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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Páscoa sem chocolate*

Nosso Engenhão amanhecera debilitado. Alguns vândalos que carregavam a Cruz de Malta no dia anterior resolveram malhar Judas com cento e vinte cadeiras de nosso estádio em vez de criar bonecos de dirigentes e ex-dirigentes que se aproveitam da nobreza da torcida para exercer mandatos legislativos em benefício próprio e contra o povo ou de ex-jogadores que perdem pênaltis em decisões... Indubitavelmente nós botafoguenses somos especialistas em acompanhar as arbitragens favorecerem o rubronegro da Gávea. Analisando o clássico de sábado, o árbitro poderia e deveria ter expulsado Fernando Prass e Alecsandro e o lance do pênalti sobre o Thiago Feltri foi tão duvidoso quanto à verdadeira autoria de Assim você me mata... Portanto, injustificáveis os chiliques dos vascaínos, que perderam a liderança para o simpático Bangu e novamente cederam favorecendo o Flamengo.


Sobre Jobson, a mídia burguesa adora lançar mão de suas bizarras artimanhas para vender jornal ou ganhar acesso nas matérias virtuais. Nosso JobGol questionou alguém ‘hierarquicamente superior’ tal como um aluno contraria um professor, um estudante ocupa uma reitoria ou um trabalhador realiza uma greve. Logo, o setor dominante arruma uma maneira de punir e culpabilizar, eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre a ação. Em breve, só vai dar JobGol, o jogador que não é vaca para ser leiloado e terá estrela para brilhar junto à Solitária (não a da prisão)!


Enfim resolveram abaixar o preço do ingresso, mas R$20 ainda é um preço alto para um jogo de fase classificatória do Campeonato Estadual. Menos de 4500 corajosos e corajosas decidiram não ouvir mais do mesmo dos narradores-comentaristas de uma tal emissora e foram para os Setores Oeste e Leste do Engenhão em pleno Domingo de Páscoa. No primeiro jogo que vou após assistir ao filme “Heleno”, tenho a convicção de que urge que os jogadores extraiam os elementos positivos de nosso ídolo dos anos 1940! Não basta ser jogador de futebol: é preciso ser jogador do Botafogo, que jamais pode ser covarde. Pelo menos em 2012 o elenco conseguiu garantir que o Fogão não perca para ninguém... Em vez de penteados exóticos ou chuteiras exorbitantes, carros do ano e baladas, os jogadores devem treinar e caprichar mais e perceber que cada jogo é uma guerra, observada atenta e apaixonadamente por uma torcida guiada pela Estrela Solitária. É para esta torcida e para esta Estrela que os jogadores precisam desempenhar com garra o seu papel!


O lançamento do produto exclusivo GuaraFogão nos deixou com água na boca: vídeos com jogadores provando, camisas anunciando e um copão inflável estavam presentes, mas nem um copinho com a bebida para a torcida provar foi vendido ou distribuído. E num Domingo de Páscoa um apático 3 x 1 sobre o Friburguense – cujo uniforme aparentava que os gandulas estavam em campo – não simbolizou o chocolate do mundo esportivo. Vale registrar ainda as congratulações aos atletas olímpicos, que se esforçam diante de poucos recursos para representar nosso alvinegro para além do futebol.


“Estão tentando garfar o teu time!” O torpedo enviado por minha mãe contrariava meu acordo com o árbitro. Lá do cantinho da Oeste Superior, jurava que Marcelo Mattos tinha errado o chute e derrubado o adversário. No geral, a arbitragem foi boa, aplicando corretamente cartões amarelos e acertando a maior parte dos lances. Retomando o assunto da penalidade, há um elemento com maior influência que a máxima de que pênalti mal marcado não é convertido: a tranqüilidade e a confiança com as quais o melhor goleiro brasileiro se prepara diante do adversário. Apontou o dedo para sua esquerda, aguardou a cobrança de Rômulo e pulou para a direita em direção à bola, espalmando-a para escanteio. Jefferson tem conseguido se equiparar ao melhor defensor de pênaltis que vi atuando e no qual ele se espelha: Dida.


Após o susto e a alegria pela defesa, o Fogão abriu o placar depois de a bola sobrar no pé de Loco Abreu, que não perdoou. Diante da apatia generalizada em virtude de os jogadores considerarem 1 x 0 como goleada, muitos erros de passe e sobra de falta de vontade, apenas aguardando o apito final. Elkeson e Márcio Azevedo eram os que corriam e tentavam buscar jogo, em vão na maior parte das vezes. Em boa jogada de Fellype Gabriel pela direita, Herrera, que entrara no lugar de Loco e já perdera uma oportunidade, pegou de primeira e ampliou o placar. Em vez de oferecer como presente de Páscoa para Friburgo doações necessárias para as famílias desamparadas pelos corruptos governantes municipais e estaduais após as catástrofes da região serrana, nosso xerife Antonio Carlos decidiu dar uma assistência ao atacante adversário Douglas e assistir de camarote ao gol de honra do Friburguense, que ainda tocou em Fábio Ferreira para enganar Jefferson. Poscha que parola! Nosso time não consegue ficar um jogo sem tomar gol bobo!? Vamos acordar! Para nooossaaaa alegria, o momento de raiva passou rápido. Nova jogada pela direita, dessa vez com Lucas Zen, para conclusão de Herrera, artilheiro do Fogão no Estadual com nove gols. Os gringos do Fogão são os artilheiros do Engenhão e colaboraram ontem para ultrapassarmos a marca dos 300 gols do Botafogo no Estádio! Enquanto os jogadores marcaram, o MEU LIVRO DO FOGÃO “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” atingiu a marca de 700 livros vendidos. É hora de convocar o Túlio pra puxar a campanha rumo aos 1000 livros!


Enfim, hoje é dia da nova camisa ser oficialmente anunciada e divulgada, em evento fechado para a mídia e apenas 300 convidados. Infelizmente, a maior parte da torcida em segundo plano no evento, contando com as redes sociais para acompanhar o cotidiano de General Severiano. Domingo que vem é dia de cumprir tabela no chiqueirão, aguardando quem vamos enfrentar nas semifinais da Taça Rio. Faltam três jogos para nossa decisão de verdade contra os tricolores!



*Gabriel Marques

Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 13 de março de 2012

Jobson voltou e mulheres junto ao Fogão*

Quarenta e oito horas após o Dia Internacional da Mulher, já estava anotado na agenda o duelo do nosso Botafogo contra o Bangu. Indubitavelmente, a lembrança, a homenagem e a comemoração são merecidas no 8 de março. Contudo, é preciso transcendermos a simples vinculação com uma data e reconhecermos que são necessários novos avanços na sociedade, considerando cada dia um dia de luta contra o machismo e quaisquer formas de subjugar as mulheres, buscando relações humanas que não se construam a partir da exploração ou da opressão de qualquer ser humano sobre outro! O dia 8 de março não pode nem deve ser uma data comercializada, com descontos em salões de beleza ou o estímulo ao uso de produtos cosméticos! NÃO! O dia 8 de março é muito mais do que isso e certamente o Futebol deve se enquadrar nesta lógica de rupturas.

            Algumas iniciativas importantes têm aparecido. Ano passado, em um plebiscito, a ANT passou a se chamar oficialmente Associação Nacional de Torcedores e Torcedoras! Uma das mais animadas e contagiantes torcidas organizadas levou a faixa LoucAs pelo Botafogo! Recomendo inclusive a leitura do bonito texto acerca da temática: “A Mulher e o Botafogo”, publicado no BotafogoNews: http://www.botafogonews.com/sem-categoria/a-mulher-e-o-botafogo/  Apesar da constante presença do público feminino nas arquibancadas, ainda é tímido o avanço que podemos conquistar. Enquanto Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo por cinco vezes, acompanhamos calados a inexistência do estímulo ao futebol feminino; em diversos locais como as próprias escolas que deveriam ser o espaço para a formação de um novo olhar e de novas práticas, observamos a hegemonia masculina nas práticas desportivas e muitas vezes um preconceito e uma negação às mulheres que ousam romper a lógica imposta. De nada nos adianta termos a primeira presidente da República mulher, querendo ser designada presidenta e mantendo uma prática política e econômica a favor dos ricos e dominantes ao passo que as mulheres recebem salários mais baixos, sofrem assédios, são constrangidas ao denunciar cônjuges agressores e não podem decidir sobre os rumos do próprio corpo em nome da moral religiosa! Enfim, certo de que dias melhores virão, reafirmo que lugares de mulheres não são o tanque ou a cozinha; e as mulheres alvinegras podem e devem estar ao lado do Fogão, não aquele que toda casa tem, mas este iniciado por letra maiúscula que flameja em preto e branco uma Estrela Solitária!

            Não havia nome melhor de estádio para o jogo após 8 de março: Moça Bonita! Concordo com a crítica de nosso carismático uruguaio acerca do gramado ruim, que estraga o espetáculo. Em contrapartida, o jogo em Bangu possibilita a presença de outros torcedores – moradores da Zona Oeste – e nos obriga a conhecer a estação de trem Guilherme da Silveira... Os próximos quatro jogos voltam a ser em nossa casa, além da semifinal e da final da Taça Rio que disputaremos no Engenhão! Vale registrar a entrevista concedida à BrahmaFogo, falando sobre o livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” e sobre a reestreia de Jobson, disponível no youtube:



    
Num dos bairros mais quentes da capital fluminense, o Sol foi escamoteado pelas nuvens que tomaram conta do céu, amenizando o calor, assim como o preto e o branco que invadiram as arquibancadas banguenses e ofuscaram o alvirrubro. Ainda bem que não precisei usar o guarda-chuva nem para me proteger dos raios solares nem da chuva que só ficou na ameaça. Apesar do absurdo preço de R$30, o público foi grande. E se a torcida que quase lotou Moça Bonita não assistia a um futebol vistoso, podia vislumbrar um festival de pipas nos ares da Zona Oeste, muitas delas interrompendo a partida ao cair sobre o gramado. Tarefa para a Federação: além dos gandulas, contratar dois meninos para aparar as pipas... Além do artefato popular que, com simples materiais, alcança magníficas alturas, a torcida teve a oportunidade de ouvir a charanga do Bangu tocar animadas músicas, dentre outros, de Balão Mágico e da minha querida Mocidade Independente de Padre Miguel.

Tantas coisas bacanas para comentar que certamente o jogo em si ficou como coadjuvante. Com um primeiro tempo morníssimo, a inexistência de gols foi óbvia. Enquanto os ex-jogadores do Fogão Almir e Thiago Galhardo mais o lateral Renan Oliveira construíram boas jogadas, o Glorioso sentia muito a ausência de seus principais jogadores da meiúca. Apesar de pouco mais esforçado que em jogos anteriores, Loco Abreu precisava realmente ser substituído; Herrera lutou, lutou e lutou, mas não concluiu as finalizações para o fundo das redes; e Caio, também esforçado, demonstrou novamente que ajuda muito mais a equipe quando entra no segundo tempo. Lucas Zen não entrou bem no lugar de Marcelo Mattos; Marcio Azevedo e Lucas não apoiaram como podem e o lateral-direito ainda errou muitas jogadas; a defesa vacilou em momentos que não comprometeram por conta das limitações do adversário; e Jefferson quase nos deu um baita susto numa bola para ele recuada que quicou em algum montinho de sua área; enquanto isso, Felipe Menezes comprovou que só pode ser novo Kaká se ele for alguma espécie de pastor do elenco, porque em campo está sempre dormindo...

Os destaques ficam por conta do segundo tempo: Jobson voltou e a torcida do Fogão saiu do chão para entoar euforicamente seu retorno! Depois de 6 meses cumprindo suspensão, o garoto será nosso 48º jogador convocado para defender a Seleção Brasileira em Copas do Mundo – Jefferson e ele titulares em 2014! Com seus contagiantes piques, continua afobado nas finalizações, cansou rápido, mas forneceu a assistência para um moleque franzino, com categoria, balançar as redes pela segunda vez como profissional do Botafogo: boa, Cidinho! Para completar, outro Jefferson, formado pela base, postura de gente grande, substituiu o inoperante Felipe Menezes. Com categoria, cobrou uma falta no ângulo esquerdo, mas o arqueiro adversário mandou para escanteio. Lembrando os tempos de “Almir, faz um gol aí!”, infelizmente o meia acertou um belo chute de fora da área e empatou a partida.

Apesar da manutenção da invencibilidade, com o empate permitimos que o Macaé assumisse a liderança do grupo. Quarta é tarefa primordial liquidar o time que tem número como nome, número este sempre bem-vindo na história de superstições alvinegras! Domingo que vem é dia de cozinhar o bacalhau para continuarmos entre os dois melhores e rumarmos à conquista da Taça Rio. Saudações às mulheres de todo o mundo e um bom retorno a Jobson!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Como se fosse um funeral*

Com considerável antecedência, comprei os ingressos promocionais para as duas últimas rodadas do Glorioso em casa nesse Campeonato Brasileiro. Um preço promocional, mais em conta, que deveria ser usado em todas as rodadas para tornar os estádios mais acessíveis à população. Uma hora antes do jogo, estava marcada mais uma maniFESTAção da recém-fundada Associação Nacional dos Torcedores e enfim consegui participar, auxiliando na panfletagem para convocar mais pessoas a se somarem a essa importante luta pela democratização do futebol em nosso país.

Às vésperas da disputa do Mundial Interclubes, o Internacional de Porto Alegre vinha cumprir tabela, pois já tem sua vaga garantida na Taça Libertadores de 2011 e não tem mais chances de ser campeão brasileiro em 2010. Os gremistas – nossos adversários diretos na briga pela possível quarta vaga no torneio sul-americano do ano que vem e protagonistas por auxiliar a urubuzada a ser campeã brasileira em 2009 e deixar o Colorado na segunda colocação – já apontavam que o Inter entregaria o jogo para o Fogão. Infelizmente, a torcida alvinegra não aderiu à promoção feita pela diretoria e apenas pouco mais de 20.000 torcedores estiveram presentes no Engenhão. E novamente a supremacia era da impaciente, angustiada e equivocada Sofá-Fogo, vaiando mais que apoiando, reclamando mais que torcendo e impulsionando as energias negativas em vez de tentar incentivar para modificar a apática, lenta e sonolenta atuação alvinegra. Pra não dizer que não falei das flores, vale destacar a aguerrida presença da galera de Rio das Ostras e região se somando à torcida Loucos pelo Botafogo.

Tivemos três chances de abrir o placar no primeiro tempo, com Loco e Fahel duas vezes; este último, na primeira, cara a cara chutou em cima do goleiro e no segundo lance com categoria encobriu o goleiro mas a bola caprichosamente encontrou o travessão e a linha de fundo em seguida. Numa jogada desconcertante, o atacante colorado passou como quis por Marcio Rosário e escolheu o ângulo, mas o travessão também esteve do nosso lado. Destaque dos primeiros quarenta e cinco minutos¿ A queda cinematográfica do bandeirinha após marcar uma falta a favor do Botafogo. Lindo lance!!! Com a vinda do segundo tempo, Murphy deu sinal de vida: nada está tão ruim que não possa piorar... Numa bobeada incrível da defesa botafoguense, a bola sobra para chute certeiro do adversário: 0 x 1. Aparentemente, o Internacional realmente não queria a vitória, jogava de maneira displicente. O pior era: parecia que o Botafogo também não queria a vitória. Nos bons lances que criava muito mais por conta da sorte e do marasmo colorado do que pela técnica e categoria de seus jogadores, esbarrávamos no quarto goleiro do Internacional [Este deve ser gremista mas só conseguiu passar na peneira do principal rival!], que fez defesas com grande reflexo. Momentos depois, Rafael Sóbis, também parecendo não querer marcar o gol, encostou na bola, que bateu na trave e ultrapassou a linha, cravando 0 x 2 no placar. Foi o gol mais silencioso de todos os jogos de futebol que eu já acompanhei. Parecia não haver torcedores no estádio, todos desanimados, desolados, entristecidos, cabisbaixos... O silêncio foi quebrado com as discussões internas, confusões que poderiam gerar brigas na Oeste Superior. Com uma briga quase acontecendo, nem vi o sexto gol do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, diminuindo o placar num momento em que havia chance de virarmos o placar! Que nem um louco, tirei a camisa, subi na cadeira e comecei a gritar para a torcida incentivar. Esforço em vão lá de cima, retribuído por uma rouquidão durante algumas horas.

O único time invencível nos jogos em casa perdia num momento crucial da Arrancada Final. É o time que menos perdeu no campeonato brasileiro deste ano, mas também o que mais empatou. Estivéssemos na fórmula idosa de 2 pontos para cada vitória, estaríamos disputando o título... Enfim, a saída do estádio só não foi inerte pois dependia da movimentação da torcida para buscar seus carros, caminhar para a estação de trem ou pontos de ônibus. Silenciosa, decepcionada, com certezas de que tudo acabou. Parecia uma procissão para um funeral, prestes a enterrar um defunto ou cremá-lo. Mas esperem... Cremação precisa de Fogo! E o Fogo gera cinzas! Essas cinzas podem renovar! Antes do jogo, comentara que há coisas que só acontecem ao Botafogo e elocubrava: é bem capaz do Botafogo perder aqui e ganhar do Grêmio no Olímpico... O Glorioso nunca adota caminhos triviais, gosta daquela sensação de sofrimento tão peculiar que torna as vitórias ainda mais especiais. A tarefa é voltar a vencer no próximo Domingo e levar a ‘decisão’ para a última rodada. Meu ingresso já está na mão!



Obs. 1: um dos principais responsáveis por ter me animado a escrever após os jogos, devido à sua declaração de não ser vaca pra ser leiloado entre os clubes, Jobson, além de cair de rendimento nas últimas rodadas, tem vacilado bastante, menosprezando o clube que o resgatou e tem dado grande suporte. Uma pena que pareça que seu pensamento esteja em outro local... Lastimável.

Obs. 2: apesar dos empates do Grêmio e do Atlético-PR, com a derrota para o Internacional perdemos a oportunidade de depender apenas de nossos resultados para a garantia da quarta colocação.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 13 de novembro de 2010

Hora de secar*


A chance de retornar à bela capital cearense era grande com o jogo num final de semana do feriadão de 15 de novembro. Mas a toda-poderosa Rede Glóbo de Televisão antecipou o confronto para quarta-feira, prejudicando significativamente o Botafogo por conta de duas viagens seguidas e de pouco tempo para treinar. Diante disso, para alguns torcedores, como eu, Fortaleza ficou mais distante e o jeito foi acompanhar pela televisão a participação da Estrela Solitária na 35ª rodada. Devido aos compromissos profissionais, assisti ao jogo em Rio das Ostras, num restaurante com a alcunha da competição: Brasileirão!

Além de Maicossuel, Herrera e Fabio Ferreira, – liberados só ano que vem – Marcelo Cordeiro e Somália, – que não estiveram presentes nas ultimas rodadas – Marcelo Mattos e Antonio Carlos cumpriam suspensão. Ou seja, quase um time titular completo ausente da partida no Castelão. Com 55 pontos 6 pontos atrás do líder Fluminense, um fluido positivo estava no ar de que poderíamos encostar nos 3 primeiros e permanecer acreditando bastante em conquistar esse Campeonato Brasileiro. O Vozão, que já fora líder este ano, caiu de produção, mas é nítido como há bastante qualidade nesse time, principalmente com o meio de campo extremamente ágil, arisco, arriscando chutes, trocando passes e se movimentando o tempo todo! Tudo que o meio-campo do Fogão deveria ser mas não é!

Em 5 minutos, o Ceará já finalizara em três oportunidades e o árbitro, além de não marcar a falta em cima de El Loco, equivocadamente amarelou o jogador. El Loco, de “cara limpa”, seis minutos depois, mostraria sua estrela. Em um bate-rebate, Edno cruzou, Alessandro tentou de letra (faz o simples, cabeção!) e furou, o maestro desafinado Lucio Flávio chutou cruzado e a bola encontrou a perna esquerda do uruguaio matador: 1 x 0! As investidas cearenses esbarravam no melhor goleiro do Brasil, que salvou dois chutes de Magno Alves, aos 16 e aos 18 minutos. Aos 22 minutos, os jogadores de futebol deveriam aprender com uma regra do basquete: bola no campo de ataque NÃO pode voltar para o campo de defesa. Entretanto, Edno passou para trás, Marcio Rosário dominou e na fogueira tocou para trás, Leandro Guerreiro cochilando deixou a bola passar por baixo do pé e Magno Alves agradeceu a bobeada, carregando a bola até chutar no canto de Jefferson e empatar a partida. Aos 26 minutos, quase o árbitro se atrapalha, chegando a tirar o cartão vermelho do bolso para Túlio Souza, que não tinha recebido amarelo! Com 34 minutos, Geraldo acertou uma bomba de canhota de fora da área, acertando o ângulo e virando a partida para os donos da casa. Por que só depois disso o Fogão começou a sair de seu cochilo? Aos 41, pênalti não marcado em cima de Túlio Souza; e aos 46, no único lance acertado de Jobson, um belo passe para Túlio Souza chutar rente à trave e sair caprichosamente pela linha de fundo, duas oportunidades que poderiam nos garantir o empate antes do intervalo.

No segundo tempo, o Botafogo ousava mais. Fahel quase acertou de cabeça aos 6 minutos (seria querer demais, né?); e Jobson, em duas situações semelhantes pela esquerda, dentro da área, chutou de qualquer jeito para fora, aos 4 e aos 7 minutos. Ainda levou um cartão amarelo depois de reclamação. Porém, a estrela da noite era realmente solitária e era gringa. Aos 11 minutos, Túlio Souza cruzou, Alessandro dominou e tocou para trás. Lá estava El Loco, na grande área, para inteligentemente chutar de esquerda, com ligeira curva, no cantinho do gol e empatar novamente a partida! Passando-se três minutos, momento Trapalhões da zaga do Botafogo: Fahel chuta de qualquer jeito para afastar a bola da área em cima de Leandro Guerreiro... A bola vai na direção do gol e fica na trave direita de Jefferson. Com Caio, Bruno Thiago e Renato Cajá nos lugares de Fahel, Túlio Souza e Lucio Flávio, o time ficou mais ofensivo e vulnerável. Mas realmente era preciso arriscar nessa reta final e buscar a virada. Apesar do Ceará ainda ter acertado uma cabeçada na trave direita que salvou novamente, os minutos finais reservaram a expulsão do adversário Michel ao receber o segundo cartão amarelo em falta sobre o xodó, duas oportunidades de cabeceio para fora de Caio e El Loco e a melhor oportunidade, aos 36 minutos: novamente livre pela esquerda, o afoito, atabalhoado e nada inteligente em finalização Jobson chutou em cima do fraco goleiro do Ceará, finalização que poderia sacramentar a vitória.

No jogo entre duas das melhores defesas da competição, 2 gols para cada lado e mais um empate do Botafogo. Foi um jogo muito melhor que o anterior contra o Avaí. Somamos 56 pontos faltando 3 rodadas apenas: 5 pontos atrás do primeiro colocado e 3 à frente de dois concorrentes pela vaga na Taça Libertadores. O Botafogo é o time com menor número de derrotas e está invicto há 13 rodadas. A campanha é digna de elogios sim, embora fiquemos frustrados porque a possibilidade do título era muito maior! São vários desfalques, foram bobeadas em minutos finais de alguns jogos e erros de arbitragem. É hora de secar os jogos de sábado e domingo! E a torcida tem uma grande responsabilidade para impulsionar a Arrancada Final nos jogos contra Internacional e Grêmio Itinerante no Engenhão. Avante, Glorioso!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

Pé no freio?*

            A empolgação está grande nesse ano com o desempenho do Fogão no Campeonato Brasileiro. Não só pelas reflexões apresentadas após os jogos, mas também pela vontade de viajar para outras cidades e torcer nos jogos fora de casa. Todavia, não foi possível visitar a bela capital catarinense para o jogo na Ressacada contra a equipe cujo maior conhecido é o torcedor e ex-tenista Gustavo Kuerten, o “Guga”.

            Depois de três boas vitórias e da chama do título receber um grande estímulo, vimos grande parte da mídia, que até então menosprezava o Botafogo em suas matérias, alardear a ascensão alvinegra. Não gostei nada disso. Essa situação influencia psicologicamente, e, somada aos inúmeros desfalques de importantes jogadores, que determinam física e tecnicamente, contribuíram para a apatia do time e para o frustrante retorno da sina do empate.

            Apesar das investidas do Leão, seus ataques não foram dos melhores. Quando a oportunidade de gol era mais iminente, tínhamos o grande goleiro e destaque alvinegro no ano de 2010 – Jefferson! Nosso ataque diminuiu o ímpeto de gols. Quando se aproxima do gol adversário, passes cruciais são errados ou chutes atabalhoados vão para fora ou para as mãos do goleiro. O meio-campo não tem criado e na maioria das vezes quem tem tentado armar a ligação entre a defesa e o ataque é Leandro Guerreiro, que cumpre a função de zagueiro! Para complicar ainda mais, nesse jogo o zagueiro artilheiro Antonio Carlos e o invicto e excelente jogador Marcelo Mattos receberam o terceiro cartão amarelo.

            Enfim, quando foi o momento de enfiarmos o pé no acelerador, o elenco Glorioso confundiu o pedal, freando a ascensão e retomando o espírito Robin Hood, que não nos visitava há um tempinho. Mais um empate em 0 x 0 num jogo de baixa qualidade técnica. A situação mais inusitada ficou por conta do destempero e do desequilíbrio emocionais de Jobson, envolvido em mais uma polêmica. Após ser provocado pelos torcedores do Avaí – que devem caber num fusquinha – realizou gestos obscenos e ficamos no aguardo do que virá. É um jogador importantíssimo para o elenco, mas ainda deveras imaturo, imprudente e inexperiente em diversas ocasiões.

            Com o pé no freio, o sonho do bicampeonato brasileiro fica mais longínquo, embora ainda haja esperança. E se quisermos retornar à disputa da Taça Libertadores após 15 anos, é preciso engatar a marcha, acelerar para vencer e deixar a concorrência para longe da aparição em nosso retrovisor. Essa deve ser a tônica de nossa Arrancada Final!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 6 de novembro de 2010

Comer pelas beiradas*


Em Rio das Ostras, já eram 17:30 de quarta-feira quando minha mãe me telefonou para avisar que eu precisaria estar às 14h do dia seguinte no Rio para escolha da escola onde lecionarei em breve em minha cidade natal. Infelizmente, não dava mais tempo de voltar a tempo de chegar ao Engenhão para mais um jogo do Glorioso e tive que rumar para a Rua do Shopping, onde pelo menos degustei uma suculenta porção de filet mignon com fritas. Queria muito me somar aos quase 20.000 torcedores presentes no Engenhão, principalmente numa semana em que a agora mais vibrante torcida alvinegra marcou presença inclusive nos treinos da equipe. Era a trigésima terceira rodada e um rubro-negro – dessa vez goiano – pelo caminho, com seu destino ainda incerto em relação à permanência na Série A ou a queda para a Série B.
                                                                                      
            Apesar de todas as limitações, os desfalques dos laterais Alessandro e Marcelo Cordeiro certamente atrapalharam, até mesmo porque ambos possuem bastante raça nas disputas de jogadas. O Papai Joel conseguiu readaptar o esquema com o polivalente Somália e o xodó Caio pelas alas. Além de mais esses dois desfalques, a escalação do trio de arbitragem tinha como protagonista Heber Roberto Lopes, o árbitro com uma pista de pouso de aeroporto de mosquito, que já tentara atrapalhar o brilho da Estrela Solitária. E, aos 15 min do primeiro tempo, o atacante uruguaio tocou a bola, antecipando-se ao zagueiro adversário, que o derrubou. Todos esperando o apito... E nada. Pênalti claro e claramente ignorado pelo árbitro. Num primeiro tempo em que apenas o Atlético-GO finalizara a gol em algumas oportunidades, todas sem trabalho para o paredão Jefferson, eis que o apoio maternal se fez presente. Jobson driblou, tocou para Marcelo Mattos, que cruzou na medida para o xodó enfim balançar as redes no Campeonato Brasileiro, em cabeceio estiloso, dedicando o gol para sua mãe, presente no Engenhão e com quem se reencontrara na rodada anterior após quatro anos. Um gol importantíssimo que mudou os rumos do jogo antes da descida para o vestiário e jogou a urucubaca que acompanhava Caio para longe! E vale destacar a atuação brilhante de Marcelo Mattos. Além do passe açucarado para o xodó, o cara desarmou, deu ótimos passes, marcou... Peça fundamental deste tabuleiro alvinegro!

            No intervalo, o fantasma das contusões forçou a substituição de nosso grande zagueiro Marcio Rosário, entrando Danny Morais em seu lugar. Logo aos 3 minutos da segunda etapa, Somália cruza, Fahel cabeceia de maneira atabalhoada, a zaga do Dragão realiza um momento Trapalhões e a bola sobra para Somália novamente, que, num toque, deixou Jobson livre para mandar uma bomba de esquerda para os fundos da rede e aumentar a vantagem! Outro que fez as pazes com o gol... Quinze minutos depois, momento crucial para novas pazes: Caio cobra lateral rapidamente e Lucio Flávio, após ser continuamente puxado pela camisa, deu um mergulho nota dez dentro da área. Dessa vez não houve cegueira ou desprezo por parte do árbitro. É pênalti para o Fogão, em cima do Maestro, que vem jogando abaixo das expectativas, mas que merece todo o apoio da torcida. Sem cavadinha, no meio do gol, El Loco anotou seu nono gol na competição. 3 x 0 para o Botafogo! Aos 31 minutos, Lucio Flavio deu lugar a Edno e... A torcida ovacionou o capitão: importante papel cumprido pelos torcedores numa conjuntura em que o apoio ao time é fundamental. Ainda houve tempo para Caio levar um soco do adversário mas não haver uma punição rigorosa e de eu quase acertar o placar que sugeri num Bolão no twitter: 4 x 0. Mas... o gol do zagueiro artilheiro Antonio Carlos – que voltara ao time em ótimas condições depois de um período no Departamento Médico – foi anulado. E, num certeiro cruzamento de Jobson, El Loco cabeceou com estilo, mas desviou no zagueiro antes de ir à linha de fundo. Com três gols de vantagem e secando o Fluminense no jogo contra o Internacional, houve tempo apenas para certos fantasmas darem a cara – o da contusão e o do cochilo alvinegro! Aos 40 minutos, Somália saiu machucado para a entrada de Renato Cajá. Três minutos antes, Juninho diminuiu o placar após driblar Leandro Guerreiro e seu chute desviar em Danny Morais, enganando Jefferson. Aos 47 minutos, com o meio-campo totalmente voltado para o ataque, Robston entrou sozinho pelo meio para chutar com força e fazer o segundo gol dos goianos. Havia quatro partidas que o Botafogo não sofria gols...

            Enfim, a vitória foi confirmada. Terceira consecutiva e onze jogos de invencibilidade. Cinqüenta e quatro pontos. Com os resultados da rodada, a quatro pontos do líder Fluminense, faltando quinze pontos para disputar. É fundamental que a sequência de vitórias prossiga, pois estamos três vitórias atrás do líder e esse é o primeiro critério de desempate. Enquanto isso, é bom deixarmos nosso recado para a mídia: continuem menosprezando o Botafogo! Preferimos assim, pois o bicampeonato será ainda melhor vindo no estilo da criança comendo mingau ou do botafoguense Zeca Pagodinho: pelas beiradas e bem devagarzinho. Agora que a possibilidade de título é iminente, – projeção que eu já aponto desde a 12ª rodada aqui no blog – colocam o Fogão nas manchetes para vender jornais. Nossa Estrela Solitária tem luz própria e só precisa ser exaltada pela própria torcida! A Arrancada Final continua e os três primeiros já enxergam a totalidade de nosso rastro pelo retrovisor!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 30 de outubro de 2010

Uma boa ideia*


            Na semana em que um dos principais ídolos da Gloriosa história do Botafogo completaria 77 anos caso estivesse vivo, a magia do ex-camisa 7 teria de embalar o elenco. O saudoso Garrincha, que não pude ver jogar, possui uma vitoriosa e folclórica carreira no clube da Estrela Solitária, com seus famosos dribles e humildes frases. Faltando 7 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o jogo contra um dos principais fregueses dos últimos tempos ocorreu na Arena do Jacaré, no município de Sete Lagoas. Com o histórico supersticioso da torcida alvinegra, twittaram mais uma: hoje é dia 30/10/2010: pela numerologia, 3 + 1 + 2 + 1 = 7. Nos últimos dezoito confrontos entre Atlético-MG e Botafogo, contabilizavam-se onze vitórias cariocas, uma vitória mineira e seis empates. Que retrospecto! Infelizmente não pude ir a Minas Gerais para torcer pelo Fogão e o jeito foi acompanhar pelo PPV.

            O Galo vinha embalado com uma boa sequência de resultados para se afastar da degola do rebaixamento, situação complicada que Vanderlei Luxemburgo deixou de herança para o técnico que ousou enfrentar Neymar – Dorival Junior. Pelo lado do Fogão, uma vitória feia por 1 x 0 sobre o Vitória após uma sequência de oito empates consecutivos, ou seja, a defesa de nove jogos de invencibilidade. A rodada não foi muito favorável com as vitórias de Fluminense e Cruzeiro, que mantiveram seis pontos à frente do Botafogo. Mas podemos comemorar o empate da urubuzada contra os queridinhos da CBF e o empate no qual o Peixe fora garfado contra o Colorado. Com a vitória, ascendemos à quarta posição e ratificamos a Estrela Solitária no retrovisor dos três primeiros colocados.

            O primeiro tempo foi morno demais. Num campo de pequenas dimensões, a bola chegava rapidamente ao ataque. Antes do jogo iniciar, já me perguntava por que não escalar o Edno no lugar de Fahel para explorar os contra-ataques, com um trio formado pelo canhotinha, Jobson pela direita e El Loco de centro-avante. Mas o empresário de Fahel realmente merece uma salva de palmas por conseguir a proeza dele ser quase sempre escalado como titular. O meia conseguiu errar um bizonho passe aos 33 min que possibilitou contra-ataque atleticano e chute de Obina. E, aos 37 min, lá estava ele com a velha mania: puxar a camisa do adversário dentro da área... Sua atuação sempre me dá medo! Marcio Rosário oscilou com boas antecipações e falhas grotescas que poderiam ter prejudicado. Os únicos lances de finalização do Botafogo foram chutes por cima do gol de Fahel, Lucio Flávio e Somália. O maestro, que não vive bom momento, apareceu apenas para fazer um bom cruzamento na área, em que o afoito Jobson se jogou para cavar o pênalti. Mas, essa cavadinha não é a especialidade do Fogão.

            No segundo tempo, um duelo entre Jobson e Obina que culminou apenas em chances desperdiçadas por ambos os atacantes. Quando o ataque do Atlético-MG acertava em gol, lá estava nosso paredão da Seleção Brasileira para garantir mais um jogo sem tomarmos gol. Segundos depois de El Loco perder um gol incrível após rebote em chute de Jobson, eu tive a certeza de que sairíamos com os três pontos: com muita categoria, Diego Tardelli arriscou de fora da área e caprichosamente a bola tocou o travessão. No minuto seguinte, Lucio Flávio deu lugar a Edno, que vinha entrando mal nos últimos jogos. E seis minutos depois, a canhotinha de Edno voltou a funcionar, lançando El Loco, que não fomeou e devolveu para o carequinha completar para as redes. Caio entrou no lugar de Jobson quando o placar já nos estava favorável. E começou a preocupação após duas faltas invertidas a favor do Galo, uma em cima de Somália e outra em cima do xodó. Apreensivo e comemorando a cada bicão para longe do gol de Jefferson, eis que Edno protagonizou um novo contra-ataque, deixando El Loco sozinho para carregar a bola, contar com o montinho artilheiro para executar sua mortal cavadita e sacramentar uma boa vitória por 2 x 0 em cima do Atlético-MG.

            Terminado o jogo, o que mais ouvia após nossa comemoração eram os latidos da cachorrada aqui em casa! É canja de galinha! Mais uma vitória contra o Galo, duas vitórias consecutivas para embalar a Arrancada Final da equipe disparadamente com o menor número de derrotas na competição. Mais um jogo sem tomar gols e com o ataque voltando a marcar! Apesar de todos os desfalques, alcançamos a décima segunda vitória e atingimos 51 pontos. E a boa ideia é a torcida lotar o Engenhão, apoiando o elenco do início ao fim, fazendo a nossa parte para o Botafogo vencer e prosseguir na busca pelo bi-campeonato. Enquanto isso, outra boa ideia é secar Fluminense, Cruzeiro e Corinthians, para que em breve sejam ultrapassados pela Estrela Solitária, brilhando isoladamente no céu da tabela.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 10 de outubro de 2010

Tabuleiro de xadrez*

Devido ao feriado de terça-feira e do calendário escolar apresentar a segunda como ponto facultativo, hoje foi um Domingo que gostei, pois nem de perto parecia os Domingos rotineiros de Faustão e companhia. Para ficar ainda mais interessante, jogo no Engenhão em bom horário – 16h – entre o clube da Estrela Solitária e o porco paulista, que, quando enfrentou a urubuzada em nosso estádio há poucas rodadas, emporcalhou o vestiário. Vale destacar que o gramado encontra-se em estado bastante melhorado e esperamos que isso evite contusões como a que nos retirou Maicossuel por mais de um semestre. Como atração, o retorno do jovem Jobson, repleto de especulações por conta da presença em noitadas e possibilidade de uso de drogas ilícitas, que já o suspenderam do esporte durante seis meses.

Na direção das equipes, um duelo entre renomados técnicos, que já dirigiram Seleções nacionais de futebol; no currículo, vantagem para Felipão contra o Papai Joel. Se fizermos uma metáfora com um jogo de xadrez, podemos dizer que estamos sem importantíssimas peças e isso tem influenciado na queda de rendimento do Glorioso, sem vencer há oito rodadas. A ausência de dois cavalos, dois bispos e duas torres prejudica demasiadamente qualquer enxadrista. O Papai Joel não conta atualmente com Jefferson (com a Seleção Brasileira), Fabio Ferreira, Marcelo Mattos, Maicossuel e Herrera (contundidos) e Leandro Guerreiro (suspenso pelo terceiro amarelo). No futebol, outras peças podem substituir, mas nem sempre dão conta do recado...

Por aguardar um atrasado casal de amigos chegar ao Estádio, perdi os sete minutos iniciais da partida. Ao chegar na Leste Superior, assim que visualizei o campo, o árbitro acabara de marcar penalidade a favor do alvinegro. Uh El Loco, entoávamos animados até nos resignarmos em aplaudir timidamente o uruguaio por lançar nossa oportunidade de abrir o placar para as calendas. Não era tarde do carismático atacante, que ainda desperdiçaria outras oportunidades claras por não dominar a bola, parar de correr ou chutar equivocadamente. Jobson, apesar da conhecida ousadia e correria, ainda encontra-se fora de ritmo de jogo. E nosso ataque passou em branco. Renan assumiu a responsabilidade de substituir o melhor goleiro do país e garantiu uma defesa com brilhante reflexo e elasticidade no final, evitando o gol do alviverde paulista. Marcio Rosário e Danny Morais têm condições de ganhar entrosamento com Antonio Carlos. Pela direita, Alessandro voltou a mostrar raça e disposição, puxando contra-ataques e garantindo desarmes, mas ainda erra passes muito bobos e precisa ir ao fundo para cruzar a bola na área. Merecidamente recebeu a faixa de capitão com a saída de Lucio Flávio, outro que jogou bem novamente e mostrou sua importância para a equipe. Marcelo Cordeiro permanece o limitadíssimo ala pela esquerda. Excetuando-se as três tentativas frustradíssimas de bizonhos chutes a gol, Somália voltou a jogar bem, dando importantes passes e marcando eficientemente as investidas adversárias. Já o Fahel... Resta-nos torcer para que retorne ao banco com a volta de Leandro Guerreiro e Marcelo Mattos contra o Fluminense na próxima rodada.

Sou daqueles que acreditam em toda e qualquer possibilidade de mudança nas mais variadas dimensões humanas, mas certas coisas não têm mudado: o gladiador Kleber mais uma vez mostrou sua violência ao agredir Alessandro, recebendo o cartão vermelho. O nervosinho chileno Valdivia, depois de dar um esporro no árbitro e levar o amarelo, fez surtir efeito sua valentia: diversas faltas inventadas ou invertidas pela arbitragem a favor do Palmeiras, prejudicando em diversos momentos o anfitrião do jogo. Falando em dificuldades de mudanças... Nosso Fogão, pela sétima vez consecutiva, obteve apenas 1 ponto. Os quase 12.000 presentes puderam acompanhar um jogo sem gols contra o time de chiqueiro e a manutenção das invencibilidades no Engenhão e contra as paulistas nesse Campeonato Brasileiro.

Se por um lado devemos contemporizar por conta dos desfalques e dos pequenos e frequentes erros da arbitragem; por outro, não podemos admitir que jogadores profissionais que treinam diariamente errem passes ridículos e percam a quantidade de gols que o Botafogo tem perdido, forjando nosso distanciamento da liderança da competição. Faltam agora 27 pontos em disputa e estamos a 10 do líder Cruzeiro, na sexta colocação. Está mais difícil? Certamente, mas como em nossa história várias vitórias são bastante sofridas, eu ainda acredito! Não há um xeque-mate! Semana que vem, rumo ao Engenhão para o jogo contra o Fluminense!


Obs1: na próxima terça-feira, 12 de outubro, a partir das 8h, no Engenhão, as crianças serão recebidas pelos cachorros Biriba e Biruta, pelo Papai Joel, pelos jogadores Renan, Somália e Caio. Com muita alegria e diversão em preto e branco, essa é uma importante iniciativa para os futuros torcedores do Glorioso! Confira o vídeo -> http://www.botafogo.com.br/interatividade_videos.asp

Obs2: às 10h, pela série C, o Macaé recebeu a equipe do Criciúma, vencendo de virada por 3 x 2. Caso empate o jogo de volta, a equipe da cidade da Costa do Sol estará classificada para a série B do Campeonato Brasileiro de 2011. Saiba mais -> http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=154969
 
Já o Madureira, pela série D, venceu fora de casa a equipe do Operário-PR por 4 x 2. Caso passe para a semifinal da competição, o Tricolor Suburbano garante sua ascensão para a série C em 2011. Saiba mais -> http://www.gazetaesportiva.net/nota/2010/10/10/658263.html
 
Com 39 pontos em 27 jogos, o Duque de Caxias encontra-se na oitava colocação da Série B e quase certamente permanecerá na Segundona em 2011.

Interessante comentarmos essa boa presença das equipes do Rio de Janeiro, que sofreram bastante durante a os sombrios tempos de Caixa d’Água e Eurico Miranda.

 Inaugurando a camisa da LOUCOS de Rio das Ostras.

No Engenhão, em boa companhia.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 9 de outubro de 2010

De grão em grão*


28ª rodada do Campeonato Brasileiro. De um lado, nosso Fogão, que não perdera nenhuma partida para os times paulistas; do outro, o Guarani, que não perdera nenhuma para os times cariocas. Por conta dos compromissos profissionais, quinto jogo assistido na cidade de Rio das Ostras e dessa vez o pastel foi substituído por uma porção de batata frita e suco de laranja. Além da comentada, conturbada, especulada e polêmica ausência de Jobson, nosso paredão Jefferson estava ausente devido aos jogos da Seleção Brasileira e o zagueiro de penteado exótico Fabio Ferreira cedido ao Departamento Médico por seis meses.

            Prata da casa e mais uma vítima da impaciência da torcida alvinegra, o goleiro Renan demonstrou, com apenas 2 minutos de jogo, que está à altura e preparado para substituir o melhor goleiro em atividade no país – Jefferson. Enquanto a zaga, com o retorno de Antonio Carlos e a entrada dos ex-reservas Danny Morais e Marcio Rosário buscava entrosamento, Fahel não comprometia e Leandro Guerreiro, com a raça e dedicação que lhe são peculiares, continuava apresentando seguro e bom futebol, inclusive arriscando subidas ao ataque. Somália tem lembrado os seus primeiros jogos no Botafogo, errando passes curtos, cruzamentos e dribles, ou seja, caiu demasiadamente de produção. No ataque, contávamos com o retorno da dupla Mercosul; e no meio, Túlio Souza e Lucio Flávio não repetiam a boa atuação contra a urubuzada. Com o cochilo da defesa e gol de cabeça do Barbosa aos 26 minutos, Joel Santana esperou apenas três minutos para sacar Túlio Souza, que obviamente saíra chateado, para a entrada do Edno, que há duas partidas também tem estado mal. O Guarani ainda pressionou aos 33 minutos, para nova defesa de Renan, até que o ataque Mercosul repetira jogada contra o Corinthians: cruzamento de Herrera para a mortal cabeceada do tsunami na área El Loco Abreu. 1 x 1 termina o primeiro tempo, mesmo placar da partida no Engenhão, do primeiro turno.

            Vindo o segundo tempo, o alviverde paulista quase desempatou, esbarrando em Renan aos 9 minutos e passando rente ao travessão aos 14 minutos. Um minuto depois, contra-ataque alvinegro. Herrera e Loco contra dois adversários e o goleiro, mas o argentino preferiu arriscar da entrada da área em vez de passar para o uruguaio. Aos 17 minutos, Herrera corria em direção ao ataque; por trás, o adversário dá uma cutucada de leve e o goleiro vem pela frente na bola: queda do argentino e ombro machucado, forçando sua substituição pelo garoto Caio, que voltou a incendiar a partida ao entrar no segundo tempo. Aos 28 minutos, jogada de craque driblando os adversários e chutando para que a bola caprichosamente esbarrasse na trave... O menino está mesmo azarado! Sete minutos depois da trave, Somália enfim acertou uma: lançou bem forte, mas com muita velocidade Caio alcançou e cruzou rasteiro para El Loco, que se desdobrou todo para chutar para fora de esquerda em vez de bater direto com a perna direita. Joel ainda substituiu Lucio Flávio para a entrada de Renato Cajá, que entraria sozinho, cara a cara com o goleiro e novamente deixaria de usar a perna direita para a tentativa ao gol, aos 41 minutos. No finalzinho do jogo, o então capitão Leandro Guerreiro cometeu falta providencial e levou o terceiro cartão amarelo, ocasionando mais um desfalque para o jogo contra o Palmeiras.

            Enfim, foi o sexto empate consecutivo do Alvinegro. Se, por um lado, não perdemos há seis rodadas; por outro, não vencemos há sete. Mantivemos a invencibilidade contra os paulistas e repetimos o resultado do primeiro turno. Foi o sétimo jogo com o placar de 1 x 1 e o 13º empate na competição. Dizem que de grão em grão a galinha enche o papo... Mas, nesse ritmo, não será possível acreditarmos no título. Como Fluminense e Corinthians foram derrotados nessa rodada, estamos a 9 pontos da primeira colocação e ainda há trinta pontos em disputa. No primeiro turno, nos 9 primeiros jogos, tínhamos 10 pontos; no segundo, estamos com 12 nos mesmos 9 confrontos. É preciso voltar a vencer e impulsionar o sprint final rumo ao bi. Amanhã vamos que vamos em peso para o Engenhão! Dá-lhe, Fogão!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães*


Depois de mais uma aprontada pela Prefeitura de Rio das Ostras, que trocou por sábados letivos os pontos facultativos de segundas-feiras, tive que assistir ao jogo do Fogão num quiosque na Praia do Centro. Pela terceira vez nesse Brasileirão, fiquei na torcida a cerca de 180 km de distância do Engenhão. Era a 25ª rodada e o jogo de ida contra o Atlético-PR não trazia boas recordações, pois o Glorioso permitira a virada após abrir dois gols de vantagem no primeiro tempo. O conjunto de desfalques era outra preocupação para esse jogo e a torcida também desfalcou, comparecendo com pouco peso. Na própria entrada para o campo, atitude bacana do elenco, ao carregar a faixa “Força, Maicosuel, estamos contigo!”.

            Apesar de muitas mudanças na equipe, o entrosamento inicialmente aparentou estar em dia. Com 22 minutos, uma excelente e habilidosa tabelinha entre Jobson e Túlio Souza desencadeou dribles do ousado atacante alvinegro dentro da área, que apenas escorou para o canhotinho Edno não vacilar e marcar 1 x 0. Infelizmente, a ligação entre os setores permanece complicada: em diversos momentos, o Botafogo tem a bola no campo de ataque e atrasa para a defesa dar chutões e contar com a sorte de sair alguma boa jogada. No primeiro tempo, mais uma vez tivemos de enfrentar os equívocos dos auxiliares ou bandeirinhas. Numa cabeçada para trás do jogador atleticano, a bola sobrara livre para Jobson, que rumava para ficar frente a frente com o goleiro Neto. Equivocadamente, foi marcado o impedimento, em jogada que talvez definisse algum vitorioso no duelo entre os goleiros convocados por Mano Menezes, ambos em ação no Engenhão. Os passes errados no meio são outro problema seríssimo. E num deles, o Atlético-PR armou o contra-ataque e obrigou nosso paredão Jefferson a mostrar serviço e o porquê de estar na Seleção Brasileira! A mania de se jogar em lances polêmicos e abrir mão da tentativa de gol ainda é hegemônica entre os atacantes. E a fantasia pouco antes de terminar a etapa inicial custou um cartão amarelo a Jobson e sua suspensão para o jogo seguinte.

            O jogo demonstrava que temos bons jogadores e, com mais atenção e cautela, é possível vencer os jogos, mesmo desfalcado. Lucio Flávio subiu de produção e ainda é uma excelente opção para jogar uns 60 minutos. O meia até deu carrinho para disputar a bola! Edno se movimentou muito bem e armou boas jogadas e dribles pretensiosos. A entrada de Paulo Baier é sempre preocupante; ele adora aprontar contra o Fogão. Enquanto o Atlético-PR tinha facilidade em cima da lentidão do cansado Túlio Souza e do limitadíssimo Fahel, contávamos com a segurança do Jefferson e a falta de pontaria do adversário. Caio e Renato Cajá fornecem maior movimentação, mas precisam de maior eficiência com a bola nos pés. Apesar dos diversos problemas, os 3 pontos se aproximavam cada vez mais, até que... Elizeu, que acabara de entrar, errou um passe primário – desses que são ensinados em escolinhas para crianças de 6 anos de idade – e possibilitou um contra-ataque do rubro-negro paranaense: Guerrón passou facilmente por Fabio Ferreira e chutou quase sem ângulo para empatar a partida nos minutos finais. Só deu tempo para o detalhe, o azar, o quase... surgir como protagonista. Numa sobra de bola na entrada da área, chute (quase) perfeito do garoto Caio... Quase comemoramos, mas a bola caprichosamente espancou o travessão, ratificando o décimo empate no campeonato. Ah, se essa bola tivesse entrado, se o Elizeu não tivesse errado o passe, se o impedimento não fosse marcado...

            Como não podemos nos submeter à lógica do Quase ou Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães, não adianta lamentarmos os problemas, os desfalques, as suspensões, os erros de arbitragem (impressionante, voltaram a acontecer todo jogo) e a desatenção e o cochilo da equipe nos momentos finais. É preciso acertar onde os equívocos têm acontecido e ficar acordado de verdade até o apito final. Todavia, contrariando os torcedores pessimistas, o sonho do título ainda é muito possível e temos de apoiar para torná-lo real. Nas seis primeiras rodadas do primeiro turno, o Botafogo conquistara 8 pontos; nesse segundo turno, são 9. Nossa arrancada começou contra o Vitória, na 12ª rodada, após uma sequência de 3 empates...

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 14 de agosto de 2010

Ainda é pouco*

Pelo nosso caminho, o lanterna do Brasileirão, que já perdera para Vasco, Fluminense e Flamengo. Por sinal, o Rio de Janeiro vive um bom momento no cenário nacional. Fizemos nosso dever, dessa vez fora de casa, mas com uma presença muito maior da torcida alvinegra no Estádio Serra Dourada. Outro adversário com o mando de campo – e rubro-negro – batido pelo Fogão. Terceira vitória consecutiva e já são seis rodadas de invencibilidade. Também é a terceira vitória como visitante, retrospecto importantíssimo para quem aspira as primeiras posições na tabela.

            O primeiro tempo foi extremamente morno. Um ou outro drible, mais por iniciativa de Jobson. Mas ainda faltava seria necessária maior precisão. Teria colocado o Caio no lugar de Herrera, que ainda não está em dia com as finalizações. Mas foi o guerreiro argentino quem, num belo passe de peito, como se jogasse uma partida de futevôlei, entregou a bola também no peito do incansável e batalhador Somália – que já xinguei muito nos primeiros jogos e duvidei de um futebol sequer fraco – para se esticar e fazer 1 x 0 para o Alvinegro. Com o gol, houve um recuo exagerado da equipe, que bateu cabeça em alguns momentos na defesa. Felizmente continuamos contando com a precisa, tranqüila e segura presença do melhor goleiro do Brasil: Jefferson! Em mais uma bobeada do time adversário, em lance rápido do Botafogo, Maicossuel lançou Jobson, que fingiu chutar, driblou o goleiro e marcou seu quarto gol no Campeonato. Tem tudo para ser o artilheiro e em breve estar na Seleção! Os gols forneceram direito às dancinhas, de certa forma desengonçadas e mal ensaiadas, dos rapazes de General Severiano, que prosseguem a ascensão do Glorioso! Vendo os dribles, a correria e os gols de Jobson, lembro apenas do jargão em voga: Ah, Moleque!

            Como nem tudo são flores, a entrada de Fahel após as câimbras de Somália, quando ganhávamos por 1 x 0, me preocupou. É impressionante como em todas as jogadas, dentro ou fora da área, ele se encontra segurando ou agarrando o adversário. Risco alto de pênaltis, principalmente para um clube que tem sofrido com a arbitragem nos últimos anos. A zaga ainda precisa melhorar o entrosamento, mas a formação com Antonio Carlos, Fabio Ferreira e Leandro Guerreiro é a mais prudente com o elenco que temos. Por sinal, parabenizar nosso atual capitão pelo ducentésimo jogo com a Estrela Solitária no peito. Vale o esforço de Alessandro, mas que bobeou ao tomar um cartão amarelo logo no início do jogo e está suspenso do próximo jogo. Edno, apesar do gol perdido cara a cara, entrou muito bem pela esquerda e é um potencial candidato para, no esquema 3-5-2, substituir o limitado Marcelo Cordeiro nessa posição. O tabuleiro-prancheta de Joel se encontra com peças boas e jogadas surpresas para somarmos mais pontos e nos aproximarmos dos líderes e irmos com tudo no segundo turno.

            Sobe para 25 gols o melhor ataque do campeonato. Temos dois jogos no Engenhão, com muitas possibilidades de garantir mais seis pontos. É hora da torcida comparecer, fazer festa e ajudar a empolgar o time para balançar ainda mais as redes dos adversários. Sábado que vem estarei lá contra o Avaí e não podemos vacilar como ano passado (Atenção, diretoria, carga total de ingressos!) que tivemos que buscar um empate no segundo tempo. Depois, encarar o Ceará, que caiu de produção depois da saída de Paulo César Gusmão e já não é mais a sensação. O Botafogo dorme em terceiro lugar na tabela, no G-4 e temos de aguardar resultados desse Domingo para saber a real posição após a 14ª rodada. Entretanto, com o elenco que temos e com as perspectivas apontadas, o terceiro lugar ainda é pouco!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É hora de debutar*

Acordei nesse domingo 1 de agosto com uma sensação de bons fluidos para a Estrela Solitária no Brasileirão. Tal como antes do jogo contra o São Paulo, antes da Copa do Mundo, eram comentados os tabus do Botafogo no Barradão, estádio do time baiano rubro-negro. E contra rubro-negros... Sou mais o Fogão! Já contabilizavam oito jogos e setenta dias desde a última vitória: 3 x 0 contra o Goiás, no Engenhão (eu estava lá...), em que o hermano e o xodó trocaram farpas e foram expulsos (é, há coisas que só acontecem ao Botafogo!).

Na semana que passou, há situações importantes que fornecem novo gás para iniciar uma ascensão nesse campeonato. O retorno de El Loco Abreu para os treinos; a merecida convocação de Jefferson para a Seleção Brasileira(1); e enfim a estréia de nosso Mago Maicossuel. Diferentemente de outras edições recentes, em que nossa confiança no título ou numa vaga na Libertadores era forte, nas quais o Botafogo disparou e foi caindo na tabela, em 2010 a situação aparenta se inverter. Começamos relativamente bem, caímos drasticamente e ontem certamente começamos a nos reerguer.

Depois de jogar com bastante garra mas desperdiçar diversas oportunidades contra o tricolor carioca, garantindo o terceiro empate em seguida, havia dois caminhos possíveis: de um lado, acumular o jejum sem vitórias e permanecer na zona da degola; do outro, trazer três pontos da Bahia, subir posições e ficar invicto há quatro rodadas. Mais complicado que o time misto do Vitória, fora a péssima condição do gramado, que fez o primeiro tempo parecer uma pelada de péssimo nível sendo transmitida em rede nacional.

Herrera não estava em um bom dia e Lucio Flávio será um bom reserva para as próximas rodadas. Joel demonstrou estrela ao retirá-los e lançar Edno e Caio. Como Maicossuel ainda está fora de ritmo, considerava prudente a entrada de Renato Cajá em seu lugar. Não me recordava da contratação dele, mas considero um acerto e que terá chances de ser titular: discreta, mas precisa foi a atuação de Marcelo Mattos. Tal quadro mudou significativamente a postura do time em campo. Não tenho dúvidas do nome do jogo, que não parou de correr um só minuto e demonstrar ousadia, partindo para cima, tentando driblar, arriscando chutes e cruzamentos com as duas pernas: Jobson!

Cercado por três, segurou a bola até fornecer precioso passe para Edno enfim marcar seu gol (porque contra o Fluminense foi de mentirinha). Esse gol nem deu tempo pra comemorar. Em mais uma bobeada do time, cruzamento pela esquerda para cabeceio e gol de empate do Vitória. À tona vieram filmes de empates e viradas já desse Brasileiro (já que há coisas que só acontecem ao Botafogo!), como contra o Corinthians e o Atlético-PR. Mas o Vitória também não teve tempo para comemorar, porque em mais uma tentativa errada – que deu certo – do limitado Marcelo Cordeiro, lá estava ele, o cara do jogo para empurrar para as redes: Jobson! Antes do apito final, ainda teve tempo para Marcelo Mattos realizar um ótimo lançamento para ele, Jobson, driblar e chutar para as redes novamente. Merecida vitória do Fogão! 3 x 1! Ótima atuação e reviravolta de Jobson Leandro Pereira de Oliveira. Comemorações com direito às dancinhas coreografadas, ao estilo garotos da Vila. Também alvinegros, estão ascendendo os rapazes de General Severiano.

Jobson estivera com tudo acertado para estar no Cruzeiro, mas foi suspenso por problemas de doping no final de 2009. Ironias do destino (há coisas que... rs), a negociação com o clube mineiro foi interrompida e Jobson não pôde jogar até 18 de junho. Enquanto era “leiloado” por seus empresários, reclamou com atitude: “Tem horas que fico muito triste, porque ficam me leiloando e eu não sou vaca!”(2). Tal situação constrangedora relatada pelo atacante é cada vez mais rotineira e lucrativa para poucos nas relações mercantis e de propriedade privada dos passes por parte do empresariado, pois nessa sociedade tudo se desumaniza e se transforma em mercadoria (não só as vacas, Jobson!). Em sua entrevista para a página do Botafogo:

“Meu sentimento agora está assim: o Botafogo tem uma estrela solitária e ela está no meu coração também. Fico muito feliz em retornar. Espero voltar com tudo. Tenho uma história no Botafogo, quero dar continuidade, jogar muito bem e ajudar o clube"

“É o recomeço no Botafogo, finalmente estou de volta, mas tenho muito pela frente".(3)

Sim, o primeiro Domingo de agosto tem tudo para ser um marco, um recomeço e apresentar novos dias para o Fogão nesse Campeonato Brasileiro. Continuando dessa maneira, Jobson terá mesmo muito pela frente e poderá fazer companhia a Jefferson com a amarelinha. E pode avançar ainda mais questionando os leilões de jogadores e o futebol a serviço da ordem ao passo que retoma a alegria dos dribles e belas jogadas.

Por fim... Já que falamos em tabus a ser quebrados, eu escolho o meu: faz 15 anos que comemoramos nosso título nessa competição. É hora de debutar!


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985


(1) Já defendia a convocação dele para a Copa do Mundo na África do Sul, mas o técnico era o Dunga... http://alemdotrivial.blogspot.com/2010/05/dunga-e-selecao-ah-nao-deu-burro.html

(2) “Indefinição irrita Jobson: 'Ficam me leiloando, e não sou vaca'”. 10 de junho de 2010. Disponível em http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2010/06/indefinicao-irrita-jobson-ficam-me-leiloando-e-nao-sou-vaca.html

(3) “Com a Estrela Solitária no coração: Jobson comemora retorno para o Botafogo e agradece à torcida alvinegra”. Por Danilo Santos. Disponível em http://bfr.com.br