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terça-feira, 17 de julho de 2012

Nostalgia e Lutas num Domingo de clássico*



            Numa espécie de contagem regressiva para os dias da semana de feiras, Domingo sempre apresenta um ar nostálgico diante do desejo de continuidade do final de semana. Apesar desse sentimento ligeiramente amargo, ele também nos reserva bons sentimentos quando nos contempla o jogo de Futebol. Quando é clássico então... Ficamos mais ansiosos, apreensivos, envolvidos com a espera do resultado final, para saber se elaboraremos desculpas pela derrota ou diversas piadas para zoar os adversários depois de nosso êxito. E, apesar de toda a minha simpatia pelo Fluminense por ser o time das minhas avós e da minha mãe, hoje quero duramente criticar duas temáticas relacionadas ao pó de arroz.

            Na madrugada de sábado para domingo, a Polícia Militar do Rio de Janeiro – submissa aos ditames do Governador – cumpriu a ordem para retirar dezenas de pacientes do Hospital do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (IASERJ). Cenas entristecedoras marcam mais um absurdo cometido pelo (des)Governador Sérgio Cabral. Cabral é vascaíno e você deve estar me perguntando o que isso tem a ver com o Fluminense. Ora, quem patrocina, manda e desmanda no Fluminense é uma empresa privada da saúde – UNIMED. Enquanto a Saúde Pública desmorona em nosso país, sendo precarizada diariamente, a UNIMED aumenta seus lucros. Enquanto faltam leitos em hospitais públicos e trabalhadores da Saúde são sobrecarregados, sobram rios de dinheiro para contratar e pagar salários astronômicos a jogadores de futebol. Enfim, ainda temos como nos organizar para dizer ao ditador do Rio que TIRE SUAS MÃOS SUJAS DO IASERJ!

            Como vocês podem ler, jamais escrevo o nome oficial da atual casa do Fogão. Ler o nome do tricolor João Havelange me causa ojeriza! É um absurdo que o José Sarney do Futebol brasileiro – e mundial – seja homenageado num estádio construído com recursos públicos e pelas mãos, corações e mentes de centenas de operários. É um contrassenso, um anacronismo, equivalente a convidar o Netinho de Paula para palestrar sobre a Lei Maria da Penha, a chamar o Dado Dolabella pra fazer uma saudação ao movimento feminista ou erguer uma estátua do Michael Jackson em frente a uma Escola de Educação Infantil! Anedotas à parte, é tempo de potencializarmos a luta pela MUDANÇA DO NOME OFICIAL DO ESTÁDIO OLÍMPICO do Engenho de Dentro! João Saldanha e Nilton Santos largam na frente e são duas excelentes opções para substituir qualquer menção a corruptos e elitistas do Futebol! Ricardo Teixeira e seu padrinho e ex-sogro são persona non grata!

             Aproveitando a postagem enfurecida diante das injustiças em nosso país, recado ao Sr. Maurício Assumpção: não queira simplificar a apresentação de Seedorf no Palácio da Cidade como inveja! Todos sabemos de sua filiação ao Partido da Mão com Dinheiro no Bolso (PMDB) e sua campanha tosca pelo prefeitinho Eduardo Paes! Seedorf, festa para a torcida sempre, mas não caia nessas artimanhas burguesas promovidas por meia dúzia de oportunistas! Se o Suriname foi explorado pela Holanda, a população pobre do Rio de Janeiro é explorada por essa corja do PMDB! Eleições à vista, eis que surgem aquelas propagandas contendo apenas números e poses nos abordando ao chegarmos ao Engenhão, sendo que durante dois anos não voltaram para fornecer uma satisfação sobre seus mandatos...

            Será que cabem linhas para abordar o jogo? Preparado para rumar ao clássico vovô, a cachorrada lá de casa me segurou mais alguns bons minutos no lar. Falo dos caninos mesmo, que fizeram meu coração palpitar mais forte já que o jogo não reservaria tantas emoções... Chegando em cima da hora, novamente vi a festa dos cambistas organizados, realizada na frente da própria bilheteria, enquanto o rigor com o torcedor mortal prevalece: triste contradição. Em homenagem ao adversário, nossa revista Preliminar foi a vigésima quarta! E enquanto nosso goleirão Jefferson completou 250 jogos vestindo o manto Glorioso e Márcio Azevedo tem sido um guerreiro digno de convocação para a Seleção... Hey, Fred! Cacilda! De novo gol contra a gente!? Alguém segura o Fred, por favor! Andrézinho mandou mais uma para as redes, dessa vez de cabeça após assistência milimétrica do melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro. Infelizmente, Fellype Gabriel desperdiçou a chance de virarmos mais uma partida e acabarmos com a invencibilidade pó de arroz. Com o 1 x 1, se não vamos zoar pela vitória, também não seremos zoados por uma derrota.

            Ah, não poderia me esquecer das discussões ao meu ladinho no Setor Oeste Superior. Alegando “ter chegado antes que vocês”, um casal queria arrumar tumulto com @s Amig@s Alvinegr@s que estavam de pé na primeira fileira. Cabe uma enquete! Torcedor(a) no Estádio tem que: a) manter-se sentado, em silêncio, comendo pipoca e admirando a tela verde; b) resmungando e vaiando a cada erro e fazendo barulho positivo apenas quando sai gol a favor do seu time; c) prezar pela prática viva e dinâmica da palavra torcer, cantar, vibrar, aplaudir e ter disposição para ver o jogo de pé ao invés do senta e levanta dignos de cerimônia religiosa. Qual sua opinião?

            Sou mais a letra C. Ainda mais a favor do bom senso. No jogo passado, um pentelho levou um abridor e fazia um barulho estridente batendo nas ferragens do estádio bem atrás de mim. Eu tinha chegado primeiro, mas não me incomodei em passar para outro local e deixar seus tímpanos se divertirem sozinhos. Em vez de longas discussões e bate-bocas, sou mais os dizeres expostos pelos Loucos pelo Botafogo: PAZ E FESTA NOS ESTÁDIOS!

            O Galo disparou na liderança. Nosso Glorioso permanece no G-4 e amanhã temos que derrubar mais um time de São Paulo, dessa vez na Vila Belmiro. Preparemos o peixe para a janta desta quarta, para digerirmos bem e nos prepararmos para a estreia de Seedorf domingo contra o Grêmio em nossa casa! Dá-lhe, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Clássico de mentirinha*

A participação na Assembleia do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ) impossibilitou que estivesse no Engenhão contra o Duque de Caxias, precisando apelar para o radinho para acompanhar nosso Glorioso na rodada anterior. Com isso, volto a escrever hoje, após a manutenção da invencibilidade em 2012 neste Domingo, quando mais uma vez foi deixada a vitória escapar.

            Domingo 1º de abril, dia popularmente querido e extrovertido por conta das animadas, criativas e implicantes mentirinhas e pegadinhas elaboradas e realizadas por crianças, adolescentes, adultos e idosos para comemorar o Dia da Mentira. Entretanto, se por um lado há esta cultura popular, por outro lado há algo que não deve ser apagado. Deve sim ser recuperado, pesquisado e investigado. Há quarenta e oito anos, militares e empresários aplicavam o golpe que jamais pode receber a nomenclatura de Revolução. Determinaram por mais de duas décadas os rumos políticos e econômicos do país, censurando, prendendo, torturando e aniquilando seres humanos que minimamente se chocassem com a ordem estabelecida. Portanto, precisamos caminhar para que as verdades sejam apuradas, assassinos recebam punições e que sejam retiradas quaisquer menções aos ditadores e seus simpatizantes em nomes de logradouros, salas e repartições de prédios públicos etc., além de uma necessária reviravolta na conjuntura político-econômica do país, hoje governado por uma ex-militante a favor da classe dominante!

            Ontem, ao ser entrevistado pela BrahmaFogo, o único caso de Pinochio que me recordei entre jogadores de futebol foi Somália, que ano passado criou a mentira do sequestro-relâmpago. Todavia, no mundo do futebol, certamente há dezenas e dezenas de mentirosos espalhados pela Confederação Brasileira de Futebol, pelas Federações Estaduais e comandando as gestões de diversos clubes. O principal deles pediu para sair depois de mais de duas décadas à frente da CBF. É tempo de modificar a política da entidade e não simplesmente trocar seis por meia dúzia. No nosso Botafogo de Futebol e Regatas, é preciso questionar: por que e como um saldo negativo de mais de R$160 milhões em 2011!? Esquisito, muito esquisito...

            Muito tem se falado sobre o enfraquecimento do Campeonato Estadual, sobre a pouca presença de torcedores nos estádios. Entretanto, pouquíssimas propostas inteligentes surgem, até mesmo porque o problema de falta de público é uma síntese de múltiplas determinações, como por exemplo o alto preço dos ingressos, os horários complicados para atender aos interesses midiáticos, a péssima qualidade do serviço de transportes públicos e os infelizes e insistentes confrontos entre torcidas organizadas. Como simpatizante dos clubes pequenos, não sou a favor da diminuição da quantidade de equipes. Pelo contrário, defendo inclusive que pode aumentar a presença deles e diminuir a quantidade de jogos do Fogão e dos outros três que se dizem grandes. Como? Uma das possibilidades seria: no segundo semestre do ano anterior, quatro grupos com cinco times disputam em jogos de ida e volta, passando à fase de mata-mata os três melhores de cada grupo, até restar o triangular para decidir o campeão. Os doze melhores estariam automaticamente classificados para as oitavas-de-final do Campeonato Estadual, que já contaria com Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Em um mata-mata com jogos de ida e volta, o campeão seria definido disputando oito partidas. #FicaUmaDica

            O clássico vovô de ontem em diversos momentos assemelhou-se a uma razoável pelada de várzea, com sucessivos erros e chutões de ambas as partes. Após início arrebatador, com boa troca de passes que culminou com a certeira finalização de Elkeson para abrir o placar, o elenco da Estrela Solitária resolveu entrar no clima da data e enganar a torcida. Sem nenhum tesão em campo, parecia que nós já estávamos classificados para as oitavas-de-final da Taça Libertadores e para a final do Campeonato Estadual... Com isso, novamente nas costas de Márcio Azevedo, o cruzamento de Wellington Nem para Fred concluir não foi interceptado e o empate foi cedido. Não fossem as duas bolas na trave acertadas – ou erradas – por Herrera e umas duas grandes defesas de cada um dos goleiros, o jogo teria sido ainda mais frustrante em termos de emoção.

            Jefferson assustou em dois lances de saídas de gol; Lucas está em péssima fase, deixando até alguns torcedores com saudades de Alessandro – pasmem! –; Fábio Ferreira precisa se preocupar menos com seu penteado calopsita e mostrar melhor futebol; Antônio Carlos não esteve tão bem ontem; Márcio Azevedo mostra disposição, mas é fraquíssimo na marcação; Marcelo Mattos apresentou ligeiros sinais de melhora enquanto Renato passou a errar passes; Elkeson prossegue afoito e atrapalhado, perdendo muitas bolas; Andrezinho tem gostado de usar chinelo antes do apito final; Fellype Gabriel pode e deve aparecer mais para construir as jogadas; Herrera precisa mudar o radical de seu nome; Jobson e Caio entraram e pouco fizeram; Oswaldo de Oliveira precisará de mais do que palavrões e esporros durante os treinos. A ausência de Loco Abreu ainda é sentida e reforços de peso são mais que necessários para prosseguirmos na Copa do Brasil e chegarmos com boas perspectivas ao Campeonato Brasileiro.

            Enfim, ao empatarmos com o time da UNIMED ao passo que Almir, Tiago Galhardo e cia. não conseguiram retirar pontos dos mulambos, o Fogão ficou na segunda colocação. Quarta que vem é importantíssimo ganhar o Guarani por pelo menos dois gols de diferença e garantir logo a vaga nas oitavas-de-final da Copa do Brasil! Faltam dois jogos para fechar a Taça Rio e caminhar para uma disputa de verdade contra os tricolores, pois o clássico de ontem foi de mentirinha!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Lançamento Internacional de MEU LIVRO DO FOGÃO




No dia 29 de janeiro de 2012, em Colonia Caroya, cidade que pertence à Província de Córdoba,, na Argentina, ocorreu o lançamento internacional do livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" como parte da programação da I Copa América Alternativa de Futebol. O autor e integrante da equipe Pelada da Esquerda Gabriel Marques realizou uma breve explanação em "portunhol" após os participantes, de diversas partes do mundo, entoarem o hino do Botafogo de Futebol e Regatas.

Segue abaixo o texto que saiu na Revista Digital sobre o evento, em português e em espanhol.
Para ter acesso à Edição Digital da Revista Hombre Nuevo, acesse o link: http://issuu.com/colectivohombrenuevo/docs/edicion_especial_caa2012 

MEU LIVRO DO FOGÃO é uma parceria entre a Editora Livros Ilimitados e o Botafogo de Futebol e Regatas, um projeto revolucionário que visa à publicação de livros escritos por torcedores. Durante 2010, foram publicados diversos textos após os jogos do Glorioso no blog Além do Trivial, que formaram a coletânea que compõe o primeiro livro publicado pelo projeto: “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, título vencedor da enquete promovida no próprio blog. O livro contém trinta crônicas, que não apenas analisam as questões táticas e técnicas dos jogos, mas também relacionam as iniciativas e a história do clube, o papel da torcida e a paixão pelo Futebol a temas gerais da Sociedade, como cultura, educação, política e economia.
                Ao utilizar uma linguagem descontraída, o livro tem como um dos objetivos realizar as necessárias críticas às situações absurdas que têm ocorrido principalmente no Brasil utilizando o Futebol como pano de fundo. Sede de diversos megaeventos esportivos, estádios são construídos com milionários recursos públicos e transferidos em seguida para a iniciativa privada lucrar enquanto ocorre arrocho salarial e direitos historicamente conquistados são retirados dos trabalhadores; famílias são removidas violenta e compulsoriamente de suas comunidades para que obras de reorganização do espaço urbano aconteçam e enriqueçam os empreiteiros; os meios de transporte púbicos encontram-se cada vez mais precarizados; os horários se submetem aos interesses da televisão, estimulando a lógica individualista de cada um assistir aos jogos em sua casa; os preços dos ingressos são elevados etc. Todas estas condições dificultam o acesso da torcida aos jogos. Enquanto isso, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, há diversos anos ditando os rumos do Futebol no Brasil, prossegue sua atuação antidemocrática, mesmo com diversas denúncias de corrupção. Vale registrar que em 2010 foi criada a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras (ANT), que tem realizado ações de Luta contra a Elitização do Futebol Brasileiro, construindo um abaixo-assinado para que o ditador da CBF seja investigado e defendendo a democratização do Futebol.
                Na visão do autor de “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, como professor de Educação Física e membro da ANT, o Futebol, como um fenômeno social, pode e deve contribuir para a formação de uma juventude crítica, leitora e apaixonada. O Glorioso Botafogo, clube de referência e história nos cenários brasileiro e mundial, possui importante papel de vanguarda nesta tarefa de incentivar as relações entre a Literatura e este Esporte conhecido e praticado mundialmente. Após diversas atividades de lançamento e divulgação, em programas de rádio e eventos no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Brasília, ocorreu no dia 29 de janeiro de 2012 o lançamento internacional do livro, em Colonia Caroya, no distrito de Córdoba-ARG, durante a I Copa América Alternativa de Futebol.
                A oportunidade em vivenciar como jogador a I CAA e praticar um Futebol alheio aos fins mercadológicos e competitivistas vão ao encontro das concepções expressas pelo autor acerca do Esporte. O autor tem como anseio que o conteúdo do livro apresente debates para Além do Trivial e que nossas ações cotidianas apontem para a perspectiva de construção de um novo ser humano, em uma Sociedade para Além do Capital. Hasta la victoria siempre!



MEU LIVRO DO FOGÃO es una asociación entre la Editora Livros Ilimitados y el Botafogo de Futebol e Regatas, un proyecto revolucionario que visa a publicación de libros escribidos por los hinchas. Durante 2010, se han publicado diversos textos después de los juegos Del Glorioso em el blog Além do Trivial, que se formó la coletanea que compone el primero libro publicado por el proyecto: “Botafogo, uma passión allá del trivial”, título ganador de la encuesta patrocinada por el blog. El libro contiene treinta crónicas, que no sólo analizan las cuestiones tácticas y técnicas de los juegos, pero también interactúan las iniciativas y la historia del club, el papel de los hinchas e la pasión por el fútbol a los temas generales de la sociedad, como la cultura, educación, política y la economía.
Por medio de la utilización de una lenguaje diferenciado, el libro tiene como uno de los objetivos hacer la crítica necesaria a las situaciones absurdas que se ha producido principalmente en Brazil haciendo uso del fútbol como fondo. El hogar donde hay muchos megaeventos desportivos, los estadios se construyen con millonarios recursos públicos y transferidos entonces para el beneficio privado mientras que se produce compresión de los salarios y se toman los derechos históricamente ganados de los trabajadores; familias son retiradas de modo violento y obligatorio de sus comunidades para obras de reorganización del espacio urbano se sucedan y enriquezcan contratistas; los medios de lo transporte público son cada vez más precarios; los horarios obedecen los intereses de la televisión fomentando la lógica individualista de asistir juegos solo en su casa; los precios de las entradas son altos etc. Mientras tanto el presidente de la Confederación Brasileña de Fútbol (CBF) Ricardo Teixeira, hay muchos anos dictando el rumo del fútbol en Brazil, continúa con sus acciones antidemocráticas, mismo con diversas de corrupción. Vale la pena destacar que en lo ano de 2010 fue criada la Asociación Nacional de Hinchas (ANT), que ven a realizar acciones de Lucha contra la elitismo del futbol brasileño, buscando construir una petición para que el dictador de la CBF sea investigado  y defendiendo la democratización del fútbol.
En la visión de lo autor de “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, como profesor de educación física y miembro da ANT, el fútbol, como un fenómeno social, puede e debe contribuir a la formación de una juventud critica, lectora y apasionada. El Glorioso Botafogo, club de referencia y historia en lo Brazil y en lo mundo, tiene importante papel de vanguardia en la incentivación de las relaciones entre la literatura y el deporte conocido y practicado mundialmente. Después de diversas actividades de lanzamiento y divulgación en radios y eventos en lo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul y Brasília, se produjo en lo día 29 de Enero de 2012 el lanzamiento internacional del libro, en Colonia Caroya no distrito de Córdoba-ARG, durante la I Copa América Alternativa de Fútbol.
La oportunidad de vivencia como jugador na I CAA y practicar un Fútbol ajeno a los fines mercadológicos y competitivistas  vano cumplir el encontró de las concepciones expresó por el autor sobre del Deporte. El autor tiene como deseo que el contenido del libro lleve a debates para Alla del Trivial y que nuestras acciones diarias apunten a la perspectiva de construcción de un nuevo ser humano, en una Sociedad para Alla del Capital. Hasta la victoria siempre!           
 
Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Professor de Educação Física
Integrante da Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras
Militante do Coletivo Marxista


CONFIRAM TAMBÉM O TRAILER DO DOCUMENTÁRIO
SOBRE A COPA AMÉRICA ALTERNATIVA DE FUTEBOL 2012:

sábado, 27 de agosto de 2011

Avante, nossos sonhos!

Essa noite eu tive um sonho
Sonhei que era jogador de futebol
Capitão do Glorioso Botafogo
Num confronto contra o Coritiba
E a torcida enchendo o Engenhão

Após o intervalo, eram disponibilizadas bolas velhas 
Que não condiziam ao espetáculo do futebol
Diante de um motivo aparentemente bobo
Começamos a questionar as péssimas condições de trabalho
O capitão do Coxa aceitou conversar com seu time
E atrasar o início da segunda etapa

A torcida começou a perceber o protesto
E entoava cantos de apoio às críticas feitas pelos jogadores
Usando como exemplos as greves no futebol espanhol e dos operários no Maracanã
Discursava sobre os baixíssimos salários da maior parcela de jogadores do país
Criticando ainda o papel dos empresários da bola

Ricardo Teixeira fugiu revoltado do camarote
Após puxarmos a palavra de ordem de "Fora Teixeira"
A Rede Globo interrompeu a transmissão
Logo depois da torcida cantar com euforia:
"O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!"

Acordei, sorrindo e pensando como podemos transformar os sonhos em realidade
Dificilmente terei condições de ser jogador de futebol
Mas temos plenas condições de enfrentar e derrubar Teixeiras e Marinhos
Permitindo que o Futebol seja efetivamente uma Alegria do Povo
Processo que caminha conjuntamente à construção de um novo modelo de sociedade...

Sonhemos!
Acordemos! 
Gritemos!
Lutemos!
Avante!

Gabriel Marques

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Manifesto de tristeza - Orgulho de ser brasileira!?

No último sábado, enquanto governantes das mais variadas esferas no país e dirigentes do mundo esportivo - diversos deles envolvidos em escândalos de corrupção e/ou parceiros da classe dominante do país - se divertiam no evento na Marina da Glória, recepcionados por artistas, jogadores, ex-jogadores, técnicos, para sortear os grupos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, outros milhares de trabalhadores e estudantes realizavam a 'Marcha por uma Copa do Povo', do Largo do Machado até as proximidades da Marina da Glória, defendendo melhorias nas áreas sociais, como Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Moradia!

R$30 milhões vindos de recursos públicos foram pagos à Confederação Brasileira de Futebol e à Rede Globo de Televisão para a realização de mais essa festa, onde as cúpulas se reuniam e sorriam, enquanto a situação das escolas e de hospitais em nosso país é precária!

Meu pai e eu participamos da Marcha. Sem mais a dizer, com muito orgulho eu publicizo aqui o texto que minha mãe escreveu naquele dia 30 de julho, deixando-me emocionado:

Venho por aqui manifestar a minha tristeza, depois de ligar a televisão e ver o sorteio para a Copa e saber o quanto estão gastando e ganhando, ou seja, milhões e milhões com tudo isso. Vejo o sorriso nos lábios, olhos vendo cifrões, quanta alegria para esses governantes, enquanto milhares de pessoas estão morrendo de fome e sem ter onde morar.
 
Não sou ligada a nenhum partido, sou uma simples digitadora, que dou um duro danado para ter meu dinheiro no final do mês.
 
E eles ficam esbanjando dinheiro, enquanto a saúde, educação e segurança estão um caos. 
 
Pacientes deitados no chão do hospital, pois não há leitos, tudo lotado, e os médicos ganhando um salário ridículo, depois de terem estudado tantos anos. 
 
Os professores, que se não fossem eles, ninguém estaria onde está. Mas o salário? Nossa, que vergonha!
 
Na parte de segurança (bombeiros, policiais, etc.) ganham um péssimo salário. 
 
Depois o nosso governador vai para a televisão e chama os bombeiros de vândalos, os professores e médicos de vagabundos! 
 
Agora eu pergunto: são eles que financiam a Copa? São eles que enchem o bolso de dinheiro? São eles que têm mansão em Angra dos Reis? Que têm apartamento super luxuoso na Zona Sul? Viajam em jatinho de empresário? 
 
Isso tudo sem falar no Sr. Ricardo Teixeira, que também está lá no sorteio, só pensando na grande fatia que também vai levar!! Na próxima fazenda que irá comprar!
 
E eu pergunto: quem são os vândalos e os vagabundos nessa história? 
 
Nossa, estou com vergonha de ser brasileira!
 
Nós temos que nos unir; assim como colocamos no poder, podemos também tirar. Vamos acordar, chega de corrupção!!!! 
 
O povo unido nunca será vencido!!!!

Talita Daumas

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bode expiatório ou garfada violenta?*


Depois de 1 vitória e 2 empates em jogos assistidos em Rio das Ostras, quarta-feira à noite era o momento de acompanhar o quarto jogo do Glorioso pelo Centro da cidade da Costa do Sol. Embora nosso último jogo no estádio trouxesse boas recordações, o prenúncio era assustador: o Timão vinha de 11 vitórias em 12 jogos realizados no Pacaembu. Enquanto as dificuldades por conta da suspensão de Jobson e do não pagamento da multa para o Edno poder jogar apareciam, a superstição poderia ser um trunfo nosso: 13º jogo do Corinthians em casa. E quem é o nosso camisa 13? O ataque Mercosul estava de volta à ativa. Colocando os prós e contras, dirigi-me animado para o jogo, com a sensação de vitória! Cheguei 16 minutos atrasados e o placar já apontava 1 x 0 para o adversário.

            Dez minutos depois, uma arisca jogada do Fogão: Lucio Flávio para Herrera, que cruza e... TSUNAMI NA ÁREA!!! Lá estava nosso uruguaio para empatar a partida e marcar seu sexto gol em seis jogos, dessa vez usando com muita categoria o fundamento do cabeceio. Com o empate, o Botafogo cresceu e é muito bom ver a disposição, a garra, a energia com as quais os dois atacantes gringos vão para os jogos. Enquanto a defesa do Botafogo ainda oscila demasiadamente, com momentos de total passividade, ficamos preocupados. Mas a maior preocupação nesse jogo de 29 de setembro não foi a defesa, que inclusive poderia ter protagonizado um golaço. Aos 37 minutos, Fabio Ferreira foi lançado e partia para a área adversária, sozinho, sem marcação, quando o defensor corinthiano acertou um carrinho e seria expulso! Porém, havia uma bandeirinha no meio do caminho! Impedimento equivocado.

            Em homenagem à vitória que parecia premente contra a paulistada, fui comer um pastel no intervalo. E com 3 minutos, os botafoguenses presentes na rua do shopping, junto aos tricolores cariocas, comemoravam a virada com o gol de Herrera. Entretanto, havia outra bandeirinha no meio do caminho! Novo absurdo a favor dos gambás! Prejuízo para o Botafogo, que prosseguia com jogadas aéreas. Herrera parecia ter aprendido com El Loco o fundamento do cabeceio e obrigou o goleiro do Corinthians a fazer ótima defesa. Depois disso, mesmo com a entrada de Renato Cajá no lugar do argentino e de Caio no lugar do Lucio Flavio, o Botafogo encolheu. O Corinthians pressionava e parecia mais próximo do desempate, mas tínhamos o paredão da Seleção Brasileira em nosso gol, que só parou com uma entrada do atacante corinthiano para derrubá-lo ao chão. Jefferson teve que jogar a bola à lateral para ser atendido pelo Departamento Médico. E qual foi a atitude dos gambás pelegos da Confederação Brasileira de Futebol??? Contrariando toda a lógica proposta do fair play, cobraram o lateral e partiram para o ataque, sem devolver a bola para o Botafogo! É um TIMINHO!

            Não bastassem os dois absurdos impedimentos, ainda acompanhamos o árbitro dar cartão amarelo para o Antonio Carlos, contundido e no chão. Cena inédita! Nos minutos finais, o Botafogo reacendeu suas chamas e teve duas oportunidades para concretizar a virada e conquistar mais uma vitória contra os paulistas, contra quem temos total invencibilidade nesse Campeonato Brasileiro. Todavia, na primeira delas, Somália se precipitou e chutou nas mãos do goleiro adversário. Na segunda delas, o garoto Caio arrancou após cobrança rápida de falta marcada sobre o Alessandro – que culminaria num contra-ataque ótimo – mas quis caprichar demais, driblar e marcar de fora da área. O árbitro, desesperado com a possibilidade de derrota do Corinthians, decretou o final do jogo: 1 x 1.

            O que temos acompanhado nos últimos dias é uma tentativa desenfreada de crucificar o xodó Caio pelo empate. Pera lá! Há muito tempo não temos jovens revelados pelo clube sendo tão bem aproveitados como o Caio e as palavras dele expressam a boa vontade da juventude, muitas vezes inexperiente: “Só quis ajudar!”. A torcida do Botafogo não pode entrar nesse clima de perseguição, querendo arrumar um bode expiatório! A grande culpa por não termos vencido a partida está atrelada à CBF, ao Ricardo Teixeira, ao Andrés Sanchez: foi o trio de arbitragem. Que os adversários não venham com histórias da carochinha de chororôs: o que presenciamos em São Paulo foi uma baita garfada violenta!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dunga e a Seleção Ah-NÃO: deu Burro*

No início dos anos 1990, era aluno da Escolinha de Futsal do Sport Club Mackenzie, no Méier, com o Professor Nelsinho. Na hora de escolher as camisas, era sempre uma correria, uma imensa disputa pela 11 do Romário e pela 7 do Bebeto. Por fora ficavam a 10 de Raí e a 1 de Taffarel, para os goleiros. Nesse tempo já começava a questionar algumas coisas e nunca participava dessas disputas; geralmente, era o único camisa 8. Camisa 8 do capitão Dunga.

Creio que a Copa do Mundo que mais acompanhei e torci foi a de 1994, assistindo aos jogos na vila onde morava, batucando, gritando, comendo churrasco e suando frio a cada cobrança de pênalti na final contra a Itália. Fomos tetra. Em 1998, a decepção na Final, “recompensada” pelo pentacampeonato quatro anos depois; este, por sua vez, seguido por nova decepção em 2006. Majoritariamente, a busca pelo resultado vem superando a criatividade, o abuso, a molecagem. Também cada vez mais fica evidenciada a íntima relação entre gigantescos investimentos financeiros de patrocinadores e os resultados do futebol.

Não sou daqueles professores de Educação Física que defendem ser o futebol propriedade privada da nossa área e entendo que a busca pelo conhecimento pode acontecer além da Universidade. Certamente muitos ex-jogadores têm mais condições de ser técnicos de futebol do que eu. Todavia, fiquei surpreso com uma ascensão meteórica do capitão do tetra. Seu primeiro cargo: técnico da Seleção mais vezes campeã do mundo! Pareceu-me mais uma das artimanhas maquiavélicas da Confederação Brasileira de Futebol, sob o comando coronelístico – neologismo? – de Ricardo Teixeira e seus asseclas.

O capitão já não é mais o mesmo, nem ocupa o mesmo papel. Assim como, de minha parte, já não é o mesmo sentimento nacionalista, ufanista de não desistir nunca e ficar na torcida de verde e amarelo pelo hexa. É hoje muito mais perceptível a importância desses mega-eventos esportivos para auxiliar o processo de manutenção da ordem estabelecida. Em diversos momentos acompanhamos comemorações de títulos em que jamais tocaremos a taça, enquanto a ideologia e a repressão dominantes, ah, essas sim nos tocam, nos jogam contra a parede, configurando ditaduras, como na década de 1970; governos neoliberais, como nos anos 1990; e agora governos burgueses mascarados de esquerda.

Já pensava em não torcer para o país sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, que constrói estádios, monumentos e faz empresas e bancos lucrarem, ao passo que o desemprego aumenta, crianças passam fome e se prostituem e a barbárie se dissemina. Na terça-feira, enquanto a lista de Dunga era anunciada, lecionava para o 6º ano em Rio das Ostras. Dois alunos, de idade próxima à minha em 1994, vieram me pedir para deixar o rádio ligado na hora da entrevista coletiva. Recordei-me da época que tinha 9 anos e torcer era divertido e fácil. Mas é preciso irmos além do trivial.

As piadas já estão rolando solta. Dunga encampou a campanha contra as drogas: craque nem pensar! Não deu Ganso, nem Pato: deu Burro! Não bastasse a alcunha do técnico, ratifica-se a Seleção Ah-NÃO. Doni? Ah-não! Gomes? Ah-não! Gilberto Silva? Ah-não! Josué? Felipe Melo? Kleberson? Ramires? Ah-não... Uma convocação repleta de jogadores que hoje são reservas em seus clubes, jogadores que, nos tempos atuais, inclusive, saem das terras tupiniquins rumo aos ares europeus. De positivo, deixar o “Imperador” de fora e colocar a forma alotrópica do diamante foi um grande acerto.

Todos somos sim um pouco de técnicos. Talvez por pensar o futebol não apenas como uma competição, mas como uma arte, uma alegria de jogar, de driblar, de fazer gols, de dançar, de comemorar, defenda a seleção menos pragmática e burocrática, que visa apenas o resultado. Por isso gostaria de ver na seleção de hoje aqueles que têm apresentado esse futebol, como Ronaldinho, Ganso e Neymar. No gol, Jefferson está muito melhor que os dois possíveis reservas e ter alguém do Botafogo na Seleção é bem mais interessante.

Pode até ser que o Brasil alcance o hexa, dependendo da correlação de forças e dos interesses políticos presentes atualmente na FIFA. Mas será difícil essa seleção conquistar significativa simpatia e causar alegrias e risos como boas piadas ao longo dos jogos. E eu, hoje? Não me orgulharia de pedir a camisa 8.


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Anti-FIFA, Anti-CBF e Anti-Burrice