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terça-feira, 7 de agosto de 2012

IX Pelada da Esquerda*



            Em meio à greve das Instituições Federais de Ensino, do Arquivo Nacional, à ocupação do Canecão e às variadas lutas em defesa da Educação e Saúde Públicas e visando à construção de uma nova sociedade, mais de trinta companheiros fizeram uma breve pausa na agenda de estudo, trabalho e militância para a confraternização semestral, desta vez em novos gramados. A nona edição da Pelada da Esquerda, no Rio de Janeiro, ocorreu na Associação Atlética Light, no Grajaú, e foi paulatinamente organizada ao longo de um mês e meio para que os peladeiros pudessem aproveitar ao máximo as duas horas oscilando momentos de categoria e trapalhadas no dia 4 de agosto. Infelizmente, algumas baixas por contusões, as ausências não informadas e os atrasos impossibilitaram que a organização chegasse à plenitude. Porém, o churrasco no Andaraí fechou o Sábado com chave de ouro, com o auxílio do golaço do surinameso Clarence Seedorf, agora em terras tupiniquins como nós.

            Depois de sagrarem-se campeões de La Liguita – torneio de consolação durante a I Copa América Alternativa na Argentina – e de disputarem o jogo de ida da Recopa Alternativa contra o Autônomos FC, em São Paulo, o time Pelada da Esquerda já se encontra requisitado nacional e internacionalmente. Em datas a serem confirmadas, há um amistoso apontado contra o time de Maromba, distrito de Itatiaia; o jogo de volta, no Rio, contra o Autônomos, onde há totais condições de reverter o placar negativo de 8 x 1, já que o jogo será em casa e a equipe contará com seu plantel reforçado. Entre os dias 24 e 26 de agosto, nosso artilheiro Gabriel Marques – GM-7, que alcançou a marca dos 29 gols em 9 edições – representará o Pelada da Esquerda na Copa do Mundo Alternativa, em Bristol, na Inglaterra, integrando o combinado que contará também com integrantes do Autônomos FC e do FC Vova, da Lituânia. Durante o churrasco, foi dado o pontapé inicial para a organização do elenco que disputará a II Copa América Alternativa, entre 14 e 17 de fevereiro do próximo ano.

            Como de praxe, seguem nossas impressões e avaliações – dessa vez consolidando a parceria entre dois conceituados e premiados comentaristas – sobre o desempenho dos jogadores na tarde de sábado.

Cláudio Lopes: como bom xeroqueiro e microempresário do ramo das papelarias, prometeu a distribuição de canetas, mas não foi capaz de cumprir enquanto esteve na linha. Recordou seus tempos de categorias de base do Bonsucesso, mas não evitou vários gols, comprovando que precisa de muitos treinos para recuperar a vaga hoje ocupada por Bruno G. Nota 7,0.

Murilo Vilaça: dedicando-se a dois Doutorados, teve seu faro de artilheiro afetado. A finalização que mais chamou a atenção foi quando achou que jogava na NFL, ao tentar marcar um touchdown. Além do mais, tinha uma morena do lado de fora do campo que lhe dispersou a atenção. Nota 4,0.

Bruno Gawryszewski: aumentando seu cabedal como goleiro, BG-69 foi disparado o melhor arqueiro do evento. Só levou alguns gols porque machucou um dedinho no início da Pelada e jogou contra a equipe de GM-7. É Seleção! Nota 9,5.

Gabriel Marques: tinha dois objetivos na Pelada da Esquerda: preparar-se para a Copa do Mundo e aproximar-se da marca dos 30 gols. GM-7 agarrou durante uma partida, forneceu assistência e balançou as redes adversárias por cinco vezes, contribuindo para a invencibilidade do time Marx. Preferiu deixar o Gol 30 para a glamourosa décima edição. Nota 9,5.

Thiago Coqueiro: com relativa categoria no início, não honrou o nome do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa ao se desgastar enquanto os minutos passavam. Apesar de não beber, não fumar e não..., seu abdômen proeminente acusa as limitações de preparo físico. Seria melhor ter brincado de pique-se-esconde ou ter soltado cafifa nas terras gonçalenses. Nota 4,5.

Alex Lauriano: distribuindo lindeza Brasil afora, nesta edição ficou marcado como o chorão. Resmungou o tempo todo reivindicando o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva e a Comissão de Arbitragem e não repetiu os dribles e a malandragem de outrem. Nota 3,5.

Luiz Carlos: vangloria-se por um ovinho dado no melhor jogador de linha da partida. Ainda não tomou vergonha na cara de cortar o cabelo. Excetuando-se este único lance de lucidez e categoria, só apareceu por conta do acessório usado no cabelo, para desespero e provocações de Bruno Adriano. Nota 5,5.

Matheus Cidão: evidenciou o total desgaste da viagem de Campo Grande até o Grajaú. Sua presença foi notada apenas na Foto Oficial. Nota 4,0.

Renato Sarti: soberano no meio-campo, quase sempre fazendo boa ligação entre a defesa e o ataque e marcando dois gols. Apesar das incursões burocráticas no CONSUNI, cumpriu um bom papel na equipe Marx. Nota 7,5.

Elielsom: enquanto esteve em campo, deu trabalho aos adversários. Sorte deles que suportou apenas uma partida e meia, o pior preparo físico dentre os 32 jogadores. Nota 4,5.

Maurício Mileo: não repetiu as atuações que o consagraram como o camisa 9 da Pelada da Esquerda. MMs-9 não cabeceou em direção ao gol, não executou um chute decente e quase teve um ataque cardíaco. Nota 4,5.

Marcelo Dominguez: MD-24. Correu como nunca, jogou como sempre (com direito a gol contra no BG-69). Declamou a frase impagável: “Porra, eu não sei mais jogar bola!”. Pelo esforço... Nota 6,5.

Gustavo Oliveira: a cabeleira satânica começa a pesar, afetando o seu desempenho futebolístico. Recomenda-se comprar a máquina GAMA ou Philips. Nota 5,0.

Bruno Rodolfo: o amigo do CAEFD... E o mais satisfeito por ter sido incluído no time Marx. Nota 5,0.

Wagner Marretovic Angelim: o sérvio-cearense mostrou disposição em ajudar. Contudo, ficou tímido e não se aventurou em mostrar um futebol mais habilidoso. Foi oportunista ao marcar gol após jogada de contra-ataque e assistência de GM-7. Nota 5,0.

Bruno Adriano: quando viu o primeiro confronto entre a equipe de colete vermelho e a de colete preto, frustrou-se com as cores que evidenciam a crise cíclica do sistema flamenguista e desertou. Com dúvidas pós-modernas acerca do caminho a percorrer, não ficou muito longe acompanhando os setores de esquerda e voltou ao jogo. Faltou a companhia de Bruno Lima para aparecer mais com suas incansáveis discussões em campo. Nota 4,5.

Ian: sua melhor atuação foi pilotando a churrasqueira (mó bração, hein, Fino!). Nota 7,0.

Vinícius: foi um dos poucos que conseguiu furar o BG-69 (sim, vale o duplo sentido). Mostrou-se preocupado com a ausência de seu amigo “Magrinho du Fonca”, escalado para fazer uma incursão na Pedreira. Nota 5,0.

Felipe Formoso: a campanha do Freixo está lhe consumindo todas as energias, porque o que se viu em campo foi um jogador “amarelão”. “Amarelou” ainda mais quando soube que havia pessoas por perto moradoras da Zona Oeste. Nota 4,5.

Carlos Leal: estrategicamente, repetiu a prática de atrasar-se para entrar em campo com os demais já cansados. Pragmaticamente, repetiu a mesma jogada por mais de três vezes: recebia a bola na ponta esquerda, ajeitava pra dentro e tocava pro meio. Mérito porque conseguiu mostrar preparo físico melhor que o do Elielsom, jogando quase três partidas inteiras. Nota 6,0.

Carlos Augusto “Carlinhos”: foi bastante notado ao buscar a bola várias vezes dentro do gol. Nota 4,0.

Cadu Marconi: foi o jogador quase: quase fez gol, quase deu um belo chute, quase deu uma boa assistência, quase jogou até o fim das 2 horas e quase apareceu na Foto Oficial. Foi embora de balão, acompanhado de um padre. Nota 4,0.

Rodrigo Mourelle: diferentemente da Copa América, dessa vez conseguiu escorar para o gol as assistências dos companheiros de equipe. Nota 6,0.

Rian Rodrigues: na NBA, as equipes são ranqueadas pelo seu average (relação percentual vitórias / derrotas). O average deste jogador foi 0.000. Nota 0.000.

Rodrigo Magalhães: Cínthia atrapalhou decisivamente seu desempenho... Nota 4,0.

Pedro Cardoso: oscilou bons e maus momentos. Como não precisou cobrar tiro de meta, ficou na média. Nota 5,0.

Marcelo “Forró”: Perdeu uma chance de gol clara, devido ao famoso pé mole pra chutar. Acostumado a correr meia maratona, chegou atrasado, a tempo de jogar meio jogo. Nota 4,0.

Pedro Santos: não fez valer o seu tipo físico avantajado e ainda se perdeu em discussões com Luiz Carlos “Monstro”. Escapou do trote como calouro. Nota 4,0.

Bruno Gonçalves: tendo como cartas na manga as desculpas pelos pés ralados e pelo joelho bichado por conta de uma atuação irregular por inspirar-se em Fábio Ferreira, o alvinegro ex-CPII teve sorte ao cair de pára-quedas na equipe Marx após desistência de Elielsom. Nota 4,5.

Rodrigo (UniRio): Como jogador da Pelada da Esquerda,  é um ótimo militante que ocupa antigas casas de shows. Nota 5,0.

João Gabriel: sua incursão na Ásia e suas práticas de relaxamento não contribuíram para uma excelente atuação. Duvidaram de sua presença, mas ele apareceu e encarou até o final. Nota 5,0.

Juliano: a “bebida liberada” da noite anterior acabou com sua pretensão de fazer uma boa atuação. Nota 4,5.


*Karl Leirbag, jornalista alemão
Breno Strozenberg, crítico de cinema para filmes de animação da Mongólia

domingo, 1 de abril de 2012

I Torneio Intergeracional do CAEFD

Após sucessivas trocas de mensagens eletrônicas, estava anotado na agenda de muitos peladeiros o evento marcado para o último dia do mês de março deste ano de 2012. Há quase dez anos, período em que ainda não tinha o prazer de desfrutar de boas companhias neste país festivo e observar interessantíssimos eventos, foi reativado o Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o simpaticíssimo CAEFD (não me venham com churumelas de que agora a Dança está separada! Conheci a entidade como CAEFD e continuarei a denominá-la assim!).

            A intenção era reunir diferentes gerações que fizeram e fazem história no Movimento Estudantil, que lideraram e lideram as atividades políticas, formativas e culturais do Centro Acadêmico em diversas épocas para confraternizar, memorizar os acontecimentos, tendo o futsal como desculpa para algo muito maior, que é a manutenção de laços de fraternidade entre professor@s e futur@s professor@s de Educação Física.

Como sempre, infelizmente o evento contou com o excesso de falta de pontualidade de alguns displicentes, dorminhocos e dos que moram fora da capital e não se programam para acordar mais cedo (povo de Jacarepaguá, por exemplo). E novamente um evento de descontração esportiva não contou com a presença maciça das mulheres, que foram convidadas, mas apenas representadas pelo destaque do torneio: a estudante Rhaiane.

O pessoal da década de 1990 alegou compromissos familiares, dizendo estar com problemas de juntas e na fase do condor, deixando apenas dois aguerridos representantes. Com isso, aqueles que não foram diretores do CAEFD, mas auxiliavam as gestões de diversas maneiras (os Amigos dos Amigos), foram aglutinados no mesmo time que os velhinhos. O segundo time contou com aqueles que reabriram a sede do CAEFD e deixaram tudo mastigadinho para a nova geração dar continuidade, sendo reforçados ainda por dois jogadores que participaram ativamente também depois de 2007, mas que iniciaram sua carreira militante com o elenco de 2003 a 2006: Fui ao CCS! é o nome do time, apelidado carinhosamente de CAEFDidos. O terceiro time era composto pela nova geração, os que desde 2007 mantêm a combatividade do CAEFD e prosseguiram com brilhantismo os passos dos antecedentes, ocupando a Direção, a Reitoria e impulsionando novos rumos para a Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física: Derrubamos o Diretor.

Com três times e devidamente orientados pelos ensinamentos capinussunianos de organização desportiva, cada time enfrentaria o outro em sistema de ida e volta e o campeão seria definido pela maior quantidade obtida nos pontos corridos. Com o Verdão reservado para a confraternização dessa galera de Luta, uma tal de Atlética da Engenharia queria alegar que era horário deles treinarem. Pera lá! O dia que uma Atlética qualquer tiver mais moral que o Movimento Estudantil eu não piso mais na UFRJ!

Mostrando total poder de reação, Fui ao CCS manteve-se invicta mesmo depois de sair perdendo as quatro partidas. Teve o mérito de reerguer o CAEFD depois de anos sem gestões e de ensinar o caminho das pedras para a nova geração ocupar a Direção, estar à frente da ExNEEF, realizar Furdunços e entender que a conjuntura muda e devemos atuar na mesma para influenciar decisivamente os rumos da sociedade. E no sábado dia 31 de março, no primeiro evento para comemorar uma década consecutiva de atuação do CAEFD, a nova geração, os amigos e os velhinhos tiveram uma lição de Futsal com aqueles que mantiveram sua preparação física deixando a plaquinha de aviso na porta da sede: FUI AO CCS!

*Karl Leirbag
Jornalista alemão, atuou nos bastidores das ocupações das Direções da EEFD e relator dos 10 anos de atuação do CAEFD (2002-2012)

Resultados e Artilheiros dos Jogos

Jogo 1: Amigos dos Amigos / Velhinhos 6 x 1 Derrubamos o Diretor
(Renato Sarti; Felipe Formoso; Felipe Pipo; Gabriel Gaúcho [3] x “Budega”

Jogo 2: Fui ao CCS 3 x 2 Amigos dos Amigos / Velhinhos
(Bruno G.; Gabriel Marques [2] x Gabriel Gaúcho; Felipe Pipo)

Jogo 3: Fui ao CCS 3 x 3 Derrubamos o Diretor
(Bruninho; Bruno G.; Ian x Rhaiane; Pedro; Luiz Carlos)

Jogo 4: Derrubamos o Diretor 3 x 2 Amigos dos Amigos / Velhinhos
(Alex “Nem” [3] x Gabriel Gaúcho [2])

Jogo 5: Amigos dos Amigos / Velhinhos 2 x 2 Fui ao CCS
(Gabriel Gaúcho [2] x Gabriel Marques; Brunão)

Jogo 6: Derrubamos o Diretor 4 x 5 Fui ao CCS
(Alex “Nem” [2]; Rhaiane [2] x Thiago “Lenny” [2]; Marcello; Brunão; Gabriel Marques)

TABELA

Posição
Equipe
Pontos
Vitórias
Empates
Derrotas
Gols a favor
Gols contra
Saldo de gols
1º
Fui ao CCS
8
2
2
0
13
11
2
2º
Amigos dos Amigos / Velhinhos
4
1
1
2
12
9
3
3º
Derrubamos o Diretor
4
1
1
2
11
16
- 5

Artilharia

8 gols: Gabriel Gaúcho
5 gols: Alex “Nem”
4 gols: Gabriel Marques
3 gols: Rhaiane
2 gols: Felipe “Pipo”; Thiago “Lenny”; Bruno G.; Brunão
1 gol: Felipe Formoso; Renato Sarti; “Budega”; Luiz Carlos; Pedro; Bruninho; Marcello; Ian


Foto Oficial do Torneio, reunindo a maioria dos presentes. 

 Fui ao CCS: equipe campeã.

 Derrubamos o Diretor: 3ª colocação.

Amigos dos Amigos / Velhinhos: medalha de prata.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

VI Pelada da Esquerda




Na última quinta-feira, 23 de dezembro, ocorreu a VI Edição da Pelada da Esquerda, o maior evento esportivo do semestre. Historicamente, o evento reúne a constelação de professores e estudantes de Educação Física da Cidade Maravilhosa e demais municípios “adjacentes”, como Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e Juiz de Fora, além do longínquo bairro de Santa Cruz.
Apesar de sua abertura para demais áreas de conhecimento, como História e Geografia, o professorado e a estudantada de fora da Educação Física, temendo o vigor físico, a sutil categoria e a refinada habilidade apresentadas nas edições anteriores, desfalcaram a sexta edição. Milhares de torcedores ficaram envergonhados de acompanhar evento de tamanha importância de maneira gratuita e preferiram ficar em suas casas assistindo pelo sistema de pay per view, gerador de royalties para a administração do evento, financiadora das críticas e enfrentamentos à ordem vigente.
Pela primeira vez acompanhando o evento, o jornalista Karl Leirbag avaliou a atuação de cada um dos vinte e quatro jogadores, destacando os aspectos positivos e negativos e lançando sua nota. Vale destacar o respeito e a admiração dos trabalhadores aeroviários, que optaram por adiar sua justíssima greve para garantir que o revolucionário alemão acompanhasse, durante a agradável manhã de quinta, as duas horas de partida no campo do Abaeté, no bairro de Vila Isabel.
Karl Leirbag ficou bastante satisfeito em acompanhar a Pelada da Esquerda, solicitou um espaço aqui no blog para expor suas avaliações e apontou seu desejo em participar da sétima edição deste requisitado evento esportivo. Além disso, afirmou não querer substituir ninguém e prometeu buscar contato para realizar uma dobradinha com o cubano judeu Breno Strozemberg, cujas especulações apontam para a possibilidade de desaparecimento político e/ou alguma enfermidade.

Bruno Gawryszewski: fora dos gramados, precisa de maior auto-confiança como a vanguarda da Pelada de Esquerda, apesar da necessidade de maior assessoria para a organicidade do evento, principalmente no quesito das finanças. Com a região patelar visivelmente debilitada por conta do excesso de patoladas, seu rendimento esteve comprometido, saindo sem deixar sua marca de oportunista. Nota 5.

Murilo Vilaça: com o faro de artilheiro limitado e poupando-se para o Jogo das Estrelas no Engenhão, deixou com estilo um gol, obviamente em condições adiantadas – na popularmente conhecida banheira – tirando com classe as chances de defesa do goleiro Marcelo Melo. Nota 5,5.

Gabriel: na primeira partida, dois incríveis chutes, um para defesa do goleiro e outro golaço de fora da área, no cantinho, garantindo a primeira vitória da equipe. Após esse jogo, nenhuma finalização na direção do gol. Todavia, as assistências açucaradas e sua visão de jogo garantiram o entrosamento e as finalizações para gol de seus companheiros, que, com cinco vitórias, foi a maior vencedora da VI Pelada. Nota 9,5.

Ian Fino: com as desculpas esfarrapadas do deslocamento em peladas anteriores, ora por conta da ausência ora do atraso, dessa vez, mesmo motorizado, foi um dos últimos a chegar. Deveria estar ocupado com o aquecimento antes do jogo, fazendo jus ao apelido. Nitidamente precisa de uma sequência de jogos para emplacar o seu bom futebol. Nota 5.

Marcelo Forró: seu estilo mineirinho não impediu que aparecesse demasiadamente ao ser driblado pelo alcoolizado protagonista do drible elástico. Nota 4,5.

Marcelo Melo: o alto teor alcoólico, devido aos destilados ingeridos durante a festa de sua sobrinha em noite anterior comprometeram seu reflexo apurado como goleiro, perdendo o posto de melhor goleiro da esquerda do Brasil. Na linha, incorporou Roberto Rivelino ao aplicar um fantástico elástico pra cima de seu xará do forró. Perdeu pontos por não levar sua sobrinha de 15 anos para o evento. A propósito, felizmente não foi sorteado para o exame anti-doping. Nota 6.

Marcelo Pagodinho: a idade começa a pesar no desempenho. No jogo, apareceu pouco; deveria estar preocupado com os preparativos para a presença de Exalta Samba no show do Rei em Copacabana. Nota 5.

Estevão: o elemento-surpresa da Pelada. Artilheiro da edição, com aproximadamente cinco gols. Com suas artimanhas espírito-revolucionárias, incorporou os fluidos de Bebeto na Copa de 1994 na torcida para o primogênito que há de vir. Nota 7,5.

Vinícius Conca: animado pela conquista do tricampeonato brasileiro pelo tricolor carioca, lançou-se à linha e não teve seu destaque como goleiro. Tentou jogadas, arrancadas e dribles ao estilo do baixinho argentino, todas sem sucesso, deixando claro que deve dar mais valor à carreira musical, talvez no coral da terra de macaba doce. Nota 4,5.

Magrinho do Fonca: sem suas granadas de homenagens ao 15 de outubro, sucumbiu diante da força revolucionária dos docentes em campo, ratificando que até no futebol a PM é a vergonha do Brasil. Parecia muito preocupado também, talvez recordando um dos términos de namoro anos atrás... Nota 3,5.

Renato Sarti: ocupado como vice-coordenador e novo tumultuador de Congregações, suas esvoaçantes bicicletas se destacaram em diversos momentos. Bastante disposto, foi um elemento importante para garantir a sequência de bons jogos de sua equipe, fechando bem a retaguarda e avançando em alguns momentos. Nota 7.

Bruno Rodolfo: sua promessa de carrinhos não intimidou os demais participantes. Participação decisiva em boas jogadas da equipe mais entrosada. Desencantou com oportunismo depois de perfeita assistência de Gabriel. Com uma dieta baseada em carnes de peixe, porco e boi, pode melhorar seu desempenho. Nota 6,5.

Marretovski: novamente presente no maior evento esportivo do semestre, deixou seu golzinho pra história. Nota 6.

Gustavo: a correria são-gonçalense de sempre somada à disposição historicamente construída nas longínquas várzeas de Columbandê. Popularmente conhecido como Braço, armou diversas jogadas de contra-ataque, mas faltava olhar menos para a bola e mais para o restante do campo para ser mais eficaz. Nota 6,5.

Leonardo: inaugurou a isenção para a história do evento. Com seus reluzentes meiões, mais parecia o personagem Kiko, do “Chaves”, no gol. Ao ganhar ritmo de jogo, o goleiro, folcloricamente conhecido como Panda, oscilou golpes de vista mesmo sendo míope, com defesas inacreditáveis. Numa das partidas, impossibilitou o gol adversário com defesas miraculosas, forjando a animação da torcida, que quase subiu o alambrado do campo. Provisoriamente garantiu o posto de melhor goleiro da esquerda do Brasil. Nota 8,5.

Luiz Carlos: sofrendo da síndrome neymariana e com algumas rabanadas acima do peso, esteve totalmente vedete, com uma atuação incrivelmente abaixo do esperado. O único a ser vaiado pela coerente e animada torcida. René Simões explicitou: “estamos criando um Monstro na Pelada da Esquerda!” Nota 2.

Bruno Patrício: reviveu a dupla Gardenal com a presença de Formoso no jogo. A fim de honrar seu nobre sobrenome, os recentes investimentos à indústria do tabaco como fiel consumidor deixaram-no esgotado. Nota 4.

Dari: definitivamente incorporado à Pelada, sente-se cada vez mais à vontade, arriscando boas jogadas. Nota 6.

Juliano: adotando o “estilo Murilo”, posicionou-se na banheira durante boa parte do tempo, mas foi solenemente esquecido pelos companheiros, com pouca visão de jogo. Quando acertou belo cabeceio, tirando do melhor goleiro, a zaga salvou em cima da linha. Nota 5.

Felipe Formoso: vivenciou sua estréia no maior evento esportivo do semestre. Fez boas tabelinhas com o companheiro de período Bruninho. Foi embora antes da foto oficial para não sofrer a revanche do trote aplicado ao Gabriel em 2003. Nota 5.

Marcello Bernardo: conseguiu uma folga para prestigiar o evento. Apareceu muito mais como vendedor de agendas 2011 do que atuando nas partidas. Nota 5.

Bruno Adriano: destacou-se novamente pela lábia polêmica. Apesar das reclamações alegando serem burocráticas as corretíssimas propostas de organização da pelada, em campo, apresentou futebol notadamente burocrático. Nota 3,5.

Cláudio “O Xeroqueiro”: O Motoqueiro Fantasma merece uma nota alta por ter se libertado das amarras de sua pequena empresa de grandes negócios no bairro mais Glorioso da Cidade Maravilhosa para participar da Pelada de Esquerda. Esquivou-se de seu destacado passado como arqueiro para arriscar jogadas na linha, desempenhando uma ótima função na defesa e se tornando o zagueiro-revelação. Infelizmente, saiu contundido. Nota 8.

Alex: apesar do estilo fanfarrão e faladeiro, foi peça importante para armar atabalhoadas jogadas de contra-ataque junto ao companheiro Braço. Nem balançou as redes com estilo. Todavia, a camisa pesou por jogar ao lado de seu irmão. Nota 6.

domingo, 18 de outubro de 2009

O jogo do século*

Excelente e descontraído texto que me foi repassado há um tempo. Fica a certeza de que podemos intervir nesse time e virar o resultado!


Está prestes a começar uma grande partida de futebol! Capitalistas X Proletários. Esta partida que muitos estão chamando de “O Jogo do Século”. Karl Marx, o técnico de um dos times, em tom de provocação, chamou este jogo de “O duelo das classes”. Provocações à parte este tem tudo para ser um jogo limpo, com dois times de muita qualidade. Os capitalistas têm como principal arma a organização, e um grande aparato técnico fora de campo. Os proletários têm a seu favor a garra e a vontade, além de contar com a imensa maioria da torcida. O time não teve muito tempo para se reunir, por isso encontra-se bastante desorganizado.


E a bola rola...Os proletários começam fazendo pressão, o meio campo trabalha muito bem com Kautski jogando recuado, Rosa, Lênin e Gramsci dando um toque de qualidade e mantendo a posse de bola. 5 minutos de jogo, Lênin e Trotsqui fazem uma bela tabela pela esquerda, Lênin vai sair sozinho, mas é parado com falta na entrada da área pelo Czar.



Cartão amarelo para ele! Os Capitalistas estão recuados e os vermelhos aproveitam. Aos 17 nova tabela entre Trotsqui e Lênin, a jogada se repete, desta vez o Czar não alcançou Lênin que bate no ângulo GOLAAAAÇO!!!!! Mas parece que o Czar atingiu Lênin fora do lance, na comemoração, e não dá mais para ele. A torcida ameaça invadir o campo, é um momento de euforia no Estádio, mas o goleiro Stálin pede para a torcida se acalmar, põe a bola debaixo do braço e se encaminha para o meio do campo, Trotsqui tenta impedi-lo e os dois discutem no meio do campo! Mas o que é isso?! O juiz separa os brigões e conversa com os dois capitães, Stálin e Tio Sam, parece que chegaram a um acordo, o juiz caminha na direção de Trotsqui e o expulsa! Stálin aplaude e o jogo está pronto para recomeçar.



Foi dado o reinício, e os proletários não são mais os mesmos, parecem ter ficado abalados com a perda dos dois principais jogadores. Os laterais Proudhon e Bakunin continuam a demonstrar a mesma disposição de jogo, mas nunca estão bem posicionados, ou estão muito avançados ou muito recuados. E o apagão no meio campo favorece ao time dos capitalistas que agora passeia em campo. 36' de jogo Franco entra na área e chuta uma bola despretenciosa, fácil para o goleiro... Stálin tá olhando para onde?! A bola entrou e o goleiro estava olhando para o outro lado. É gol dos Capitalistas...Os proletários ainda conseguem segurar o resultado até o intervalo. Fim de primeiro tempo Capitalistas 1 X 1 Proletários.



Os dois times vão para os vestiários, Karl Marx é impedido de ir ao vestiário passar instruções ao time, que absurdo! Mas Stálin, muito solícito, pega as informações com o técnico para passar aos seus companheiros. Marx parece muito alterado e a polícia decide retirá-lo do estádio junto com Engels, seu auxiliar. Tudo pelo bem do clássico, não pode ter confusão, ordem por favor camaradas! Adam Smith, o técnico adversário, aplaude a atitude da polícia e desce com sua equipe para o vestiário.



Os times voltam a campo e vamos entrevistar o capitão Stálin: “- Qual vai ser a tática para ganhar o jogo?”



“- O time capitalista é muito bom, não temos condições de vencê-los, mas se ficarmos tocando a bola de lado até o fim do jogo, sem arriscar muito, talvez nós conseguiremos um empate, que à essa altura é um ótimo resultado.”



“- Quer dizer que a instrução do Marx foi esta?!”



“- Foi mais ou menos isso que ele quis dizer...”



Bom, falou o capitão Stálin, que agora estranhamente entrou na corrente dos Capitalistas, antes do início do jogo. Isso é que é fair-play, eles se cumprimentam, brincam, e vai começar o segundo tempo. Parece que os Proletários estão seguindo as instruções de Marx, e tocam a bola de lado, sem pretensão de atacar. Che Guevara corre feito um louco, isolado no ataque, mas ninguém passa a bola para ele. Mas Guevara pega a bola no meio campo e parte com tudo para o ataque, não tem ninguém com ele, ele faz uma bela jogada individual, bota entre as pernas do Tio-Sam, deixa Batista caído, e toca na saída do goleiro! GOOOLLLLL!!!!! CHE GUEVARA!!! Os Proletários estão na frente de novo! 14' do segundo tempo 2 X 1 !



Parece que o gol não acendeu o time, que continua apático. Ford e Keynes tocam a bola com muita categoria pelo time dos capitalistas, enquanto o ataque se movimenta muito bem com os sul-americanos Castelo Branco, Pinochet e Somoza, até que aos 19' Castelo Branco empata novamente. 2 X 2. Os capitalistas são só pressão, mas com 23' Che novamente tenta uma jogada heróica, partindo sozinho com a bola do campo de defesa, mas uma falta dura do Tio-Sam tira ele do jogo. A torcida vaia, o juiz não dá nem amarelo. Enquanto isso, Stálin olha para a torcida com uma cara de “não disse...”. Agora o moral dos capitalistas está mais alto do que nunca. Trocam passes como se estivessem treinando, até que Pinochet arrisca um chute da intermediária aos 28' e a bola passa entre os braços de Stálin, GOOOLLL!!!!!



Os capitalistas viraram o jogo, 3 X 2!! Os capitalistas comemoram muito! E vão pintar duas substituições no finalzinho. Sangue novo nos capitalistas, Reagan e Tatcher no ataque! E eles entram muito bem no jogo. Trocam bons passes e na primeira jogada perigosa...GOOOOLLL!!!! 4 X 2, tá ficando fácil!



A defesa está apática, entregando o ouro toda hora. Se não acabar o jogo vai ser goleada... 44', pode ser o último ataque, Reagan cruzou para Tatcher na área, mas Gorbachev se antecipa e ... marca contra ... É 5 X 2! Gol contra de Gorbachev, e o juiz bota a bola no meio e apita o final do jogo. Capitalistas 5 X 2 Proletários, a torcida sai do estádio calada...



(...e se desse para mudar o resultado desse jogo? Bom, o tempo não volta, mas a revanche sempre é possível, e nesse jogo, a bola está sempre rolando.)

Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=32538338&tid=2533089058864403350&start=1

* publicado no n°4