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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Todo apoio à greve e às ocupações dos Colégios Estaduais

Nas últimas semanas, temos acompanhado a ativa participação da juventude, que, em apoio à greve dos trabalhadores da Educação e em defesa da Educação Pública, gratuita e de qualidade, tem ocupado os seus Colégios para reivindicar as melhorias, construindo pautas internas e gerais. Visitei a ocupação do Colégio Estadual Visconde de Cairu no Méier, onde há vários ex-alunos que foram da E. M. Ministro Orosimbo Nonato; a ocupação do Colégio Estadual Matias Neto, em Macaé, levando doação de pães e a vivência do slackline; a ocupação do Colégio Estadual Luiz Reid, também em Macaé, que havia sido ocupada horas antes; e a ocupação do Colégio Estadual Antônio Houaiss, no Méier, levando doações e propondo algumas atividades. Abaixo, segue o panfleto conjunto dos aguerridos Movimentos Sindicalismo Militante e Quem Vem Com Tudo Não Cansa, em apoio à greve geral e às ocupações dos Colégios Estaduais. Só a Luta Muda a Vida e Não Vamos Pagar pela Crise! Ocupa Tudo!!!



TODO APOIO À GREVE E ÀS OCUPAÇÕES DOS COLÉGIOS ESTADUAIS!

Desde 2008, acompanhamos mundialmente uma crise econômica, que traz como consequências medidas aplicadas por diversos governantes para salvar os grupos dominantes e prejudicar os trabalhadores e a juventude. Além de congelamentos salariais, ataques à previdência e retirada de direitos históricos dos trabalhadores, as perspectivas para os jovens em idade escolar são ainda mais alarmantes, pois o prognóstico aponta o aumento do desemprego nas próximas décadas.

Para piorar a atual situação, no Brasil, os Governos de Dilma/PT e de Cabral/Pezão/Dornelles, nos últimos anos, aplicaram e tentam aplicar ainda mais medidas que atacam a Educação Pública. O governo Dilma anunciou e aplicou sistemáticos cortes de verbas para a Educação, além de não negociar com servidores federais, que precisaram deflagrar quatro greves nos últimos cinco anos. E no Estado do Rio de Janeiro, Cabral e Pezão fecharam escolas, demitiram funcionários, abriram espaço para a privatização por meio das Organizações Sociais, impulsionaram a famigerada avaliação do SAERJ e cortaram recursos, ao ponto de faltar docentes para diversas disciplinas do currículo escolar e até mesmo a merenda para os estudantes. 

O reflexo desta situação é a imensa precariedade na rede estadual de Educação, sem o quantitativo necessário de docentes e funcionários, com pouca estrutura física e pedagógica, ocorrências de assédio moral, intensificação da meritocracia, falta de democracia etc. Como se não bastasse este quadro, o Governo do Estado, por meio de decreto, transferiu o pagamento dos servidores estaduais do segundo para o décimo dia útil e agora retira da folha salarial aposentados com salários acima de R$2.000,00. Este Governo trata com descaso os servidores e com isenções fiscais e benefícios os empresários. A greve dos trabalhadores da Educação e agora a greve geral dos servidores estaduais tomam conta das ruas, unificando as lutas em defesa dos trabalhadores, da juventude e do serviço público estadual.

Neste cenário, não temos dúvida de que apenas o caminho da luta organizada, coletiva, autônoma e independente, unificando funcionári@s, professor@s e estudantes, é o destino para enfrentarmos os governantes e ratificarmos que NOS NÃO VAMOS PAGAR PELA CRISE! Portanto, os Movimentos Sindicalismo Militante e Quem Vem Com Tudo Não Cansa vêm por meio desta carta manifestar seu irrestrito apoio à greve d@s trabalhador@s da Educação do RJ e às ocupações dos Colégios Estaduais, que têm sido muito melhor administrados pela juventude aguerrida de nosso Estado!

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Obrigado, E. M. Ministro Orosimbo Nonato

Era o ano de 2010. Após passar por algumas redes de ensino, parecia estabilizar-me nas redes de Rio das Ostras e Macaé. Parecia... Porque com os desmandos do coronelismo riostrense e os 20 tempos semanais cumpridos em dois dias, rodando de bicicleta de uma escola para outra, me forjaram a decisão de me inscrever para aquele que demorara, mas chegara: o concurso para a Prefeitura do Rio. Inscrevi-me para a 3ª CRE para poder trabalhar perto de casa. Veio o concurso e obtive a melhor nota para a referida região, passando em quarto lugar após as provas de títulos e os critérios de desempate. A convocação não demorara e já estava decidido a trocar as 25h semanais de Rio das Ostras pelas 16h semanais na rede do Rio de Janeiro. No dia da escolha da lotação, poucas opções, mas não demorei para optar pela Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato, situada no bairro cujo nome associam ao seu homônimo paulista - Higienópolis. 



Desde outubro de 2010, esta instituição foi uma de minhas casas, principalmente às segundas e terças, trabalhando a cada ano com seis turmas do Ensino Fundamental, usando as salas, os pátios, o auditório, a quadra, a área externa, buscando desenvolver atividades que integrassem os estudantes e diversificassem os conteúdos da Educação Física. Não sei se fui sempre exitoso, mas buscando reviver alguns momentos marcantes tenho certeza de que me esforcei para estabelecer boas relações profissionais, pedagógicas e emocionais com os colegas de trabalho e com os estudantes. 

O cotidiano cruel imposto por uma política pública de Educação meritocrática e elitista dificulta bastante a construção de uma Educação digna para os filhos da classe trabalhadora. As salas pequenas e superlotadas, a pressão para garantir a aprovação maciça, a ausência de apoios de psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais para os estudantes, dentre outras questões, são empecilhos claros para o desenvolvimento pleno de nossas crianças. Contudo, com todas as dificuldades, aos trancos e barrancos, somos desafiados a garantir um trabalho de qualidade.



Em 2011, tive a felicidade de conseguir as gratuidades para subirmos ao Morro do Pão de Açúcar, uma atividade externa que até hoje me recordo: os sorrisos e as brincadeiras, a vivência de aprender conhecimentos fora dos muros da escola, a cantoria no trajeto e o sensacional comportamento dos adolescentes naquela agradável tarde. Naquele mesmo ano, uma das turmas me pregou uma verdadeira pegadinha: só um desce para a aula na quadra; quando chega o segundo, diz que há uma briga física na sala de aula justamente no dia em que o inspetor não estava. Subo os lances de escada pulando de três em três degraus e chego à sala ao som de "Parabéns pra você!", com bolo, salgadinho, docinho e refrigerante. Como é gostoso receber essa sensação de carinho, de afeto, de admiração, por parte desses jovens! 

E foi por causa de alguns deles que usávamos do nosso tempo de almoço para treinar, pegávamos carros emprestados e nos desdobrávamos para sair com grupos de crianças e adolescentes, para outros bairros e participar dos Jogos Estudantis. Infelizmente, a relação de apoio por parte da Prefeitura é inversamente proporcional à alegria da participação nos torneios, mesmo nas situações de derrotas. Foi uma agradabilíssima experiência levar os estudantes da Orosimbo para disputar torneios de futsal e basquetebol, inclusive levando a Escola ao sexto lugar geral da 3ª CRE em 2013.






Falo sobre as flores, mas é preciso denunciar os espinhos! Apesar de ter me ouvido e dialogado até pessoalmente, a Secretária Claudia Costin, com quem discuti asperamente nas redes sociais em 2011, cumpriu um desserviço à Educação Pública. Por isso, aderi a todas as paralisações aprovadas pela categoria desde que entrei na rede!

Eduardo Paes, Adilson Pires, Claudia Costin, Helena Bomeny, Pedro Paulo, Paulo Figueiredo, vereadores representantes dos dominantes e demais asseclas: NÃO PASSARÃO! 2013 foi o ano em que mais me senti efetivamente em uma rede de Educação. Foi o ano em que vesti com orgulho a camisa preta informando à sociedade que fiz parte daquela história. Foi o ano em que colocamos cem mil nas ruas para defender os trabalhadores da Educação após a truculenta ação dos governantes e da Polícia Militar, que sitiou a Câmara de Vereadores para nos bombardear física e moralmente. Foi o ano em que a categoria ousou sonhar, ousou conquistar, ousou ir às ruas e enfrentar um governo tirano e uma secretaria meritocrática. Foi o ano em que não precisávamos abaixar as cabeças, pois tínhamos companheiros ao nosso lado para nos proteger a qualquer momento. Apesar dos pesares, essa energia de luta é incapaz de perecer. Tenho certeza de que devemos e podemos resgatar a chama de luta para a rede, nos juntando aos demais trabalhadores da Educação de outras redes e à sociedade como um todo, para buscar novos horizontes para a Cidade Maravilhosa.






Neste dia 6 de outubro, poderia até considerar meu pedido de exoneração como a carta de alforria por em breve não mais pertencer como professor I - Educação Física ao quadro de servidores municipais do Rio de Janeiro. Todavia, meus laços não serão rompidos, pois a vivência com os colegas lutadores e a alegria de ter deixado alguma marca nas mentes e corações de centenas de crianças e jovens que passaram pelas minhas turmas nesses quase quatro anos me deixarão com saudades e pronto a ajudar com o máximo das forças, a defender com unhas e dentes, as lutas que precisamos travar em defesa da Escola Pública. 

Aos colegas, aos estudantes, pais e responsáveis da Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato, aos ativistas da rede municipal, aos companheiros do Movimento Sindicalismo Militante, obrigado por compartilharem comigo o conjunto desses momentos vividos ao longo dos últimos quatro anos. 

Saudações pedagógicas, Gabriel Marques.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

IX Pelada da Esquerda*



            Em meio à greve das Instituições Federais de Ensino, do Arquivo Nacional, à ocupação do Canecão e às variadas lutas em defesa da Educação e Saúde Públicas e visando à construção de uma nova sociedade, mais de trinta companheiros fizeram uma breve pausa na agenda de estudo, trabalho e militância para a confraternização semestral, desta vez em novos gramados. A nona edição da Pelada da Esquerda, no Rio de Janeiro, ocorreu na Associação Atlética Light, no Grajaú, e foi paulatinamente organizada ao longo de um mês e meio para que os peladeiros pudessem aproveitar ao máximo as duas horas oscilando momentos de categoria e trapalhadas no dia 4 de agosto. Infelizmente, algumas baixas por contusões, as ausências não informadas e os atrasos impossibilitaram que a organização chegasse à plenitude. Porém, o churrasco no Andaraí fechou o Sábado com chave de ouro, com o auxílio do golaço do surinameso Clarence Seedorf, agora em terras tupiniquins como nós.

            Depois de sagrarem-se campeões de La Liguita – torneio de consolação durante a I Copa América Alternativa na Argentina – e de disputarem o jogo de ida da Recopa Alternativa contra o Autônomos FC, em São Paulo, o time Pelada da Esquerda já se encontra requisitado nacional e internacionalmente. Em datas a serem confirmadas, há um amistoso apontado contra o time de Maromba, distrito de Itatiaia; o jogo de volta, no Rio, contra o Autônomos, onde há totais condições de reverter o placar negativo de 8 x 1, já que o jogo será em casa e a equipe contará com seu plantel reforçado. Entre os dias 24 e 26 de agosto, nosso artilheiro Gabriel Marques – GM-7, que alcançou a marca dos 29 gols em 9 edições – representará o Pelada da Esquerda na Copa do Mundo Alternativa, em Bristol, na Inglaterra, integrando o combinado que contará também com integrantes do Autônomos FC e do FC Vova, da Lituânia. Durante o churrasco, foi dado o pontapé inicial para a organização do elenco que disputará a II Copa América Alternativa, entre 14 e 17 de fevereiro do próximo ano.

            Como de praxe, seguem nossas impressões e avaliações – dessa vez consolidando a parceria entre dois conceituados e premiados comentaristas – sobre o desempenho dos jogadores na tarde de sábado.

Cláudio Lopes: como bom xeroqueiro e microempresário do ramo das papelarias, prometeu a distribuição de canetas, mas não foi capaz de cumprir enquanto esteve na linha. Recordou seus tempos de categorias de base do Bonsucesso, mas não evitou vários gols, comprovando que precisa de muitos treinos para recuperar a vaga hoje ocupada por Bruno G. Nota 7,0.

Murilo Vilaça: dedicando-se a dois Doutorados, teve seu faro de artilheiro afetado. A finalização que mais chamou a atenção foi quando achou que jogava na NFL, ao tentar marcar um touchdown. Além do mais, tinha uma morena do lado de fora do campo que lhe dispersou a atenção. Nota 4,0.

Bruno Gawryszewski: aumentando seu cabedal como goleiro, BG-69 foi disparado o melhor arqueiro do evento. Só levou alguns gols porque machucou um dedinho no início da Pelada e jogou contra a equipe de GM-7. É Seleção! Nota 9,5.

Gabriel Marques: tinha dois objetivos na Pelada da Esquerda: preparar-se para a Copa do Mundo e aproximar-se da marca dos 30 gols. GM-7 agarrou durante uma partida, forneceu assistência e balançou as redes adversárias por cinco vezes, contribuindo para a invencibilidade do time Marx. Preferiu deixar o Gol 30 para a glamourosa décima edição. Nota 9,5.

Thiago Coqueiro: com relativa categoria no início, não honrou o nome do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa ao se desgastar enquanto os minutos passavam. Apesar de não beber, não fumar e não..., seu abdômen proeminente acusa as limitações de preparo físico. Seria melhor ter brincado de pique-se-esconde ou ter soltado cafifa nas terras gonçalenses. Nota 4,5.

Alex Lauriano: distribuindo lindeza Brasil afora, nesta edição ficou marcado como o chorão. Resmungou o tempo todo reivindicando o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva e a Comissão de Arbitragem e não repetiu os dribles e a malandragem de outrem. Nota 3,5.

Luiz Carlos: vangloria-se por um ovinho dado no melhor jogador de linha da partida. Ainda não tomou vergonha na cara de cortar o cabelo. Excetuando-se este único lance de lucidez e categoria, só apareceu por conta do acessório usado no cabelo, para desespero e provocações de Bruno Adriano. Nota 5,5.

Matheus Cidão: evidenciou o total desgaste da viagem de Campo Grande até o Grajaú. Sua presença foi notada apenas na Foto Oficial. Nota 4,0.

Renato Sarti: soberano no meio-campo, quase sempre fazendo boa ligação entre a defesa e o ataque e marcando dois gols. Apesar das incursões burocráticas no CONSUNI, cumpriu um bom papel na equipe Marx. Nota 7,5.

Elielsom: enquanto esteve em campo, deu trabalho aos adversários. Sorte deles que suportou apenas uma partida e meia, o pior preparo físico dentre os 32 jogadores. Nota 4,5.

Maurício Mileo: não repetiu as atuações que o consagraram como o camisa 9 da Pelada da Esquerda. MMs-9 não cabeceou em direção ao gol, não executou um chute decente e quase teve um ataque cardíaco. Nota 4,5.

Marcelo Dominguez: MD-24. Correu como nunca, jogou como sempre (com direito a gol contra no BG-69). Declamou a frase impagável: “Porra, eu não sei mais jogar bola!”. Pelo esforço... Nota 6,5.

Gustavo Oliveira: a cabeleira satânica começa a pesar, afetando o seu desempenho futebolístico. Recomenda-se comprar a máquina GAMA ou Philips. Nota 5,0.

Bruno Rodolfo: o amigo do CAEFD... E o mais satisfeito por ter sido incluído no time Marx. Nota 5,0.

Wagner Marretovic Angelim: o sérvio-cearense mostrou disposição em ajudar. Contudo, ficou tímido e não se aventurou em mostrar um futebol mais habilidoso. Foi oportunista ao marcar gol após jogada de contra-ataque e assistência de GM-7. Nota 5,0.

Bruno Adriano: quando viu o primeiro confronto entre a equipe de colete vermelho e a de colete preto, frustrou-se com as cores que evidenciam a crise cíclica do sistema flamenguista e desertou. Com dúvidas pós-modernas acerca do caminho a percorrer, não ficou muito longe acompanhando os setores de esquerda e voltou ao jogo. Faltou a companhia de Bruno Lima para aparecer mais com suas incansáveis discussões em campo. Nota 4,5.

Ian: sua melhor atuação foi pilotando a churrasqueira (mó bração, hein, Fino!). Nota 7,0.

Vinícius: foi um dos poucos que conseguiu furar o BG-69 (sim, vale o duplo sentido). Mostrou-se preocupado com a ausência de seu amigo “Magrinho du Fonca”, escalado para fazer uma incursão na Pedreira. Nota 5,0.

Felipe Formoso: a campanha do Freixo está lhe consumindo todas as energias, porque o que se viu em campo foi um jogador “amarelão”. “Amarelou” ainda mais quando soube que havia pessoas por perto moradoras da Zona Oeste. Nota 4,5.

Carlos Leal: estrategicamente, repetiu a prática de atrasar-se para entrar em campo com os demais já cansados. Pragmaticamente, repetiu a mesma jogada por mais de três vezes: recebia a bola na ponta esquerda, ajeitava pra dentro e tocava pro meio. Mérito porque conseguiu mostrar preparo físico melhor que o do Elielsom, jogando quase três partidas inteiras. Nota 6,0.

Carlos Augusto “Carlinhos”: foi bastante notado ao buscar a bola várias vezes dentro do gol. Nota 4,0.

Cadu Marconi: foi o jogador quase: quase fez gol, quase deu um belo chute, quase deu uma boa assistência, quase jogou até o fim das 2 horas e quase apareceu na Foto Oficial. Foi embora de balão, acompanhado de um padre. Nota 4,0.

Rodrigo Mourelle: diferentemente da Copa América, dessa vez conseguiu escorar para o gol as assistências dos companheiros de equipe. Nota 6,0.

Rian Rodrigues: na NBA, as equipes são ranqueadas pelo seu average (relação percentual vitórias / derrotas). O average deste jogador foi 0.000. Nota 0.000.

Rodrigo Magalhães: Cínthia atrapalhou decisivamente seu desempenho... Nota 4,0.

Pedro Cardoso: oscilou bons e maus momentos. Como não precisou cobrar tiro de meta, ficou na média. Nota 5,0.

Marcelo “Forró”: Perdeu uma chance de gol clara, devido ao famoso pé mole pra chutar. Acostumado a correr meia maratona, chegou atrasado, a tempo de jogar meio jogo. Nota 4,0.

Pedro Santos: não fez valer o seu tipo físico avantajado e ainda se perdeu em discussões com Luiz Carlos “Monstro”. Escapou do trote como calouro. Nota 4,0.

Bruno Gonçalves: tendo como cartas na manga as desculpas pelos pés ralados e pelo joelho bichado por conta de uma atuação irregular por inspirar-se em Fábio Ferreira, o alvinegro ex-CPII teve sorte ao cair de pára-quedas na equipe Marx após desistência de Elielsom. Nota 4,5.

Rodrigo (UniRio): Como jogador da Pelada da Esquerda,  é um ótimo militante que ocupa antigas casas de shows. Nota 5,0.

João Gabriel: sua incursão na Ásia e suas práticas de relaxamento não contribuíram para uma excelente atuação. Duvidaram de sua presença, mas ele apareceu e encarou até o final. Nota 5,0.

Juliano: a “bebida liberada” da noite anterior acabou com sua pretensão de fazer uma boa atuação. Nota 4,5.


*Karl Leirbag, jornalista alemão
Breno Strozenberg, crítico de cinema para filmes de animação da Mongólia

sábado, 27 de agosto de 2011

Avante, nossos sonhos!

Essa noite eu tive um sonho
Sonhei que era jogador de futebol
Capitão do Glorioso Botafogo
Num confronto contra o Coritiba
E a torcida enchendo o Engenhão

Após o intervalo, eram disponibilizadas bolas velhas 
Que não condiziam ao espetáculo do futebol
Diante de um motivo aparentemente bobo
Começamos a questionar as péssimas condições de trabalho
O capitão do Coxa aceitou conversar com seu time
E atrasar o início da segunda etapa

A torcida começou a perceber o protesto
E entoava cantos de apoio às críticas feitas pelos jogadores
Usando como exemplos as greves no futebol espanhol e dos operários no Maracanã
Discursava sobre os baixíssimos salários da maior parcela de jogadores do país
Criticando ainda o papel dos empresários da bola

Ricardo Teixeira fugiu revoltado do camarote
Após puxarmos a palavra de ordem de "Fora Teixeira"
A Rede Globo interrompeu a transmissão
Logo depois da torcida cantar com euforia:
"O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!"

Acordei, sorrindo e pensando como podemos transformar os sonhos em realidade
Dificilmente terei condições de ser jogador de futebol
Mas temos plenas condições de enfrentar e derrubar Teixeiras e Marinhos
Permitindo que o Futebol seja efetivamente uma Alegria do Povo
Processo que caminha conjuntamente à construção de um novo modelo de sociedade...

Sonhemos!
Acordemos! 
Gritemos!
Lutemos!
Avante!

Gabriel Marques

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Feijoada - 173 anos do Colégio Pedro II

Assim como no ano passado, posto aqui no blog o convite para esse emocionante evento anual.

No Sábado, 4 de dezembro de 2010, ocorrerá na Unidade São Cristóvão do Colégio Pedro II mais uma edição da tradicional Feijoada, comemorando os 173 anos da instituição a partir das 12h 30 min. Tive a oportunidade de comparecer nas três últimas edições e é bastante interessante acompanhar diversas gerações de ex-alunos entoando o Hino dos Ex-Alunos e a Tabuada!

Espero rever diversos dos amigos com quem compartilhei bons momentos entre 1996 e 2002 na Unidade Engenho Novo II e entre 2001 e 2002 na Unidade Tijuca II. Minha relação com o Colégio é forte desde 1995, quando decidi que estudaria muito para passar no concurso de seleção. Objetivo alcançado e 5ª série iniciada em 1996.

Lá iniciei minha militância no Movimento Estudantil, fazendo parte do Grêmio Estudantil entre 2000 e 2002, Comando de Greve de 2001, representante de turma por diversas vezes; participei de minha primeira passeata - em defesa do Passe Livre; aprofundei o desejo pela leitura e pela escrita, publicando redações e vencendo um concurso de crônicas; mas principalmente me inspirei e fui influenciado para escolher ser Professor.

Depois de sete anos cursando o segundo ciclo do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, além do curso técnico em Processamento de Dados, voltei em 2007 para concluir a Prática de Ensino em Educação Física - na mesma Unidade Engenho Novo II - e atualmente a história do Colégio é objeto de minha dissertação de Mestrado, que preciso finalizar daqui a alguns meses. rs

Para finalizar, transcrevo as palavras de Ana Helena Tavares, com quem estudei durante alguns anos e vivenciou o mesmo período que eu na instituição.

=> Dedico este poema ao meu querido e inesquecível Colégio Pedro II, em especial à Unidade Engenho Novo, onde, durante 7 anos, escrevi algumas das mais belas páginas da minha vida.

O que dizer de ti? Um colégio tão especial!
Que ainda desperta os mais puros sentimentos
Consegue modernizar-se, sendo tradicional
Sempre palco de inesquecíveis momentos

Para dizer tudo aquilo que representas,
Eu ficaria horas e horas a escrever,
Precisaria de mil folhas imensas
E ainda ficaria muito por dizer

Direi: é uma honra usar o emblema
De um colégio que glória se chama
Receba este meu tão singelo poema
Como homenagem de quem te ama

Dezembro de 2001,

Ana Helena Tavares
CPII Engenho Novo – 1996 - 2002




Conheçam também o CLUBE DOS AMIGOS DO COLÉGIO PEDRO II -> http://www.clubeamigosdopedrosegundo.com.br/index.htm 

sábado, 16 de outubro de 2010

Saudosismo nos 10 anos de Movimento Estudantil*


 Documento convocando para a cerimônia de posse.

Os ex-companheiros de gestão ATITUDE Rudi e Rafael, grandes referências na época do Grêmio. Foto às vésperas da cerimônia de nossa formatura (2002).
Apesar das poucas horas de sono, acordei motivado para registrar a data de hoje. Afinal, no dia 16 de outubro de 2000, na Unidade Escolar Engenho Novo II do Colégio Pedro II tomava posse, a gestão ATITUDE do Grêmio Estudantil. Foram necessárias duas eleições.
Capa de uma das edições do Jornal ATITUDE.

Na primeira, apoiei a chapa 7 dentre as 8 que disputavam o pleito eleitoral. A Direção da Unidade organizara o processo e ficara incomodada com o nível de politização dos adolescentes que ganharam a eleição. Misteriosamente surgiram nas urnas mais votos que a quantidade de assinaturas. As eleições foram impugnadas e convocadas novas. Diante disso, houve uma articulação para aumentar a quantidade de cadeiras na gestão do Grêmio, criando 6 suplentes. As sete chapas se uniram para derrotar a chapa 7. Por conta do meu apoio à chapa ATITUDE e de certo envolvimento com a campanha, fui convidado para ingressar. Sem titubear, aceitei o convite, morrendo de medo da reação que meus pais teriam com esse envolvimento, apesar de certa experiência como representante de turma em anos anteriores. Com mais de 700 votos, obtivemos a vitória e estivemos à frente da entidade estudantil após a posse, que hoje completa 10 anos. Até hoje somos lembrados por professores e funcionários como uma geração aguerrida, politizada e compromissada com os rumos da instituição e das demandas estudantis. É bacana ainda esbarrar com ex-alunos do período que lembram nossos nomes porque o período foi marcado por lutas e conquistas. Criamos a rádio, produzimos oito edições do jornal, realizamos saraus, iniciamos a luta pela construção do prédio que hoje está de pé, mas principalmente impulsionamos a participação estudantil na greve histórica de 2001 e estivemos nas mobilizações pelo passe livre.
 Lembro que minha mãe não permitira minha ida à primeira manifestação. Fiquei extremamente abalado e com o coração escrevi uma carta em três folhas frente e verso daquela caderneta pequena, expondo diversos motivos e argumentando para obter a permissão. Colei no computador, seu instrumento de trabalho, durante a madrugada. Ao acordar, ela veio chorosa dizendo para eu tomar muito cuidado. Que empolgação! Com mais de 3.000 estudantes, uniformizados, vibrantes, aguerridos, percorremos da Radial Oeste até o prédio da Prefeitura, no início da Avenida Presidente Vargas: “O dinheiro do meu pai não é capim! Eu quero passe livre sim!”. Daí em diante não teve mais jeito: o entendimento da necessidade de nos organizarmos coletivamente para lutarmos pelas melhorias, por conquistas e pela transformação da sociedade... Crescia, se desenvolvia e amadurecia.



 Em 2001, durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, o funcionalismo público parou, realizando uma greve com três meses de duração. A adesão era grande! O Grêmio Estudantil do Engenho Novo ingressou no Comando de Greve. Eu ganhava tickets de alimentação a cada reunião e achava isso o máximo. Participamos de atos pelas ruas do Centro; confeccionamos a mão uma faixa muito grande que carregávamos para as Assembléias dos Servidores do Colégio Pedro II; com os dizeres "ESTUDANTES DO COLÉGIO PEDRO II EM DEFESA DO ENSINO PÚBLICO, GRATUITO E DE QUALIDADE", assinada por nosso Grêmio; realizamos Assembléias Estudantis para definir a posição da base discente sobre a greve... Em todas elas, defendi o apoio. Meu pai é professor da rede estadual e sempre acompanhava as importantes mobilizações da categoria dos profissionais da Educação. Até que numa reunião de pais de alunos do CPII, quando, como “estudante, filho de professor e cidadão”, afirmei: “apoio a greve dos servidores”... Um grupo de pais desceu da arquibancada para me ofender, um deles inclusive tentando me agredir. Com 15 anos, não agüentei a pressão e comecei a chorar, sem que deixassem terminar a minha fala. Fui ao banheiro, lavei o rosto e voltei para terminar a fala, expondo argumentos que certamente deixaram muitos outros pais em dúvidas e até aplausos recebi. Essa situação fez com que minha mãe fosse até a Assembléia discente fazer uma fala pra mais de 200 pessoas, trêmula e me deixar muito orgulhoso.

Apesar do atentado de 11 de setembro ter ofuscado a greve na mídia, foi uma vitória e um grande aprendizado, que certamente contribuiu para alavancar minha formação durante os anos de Ensino Médio. Ainda conseguimos eleger uma chapa sucessora de nosso trabalho, que depois de eleita, virou as costas para nosso suporte e acabou se aproximando dos setores próximos à Direção do Colégio.


Numa das manifestações contra o REUNI, como conselheiro estudantil no CONSUNI (2008)

Como representante discente no CEG (2006).
Em 2003, comecei a Licenciatura em Educação Física na UFRJ e participei das gestões 2004 a 2007 do Centro Acadêmico de Educação Física e Dança; participei do processo de fundação e consolidação do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa, que hoje tem mais de 5 anos; fui coordenador do DCE Mario Prata na gestão 2005/2006; representante discente no Conselho de Ensino de Graduação (2005/2006); representante discente no Conselho Universitário (2007/2008); e coordenador do Centro Acadêmico de Pedagogia (2008/2009). Nesse período, lutamos pela construção do Bandejão, barramos cursos pagos, confeccionamos jornais, dialogamos com milhares de estudantes passando em sala... Mas o momento mais marcante e histórico foi a luta contra o REUNI, que culminou com a ocupação da Reitoria. Inclusive, vale registrar que foi o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa o primeiro grupo a defender e impulsionar a ida dos mais de 700 estudantes para ocupar a Reitoria da UFRJ, com a intervenção que fiz, após as duas lideranças anteriores (Não Vou Me Adaptar e Nós Não Vamos Pagar Nada), que agitaram mas não propuseram a ocupação.



Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa sempre nas lutas!
No Movimento Estudantil de área, estive nos Encontros Nacionais de Estudantes de Educação Física em 2004 (UnB – Brasília), 2005 (UFBA – Salvador), 2006 (UEG – Goiânia) e 2007 (UFPB – João Pessoa) e nos Encontros Nacionais de Estudantes de Pedagogia em 2008 (UFES – Vitória) e 2009 (UFPE – Recife), além de diversos encontros e conselhos de entidades, fóruns, plenárias e manifestações.

E no Movimento Estudantil geral rompemos com a União Nacional dos Estudantes e estivemos no processo de reorganização do Movimento Estudantil no Brasil, defendendo teses e construindo campanhas e eventos como Encontro Nacional de Estudantes; Congresso Nacional de Estudantes.

Apesar de não estar não mais tão diretamente envolvido com o Movimento Estudantil nos últimos meses devido aos compromissos acadêmicos e profissionais, quis escrever estas linhas que ficaram longas para explicitar a importância que a juventude possui para definir os rumos de nossa sociedade. Devemos ser realistas e exigir o impossível! As tarefas de construir as lutas em defesa da Educação Pública e nos organizarmos para superar esse modelo cruel, desigual e opressor que é o capitalismo, estão na ordem do dia para que tenhamos um novo amanhã! Com a energia que temos, precisamos seguir em frente com tudo sem cansar!

*Gabriel Marques
10 anos de Movimento Estudantil
Ex-diretor do Grêmio do Colégio Pedro II – U. E. Engenho Novo II (2000-2002)
Ex-coordenador do Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da UFRJ (2004-2007)
Ex-coordenador do Centro Acadêmico de Pedagogia da UFRJ (2008/2009)
Militante do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa e do Coletivo Marxista

domingo, 29 de novembro de 2009

Feijoada - 172 anos do Colégio Pedro II

No Sábado, 12 de dezembro de 2009, ocorrerá na Unidade São Cristóvão do Colégio Pedro II mais uma edição da tradicional Feijoada, comemorando os 172 anos da instituição a partir das 13h. Tive a oportunidade de comparecer em 2007 e 2008 e é bastante interessante acompanhar diversas gerações de ex-alunos entoando o Hino dos Ex-Alunos e a Tabuada!

Espero rever diversos dos amigos com quem compartilhei bons momentos entre 1996 e 2002 na Unidade Engenho Novo II e entre 2001 e 2002 na Unidade Tijuca II. Minha relação com o Colégio é forte desde 1995, quando decidi que estudaria muito para passar no concurso de seleção. Objetivo alcançado e 5ª série iniciada em 1996.

Lá iniciei minha militância no Movimento Estudantil, fazendo parte do Grêmio Estudantil entre 2000 e 2002, Comando de Greve de 2001, representante de turma por diversas vezes; participei de minha primeira passeata - em defesa do Passe Livre; aprofundei o desejo pela leitura e pela escrita, publicando redações e vencendo um concurso de crônicas; mas principalmente me inspirei e fui influenciado para escolher ser Professor.

Depois de sete anos cursando o segundo ciclo do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, além do curso técnico em Processamento de Dados, voltei em 2007 para concluir a Prática de Ensino em Educação Física - na mesma Unidade Engenho Novo II - e atualmente a história do Colégio é objeto de minha dissertação de Mestrado.

Para finalizar, transcrevo as palavras de Nelson Rodrigues, da edição de 29 de setembro de 1963 do Diário Carioca:

"1- Amigos, a manchete é um dos vícios fatais da nossa época. Se um jornal anunciar o fim do mundo em uma coluna, ninguém vai se assustar. Pelo seguinte: - porque o homem só sabe vibrar em oito colunas. E a catástrofe que não venha no alto da página, aberta de fora a fora, perde todo o impacto. É a obsessão da manchete.


2- E, no entanto, vejam vocês: - a poesia do jornal está, por vezes. Na notícia miúda, no registro pequeno, em tipo liliputiano. Ainda ontem, por exemplo, eu li um simples texto-legenda que é uma preciosidade. Imaginem vocês que o Pedro II ganhou os Jogos da Primavera, a maior olimpíada do mundo! Claro que houve, lá no velho e eterno Colégio, uma euforia brutal.



3- E o Pedro II resolveu trazer para a rua sua alegria fabulosa. Houve passeata, escarcéu, correrias, o diabo. Amigos, o brasileiro servil teve a reputação de povo triste. E, de fato, o sujeito não dá um passo, aqui, sem esbarrar numa melancolia, sem tropeçar numa depressão. Nas esquinas, nos botecos, há sempre um brasileiro pingando hipocondria. Lembro-me de um turista que perguntava intrigadíssimo: - ‘Quem é que morreu?



4- De fato, temos por vezes o ar de quem chora um imaginário defunto. Mas se este povo é triste, há uma imensa, jocunda, deslumbrante exceção: - o aluno do PedroII. Tenho um amigo meu que vive rosnando: - Nesta terra, até as cadeiras são neuróticas.

- Ao que eu responderia: - Menos as cadeiras do Pedro II -. Porque, lá, os móveis também são coniventes no humor dos alunos.



5- Uma das mágoas que eu tenho na vida é a de não Ter sido, na minha infância ou juventude, aluno do Pedro II. Andei por colégios mais lúgubres do que a casa do Agra. Mas há, em mim, até hoje, a nostalgia de não Ter estudado ou fingido que estudava lá. A rigor, não são os professores que me interessam no Pedro II. Nem os seus problemas de ensino. O que me deslumbra no aluno do Pedro II não é o estudante, mas o tipo humano. Ele deve ser um mau aluno (tomara que seja), mas que natureza cálida, que apetite vital, que ferocidade dionisíaca.



6 – Olhem para as nossas ruas. Em cada canto, há alguém conspirando contra a vida. Não o aluno do Pedro II. Há quem diga, e eu concordo, que ele é a única sanidade mental do Brasil. E, realmente, não há por lá os soturnos, os merencórios, os augustos dos anjos. Os outros brasileiros deveriam aprender a rir com os alunos do Pedro II.



7- Volto ao texto-legenda. Em poucas linhas está descrita a comemoração da vitória. E não se lê, no jornal, uma palavra de simpatia, e pelo contrário: - é evidente a irritação. Quem redigiu a nota está indignado com a euforia total dos estudantes. Mas reparem como o jornal hipocondríaco está sendo bem brasileiro. De fato, nós somos uns ressentidos contra a alegria, e repito: - a alegria ofende e humilha os impotentes do sentimento.



8- Por fim, o colega chama os meninos de ‘pequenos vândalos’. Não se pode desejar uma incompreensão mais nostálgica. Por que ‘vândalos’? Porque andaram quebrando umas cadeiras e, sobretudo, porque andaram chupando chica-bom sem pagar. Vamos admitir, risonhamente, que é lamentável. Mas nunca houve um 7 de setembro, ou um 14 de junho, sem atropelos inevitáveis. Os apertões cívicos derrubam senhoras, asfixiam menores. E nas procissões há quem bata carteira, ou atropele, ou desmaie. Vamos concluir que os patriotas e os devotos são vândalos?



9- Numa terra de deprimidos, o alegre devia ser carregado na bandeja como um leitão assado. E devíamos subvencionar o Pedro II para inundar a cidade, diariamente, com a sua alegria total, ululante. E vamos arrancar a máscara de nossa hipocrisia. Pois, no fundo, invejamos amargamente a garotada que lambeu de graça tanto chica-bom.”

domingo, 1 de novembro de 2009

Grêmio Estudantil

Em setembro de 2007, uma amiga, estudante da Universidade Celso Lisboa, me entrevistou para um trabalho sobre Grêmio Estudantil. Trago abaixo um pouco da experiência que tive, participando entre 2000 e 2002 do Grêmio do Colégio Pedro II – Unidade Escolar Engenho Novo II, oportunidade que me propiciou imenso crescimento pessoal, político, acadêmico e intelectual. Ao lado, uma reportagem publicada pelo Jornal EXTRA, em 2001, durante uma das grandes greves dos funcionários públicos federais contra o Governo Fernando Henrique Cardoso/PSDB. Nessa época, fui membro do Comando de Greve do CPII.










1. Como surgiu a idéia ou o interesse de participar de um Grêmio?

Era estudante do Colégio Pedro II, quando tive contato com a entidade Grêmio. Ingressei na instituição em 1996, na 5ª série do Ensino Fundamental. Um ano depois, tivemos uma eleição para a disputa do Grêmio, que era organizada pelo Setor de Orientação Educacional (SOE) do Colégio. Duas meninas que eu conhecia eram de uma das chapas e acabei votando na mesma. A gestão deles acabou realizando umas festinhas e nada mais, com algum tempo depois minguando e desmobilizando, até ficarmos mais um tempo sem diretoria. Como já vinha de uma formação crítica, já que meu pai é professor da rede pública de ensino, conhecia a dinâmica de greves, passeatas e necessidade de organização para reivindicações. Em 2000, o SOE novamente, sob pressão de alguns estudantes, abriu processo eleitoral para a disputa do Grêmio da Unidade onde eu estudava. Foi aí que aconteceram algumas situações interessantes. Uma das chapas, bastante politizada, estava sendo organizada por um colega com quem havia estudado na 6ª série e um outro menino do turno da noite que eu não conhecia, além de outras pessoas bastante inteligentes e dedicadas no Colégio. Durante o recreio, sempre ia conversar com ele sobre as propostas. Não entrei na chapa, mas iria apoiar. O mais atípico foi a inscrição de 8 chapas para a disputa do pleito. A chapa deles (7 – Atitude) foi a vencedora, com cerca de 450 votos. Porém, como a chapa era bastante crítica, na hora da contagem de votos e assinaturas, houve uma diferença de cédulas em relação à quantidade de assinaturas, sendo a eleição anulada pelo SOE, que teve uma atuação bastante complicada. Logo numa atitude oportunista, puxaram novo processo eleitoral, aumentando a quantidade da diretoria de 11 pessoas com a entrada de 6 suplentes. Com isso, as 7 demais chapas se juntaram para poder vencer a Atitude e impossibilitar um Grêmio mais politizado, crítico e atuante. Como durante a campanha anterior, havia inclusive passado em sala, distribuído panfletos e ajudado bastante, me convidaram para entrar como suplente na chapa Atitude. Prontamente, aceitei, até mesmo porque, com 15 anos, achava o máximo passar em sala, conversar com a galera e “ser do Grêmio” seria popular e conhecido. Nossa chapa, mesmo com todas as dificuldades, venceu com quase 800 votos a pouco mais de 500, chegando ao final do ano 2000.

2- Quais foram as idéias propostas por sua chapa? Essas idéias foram realizadas?

Além das questões básicas de representação perante a instituição e externamente, propusemos diversos pontos para integrar o alunado, bem como realizar eventos que pudessem identificar o Grêmio enquanto entidade representativa. Conseguimos, arrecadando dinheiro através de pedágio durante as férias, construir uma rádio com sistema de som, que funcionava durante os horários do recreio; realizamos oito edições do Jornal, informativo e com textos críticos, poesias, além dos torpedos que faziam o maior sucesso entre os estudantes; apoiamos iniciativas de organização dos alunos, como o teatro que acontecia; mobilizamos para as lutas e atividades em defesa da manutenção do passe livre, direito que os empresários de ônibus constantemente ameaçam retirar. Acho que a única coisa que não cumprimos mesmo foi a realização de uma Festa, embora tenhamos feito dois Saraus Culturais. Porém, o ponto alto da gestão Atitude foi durante a Greve dos Servidores Públicos Federais em 2001. Foi ali que demos um salto de qualidade enorme, participando do Comando de Greve e realizando mobilizações e atividades nunca antes vistas e tocadas pelo Grêmio Estudantil do Colégio Pedro II – Engenho Novo. Estivemos presentes em todas as Assembléias do SINDSCOPE (Sindicato que representa os funcionários e professores do Colégio), participamos dos Atos Públicos, falamos em carro de som, bem como organizamos 10 Assembléias dos Estudantes antes, durante e depois da Greve para votarmos qual era nosso posicionamento em relação à greve. Fizemos uma Assembléia que reuniu quase 300 pessoas, em que alguns pais tiveram que se mobilizar para nos enfrentar e retirar o apoio do Grêmio à greve. Teve uma atividade que fui falar em defesa da greve que um pai queria me agredir e outras duas mães gritavam apontando na minha direção; comecei a chorar, fui beber água, mas voltei para terminar minha fala e ser aplaudido por diversas outras pessoas. Acho que conseguimos cumprir o nosso papel, que terminou no início de 2002, com a vitória da chapa que apoiamos para seguir o trabalho, fato que infelizmente não ocorreu.

3- O que você acha dos movimentos estudantis? Você já participou de algum? (Se sim) Isso trouxe alguma mudança para instituição?

Organização é algo fundamental em nossas vidas, principalmente no que tange ao coletivo. Em sala de aula, os estudantes se organizam para um trabalho em grupo, para ir às festas ou passeios... Porém, mais importante ainda é o fato de termos problemas em comum e juntarmos nossas forças para resolvê-los de maneira unificada e organizada. Aí entra a tarefa do Movimento Estudantil e de suas entidades, como Grêmios, no caso dos colégios, e Centros e Diretórios Acadêmicos, no caso das faculdades. Conforme as perguntas iniciais, comecei a participar em 2000, no Grêmio do CPII-EN e tive algum contato com os Grêmios do CEFET e do CPII-Tijuca, onde fiz cursos técnicos. Depois, entrei para o curso de Licenciatura em Educação Física na UFRJ, participando do Centro Acadêmico de Educação Física e Dança entre 2003 e 2007, bem como atuando no Movimento Estudantil de área, participando de diversos eventos regionais e nacionais da Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física. Também no Movimento Estudantil Geral, participo da CONLUTE, que falarei mais adiante. Sim, várias mudanças foram geradas a partir dessa organização. Lembro que depois da Greve, no CPII-EN, conseguimos realizar uma manifestação com mais de 300 pessoas na porta do Colégio, aumentar a leitura e a participação dos estudantes etc. Na UFRJ, idem: não tínhamos nem uma sala para o Centro Acadêmico (CA), e hoje temos uma estrutura com freezer, dois micro-ondas, ar condicionado, aparelho de som; realizamos mais de 20 edições de O DARDO (jornalzinho com críticas, textos e informes); fizemos diversas festas e atividades culturais de integração dos estudantes. Enfim, há uma imagem equivocada e estereotipada sobre os estudantes de Educação Física, que pude contrapor logo ao ingressar no curso e perceber a grande capacidade e poder de mobilização que conseguimos ao longo desses anos.

4- Quando surgiram os movimentos estudantis, havia muito preconceito por parte da sociedade, hoje em dia, ainda existe esse tipo de preconceito?

Essa questão é intrigante. É preciso irmos a fundo no significado e na importância dos movimentos de resistência e de luta. Não que seja preconceito, mas temos que entender como os valores ideológicos aos quais estamos submetidos influenciam no pensamento hegemônico da sociedade. Vivenciamos a época de implementação do neoliberalismo, cujos valores ressaltam a individualidade, o egoísmo, o “olhar para o próprio umbigo”, “cada um por si e Deus por todos” etc. Quando surge algo que vai de encontro a esses princípios, necessariamente enfrenta esses valores, e mais ainda, luta contra a ordem social estabelecida. Ou seja, por conta de vivermos em uma sociedade de desigualdades sociais, com uma parcela significativa da sociedade sofrendo mazelas como fome, miséria e desemprego, e uma pequeníssima parcela se esbaldando em ouro e caviar, nitidamente temos um confronto de interesses totalmente antagônicos. Esses problemas não são individuais, mas de toda a estrutura da sociedade. O Movimento Estudantil, ao lutar por mais verbas para a educação (em detrimento de pagamento a empresários, latifundiários e banqueiros), por passe livre, por gratuidade do ensino etc., enfrenta esse modelo. Por conseguinte, como o pensamento vigente defende a manutenção do status quo e tem na mídia um grande alicerce, os movimentos sociais são atacados de diversas maneiras, para que não enxerguemos neles sua grande importância e necessidade para modificarmos a estrutura social vigente.

5- O que você acha dos movimentos estudantis da UNE?

A UNE... Ah, a UNE. Vamos lá: desde a década de 1990, essa entidade que existe há cerca de 70 anos, tocou lutas contra a Ditadura Militar, organizou os estudantes para campanhas como a dO Petróleo é Nosso, ficou clandestina durante alguns anos etc., vem sistematicamente se afastando do dia-a-dia dos estudantes. De uns tempos para cá, a UNE (bem como a União Estadual dos Estudantes, a Associação Muncipal dos Estudantes Secundaristas e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) se transformou em uma fábrica de carteirinhas (tentando inclusive monopolizar o direito da meia entrada) e só aparece nas escolas e faculdades do país durante época de eleições ou quando surge algum tipo de interesse a sua política. Durante o Governo fhc, mesmo distante dos estudantes, ainda tínhamos uma atuação de enfrentamento. Porém, a situação se modifica após a entrada de Lula/PT para governar o país. Apesar de toda a esperança depositada nesse Governo (inclusive fiz campanha em 2002, mesmo nunca sendo do PT ou de qualquer outro partido), diversos ataques neoliberais continuam sendo implementados. E a especificidade de Lula/PT é sua estreita ligação com os Movimentos Sociais, como a UNE, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o próprio MST. Essa ligação facilitou a realização desses ataques aos trabalhadores e à juventude de nosso país, pois a UNE e a CUT têm sido instrumentos de apoio do Governo inseridos na base dos Movimentos Sociais, freando as possíveis lutas que possam surgir e desencadear processos de mobilizações. O grupo que dirige a UNE conseguiu criar uma estrutura para se manter add eternum no poder da entidade, realizando fraudes, diminuindo as discussões etc. Com isso, a situação da UNE hoje é irreversível: ela se tornou uma entidade inclusive contra os estudantes. O Governo Lula tem implementado o processo de Reforma Universitária, com diversos pontos polêmicos. E a UNE, sem discutir com os estudantes, realizou caravanas para passar nas faculdades defendendo essa Reforma. Por isso, em 2004, aconteceu na Ilha do Fundão, um Encontro Nacional Contra a Reforma Universitária, com mais de 1500 estudantes de todo o país, onde foi criada a Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (CONLUTE), que surge enquanto alternativa à falência da UNE, já que a mesma não vem tocando mais as lutas, se tornou um aliado do Estado (do Governo e até da Rede Globo) e se encastelou em sua estrutura burocrática. Em diversas Universidades, que estão em processos de lutas, a UNE tem sido expulsa, como nas recentes ocupações em defesa da Educação Pública, que ocorreram na USP, UniCamp, UFRJ, UFJF, UFRGS etc. Recentemente, temos inclusive a luta na Faculdade Santo André, instituição particular, que conta com uma greve de estudantes e professores por conta da ação truculenta da Reitoria e da polícia perante manifestação pacífica contra o aumento de até 122% das mensalidades! A CONLUTE tem servido como um grande instrumento de luta, mas a necessidade de uma nova entidade nacional se faz presente para que possamos ter uma organicidade maior e uma atuação mais concreta.

6- Mudou algo na sua forma de pensar e ou de agir depois que você começou a participar de um grêmio?

Com certeza. Conforme havia comentado, aceitei entrar na chapa porque seria popular no Colégio. E a participação no Comando de Greve em 2001 foi um salto de qualidade. Principalmente consegui acumular discussões e experiências que me possibilitaram melhorar a leitura, a fala, a escrita e até mesmo reflexões e elaborações.

7- O grêmio trouxe mudanças para os alunos na instituição? Os motivou em algo, trouxe algum ideal?

Sim, na verdade o Grêmio são os alunos da instituição! Às vezes, utilizamos nomenclaturas que parece que nos são alheias. Mas o Grêmio é o conjunto dos estudantes de um colégio, bem como um Centro ou Diretório Acadêmico é o conjunto dos estudantes de uma faculdade. Temos sim a necessidade de uma diretoria para organizar os trabalhos, mas a entidade representa todos. O maior acúmulo que podemos considerar é o avanço do nível de consciência, que se dá através de organização da entidade e de atividades que possibilitem conquistas. Posso dizer que houve motivações, principalmente na defesa do ensino público, gratuito e de qualidade.

8- Depois dessa participação, surgiu algum interesse ou aumentou seu interesse em relação a política?

Aumentou meu interesse, tanto que antes de começar na UFRJ, já imaginava como organizaria o Centro Acadêmico lá na Educação Física, pois achava que não teria nada organizado. Fui surpreendido ao encontrar um CA recém-formado e ajudar a impulsionar diversas atividades e lutas, bem como conhecer e integrar uma família mesmo, família com quem pude construir forças para entender a sociedade em que vivemos, a importância de nos instrumentalizarmos para ir de encontro a essa difícil maré em que estamos e que é preciso organizarmos os trabalhadores e estudantes para modificar essa situação. E o interesse em relação à política não significa disputa por cargos, como vemos acontecer bastante nos ex-militantes, mas estar presente nos sindicatos, nos Grêmios, nos CAs e DAs para garantirmos a defesa de nossos direitos e transformarmos a sociedade desigual em que estamos.

9- Que recado você daria para os jovens que estão lutando por seus ideais através dos grêmios estudantis?

Para finalizar, deixo um recado para o conjunto dos estudantes. Conforme Los Hermanos, é preciso força para sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê. Nascemos numa sociedade que possui um modelo desigual, um modelo de exploração, que nos coloca diversos conceitos como naturais e verdades como universais. Mas é preciso e possível questionarmos e refletirmos sobre transformações. Participar dos Movimentos Sociais é uma tarefa indispensável para solidificarmos mudanças significativas para nossa estrutura. Por isso, finalizo esse recado com os dois seguintes poemas de Bertolt Brecht, teatrólogo e poeta alemão. Por isso, estudantes da Celso Lisboa, Força na Luta, pois a Luta é para Vencermos!


Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há homens que lutam por um ano, e são melhores;
Há homens que lutam por vários anos, e são muito bons;
Há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis.




Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.