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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Feliz Dia d@ Professor@

No dia 15 de outubro de 2009, inaugurei este blog para também servir como um espaço de reflexão e socialização de práticas pedagógicas, que preferencialmente caminhem para uma relação entre docentes e estudantes para além do trivial. Hoje, ele completa cinco anos de existência e decidi selecionar algumas imagens desta minha aparentemente curta trajetória como professor de Educação Física de diversas redes públicas. Saudosismos à parte, é muito bacana relembrar nomes, situações, festas, atividades fora da escola, perguntas engraçadas, abraços afetivos, esporros e perceber que a maioria dos estudantes para quem tive a honra de lecionar hoje estão crescid@s e se transformaram em homens e mulheres com potencial para fazer a diferença. 

Após passar como docente pelo Colégio de Aplicação da UFRJ (2008); Colégio Estadual Professor Ubiratan Reis Barbosa (2009/2010) em Nilópolis; Escola Municipal Edilson Vignoli Marins (2009/2010) em Saquarema; Escola Municipal Carlos Magno Legentil de Mattos (2010) em Maricá; Escola Municipal Vereador Pedro Moreira dos Santos e Escola Municipal Maria Teixeira de Paula (2010) em Rio das Ostras; Colégio Municipal Botafogo (2010-2014) em Macaé; Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (2013) na FIOCRUZ; e Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato (2010-2014) na rede do Rio de Janeiro, tenho certeza de que a trajetória possui falhas e sucessos, erros e acertos. Mas vale ressaltar que dedicação e interesse por um melhor futuro para esses estudantes sempre estiveram lado a lado com o planejamento e a intervenção de cada uma das aulas, trabalhando com os conhecimentos da cultura corporal e tentando, apesar de todas as limitações de materiais, de falta de espaço e em alguns casos de apoio institucional, oferecer uma Educação Física diversificada e participar de eventos fora do ambiente escolar e de torneios e campeonatos.

Exatamente neste ano de 2014, rumo para um desafio maior, atuando desde o dia 7 de outubro como professor da Educação Básica, Técnica e Tecnológica no campus Quissamã do Instituto Federal Fluminense e espero que a experiência anterior propicie uma atuação pedagógica cada vez mais consolidada, oferecendo práticas corporais com sentidos e significados positivos para os estudantes. E que, com a abertura do curso de Licenciatura em Educação Física no IFF, eu também possa ajudar a formar futur@s professor@s da nossa área. 

Como não poderia deixar de citar, que nossa categoria caminhe para uma unificação maior, defendendo a Educação Pública e lutando efetivamente para que conquistemos a valorização e a respeitabilidade que merecemos. E isto só conseguiremos garantir com muita mobilização, por meio da ação organizada a partir dos Sindicatos que nos representam, enfrentando patrões e governantes e realizando na práxis o nosso discurso de transformação, demonstrando aos discentes que apenas a Luta muda a Vida! Para mim, para meu pai, minha irmã, minha namorada e demais parentes professor@s, para meus e minhas ex-professor@s e para tod@s meus e minhas colegas da Educação em todo o país, um FELIZ DI@ D@ PROFESSOR@!

Saudações pedagógicas, 
Gabriel Marques.

Estudantes do CAp-UFRJ e Licenciandos da UFRJ (2008)

Turma do 1º ano do Ensino Médio do C. E. Professor Ubiratan Reis Barbosa (2009)

Caminhada até o Morro da Urca com estudantes do 3º ano do Ensino Médio do C. E. P. U. R. B. (2009)

Jogos Cooperativos na turma de 8º ano do Ensino Fundamental da E. M. Edilson Vignoli Marins (2009)

Jogos Cooperativos na turma de 9º ano na E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Turma de 6º ano do Ensino Fundamental da E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Jogos Cooperativos na turma de 9º ano na E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Formatura da turma do 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação da UFRJ (2008)

Ida ao Morro do Pão de Açúcar com o C. M. Botafogo (2011)

Festa surpresa no meu aniversário organizada pelos estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Festa surpresa no meu aniversário organizada pelos estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Visita ao Maracanã com os estudantes do C. M. Botafogo (2011)

Gabriel dos Santos medalhista de ouro no lançamento de disco dos JEEM de Macaé (2011)

Visita guiada ao Morro do Pão de Açúcar com os estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Aula de Esportes Radicais com a turma do 7º ano do Ensino Fundamental da E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Apresentação de Jogos Populares de um dos grupos do 8º ano do Ensino Fundamental da E, M. Maria Teixeira de Paula (2010)

Aulão de Forró na E. M. Ministro Orosimbo Nonato durante Festa da Primavera Folclórica (2011)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Não escolho, fui escolhido! Obrigado, C. M. Botafogo

Acabara de terminar a especialização e cursava ainda as disciplinas do Mestrado em Educação, aguardando para ser chamado para trabalhar no município de Rio das Ostras, quando apareceu o concurso para a rede municipal de Macaé, cidade vizinha. Mais distante ainda do Rio de Janeiro, salário então semelhante ao de Rio das Ostras e sem vontade para fazer nova prova, decidi próximo ao final do prazo me inscrever e garantir mais uma viagem com amigos para prestar o concurso. Um final de semana para socializar com os amigos em Rio das Ostras e papear sobre as questões do concurso, enquanto líamos por alto a Lei Orgânica de Macaé para garantir mais uns pontos importantes na prova. 

Chegou o domingo e parti para o Instituto Federal Fluminense - campus Macaé, onde fiz a prova. Mesmo sem grandes expectativas, após a prova, aguardava ansiosamente o gabarito, que surgiu trazendo um balde de água fria com apenas quatro questões corretas na parte de legislação. Apesar de terem chamado mais de uma centena de professor@s de Educação Física, eram vinte as vagas anunciadas no edital e a quantidade de erros me tiraria das primeiras colocações. Foi então que, após o gabarito inicial, veio outra notícia: todas as questões de legislação anuladas, pois a organizadora do concurso utilizada erroneamente a legislação mais antiga para elaborar as questões, colocando todos os candidatos com as dez questões de legislação corretas. Então eu voltava para as primeiras colocações, confirmando o nono lugar após a prova de títulos. 

Não demoraram para convocar. E colocaram a escolha justamente para um período em que eu participaria pela primeira vez como palestrante do Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física, em Fortaleza. O jeito foi correr para o cartório e assinar a procuração, nomeando meu pai para a escolha da escola onde eu começaria a trabalhar. Já trabalhava às segundas e terças em Rio das Ostras e cursava disciplina do Mestrado às sextas, sobrando as quartas e quintas para a nova instituição. Toda a orientação passada para o meu pai, que, no momento da escolha, ficou sem saber o que fazer. É aí que entra a frase: NÃO ESCOLHO, FUI ESCOLHIDO. Minha colega de período Andrea chegou e apontou: "é pra escolher esse aqui!". A diretora Luiziana já estava por lá buscando convencer novos professores para trabalhar com ela na periferia de Macaé. Quando telefono para o meu pai, a pergunta: "Adivinha o nome do Colégio"? Sem ter a mínima ideia, pois muitas vezes as escolas recebem nomes de pessoas da cidade, a resposta: "Botafogo. Colégio Botafogo, no bairro Botafogo. Foi sua amiga que falou pra escolher lá". 

Ao entrar em exercício, no primeiro dia, calculei que poderia sair às 6h de Rio das Ostras para estar às 7:20 no novo local de trabalho. Ledo engano. Além de não conhecer os atalhos para chegar, o motorista se esqueceu de me avisar para descer no ponto correto; tive que ir até o ponto final e voltar, andar ainda mais e chegar ao Colégio após 9h da manhã, sendo recebido pela então coordenadora de turno Flávia, que garantiu rapidamente minhas seis turmas nas manhãs de quarta e quinta. Logo depois, chegou Douglas, informando que no dia seguinte seria o torneio de futsal e que eu apitaria as partidas com ele. Os informes sobre o Colégio e o bairro eram os mais assustadores, sobre tiroteio, facções, furtos, não poder entrar com camisa vermelha etc. E foi justamente no torneio, no meu primeiro contato com os estudantes, que não pude me intimidar, mostrando que, apesar de aparentar pouca idade e de ser baixinho, precisava me apresentar sem dar brecha para abusos e desrespeitos. Era o dia primeiro de agosto de 2010 e começava ali uma trajetória de dedicação e amor por um Colégio e um bairro onde fui recebido de braços abertos, que ficarão para sempre no coração e na memória deste jovem professor.




Foi desafiador e angustiante trabalhar em um colégio de periferia, situado na denominada CAPITAL NACIONAL DO PETRÓLEO, cujos gestores se preocupam com as imagens externamente, mas não atendem às necessidades básicas da população. Trabalhamos por diversos e longos meses com a quadra passando por obras fictícias, com poucos materiais e até mesmo sob o perigo de sermos atingidos por uma bala diante dos confrontos entre a polícia e o tráfico. Apenas vivenciando no cotidiano essas situações podemos nos aproximar dos empecilhos e dos problemas que nossos estudantes passam em seus trajetos para a casa ou para o trabalho. E a cada catarse de um deles tentar lembrar o porquê das revoltas, o porquê das desobediências, o porquê de não aceitar determinadas "imposições". É difícil, mas o processo não é impossível, e devemos nos colocar ao lado das reivindicações de uma comunidade que clama por saneamento básico, por cultura, por lazer, por Saúde, por Educação... 




Em 2011, conseguimos garantir sessenta gratuidades para que os estudantes vivenciassem o bondinho e conhecessem o Maracanã e os Morros da Urca e do Pão de Açúcar. Apesar de cientes com quatro meses de antecedência, os gestores da SEMED enrolaram o quanto puderam e só viabilizaram o transporte, após muita pressão de nossa parte, na véspera do evento. Foi uma oportunidade incrível e a alegria dos estudantes é indescritível, pois muitos não costumam sair nem do próprio bairro onde residem. Mesmo sem apoio material e com atrasos no transporte, levamos os jovens para os Jogos Estudantis das Escolas Municipais de Atletismo, obtendo medalhas, mas principalmente sendo espaços para vivenciarem a prática esportiva junto a jovens de diversas outras instituições educacionais. Os projetos de Judô e Dança do Colégio também propiciam oportunidades diferenciadas para os estudantes, mas infelizmente é sempre necessário batalhar pela permanência dos mesmos, pois a SEMED e a Prefeitura sempre querem tentar economizar os gastos com quem mais precisa...

Por fim, também foi nesta cidade que pude crescer na defesa da Educação Pública, atuando nas lutas em 2011 que barraram o ataque xenofóbico da SEMED aos professores C e conquistando um Plano de Carreira melhor que o anterior. Em 2012, participei pela primeira vez de uma chapa para a gestão do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação - Núcleo Macaé, obtendo a segunda colocação no pleito e três cadeiras para a gestão 2012-2015 e tornando-me portanto Secretário de Imprensa e Comunicação. Faço um balanço positivo das paralisações e passeatas de 2012 e 2013, do crescimento e da respeitabilidade que o SEPE Macaé tiveram, do retorno da sede, do aumento considerável de filiações e de ter sido o primeiro grupo a denunciar e enfrentar o suposto "Governo da mudança", que permanece garantindo os interesses de poucos na capital nacional do petróleo e mente como o governo anterior ao anunciar que a Educação é a maior riqueza. Infelizmente, com o Doutorado em curso e atuando como docente do IFF em Quissamã, paulatinamente me retirarei do SEPE Macaé, mas estarei por perto acompanhando e apoiando as lutas que hão de vir.




No dia 7 de outubro, solicitei minha exoneração como professor C - Educação Física, do quadro de servidores municipais de Macaé. Todavia, meus laços não serão rompidos, pois a vivência com os colegas lutadores e a alegria de ter deixado alguma marca nas mentes e corações de centenas de crianças e jovens que passaram pelas minhas turmas nesses quatro anos e três meses me deixarão com saudades e pronto a ajudar com o máximo das forças, a defender com unhas e dentes, as lutas que precisamos travar em defesa da Escola Pública. 



À Direção, aos colegas e ex-colegas, aos estudantes e ex-estudantes, pais e responsáveis do Colégio Municipal Botafogo, aos ativistas da rede municipal, aos companheiros do Movimento Sindicalismo Militante, obrigado por compartilharem comigo o conjunto desses momentos vividos na capital nacional do petróleo.

Saudações pedagógicas,
Gabriel Marques.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

XIII Encontro Fluminense de Educação Física Escolar - ENFEFE

Entre os dias 25 e 27 de novembro, ocorrerá a XIII edição do Encontro Fluminense de Educação Física Escolar, no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, em Niterói-RJ. O evento discute importantes temáticas relacionadas à Educação Física enquanto componente curricular da Educação Básica.

Tive a oportunidade de participar das edições de 2005, 2006 e 2008 e considero o espaço como um dos mais importantes eventos nacionais que discutem a Educação Física a partir de sua concepção pedagógica.

Após sua última edição, em 2008, o ENFEFE passou a ter sua periodicidade bienal.
Realizado pelo Instituto de Educação Física, o evento é gratuito e de bastante qualidade. Em 2010, o tema será "Orientações Curriculares do Ensino da Educação Física Escolar na Educação Básica".

As regras para envio de trabalhos, sob os formatos de Comunicação Oral ou Pôster, já estão disponíveis na página do evento. O prazo limite é 17 de outubro. Uma novidade esse ano é a inclusão de mais um espaço de diálogo e troca de experiências: as oficinas.

As inscrições serão feitas pela própria página e há limite para 600 inscritos(as). Mesmo que não consiga se inscrever, vale a pena aparecer em Niterói, curtir a bela paisagem do campus e participar dos espaços que podem contribuir para nossa formação enquanto educadores(as).

Confira as informações no seguinte endereço: http://www.enfefes.uff.br/

quinta-feira, 4 de março de 2010

Proposta Curricular para o Ensino de Educação Física - Saquarema

Em 2008, fiz a prova para professor de Educação Física do município de Saquarema-RJ: 10 vagas divulgadas pelo edital. Como sempre, pelo critério de desempate, mesmo com número de pontos iguais ao do 6º colocado, fiquei na 11ª colocação. A primeira convocação veio apenas no início de 2009. No mesmo ano, mais professsores foram chamados numa segunda convocação e eu tomei posse no município em agosto, atuando na Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Edilson Vignoli Marins.

Por conta da elaboração de um projeto e planejamento na referida escola para lecionar Educação Física no turno da noite e de ter o trabalho comentado e elogiado, a Coordenação do 2º Segmento do Ensino Fundamental entrou em contato comigo no final do ano, solicitando a formulação de uma proposta curricular para a rede municipal. Em breve o documento estará disponível em .doc e .pdf. Por enquanto, compartilho aqui no blog. Tal documento certamente necessita de amplos debates a partir de sua gradativa materialização para que novas formulações possam ser feitas no município e compartilhadas com as demais locaidades.

Gabriel.

PROPOSTA CURRICULAR PARA O ENSINO
DE EDUCAÇÃO FÍSICA

TERCEIRO E QUARTO CICLOS
DO ENSINO FUNDAMENTAL - 6º AO 9º ANOS

SAQUAREMA, 2010



Contextualização


A Educação Física é considerada componente curricular obrigatório da Educação Básica(1) e sua proposta pedagógica deve encontrar-se integrada à proposta da instituição escolar, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9396/96), que também apresenta a necessidade da educação escolar vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Diante desse quadro, apresentamos esse documento ao corpo docente de Educação Física do município de Saquarema a fim de retomar algumas importantes discussões da área e emitir suporte e orientações curriculares para a elaboração dos planos de trabalho, que zelem pela aprendizagem dos alunos e auxiliem na articulação com as famílias e a comunidade (BRASIL, 1996).

Longe de querer moldar as práticas pedagógicas e/ou ferir a autonomia do profissional no que tange à elaboração de seus planos curriculares, consideramos esta uma iniciativa, um pontapé inicial em Saquarema para que nos aproximemos de um eixo comum que sistematize os conteúdos da disciplina ao longo dos quatro anos do terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Estamos certos de que nossa presença na escola pode contribuir de maneira significativa para a formação básica do cidadão, que desenvolva a capacidade de aprender; que compreenda a fundamentação da sociedade em seus valores e aspectos tecnológicos, artísticos, políticos e sociais; e que adquira conhecimentos e habilidades, formando atitudes e valores (BRASIL, 1996).

Importantes iniciativas já foram apresentadas em outras localidades, tanto para a formulação de uma proposta curricular (MINAS GERAIS, 2005a; ARACAJU, 2007; SÃO PAULO, 2008) quanto para elaboração de materiais e livro didático de Educação Física (MINAS GERAIS, 2005b; CURITIBA, 2006; RIO DE JANEIRO, 2006).

A compreensão da cidadania como participação social e política; o posicionamento de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais; o conhecimento de características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais; a valorização da pluralidade sociocultural brasileira; a percepção enquanto integrante e agente transformador do ambiente; o desenvolvimento do conhecimento ajustado sobre si próprio e do sentimento de confiança; o conhecimento do próprio corpo e sua devida valorização; a utilização de diversas linguagens para expressão e comunicação; a sapiência para utilização de diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos; e o questionamento à realidade configuram o escopo de objetivos para os alunos do Ensino Fundamental, objetivos estes orientados por três aspectos fundamentais, a saber: a) princípio da inclusão, realizado por meio da participação e reflexão e no qual se busca a superação do quadro histórico de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais; b) princípio da diversidade, aplicado na construção do processo de ensino aprendizagem e no qual se busca a legitimação de variadas possibilidades de aprendizagem nas dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos; c) categorias de conteúdos, apresentados sob as formas conceitual (fatos, conceitos e princípios), procedimentos (ligados ao fazer) e atitudinal (normas, valores e atitudes) (BRASIL, 1998).

Os objetivos acima explicitados e os aspectos fundamentais contidos nos PCNs estarão imersos no currículo escolar, onde nenhuma disciplina se legitima de maneira isolada, ou seja, cada matéria ou disciplina é considerada como um componente curricular ao passo que seu objeto está articulado aos diversos objetos dos demais componentes do currículo. É necessário que ocorra um

Tratamento articulado do conhecimento sistematizado nas diferentes áreas que permite[a] ao aluno constatar, interpretar, compreender e explicar a realidade social complexa, formulando uma síntese no seu pensamento à medida que vai se apropriando do conhecimento científico universal sistematizado pelas diferentes ciências ou áreas do conhecimento. (...)
A relação entre as matérias enquanto partes e o currículo enquanto todo é uma das referências do conceito de currículo ampliado que propomos. (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 28-29)

Diante desse panorama, fica explícita a importância de construção coletiva de projetos político-pedagógicos nas escolas, com a participação da comunidade escolar, alicerçados sobre uma base material que congregue o trato com o conhecimento, a organização escolar e a normatização escolar. Qualquer proposta curricular feita de forma separada está desafiada por consideráveis limites.

Para consubstanciar a proposta curricular abaixo apresentada, elencamos inicialmente quatro diferentes grupos, contendo cada um deles quatro propostas de conteúdos, que foram divididas entre os quatro anos dos terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Vilaça & Marques (2006) criticam o quadrado mágico formado por futsal, basquetebol, voleibol e handebol enquanto a hegemonia da educação física na escola atualmente vigente, explicitando duas características fundamentais que o desporto acarreta: a pronta e acrítica obediência e internalização de regras estabelecidas por entidades regulamentadoras; e a exclusão e discriminação diante dos aspectos relacionados ao talento e à competição exacerbada. Ademais, pautamo-nos pelo entendimento de que as atividades físicas tematizadas pela Educação Física—Jogo, Ginástica, Lutas, Dança, Capoeira—são mecanismos de linguagem, de comunicação, que carregam sentidos, significados e constituem um acervo, um patrimônio da humanidade. Podem ser observados, compreendidos, executados e aprimorados a partir de dimensões técnicas sem que sejam reduzidos à performance ou a uma abordagem tecnicista (SOARES, 2006). Os objetivos dos conteúdos na escola não devem se basear nos objetivos do esporte, da dança ou da luta profissionais; devem, portanto, oportunizar à totalidade dos estudantes o desenvolvimento de suas potencialidades e seu aperfeiçoamento enquanto seres humanos (BRASIL, 1998). Optamos, portanto, diversificar as propostas curriculares, caminhando ao encontro do que Marques (2009) defende

Não rebaixar a Educação Física ao desportivismo hegemônico que segrega, exclui e ressalta valores individualistas é um desafio, que deve ser complementado pela apresentação de inovações, incorporando elementos da cultura corporal como a Dança, o Folclore, a Capoeira, as Brincadeiras Populares e contextualizando nossas práticas à realidade cruel da sociedade em que vivemos, para que possamos questionar e acumular forças rumo à construção de novas relações. Para construir o diferente, a obtenção e a conquista de respeitabilidade e a participação discente são essenciais, que, somados ao prazer, à alegria, à satisfação, podem facilitar o alcance de objetivos que hoje nos aparentam ser árduos (p. 1)

Os grupos foram os seguintes: a) Jogos – Jogos Populares; Grandes Jogos; Jogos cooperativos; e Jogos de rebater e de tabuleiro; b) Esportes – Esportes coletivos com bola (duplicado); Esportes de aventura; Esportes aquáticos/de praia; c) Lutas, Atletismo e Ginásticas – Ginástica; Capoeira; Atletismo; e Lutas; d) Atividades rítmicas e expressivas e conhecimentos sobre o corpo – Corpo e Sociedade; Folcore; Dança, ritmo e movimento; e Expressão e Comunicação Corporal. Sugerimos também que o conjunto das aulas garanta as discussões sobre aspectos sociais, históricos e culturais de cada um dos conteúdos assim como outras atividades possam ser concomitantemente praticadas, como piques, alongamentos, utilização de filmes e até mesmo confecção coletiva dos materiais necessários a partir de recicláveis e/ou outras matérias-primas.

Em relação à avaliação, consideramos interessante que a mesma seja composta por instrumentos diversos, como trabalhos em grupo, provas, relatórios, fichas de observação etc., que se relacionem aos objetivos indicados, se distanciem de mecanismos de pressão ou castigo e possam fornecer um panorama sobre os caminhos da proposta curricular realizada, ou seja, que gere elementos para aprimorarmos nossas práticas pedagógicas e contribuir de maneira significativa para o crescimento dos estudantes. Darido & Rangel (2005) apresentam interessantes e breves questões sobre o processo de avaliação bem como os conteúdos sob as dimensões conceitual, atitudinal e procedimental. A própria LDB apresenta a necessidade de que a avaliação seja contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos sobre os quantitativos e os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais (BRASIL, 1996). Os estudantes devem estar cientes de como serão avaliados e podem participar da elaboração de alguns dos instrumentos, algo que pode fazer parte do próprio processo contínuo de diagnóstico da situação.



Proposta Curricular(2)


6º ano / Fase VI

Temas transversais prioritários: Ética e Meio Ambiente

6.1 → Jogos Populares

• Amarelinha

• Pique-bandeira

• Queimado

• Bola de gude

• Pipa

• Pião

• Boliche


6.2 → Esportes com bola

• Futsal

• Voleibol

• Basquetebol

• Handebol

• Futebol

• Rugby

• Corfebol

• Hóquei


6.3 → Ginástica

• Rolamentos

• Avião

• Vela

• Ponte

• Equilíbrio

• Pirâmide humana

• Paradas com apoio

• Estrela


6.4 → Expressão e Comunicação Corporal

• Reflexo

• Mímica

• Memória

• Criatividade

• Coordenação motora

• Elementos do circo e do teatro

• Raciocínio

• Lógica

• Yoga



7º ano / Fase VII


Temas transversais prioritários: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual


7.1 → Grandes Jogos

• Totó Humano

• Jogo dos cones

• Arremessobol

• Goleirobol


7.2 → Esportes de aventura

• Skate

• Patins

• Ciclismo

• Surfe

• Escalada

• Parkour


7.3 → Atletismo

• Saltos

• Corridas de curta e longa distância

• Arremessos

• Corrida de orientação


7.4 → Folclore

• Danças e personagens folclóricos

• Carnaval

• Tradições



8º ano / Fase VIII


Tema transversal prioritário: Saúde


8.1 → Jogos de rebater e de tabuleiro

• Tênis

• Tênis de mesa

• Peteca

• Badminton

• Basebol

• Taco

• Xadrez

• Damas

• Peteleco


8.2 → Esportes com bola

• Futsal

• Voleibol

• Basquetebol

• Handebol

• Futebol

• Rugby

• Corfebol

• Hóquei


8.3 → Lutas

• Esgrima

• Judô

• Karatê

• Boxe

• Taekwondo


8.4 → Dança, ritmo e movimento

• Coreografias

• Alongamentos

• Samba

• Forró

• Frevo

• Bambolês

• Dança da laranja


9º ano / Fase VIII


Tema transversal prioritário: Trabalho e Consumo


9.1 → Jogos cooperativos

• Passeio do bambolê

• Nó humano

• Lápis na garrafa

• Engrenagem humana

• João confiança


9.2 → Esportes aquáticos/de praia

• Natação

• Pólo aquático

• Nado sincronizado

• Vela

• Canoagem

• Remo

• Surfe

• Mergulho

• Voleibol de praia

• Futebol de areia

• Handebol de praia


9.3 → Capoeira

• Movimentos de ataque e defesa

• Roda

• Ladainha

• Instrumentos

• Maculelê


9.4 → Corpo e Sociedade

• Competição X cooperação

• Inclusão X exclusão

• Gênero e sexualidade

• Massagem e relaxamento

• Sentidos do corpo

• Lazer


(1) Vale mencionar seu aspecto facultativo ao aluno que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; maior de trinta anos de idade; que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; portador de afecções congênitas ou adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, determinando distúrbios agudos ou agudizados; que tenha prole.

(2) A proposta curricular é também direcionada para a modalidade de Ensino de Jovens e Adultos, ou seja, consideramos as fases equivalentes aos respectivos períodos do Ensino Fundamental. Em cada um dos períodos, estão contidas sugestões gerais de conteúdos, que podem ser divididos nos bimestres, de acordo com a realidade da turma. Os temas transversais devem ser trabalhados de maneira correlata aos conteúdos da disciplina, buscando um diálogo com as demais disciplinas para articulação de projetos e atividades conjuntas.

REFERÊNCIAS

ARACAJU. Proposta Curricular de Educação Física. Departamento de Educação Física. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação: 2007.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Educação Física. 1998a.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Temas Transversais. 1998b.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos. Campinas, SP: Papirus, 2006.

CURITIBA. Educação Física. 2 ed. Curitiba, Secretaria de Estado de Educação, 2006.

DARIDO, Suraya Cristina & RANGEL, Irene Conceição Andrade. Educação Física na Escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

MARQUES, Gabriel Rodrigues Daumas. Educação Física na escola pública: entre os ditames da ordem vigente e as possibilidades de resistência. Lecturas, Buenos Aires, v. 14, n. 138, nov. 2009.

MINAS GERAIS. Proposta Curricular: Educação Física. Ensinos Fundamental e Médio. CBC. Minas Gerais: Secretaria de Estado de Educação, 2005a.

______. Roteiro de Atividades. Educação Física. Ensino Fundamental. Minas Gerais: Secretaria de Estado de Educação, 2005b.

RIO DE JANEIRO. Reorientação Curricular: Educação Física. Materiais didáticos. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado de Educação, 2006.

SÃO PAULO. Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Educação Física. São Paulo: Secretaria de Estado de Educação, 2008.

SOARES, Carmen Lúcia. Educação Física Escolar: conhecimento e especificidade. Revista Paulista de Ed. Física, supl. 2, p. 6-12, 1996.

VILAÇA, Murilo Mariano; MARQUES, Gabriel Rodrigues Daumas. Educação Física desportivista: considerações críticas à prática, predominantemente vigente, de Educação Física escolar. In: ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, 10., 2006, Niterói. Lazer e Educação Física escolar. Anais... Niterói: Departamento de Educação Física e Desportos, Universidade Federal Fluminense, 2006.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Turma 3001 do CEPURB na Trilha da Urca

Depois de dois meses de perturbação e insistência, conseguimos viabilizar o transporte para a atividade de Educação Física da turma 3001 do C. E. Professor Ubiratan Reis Barbosa, que ocorreu nesta quinta-feira, 17 de dezembro, na Trilha da Urca, no Rio de Janeiro. Dez alunos e a Professora Daisy participaram.


A Trilha da Urca faz parte da Mata Atlântica conservada na Zona Sul da cidade carioca. Seu acesso ocorre pela Pista Claudio Coutinho e sua duração de aproximadamente 40 minutos em ritmo lento leva até os 220 metros de altitude do Morro da Urca, de onde podemos visualizar belas paisagens, como a Enseada de Botafogo, o Aterro do Flamengo, a Praia Vermelha, a Ponte Rio-Niterói, o Morro do Pão de Açúcar, dentre outras. Podemos encontrar diferentes espécies da flaura e da fauna, respirar um ar purificado e vivenciar uma agradável caminhada nesse interessante ponto geográfico. Importante dica é que após às 19h, pode-se descer gratuitamente por meio do teleférico (Bondinho)!







Mesmo exaustos(as) e desgastados(as), essa atividade pedagógica foi bastante prazerosa e valeu a manhã de quinta-feira, que terminou com cachorro-quente e água de coco antes de voltarmos para Nilópolis. Uma pena não termos contado com todos(as) os(as) alunos(as) da turma, mas outras oportunidades virão. E certamente finalizamos o ano letivo com chave de ouro depois desses 6 meses de convivência. Boa sorte na continuidade dos estudos para a turma que em breve finaliza o Ensino Médio e ruma para novas etapas da vida! Que floresçam as chamas de indignação perante as injustiças e estejam sempre vivos e ativos em suas mentes, corações, transitando pelo sangue o poder da transformação!





Compartilho abaixo o Pré-Projeto enviado para a Direção do Colégio.


Colégio Estadual Professor Ubiratan Reis Barbosa
Nilópolis, 12 de novembro de 2009
Educação Física. Professor Gabriel Marques
Pré-Projeto para atividade externa. Turma 3001


Os estudantes da turma 3001 têm trabalhado a temática Corpo e Sociedade na disciplina Educação Física desde o mês de julho. Diversos assuntos e práticas corporais têm sido desenvolvidos ao longo de nossas aulas. Consideramos que o processo de ensino-aprendizagem pode ser assegurado não apenas em qualquer espaço da instituição educacional, como também podemos transportar seus sujeitos para outras localidades, em atividades externas que coadunem com a proposta político-pedagógica. Além disso, alguns dos alunos estão às vésperas de terminar o Ensino Médio e participarão de processos avaliativos como o Exame Nacional do Ensino Médio e concursos de seleção para o Ensino Superior em instituições públicas e particulares, sendo pertinente que desenvolvam e assimilem aspectos históricos, culturais, políticos e sociais para sua formação, integrando os conhecimentos de maneira interdisciplinar.

A partir dessa caracterização, vimos por meio deste pré-projeto solicitar à Direção do Colégio a disponibilização de recursos financeiros e materiais(1) que viabilizem a ida e o retorno ao bairro da Urca, por meio de transporte coletivo (ônibus ou vans), de aproximadamente vinte e cinco estudantes da turma 3.001 e pelo menos três profissionais da Educação(2). Temos como propósito oportunizar a vivência de uma caminhada ao Morro da Urca, iniciada com uma sessão de alongamento e aquecimento na Praia Vermelha. O acesso à trilha se dá pela pista Cláudio Coutinho e a chegada aos 220 metros de altitude do Morro dura cerca de 30 a 40 minutos. Acreditamos que a atividade externa propiciará o desenvolvimento de conhecimentos interdisciplinares, haja vista que:

 Estaremos em uma importante região da Mata Atlântica, conservada na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde podem ser integradas questões de Biologia, Geografia, Geologia, Botânica, História etc.;

 O deslocamento do bondinho entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca e entre o Morro da Urca e o Morro do Pão de Açúcar materializa conhecimentos de Física e Matemática, como roldanas, deslocamento, movimento etc.

 A região atrai diversos turistas de variadas regiões do planeta, onde podem ser utilizadas línguas estrangeiras, como espanhol e inglês;

 As fotografias a partir da vista panorâmica podem gerar discussões artísticas;

 O alongamento, a caminhada, a preservação da natureza, o contato do corpo com a natureza, a importância de estar bem alimentado e de ingerir líquidos, a utilização de filtro solar, dentre outras questões, farão parte de nossa manhã.

Nossa intenção é realizar a atividade externa numa quinta-feira (26 de novembro; 3 ou 10 de dezembro).

Nossa proposta de cronograma é dividida em:

 Ponto de encontro: 6:50, na porta do CEPURB
 Saída do ônibus: no máximo às 7:30
 Desembarque na Praia Vermelha: por volta de 8:20
 Orientações gerais, alongamento e aquecimento: 8:30 às 8:50
 Caminhada pela Pista Cláudio Coutinho: 8:50 às 9h
 Subida até o Morro da Urca: 9h às 9:40
 Lanche coletivo(3) e observação panorâmica da cidade do Rio de Janeiro: 9:40 às 10:30
 Descida e caminhada até o local de estacionamento do ônibus: 10:30 às 11:20
 Previsão de retorno para o CEPURB: 12:10

Por fim, seria interessante que fôssemos até o Morro do Pão de Açúcar, atividade gratuita para instituições públicas de ensino. Porém, a reserva precisa ser realizada no início do ano e para 2009 não há mais vagas(4). É nosso anseio organizar para garantir com maior qualidade essa atividade em 2010. Solicitamos, encarecidamente, à Direção, que viabilize as condições para que possamos materializar esse projeto inicial.

Atenciosamente,

Professor Gabriel Marques.


(1) Os recursos necessários serão destinados ao aluguel do transporte coletivo e pagamento de dois bilhetes para subida e descida ao Morro da Urca, visto que uma das alunas da turma se encontra impossibilitada de realizar a caminhada e será necessário o acompanhamento da mesma por um profissional do Colégio.


(2) Já foi mencionada com alguns professores do Colégio a possibilidade de realizarmos essa atividade ainda no ano de 2009.

(3) O lanche será levado pelos próprios estudantes para realizarmos um piquenique coletivo e garantirmos as condições para não sujar o ambiente.


(4) Estive pessoalmente na administração responsável pelo Bondinho para estudar as possibilidades de nossa atividade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Monografia defendida e aprovada

Na última sexta-feira, 11 de dezembro de 2009, ocorreu a defesa de minha monografia de conclusão do curso de especialização em Educação Física Escolar (CESPEB-UFRJ), com o título História e Historiografia da Educação do Corpo e do Ensino de Educação Física, na Faculdade de Educação da UFRJ. Foi um excelente preparativo para a defesa da dissertação de Mestrado, que almejo que ocorra no próximo ano. A monografia foi aprovada pela banca, com nota 10. Agora é só entregar a versão final e referendar o título de Especialista em Educação Física Escolar pela UFRJ. Agradeço às mensagens de apoio e aos que puderam participar presencialmente. Em breve disponibilizarei por aqui o link para download da versão completa do trabalho.














sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Defesa de Monografia na próxima sexta

CONVITE PARA DEFESA DE MINHA MONOGRAFIA

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Curso de Especialização Saberes e Práticas da Educação Básica
Educação Física Escolar

Título
História e Historiografia da Educação do Corpo e do Ensino de Educação Física

Autor
Professor Gabriel Rodrigues Daumas Marques

Orientador
Prof. Dr. Marcos Antônio Carneiro da Silva

Banca
Prof. Dr. Marcos Antônio Carneiro da Silva (FE-UFRJ)
Prof.ª Dr.ª Irma Rizzini (FE-UFRJ)
Prof. Dr. José Jairo Vieira (FE-UFRJ)

Data, Horário e Local
Sexta-feira, 11/12/2009, às 17h, na Sala de Vídeo
(2º andar da Faculdade de Educação da UFRJ, campus Praia Vermelha)

Resumo
O trabalho discorre sobre a produção teórica acerca da história da Educação Física, cujo ingresso e consolidação nos programas escolares é marcado por influências diversas, como o militarismo, o higienismo e/ou o desportivismo. A partir da busca das expressões Educação do Corpo, Educação Physica, Gymnastica, História da Educação Física Escolar e História da Educação Física, foram encontradas, por meio do Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 25 teses e 90 dissertações produzidas em Programas de Pós-Graduação de diferentes áreas e localidades do país entre os anos de 1994 e 2008. Referenciado teoricamente pelas contribuições do campo da História da Educação, nosso objetivo é investigar, por meio dos resumos, o universo dessa produção histórica e historiográfica, analisando mais detalhadamente os trabalhos pautados na Educação do Corpo e/ou no ensino de Educação Physica ou Gymnastica em instituições educacionais e/ou legislações de ensino, durante o período republicano no Brasil. Após essa significativa revisão de literatura, somada à articulação da obra de importantes autores do campo, percebemos que há muito que avançar na pesquisa sobre a história disciplinar da Educação Física.

Dedicatória

A meus avós Moacyr, Teresa e Dulce
A meus pais Mario e Talita
Á companheira Vanessa, a minha irmã Priscilla e todos os demais familiares
Que, ao longo desses 24 anos, contribuíram para minha formação
E estiveram presentes nas conquistas pessoais, acadêmicas, profissionais e políticas


Aos companheiros e companheiras de militância,
Principalmente do Coletivo Marxista e do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa,
Que combativamente direcionam suas forças e suas vidas
Para possibilitar a efetiva transformação da sociedade em que vivemos


Guiado por grandes sentimentos de amor, dedico.


Agradecimentos

A conclusão desse curso de especialização, ao final de 2009, certamente significa uma importante vitória e superação acadêmica, política e profissional.

Para ingressar no Curso de Especialização Saberes e Práticas da Educação Básica, o requisito era atuar na rede pública de ensino, uma coerente opção política da coordenação. Durante o processo seletivo, em 2008, atuava como professor contratado ao Setor Curricular de Educação Física do Colégio de Aplicação da UFRJ, instituição organizadora do curso conjuntamente com a Faculdade de Educação da UFRJ. A aula inaugural do CESPEB, em 3 de setembro de 2008, paradoxalmente acontece num dos dias em que mais sofri nesses 24 anos de vida. Entre 12 e 13h daquele dia, ocorrera a reunião do Setor de Educação Física do CAp, na qual fui cobrado e questionado por cinco professores – efetivos do colégio – pelo fato de minha assinatura eletrônica conter referência a meu cargo como Professor Ed. Física do CAp-UFRJ e ter sido veiculada por meio de listas eletrônicas após profundas críticas e posicionamentos contra o Plano Diretor da UFRJ, projeto que materializava o REUNI e o sucatemanto da Educação Superior promovido pelo Governo Lula/PT e implementado pela Reitoria de Aloísio Teixeira. A situação de constrangimento e pressão política sofrida impulsionou horas de choro e caminhada, solitariamente, pelas ruas da Lagoa e do Jardim Botânico, antes de me dirigir para a aula inaugural, no campus da Praia Vermelha.

No dia 4 de novembro, a prática arbitrária de coerção e retaliação foi confirmada. Apesar do desenvolvimento de uma excelente relação profissional com professores de outras áreas, funcionários, alunos, pais e responsáveis, licenciandos e professores da Prática de Ensino; da apresentação e implementação de um trabalho crítico e criativo como eixo norteador do Planejamento Pedagógico; da assiduidade e pontualidade e da participação ativa no cotidiano do Colégio – reuniões, conselhos de classe, Olimpíadas CApianas, Semana de Arte, Ciência e Cultura etc., depois de mais de 1 mês da decisão ter sido tomada, fui informado pelo Chefe do Setor que meu contrato não seria renovado para 2009, em virtude, segundo ele, de não me encaixar no perfil docente que o Setor desejava, decisão unânime dentre os professores do mesmo. Nenhum motivo ou argumento político, administrativo, pedagógico foi apresentado. As batalhas travadas política e institucionalmente nas semanas seguintes me desgastaram e desanimaram em diversas oportunidades, chegando a mencionar a possibilidade de me desligar do CESPEB, após ser classificado como péssimo profissional, nazista e moleque pela Direção do Colégio. No ano em que o CAp-UFRJ comemorava seus 60 anos de existência, tais atitudes destoam de sua referência para a Educação Pública e tentam desqualificar um professor recém-formado e com bastante disposição, energia, esperança e vigor.

O quadro acima demonstrou que, apesar de atuar na militância política desde 2000, o quanto é duro e difícil lidar com uma situação de perseguição política. Entretanto, após o resumido resgate dessa história, urge que agradeça o total, irrestrito, combativo e confortante apoio protagonizado por meus familiares e meus e minhas camaradas de militância, que posso considerar como duas grandes famílias. O presente trabalho é dedicado a eles e a elas justamente porque foi a partir de seu apoio que juntei forças para superar as noites mal dormidas e as lágrimas que escorriam ao recordar os embates diários. Ficam registrados meus agradecimentos a essas famílias, que se preocupam, discutem, orientam, mas principalmente se situam sempre ao meu lado, fornecendo os alicerces materiais, emocionais e políticos, que tanto contribuíram para minha formação humana.

Agradeço também:

Aos meus ex-alunos do Colégio de Aplicação da UFRJ, das turmas 13B, 14A, 14B, 15A e 15B, com quem convivi e aprendi demasiadamente durante o meu primeiro ano (2008) lecionando como professor de Educação Física.

Aos Licenciandos em Educação Física da UFRJ, que realizaram suas Práticas de Ensino Supervisionado nas tardes ensolaradas de terças e quintas no CAp-UFRJ, inovando e aprimorando nossas aulas.

Aos companheiros e companheiras de diversas gestões do Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da UFRJ, que, desde 2003, fazem parte de meu ciclo de amizades, desenvolvendo relações sólidas de confiança, companheirismo e combatividade em defesa da Educação Pública e da transformação da sociedade, especialmente Cláudio, Brunão, Bruno G., Bruno Rodolfo, Bruninho, Murilo, Cinthia, Ian, Marcello, Luiz Carlos, Daniel, Vivian, Thiago, Gustavo e Elielsom. A Vera, Leila e Carlos, pela imensa contribuição e consolidação de meus conhecimentos marxistas. A Leonardo, Adolpho, Ludmila, Vinícius, Paulo Tiago, valorosos(as) companheiros(as).

Aos(às) signatários(as) da moção de repúdio à perseguição política no CAp-UFRJ, defendendo a renovação de meu contrato. A Ricardo Kubrusly, José Simões, Cinda, Ronaldo, Janete, José Henrique, Cleusa, Regina, Lucia, Leandro, Kátia, Eduardo, Dianne, docentes da UFRJ, pelo apoio político. A Themis, Adriana, Roberto, Luis Sergio, Jonas, Hajime, André, Waldyr, combativos(as) professores(as) de Educação Física, pelo apoio político.

Ao orientador da monografia e coordenador do curso de Educação Física Escolar Marcos Antônio Carneiro Silva e à coordenadora geral Maria Luíza Rocha, docentes sempre presentes e em quem podemos perceber o envolvimento para garantir a qualidade do curso bem como a sua continuidade pública e gratuita. Aos demais professores do curso, pelas aulas e discussões, em especial às Professoras Regina Celi e Lilia Pougy.

Aos demais componentes da Banca Examinadora, professores José Jairo Vieira e Irma Rizzini.

Aos colegas de turma, pelas animadas e envolventes aulas das noites de segundas e quartas e manhãs e tardes de sábados.