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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pacto de mediocridade*

Aguardei o confronto de ontem na Argentina, relativo à final da Copa Sul-Americana, para tecer minhas considerações após o fiasco alvinegro, que sucumbiu diante da ascendente equipe gaúcha no Olímpico. Brincava com algumas pessoas afirmando que venceríamos o Grêmio e o Goiás seria vice-campeão perdendo a disputa de pênaltis. Enfim, percentual de 50% de acerto nas previsões. Com a derrota da equipe goiana, o Grêmio será o quarto representante brasileiro na Taça Libertadores por meio do Campeonato Brasileiro e os urubus sob a tutela dos tucanos garantiram vaga para disputar o mesmo torneio que nós em 2011 – a Copa Sul-Americana. De positivo, nossa garantia de estarmos na segunda fase do torneio, já que o adversário será o Atlético-MG e o Galo tem sido um suculento prato nos últimos anos. Grande freguês!

            Sinceramente, ainda acreditava bastante no Glorioso no último domingo. Quero destacar que, antes dos jogos do Campeonato Brasileiro, ocorreu o Dia Nacional de Luta Contra a Elitização do Futebol Brasileiro, promovido pela Associação Nacional dos Torcedores. Já estou com a minha camisa amarela da ANT e ajudei a panfletar no Engenhão, antes do jogo do merecido campeão brasileiro, Fluminense, consolidando o Centenada daqueles que pagaram e não levaram. Don’t cry, Andrés Sanchez!

            Em mais um duelo entre o Rei Joel e o Príncipe Renato, a réplica do barrigudinho Papai Joel fora excelente depois do técnico gremista afirmar que Joel teria que engraxar sua chuteira ao comparar o futebol de ambos: “ele tem que engraxar minha prancheta”, comparando o currículo entre ambos como treinadores. Todavia, em menos de 15 minutos de jogo, o jogador gremista achou que estivesse em uma micareta, rasgando a camisa de Fahel como se o manto glorioso fosse um abadá! O árbitro retirou Fahel de campo para trocar o uniforme e demorou demasiadamente para autorizar seu retorno. Com a irritação corretíssima de Joel, extravasada após chutar uma garrafinha na beira do campo, o árbitro Sandro Meira Ricci o expulsou. O mesmo árbitro que não advertiu o Grêmio por rasgar a camisa do Botafogo e que demorou a autorizar o retorno de Fahel. Eles podem tudo e os demais têm que abaixar a cabeça? Sim, o futebol também reproduz fidedignamente a realidade opressora e autoritária da sociedade capitalista. Pensei até que enfim Lucio Flávio fosse encontrar uma boa posição para ele: auxiliar-técnico do Joel... Momentos antes do ocorrido, uma disputa de bola entre o ex-jogador alvinegro Rafael Marques e o uruguaio Loco Abreu quase nos deu um grande susto, por conta dos choques de cabeça, que deixou Loco desacordado por alguns segundos.

            Jefferson, com muito reflexo, salvou o Botafogo aos 2 minutos, defendendo cabeceio de Jonas. O travessão, em seguida, em novo cabeceio, dessa vez de Rafael Marques. Quando o Botafogo começava a equilibrar a disputa, Jefferson espalmou para frente e André Lima entrou sozinho para completar para as redes, com Leandro Guerreiro chegando bem atrasado. Victor salvou o Grêmio em chute de Loco e Jefferson defendeu uma falta e outra finalização de André Lima. Mas, numa tabelinha facilmente armada pelo ataque gaúcho, Jonas acertou belo chute de fora da área, no canto, para ampliar o placar. Veio o segundo tempo e o canto de “Vamos virar, Fogo!” ainda estava vivo, recordando a máxima de que há coisas – também positivas – que só acontecem ao Botafogo! Mas aos 8 minutos ficou ainda mais complicado: a defesa vacilou, Jefferson repôs mal e André Lima deixou Douglas sozinho para empurrar calmamente para o terceiro gol. Foi bom rever Herrera em campo depois de aproximadamente dois meses cedido ao Departamento Médico embora o argentino não tenha feito muita coisa. Ainda houve tempo para Antonio Carlos quase marcar seu oitavo gol na competição, mas a trave não permitiu; e para o Grêmio acertar o travessão de Jefferson. Mas a despedida ficou nisso: melancólica.

            Foi a partir do jogo contra o Vitória, no primeiro turno, que comecei a traçar algumas reflexões após a participação da Estrela Solitária no Campeonato Brasileiro de 2010. Naquele momento, a equipe começava a empolgar e nos deixar com a perspectiva de disputar o título. Entretanto, o que acompanhamos no segundo turno, foram erros de arbitragem, – esse ano menos contra o Botafogo, mas os que ocorreram foram absurdos – uma sequência enorme de empates, diversas lesões dos principais jogadores e, principalmente, um marasmo, uma falta de vontade, uma inércia significativa de boa parte do limitado elenco. Uma expressão cunhada por um amigo à época que atuava pelo Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da UFRJ certamente é prudente para definir as atuações do Botafogo nas últimas rodadas: pacto de mediocridade! Certos jogadores, como Fahel, Lucio Flávio, Edno, Marcelo Cordeiro, Eliseu, Túlio Souza e Danny Moraes, fingiam que jogavam e iludiam a torcida, que fingia que seria possível com tais peças. Certamente, esses podem liderar a barca para uma urgente renovação. Novos ares para tais jogadores e para o clube serão ótimos para ambos, assim como para a torcida. Apesar de algumas falhas grotescas, Leandro Guerreiro, Alessandro, Loco Abreu podem continuar, pois são peças importantes num elenco de mais categoria e dedicação.

            Apesar do pacto de mediocridade, fechamos 2010 como os atuais campeões estaduais e na sexta colocação do Campeonato Brasileiro, tendo o mesmo número de derrotas que o campeão do torneio: uma campanha muito melhor que no ano passado!


Obs: que fiquem registradas as felicitações pelos 68 anos da fusão ocorrida em 8 de dezembro de 1942 entre o Clube de Regatas Botafogo e o Botafogo Football Club, que culminou com o Botafogo Futebol e Regatas, nossa atual denominação. Parabéns, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Em defesa da garotada*

A semana iniciou-se com bons fluidos, com a presença de Túlio Maravilha em General Severiano, grande ídolo e um dos grandes responsáveis pela conquista do título nacional em 1995. Todavia, devido à frustrante atuação da semana anterior, o Engenhão recebeu pouco mais de 6.000 torcedores para acompanhar a última atuação do Glorioso como mandante nesse Campeonato Brasileiro. Interessante comparar que ano passado, quando o Fogão lutava para fugir do rebaixamento, a torcida compareceu em peso; esse ano, ainda com chances de conquistar uma vaga para a Taça Libertadores e com a equipe entre as melhores do país, apesar dos inúmeros constantes e importantíssimos desfalques, o estádio ficou vazio. Coisas incoerentes de torcedores no Brasil... Importante comentar também mais uma boa edição da revista Preliminar, inclusive contendo informação interessante sobre a promoção do clube da Estrela Solitária para publicar livros: “Meu livro do Fogão”. Quem sabe dessas linhas escritas durante 2010 para o blog Além do Trivial não sairá uma obra sobre o Alvinegro?

O adversário da 37ª rodada foi o Grêmio Prudente, ano passado Grêmio Barueri, e ano que vem já não sabemos qual será a cidade diante da saga itinerante adotada pelos empresários do futebol, que enriquecem mesmo sem criar vínculos do time muito menos sem torcedores para os jogadores contratados serem incentivados. Em diversas oportunidades, critiquei o comportamento da torcida alvinegra durante os jogos, pois a mesma se manifesta com muito maior empenho para reclamar, criticar e vaiar do que para cantar, aplaudir e incentivar a equipe. Concordo plenamente que jogadores como Lucio Flávio, Fahel, Marcelo Cordeiro e até mesmo Leandro Guerreiro têm falhado bastante e deixado a desejar, mas precisamos entender que Maicossuel, Herrera, Marcelo Mattos, Somália, Fabio Ferreira estão lesionados e desfalcaram a equipe. Na minha opinião, Joel Santana já deveria lançar a garotada prata-da-casa para os jogos há muito tempo, mas o Papai Joel é esperto e não quer queimar os garotos. A torcida do Botafogo precisa apoiar os jogadores criados nas categorias de base, uma ferramenta importante para não dependermos das contratações envolvendo milhares e até mesmo milhões de dólares e euros para montar uma equipe competitiva. Entretanto, perseguições ao lateral-esquerdo Gabriel e até mesmo durante a má fase ao xodó Caio são exemplos lastimáveis de parte considerável da torcida, em vez de apoiar a juventude promissora.

Com o ingresso comprado há quase duas semanas, parti contente para o Engenhão. Como estava vazio, enfim consegui posar à frente da estátua da Enciclopédia do Futebol, o melhor lateral-esquerdo da história do futebol e botafoguense Nilton Santos. Outro motivo de satisfação foi ver a prévia da escalação, com Caio como titular e o garoto Lucas Zen no plantel – este, além de ser cria do Fogão, é, assim como eu, ex-aluno do Colégio Pedro II [instituição que completa 173 anos neste 2 de dezembro]. Com o início do jogo e a ansiedade da torcida para comemorar logo um gol, que demorou a sair, de destaque apenas uma bela jogada de Caio para Lucio Flávio chutar e o goleiro adversário defender. Em seguida, com bela cobrança de córner, o maestro encontrou a cabeça do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos para abrir o placar e anotar seu sétimo gol na competição. Muito apagado na frente, num lance em que a torcida já se preparava para reclamar da demora em passar a bola, Edno acertou com sua canhota um belo chute de fora da área para ampliar a vantagem. Talvez a única jogada lúcida do atacante durante todo o jogo... No segundo tempo, apesar dos pedidos de mais um por parte da torcida, a equipe alvinegra parecia contente com o placar e jogava de maneira displicente. Afirmo com tranqüilidade que os dois melhores em campo eram Caio e Lucas Zen! Numa tarde em que nosso carismático atacante uruguaio não estava bem, palmas para ele por reconhecer as limitações da atuação e solicitar sua substituição. O lanterna da competição já havia diminuído o placar, quando mais um garoto – Alex – entrara para substituir El Loco. Em duas oportunidades de chutes atabalhoados, o jovem atacante mostrara disposição. Mas foi em bela jogada que partiu para cima da defesa adversário e sofreu pênalti. Com Loco e Lucio Flávio no banco, com categoria Marcelo Cordeiro fechou o placar em 3 x 1 para o Fogão, voltando a vencer na competição e garantindo os 3 pontos em seu último jogo como mandante.

Não sei se pelo adversário ou por pouca pressão principalmente de seus torcedores, mas o fraco jogo foi fácil para o Botafogo. Muito bacana ter visto do Setor Oeste Superior que no segundo tempo as Torcidas Fúria Jovem e Loucos Pelo Botafogo demonstraram que as organizadas pode se unir para realizar uma grande festa e fortalecer o apoio ao Botafogo! Uma dúvida que tem ficado é se o Botafogo treme diante de grande público ao seu favor ou se a impaciência e chatice de boa parte da torcida atrapalham o desempenho da equipe. Enfim, alcançamos 59 pontos, campanha inimaginável para diversos analistas do futebol, jornalistas e até mesmo para alguns torcedores pouco sonhadores. Temos uma tarefa homérica contra o Grêmio de Renato Gaúcho no próximo domingo, no Olímpico. Só a vitória nos interessa, além da necessidade de torcer pelos argentinos contra o rebaixado Goiás na final da Sul-Americana. A Arrancada Final ficou difícil, mas não impossível e a vaga para a disputa da Taça Libertadores será um grande desfecho para 2010. Pra cima deles, Fogão!


Obs.: alguém terá sentido falta do Jobson¿ Só percebi no segundo tempo, quando os jogadores se aqueciam, que nem no banco ele estava.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 6 de novembro de 2010

Comer pelas beiradas*


Em Rio das Ostras, já eram 17:30 de quarta-feira quando minha mãe me telefonou para avisar que eu precisaria estar às 14h do dia seguinte no Rio para escolha da escola onde lecionarei em breve em minha cidade natal. Infelizmente, não dava mais tempo de voltar a tempo de chegar ao Engenhão para mais um jogo do Glorioso e tive que rumar para a Rua do Shopping, onde pelo menos degustei uma suculenta porção de filet mignon com fritas. Queria muito me somar aos quase 20.000 torcedores presentes no Engenhão, principalmente numa semana em que a agora mais vibrante torcida alvinegra marcou presença inclusive nos treinos da equipe. Era a trigésima terceira rodada e um rubro-negro – dessa vez goiano – pelo caminho, com seu destino ainda incerto em relação à permanência na Série A ou a queda para a Série B.
                                                                                      
            Apesar de todas as limitações, os desfalques dos laterais Alessandro e Marcelo Cordeiro certamente atrapalharam, até mesmo porque ambos possuem bastante raça nas disputas de jogadas. O Papai Joel conseguiu readaptar o esquema com o polivalente Somália e o xodó Caio pelas alas. Além de mais esses dois desfalques, a escalação do trio de arbitragem tinha como protagonista Heber Roberto Lopes, o árbitro com uma pista de pouso de aeroporto de mosquito, que já tentara atrapalhar o brilho da Estrela Solitária. E, aos 15 min do primeiro tempo, o atacante uruguaio tocou a bola, antecipando-se ao zagueiro adversário, que o derrubou. Todos esperando o apito... E nada. Pênalti claro e claramente ignorado pelo árbitro. Num primeiro tempo em que apenas o Atlético-GO finalizara a gol em algumas oportunidades, todas sem trabalho para o paredão Jefferson, eis que o apoio maternal se fez presente. Jobson driblou, tocou para Marcelo Mattos, que cruzou na medida para o xodó enfim balançar as redes no Campeonato Brasileiro, em cabeceio estiloso, dedicando o gol para sua mãe, presente no Engenhão e com quem se reencontrara na rodada anterior após quatro anos. Um gol importantíssimo que mudou os rumos do jogo antes da descida para o vestiário e jogou a urucubaca que acompanhava Caio para longe! E vale destacar a atuação brilhante de Marcelo Mattos. Além do passe açucarado para o xodó, o cara desarmou, deu ótimos passes, marcou... Peça fundamental deste tabuleiro alvinegro!

            No intervalo, o fantasma das contusões forçou a substituição de nosso grande zagueiro Marcio Rosário, entrando Danny Morais em seu lugar. Logo aos 3 minutos da segunda etapa, Somália cruza, Fahel cabeceia de maneira atabalhoada, a zaga do Dragão realiza um momento Trapalhões e a bola sobra para Somália novamente, que, num toque, deixou Jobson livre para mandar uma bomba de esquerda para os fundos da rede e aumentar a vantagem! Outro que fez as pazes com o gol... Quinze minutos depois, momento crucial para novas pazes: Caio cobra lateral rapidamente e Lucio Flávio, após ser continuamente puxado pela camisa, deu um mergulho nota dez dentro da área. Dessa vez não houve cegueira ou desprezo por parte do árbitro. É pênalti para o Fogão, em cima do Maestro, que vem jogando abaixo das expectativas, mas que merece todo o apoio da torcida. Sem cavadinha, no meio do gol, El Loco anotou seu nono gol na competição. 3 x 0 para o Botafogo! Aos 31 minutos, Lucio Flavio deu lugar a Edno e... A torcida ovacionou o capitão: importante papel cumprido pelos torcedores numa conjuntura em que o apoio ao time é fundamental. Ainda houve tempo para Caio levar um soco do adversário mas não haver uma punição rigorosa e de eu quase acertar o placar que sugeri num Bolão no twitter: 4 x 0. Mas... o gol do zagueiro artilheiro Antonio Carlos – que voltara ao time em ótimas condições depois de um período no Departamento Médico – foi anulado. E, num certeiro cruzamento de Jobson, El Loco cabeceou com estilo, mas desviou no zagueiro antes de ir à linha de fundo. Com três gols de vantagem e secando o Fluminense no jogo contra o Internacional, houve tempo apenas para certos fantasmas darem a cara – o da contusão e o do cochilo alvinegro! Aos 40 minutos, Somália saiu machucado para a entrada de Renato Cajá. Três minutos antes, Juninho diminuiu o placar após driblar Leandro Guerreiro e seu chute desviar em Danny Morais, enganando Jefferson. Aos 47 minutos, com o meio-campo totalmente voltado para o ataque, Robston entrou sozinho pelo meio para chutar com força e fazer o segundo gol dos goianos. Havia quatro partidas que o Botafogo não sofria gols...

            Enfim, a vitória foi confirmada. Terceira consecutiva e onze jogos de invencibilidade. Cinqüenta e quatro pontos. Com os resultados da rodada, a quatro pontos do líder Fluminense, faltando quinze pontos para disputar. É fundamental que a sequência de vitórias prossiga, pois estamos três vitórias atrás do líder e esse é o primeiro critério de desempate. Enquanto isso, é bom deixarmos nosso recado para a mídia: continuem menosprezando o Botafogo! Preferimos assim, pois o bicampeonato será ainda melhor vindo no estilo da criança comendo mingau ou do botafoguense Zeca Pagodinho: pelas beiradas e bem devagarzinho. Agora que a possibilidade de título é iminente, – projeção que eu já aponto desde a 12ª rodada aqui no blog – colocam o Fogão nas manchetes para vender jornais. Nossa Estrela Solitária tem luz própria e só precisa ser exaltada pela própria torcida! A Arrancada Final continua e os três primeiros já enxergam a totalidade de nosso rastro pelo retrovisor!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 24 de outubro de 2010

Desjejum e hora do incentivo*

Ontem foi mais um sábado de Engenhão. Pelo caminho, um rubro-negro baiano seriamente ameaçado em cair pelo abismo. Até a 11ª rodada do primeiro turno, o Botafogo tinha doze pontos; nas onze primeiras rodadas do segundo turno, com a incômoda sequência de empates, somamos quatorze, dois a mais que a campanha do turno. No dia primeiro de agosto, no Barradão, enfrentamos o Vitória e foi lá que o time começou a empolgar, estabelecendo cinco vitórias consecutivas, saindo das proximidades da zona de rebaixamento e ascendendo às primeiras colocações da tabela. E foi a partir desse jogo, sob chuva na Bahia, que explicitei a importância de nosso apoio para materializarmos a hora de debutar, após 15 anos sem sermos campeões brasileiros(1)!

            O garoto Caio, suspenso, reforçou o time sub-23 do Botafogo, que venceu a equipe vascaína – já classificada para as semifinais – por 4 x 3, precisando torcer por combinação de resultados para prosseguir no torneio. Apesar de tudo quase certo para eu ir no Setor Leste Inferior, junto às torcidas organizadas mais animadas e para apimentar um pouco de superstição – já que vinha acompanhando nos setores Oeste Inferior, Oeste Superior e Leste Superior apenas empates do Fogão – acabei retornando para a Oeste Superior para encontrar um grupo de amigos e o nosso novo amuleto, o Gabrielzinho, de cinco anos. Após recebermos a quinta edição da revista Preliminar, boa iniciativa que traz informações sobre a preparação do elenco, entrevista e reportagens sobre personagens históricos do Glorioso, subimos a longa rampa antes da chuva nos fazer recordar do jogo no Barradão: vitória do Fogão! Uma novidade do clube é a presença exótica da marca Guaraviton no uniforme até pelo menos o final do campeonato brasileiro desse ano. Foi nesta 31ª rodada que a trambiqueira CBF homenageava os 70 anos do Rei Pelé. Pelé, que certamente foi excepcional jogador, mas como Edson Arantes do Nascimento é um grande conservador e aliado das forças reacionárias no país. Ao passar a placa homenageando Pelé, a torcida coerentemente ecoou: “Garrincha é melhor que Pelé!!!”.

            Os altos preços dos ingressos e a sequência de oito empates colocaram apenas 13.000 torcedores no Engenhão, sendo quase 11.000 pagantes. Para os supersticiosos, o 13 cravado poderia significar noite de El Loco Abreu, mas que teve atuação apagada com as fortes gotas de chuva. Para os oportunistas de plantão, nem 13 nem 45; é voto nulo dia 31! Antes de comentar sobre os jogadores, é preciso insistir no importante papel que a torcida pode cumprir. Durante os jogos, temos potencialidade para atuar como o décimo segundo jogador, pulando, cantando, torcendo, incentivando... Mas as elementares forças da Sofá-Fogo ainda são hegemônicas na torcida alvinegra: boa parte vaiando impacientemente Lucio Flávio e entoando o adjetivo de burro para Papai Joel. Isso tudo quando vencíamos por 1 x 0. Certas práticas equivocadas são culturais aqui nas torcidas brasileiras: nossa equipe saltando para a quinta colocação, com reais chances de vaga na Libertadores do ano que vem e até mesmo de título para mais empolgados e sonhadores como eu e a torcida...? Em vez de pedir “Mais um”, gritar para jogadores com muita raça em campo ou cantar o hino do clube... Refutava seu papel de décimo segundo jogador! Lastimável. Mais alguns doidos e eu tentamos berrar, mas percebi que era mais importante poupar minha voz pela atuação profissional docente.

            Para o adversário de ontem, um empate estaria ótimo. Nas vezes em que o Botafogo acertava bem jogadas, dribles ou tabelas, era parado com faltas, a maioria delas bem punidas pela arbitragem! (Eu também falo bem quando a arbitragem atua corretamente!). E nos momentos em que se aproximou de nosso paredão Jefferson, nosso goleiro deu conta do recado, contou com a sorte ou a limitação das finalizações rubro-negras. A confiança e a tranqüilidade de Leandro Guerreiro, somada à disposição e marcação de Marcio Rosário, a meu ver, apontam a titularidade da zaga para o ano que vem. Danny Morais não comprometeu, mas também não foi tão eficiente quanto os demais. Alessandro só precisa não fazer caquinhas como a feita contra o Flamengo, pois se encontra em sua melhor fase no Botafogo. Geralmente critico a inoperância de Marcelo Cordeiro, que ontem fez valer mais um ingresso, em cobrança de falta com extrema categoria para garantir os três pontos do Fogão. E aqui está a razão de considerar o Gabrielzinho o amuleto: com a torcida já impaciente, falei para ele sentar no meu colo e dar sorte para o Fogão. 1 x 0 com um golaço! E, para variar, mais um contundido!? Marcelo Mattos já cresceu de produção e é peça fundamental; Somália melhorou sua atuação quando foi migrado para a ala esquerda no lugar de Marcelo Cordeiro, sendo inclusive ovacionado pela torcida. Lucio Flávio está muito lento, não acompanha as jogadas, errou muitos passes... Todavia, não se justificam as vaias durante o jogo ao capitão da equipe. Houve dois momentos e a torcida parece não enxergar que o maestro deixou Marcelo Mattos e Jobson na cara do gol, e ambos desperdiçaram as oportunidades para ampliar o placar. Jobson ousou, driblou, partiu para cima, mas ainda precisa ter calma para a finalização e acabar com o jejum de gols. E o Loco ontem, nem de cabeça, conseguiu produzir algo de útil. Pela segunda partida consecutiva, Edno entra e corre menos que Lucio Flávio! Renato Cajá e Fahel completaram as substituições. Em vez de simplesmente gritar burro para Joel, a torcida deveria elogiar o treinador por reconhecer que se equivocou ao sacar Jobson em vez do uruguaio.

            Enfim, o desjejum aconteceu. Agora somos a equipe que menos perdeu no campeonato, há três jogos não levamos gol, estamos invictos há nove rodadas e dormimos de sábado para domingo classificados para a Libertadores. Para mim, ainda é pouco. Joel tem razão ao afirmar que os da frente já podem enxergar o Glorioso pelo retrovisor. Não dava mais para aguardarmos os três pontos em uma partida e temos (torcedores) que incentivar demasiadamente para garantir uma sequência de vitórias, que empurrem a Estrela Solitária para o local onde ela tem condições de chegar: a primeira colocação. E hoje, é dia de secar!


(1) “É hora de debutar” -> http://alemdotrivial.blogspot.com/2010/08/e-hora-de-debutar.html

 Eu com o Gabrielzinho. Gabriel + Gabriel = Botafogo 1 x 0 .

  Após a vitória no Engenhão, em ótima companhia!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 10 de outubro de 2010

Tabuleiro de xadrez*

Devido ao feriado de terça-feira e do calendário escolar apresentar a segunda como ponto facultativo, hoje foi um Domingo que gostei, pois nem de perto parecia os Domingos rotineiros de Faustão e companhia. Para ficar ainda mais interessante, jogo no Engenhão em bom horário – 16h – entre o clube da Estrela Solitária e o porco paulista, que, quando enfrentou a urubuzada em nosso estádio há poucas rodadas, emporcalhou o vestiário. Vale destacar que o gramado encontra-se em estado bastante melhorado e esperamos que isso evite contusões como a que nos retirou Maicossuel por mais de um semestre. Como atração, o retorno do jovem Jobson, repleto de especulações por conta da presença em noitadas e possibilidade de uso de drogas ilícitas, que já o suspenderam do esporte durante seis meses.

Na direção das equipes, um duelo entre renomados técnicos, que já dirigiram Seleções nacionais de futebol; no currículo, vantagem para Felipão contra o Papai Joel. Se fizermos uma metáfora com um jogo de xadrez, podemos dizer que estamos sem importantíssimas peças e isso tem influenciado na queda de rendimento do Glorioso, sem vencer há oito rodadas. A ausência de dois cavalos, dois bispos e duas torres prejudica demasiadamente qualquer enxadrista. O Papai Joel não conta atualmente com Jefferson (com a Seleção Brasileira), Fabio Ferreira, Marcelo Mattos, Maicossuel e Herrera (contundidos) e Leandro Guerreiro (suspenso pelo terceiro amarelo). No futebol, outras peças podem substituir, mas nem sempre dão conta do recado...

Por aguardar um atrasado casal de amigos chegar ao Estádio, perdi os sete minutos iniciais da partida. Ao chegar na Leste Superior, assim que visualizei o campo, o árbitro acabara de marcar penalidade a favor do alvinegro. Uh El Loco, entoávamos animados até nos resignarmos em aplaudir timidamente o uruguaio por lançar nossa oportunidade de abrir o placar para as calendas. Não era tarde do carismático atacante, que ainda desperdiçaria outras oportunidades claras por não dominar a bola, parar de correr ou chutar equivocadamente. Jobson, apesar da conhecida ousadia e correria, ainda encontra-se fora de ritmo de jogo. E nosso ataque passou em branco. Renan assumiu a responsabilidade de substituir o melhor goleiro do país e garantiu uma defesa com brilhante reflexo e elasticidade no final, evitando o gol do alviverde paulista. Marcio Rosário e Danny Morais têm condições de ganhar entrosamento com Antonio Carlos. Pela direita, Alessandro voltou a mostrar raça e disposição, puxando contra-ataques e garantindo desarmes, mas ainda erra passes muito bobos e precisa ir ao fundo para cruzar a bola na área. Merecidamente recebeu a faixa de capitão com a saída de Lucio Flávio, outro que jogou bem novamente e mostrou sua importância para a equipe. Marcelo Cordeiro permanece o limitadíssimo ala pela esquerda. Excetuando-se as três tentativas frustradíssimas de bizonhos chutes a gol, Somália voltou a jogar bem, dando importantes passes e marcando eficientemente as investidas adversárias. Já o Fahel... Resta-nos torcer para que retorne ao banco com a volta de Leandro Guerreiro e Marcelo Mattos contra o Fluminense na próxima rodada.

Sou daqueles que acreditam em toda e qualquer possibilidade de mudança nas mais variadas dimensões humanas, mas certas coisas não têm mudado: o gladiador Kleber mais uma vez mostrou sua violência ao agredir Alessandro, recebendo o cartão vermelho. O nervosinho chileno Valdivia, depois de dar um esporro no árbitro e levar o amarelo, fez surtir efeito sua valentia: diversas faltas inventadas ou invertidas pela arbitragem a favor do Palmeiras, prejudicando em diversos momentos o anfitrião do jogo. Falando em dificuldades de mudanças... Nosso Fogão, pela sétima vez consecutiva, obteve apenas 1 ponto. Os quase 12.000 presentes puderam acompanhar um jogo sem gols contra o time de chiqueiro e a manutenção das invencibilidades no Engenhão e contra as paulistas nesse Campeonato Brasileiro.

Se por um lado devemos contemporizar por conta dos desfalques e dos pequenos e frequentes erros da arbitragem; por outro, não podemos admitir que jogadores profissionais que treinam diariamente errem passes ridículos e percam a quantidade de gols que o Botafogo tem perdido, forjando nosso distanciamento da liderança da competição. Faltam agora 27 pontos em disputa e estamos a 10 do líder Cruzeiro, na sexta colocação. Está mais difícil? Certamente, mas como em nossa história várias vitórias são bastante sofridas, eu ainda acredito! Não há um xeque-mate! Semana que vem, rumo ao Engenhão para o jogo contra o Fluminense!


Obs1: na próxima terça-feira, 12 de outubro, a partir das 8h, no Engenhão, as crianças serão recebidas pelos cachorros Biriba e Biruta, pelo Papai Joel, pelos jogadores Renan, Somália e Caio. Com muita alegria e diversão em preto e branco, essa é uma importante iniciativa para os futuros torcedores do Glorioso! Confira o vídeo -> http://www.botafogo.com.br/interatividade_videos.asp

Obs2: às 10h, pela série C, o Macaé recebeu a equipe do Criciúma, vencendo de virada por 3 x 2. Caso empate o jogo de volta, a equipe da cidade da Costa do Sol estará classificada para a série B do Campeonato Brasileiro de 2011. Saiba mais -> http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=154969
 
Já o Madureira, pela série D, venceu fora de casa a equipe do Operário-PR por 4 x 2. Caso passe para a semifinal da competição, o Tricolor Suburbano garante sua ascensão para a série C em 2011. Saiba mais -> http://www.gazetaesportiva.net/nota/2010/10/10/658263.html
 
Com 39 pontos em 27 jogos, o Duque de Caxias encontra-se na oitava colocação da Série B e quase certamente permanecerá na Segundona em 2011.

Interessante comentarmos essa boa presença das equipes do Rio de Janeiro, que sofreram bastante durante a os sombrios tempos de Caixa d’Água e Eurico Miranda.

 Inaugurando a camisa da LOUCOS de Rio das Ostras.

No Engenhão, em boa companhia.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 9 de outubro de 2010

De grão em grão*


28ª rodada do Campeonato Brasileiro. De um lado, nosso Fogão, que não perdera nenhuma partida para os times paulistas; do outro, o Guarani, que não perdera nenhuma para os times cariocas. Por conta dos compromissos profissionais, quinto jogo assistido na cidade de Rio das Ostras e dessa vez o pastel foi substituído por uma porção de batata frita e suco de laranja. Além da comentada, conturbada, especulada e polêmica ausência de Jobson, nosso paredão Jefferson estava ausente devido aos jogos da Seleção Brasileira e o zagueiro de penteado exótico Fabio Ferreira cedido ao Departamento Médico por seis meses.

            Prata da casa e mais uma vítima da impaciência da torcida alvinegra, o goleiro Renan demonstrou, com apenas 2 minutos de jogo, que está à altura e preparado para substituir o melhor goleiro em atividade no país – Jefferson. Enquanto a zaga, com o retorno de Antonio Carlos e a entrada dos ex-reservas Danny Morais e Marcio Rosário buscava entrosamento, Fahel não comprometia e Leandro Guerreiro, com a raça e dedicação que lhe são peculiares, continuava apresentando seguro e bom futebol, inclusive arriscando subidas ao ataque. Somália tem lembrado os seus primeiros jogos no Botafogo, errando passes curtos, cruzamentos e dribles, ou seja, caiu demasiadamente de produção. No ataque, contávamos com o retorno da dupla Mercosul; e no meio, Túlio Souza e Lucio Flávio não repetiam a boa atuação contra a urubuzada. Com o cochilo da defesa e gol de cabeça do Barbosa aos 26 minutos, Joel Santana esperou apenas três minutos para sacar Túlio Souza, que obviamente saíra chateado, para a entrada do Edno, que há duas partidas também tem estado mal. O Guarani ainda pressionou aos 33 minutos, para nova defesa de Renan, até que o ataque Mercosul repetira jogada contra o Corinthians: cruzamento de Herrera para a mortal cabeceada do tsunami na área El Loco Abreu. 1 x 1 termina o primeiro tempo, mesmo placar da partida no Engenhão, do primeiro turno.

            Vindo o segundo tempo, o alviverde paulista quase desempatou, esbarrando em Renan aos 9 minutos e passando rente ao travessão aos 14 minutos. Um minuto depois, contra-ataque alvinegro. Herrera e Loco contra dois adversários e o goleiro, mas o argentino preferiu arriscar da entrada da área em vez de passar para o uruguaio. Aos 17 minutos, Herrera corria em direção ao ataque; por trás, o adversário dá uma cutucada de leve e o goleiro vem pela frente na bola: queda do argentino e ombro machucado, forçando sua substituição pelo garoto Caio, que voltou a incendiar a partida ao entrar no segundo tempo. Aos 28 minutos, jogada de craque driblando os adversários e chutando para que a bola caprichosamente esbarrasse na trave... O menino está mesmo azarado! Sete minutos depois da trave, Somália enfim acertou uma: lançou bem forte, mas com muita velocidade Caio alcançou e cruzou rasteiro para El Loco, que se desdobrou todo para chutar para fora de esquerda em vez de bater direto com a perna direita. Joel ainda substituiu Lucio Flávio para a entrada de Renato Cajá, que entraria sozinho, cara a cara com o goleiro e novamente deixaria de usar a perna direita para a tentativa ao gol, aos 41 minutos. No finalzinho do jogo, o então capitão Leandro Guerreiro cometeu falta providencial e levou o terceiro cartão amarelo, ocasionando mais um desfalque para o jogo contra o Palmeiras.

            Enfim, foi o sexto empate consecutivo do Alvinegro. Se, por um lado, não perdemos há seis rodadas; por outro, não vencemos há sete. Mantivemos a invencibilidade contra os paulistas e repetimos o resultado do primeiro turno. Foi o sétimo jogo com o placar de 1 x 1 e o 13º empate na competição. Dizem que de grão em grão a galinha enche o papo... Mas, nesse ritmo, não será possível acreditarmos no título. Como Fluminense e Corinthians foram derrotados nessa rodada, estamos a 9 pontos da primeira colocação e ainda há trinta pontos em disputa. No primeiro turno, nos 9 primeiros jogos, tínhamos 10 pontos; no segundo, estamos com 12 nos mesmos 9 confrontos. É preciso voltar a vencer e impulsionar o sprint final rumo ao bi. Amanhã vamos que vamos em peso para o Engenhão! Dá-lhe, Fogão!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 18 de setembro de 2010

Meus pintinhos, venham cá!*


Já era previsto. Não falo do resultado do jogo – ainda. Mas da quantidade de torcedores presentes. Depois de uma exagerada derrota para o Goiás e diante da ameaça de chuva, pouco mais de 16.000 torcedores estiveram presentes no Engenhão. Ainda temos muitos adeptos da Sofá-Fogo! Embalado pelo verso Experimente tomar banho de chuva... fui acompanhar a disputa momentânea pela terceira colocação no Campeonato Brasileiro no Estádio em que o Fogão defendia sua invencibilidade. A equipe cruzeirense tem ascendido bem no Brasileirão, é séria candidata ao título (a meu ver, mais que Corinthians e Fluminense e tanto quanto Botafogo e Internacional), tem ótimos jogadores e um técnico que dificilmente deixarei de gostar.

            Foi notória a mudança de postura da equipe e o crescimento em qualidade e disposição com o retorno de Somália. No jogo de hoje, o técnico Joel Santana vacilou em alguns momentos. O principal dos vacilos é a manutenção do jogador Fahel na equipe. Se ele tem contrato com o clube, coloquem-no para jogar o torneio sub-23! Joel, tira o Fahel! Sem dúvida foi a mais correta ponderação dos torcedores presentes.  Edno deveria ter iniciado como titular, mas Joel o colocou no lugar do Renato Cajá! Alguém entende por que não sacou o Fahel? Danny Moraes não comprometeu e o considero um bom reserva. A ligação entre os setores do Alvinegro ainda deixa bastante a desejar: algumas reposições equivocadas de Jefferson e muitos chutões dos zagueiros para que os atacantes se virem. Um jogador em especial tem crescido bastante durante a ascensão da Estrela Solitária: perseguido em outros momentos, Alessandro tem feito ótimas partidas e hoje foi premiado com um golaço, de muita categoria e tranqüilidade. Óbvio que ainda comente algumas falhas, mas o Cabeçudo tem muita raça. 1 x 0 para o Fogão com poucos minutos do primeiro tempo.

            Além da qualidade do adversário, tivemos de lidar com as falhas excessivas da pista de pouso de mosquito, o árbitro paranaense Héber Roberto Lopes, que deixou de marcar inúmeras faltas a nosso favor. Após o intervalo, parecia que Caio tinha brincado de Meus pintinhos, venham cá, respondendo tenho medo da Raposa! Num pênalti infantil cometido pelo atacante, veio o empate mineiro. Minutos depois, nova perda de bola do xodó. Enquanto Papai Joel mantinha nosso Hermano no banco, o indigesto argentino cruzeirense passou fácil ao passo que a defesa alvinegra cochilava e mandou para os fundos da rede de Jefferson, que simplesmente pôde assistir ao golaço alheio. Quanto tudo parecia caminhar para a derrota, o time enfim despertou, Maicossuel mostrou que pode desequilibrar ao ousar e abusar nos dribles e sofreu o pênalti para nosso carismático atacante converter. El Loco, enfim de esquerda, marcou seu quarto gol em quatro jogos. A torcida também acordou e tentou impulsionar o Glorioso, que partiu para cima. Todavia, saímos derrotados na disputa pela medalha de bronze provisória. Mas valeu pelo esforço, pela manutenção da invencibilidade em casa e pelo jogo, que foi bem disputado!

            Antes de finalizar, três questões. A primeira delas é a cisma dos jogadores de futebol de pararem em determinados lances aguardando a marcação do árbitro. Que amadorismo! É preciso correr atrás da bola, principalmente em lances de perigo. Se ouvir o apito depois, ótimo. Em segundo lugar, sei que a torcida alvinegra é impaciente em demasia. E que aqui no Brasil ocorrem vaias para times que estão entre as primeiras colocações. Irônico? Mas o garoto Caio não pode ter síndrome neymariana. Não devemos culpabilizá-lo pelo empate, tampouco o mesmo pode  fazer gestos obscenos quando os torcedores o criticarem! Por fim, não saio triste com o empate de hoje: pior foi termos perdido por 1 x 0 para o Cruzeiro no Mineirão no primeiro turno, num jogo em que o Botafogo foi bem superior mas desperdiçou inúmeras oportunidades, inclusive um pênalti.

            O líder Corinthians está seis pontos à frente, com um jogo a menos. Restam ainda 15 rodadas e temos condições plenas de alcançar e ultrapassar os atuais três primeiros colocados. Após o empate de hoje – sétimo no Engenhão – Joel precisa reorganizar a equipe, que tende a melhorar com o retorno progressivo dos que estavam no Departamento Médico. Com o fundamental e imprescindível apoio da torcida, podemos vencer o Bacalhau e o Atlético-PR e recuperar a confiança para disputar o título.


Obs: em tempo, bacana a iniciativa da diretoria ao lançar a Revista Preliminar.
 
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um atípico Domingo*


Sou daqueles que consideram o Domingo o dia mais chato. Diversas vezes, insuportável. Contudo, no dia 12 de setembro, ele veio com céu azul, ensolarado, trazendo uma brisa suave que aliviava o calor. A subida à Cachoeira da Gruta, no Horto, parecia anunciar bons fluidos para a tarde que chegaria celeremente. Há muitas rodadas não acontecia jogo do Botafogo num Domingo. Com o ingresso já comprado, fazia a contagem regressiva para chegar cedo ao Engenhão, acompanhar o Show Alvinegro com a Isabela Taviani e participar do sorteio para concorrer no sorteio de camarote para o jogo contra o Cruzeiro. Essa talvez tenha sido minha única decepção, pois tenho quase certeza de ter sido um dos primeiros 2.000 alvinegros a entrar no Estádio, mas não recebi meu cupom e me contentarei em estar nas arquibancadas no próximo sábado para embalar a Estrela Solitária. Ainda pudemos acompanhar a reprise da famosa cavadinha, contra o assassino machista, de nosso irreverente, inteligente e ousado atacante uruguaio, que teve lançado o seu cartoon “La cavadita”.

            Pouco mais de 28.000 botafoguenses estiveram presentes, quantidade ainda aquém do que podemos colocar nos jogos. Apesar das boas ideias e incentivos por parte da gestão do Fogão, ainda dificultam os acessos ao Engenhão o trânsito conturbado e a má qualidade de nossos transportes públicos. Para exemplificar, até hoje não há uma rampa para cadeirantes atravessarem pela passarela sobre a linha do trem! Como não estamos em Copa do Mundo... “Que se dane a população carioca”, pensam E executam os governantes em nosso país, que, novamente, apresentam suas candidaturas durante nossa chegada para torcer, com camisas do time, propagandas falsas e pessoas exploradas para distribuir seus santinhos e garantirem uma pequena renda nos meses que precedem as eleições burguesas.

            Com o time entrando em campo, a torcida lançava balões que voavam, subiam. Estava simbolizada a campanha alvinegra: ascensão! O dia anterior apresentava bons resultados: as derrotas de Fluminense e Corinthians. Pressão? Mano Menezes novamente presente em terras suburbanas para observar o jogo. Intimidação? Simon na arbitragem. Complicação? Um adversário vindo embalado por três vitórias e sempre perigoso. Mas com um detalhe: vinha de São Paulo! Nosso oitavo confronto contra paulistas e não sucumbimos: são quatro vitórias e quatro empates nesse Brasileirão. E a sequência da rodada nos distanciou mais ainda de Internacional, com seu empate, e do Santos, com mais uma derrota. Só faltou o Cruzeiro, que também ascende junto ao Glorioso. Está chegando a hora do tira-teima com os mineiros.

            Não bastassem as ausências de Jobson e Somália, Herrera somou-se ao grupo escalado para o departamento médico. E há coisas que só acontecem ao Botafogo... Não havia boas recordações de dois jogadores se contundirem na mesma partida e o fantasma apareceu: Marcelo Cordeiro, aos 10 min do primeiro tempo; e Marcelo Mattos, que não tira o pé numa dividida, aos 40 min também da primeira etapa, quando o jogo estava morno, sem lances perigosos e com as redes intactas. Lembrei-me também de um Botafogo 0 x 2 São Paulo no Maracanã, se não me falha a memória em 2007, quando o Fogão embalou no primeiro turno mas começou a vacilar depois de vários problemas internos. Quem está com problemas internos esse ano? O freio já funciona bem nas Laranjeiras... Sobre as contusões, Marcelo Mattos é o que mais me preocupa, pois há algum tempo já defendo que Joel escale Edno na ala esquerda.

            O segundo tempo chegou. Com ele, o Sol se punha e a sombra tomava conta das arquibancadas. Foi o impulso para acordar, eletrizar e sacudir a torcida alvinegra. Há muito tempo não sentia um clima tão contagiante, com muitos torcedores de pé e cantando. Os jogadores sentiram o clima e partiram para cima do tricolor paulista. Não! Não queremos um bombeiro para apagar o fogo em nosso peito! Mas ele veio: um bombeiro diferente, carismático, ídolo, que lançou oxigênio ao fazer 1 x 0 e tirou mais ainda do chão a torcida do Fogão. Ponto positivo para o trio canhotinho alvinegro. Apesar de El Loco ter marcado com a direita, minutos depois foi a jogada de esquerda protagonizada por Renato Cajá e Edno que fez Rogério Ceni buscar a segunda bola nas redes. O incêndio era iminente, que deixou as cinzas para os olés em campo e as olas na arquibancada. Uh, aceita!

            Enfim, congratulações ao Joel Santana, que segurou o esquema do time diante de cinco importantes ausências atualmente. Nosso paredão Jefferson não teve trabalho diante da disciplina tática e de conjunto da defesa do Botafogo, mas a vaga dele tem de estar garantida depois de excelentes atuações. Concorda, Mano? Bacana a oportunidade de Lucio Flávio voltar a jogar; ainda prefiro que seja ele o titular em vez do Fahel. Pelo terceiro jogo consecutivo, o garoto Caio entra muito bem, dando velocidade e ousadia às jogadas de ataque, apesar de precisar fazer as pazes com o gol. Vale destacar também a presença no banco de um Bruno (esqueci o sobrenome), que pela foto parece um garoto da base do clube! Maicossuel ainda não se encontra no ritmo ideal e precisa de jogadores de velocidade e criatividade ao seu lado para alavancar seu bom futebol. Aguardemos o retorno de Jobson!

            A ascensão alvinegra vem num ótimo momento. A manutenção da terceira posição, na cola dos líderes, na segunda rodada do segundo turno, está excelente. Não podemos vacilar com o espírito Robin Hood amanhã, pois é necessário acumular pontos e ganhar confiança para o sprint final na corrida rumo ao título. Sábado a torcida está convocada para o jogo em que acontece uma pesada concorrência.

Sem mais, fui feliz depois do jogo para Rio das Ostras, depois de um dia que nem parecia Domingo, com direito a Sol, cachoeira, apetitoso almoço familiar e Engenhão, em ótima companhia.


Obs.1: Essa postagem ficou longa devido à empolgação e aos inúmeros comentários importantes e atrasou devido a um acidente de bicicleta somado ao dente quebrado ontem em Rio das Ostras.


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quinta-feira louca*

Há um bom tempo o Fogão não jogava numa quinta-feira à noite. E a primeira rodada do segundo turno, quando a arrancada precisa ser impulsionada, reservava, além desse dia, o Pacaembu e um badalado adversário, campeão paulista e da Copa do Brasil. Clássico de muita história, de clubes que formaram a base de Seleções Brasileiras campeãs mundiais e altamente equilibrado nas quantidades de vitórias para cada uma das equipes.

            Se os garotos da Vila claramente sentem a ausência de Ganso, Robinho e André; os rapazes de General Severiano lamentam os desfalques de Somália e Jóbson. À espera de muitos gols por conta do estilo ofensivo de Botafogo e Santos, o que prevaleceu foi a disciplina tática da defesa alvinegra, que conseguiu segurar o ímpeto santista. Quando a defesa vacilava, um elemento-surpresa mostrava por que é um dos melhores goleiros do país. 

            Os bem mais antigos que eu devem ter sentido falta dos clássicos de antigamente, quando erros grotescos de passe aconteciam, sem contar as pisadas e outras trapalhadas com a redondinha – Não falo da barriga do Joel! Nosso técnico continua enfrentando a fama de retranqueiro e hoje adaptou seu esquema à realidade do adversário, colocando Leandro Guerreiro e Marcelo Mattos para impossibilitar as investidas traquinas do time da Vila. Aos 39min do primeiro tempo, nosso zagueiro artilheiro Antonio Carlos foi puxado dentro da área, quando poderia ter feito seu sexto gol. Alessandro oscila momentos de altos e baixos e Marcelo Cordeiro segue sem acertar cruzamentos, inclusive feitos por meio dos escanteios. Fahel não comprometeu e até ajudou em alguns momentos, situação atípica; ainda prefiro o retorno de Lucio Flávio. E Renato Cajá, depois de alguns equívocos, acertou seu posicionamento e protagonizou bons momentos e disposição. Maicossuel continua sem o seu potencial de inspiração. E nosso guerreiro hermano, jogador que mais sofre faltas e o segundo que mais comete no Brasileirão 2010, recebeu novo cartão amarelo após resmungar da arbitragem, o que demonstra a garra do atual elenco. Caio novamente entrou bem no jogo, driblando, arriscando e sendo parado com pelo menos cinco faltas.

Quando a torcida sempre impaciente do Botafogo começava a dar sinais de insatisfação e eu próprio comentava a dificuldade dele jogar com os pés – o que é notório – nosso carismático El Loco Abreu mostrou sua estrela: domínio, lençol no fraco goleiro santista e bola nas redes, no final do jogo para garantir mais um placar de 1 x 0, mais três pontos fora de casa e ratificar a invencibilidade contra os paulistas na competição esse ano – três vitórias e quatro empates. E se a Vila não tem um paredão, nós contamos com Jefferson: sete importantes defesas e mais um jogo em que o Glorioso não sofre gol. Bacana a atitude de incentivo do elenco alvinegro, que ao final do jogo, cumprimentou e festejou loucamente com o uruguaio, consolidando essa quinta-feira louca.

Começamos bem o segundo turno, retornando ao G-4. Domingo é dia da torcida lotar o Engenhão para apoiar a Estrela Solitária contra mais um time paulista e prosseguirmos a ascensão, pois agora a reta é final.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 4 de setembro de 2010

Sonambulismo, balanço e perspectivas para o segundo turno*

Nunca é legal retornar do Engenhão sem a conquista dos três pontos referentes à vitória. Contudo, sou daqueles torcedores que vão ao Estádio para apreciar e torcer pelo time. O resultado é conseqüência do bom futebol apresentado. Mais um jogo do Fogão em um sábado à noite, dia de repouso e folia para muitas pessoas, não necessariamente nessa mesma ordem. É um horário não muito bom em termos de mídia e divulgação, mas prazeroso para a torcida e jogadores por não estarem sob um calor escaldante e terem a opção – no caso dos torcedores – de curtir uma festa ou ir para casa curtir a família.

Última rodada do primeiro turno. Obviamente, nunca estamos satisfeitos e essa é uma característica importante do ser humano para poder avançar, superar, melhorar e transformar o quadro anteriormente apresentado. Fechamos com 31 pontos dos 57 disputados, um aproveitamento de pouco mais que 54%. Muito melhor que os anos anteriores, mas ainda aquém do que podemos alcançar no Campeonato Brasileiro desse ano. Voltarei a comentar sobre o papel que a torcida pode cumprir.

Durante a semana, a mídia supervalorizou a polêmica em torno dos gestos de El Loco após ser substituído por Joel no jogo contra o Grêmio Prudente. Se repararmos bem, em vários momentos, as notícias sobre o clube da Estrela Solitária são reduzidas nas manchetes a fim de favorecer notícias dos demais clubes do Rio de Janeiro, mesmo com a campanha do Fogão sendo a segunda melhor do Estado. Deixando de lado a possibilidade de mania de perseguição, mas sendo realista com o cotidiano que se apresenta nas telinhas e nos jornais, isso é um elemento que pode desestabilizar. Somado às ausências de Jobson e Somália e aos momentos de sonambulismo que alguns jogadores insistem em apresentar, deixamos escapar uma vitória que aparentava ser tranqüilamente possível nesse dia 4 de setembro, contra o Grêmio gaúcho.

Os primeiros trinta minutos foram excelentes. Cruzamento perfeito de Maicossuel na cabeça do zagueiro artilheiro Antônio Carlos. Boa troca de passes: Maicossuel para Herrera. Ótimo passe do argentino para Marcelo Mattos, que devolve com perfeição para Herrera mandar para qualquer outro lugar o apelido de QuaseGol. 2 x 0 para o Fogão. Também bastante aquém do que pode fazer, a festa da torcida contou com pouco mais de 20.000 botafoguenses, que em alguns momentos entoaram o pedido de Mais Um! Mas foi o adversário quem atendeu nossos pedidos. Em cochilada grotesca dos zagueiros com apenas oito minutos da segunda etapa, Jonas chutou numa situação totalmente desprevenida para o melhor goleiro do Brasil, que, em seu duelo com Vitor, também acabou no empate! O Botafogo ainda foi para o ataque e desperdiçou pelo menos quatro oportunidades para ampliar a vantagem. E novamente pecou no final do jogo. Numa falta inexistente marcada a favor do Grêmio, cruzamento para Jonas novamente, dessa vez de cabeça, aparecer sozinho e decretar o empate. Sei reconhecer quando há favorecimento – raríssimo acontecer para a gente – mas é preciso declarar que a arbitragem no segundo tempo se atrapalhou em muitos lances. Entre os técnicos, o príncipe do Rio Renato Gaúcho armou para cima de Joel, que se auto-declarara O Rei e ficou com a pior no duelo. O Glorioso cochila mais uma vez diante de um time gaúcho... E ainda bem que só há dois nesse torneio!

Algumas lições desse primeiro turno podem e devem ser tiradas para a arrancada final que começa na próxima quinta-feira, fora de casa, contra a badalada equipe santista e espero que algumas delas estejam na prancheta do Joel. O ataque Mercosul tem batido cabeça, mas o que mais tem feito falta é uma ligação coesa entre os três setores. São muitos chutões improdutivos dos zagueiros e de Jefferson diretos para o ataque. E há qualidade no time para sair jogando. Apesar de não ter comprometido no jogo de hoje, Fahel não tem condições de ser titular. Com o time trabalhando a posse de bola, Lucio Flavio tem que retornar ao time titular. Por conta da forma física, temos opções para entrar em seu lugar no segundo tempo. Marcelo Cordeiro precisa ser barrado. Em seu lugar, pode-se retornar, mesmo torto, com Somália; ou ousar lançando o Edno como ala. O garoto Caio entrou muito bem e junto com Renato Cajá – que precisa aprender a chutar com a perna direita – darão trabalho para os adversários no segundo tempo, pois a rapaziada entra descansada e com muita disposição para mostrar seu trabalho. Resta-nos também torcer pela recuperação de Jobson, pois temos bons frutos a colher nesse segundo turno.

Sobre a torcida, é preciso maior paciência. Quando o time cochila, é tarefa nossa impulsionar para que eles acordem e possamos participar mais ativamente do resultado! Há espaços para criticar, para se incomodar e até mesmo vaiar. Entretanto, isso não pode acontecer no meio do jogo. Nosso incentivo é fundamental! Ainda estamos posicionados para garantir uma vaga na Libertadores de 2011. Os que estão à nossa frente irão se distanciar um pouco mais, mas nada alarmante. A briga pelo título é possível e devemos auxiliar no caminho a cada rodada.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

É proibido cochilar...*

Depois da cochilada contra o Internacional, que nos custou a saída do G4, a contusão do atrevido Jobson e a exagerada expulsão do garoto Caio, o forrózinho “É proibido cochilar...” deveria embalar o alvinegro na noite de quarta-feira, na cidade de Presidente Prudente. Entretanto, o cochilo permaneceu nos primeiros 45 minutos, fazendo com que o destaque desse período fosse nosso paredão Jefferson – comprovando sua merecida convocação para a Seleção Brasileira. Parecia um treino de ataque contra defesa e em 4 oportunidades o goleirão levou a melhor com belas e primordiais defesas. Merecem destaque também a segurança e a confiança retomadas a cada partida do xerifão Leandro Guerreiro, que tem contribuído bastante para evitar que os adversários balancem as nossas redes.

            Com a ausência de Jobson e o retorno do uruguaio como titular, o time mudou o estilo de jogo. Enquanto há menos ousadia e velocidade por um lado, há mais inteligência, experiência por outro. El Loco ainda está fora de forma (e deveria sim ter sido substituído. Não é hora de estrelismo!), mas as jogadas aéreas do Fogão foram exploradas novamente. Não fosse a falta de habilidade e pontaria do limitadíssimo Marcelo Cordeiro... Mais gols poderiam ter acontecido. A ligação entre o meio-campo e o ataque ainda está deixando a desejar, mas é certo que no intervalo Joel Santana conseguiu adotar algumas táticas para enfrentar o sonífero que tem nos prejudicado nos últimos jogos. Apesar de estar surpreendendo nesse Campeonato Brasileiro ao não ratificar em diversos momentos sua fama de retranqueiro, é possível avançar ainda mais, pois as potencialidades do atual elenco do Glorioso aparecem mais quando o time joga para frente, com velocidade e troca de passes. Para isso, a entrada de Edno no lugar de Marcelo Cordeiro na ala esquerda é uma pertinente opção. Em relação às substituições, acerto ao lançar o veloz Renato Cajá. Com sua canhotinha, passe perfeito para o Mago voltar a balançar as redes, também de esquerda, após contar com ligeiro auxílio de um montinho, que ajudou com precisão para que garantíssemos a oitava vitória na competição.

            Foi o primeiro jogo que acompanhei com a galera alvinegra de Rio das Ostras e estreamos com o pé esquerdo literalmente, conquistando a vitória e retornando ao G4, provisoriamente na terceira posição, o que certamente ainda é pouco! Para não passar despercebido, um Grêmio já foi (falta mais um no próximo sábado, diretamente do Engenhão para fechar o primeiro turno. Estaremos lá!). Resta saber quais os rumos de nosso adversário de ontem. Depois de situar-se em Barueri, agora se encontra em  Presidente Prudente. Onde estará no próximo ano? Coisas da profissionalização do esporte predileto dos brasileiros e mais ainda preferido por empresários que garantem lucros exorbitantes por meio de compra e venda de jogadores, construções de estádios e arenas esportivas, patrocinadores etc. Enquanto isso, nós pagamos ingressos cada vez mais caros para estar dentro de estádios construídos com dinheiro dos impostos que pagamos... Que o diga a atual arena alvinegra. Lidando com as contradições ao mesmo tempo em que construímos possibilidades de mudanças, não aceito nem o nome Stadium Rio tampouco do oportunista João Havelange. È o Engenhão, do Fogão, do povão!

            E que no embalo do “É proibido cochilar...” trilhemos as rodadas do segundo turno rumo ao segundo título do Campeonato Brasileiro!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 28 de agosto de 2010

Um cochilo de sábado à noite*

            Desde que comecei a escrever sobre os jogos do Botafogo nesse Campeonato Brasileiro, é hora de inaugurar reflexões após uma derrota. O ataque que há duas rodadas era o melhor do campeonato, passou em branco. A defesa, que não tomava gol há quatro rodadas, levou apenas um, suficiente para a oferenda de três pontos para o atual Campeão da Libertadores da América. O time adversário conta com ótimos jogadores, boa troca de passes. Contudo, com um pouco mais de ousadia e categoria, poderíamos pelo menos ter mantido a invencibilidade com um empate.

            No último texto, desafiei a superstição. O jogo passado não acompanhei, pois não encontrei nenhum local que transmitisse a vitória contra o Ceará na capital maranhense, onde me localizava. Não foi possível comentar o jogo passado no Engenhão. Apenas pude ver a bela jogada tramada por Herrera, que resultou no bonito gol de Jobson. Não ter comentado a última vitória e ver essa derrota hoje volta a deixar uma pulga atrás da orelha.

            O histórico do confronto entre as duas equipes continua extremamente equilibrado. Em 2009, o Glorioso venceu as duas partidas contra o Internacional, sendo um dos grandes responsáveis pelo vice-campeonato do time gaúcho, que ainda esbarrou na atitude benevolente de seu arquirrival contra os rubro-negros cariocas para os mesmos garantirem a primeira colocação. É interessante percebermos que o Fogão, apesar das duas recentes vitórias em casa, caiu de produção. Vencemos duas por apenas 1 x 0, com dificuldades aparecendo. E hoje veio a quarta derrota no campeonato, custando a queda na tabela, que nos tirará temporariamente do G-4 para a Libertadores 2011.

            No jogo de hoje, tanto o time quanto Joel cochilaram demais, respeitaram uma boa equipe demasiadamente. Os primeiros 35 minutos de jogo foram dominados pelo Colorado, com o alvinegro assistindo às investidas do adversário. E numa bobeada conjunta da zaga, Jefferson não pôde garantir o paredão. Nos últimos 10 minutos do primeiro tempo, cinco oportunidades criadas mostraram que seria possível virarmos o jogo após o intervalo. Logo nos primeiros minutos da segunda etapa, vale destacar o erro crasso do bandeirinha que marcou impedimente inexistente de Jobson, que ficaria cara a cara com o Renan! Já declarei em outras oportunidades não gostar da presença de Fahel no time, mas ele não comprometeu a ponto de ser o primeiro substituído. Édson errou tudo que tentou e a melhor opção seria sacá-lo para entrar logo com o Edno na ala esquerda. Marcelo Mattos fez falta. Maicossuel não rendeu e Somália errou todas as tentativas de dribles e passes. Com a contusão de Jóbson, Joel se equivocou posteriormente ao retirar Herrera, que vinha batalhando e arriscando jogadas, para trocá-lo por El Loco, que também entrou bem. O mais coerente teria sido a saída do Édson, totalmente perdido, que ainda quase entregou de bandeja o segundo gol do Inter numa recuada de peito para o Jefferson com a bola a 10 cm do chão.

            Seria bem mais legal comentar a continuidade da ascensão, interrompida com o cochilo neste sábado, 28 de agosto. Mas valeu retornar de viagem e curtir o tira-gosto em família, sempre uma boa companhia. E aguardar as próximas duas rodadas desse turno, em que podemos retomar a expectativa de 100% de aproveitamento contra os dois Grêmios. O primeiro, paulista e fora de casa. E o segundo, com a torcida transformando o Engenhão num grande caldeirão para apoiar nosso retorno ao G-4 e começar o returno pronto para uma arrancada ainda mais ousada!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 7 de agosto de 2010

Braço de Deus entrega presente antecipado de Dia dos Pais*

Voltando de Rio das Ostras, decidi qual presente dar para meu pai: o ingresso para assistir ao confronto contra o Atlético-MG, hoje no Engenhão. Uma pequena fila já antecipava que a presença da torcida seria significativa. Por volta de 18h, quando chegamos ao atualmente denominado Stadium Rio, uma longa e civilizada – excetuando-se poucos oportunistas – fila para passar pelas roletas nos esperava. Torcida do Botafogo comparecendo em peso sempre dá um friozinho na barriga, pois quando a SofáFogo aparece, a impaciência com o time geralmente é grande. Pouco mais de 24.000 pagantes e 27.000 presentes estiveram lá para acompanhar a reestréia de Maicossuel no Engenhão, o retorno de El Loco Abreu (dessa vez, na reserva) e torcer pela continuidade da ascensão do Fogão no Campeonato Brasileiro, marcando o quinto jogo de invencibilidade.

            Enfim, mudanças excelentes aconteceram e a tendência é o time crescer, com opções no banco do mesmo nível que os titulares. Antonio Carlos fez falta, pois a zaga e os laterais ainda contam com muitas falhas e deficiências, mas estão no mesmo nível dos demais times! Jefferson estreou seu uniforme amarelo, cor que poderá vestir durante a semana: o melhor goleiro do Brasil e da Seleção fez três defesas importantes no jogo e garantiu a segurança do nosso gol. Recuar Leandro Guerreiro no lugar de Fahel, lançar o Marcelo Mattos sacando o Lucio Flávio e iniciar com o trio Maicossuel, Jobson e Herrera me fizeram respeitar ainda mais o técnico Joel Santana, que ousou ainda mais com as substituições no segundo tempo, colocando Caio, Edno e o festejado Loco Abreu nos lugares de Marcelo Mattos, Maicossuel e Herrera, respectivamente. Com as opções do Glorioso, Joel mostra cada vez mais ousadia e menos retranca!

Maicossuel enfim estreou de verdade: driblou, correu, dominou, passou bem e com oportunismo fez o primeiro gol do Fogão. E a torcida não titubeou: Maicosuel voltou... Momentos depois, o tatuado Somália arriscou de fora da área e a bola desviou num braço de Deus, que só poderia ser argentino, para balançar pela segunda vez as redes do Galo, freguês assíduo e adimplente nos últimos anos. Tudo bem, jogada polêmica e na minha avaliação gol ilegal validado pela arbitragem. Chorem, Vanderlei Luxemburgo (em decadência), Fábio Costa e Diego Souza! Jobson merecia o dele: com traquinagens, irreverência e indo com tudo sem cansar, na hora do chute, travado por trás pelo adversário. É pênalti! Para afastar a zica, Herrera assumiu a artilharia do time, marcando seu quinto gol no campeonato. 3 x 0 com gostinho de quero mais na véspera do Dia dos Pais. Reconhecendo os limites de jogadores como Alessandro, Fabio Ferreira, Leandro Guerreiro e Somália, é preciso maior paciência dos torcedores, pois a garra e a força de vontade superaram as debilidades. Considerei fracas as atuações de Danny Moraes e do lateral que não sabe cruzar do fundo nem marcar Marcelo Cordeiro.

            Ponto fraco também para a administração do Stadium Rio, deveras desorganizada na entrada e na saída dos torcedores, com vários portões fechados. Assim como o tal legado dos megaeventos esportivos: até hoje não há uma rampa de acesso para cadeirantes passarem de um lado da linha do trem para o outro, na estação Engenho de Dentro. Além disso, as longas filas poderiam ser solucionadas com um mínimo de inteligência e investimento! Mas como não estamos na Copa do Mundo... Vale registrar que mandamos o Galo para alguns lugares esquisitos e ofendemos a arbitragem, enquanto não funcionam os mandamentos aprovados e sancionados do Estatuto do Torcedor (vão à m..., Congresso, Senado e Lula!)

            Retornando ao tema mais relevante, saltaremos algumas posições nessa décima terceira rodada e poderemos terminar como o melhor ataque do campeonato até o momento. Mais gols poderiam ter acontecido se o ímpeto permanecesse, mas o time segurou bem o resultado. Enquanto os meninos da Vila se divorciam e o tricolor carioca não tem crises em sua constelação, nossos rapazes de General Severiano ganham entrosamento e mais três pontos. Prosseguir a ascensão tem que ser a tônica das próximas rodadas.

Enfim, hoje, certamente foi um bom presente antecipado, não foi, pai?

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É hora de debutar*

Acordei nesse domingo 1 de agosto com uma sensação de bons fluidos para a Estrela Solitária no Brasileirão. Tal como antes do jogo contra o São Paulo, antes da Copa do Mundo, eram comentados os tabus do Botafogo no Barradão, estádio do time baiano rubro-negro. E contra rubro-negros... Sou mais o Fogão! Já contabilizavam oito jogos e setenta dias desde a última vitória: 3 x 0 contra o Goiás, no Engenhão (eu estava lá...), em que o hermano e o xodó trocaram farpas e foram expulsos (é, há coisas que só acontecem ao Botafogo!).

Na semana que passou, há situações importantes que fornecem novo gás para iniciar uma ascensão nesse campeonato. O retorno de El Loco Abreu para os treinos; a merecida convocação de Jefferson para a Seleção Brasileira(1); e enfim a estréia de nosso Mago Maicossuel. Diferentemente de outras edições recentes, em que nossa confiança no título ou numa vaga na Libertadores era forte, nas quais o Botafogo disparou e foi caindo na tabela, em 2010 a situação aparenta se inverter. Começamos relativamente bem, caímos drasticamente e ontem certamente começamos a nos reerguer.

Depois de jogar com bastante garra mas desperdiçar diversas oportunidades contra o tricolor carioca, garantindo o terceiro empate em seguida, havia dois caminhos possíveis: de um lado, acumular o jejum sem vitórias e permanecer na zona da degola; do outro, trazer três pontos da Bahia, subir posições e ficar invicto há quatro rodadas. Mais complicado que o time misto do Vitória, fora a péssima condição do gramado, que fez o primeiro tempo parecer uma pelada de péssimo nível sendo transmitida em rede nacional.

Herrera não estava em um bom dia e Lucio Flávio será um bom reserva para as próximas rodadas. Joel demonstrou estrela ao retirá-los e lançar Edno e Caio. Como Maicossuel ainda está fora de ritmo, considerava prudente a entrada de Renato Cajá em seu lugar. Não me recordava da contratação dele, mas considero um acerto e que terá chances de ser titular: discreta, mas precisa foi a atuação de Marcelo Mattos. Tal quadro mudou significativamente a postura do time em campo. Não tenho dúvidas do nome do jogo, que não parou de correr um só minuto e demonstrar ousadia, partindo para cima, tentando driblar, arriscando chutes e cruzamentos com as duas pernas: Jobson!

Cercado por três, segurou a bola até fornecer precioso passe para Edno enfim marcar seu gol (porque contra o Fluminense foi de mentirinha). Esse gol nem deu tempo pra comemorar. Em mais uma bobeada do time, cruzamento pela esquerda para cabeceio e gol de empate do Vitória. À tona vieram filmes de empates e viradas já desse Brasileiro (já que há coisas que só acontecem ao Botafogo!), como contra o Corinthians e o Atlético-PR. Mas o Vitória também não teve tempo para comemorar, porque em mais uma tentativa errada – que deu certo – do limitado Marcelo Cordeiro, lá estava ele, o cara do jogo para empurrar para as redes: Jobson! Antes do apito final, ainda teve tempo para Marcelo Mattos realizar um ótimo lançamento para ele, Jobson, driblar e chutar para as redes novamente. Merecida vitória do Fogão! 3 x 1! Ótima atuação e reviravolta de Jobson Leandro Pereira de Oliveira. Comemorações com direito às dancinhas coreografadas, ao estilo garotos da Vila. Também alvinegros, estão ascendendo os rapazes de General Severiano.

Jobson estivera com tudo acertado para estar no Cruzeiro, mas foi suspenso por problemas de doping no final de 2009. Ironias do destino (há coisas que... rs), a negociação com o clube mineiro foi interrompida e Jobson não pôde jogar até 18 de junho. Enquanto era “leiloado” por seus empresários, reclamou com atitude: “Tem horas que fico muito triste, porque ficam me leiloando e eu não sou vaca!”(2). Tal situação constrangedora relatada pelo atacante é cada vez mais rotineira e lucrativa para poucos nas relações mercantis e de propriedade privada dos passes por parte do empresariado, pois nessa sociedade tudo se desumaniza e se transforma em mercadoria (não só as vacas, Jobson!). Em sua entrevista para a página do Botafogo:

“Meu sentimento agora está assim: o Botafogo tem uma estrela solitária e ela está no meu coração também. Fico muito feliz em retornar. Espero voltar com tudo. Tenho uma história no Botafogo, quero dar continuidade, jogar muito bem e ajudar o clube"

“É o recomeço no Botafogo, finalmente estou de volta, mas tenho muito pela frente".(3)

Sim, o primeiro Domingo de agosto tem tudo para ser um marco, um recomeço e apresentar novos dias para o Fogão nesse Campeonato Brasileiro. Continuando dessa maneira, Jobson terá mesmo muito pela frente e poderá fazer companhia a Jefferson com a amarelinha. E pode avançar ainda mais questionando os leilões de jogadores e o futebol a serviço da ordem ao passo que retoma a alegria dos dribles e belas jogadas.

Por fim... Já que falamos em tabus a ser quebrados, eu escolho o meu: faz 15 anos que comemoramos nosso título nessa competição. É hora de debutar!


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985


(1) Já defendia a convocação dele para a Copa do Mundo na África do Sul, mas o técnico era o Dunga... http://alemdotrivial.blogspot.com/2010/05/dunga-e-selecao-ah-nao-deu-burro.html

(2) “Indefinição irrita Jobson: 'Ficam me leiloando, e não sou vaca'”. 10 de junho de 2010. Disponível em http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2010/06/indefinicao-irrita-jobson-ficam-me-leiloando-e-nao-sou-vaca.html

(3) “Com a Estrela Solitária no coração: Jobson comemora retorno para o Botafogo e agradece à torcida alvinegra”. Por Danilo Santos. Disponível em http://bfr.com.br

domingo, 18 de abril de 2010

Na estrada dos Loucos, no peito e na raça!*

Diferentemente da final da Taça Guanabara, dessa vez não estive presente no Maracanã. Com bem menos envolvimento de torcedor, mas com bastante emoção, fiquei pela Cobal do Humaitá para assistir à Final da Taça Rio. Certamente é muito mais interessante para a mídia e para patrocinadores a realização de mais dois jogos para a disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Como o Botafogo vem na seqüência de três vice-campeonatos estaduais, a situação poderia ser diferente esse ano. Além disso, desde 1998 um time não era campeão estadual vencendo os dois turnos, o que me deixou com ainda mais confiança, visto que o Fogão adora romper tabus.

Não sei se todos perceberam, mas hoje a escolha das imagens das câmeras televisivas praticamente boicotou as arquibancadas e a torcida! Será por que havia mais botafoguenses no estádio? Agora vai ter que engolir o Botafogo, capa de jornal e campeão! Outro problema que costuma perseguir o alvinegro em momentos decisivos dessa vez pouco influenciou, até mesmo porque o time não se entregou: a arbitragem marcou corretamente os pênaltis a favor; distribuiu com rigor necessário os cartões amarelos; e expulsou nosso guerreiro hermano depois de bravamente defender nossos interesses! Na minha avaliação, isso foi um erro, pois a motivação foi um pênalti mal marcado a favor da urubuzada.

Apesar de não ter estado lá, hoje a fachada da minha casa esteve assim.

O barrigudinho Joel confirmou sua fama de papa-títulos estaduais. Apesar de não me agradar seu estilo e opções de jogo, o papai Joel estimulou a equipe, que foi zilhões de vezes mais vibrante, raçuda e empolgante que os times – com elencos melhores – de 2007, 2008 e 2009. Pudemos observar isso em cada disputa de bola, em cada velocidade no ataque, em cada esticada de perna para impedir o gol do adversário, mas principalmente na gana e na vontade com que Herrera partiu para cima do juiz, situação que se tivesse ocorrido em 2007 quando Dodô fora expulso, poderia mudar os rumos da piada do chororô.

Jefferson ratificou o acerto de sua contratação para nosso elenco: fez importantes defesas e ensinou ao Bruno como se pega pênalti. A defesa, apesar de fraca, teve garra o tempo inteiro e evitou dois gols quase em cima da linha. Somália, que não conseguia dominar uma bola nos primeiros jogos, superou-se, tal como os anteriormente perseguidos Fahel e Alessandro. Ainda acho que Lucio Flávio é um bom reserva, mas sua saída forçada do time foi benéfica. O ATAQUE MERCOSUL foi outro grande acerto da temporada. Herrera, batendo mal; e El Loco, batendo com uma esplêndida categoria, detonaram o goleiro machista e fanfarrão Bruno! Pelo visto, teremos atacante na Copa do Mundo de 2010, enquanto o Império do Amor se afasta dessa possibilidade. Faltou experiência ao garoto Caio, que poderia nos brindar com uma elasticidade no placar, mas valeu o amuleto supersticioso pois o desempate veio com ele em campo. Apesar de não jogar seu melhor futebol, ele mereceu muito levantar a taça enquanto capitão do time: parabéns, Leandro Guerreiro!

Enquanto isso, a Gávea sofre derrotas em poucos dias, o que fará com que a crise estrutural do sistema flamenguista possa voltar com ainda maior intensidade, tal como a do sistema capitalista. Num jogo, são bi-vices (Taça Rio e Estadual) e já não ganham do Glorioso há quatro meses! Adriano treina e joga quando quer; Bruno ataca o gringo, que foi um dos destaques da campanha do título brasileiro. Petkovic tem dado shows fora do campo: primeiro detonou Ana Maria Braga ao defender a Sérvia na época do regime socialista em rede nacional no canal de televisão apoiador de ditaduras militares, do empresariado e da classe dominante (http://www.youtube.com/watch?v=UHHGZKMwSaI); depois, sem papas nas línguas, falou que o pior do Flamengo são seus dirigentes. Confesso que fiquei fã dele, diferentemente da presidente tucana Patrícia Amorim, que agora lidera o chororô rubro-negro por conta da Taça de Bolinhas. A intensidade da crise pode ser ainda maior se o time das terras de Hugo Chávez não perder por 2 x 0 e o Flamengo ser eliminado na primeira fase da Libertadores na próxima quarta.

Enfim, o Fogão matou dois coelhos com uma tacada, sendo campeão da Taça Rio e já garantindo o campeonato estadual. Nas semifinais dos turnos, despachou o Flamengo e o Fluminense; nas finais, o Vasco e o Flamengo freguês. Desde 2006, portanto, somos campeões de 3 das 5 Taças Guanabara; 3 das 5 Taças Rio; e 2 dos 5 Estaduais. Estivemos em 100% das finais do Rio em 2008, 2009 e 2010: uma significativa e marcante hegemonia nos últimos cinco anos. Nesse domingo 18 de abril, seguimos a estrada dos loucos; com a Estrela Solitária no peito guiando a raça dos jogadores, que mereceram entoar euforicamente: É CAMPEÃO! Agora, depois do repouso e de um jogo para entrega da faixa, é rearticular o time, contratar bons reforços e realizar uma boa pré-temporada para fazer bonito no Campeonato Brasileiro. Afinal, será a única competição do segundo semestre. Nós podemos comemorar e gozar os adversários, pois o Rio começa a semana alvinegro, com as cinzas do Botafogo.

Em General Severiano, hoje à noite, ONDE COMEÇOU A FESTA...

Ô, o meu vice amarelou...
O meu vice amarelou...
O meu vice amarelou...
Cadê o império do amor?

*Gabriel Marques, botafoguense desde 30/05/1985