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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Furtaram a cereja do bolo*


Talvez devido ao recesso, talvez devido à ansiedade por uma das estreias mais cobiçadas dos últimos tempos, talvez até mesmo por conta de estar junto a dezenas de milhares de corajosos e corajosas que se despencam de várias partes do Rio de Janeiro ou de fora de nosso Estado para torcer pelo clube de General Severiano, nunca senti passar tão devagar o tempo entre um jogo de quarta-feira e um de Domingo pelo Campeonato Brasileiro. E na Cidade Maravilhosa o Domingo nasceu formidável, daqueles em que as nuves aparecem apenas para fornecer o contraste em azul e branco com o céu, daqueles em que o Sol nos contempla sua aparição e seu calor em pleno inverno, daqueles em que certos tricolores – que só possuem o por do Sol para vislumbrar às margens do Rio Guaíba – invadem nossas belas praias e demais cartões postais. Escolhendo uma trilha no Morro da Urca como aquecimento para o jogo da noite, a cada botafoguense que passava pelas ruas, era notória a auto-estima por vestir esta camisa Gloriosa.

            Infelizmente, nem tudo foi perfeito. Volto a registrar o quanto é complicada essa avalanche de holofotes sobre o brilho da Estrela Solitária. Nós temos brilho próprio, incandescente, deslumbrante, que se sobressai sem querer humilhar ninguém. E foi justamente nesta escolha de nossa solitária constelação que acabamos ofuscados pelos tricolores gaúchos, que furtaram a cereja de nosso bolo e nós só pudemos perceber ao final dos noventa minutos.

Numa boa, não podemos levar gol daquele bonde do Marcelo Moreno! Não conseguiu dominar uma bola o jogo inteiro, mas acertou a finalização em cheio para o fundo das redes de Jefferson. Apesar do (novo) vacilo de nosso sistema defensivo, não preciso nem dizer que sua trombada fora falta, ignorada pela arbitragem, assim como um pênalti cometido pelo Gilberto Silva em cima do Elkeson. E não é que Fellype Gabriel mais uma vez acertou o travessão!? E o Leo Gago salvou em cima da linha o que seria nosso gol de pelo menos empate. Enfim, o segundo tempo foi digno de aplausos pela dedicação, mas são necessárias as críticas pelo afobamento, por equívocos táticos e pela morosidade em alguns momentos, principalmente no primeiro tempo.

            A vitória foi injusta? Obviamente. Era possível revertermos? Mais óbvio ainda. O que faltou para isso? É aí que entram os papeis da comissão técnica e da organização da equipe. Quando o Botafogo mais pressionou? Quando tinha pelo menos dois atacantes em campo! Não dá mais para nos resignarmos com esse esquema 4-6-0, Oswaldo! O único atacante em campo voltando para ajudar a marcar na defesa e buscar jogo!? Já chega! Andrézinho tem sido o melhor em campo nessa transição da defesa para o ataque, enquanto Vitor Junior caiu demasiadamente de produção e o Fellype Gabriel ainda está buscando ritmo de jogo. É preciso reconhecer: erraste na escalação inicial, treinador! Foi acertada a estreia do Seedorf por conta do bom momento vivido pelo marketing e pela euforia da torcida. Nosso surinameso estreou discretamente, mas seus bons passes e sua visão de jogo apontam que melhorias virão. Jefferson fechou o gol no primeiro tempo; Márcio Azevedo não estava numa boa noite; Elkeson continua atabalhoado; e o Rafael Marques entrou melhor ontem.

            Para não dizer que não falei da festa... A festa foi bem menos espalhafatosa que a apresentação. Será que faltou glamour? Não houve fogos, não houve chuva de papel, mas houve um estádio com a presença de mais de 34.000 pessoas, que cantaram, aplaudiram, vibraram e incentivaram. Oswaldo agora precisa morder a língua. O tal fator campo estava lá e o time não correspondeu com os três pontos. Nos minutos finais, a torcida impulsionava os avanços do time e entoava o Hino do nosso Botafogo. O árbitro soou o apito final e a galera ecoou que ninguém cala o nosso amor, mesmo com a amarga derrota. Faltou humildade ao treinador para não debochar no início do jogo ao afirmar que “era a primeira vez que via (o estádio cheio) assim”. Seriam tarefas uma retratação pelas infelizes declarações anteriores e um agradecimento público à presença e ao incentivo daqueles e daquelas que pagaram exagerados e absurdos R$60 para ver seu time dentro de um estádio construído com recursos públicos que ontem não oferecera sequer água para lavarmos as mãos no banheiro!

            Antes do jogo, estive com a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado em defesa da mudança do nome de nosso Estádio. Queremos no telão: SUDERJ informa: sai o tricolor, elitista e corrupto João Havelange, entra o botafoguense, comunista e sacado do comando da Seleção Brasileira pela Ditadura Militar João Saldanha! Complementando as ações da semana rumo à construção de uma nova sociedade, é tempo de convocar a torcida alvinegra para quinta-feira que vem lotarmos o HEMORIO para doarmos sangue. De 9h às 17h do dia 26 de julho, o evento ESTRELA SOLIDÁRIA acontecerá. Já doei umas seis ou sete vezes e marcarei presença desta vez. Pessoal, doar sangue não dói, salva vidas e ainda se ganha um lanchinho gostoso ao final! ;)

            Para doar, bebam Toddynho ao invés de se esbaldar nas bebidas alcoólicas na noite anterior, pois quarta é dia de voltarmos ao Saldanhão com nossa Estrela no peito para cantar e apoiar o Fogão. É clássico, é jogo de disputa na parte de cima da tabela. É só falarmos que é decisão, que os bacalhaus tremem diante do espectro do Manequinho! Pra cima deles, Fogão!

Mais informações sobre a doação de sangue na próxima quinta-feira: http://www.bfr.com.br/oclube/noticias/clube+convoca+torcida+para+mutirao+de+doacao+de+sangue+no+hemorio.asp

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Lançamento Internacional de MEU LIVRO DO FOGÃO




No dia 29 de janeiro de 2012, em Colonia Caroya, cidade que pertence à Província de Córdoba,, na Argentina, ocorreu o lançamento internacional do livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" como parte da programação da I Copa América Alternativa de Futebol. O autor e integrante da equipe Pelada da Esquerda Gabriel Marques realizou uma breve explanação em "portunhol" após os participantes, de diversas partes do mundo, entoarem o hino do Botafogo de Futebol e Regatas.

Segue abaixo o texto que saiu na Revista Digital sobre o evento, em português e em espanhol.
Para ter acesso à Edição Digital da Revista Hombre Nuevo, acesse o link: http://issuu.com/colectivohombrenuevo/docs/edicion_especial_caa2012 

MEU LIVRO DO FOGÃO é uma parceria entre a Editora Livros Ilimitados e o Botafogo de Futebol e Regatas, um projeto revolucionário que visa à publicação de livros escritos por torcedores. Durante 2010, foram publicados diversos textos após os jogos do Glorioso no blog Além do Trivial, que formaram a coletânea que compõe o primeiro livro publicado pelo projeto: “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, título vencedor da enquete promovida no próprio blog. O livro contém trinta crônicas, que não apenas analisam as questões táticas e técnicas dos jogos, mas também relacionam as iniciativas e a história do clube, o papel da torcida e a paixão pelo Futebol a temas gerais da Sociedade, como cultura, educação, política e economia.
                Ao utilizar uma linguagem descontraída, o livro tem como um dos objetivos realizar as necessárias críticas às situações absurdas que têm ocorrido principalmente no Brasil utilizando o Futebol como pano de fundo. Sede de diversos megaeventos esportivos, estádios são construídos com milionários recursos públicos e transferidos em seguida para a iniciativa privada lucrar enquanto ocorre arrocho salarial e direitos historicamente conquistados são retirados dos trabalhadores; famílias são removidas violenta e compulsoriamente de suas comunidades para que obras de reorganização do espaço urbano aconteçam e enriqueçam os empreiteiros; os meios de transporte púbicos encontram-se cada vez mais precarizados; os horários se submetem aos interesses da televisão, estimulando a lógica individualista de cada um assistir aos jogos em sua casa; os preços dos ingressos são elevados etc. Todas estas condições dificultam o acesso da torcida aos jogos. Enquanto isso, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, há diversos anos ditando os rumos do Futebol no Brasil, prossegue sua atuação antidemocrática, mesmo com diversas denúncias de corrupção. Vale registrar que em 2010 foi criada a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras (ANT), que tem realizado ações de Luta contra a Elitização do Futebol Brasileiro, construindo um abaixo-assinado para que o ditador da CBF seja investigado e defendendo a democratização do Futebol.
                Na visão do autor de “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, como professor de Educação Física e membro da ANT, o Futebol, como um fenômeno social, pode e deve contribuir para a formação de uma juventude crítica, leitora e apaixonada. O Glorioso Botafogo, clube de referência e história nos cenários brasileiro e mundial, possui importante papel de vanguarda nesta tarefa de incentivar as relações entre a Literatura e este Esporte conhecido e praticado mundialmente. Após diversas atividades de lançamento e divulgação, em programas de rádio e eventos no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Brasília, ocorreu no dia 29 de janeiro de 2012 o lançamento internacional do livro, em Colonia Caroya, no distrito de Córdoba-ARG, durante a I Copa América Alternativa de Futebol.
                A oportunidade em vivenciar como jogador a I CAA e praticar um Futebol alheio aos fins mercadológicos e competitivistas vão ao encontro das concepções expressas pelo autor acerca do Esporte. O autor tem como anseio que o conteúdo do livro apresente debates para Além do Trivial e que nossas ações cotidianas apontem para a perspectiva de construção de um novo ser humano, em uma Sociedade para Além do Capital. Hasta la victoria siempre!



MEU LIVRO DO FOGÃO es una asociación entre la Editora Livros Ilimitados y el Botafogo de Futebol e Regatas, un proyecto revolucionario que visa a publicación de libros escribidos por los hinchas. Durante 2010, se han publicado diversos textos después de los juegos Del Glorioso em el blog Além do Trivial, que se formó la coletanea que compone el primero libro publicado por el proyecto: “Botafogo, uma passión allá del trivial”, título ganador de la encuesta patrocinada por el blog. El libro contiene treinta crónicas, que no sólo analizan las cuestiones tácticas y técnicas de los juegos, pero también interactúan las iniciativas y la historia del club, el papel de los hinchas e la pasión por el fútbol a los temas generales de la sociedad, como la cultura, educación, política y la economía.
Por medio de la utilización de una lenguaje diferenciado, el libro tiene como uno de los objetivos hacer la crítica necesaria a las situaciones absurdas que se ha producido principalmente en Brazil haciendo uso del fútbol como fondo. El hogar donde hay muchos megaeventos desportivos, los estadios se construyen con millonarios recursos públicos y transferidos entonces para el beneficio privado mientras que se produce compresión de los salarios y se toman los derechos históricamente ganados de los trabajadores; familias son retiradas de modo violento y obligatorio de sus comunidades para obras de reorganización del espacio urbano se sucedan y enriquezcan contratistas; los medios de lo transporte público son cada vez más precarios; los horarios obedecen los intereses de la televisión fomentando la lógica individualista de asistir juegos solo en su casa; los precios de las entradas son altos etc. Mientras tanto el presidente de la Confederación Brasileña de Fútbol (CBF) Ricardo Teixeira, hay muchos anos dictando el rumo del fútbol en Brazil, continúa con sus acciones antidemocráticas, mismo con diversas de corrupción. Vale la pena destacar que en lo ano de 2010 fue criada la Asociación Nacional de Hinchas (ANT), que ven a realizar acciones de Lucha contra la elitismo del futbol brasileño, buscando construir una petición para que el dictador de la CBF sea investigado  y defendiendo la democratización del fútbol.
En la visión de lo autor de “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, como profesor de educación física y miembro da ANT, el fútbol, como un fenómeno social, puede e debe contribuir a la formación de una juventud critica, lectora y apasionada. El Glorioso Botafogo, club de referencia y historia en lo Brazil y en lo mundo, tiene importante papel de vanguardia en la incentivación de las relaciones entre la literatura y el deporte conocido y practicado mundialmente. Después de diversas actividades de lanzamiento y divulgación en radios y eventos en lo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul y Brasília, se produjo en lo día 29 de Enero de 2012 el lanzamiento internacional del libro, en Colonia Caroya no distrito de Córdoba-ARG, durante la I Copa América Alternativa de Fútbol.
La oportunidad de vivencia como jugador na I CAA y practicar un Fútbol ajeno a los fines mercadológicos y competitivistas  vano cumplir el encontró de las concepciones expresó por el autor sobre del Deporte. El autor tiene como deseo que el contenido del libro lleve a debates para Alla del Trivial y que nuestras acciones diarias apunten a la perspectiva de construcción de un nuevo ser humano, en una Sociedad para Alla del Capital. Hasta la victoria siempre!           
 
Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Professor de Educação Física
Integrante da Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras
Militante do Coletivo Marxista


CONFIRAM TAMBÉM O TRAILER DO DOCUMENTÁRIO
SOBRE A COPA AMÉRICA ALTERNATIVA DE FUTEBOL 2012:

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MEU LIVRO DO FOGÃO na Bienal e entrevista para a BandNews

Veja as fotos e ouça a entrevista concedida à Rádio BandNews FM, no dia 8 de setembro, durante a XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro.



Todos os exemplares do livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" foram vendidos!

Agora, quem quiser comprar, veja as opções de como proceder: http://alemdotrivial.blogspot.com/2011/07/esta-ai-o-livro-botafogo-uma-paixao.html

Em breve novas atividades de divulgação e autógrafos ocorrerão!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pacto de mediocridade*

Aguardei o confronto de ontem na Argentina, relativo à final da Copa Sul-Americana, para tecer minhas considerações após o fiasco alvinegro, que sucumbiu diante da ascendente equipe gaúcha no Olímpico. Brincava com algumas pessoas afirmando que venceríamos o Grêmio e o Goiás seria vice-campeão perdendo a disputa de pênaltis. Enfim, percentual de 50% de acerto nas previsões. Com a derrota da equipe goiana, o Grêmio será o quarto representante brasileiro na Taça Libertadores por meio do Campeonato Brasileiro e os urubus sob a tutela dos tucanos garantiram vaga para disputar o mesmo torneio que nós em 2011 – a Copa Sul-Americana. De positivo, nossa garantia de estarmos na segunda fase do torneio, já que o adversário será o Atlético-MG e o Galo tem sido um suculento prato nos últimos anos. Grande freguês!

            Sinceramente, ainda acreditava bastante no Glorioso no último domingo. Quero destacar que, antes dos jogos do Campeonato Brasileiro, ocorreu o Dia Nacional de Luta Contra a Elitização do Futebol Brasileiro, promovido pela Associação Nacional dos Torcedores. Já estou com a minha camisa amarela da ANT e ajudei a panfletar no Engenhão, antes do jogo do merecido campeão brasileiro, Fluminense, consolidando o Centenada daqueles que pagaram e não levaram. Don’t cry, Andrés Sanchez!

            Em mais um duelo entre o Rei Joel e o Príncipe Renato, a réplica do barrigudinho Papai Joel fora excelente depois do técnico gremista afirmar que Joel teria que engraxar sua chuteira ao comparar o futebol de ambos: “ele tem que engraxar minha prancheta”, comparando o currículo entre ambos como treinadores. Todavia, em menos de 15 minutos de jogo, o jogador gremista achou que estivesse em uma micareta, rasgando a camisa de Fahel como se o manto glorioso fosse um abadá! O árbitro retirou Fahel de campo para trocar o uniforme e demorou demasiadamente para autorizar seu retorno. Com a irritação corretíssima de Joel, extravasada após chutar uma garrafinha na beira do campo, o árbitro Sandro Meira Ricci o expulsou. O mesmo árbitro que não advertiu o Grêmio por rasgar a camisa do Botafogo e que demorou a autorizar o retorno de Fahel. Eles podem tudo e os demais têm que abaixar a cabeça? Sim, o futebol também reproduz fidedignamente a realidade opressora e autoritária da sociedade capitalista. Pensei até que enfim Lucio Flávio fosse encontrar uma boa posição para ele: auxiliar-técnico do Joel... Momentos antes do ocorrido, uma disputa de bola entre o ex-jogador alvinegro Rafael Marques e o uruguaio Loco Abreu quase nos deu um grande susto, por conta dos choques de cabeça, que deixou Loco desacordado por alguns segundos.

            Jefferson, com muito reflexo, salvou o Botafogo aos 2 minutos, defendendo cabeceio de Jonas. O travessão, em seguida, em novo cabeceio, dessa vez de Rafael Marques. Quando o Botafogo começava a equilibrar a disputa, Jefferson espalmou para frente e André Lima entrou sozinho para completar para as redes, com Leandro Guerreiro chegando bem atrasado. Victor salvou o Grêmio em chute de Loco e Jefferson defendeu uma falta e outra finalização de André Lima. Mas, numa tabelinha facilmente armada pelo ataque gaúcho, Jonas acertou belo chute de fora da área, no canto, para ampliar o placar. Veio o segundo tempo e o canto de “Vamos virar, Fogo!” ainda estava vivo, recordando a máxima de que há coisas – também positivas – que só acontecem ao Botafogo! Mas aos 8 minutos ficou ainda mais complicado: a defesa vacilou, Jefferson repôs mal e André Lima deixou Douglas sozinho para empurrar calmamente para o terceiro gol. Foi bom rever Herrera em campo depois de aproximadamente dois meses cedido ao Departamento Médico embora o argentino não tenha feito muita coisa. Ainda houve tempo para Antonio Carlos quase marcar seu oitavo gol na competição, mas a trave não permitiu; e para o Grêmio acertar o travessão de Jefferson. Mas a despedida ficou nisso: melancólica.

            Foi a partir do jogo contra o Vitória, no primeiro turno, que comecei a traçar algumas reflexões após a participação da Estrela Solitária no Campeonato Brasileiro de 2010. Naquele momento, a equipe começava a empolgar e nos deixar com a perspectiva de disputar o título. Entretanto, o que acompanhamos no segundo turno, foram erros de arbitragem, – esse ano menos contra o Botafogo, mas os que ocorreram foram absurdos – uma sequência enorme de empates, diversas lesões dos principais jogadores e, principalmente, um marasmo, uma falta de vontade, uma inércia significativa de boa parte do limitado elenco. Uma expressão cunhada por um amigo à época que atuava pelo Centro Acadêmico de Educação Física e Dança da UFRJ certamente é prudente para definir as atuações do Botafogo nas últimas rodadas: pacto de mediocridade! Certos jogadores, como Fahel, Lucio Flávio, Edno, Marcelo Cordeiro, Eliseu, Túlio Souza e Danny Moraes, fingiam que jogavam e iludiam a torcida, que fingia que seria possível com tais peças. Certamente, esses podem liderar a barca para uma urgente renovação. Novos ares para tais jogadores e para o clube serão ótimos para ambos, assim como para a torcida. Apesar de algumas falhas grotescas, Leandro Guerreiro, Alessandro, Loco Abreu podem continuar, pois são peças importantes num elenco de mais categoria e dedicação.

            Apesar do pacto de mediocridade, fechamos 2010 como os atuais campeões estaduais e na sexta colocação do Campeonato Brasileiro, tendo o mesmo número de derrotas que o campeão do torneio: uma campanha muito melhor que no ano passado!


Obs: que fiquem registradas as felicitações pelos 68 anos da fusão ocorrida em 8 de dezembro de 1942 entre o Clube de Regatas Botafogo e o Botafogo Football Club, que culminou com o Botafogo Futebol e Regatas, nossa atual denominação. Parabéns, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Como se fosse um funeral*

Com considerável antecedência, comprei os ingressos promocionais para as duas últimas rodadas do Glorioso em casa nesse Campeonato Brasileiro. Um preço promocional, mais em conta, que deveria ser usado em todas as rodadas para tornar os estádios mais acessíveis à população. Uma hora antes do jogo, estava marcada mais uma maniFESTAção da recém-fundada Associação Nacional dos Torcedores e enfim consegui participar, auxiliando na panfletagem para convocar mais pessoas a se somarem a essa importante luta pela democratização do futebol em nosso país.

Às vésperas da disputa do Mundial Interclubes, o Internacional de Porto Alegre vinha cumprir tabela, pois já tem sua vaga garantida na Taça Libertadores de 2011 e não tem mais chances de ser campeão brasileiro em 2010. Os gremistas – nossos adversários diretos na briga pela possível quarta vaga no torneio sul-americano do ano que vem e protagonistas por auxiliar a urubuzada a ser campeã brasileira em 2009 e deixar o Colorado na segunda colocação – já apontavam que o Inter entregaria o jogo para o Fogão. Infelizmente, a torcida alvinegra não aderiu à promoção feita pela diretoria e apenas pouco mais de 20.000 torcedores estiveram presentes no Engenhão. E novamente a supremacia era da impaciente, angustiada e equivocada Sofá-Fogo, vaiando mais que apoiando, reclamando mais que torcendo e impulsionando as energias negativas em vez de tentar incentivar para modificar a apática, lenta e sonolenta atuação alvinegra. Pra não dizer que não falei das flores, vale destacar a aguerrida presença da galera de Rio das Ostras e região se somando à torcida Loucos pelo Botafogo.

Tivemos três chances de abrir o placar no primeiro tempo, com Loco e Fahel duas vezes; este último, na primeira, cara a cara chutou em cima do goleiro e no segundo lance com categoria encobriu o goleiro mas a bola caprichosamente encontrou o travessão e a linha de fundo em seguida. Numa jogada desconcertante, o atacante colorado passou como quis por Marcio Rosário e escolheu o ângulo, mas o travessão também esteve do nosso lado. Destaque dos primeiros quarenta e cinco minutos¿ A queda cinematográfica do bandeirinha após marcar uma falta a favor do Botafogo. Lindo lance!!! Com a vinda do segundo tempo, Murphy deu sinal de vida: nada está tão ruim que não possa piorar... Numa bobeada incrível da defesa botafoguense, a bola sobra para chute certeiro do adversário: 0 x 1. Aparentemente, o Internacional realmente não queria a vitória, jogava de maneira displicente. O pior era: parecia que o Botafogo também não queria a vitória. Nos bons lances que criava muito mais por conta da sorte e do marasmo colorado do que pela técnica e categoria de seus jogadores, esbarrávamos no quarto goleiro do Internacional [Este deve ser gremista mas só conseguiu passar na peneira do principal rival!], que fez defesas com grande reflexo. Momentos depois, Rafael Sóbis, também parecendo não querer marcar o gol, encostou na bola, que bateu na trave e ultrapassou a linha, cravando 0 x 2 no placar. Foi o gol mais silencioso de todos os jogos de futebol que eu já acompanhei. Parecia não haver torcedores no estádio, todos desanimados, desolados, entristecidos, cabisbaixos... O silêncio foi quebrado com as discussões internas, confusões que poderiam gerar brigas na Oeste Superior. Com uma briga quase acontecendo, nem vi o sexto gol do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, diminuindo o placar num momento em que havia chance de virarmos o placar! Que nem um louco, tirei a camisa, subi na cadeira e comecei a gritar para a torcida incentivar. Esforço em vão lá de cima, retribuído por uma rouquidão durante algumas horas.

O único time invencível nos jogos em casa perdia num momento crucial da Arrancada Final. É o time que menos perdeu no campeonato brasileiro deste ano, mas também o que mais empatou. Estivéssemos na fórmula idosa de 2 pontos para cada vitória, estaríamos disputando o título... Enfim, a saída do estádio só não foi inerte pois dependia da movimentação da torcida para buscar seus carros, caminhar para a estação de trem ou pontos de ônibus. Silenciosa, decepcionada, com certezas de que tudo acabou. Parecia uma procissão para um funeral, prestes a enterrar um defunto ou cremá-lo. Mas esperem... Cremação precisa de Fogo! E o Fogo gera cinzas! Essas cinzas podem renovar! Antes do jogo, comentara que há coisas que só acontecem ao Botafogo e elocubrava: é bem capaz do Botafogo perder aqui e ganhar do Grêmio no Olímpico... O Glorioso nunca adota caminhos triviais, gosta daquela sensação de sofrimento tão peculiar que torna as vitórias ainda mais especiais. A tarefa é voltar a vencer no próximo Domingo e levar a ‘decisão’ para a última rodada. Meu ingresso já está na mão!



Obs. 1: um dos principais responsáveis por ter me animado a escrever após os jogos, devido à sua declaração de não ser vaca pra ser leiloado entre os clubes, Jobson, além de cair de rendimento nas últimas rodadas, tem vacilado bastante, menosprezando o clube que o resgatou e tem dado grande suporte. Uma pena que pareça que seu pensamento esteja em outro local... Lastimável.

Obs. 2: apesar dos empates do Grêmio e do Atlético-PR, com a derrota para o Internacional perdemos a oportunidade de depender apenas de nossos resultados para a garantia da quarta colocação.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eu acredito em duendes*

Acho que desde a primeira vez em que estive no Engenhão, não pisava no Setor Oeste Superior. Pensando de maneira supersticiosa, poderia ser um incentivo para exterminar a sequência de empates e acompanhar o Glorioso voltar a vencer na competição. Coincidentemente, acabei encontrando a galera da Educação Física da UFRJ que torce pelo Botafogo e que vinha sendo pé-quente. Apesar da vitória não ter vindo, do oitavo empate consecutivo, do segundo empate sem gols, de nove jogos sem vencer, de não quebrar o tabu de vencer clássicos no estádio desde 2007, de cair para a oitava colocação na tabela... Mantivemos a invencibilidade no Engenhão, somos o time que menos perdeu nessas 30 rodadas e ficamos mais esperançosos com o retorno das 4 vagas do Campeonato Brasileiro para a Libertadores de 2011. Para os mais empolgados, como eu, a rodada foi excelente e diminuímos em 1 ponto a distância para o líder Cruzeiro, agora com o equivalente a três vitórias a nossa frente. Volto a frisar: nossa arrancada no primeiro turno começou no Barradão, na décima segunda rodada, contra o Vitória. Temos a chance de repetir esse filme, com uma boa sequência de jogos, mesmo com os diversos desfalques. E para o sonho de debutar-se campeão brasileiro novamente o apoio da torcida é primordial.

            Durante o jogo de Domingo passado, um comentário deveras pertinente do amigo Renato Sarti: “Prefiro vir ao jogo a pagar o pay per view; aqui a gente paga o ingresso e ouve diversas pessoas falando besteira enquanto no PPV apenas um fala!” Essa merece ir para o twitter. Mas a famosa Sofá-Fogo tem sua chance nas próximas rodadas de demonstrar o seu apoio à equipe, enchendo o estádio. Vale aproveitar o momento para cutucar as autoridades esportivas, administrações de clubes, mídia televisiva – principalmente – e governantes do país, que são os verdadeiros responsáveis pelos péssimos horários dos jogos, pelos altos preços dos ingressos e pela diminuição do acesso aos estádios (com a diminuição da capacidade, dificuldades de transporte etc.). Os momentos anteriores ao clássico marcaram a primeira manifestação da recém-fundada Associação Nacional dos Torcedores(1), iniciativa importante que deve ser abraçada de Norte a Sul do país para defendermos a socialização do futebol e demais esportes.

            Infelizmente, meu celular apagou a mensagem salva no rascunho com os comentários acerca do Clássico Vovô. Entretanto, levantarei alguns pontos relacionados ao Botafogo. Apesar de Renan ter dado conta do recado nas duas rodadas anteriores, foi legal ter o retorno da segurança de Jefferson, o paredão da Seleção Brasileira! A volta do Leandro Guerreiro após cumprir suspensão também foi algo positivo. Por incrível que pareça, Fahel parecia fazer falta nos trinta minutos iniciais. O setor defensivo sofreu com os ataques tricolores: enquanto Somália cumpria a função de anular totalmente o baixinho e habilidoso argentino, Marcelo Mattos ainda estava fora de ritmo de jogo, Marcio Rosário se encontrava atabalhoado e Lucio Flávio não corria para auxiliar. Joel Santana conseguiu acertar o conjunto do time e depois disso as principais jogadas de ataque e de perda de gols eram alvinegras. O ataque formado por Jobson e El Loco precisa caprichar mais nas conclusões. E, para variar: perdemos Antonio Carlos, mais um importante jogador contundido; e sofremos com as perseguições e inversões de falta por parte do árbitro Djalma Beltrami. Foram pelo menos dois cartões amarelos para o Botafogo que, em lances idênticos pelo lado do Fluminense, o árbitro relevou. Além de outros diversos pequenos lances ao longo da partida, fazendo com que o trio saísse pelo lado em que se encontrava a torcida tricolor. Eu até pensei que o nome do árbitro fosse João, já que a torcida do Fluminense pedia: “A benção, João de Deus...”. Assim como no primeiro turno, os tricolores só foram superiores aos alvinegros na quantidade de cores, porque no geral o Botafogo foi melhor, mas não conseguiu obter a vitória.

            Enfim, há oito jogos pela frente. São vinte e quatro pontos em disputa. A coluna do Márcio Guedes de hoje sobre o Botafogo(2) diz que “imaginar que repetirá a campanha do turno contra os mesmos adversários, é quase acreditar em duendes”. Pois estarei amanhã no Engenhão e para mudar voltarei ao setor das torcidas – Leste Inferior – para incentivar o elenco alvinegro no ainda possível sonho do título e da vaga na Libertadores. Nosso apoio é fundamental, não apenas acreditando em duendes, mas forjando seu aparecimento com os cantos, irreverência, palmas, apoio e pulos que colocará de volta a Estrela Solitária no caminho da vitória!


(1) Conheça a Associação Nacional dos Torcedores: http://www.torcedores.org/

(2) “Cálculo Difícil”; Coluna Contra-Ataque; Jornal O DIA; 22/10/2010.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985