Mostrando postagens com marcador Edno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Edno. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de outubro de 2010

Uma boa ideia*


            Na semana em que um dos principais ídolos da Gloriosa história do Botafogo completaria 77 anos caso estivesse vivo, a magia do ex-camisa 7 teria de embalar o elenco. O saudoso Garrincha, que não pude ver jogar, possui uma vitoriosa e folclórica carreira no clube da Estrela Solitária, com seus famosos dribles e humildes frases. Faltando 7 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o jogo contra um dos principais fregueses dos últimos tempos ocorreu na Arena do Jacaré, no município de Sete Lagoas. Com o histórico supersticioso da torcida alvinegra, twittaram mais uma: hoje é dia 30/10/2010: pela numerologia, 3 + 1 + 2 + 1 = 7. Nos últimos dezoito confrontos entre Atlético-MG e Botafogo, contabilizavam-se onze vitórias cariocas, uma vitória mineira e seis empates. Que retrospecto! Infelizmente não pude ir a Minas Gerais para torcer pelo Fogão e o jeito foi acompanhar pelo PPV.

            O Galo vinha embalado com uma boa sequência de resultados para se afastar da degola do rebaixamento, situação complicada que Vanderlei Luxemburgo deixou de herança para o técnico que ousou enfrentar Neymar – Dorival Junior. Pelo lado do Fogão, uma vitória feia por 1 x 0 sobre o Vitória após uma sequência de oito empates consecutivos, ou seja, a defesa de nove jogos de invencibilidade. A rodada não foi muito favorável com as vitórias de Fluminense e Cruzeiro, que mantiveram seis pontos à frente do Botafogo. Mas podemos comemorar o empate da urubuzada contra os queridinhos da CBF e o empate no qual o Peixe fora garfado contra o Colorado. Com a vitória, ascendemos à quarta posição e ratificamos a Estrela Solitária no retrovisor dos três primeiros colocados.

            O primeiro tempo foi morno demais. Num campo de pequenas dimensões, a bola chegava rapidamente ao ataque. Antes do jogo iniciar, já me perguntava por que não escalar o Edno no lugar de Fahel para explorar os contra-ataques, com um trio formado pelo canhotinha, Jobson pela direita e El Loco de centro-avante. Mas o empresário de Fahel realmente merece uma salva de palmas por conseguir a proeza dele ser quase sempre escalado como titular. O meia conseguiu errar um bizonho passe aos 33 min que possibilitou contra-ataque atleticano e chute de Obina. E, aos 37 min, lá estava ele com a velha mania: puxar a camisa do adversário dentro da área... Sua atuação sempre me dá medo! Marcio Rosário oscilou com boas antecipações e falhas grotescas que poderiam ter prejudicado. Os únicos lances de finalização do Botafogo foram chutes por cima do gol de Fahel, Lucio Flávio e Somália. O maestro, que não vive bom momento, apareceu apenas para fazer um bom cruzamento na área, em que o afoito Jobson se jogou para cavar o pênalti. Mas, essa cavadinha não é a especialidade do Fogão.

            No segundo tempo, um duelo entre Jobson e Obina que culminou apenas em chances desperdiçadas por ambos os atacantes. Quando o ataque do Atlético-MG acertava em gol, lá estava nosso paredão da Seleção Brasileira para garantir mais um jogo sem tomarmos gol. Segundos depois de El Loco perder um gol incrível após rebote em chute de Jobson, eu tive a certeza de que sairíamos com os três pontos: com muita categoria, Diego Tardelli arriscou de fora da área e caprichosamente a bola tocou o travessão. No minuto seguinte, Lucio Flávio deu lugar a Edno, que vinha entrando mal nos últimos jogos. E seis minutos depois, a canhotinha de Edno voltou a funcionar, lançando El Loco, que não fomeou e devolveu para o carequinha completar para as redes. Caio entrou no lugar de Jobson quando o placar já nos estava favorável. E começou a preocupação após duas faltas invertidas a favor do Galo, uma em cima de Somália e outra em cima do xodó. Apreensivo e comemorando a cada bicão para longe do gol de Jefferson, eis que Edno protagonizou um novo contra-ataque, deixando El Loco sozinho para carregar a bola, contar com o montinho artilheiro para executar sua mortal cavadita e sacramentar uma boa vitória por 2 x 0 em cima do Atlético-MG.

            Terminado o jogo, o que mais ouvia após nossa comemoração eram os latidos da cachorrada aqui em casa! É canja de galinha! Mais uma vitória contra o Galo, duas vitórias consecutivas para embalar a Arrancada Final da equipe disparadamente com o menor número de derrotas na competição. Mais um jogo sem tomar gols e com o ataque voltando a marcar! Apesar de todos os desfalques, alcançamos a décima segunda vitória e atingimos 51 pontos. E a boa ideia é a torcida lotar o Engenhão, apoiando o elenco do início ao fim, fazendo a nossa parte para o Botafogo vencer e prosseguir na busca pelo bi-campeonato. Enquanto isso, outra boa ideia é secar Fluminense, Cruzeiro e Corinthians, para que em breve sejam ultrapassados pela Estrela Solitária, brilhando isoladamente no céu da tabela.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães*


Depois de mais uma aprontada pela Prefeitura de Rio das Ostras, que trocou por sábados letivos os pontos facultativos de segundas-feiras, tive que assistir ao jogo do Fogão num quiosque na Praia do Centro. Pela terceira vez nesse Brasileirão, fiquei na torcida a cerca de 180 km de distância do Engenhão. Era a 25ª rodada e o jogo de ida contra o Atlético-PR não trazia boas recordações, pois o Glorioso permitira a virada após abrir dois gols de vantagem no primeiro tempo. O conjunto de desfalques era outra preocupação para esse jogo e a torcida também desfalcou, comparecendo com pouco peso. Na própria entrada para o campo, atitude bacana do elenco, ao carregar a faixa “Força, Maicosuel, estamos contigo!”.

            Apesar de muitas mudanças na equipe, o entrosamento inicialmente aparentou estar em dia. Com 22 minutos, uma excelente e habilidosa tabelinha entre Jobson e Túlio Souza desencadeou dribles do ousado atacante alvinegro dentro da área, que apenas escorou para o canhotinho Edno não vacilar e marcar 1 x 0. Infelizmente, a ligação entre os setores permanece complicada: em diversos momentos, o Botafogo tem a bola no campo de ataque e atrasa para a defesa dar chutões e contar com a sorte de sair alguma boa jogada. No primeiro tempo, mais uma vez tivemos de enfrentar os equívocos dos auxiliares ou bandeirinhas. Numa cabeçada para trás do jogador atleticano, a bola sobrara livre para Jobson, que rumava para ficar frente a frente com o goleiro Neto. Equivocadamente, foi marcado o impedimento, em jogada que talvez definisse algum vitorioso no duelo entre os goleiros convocados por Mano Menezes, ambos em ação no Engenhão. Os passes errados no meio são outro problema seríssimo. E num deles, o Atlético-PR armou o contra-ataque e obrigou nosso paredão Jefferson a mostrar serviço e o porquê de estar na Seleção Brasileira! A mania de se jogar em lances polêmicos e abrir mão da tentativa de gol ainda é hegemônica entre os atacantes. E a fantasia pouco antes de terminar a etapa inicial custou um cartão amarelo a Jobson e sua suspensão para o jogo seguinte.

            O jogo demonstrava que temos bons jogadores e, com mais atenção e cautela, é possível vencer os jogos, mesmo desfalcado. Lucio Flávio subiu de produção e ainda é uma excelente opção para jogar uns 60 minutos. O meia até deu carrinho para disputar a bola! Edno se movimentou muito bem e armou boas jogadas e dribles pretensiosos. A entrada de Paulo Baier é sempre preocupante; ele adora aprontar contra o Fogão. Enquanto o Atlético-PR tinha facilidade em cima da lentidão do cansado Túlio Souza e do limitadíssimo Fahel, contávamos com a segurança do Jefferson e a falta de pontaria do adversário. Caio e Renato Cajá fornecem maior movimentação, mas precisam de maior eficiência com a bola nos pés. Apesar dos diversos problemas, os 3 pontos se aproximavam cada vez mais, até que... Elizeu, que acabara de entrar, errou um passe primário – desses que são ensinados em escolinhas para crianças de 6 anos de idade – e possibilitou um contra-ataque do rubro-negro paranaense: Guerrón passou facilmente por Fabio Ferreira e chutou quase sem ângulo para empatar a partida nos minutos finais. Só deu tempo para o detalhe, o azar, o quase... surgir como protagonista. Numa sobra de bola na entrada da área, chute (quase) perfeito do garoto Caio... Quase comemoramos, mas a bola caprichosamente espancou o travessão, ratificando o décimo empate no campeonato. Ah, se essa bola tivesse entrado, se o Elizeu não tivesse errado o passe, se o impedimento não fosse marcado...

            Como não podemos nos submeter à lógica do Quase ou Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães, não adianta lamentarmos os problemas, os desfalques, as suspensões, os erros de arbitragem (impressionante, voltaram a acontecer todo jogo) e a desatenção e o cochilo da equipe nos momentos finais. É preciso acertar onde os equívocos têm acontecido e ficar acordado de verdade até o apito final. Todavia, contrariando os torcedores pessimistas, o sonho do título ainda é muito possível e temos de apoiar para torná-lo real. Nas seis primeiras rodadas do primeiro turno, o Botafogo conquistara 8 pontos; nesse segundo turno, são 9. Nossa arrancada começou contra o Vitória, na 12ª rodada, após uma sequência de 3 empates...

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um atípico Domingo*


Sou daqueles que consideram o Domingo o dia mais chato. Diversas vezes, insuportável. Contudo, no dia 12 de setembro, ele veio com céu azul, ensolarado, trazendo uma brisa suave que aliviava o calor. A subida à Cachoeira da Gruta, no Horto, parecia anunciar bons fluidos para a tarde que chegaria celeremente. Há muitas rodadas não acontecia jogo do Botafogo num Domingo. Com o ingresso já comprado, fazia a contagem regressiva para chegar cedo ao Engenhão, acompanhar o Show Alvinegro com a Isabela Taviani e participar do sorteio para concorrer no sorteio de camarote para o jogo contra o Cruzeiro. Essa talvez tenha sido minha única decepção, pois tenho quase certeza de ter sido um dos primeiros 2.000 alvinegros a entrar no Estádio, mas não recebi meu cupom e me contentarei em estar nas arquibancadas no próximo sábado para embalar a Estrela Solitária. Ainda pudemos acompanhar a reprise da famosa cavadinha, contra o assassino machista, de nosso irreverente, inteligente e ousado atacante uruguaio, que teve lançado o seu cartoon “La cavadita”.

            Pouco mais de 28.000 botafoguenses estiveram presentes, quantidade ainda aquém do que podemos colocar nos jogos. Apesar das boas ideias e incentivos por parte da gestão do Fogão, ainda dificultam os acessos ao Engenhão o trânsito conturbado e a má qualidade de nossos transportes públicos. Para exemplificar, até hoje não há uma rampa para cadeirantes atravessarem pela passarela sobre a linha do trem! Como não estamos em Copa do Mundo... “Que se dane a população carioca”, pensam E executam os governantes em nosso país, que, novamente, apresentam suas candidaturas durante nossa chegada para torcer, com camisas do time, propagandas falsas e pessoas exploradas para distribuir seus santinhos e garantirem uma pequena renda nos meses que precedem as eleições burguesas.

            Com o time entrando em campo, a torcida lançava balões que voavam, subiam. Estava simbolizada a campanha alvinegra: ascensão! O dia anterior apresentava bons resultados: as derrotas de Fluminense e Corinthians. Pressão? Mano Menezes novamente presente em terras suburbanas para observar o jogo. Intimidação? Simon na arbitragem. Complicação? Um adversário vindo embalado por três vitórias e sempre perigoso. Mas com um detalhe: vinha de São Paulo! Nosso oitavo confronto contra paulistas e não sucumbimos: são quatro vitórias e quatro empates nesse Brasileirão. E a sequência da rodada nos distanciou mais ainda de Internacional, com seu empate, e do Santos, com mais uma derrota. Só faltou o Cruzeiro, que também ascende junto ao Glorioso. Está chegando a hora do tira-teima com os mineiros.

            Não bastassem as ausências de Jobson e Somália, Herrera somou-se ao grupo escalado para o departamento médico. E há coisas que só acontecem ao Botafogo... Não havia boas recordações de dois jogadores se contundirem na mesma partida e o fantasma apareceu: Marcelo Cordeiro, aos 10 min do primeiro tempo; e Marcelo Mattos, que não tira o pé numa dividida, aos 40 min também da primeira etapa, quando o jogo estava morno, sem lances perigosos e com as redes intactas. Lembrei-me também de um Botafogo 0 x 2 São Paulo no Maracanã, se não me falha a memória em 2007, quando o Fogão embalou no primeiro turno mas começou a vacilar depois de vários problemas internos. Quem está com problemas internos esse ano? O freio já funciona bem nas Laranjeiras... Sobre as contusões, Marcelo Mattos é o que mais me preocupa, pois há algum tempo já defendo que Joel escale Edno na ala esquerda.

            O segundo tempo chegou. Com ele, o Sol se punha e a sombra tomava conta das arquibancadas. Foi o impulso para acordar, eletrizar e sacudir a torcida alvinegra. Há muito tempo não sentia um clima tão contagiante, com muitos torcedores de pé e cantando. Os jogadores sentiram o clima e partiram para cima do tricolor paulista. Não! Não queremos um bombeiro para apagar o fogo em nosso peito! Mas ele veio: um bombeiro diferente, carismático, ídolo, que lançou oxigênio ao fazer 1 x 0 e tirou mais ainda do chão a torcida do Fogão. Ponto positivo para o trio canhotinho alvinegro. Apesar de El Loco ter marcado com a direita, minutos depois foi a jogada de esquerda protagonizada por Renato Cajá e Edno que fez Rogério Ceni buscar a segunda bola nas redes. O incêndio era iminente, que deixou as cinzas para os olés em campo e as olas na arquibancada. Uh, aceita!

            Enfim, congratulações ao Joel Santana, que segurou o esquema do time diante de cinco importantes ausências atualmente. Nosso paredão Jefferson não teve trabalho diante da disciplina tática e de conjunto da defesa do Botafogo, mas a vaga dele tem de estar garantida depois de excelentes atuações. Concorda, Mano? Bacana a oportunidade de Lucio Flávio voltar a jogar; ainda prefiro que seja ele o titular em vez do Fahel. Pelo terceiro jogo consecutivo, o garoto Caio entra muito bem, dando velocidade e ousadia às jogadas de ataque, apesar de precisar fazer as pazes com o gol. Vale destacar também a presença no banco de um Bruno (esqueci o sobrenome), que pela foto parece um garoto da base do clube! Maicossuel ainda não se encontra no ritmo ideal e precisa de jogadores de velocidade e criatividade ao seu lado para alavancar seu bom futebol. Aguardemos o retorno de Jobson!

            A ascensão alvinegra vem num ótimo momento. A manutenção da terceira posição, na cola dos líderes, na segunda rodada do segundo turno, está excelente. Não podemos vacilar com o espírito Robin Hood amanhã, pois é necessário acumular pontos e ganhar confiança para o sprint final na corrida rumo ao título. Sábado a torcida está convocada para o jogo em que acontece uma pesada concorrência.

Sem mais, fui feliz depois do jogo para Rio das Ostras, depois de um dia que nem parecia Domingo, com direito a Sol, cachoeira, apetitoso almoço familiar e Engenhão, em ótima companhia.


Obs.1: Essa postagem ficou longa devido à empolgação e aos inúmeros comentários importantes e atrasou devido a um acidente de bicicleta somado ao dente quebrado ontem em Rio das Ostras.


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985