FIFA e seu ex-genro e ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira serem cartolas conhecidos por medidas contrárias ao futebol para o povo e por terem envolvimento em casos de corrupção mundo afora. O nome do Estádio era um incômodo, um engodo para os verdadeiros amantes do Futebol. Foram realizadas campanhas públicas defendendo a retirada da homenagem a João Havelange. Houve inicialmente uma proposta pelo nome de João Saldanha. Em seguida, a Câmara de Vereadores rejeitou o nome de Nilton Santos, após projeto de lei apresentado pelos vereadores Paulo Pinheiro e Renato Cinco (PSOL) e Marcelino de Almeida (PROS). Apesar dos apelos da população carioca, os governantes só recuaram na defesa do antigo nome após o FBI entrar em cena, incluindo oficialmente os nomes de João Havelange e Ricardo Teixeira em esquemas internacionais de propina.

Créditos: Botafogo de Futebol e Regatas. Disponível em: http://www.botafogo.com.br/estadioniltonsantos/index.php?cat=estadioniltonsantos#ad-image-17 

Apesar de aproximadamente dez anos de vida, é nesse conturbado contexto que a partir de 2016 podemos dizer que o Estádio Nilton Santos se consolida como um importante local para o futebol carioca e brasileiro – até mesmo porque é uma das poucas obras dos megaeventos esportivos que tem sido bem utilizada. Pois bem, se temos vida nova, podemos e devemos exaltar seu novo nome. Nilton dos Santos, durante sua carreira, vestiu duas camisas no Futebol: a do Botafogo e a da Seleção Brasileira. Marcou presença em quatro Copas do Mundo, sagrando-se bicampeão mundial. Conhecido como A Enciclopédia do Futebol, o camisa 6 também é considerado o maior lateral esquerdo da história deste esporte que envolve bilhões de apaixonados por todo o mundo. Uma das histórias inclusive aponta que foi o pivô da contratação do Mané Garrincha, após este ter lhe aplicado um ovinho durante o treinamento. Além da estátua no Setor Oeste do Estádio que agora recebeu seu nome e diversas outras homenagens, Nilton Santos publicou o livro “Minha Bola, Minha Vida” e é enredo do filme “Ídolo”. Infelizmente, muitos de nós não tivemos a grata oportunidade de vê-lo nos gramados com as bolas nos pés e revolucionando a posição de lateral esquerdo ao rumar para o ataque e marcar gols. Mas basta perguntar a pais, avós ou consultar a história do Futebol, que perceberemos que a homenagem é deveras merecida.


Portanto, é fundamental que nós, botafoguenses, contra tudo e contra todos que, por pirraça, desconhecimento, ou inveja, insistam em utilizar outro tipo de nomenclatura, exaltemos o apelido Niltão! Nas redes sociais, nas conversas, nos locais de estudo e trabalho, podemos e devemos ressaltar que houve um rebatizado e agora temos no Engenho de Dentro o ESTÁDIO NILTON SANTOS. E você, torcedor de outros times, que tenha alguma ética e ame o futebol, contamos com você nesta empreitada, até mesmo porque muitos ajudaram a criticar o nome anterior. Agora, quem não quer aceitar e inventar desculpas alegando que ‘o nome não pegou’ e seguindo o desserviço cumprido por parte da mídia, sinto muito, mas tal prática não passa de um cretinismo clubista.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tem caroço no nosso angu!

Uma intensa campanha pelas redes sociais já é tema de diversos veículos de comunicação. Torcedores do meu querido Glorioso lançaram o evento "Nossa Torcida Acordou", convocando para um abraço ao Engenhão no sábado 8 de junho a partir das 15h, principalmente após a "merda lançada no ventilador" denunciando um suposto envolvimento entre a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e a Rede Globo de Televisão. É indubitável que tal "denúncia" tenha mexido com os brios da torcida e é muito interessante que uma proposta de manifestação avance além da hashtag #EduardoPaesdevolvaonossoestadio. Em todas as esferas da vida social, apenas com LUTAS podemos modificar a realidade.

Tal momento nos exige reflexões importantes e posicionamentos rígidos para que as ações não sejam somente oba-oba tampouco representem apenas interesses corporativistas de um clube. Como botafoguense, é óbvio que não gosto de ver meu clube prejudicado, principalmente sabendo que dois dos principais atores - o Prefeito Eduardo Paes/PMDB e a toda-poderosa Rede Globo de Televisão - são meus inimigos históricos, pois representam interesses de uma pequena parcela da sociedade. Portanto, o que e como podemos e devemos agir para que a campanha alcance o conjunto da população, colocando cidadãos cariocas como protagonistas deste levante em vez de fornecer ibope ao sensacionalismo midiático assim como sem promover politiqueiros oportunistas que desejarão aparecer mas que também não representam os nossos interesses?

Como estarei em Campinas no dia do ato, procurarei explicitar algumas contribuições ao debate neste texto.

A reivindicação pela "devolução do nosso estádio" é mais que legítima. Paulatinamente, com muitas dificuldades, começamos (torcedores do Botafogo) a nos acostumar com o Engenhão, compreendendo que era uma "casa nova". Às vésperas de levantarmos o título do Campeonato Estadual, aparece uma pedra em nosso caminho, com o prefeito anunciando a interdição mesmo tendo dito meses antes que não havia qualquer problema com o Estádio. Mas o que deve significar a consigna "Eduardo Paes, devolva o nosso estádio"?

Na minha opinião, temos que avançar! Não podemos simplesmente defender que o Engenhão volte a funcionar. Se o Estádio foi erguido com o suor diário de trabalhadores da construção civil e seus recursos de aproximadamente R$380 milhões vieram majoritariamente dos impostos pagos pela classe trabalhadora, devemos exigir a retirada de quaisquer homenagens a um corrupto e elitista que durante anos mandou e desmandou na Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). No retorno do Engenhão, é importante defendermos que sejam apagadas as menções ao Sr. João Havelange e que seja feito uma consulta à população sobre o nome do Estádio que pagamos - sem sermos consultados! Nilton Santos e João Saldanha são duas propostas que agradam a mim e a diversos torcedores, inclusive de outros clubes.

Outro debate importante refere-se ao acesso aos estádios. O plim-plim da Globo impõe horários absurdos para trabalhadores e suas famílias frequentarem o Engenhão. Além disso, a CBF e a FERJ - com a conivência do clube, importante mencionar - tabela preços exorbitantes de ingressos! Estas duas ações intencionais pouco a pouco afastam a torcida dos estádios, diminuindo a euforia coletiva e transformando o torcedor num telespectador com a bunda no sofá e o controle remoto na mão. Temos que brigar pela mudança dos horários e por preços populares para os estádios voltarem a encher.

Não podemos deixar de mencionar a retirada de direitos historicamente conquistados, que também se apresenta nos estádios de futebol! Na luta contra a ditadura empresarial e militar - tempos totalmente apoiados pela Rede Esgoto de Televisão - conquistamos a Liberdade de Expressão! E hoje, a Polícia Militar é acionada para coibir e censurar as faixas e bandeiras levadas para manifestação de opiniões. Se eles querem fazer com que o Futebol seja o ópio do povo, nós devemos responder com mensagens críticas sobre diversos temas da sociedade em busca de efetivamente termos uma Cidade Maravilhosa!

É nítido que o Futebol envolve corações e mentes; e a emoção, a paixão pelo Botafogo de Futebol e Regatas possibilitam que milhares de pessoas já confirmem a participação na manifestação de sábado 8 de junho. Mas é preciso mais. Temos plenas condições de avançar nas denúncias, pois a falácia eleitoral de Eduardo Paes e seu slogan de que SOMOS UM RIO - diferentemente do teto do Engenhão - PRECISAM SER DERRUBADOS pela população! Acompanhamos o caos no transporte público; a precarização das escolas municipais e a superexploração de professores e funcionários; o aumento da violência e a diminuição das oportunidades de lazer; a inexistência de um eficiente e eficaz sistema público de saúde devido à não destinação de recursos etc. Enquanto isso, milhões são destinados para empreiteiras e empresários, que se enriquecem cada vez mais, com o auxílio do argumento das obras para os megaeventos esportivos. A coalizão de Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e Eduardo Paes - que recebeu mais de R$21 milhões para sua campanha eleitoral de reeleição, com o apoio de cerca de 20 "partidos" - é maléfica não apenas à torcida do Botafogo, mas à população do Rio em geral! 

Por fim, as relações obscuras desta capilaridade de poderes da classe dominante querem nos esconder o que há por trás dos panos. Se é certo que colocaram caroço no nosso angu, é hora de respondermos à altura! No que depender de mim, todo apoio à devolução do Engenhão! No que depender de mim, a resposta à altura passa por conquistar cada telespectador para se somar à palavra de ordem "O POVO NÃO É BOBO! ABAIXO A REDE GLOBO" e à defesa de uma outra Cidade Maravilhosa, sem playboyzinhos da Barra governando para a elite nem agredindo quem já percebeu seu nefasto papel no Rio de Janeiro. Ou seja, FORA PAES tem que entrar na ordem do dia! 

Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Da euforia ao lamento*

            Durante o recesso de Campeonato Brasileiro, diversas notícias mantinham nossas atenções voltadas ao Botafogo. Enquanto a novela Seedorf caminha – ponto importante sua participação em evento contra o racismo! – e muitos aguardamos um desfecho feliz, deparávamo-nos com a triste notícia sobre Dona Célia, esposa de nosso ídolo Nilton Santos, diagnosticada com câncer no cérebro e com saúde debilitada. Nosso Botafogo já auxilia o eterno ídolo pagando suas mensalidades de internação na clínica e remédios, mas corretamente estuda a compra do acervo do craque de 86 anos. Vergonhosa permanece a atuação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que, ao passo que não se moveu nem se interessou em comprar o acervo do melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, acompanhou seu novo presidente aumentar o próprio salário de R$98 mil para R$160 mil, aumentar salários de diretores aliados e... Obviamente estourar a corda do lado mais fraco com a demissão de funcionários. Saiu Ricardo Teixeira, entrou José Maria Marin. Já avisara antes que seis por meia dúzia não se configura como troca e a necessidade é de mudanças políticas e administrativas, não de personalidades!

            Novamente os interesses da televisão foram colocados acima dos interesses dos torcedores trabalhadores. Em pleno feriado, o horário do jogo foi modificado das 20:30 para as 21h, horário complicado para aqueles e aquelas que precisam acordar cedo no dia seguinte. Além disso, o absurdo preço dos ingressos permanece! Senhor presidente, o que é melhor? 5.000 pagando R$60,00 ou 30.000 pagando R$10,00!? Um estádio construído com recursos públicos não pode nem deve ficar vazio por cobrar preços tão altos!

            Com um Departamento de Marketing ativo, criativo e participativo, a Promoção TORCEDOR VIP SOU BOTAFOGO foi lançada pelo perfil do Botafogo Oficial, e para concorrer bastava postar uma frase contendo as palavras BASE, FOGÃO e CAMPEÃO(Ã). A minha frase foi uma das dez selecionadas e pude fazer a visitação, acompanhado pela irmã, à Sala de Imprensa, ao campo antes do jogo, ao camarote, à Tribuna de Honra... Além de recepcionar nossos jogadores e a Comissão Técnica e desfrutar a Sala VIP com direito a comes e bebes!

Na Sala VIP do Setor Oeste Inferior, com a galera premiada.

            Numa noite chuvosa, jogo tarde e ingresso caro, pouco mais de 5.000 pagantes no Engenhão acompanharam o Botafogo partir para cima da raposa. Numa linda tabela com Vitor Junior, veio o primeiro desperdício de Herrera, cara a cara com Fábio. Porém, aos 20 minutos, em escanteio muito bem cobrado pelo ligeirinho, Amaral desviou contra o próprio gol para a euforia da torcida da Estrela Solitária, que, antes do jogo, pode aplaudir os juniores campeões da Spax Cup, na Europa, e acompanhar o ritmo de We will rock you durante a entrada em campo do Novo Caçador! O Botafogo jogava como há muito tempo eu gostaria de ver: disposição, toques de bola rápidos, tabelinhas, jogadas ensaiadas, faltas cobradas com rapidez para pegar o adversário desprevenido... Enfim, com bastante inteligência e visão de jogo, enquanto ao Cruzeiro restava dar chutões para fora, nas canelas dos jogadores alvinegros ou até aplicar golpes de judô para impedir os dribles. E todas estas pancadas bem distribuídas autorizadas pelo árbitro Fabrício Neves, que partilhava chances aos jogadores cruzeirenses antes de aplicar cartão amarelo. Já Fábio Ferreira, Jadson e Milton Raphael, na primeira infração cometida, foram amarelados. O Botafogo deve vetar qualquer assistente do sexo feminino: e tenho dito! A gaúcha Tatiana de Freitas foi a Ana Paula II ontem e envergonhou a necessária e importante presença feminina no futebol. Se estava desatenta ou agia por mau caráter, fato é que inverteu todos os lances que pode a favor do Cruzeiro! Sinceramente, a arbitragem de ontem pareceu muito ter recebido os dedos do senador do PDT de MG Zezé Perrella e suas cifras de R$160 milhões!

            Quando enfim neste Campeonato abríamos o placar, um show de oportunidades desperdiçadas, impossibilitando matar o jogo. E quando o Cruzeiro começava a se arriscar mais e encontrar chances, todas seguramente salvas pelo garoto Milton Raphael no gol, Herrera enfim resolveu fazer as pazes com a rede e abrir 2 x 0 após brilhante assistência de Vitor Junior. E a euforia pela liderança tomava conta da torcida, ainda mais por conta de uma atuação segura do elenco. Entretanto, bastaram seis novos minutos para o Cruzeiro diminuir, empatar e virar o resultado para 3 x 2, com Anselmo Ramon, Everton e Wellington Paulista, de pênalti. Apesar de ofensivo, dessa vez não conseguimos nova virada como nas rodadas anteriores e perdemos três pontos preciosos num campeonato em que cada jogo é uma final.

            Após vibrarmos com os dois gols e a liderança parcial, restou apenas lamentar as oportunidades desperdiçadas no ataque, as bobeadas nos contra-ataques adversários, as pancadas cruzeirenses sem punições da arbitragem e a péssima atuação da Ana Paula II, além da queda para a quarta colocação na tabela. É hora de recompor os brios e percebermos que reforços são não apenas bem-vindos como necessários. E domingo temos que partir com tudo na terra do frevo para garantir mais três pontos rumo ao Tri!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Domingo Fantástico sem música*


            Pouco menos de três horas para a estreia do Campeonato Brasileiro, minha torcida começava diretamente de São Paulo, para que o voo da GOL não atrasasse e pudesse chegar a tempo de torcer por muitos gols do meu Glorioso diretamente do Engenhão, usufruindo meu cartão de sócio-torcedor. Nunca viajara num voo tão vazio, a ponto de solicitarem que alguns passageiros fossem para a parte de trás para melhor distribuição do peso: seria um prenúncio do que encontraria no estádio!? Exatamente, a alcunha de vazião coube perfeitamente para o dia de ontem. Após uma pífia semana, com a perda do Estadual e a eliminação da Copa do Brasil, a bela tarde de domingo contou com pouco mais de sete mil presentes para acompanhar a estreia do Fogão. É absurda, imoral e inescrupulosa a opção dos mandatários do mundo futebolístico de cobrarem no mínimo R$40,00 para o ingresso num estádio construído com recursos públicos! Sem dúvidas a maior responsável pelas cadeiras vazias... Para deixar ainda mais esquisito o clima da estreia, as torcidas organizadas do Botafogo não apareciam com bandeiras, faixas e instrumentos, enquanto as do adversário faziam mais barulho. Parecia jogo fora de casa.

            Na semana em que a Enciclopédia do Futebol completava seus oitenta e sete anos de vida, justa homenagem foi feita com a bandeira estendida em General Severiano e levada a campo e a camisa 87 vestida pelo nosso atual lateral Márcio Azevedo. Entretanto, com toda sinceridade, torci muito para que nosso eterno lateral-esquerdo Nilton Santos não tenha visto o primeiro tempo do jogo. Parecia que o São Paulo enfrentava nove espantalhos reforçados por Jefferson e Vitor Junior, que corria, ora atabalhoado ora eficiente, e se dedicava em busca do gol. Todavia, foi numa jogada tramada pela direita que o adversário cruzou e a defesa do Botafogo assistia de camarote ao belo chute do Jadson paulista no ângulo de Jefferson. Era um festival de horror: a zaga, o meio-campo e Loco Abreu erravam tudo que tentavam!

Confesso que, mesmo com todo o otimismo de sempre, já me via preocupado com a possibilidade de fuga do rebaixamento. É notório que o time está sem comando. Oswaldo de Oliveira não define um padrão tático, uma jogada ensaiada, uma trama inteligente para surpreender os adversários e não fornece orientações básicas de posicionamento: se veio para conquistar títulos, precisa evoluir e muito; não dá para considerarmos a Taça Rio 2012 como o título conquistado em nossa casa! No primeiro tempo, os jogadores jogavam sem sangue, sem tesão, sem brio... Em suma, sem respeito à Gloriosa história do Botafogo!

O elenco do Botafogo tem limitações? Obviamente. Precisa de reforços? São sempre bem-vindos, desde que para somar à equipe. Porém, é importante mencionar que o Campeonato Brasileiro é um dos poucos em nível mundial em que há várias apostas de campeões e de rebaixados, onde as equipes se equiparam, infelizmente por baixo. Com isso, há três possibilidades de um time sobressair: destaques individuais – hoje podemos citar o Santos de Neymar e Ganso; esquema tático que potencialize as qualidades de cada jogador e viabilize maneiras de evitar erros crassos onde há limitações – hoje inexistente em nosso comando; ou empenho do time em campo – que ocorre quando pelo menos cinco ou seis resolvem acordar de seus cochilos e apagões. Uma vitória pode acontecer com o funcionamento de uma das três possibilidades. Se alguma equipe conseguir unir pelo menos duas das possibilidades simultaneamente, terá muitas chances de sagrar-se campeã. Então, Oswaldo, se ficar parado, vai tomar um Ta ligado! O Botafogo pode e deve unificar um bom padrão tático à doação dos jogadores em campo! E já passou da hora de mudarmos o comando de futebol do nosso Botafogo, que não merece o pensamento pequeno e desorganizado que tem pautado suas práticas.

             Desolado no intervalo, via e ouvia a torcida são-paulina comemorar a vitória parcial. A torcida alvinegra ficava marcada pelos olhares e pensamentos que mesclavam preocupação e esperança, raiva e paixão, desespero e glória... “Nada além de dívidas”, expunha a Fúria Jovem; “Meu Botafogo não é lugar de covardes”, acertadamente provocava a Loucos; e, quem diria, o banco Itaú, em sua propaganda, sintetizava de forma simples o que precisávamos: #vamosjogarbola. A entrada de Herrera no lugar de Loco apontava mais do mesmo. Todavia, a postura da equipe foi modificada. O terceiro fator resolveu entrar em campo: o time acordou!

Quando estava prestes a resmungar a respeito de chuveirinho na área sem o Loco em campo, Lucas acertou belo cruzamento e Herrera cabeceou com precisão para empatar a partida. Os momentos de lucidez foram castigados pelo desempate adversário: em nova bobeada do setor defensivo, o supostamente fabuloso cabeceou e, com o desvio de Brinner, Jefferson não conseguiu evitar. Não houve muito tempo para a torcida ensaiar vaias ou xingamentos. Herrera foi pisoteado na área, sofrendo pênalti e cobrando com chute cruzado para mostrar ao Loco como se faz e vibrar com a torcida do Fogão, que também acordou para pular, cantar e incentivar o time em busca da virada. Quando comentava sobre o 3 x 2 de 2009, falta na intermediária. Quem cobraria? Márcio Azevedo? Fábio Ferreira? Vitor Junior reapareceu e enfim a sorte nos brindou: desvio na barreira e bola no ângulo do fraco goleiro Dênis. Com velocidade e pressão, o Botafogo já havia roubado bolas da fraca zaga adversária. E foi assim que Fellype Gabriel, sem tanta intenção, forneceu assistência para Herrera cravar seu terceiro gol e garantir a virada alvinegra. E nosso argentino ainda deu show fora de campo ao esnobar mais uma das ações da toda-poderosa: “Música pra quê!? Nem em castelhano!” Herrera não é bobo; abaixo a Rede Globo!

Ontem, Jefferson novamente mitou! Além de garantir algumas ótimas defesas e sua segurança de quase sempre, fez uma defesa esplêndida em cabeceio de Luis Fabiano. Após o segundo gol do São Paulo, Brinner e o zagueiro mais estiloso do Carioca jogaram com seriedade e não vacilaram; Lucas não comprometeu e Márcio Azevedo manteve a raça para representar a posição de nosso Niltão; Jadson e Renato também melhoraram; Fellype Gabriel passou a acertar e Maicosuel, a driblar e partir para cima. Lucas Zen e Gabriel ainda entraram e é importante colocar mesmo a garotada formada em General Severiano para jogar! O Botafogo do segundo tempo é o Botafogo que honra sua História Gloriosa e é o que queremos ver nas próximas partidas! Pela primeira vez, ouvi a torcida entoar o nome do atual técnico. Enquanto Leão reclamava de tudo do outro lado, na primeira reclamação de Oswaldo de Oliveira, o árbitro – que esquecera os cartões amarelos em casa – resolveu disciplinar e expulsar nosso técnico, que não deixou barato e até encarou o bandeirinha bem maior que ele. Foi preciso até dois representantes de uma das vergonhas do Brasil – a PM – se aproximarem para Oswaldo sair do jogo. Menção a algo talvez não notado por muitos: a postura de Fellype Gabriel no banco, consolando Oswaldo e depois recepcionando Vitor Junior quando este foi substituído. Postura de capitão para o antigo menino grávido, que tem merecido nosso respeito e confiança.

            Enfim, o saldo da estreia foram voz debilitada para a semana de aulas e Botafogo na liderança e com o artilheiro do Brasileirão! O Domingo foi finalizado de maneira fantástica, mas sem música...
           
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Em defesa da garotada*

A semana iniciou-se com bons fluidos, com a presença de Túlio Maravilha em General Severiano, grande ídolo e um dos grandes responsáveis pela conquista do título nacional em 1995. Todavia, devido à frustrante atuação da semana anterior, o Engenhão recebeu pouco mais de 6.000 torcedores para acompanhar a última atuação do Glorioso como mandante nesse Campeonato Brasileiro. Interessante comparar que ano passado, quando o Fogão lutava para fugir do rebaixamento, a torcida compareceu em peso; esse ano, ainda com chances de conquistar uma vaga para a Taça Libertadores e com a equipe entre as melhores do país, apesar dos inúmeros constantes e importantíssimos desfalques, o estádio ficou vazio. Coisas incoerentes de torcedores no Brasil... Importante comentar também mais uma boa edição da revista Preliminar, inclusive contendo informação interessante sobre a promoção do clube da Estrela Solitária para publicar livros: “Meu livro do Fogão”. Quem sabe dessas linhas escritas durante 2010 para o blog Além do Trivial não sairá uma obra sobre o Alvinegro?

O adversário da 37ª rodada foi o Grêmio Prudente, ano passado Grêmio Barueri, e ano que vem já não sabemos qual será a cidade diante da saga itinerante adotada pelos empresários do futebol, que enriquecem mesmo sem criar vínculos do time muito menos sem torcedores para os jogadores contratados serem incentivados. Em diversas oportunidades, critiquei o comportamento da torcida alvinegra durante os jogos, pois a mesma se manifesta com muito maior empenho para reclamar, criticar e vaiar do que para cantar, aplaudir e incentivar a equipe. Concordo plenamente que jogadores como Lucio Flávio, Fahel, Marcelo Cordeiro e até mesmo Leandro Guerreiro têm falhado bastante e deixado a desejar, mas precisamos entender que Maicossuel, Herrera, Marcelo Mattos, Somália, Fabio Ferreira estão lesionados e desfalcaram a equipe. Na minha opinião, Joel Santana já deveria lançar a garotada prata-da-casa para os jogos há muito tempo, mas o Papai Joel é esperto e não quer queimar os garotos. A torcida do Botafogo precisa apoiar os jogadores criados nas categorias de base, uma ferramenta importante para não dependermos das contratações envolvendo milhares e até mesmo milhões de dólares e euros para montar uma equipe competitiva. Entretanto, perseguições ao lateral-esquerdo Gabriel e até mesmo durante a má fase ao xodó Caio são exemplos lastimáveis de parte considerável da torcida, em vez de apoiar a juventude promissora.

Com o ingresso comprado há quase duas semanas, parti contente para o Engenhão. Como estava vazio, enfim consegui posar à frente da estátua da Enciclopédia do Futebol, o melhor lateral-esquerdo da história do futebol e botafoguense Nilton Santos. Outro motivo de satisfação foi ver a prévia da escalação, com Caio como titular e o garoto Lucas Zen no plantel – este, além de ser cria do Fogão, é, assim como eu, ex-aluno do Colégio Pedro II [instituição que completa 173 anos neste 2 de dezembro]. Com o início do jogo e a ansiedade da torcida para comemorar logo um gol, que demorou a sair, de destaque apenas uma bela jogada de Caio para Lucio Flávio chutar e o goleiro adversário defender. Em seguida, com bela cobrança de córner, o maestro encontrou a cabeça do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos para abrir o placar e anotar seu sétimo gol na competição. Muito apagado na frente, num lance em que a torcida já se preparava para reclamar da demora em passar a bola, Edno acertou com sua canhota um belo chute de fora da área para ampliar a vantagem. Talvez a única jogada lúcida do atacante durante todo o jogo... No segundo tempo, apesar dos pedidos de mais um por parte da torcida, a equipe alvinegra parecia contente com o placar e jogava de maneira displicente. Afirmo com tranqüilidade que os dois melhores em campo eram Caio e Lucas Zen! Numa tarde em que nosso carismático atacante uruguaio não estava bem, palmas para ele por reconhecer as limitações da atuação e solicitar sua substituição. O lanterna da competição já havia diminuído o placar, quando mais um garoto – Alex – entrara para substituir El Loco. Em duas oportunidades de chutes atabalhoados, o jovem atacante mostrara disposição. Mas foi em bela jogada que partiu para cima da defesa adversário e sofreu pênalti. Com Loco e Lucio Flávio no banco, com categoria Marcelo Cordeiro fechou o placar em 3 x 1 para o Fogão, voltando a vencer na competição e garantindo os 3 pontos em seu último jogo como mandante.

Não sei se pelo adversário ou por pouca pressão principalmente de seus torcedores, mas o fraco jogo foi fácil para o Botafogo. Muito bacana ter visto do Setor Oeste Superior que no segundo tempo as Torcidas Fúria Jovem e Loucos Pelo Botafogo demonstraram que as organizadas pode se unir para realizar uma grande festa e fortalecer o apoio ao Botafogo! Uma dúvida que tem ficado é se o Botafogo treme diante de grande público ao seu favor ou se a impaciência e chatice de boa parte da torcida atrapalham o desempenho da equipe. Enfim, alcançamos 59 pontos, campanha inimaginável para diversos analistas do futebol, jornalistas e até mesmo para alguns torcedores pouco sonhadores. Temos uma tarefa homérica contra o Grêmio de Renato Gaúcho no próximo domingo, no Olímpico. Só a vitória nos interessa, além da necessidade de torcer pelos argentinos contra o rebaixado Goiás na final da Sul-Americana. A Arrancada Final ficou difícil, mas não impossível e a vaga para a disputa da Taça Libertadores será um grande desfecho para 2010. Pra cima deles, Fogão!


Obs.: alguém terá sentido falta do Jobson¿ Só percebi no segundo tempo, quando os jogadores se aqueciam, que nem no banco ele estava.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985