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sábado, 13 de novembro de 2010

Hora de secar*


A chance de retornar à bela capital cearense era grande com o jogo num final de semana do feriadão de 15 de novembro. Mas a toda-poderosa Rede Glóbo de Televisão antecipou o confronto para quarta-feira, prejudicando significativamente o Botafogo por conta de duas viagens seguidas e de pouco tempo para treinar. Diante disso, para alguns torcedores, como eu, Fortaleza ficou mais distante e o jeito foi acompanhar pela televisão a participação da Estrela Solitária na 35ª rodada. Devido aos compromissos profissionais, assisti ao jogo em Rio das Ostras, num restaurante com a alcunha da competição: Brasileirão!

Além de Maicossuel, Herrera e Fabio Ferreira, – liberados só ano que vem – Marcelo Cordeiro e Somália, – que não estiveram presentes nas ultimas rodadas – Marcelo Mattos e Antonio Carlos cumpriam suspensão. Ou seja, quase um time titular completo ausente da partida no Castelão. Com 55 pontos 6 pontos atrás do líder Fluminense, um fluido positivo estava no ar de que poderíamos encostar nos 3 primeiros e permanecer acreditando bastante em conquistar esse Campeonato Brasileiro. O Vozão, que já fora líder este ano, caiu de produção, mas é nítido como há bastante qualidade nesse time, principalmente com o meio de campo extremamente ágil, arisco, arriscando chutes, trocando passes e se movimentando o tempo todo! Tudo que o meio-campo do Fogão deveria ser mas não é!

Em 5 minutos, o Ceará já finalizara em três oportunidades e o árbitro, além de não marcar a falta em cima de El Loco, equivocadamente amarelou o jogador. El Loco, de “cara limpa”, seis minutos depois, mostraria sua estrela. Em um bate-rebate, Edno cruzou, Alessandro tentou de letra (faz o simples, cabeção!) e furou, o maestro desafinado Lucio Flávio chutou cruzado e a bola encontrou a perna esquerda do uruguaio matador: 1 x 0! As investidas cearenses esbarravam no melhor goleiro do Brasil, que salvou dois chutes de Magno Alves, aos 16 e aos 18 minutos. Aos 22 minutos, os jogadores de futebol deveriam aprender com uma regra do basquete: bola no campo de ataque NÃO pode voltar para o campo de defesa. Entretanto, Edno passou para trás, Marcio Rosário dominou e na fogueira tocou para trás, Leandro Guerreiro cochilando deixou a bola passar por baixo do pé e Magno Alves agradeceu a bobeada, carregando a bola até chutar no canto de Jefferson e empatar a partida. Aos 26 minutos, quase o árbitro se atrapalha, chegando a tirar o cartão vermelho do bolso para Túlio Souza, que não tinha recebido amarelo! Com 34 minutos, Geraldo acertou uma bomba de canhota de fora da área, acertando o ângulo e virando a partida para os donos da casa. Por que só depois disso o Fogão começou a sair de seu cochilo? Aos 41, pênalti não marcado em cima de Túlio Souza; e aos 46, no único lance acertado de Jobson, um belo passe para Túlio Souza chutar rente à trave e sair caprichosamente pela linha de fundo, duas oportunidades que poderiam nos garantir o empate antes do intervalo.

No segundo tempo, o Botafogo ousava mais. Fahel quase acertou de cabeça aos 6 minutos (seria querer demais, né?); e Jobson, em duas situações semelhantes pela esquerda, dentro da área, chutou de qualquer jeito para fora, aos 4 e aos 7 minutos. Ainda levou um cartão amarelo depois de reclamação. Porém, a estrela da noite era realmente solitária e era gringa. Aos 11 minutos, Túlio Souza cruzou, Alessandro dominou e tocou para trás. Lá estava El Loco, na grande área, para inteligentemente chutar de esquerda, com ligeira curva, no cantinho do gol e empatar novamente a partida! Passando-se três minutos, momento Trapalhões da zaga do Botafogo: Fahel chuta de qualquer jeito para afastar a bola da área em cima de Leandro Guerreiro... A bola vai na direção do gol e fica na trave direita de Jefferson. Com Caio, Bruno Thiago e Renato Cajá nos lugares de Fahel, Túlio Souza e Lucio Flávio, o time ficou mais ofensivo e vulnerável. Mas realmente era preciso arriscar nessa reta final e buscar a virada. Apesar do Ceará ainda ter acertado uma cabeçada na trave direita que salvou novamente, os minutos finais reservaram a expulsão do adversário Michel ao receber o segundo cartão amarelo em falta sobre o xodó, duas oportunidades de cabeceio para fora de Caio e El Loco e a melhor oportunidade, aos 36 minutos: novamente livre pela esquerda, o afoito, atabalhoado e nada inteligente em finalização Jobson chutou em cima do fraco goleiro do Ceará, finalização que poderia sacramentar a vitória.

No jogo entre duas das melhores defesas da competição, 2 gols para cada lado e mais um empate do Botafogo. Foi um jogo muito melhor que o anterior contra o Avaí. Somamos 56 pontos faltando 3 rodadas apenas: 5 pontos atrás do primeiro colocado e 3 à frente de dois concorrentes pela vaga na Taça Libertadores. O Botafogo é o time com menor número de derrotas e está invicto há 13 rodadas. A campanha é digna de elogios sim, embora fiquemos frustrados porque a possibilidade do título era muito maior! São vários desfalques, foram bobeadas em minutos finais de alguns jogos e erros de arbitragem. É hora de secar os jogos de sábado e domingo! E a torcida tem uma grande responsabilidade para impulsionar a Arrancada Final nos jogos contra Internacional e Grêmio Itinerante no Engenhão. Avante, Glorioso!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães*


Depois de mais uma aprontada pela Prefeitura de Rio das Ostras, que trocou por sábados letivos os pontos facultativos de segundas-feiras, tive que assistir ao jogo do Fogão num quiosque na Praia do Centro. Pela terceira vez nesse Brasileirão, fiquei na torcida a cerca de 180 km de distância do Engenhão. Era a 25ª rodada e o jogo de ida contra o Atlético-PR não trazia boas recordações, pois o Glorioso permitira a virada após abrir dois gols de vantagem no primeiro tempo. O conjunto de desfalques era outra preocupação para esse jogo e a torcida também desfalcou, comparecendo com pouco peso. Na própria entrada para o campo, atitude bacana do elenco, ao carregar a faixa “Força, Maicosuel, estamos contigo!”.

            Apesar de muitas mudanças na equipe, o entrosamento inicialmente aparentou estar em dia. Com 22 minutos, uma excelente e habilidosa tabelinha entre Jobson e Túlio Souza desencadeou dribles do ousado atacante alvinegro dentro da área, que apenas escorou para o canhotinho Edno não vacilar e marcar 1 x 0. Infelizmente, a ligação entre os setores permanece complicada: em diversos momentos, o Botafogo tem a bola no campo de ataque e atrasa para a defesa dar chutões e contar com a sorte de sair alguma boa jogada. No primeiro tempo, mais uma vez tivemos de enfrentar os equívocos dos auxiliares ou bandeirinhas. Numa cabeçada para trás do jogador atleticano, a bola sobrara livre para Jobson, que rumava para ficar frente a frente com o goleiro Neto. Equivocadamente, foi marcado o impedimento, em jogada que talvez definisse algum vitorioso no duelo entre os goleiros convocados por Mano Menezes, ambos em ação no Engenhão. Os passes errados no meio são outro problema seríssimo. E num deles, o Atlético-PR armou o contra-ataque e obrigou nosso paredão Jefferson a mostrar serviço e o porquê de estar na Seleção Brasileira! A mania de se jogar em lances polêmicos e abrir mão da tentativa de gol ainda é hegemônica entre os atacantes. E a fantasia pouco antes de terminar a etapa inicial custou um cartão amarelo a Jobson e sua suspensão para o jogo seguinte.

            O jogo demonstrava que temos bons jogadores e, com mais atenção e cautela, é possível vencer os jogos, mesmo desfalcado. Lucio Flávio subiu de produção e ainda é uma excelente opção para jogar uns 60 minutos. O meia até deu carrinho para disputar a bola! Edno se movimentou muito bem e armou boas jogadas e dribles pretensiosos. A entrada de Paulo Baier é sempre preocupante; ele adora aprontar contra o Fogão. Enquanto o Atlético-PR tinha facilidade em cima da lentidão do cansado Túlio Souza e do limitadíssimo Fahel, contávamos com a segurança do Jefferson e a falta de pontaria do adversário. Caio e Renato Cajá fornecem maior movimentação, mas precisam de maior eficiência com a bola nos pés. Apesar dos diversos problemas, os 3 pontos se aproximavam cada vez mais, até que... Elizeu, que acabara de entrar, errou um passe primário – desses que são ensinados em escolinhas para crianças de 6 anos de idade – e possibilitou um contra-ataque do rubro-negro paranaense: Guerrón passou facilmente por Fabio Ferreira e chutou quase sem ângulo para empatar a partida nos minutos finais. Só deu tempo para o detalhe, o azar, o quase... surgir como protagonista. Numa sobra de bola na entrada da área, chute (quase) perfeito do garoto Caio... Quase comemoramos, mas a bola caprichosamente espancou o travessão, ratificando o décimo empate no campeonato. Ah, se essa bola tivesse entrado, se o Elizeu não tivesse errado o passe, se o impedimento não fosse marcado...

            Como não podemos nos submeter à lógica do Quase ou Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães, não adianta lamentarmos os problemas, os desfalques, as suspensões, os erros de arbitragem (impressionante, voltaram a acontecer todo jogo) e a desatenção e o cochilo da equipe nos momentos finais. É preciso acertar onde os equívocos têm acontecido e ficar acordado de verdade até o apito final. Todavia, contrariando os torcedores pessimistas, o sonho do título ainda é muito possível e temos de apoiar para torná-lo real. Nas seis primeiras rodadas do primeiro turno, o Botafogo conquistara 8 pontos; nesse segundo turno, são 9. Nossa arrancada começou contra o Vitória, na 12ª rodada, após uma sequência de 3 empates...

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985