Mostrando postagens com marcador Fluminense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fluminense. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de julho de 2012

Nostalgia e Lutas num Domingo de clássico*



            Numa espécie de contagem regressiva para os dias da semana de feiras, Domingo sempre apresenta um ar nostálgico diante do desejo de continuidade do final de semana. Apesar desse sentimento ligeiramente amargo, ele também nos reserva bons sentimentos quando nos contempla o jogo de Futebol. Quando é clássico então... Ficamos mais ansiosos, apreensivos, envolvidos com a espera do resultado final, para saber se elaboraremos desculpas pela derrota ou diversas piadas para zoar os adversários depois de nosso êxito. E, apesar de toda a minha simpatia pelo Fluminense por ser o time das minhas avós e da minha mãe, hoje quero duramente criticar duas temáticas relacionadas ao pó de arroz.

            Na madrugada de sábado para domingo, a Polícia Militar do Rio de Janeiro – submissa aos ditames do Governador – cumpriu a ordem para retirar dezenas de pacientes do Hospital do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (IASERJ). Cenas entristecedoras marcam mais um absurdo cometido pelo (des)Governador Sérgio Cabral. Cabral é vascaíno e você deve estar me perguntando o que isso tem a ver com o Fluminense. Ora, quem patrocina, manda e desmanda no Fluminense é uma empresa privada da saúde – UNIMED. Enquanto a Saúde Pública desmorona em nosso país, sendo precarizada diariamente, a UNIMED aumenta seus lucros. Enquanto faltam leitos em hospitais públicos e trabalhadores da Saúde são sobrecarregados, sobram rios de dinheiro para contratar e pagar salários astronômicos a jogadores de futebol. Enfim, ainda temos como nos organizar para dizer ao ditador do Rio que TIRE SUAS MÃOS SUJAS DO IASERJ!

            Como vocês podem ler, jamais escrevo o nome oficial da atual casa do Fogão. Ler o nome do tricolor João Havelange me causa ojeriza! É um absurdo que o José Sarney do Futebol brasileiro – e mundial – seja homenageado num estádio construído com recursos públicos e pelas mãos, corações e mentes de centenas de operários. É um contrassenso, um anacronismo, equivalente a convidar o Netinho de Paula para palestrar sobre a Lei Maria da Penha, a chamar o Dado Dolabella pra fazer uma saudação ao movimento feminista ou erguer uma estátua do Michael Jackson em frente a uma Escola de Educação Infantil! Anedotas à parte, é tempo de potencializarmos a luta pela MUDANÇA DO NOME OFICIAL DO ESTÁDIO OLÍMPICO do Engenho de Dentro! João Saldanha e Nilton Santos largam na frente e são duas excelentes opções para substituir qualquer menção a corruptos e elitistas do Futebol! Ricardo Teixeira e seu padrinho e ex-sogro são persona non grata!

             Aproveitando a postagem enfurecida diante das injustiças em nosso país, recado ao Sr. Maurício Assumpção: não queira simplificar a apresentação de Seedorf no Palácio da Cidade como inveja! Todos sabemos de sua filiação ao Partido da Mão com Dinheiro no Bolso (PMDB) e sua campanha tosca pelo prefeitinho Eduardo Paes! Seedorf, festa para a torcida sempre, mas não caia nessas artimanhas burguesas promovidas por meia dúzia de oportunistas! Se o Suriname foi explorado pela Holanda, a população pobre do Rio de Janeiro é explorada por essa corja do PMDB! Eleições à vista, eis que surgem aquelas propagandas contendo apenas números e poses nos abordando ao chegarmos ao Engenhão, sendo que durante dois anos não voltaram para fornecer uma satisfação sobre seus mandatos...

            Será que cabem linhas para abordar o jogo? Preparado para rumar ao clássico vovô, a cachorrada lá de casa me segurou mais alguns bons minutos no lar. Falo dos caninos mesmo, que fizeram meu coração palpitar mais forte já que o jogo não reservaria tantas emoções... Chegando em cima da hora, novamente vi a festa dos cambistas organizados, realizada na frente da própria bilheteria, enquanto o rigor com o torcedor mortal prevalece: triste contradição. Em homenagem ao adversário, nossa revista Preliminar foi a vigésima quarta! E enquanto nosso goleirão Jefferson completou 250 jogos vestindo o manto Glorioso e Márcio Azevedo tem sido um guerreiro digno de convocação para a Seleção... Hey, Fred! Cacilda! De novo gol contra a gente!? Alguém segura o Fred, por favor! Andrézinho mandou mais uma para as redes, dessa vez de cabeça após assistência milimétrica do melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro. Infelizmente, Fellype Gabriel desperdiçou a chance de virarmos mais uma partida e acabarmos com a invencibilidade pó de arroz. Com o 1 x 1, se não vamos zoar pela vitória, também não seremos zoados por uma derrota.

            Ah, não poderia me esquecer das discussões ao meu ladinho no Setor Oeste Superior. Alegando “ter chegado antes que vocês”, um casal queria arrumar tumulto com @s Amig@s Alvinegr@s que estavam de pé na primeira fileira. Cabe uma enquete! Torcedor(a) no Estádio tem que: a) manter-se sentado, em silêncio, comendo pipoca e admirando a tela verde; b) resmungando e vaiando a cada erro e fazendo barulho positivo apenas quando sai gol a favor do seu time; c) prezar pela prática viva e dinâmica da palavra torcer, cantar, vibrar, aplaudir e ter disposição para ver o jogo de pé ao invés do senta e levanta dignos de cerimônia religiosa. Qual sua opinião?

            Sou mais a letra C. Ainda mais a favor do bom senso. No jogo passado, um pentelho levou um abridor e fazia um barulho estridente batendo nas ferragens do estádio bem atrás de mim. Eu tinha chegado primeiro, mas não me incomodei em passar para outro local e deixar seus tímpanos se divertirem sozinhos. Em vez de longas discussões e bate-bocas, sou mais os dizeres expostos pelos Loucos pelo Botafogo: PAZ E FESTA NOS ESTÁDIOS!

            O Galo disparou na liderança. Nosso Glorioso permanece no G-4 e amanhã temos que derrubar mais um time de São Paulo, dessa vez na Vila Belmiro. Preparemos o peixe para a janta desta quarta, para digerirmos bem e nos prepararmos para a estreia de Seedorf domingo contra o Grêmio em nossa casa! Dá-lhe, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Na alegria e na tristeza*


Em mais um segundo domingo de maio, comemoramos o dia daquelas que durante nove meses nos carregaram em suas barrigas e só puderam desfazer os laços fisicamente ao termos cortado o cordão umbilical. Emocionalmente, os laços na maioria das vezes se fortalecem, ao amamentar, ao fazer carinho, ao ouvir proferir mãe como a primeira palavra, ao ver os primeiros passos e consequentemente as primeiras quedas, ao ouvir o choro e chorar junto nos primeiros dias de escola... Enfim, elas nos acompanham, se preocupam demasiadamente, brigam, vibram com as conquistas e até torcem pela vitória de nossos times para não nos verem tristes. Sim, TODA MÃE É UMA ESTRELA! Apesar de minhas avós e minha mãe serem tricolores, elas são minhas estrelas e ficariam contentes por qualquer resultado no jogo de ontem.

            O dia 13 de maio também é marcado por um acontecimento de 124 anos atrás, quando, ainda monárquico, nosso país acompanhava a assinatura da Lei Áurea, demonstrando que há mais de um século nossos governantes elaboram e assinam leis tentando ludibriar a população. Mesmo farsante, é triste saber que foi o último país das Américas a reconhecer por meio da legislação a liberdade dos negros e negras, conquistada por meio de muita luta e resistência. Várias famílias enriqueceram às custas da escravidão e continuam enriquecendo na atualidade devido à propriedade privada dos meios de produção, possibilitando inclusive que planos de saúde sustentem salários astronômicos de um elenco para as disputas de torneios de futebol...

            No jogo de ontem, até que o Botafogo demonstrou valentia. Partiu para cima do Fluminense. Loco Abreu perdeu gol e Jefferson salvou logo no início do jogo após perda de bola de Elkeson no meio-campo. O primeiro tempo foi bem movimentado, com o Glorioso arriscando mais e buscando abrir o placar. Inteligentemente, o Fluminense se fechava, acuado, mas gozando a vantagem dos três gols obtida no primeiro jogo após o imbecilóide Lucas ser expulso – e não é que o lateral conseguiu a façanha de expulsão contra o Vitória pela Copa do Brasil, novamente prejudicando a equipe!? Brinner, com seus chutões; Gabriel, sem comprometer; e Jadson fechando a retaguarda não foram mal ao substituir Antônio Carlos, Lucas e Marcelo Mattos, respectivamente. Por mim, Lucas tem que ser limado para a entrada imediata de Gabriel, que, ganhando experiência, ainda demonstra a valorização da prata da casa! Márcio Azevedo tem sido um leão nos últimos jogos: se a técnica não é muito apurada, tem superado com a disposição e a vontade de acertar; Renato começa a errar passes e isso é muito preocupante; Fellype Gabriel foi uma boa aquisição e merece nossa confiança ao afirmar que trocaria tudo pelo título; Elkeson vai de mal a pior; Maicosuel cisca, cisca, cisca, mas não rende o que esperamos; e Loco Abreu afunda com a equipe abalada psicologicamente. Herrera, Caio, Vitinho... Entraram, mas não puderam alterar o curso do jogo. E o Jobson? Será o novo Wally?

“FAÇA BONITO! Proteja nossas crianças e adolescentes da violência sexual” foi o recado mostrado no intervalo do jogo após um primeiro tempo sem redes balançadas. Importante iniciativa que merece ser registrada! Enfim, no domingo frio, chuvoso e triste para a Estrela Solitária, ainda fiquei por 10 minutos no Engenhão após o gol de Rafael Moura para o tricolor, que mais uma vez teve a oportunidade de gritar É Campeão no nosso estádio. Mesmo menosprezando a competição, tendo cinco derrotas, o Fluminense teve a capacidade de ganhar quando necessário, nos momentos decisivos, sagrando-se campeão. O efeito Fernandinha Maia parece não ter feito bem ao Glorioso, infelizmente. Após vinte e três partidas sem perder em 2012, vieram três derrotas seguidas, com eliminação da Copa do Brasil e vice-campeonato Estadual. Foi uma semana para ser apagada de nossas mentes e corações.

No sábado, tive a felicidade de acompanhar o casamento dos amigos Michelle e Egberto, que namoram desde nossos tempos de Colégio Pedro II e possuem todas as condições de conservar a relação respeitosa e amorosa durante longos anos. Qualquer relação pode oscilar entre ótimos e péssimos momentos e entre conquistas e perdas, precisando de balanços e mudanças para não se desfazer. E é assim que nós, torcedores, devemos nos sentir com o Glorioso: ficamos tristes, abalados, revoltados com as recentes derrotas. Portanto, mudanças são urgentes e necessárias para que, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, a relação permaneça forte, intensa e preparada para vivermos novas emoções já a partir do próximo domingo, quando começa o Campeonato Brasileiro. A torcida não pode nem deve sucumbir e merece uma diretoria e um elenco comprometidos com a História Gloriosa dessa Estrela Solitária, um patrimônio mundial do futebol!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Autor do livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A final só acaba quando termina!*


Obviamente a vontade é escrever sobre qualquer outro assunto e esquecer um pouco a temática do futebol após um resultado que há vinte e quatro jogos não compreendíamos. Uma invencibilidade repleta de empates e atuações não muito convincentes, mas honrando o trecho importante de nosso lindíssimo hino. Camisas, bandeiras e acessórios com a Estrela Solitária enfeitavam as ruas com o singelo, simpático e necessário contraste entre o preto e o branco, enquanto as/os botafoguenses estampavam sorrisos após a conquista da Taça Rio e um razoável resultado na Bahia pela Copa do Brasil, principalmente por conta da presença de vários reservas que mantiveram certa qualidade ao time.

            Primeira tarefa do mês foi aderir ao plano SOU BOTAFOGO, não precisando mais ficar nas filas para comprar meus ingressos. Fui buscar a carteirinha na sexta-feira e o clima de otimismo estava presente em General Severiano, onde a busca por ingressos era maior que em Laranjeiras. A sexta-feira e o sábado se tornavam coadjuvantes do final de semana, à espera do domingo que amanhecia com formoso Sol após a pintura da Lua cheia que chegava mais pertinho de nosso planeta. Teriam o satélite natural e a Estrela-Rei com suas intervenções nos céus ofuscado o brilho da Estrela Solitária no Engenhão!?

            Iniciando a atuação mostrando poder ofensivo, mais uma vez o Fogão abriu o placar contra os tricolores. Na sobra de bola, Renato pegou de primeira e balançou as redes pelo canto direito do goleiro tricolor. Uh, Renato! O gol parece ter feito mal ao esquema tático. Equivocadamente, o time recuou após um único tento e se encolheu diante do Fluminense. Oswaldo de Oliveira comandou muito mal a equipe ontem. Numa final de cento e oitenta minutos, não podemos nos contentar com 1 x 0. Qualquer erro poderia mudar o decorrer da partida e ele apareceu poucos minutos antes de fechar o primeiro tempo, onde a zaga do Botafogo – a menos pior dos quatro grandes do Rio... – assistiu à assistência de cabeça de Thiago Neves e ao golaço de bicicleta de Fred.

            Se o empate esfriou a torcida e a equipe, a expulsão do inoperante, atabalhoado e limitadíssimo Lucas foi um balde de água fria para apagar qualquer chama que ainda havia. O lateral direito está muito mal! Digna de aplausos diante da mediocridade do Botafogo principalmente no segundo tempo foi a atuação esforçada, segura e dedicada de Márcio Azevedo! Enfim, tudo que não poderia acontecer era um gol do adversário após a expulsão. Mas ele aconteceu segundos depois. Era nesse momento que a tática deveria ser adaptada a uma final de cento e oitenta minutos! Entretanto, o Botafogo se expôs ao atacar sem garantir a retaguarda. Jefferson não foi páreo para defender outras duas certeiras finalizações tricolores, que abriram três gols de vantagem. Parecia que nosso Glorioso brincava de pique-esconde enquanto o Fluminense jogava e acertava o golzinho...

            Enfim, quarta-feira temos que apoiar contra o Vitória e carimbar o passaporte para as quartas-de-final da Copa do Brasil! Mesmo com a desvantagem, Domingo que vem é dia de dividir o almoço com as mamães e as avós e partir para o Engenhão em seguida! Com dedicação e capricho, não ficaremos à espera de um milagre para comemorar três gols na fraca defesa adversária após um duelo contra o Internacional na quinta-feira pela Libertadores. O campeão não está definido. AFINAL, A FINAL SÓ ACABA QUANDO TERMINA...

           
 *Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Clássico de mentirinha*

A participação na Assembleia do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ) impossibilitou que estivesse no Engenhão contra o Duque de Caxias, precisando apelar para o radinho para acompanhar nosso Glorioso na rodada anterior. Com isso, volto a escrever hoje, após a manutenção da invencibilidade em 2012 neste Domingo, quando mais uma vez foi deixada a vitória escapar.

            Domingo 1º de abril, dia popularmente querido e extrovertido por conta das animadas, criativas e implicantes mentirinhas e pegadinhas elaboradas e realizadas por crianças, adolescentes, adultos e idosos para comemorar o Dia da Mentira. Entretanto, se por um lado há esta cultura popular, por outro lado há algo que não deve ser apagado. Deve sim ser recuperado, pesquisado e investigado. Há quarenta e oito anos, militares e empresários aplicavam o golpe que jamais pode receber a nomenclatura de Revolução. Determinaram por mais de duas décadas os rumos políticos e econômicos do país, censurando, prendendo, torturando e aniquilando seres humanos que minimamente se chocassem com a ordem estabelecida. Portanto, precisamos caminhar para que as verdades sejam apuradas, assassinos recebam punições e que sejam retiradas quaisquer menções aos ditadores e seus simpatizantes em nomes de logradouros, salas e repartições de prédios públicos etc., além de uma necessária reviravolta na conjuntura político-econômica do país, hoje governado por uma ex-militante a favor da classe dominante!

            Ontem, ao ser entrevistado pela BrahmaFogo, o único caso de Pinochio que me recordei entre jogadores de futebol foi Somália, que ano passado criou a mentira do sequestro-relâmpago. Todavia, no mundo do futebol, certamente há dezenas e dezenas de mentirosos espalhados pela Confederação Brasileira de Futebol, pelas Federações Estaduais e comandando as gestões de diversos clubes. O principal deles pediu para sair depois de mais de duas décadas à frente da CBF. É tempo de modificar a política da entidade e não simplesmente trocar seis por meia dúzia. No nosso Botafogo de Futebol e Regatas, é preciso questionar: por que e como um saldo negativo de mais de R$160 milhões em 2011!? Esquisito, muito esquisito...

            Muito tem se falado sobre o enfraquecimento do Campeonato Estadual, sobre a pouca presença de torcedores nos estádios. Entretanto, pouquíssimas propostas inteligentes surgem, até mesmo porque o problema de falta de público é uma síntese de múltiplas determinações, como por exemplo o alto preço dos ingressos, os horários complicados para atender aos interesses midiáticos, a péssima qualidade do serviço de transportes públicos e os infelizes e insistentes confrontos entre torcidas organizadas. Como simpatizante dos clubes pequenos, não sou a favor da diminuição da quantidade de equipes. Pelo contrário, defendo inclusive que pode aumentar a presença deles e diminuir a quantidade de jogos do Fogão e dos outros três que se dizem grandes. Como? Uma das possibilidades seria: no segundo semestre do ano anterior, quatro grupos com cinco times disputam em jogos de ida e volta, passando à fase de mata-mata os três melhores de cada grupo, até restar o triangular para decidir o campeão. Os doze melhores estariam automaticamente classificados para as oitavas-de-final do Campeonato Estadual, que já contaria com Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Em um mata-mata com jogos de ida e volta, o campeão seria definido disputando oito partidas. #FicaUmaDica

            O clássico vovô de ontem em diversos momentos assemelhou-se a uma razoável pelada de várzea, com sucessivos erros e chutões de ambas as partes. Após início arrebatador, com boa troca de passes que culminou com a certeira finalização de Elkeson para abrir o placar, o elenco da Estrela Solitária resolveu entrar no clima da data e enganar a torcida. Sem nenhum tesão em campo, parecia que nós já estávamos classificados para as oitavas-de-final da Taça Libertadores e para a final do Campeonato Estadual... Com isso, novamente nas costas de Márcio Azevedo, o cruzamento de Wellington Nem para Fred concluir não foi interceptado e o empate foi cedido. Não fossem as duas bolas na trave acertadas – ou erradas – por Herrera e umas duas grandes defesas de cada um dos goleiros, o jogo teria sido ainda mais frustrante em termos de emoção.

            Jefferson assustou em dois lances de saídas de gol; Lucas está em péssima fase, deixando até alguns torcedores com saudades de Alessandro – pasmem! –; Fábio Ferreira precisa se preocupar menos com seu penteado calopsita e mostrar melhor futebol; Antônio Carlos não esteve tão bem ontem; Márcio Azevedo mostra disposição, mas é fraquíssimo na marcação; Marcelo Mattos apresentou ligeiros sinais de melhora enquanto Renato passou a errar passes; Elkeson prossegue afoito e atrapalhado, perdendo muitas bolas; Andrezinho tem gostado de usar chinelo antes do apito final; Fellype Gabriel pode e deve aparecer mais para construir as jogadas; Herrera precisa mudar o radical de seu nome; Jobson e Caio entraram e pouco fizeram; Oswaldo de Oliveira precisará de mais do que palavrões e esporros durante os treinos. A ausência de Loco Abreu ainda é sentida e reforços de peso são mais que necessários para prosseguirmos na Copa do Brasil e chegarmos com boas perspectivas ao Campeonato Brasileiro.

            Enfim, ao empatarmos com o time da UNIMED ao passo que Almir, Tiago Galhardo e cia. não conseguiram retirar pontos dos mulambos, o Fogão ficou na segunda colocação. Quarta que vem é importantíssimo ganhar o Guarani por pelo menos dois gols de diferença e garantir logo a vaga nas oitavas-de-final da Copa do Brasil! Faltam dois jogos para fechar a Taça Rio e caminhar para uma disputa de verdade contra os tricolores, pois o clássico de ontem foi de mentirinha!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Há sempre algo positivo*


Ainda em ritmo de Carnaval, o clássico vovô de ontem dificilmente conseguiria a proeza de desbancar a notícia da semana, certamente uma das maiores piadas do mundo do futebol: o gol que o atacante flamenguista Deivid salvou ao atuar como emblemático zagueiro cruzmaltino.

Com o anseio de que assistiria a um bonito confronto entre meu Glorioso e o time das Laranjeiras, cujas campanhas ascendiam após tropeços contra os times de menor expressão, fiz meu aquecimento como torcedor bebendo uma garrafinha de Guaraviton enquanto observava a imensa fila da torcida alvinegra para comprar o ingresso em cima da hora – com a quantidade insuficiente de trabalhadores nas bilheterias somada à burocracia para anotar a documentação da meia entrada, a fila se potencializa.

Em um jogo truncado, Botafogo e Fluminense se equilibravam com ligeira vantagem de organização para o Fogão, tal como suas campanhas nos primeiros sete jogos da Taça Guanabara. Com poucos lances de impacto no primeiro tempo, foi coerente o placar passar em branco. Nada de gols assim como nada de água no banheiro masculino para a rapaziada garantir o mínimo de higiene no intervalo...

Ingressando no segundo tempo de maneira sonolenta, a Estrela Solitária só começou a acordar após a parada técnica. Pontos positivos a jogada ensaiada após falta sofrida por Lucas Zen e o contra-ataque bem trabalhado que resultou no gol de Elkeson após providencial arrancada de Herrera e lançamento de Antonio Carlos. Entretanto, provamos do próprio veneno cinco minutos depois. O Botafogo precisa aprender a jamais trabalhar com a linha de impedimento: ou o bandeirinha se equivoca ou a zaga fica na linha burra! No caso de ontem, a segunda opção permitiu que Leandro Euzébio empatasse a partida e levasse a decisão para a disputa de pênaltis.

Após boa atuação, Jefferson animava a torcida, que entoava sua confiança no melhor goleiro do Brasil. Misturando apreensão e euforia, a torcida não sabia se cantava, rezava ou fechava os olhos. E a confiança em enfrentar o Vasco aumentou assim que Jefferson defendeu a cobrança de Jean. Bastava aos cobradores alvinegros converter suas penalidades. Pois é, bastava... Foi neste bastava que o filme da semifinal da Taça Guanabara do ano passado se repetiu. Lucas desperdiçou sua cobrança, garantindo o empate tricolor. E o uruguaio Loco Abreu mais uma vez cobrou pênalti de maneira displicente na quinta cobrança do Botafogo, garantindo a classificação tricolor para a final. Após as cavadinhas na Taça Rio em 2010 e na Copa do Mundo pelo Uruguai, El Loco não precisava cobrar pênaltis na vida nunca mais. E, a meu ver, esta tem que ser a tônica para os próximos jogos. Temos excelentes cobradores e o atacante carismático pode cumprir outras funções como a de capitão e referência na área. Por favor, chega de cobranças de pênaltis para El Loco, mesmo com ele apontando que tem colhões.

Oswaldo de Oliveira está correto ao solicitar reforços à diretoria pois teremos competições de maior porte a disputar. Maicosuel, apesar de não estar numa grande fase, fez falta no jogo de ontem; e vimos que Herrera é uma ótima opção para o banco. A zaga deixou Fred cabecear sozinho em vários lances e o ataque só conseguiu fazer um gol nessa fraquíssima zaga tricolor! Marcelo Mattos não estava bem no jogo e ao meio-campo como um todo faltava criatividade.

Enfim, bacana a esmagadora maioria da torcida aplaudir o time mesmo com a eliminação! É sinal de que podemos construir uma saudável relação entre torcida e elenco, que permita alçadas maiores ao nosso Glorioso! Jobshow voltará em breve com suas traquinagens EM CAMPO e o Fogão terá um tempinho para recarregar suas energias para a Taça Rio e para a Copa do Brasil. Como há sempre algo positivo, a ausência do Botafogo na final permitirá que domingo os botafoguenses possamos desfrutar a praia, curtir os últimos blocos e aguardar quem nos enfrentará na decisão do Estadual!

*Gabriel Marques - @grdmarques
Texto escrito para a coluna "Paixão Além do Trivial", do BLOG ALVINGRO
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eu acredito em duendes*

Acho que desde a primeira vez em que estive no Engenhão, não pisava no Setor Oeste Superior. Pensando de maneira supersticiosa, poderia ser um incentivo para exterminar a sequência de empates e acompanhar o Glorioso voltar a vencer na competição. Coincidentemente, acabei encontrando a galera da Educação Física da UFRJ que torce pelo Botafogo e que vinha sendo pé-quente. Apesar da vitória não ter vindo, do oitavo empate consecutivo, do segundo empate sem gols, de nove jogos sem vencer, de não quebrar o tabu de vencer clássicos no estádio desde 2007, de cair para a oitava colocação na tabela... Mantivemos a invencibilidade no Engenhão, somos o time que menos perdeu nessas 30 rodadas e ficamos mais esperançosos com o retorno das 4 vagas do Campeonato Brasileiro para a Libertadores de 2011. Para os mais empolgados, como eu, a rodada foi excelente e diminuímos em 1 ponto a distância para o líder Cruzeiro, agora com o equivalente a três vitórias a nossa frente. Volto a frisar: nossa arrancada no primeiro turno começou no Barradão, na décima segunda rodada, contra o Vitória. Temos a chance de repetir esse filme, com uma boa sequência de jogos, mesmo com os diversos desfalques. E para o sonho de debutar-se campeão brasileiro novamente o apoio da torcida é primordial.

            Durante o jogo de Domingo passado, um comentário deveras pertinente do amigo Renato Sarti: “Prefiro vir ao jogo a pagar o pay per view; aqui a gente paga o ingresso e ouve diversas pessoas falando besteira enquanto no PPV apenas um fala!” Essa merece ir para o twitter. Mas a famosa Sofá-Fogo tem sua chance nas próximas rodadas de demonstrar o seu apoio à equipe, enchendo o estádio. Vale aproveitar o momento para cutucar as autoridades esportivas, administrações de clubes, mídia televisiva – principalmente – e governantes do país, que são os verdadeiros responsáveis pelos péssimos horários dos jogos, pelos altos preços dos ingressos e pela diminuição do acesso aos estádios (com a diminuição da capacidade, dificuldades de transporte etc.). Os momentos anteriores ao clássico marcaram a primeira manifestação da recém-fundada Associação Nacional dos Torcedores(1), iniciativa importante que deve ser abraçada de Norte a Sul do país para defendermos a socialização do futebol e demais esportes.

            Infelizmente, meu celular apagou a mensagem salva no rascunho com os comentários acerca do Clássico Vovô. Entretanto, levantarei alguns pontos relacionados ao Botafogo. Apesar de Renan ter dado conta do recado nas duas rodadas anteriores, foi legal ter o retorno da segurança de Jefferson, o paredão da Seleção Brasileira! A volta do Leandro Guerreiro após cumprir suspensão também foi algo positivo. Por incrível que pareça, Fahel parecia fazer falta nos trinta minutos iniciais. O setor defensivo sofreu com os ataques tricolores: enquanto Somália cumpria a função de anular totalmente o baixinho e habilidoso argentino, Marcelo Mattos ainda estava fora de ritmo de jogo, Marcio Rosário se encontrava atabalhoado e Lucio Flávio não corria para auxiliar. Joel Santana conseguiu acertar o conjunto do time e depois disso as principais jogadas de ataque e de perda de gols eram alvinegras. O ataque formado por Jobson e El Loco precisa caprichar mais nas conclusões. E, para variar: perdemos Antonio Carlos, mais um importante jogador contundido; e sofremos com as perseguições e inversões de falta por parte do árbitro Djalma Beltrami. Foram pelo menos dois cartões amarelos para o Botafogo que, em lances idênticos pelo lado do Fluminense, o árbitro relevou. Além de outros diversos pequenos lances ao longo da partida, fazendo com que o trio saísse pelo lado em que se encontrava a torcida tricolor. Eu até pensei que o nome do árbitro fosse João, já que a torcida do Fluminense pedia: “A benção, João de Deus...”. Assim como no primeiro turno, os tricolores só foram superiores aos alvinegros na quantidade de cores, porque no geral o Botafogo foi melhor, mas não conseguiu obter a vitória.

            Enfim, há oito jogos pela frente. São vinte e quatro pontos em disputa. A coluna do Márcio Guedes de hoje sobre o Botafogo(2) diz que “imaginar que repetirá a campanha do turno contra os mesmos adversários, é quase acreditar em duendes”. Pois estarei amanhã no Engenhão e para mudar voltarei ao setor das torcidas – Leste Inferior – para incentivar o elenco alvinegro no ainda possível sonho do título e da vaga na Libertadores. Nosso apoio é fundamental, não apenas acreditando em duendes, mas forjando seu aparecimento com os cantos, irreverência, palmas, apoio e pulos que colocará de volta a Estrela Solitária no caminho da vitória!


(1) Conheça a Associação Nacional dos Torcedores: http://www.torcedores.org/

(2) “Cálculo Difícil”; Coluna Contra-Ataque; Jornal O DIA; 22/10/2010.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um atípico Domingo*


Sou daqueles que consideram o Domingo o dia mais chato. Diversas vezes, insuportável. Contudo, no dia 12 de setembro, ele veio com céu azul, ensolarado, trazendo uma brisa suave que aliviava o calor. A subida à Cachoeira da Gruta, no Horto, parecia anunciar bons fluidos para a tarde que chegaria celeremente. Há muitas rodadas não acontecia jogo do Botafogo num Domingo. Com o ingresso já comprado, fazia a contagem regressiva para chegar cedo ao Engenhão, acompanhar o Show Alvinegro com a Isabela Taviani e participar do sorteio para concorrer no sorteio de camarote para o jogo contra o Cruzeiro. Essa talvez tenha sido minha única decepção, pois tenho quase certeza de ter sido um dos primeiros 2.000 alvinegros a entrar no Estádio, mas não recebi meu cupom e me contentarei em estar nas arquibancadas no próximo sábado para embalar a Estrela Solitária. Ainda pudemos acompanhar a reprise da famosa cavadinha, contra o assassino machista, de nosso irreverente, inteligente e ousado atacante uruguaio, que teve lançado o seu cartoon “La cavadita”.

            Pouco mais de 28.000 botafoguenses estiveram presentes, quantidade ainda aquém do que podemos colocar nos jogos. Apesar das boas ideias e incentivos por parte da gestão do Fogão, ainda dificultam os acessos ao Engenhão o trânsito conturbado e a má qualidade de nossos transportes públicos. Para exemplificar, até hoje não há uma rampa para cadeirantes atravessarem pela passarela sobre a linha do trem! Como não estamos em Copa do Mundo... “Que se dane a população carioca”, pensam E executam os governantes em nosso país, que, novamente, apresentam suas candidaturas durante nossa chegada para torcer, com camisas do time, propagandas falsas e pessoas exploradas para distribuir seus santinhos e garantirem uma pequena renda nos meses que precedem as eleições burguesas.

            Com o time entrando em campo, a torcida lançava balões que voavam, subiam. Estava simbolizada a campanha alvinegra: ascensão! O dia anterior apresentava bons resultados: as derrotas de Fluminense e Corinthians. Pressão? Mano Menezes novamente presente em terras suburbanas para observar o jogo. Intimidação? Simon na arbitragem. Complicação? Um adversário vindo embalado por três vitórias e sempre perigoso. Mas com um detalhe: vinha de São Paulo! Nosso oitavo confronto contra paulistas e não sucumbimos: são quatro vitórias e quatro empates nesse Brasileirão. E a sequência da rodada nos distanciou mais ainda de Internacional, com seu empate, e do Santos, com mais uma derrota. Só faltou o Cruzeiro, que também ascende junto ao Glorioso. Está chegando a hora do tira-teima com os mineiros.

            Não bastassem as ausências de Jobson e Somália, Herrera somou-se ao grupo escalado para o departamento médico. E há coisas que só acontecem ao Botafogo... Não havia boas recordações de dois jogadores se contundirem na mesma partida e o fantasma apareceu: Marcelo Cordeiro, aos 10 min do primeiro tempo; e Marcelo Mattos, que não tira o pé numa dividida, aos 40 min também da primeira etapa, quando o jogo estava morno, sem lances perigosos e com as redes intactas. Lembrei-me também de um Botafogo 0 x 2 São Paulo no Maracanã, se não me falha a memória em 2007, quando o Fogão embalou no primeiro turno mas começou a vacilar depois de vários problemas internos. Quem está com problemas internos esse ano? O freio já funciona bem nas Laranjeiras... Sobre as contusões, Marcelo Mattos é o que mais me preocupa, pois há algum tempo já defendo que Joel escale Edno na ala esquerda.

            O segundo tempo chegou. Com ele, o Sol se punha e a sombra tomava conta das arquibancadas. Foi o impulso para acordar, eletrizar e sacudir a torcida alvinegra. Há muito tempo não sentia um clima tão contagiante, com muitos torcedores de pé e cantando. Os jogadores sentiram o clima e partiram para cima do tricolor paulista. Não! Não queremos um bombeiro para apagar o fogo em nosso peito! Mas ele veio: um bombeiro diferente, carismático, ídolo, que lançou oxigênio ao fazer 1 x 0 e tirou mais ainda do chão a torcida do Fogão. Ponto positivo para o trio canhotinho alvinegro. Apesar de El Loco ter marcado com a direita, minutos depois foi a jogada de esquerda protagonizada por Renato Cajá e Edno que fez Rogério Ceni buscar a segunda bola nas redes. O incêndio era iminente, que deixou as cinzas para os olés em campo e as olas na arquibancada. Uh, aceita!

            Enfim, congratulações ao Joel Santana, que segurou o esquema do time diante de cinco importantes ausências atualmente. Nosso paredão Jefferson não teve trabalho diante da disciplina tática e de conjunto da defesa do Botafogo, mas a vaga dele tem de estar garantida depois de excelentes atuações. Concorda, Mano? Bacana a oportunidade de Lucio Flávio voltar a jogar; ainda prefiro que seja ele o titular em vez do Fahel. Pelo terceiro jogo consecutivo, o garoto Caio entra muito bem, dando velocidade e ousadia às jogadas de ataque, apesar de precisar fazer as pazes com o gol. Vale destacar também a presença no banco de um Bruno (esqueci o sobrenome), que pela foto parece um garoto da base do clube! Maicossuel ainda não se encontra no ritmo ideal e precisa de jogadores de velocidade e criatividade ao seu lado para alavancar seu bom futebol. Aguardemos o retorno de Jobson!

            A ascensão alvinegra vem num ótimo momento. A manutenção da terceira posição, na cola dos líderes, na segunda rodada do segundo turno, está excelente. Não podemos vacilar com o espírito Robin Hood amanhã, pois é necessário acumular pontos e ganhar confiança para o sprint final na corrida rumo ao título. Sábado a torcida está convocada para o jogo em que acontece uma pesada concorrência.

Sem mais, fui feliz depois do jogo para Rio das Ostras, depois de um dia que nem parecia Domingo, com direito a Sol, cachoeira, apetitoso almoço familiar e Engenhão, em ótima companhia.


Obs.1: Essa postagem ficou longa devido à empolgação e aos inúmeros comentários importantes e atrasou devido a um acidente de bicicleta somado ao dente quebrado ontem em Rio das Ostras.


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 22 de agosto de 2010

Superando a superstição, mais 3 pontos para o Fogão*

Sábado, 21 de agosto. Foi um sábado cuja manhã demonstrou como está coesa e eficaz a política de segurança esbravejada por Sergio Cabral e cia. Ironia à parte, percebemos as conseqüências desastrosas de um sistema organizado para manter poucos na elite e o povão na miséria e na ignorância, trabalhando para garantir as riquezas dos poucos! O Fluminense escapou de estar no hotel em São Conrado... Será este um prenúncio de dias mais complicados para o atual líder ou confirmação de sorte de campeão? Dúvidas à parte, sou mais mandarmos o recado: “Olha o Fogão, que tá chegando!” Inclusive, parabéns aos 112 anos do Vasco. Apesar das péssimas administrações... Como presente, a vitória hoje seria interessante!

Ingresso já comprado antecipadamente para mais um jogo do Fogão. Já declaro que não gostei da decisão da diretoria de aumentar os preços por conta do bom momento do time. Infelizmente, os preços afastam sim parte da torcida e acredito que com os preços anteriores poderíamos ter nos aproximado da lotação do estádio. Mesmo assim, 35.000 botafoguenses fizeram uma bonita festa. Uma bela homenagem a mais um grande ídolo de nossa história para começar: a estátua de Jairzinho, colocada ao lado das homenagens a Nilton Santos e Garrincha. Queria ter acompanhado esse momento, mas não foi possível... Ainda consegui ver a volta olímpica do time de juniores campeão na Bélgica. Dá-lhe, Fogão!

            Sempre fico preocupado quando a torcida comparece em peso. Ano passado contra o Avaí a história não tinha sido muito bacana (tivemos que buscar o empate em 2 gols no segundo tempo). Para piorar a apreensão, levei minha toca (que não costuma dar muita sorte); coloquei a camisa comemorativa dos 46 convocados (azul, cor do time adversário); fiz a barba, que crescia acompanhando a invencibilidade da equipe; lanchei no estádio. Dizem que todo botafoguense é supersticioso e para um marxista como eu fica mais complexo acompanhar essa máxima. Mesmo com diversos riscos e preocupações, os três pontos vieram.

            Uma situação interessante de questionar: teremos de aturar propagandas de candidatos oportunistas chegando ao Engenhão até dias 3 e 17 de outubro? Luiz Paulo, Marcelo Itagiba, Gabeira, Crivella... Haja paciência! Por que no dia-a-dia fora das eleições eles não mandam militantes para panfletar sobre as questões que são debatidas em Brasília? Só aparecem para pegar o teu voto! Para eles e outros representantes da elite burguesa, meu recado: VOTO NULO em 2010! Nossos sonhos não cabem nas urnas! Em homenagem a esse contexto, entrei pela esquerda no estádio!

            Com relação ao jogo, estava marcado o duelo dos velhinhos (os técnicos mais idosos do Brasileirão 2010): de um lado, Antonio Lopes; do outro, nosso Joel Santana! Estava em jogo também o terceiro lugar do Campeonato. Tivemos a ilustre presença do técnico canarinho Mano Menezes e outra disputa poderia aparecer: quem tem mais condições de ser o goleiro titular da Seleção Brasileira? Jefferson ou Renan? Sou mais o primeiro! Apesar das medianas atuações de Jobson e Maicossuel, esse trio (os 2 mais Jefferson) tem tudo para elevar para 49 convocados do Fogão em 2014. E a camisa comemorativa terá de ser: 49 + 1, por conta do Loco na celeste.

            Quando o forte comparecimento da SofáFogo começava a dar sinais de insatisfação e impaciência com o time, numa jogada simples, queimei minha língua. Esbravejei antes da cobrança de falta: “Por que o Botafogo está insistindo em jogadas aéreas com o Loco Abreu no banco?”. Com um toque sutil e categórico, Fabio Ferreira resolveu o que o ataque não conseguira: bola pra dentro das redes do Avaí! 1 x 0 Fogão. Com a torcida fazendo olas e aplaudindo o time no intervalo, anunciava-se um segundo tempo com a ânsia de Mais Um! Infelizmente, foi atípica a atuação do Glorioso no segundo tempo em relação aos últimos jogos. Talvez Antonio Lopes, mesmo com 8 reservas, tenha conseguido dar um nó na criatividade alvinegras. Ou talvez tenha sido culpa minha enfrentar tanto a superstição. Ou talvez os jogadores tenham ficado nervosos com a presença de Mano, principalmente Jobson e Maicossuel, que deixaram a desejar. Mas o certo é que nesse sábado, o terceiro lugar é nosso (Ainda é pouco)! E a equipe catarinense pode pensar à vontade na Sul-Americana ou lembrar de seu maior ídolo e torcedor... No Tênis!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985