domingo, 29 de novembro de 2009

Feijoada - 172 anos do Colégio Pedro II

No Sábado, 12 de dezembro de 2009, ocorrerá na Unidade São Cristóvão do Colégio Pedro II mais uma edição da tradicional Feijoada, comemorando os 172 anos da instituição a partir das 13h. Tive a oportunidade de comparecer em 2007 e 2008 e é bastante interessante acompanhar diversas gerações de ex-alunos entoando o Hino dos Ex-Alunos e a Tabuada!

Espero rever diversos dos amigos com quem compartilhei bons momentos entre 1996 e 2002 na Unidade Engenho Novo II e entre 2001 e 2002 na Unidade Tijuca II. Minha relação com o Colégio é forte desde 1995, quando decidi que estudaria muito para passar no concurso de seleção. Objetivo alcançado e 5ª série iniciada em 1996.

Lá iniciei minha militância no Movimento Estudantil, fazendo parte do Grêmio Estudantil entre 2000 e 2002, Comando de Greve de 2001, representante de turma por diversas vezes; participei de minha primeira passeata - em defesa do Passe Livre; aprofundei o desejo pela leitura e pela escrita, publicando redações e vencendo um concurso de crônicas; mas principalmente me inspirei e fui influenciado para escolher ser Professor.

Depois de sete anos cursando o segundo ciclo do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, além do curso técnico em Processamento de Dados, voltei em 2007 para concluir a Prática de Ensino em Educação Física - na mesma Unidade Engenho Novo II - e atualmente a história do Colégio é objeto de minha dissertação de Mestrado.

Para finalizar, transcrevo as palavras de Nelson Rodrigues, da edição de 29 de setembro de 1963 do Diário Carioca:

"1- Amigos, a manchete é um dos vícios fatais da nossa época. Se um jornal anunciar o fim do mundo em uma coluna, ninguém vai se assustar. Pelo seguinte: - porque o homem só sabe vibrar em oito colunas. E a catástrofe que não venha no alto da página, aberta de fora a fora, perde todo o impacto. É a obsessão da manchete.


2- E, no entanto, vejam vocês: - a poesia do jornal está, por vezes. Na notícia miúda, no registro pequeno, em tipo liliputiano. Ainda ontem, por exemplo, eu li um simples texto-legenda que é uma preciosidade. Imaginem vocês que o Pedro II ganhou os Jogos da Primavera, a maior olimpíada do mundo! Claro que houve, lá no velho e eterno Colégio, uma euforia brutal.



3- E o Pedro II resolveu trazer para a rua sua alegria fabulosa. Houve passeata, escarcéu, correrias, o diabo. Amigos, o brasileiro servil teve a reputação de povo triste. E, de fato, o sujeito não dá um passo, aqui, sem esbarrar numa melancolia, sem tropeçar numa depressão. Nas esquinas, nos botecos, há sempre um brasileiro pingando hipocondria. Lembro-me de um turista que perguntava intrigadíssimo: - ‘Quem é que morreu?



4- De fato, temos por vezes o ar de quem chora um imaginário defunto. Mas se este povo é triste, há uma imensa, jocunda, deslumbrante exceção: - o aluno do PedroII. Tenho um amigo meu que vive rosnando: - Nesta terra, até as cadeiras são neuróticas.

- Ao que eu responderia: - Menos as cadeiras do Pedro II -. Porque, lá, os móveis também são coniventes no humor dos alunos.



5- Uma das mágoas que eu tenho na vida é a de não Ter sido, na minha infância ou juventude, aluno do Pedro II. Andei por colégios mais lúgubres do que a casa do Agra. Mas há, em mim, até hoje, a nostalgia de não Ter estudado ou fingido que estudava lá. A rigor, não são os professores que me interessam no Pedro II. Nem os seus problemas de ensino. O que me deslumbra no aluno do Pedro II não é o estudante, mas o tipo humano. Ele deve ser um mau aluno (tomara que seja), mas que natureza cálida, que apetite vital, que ferocidade dionisíaca.



6 – Olhem para as nossas ruas. Em cada canto, há alguém conspirando contra a vida. Não o aluno do Pedro II. Há quem diga, e eu concordo, que ele é a única sanidade mental do Brasil. E, realmente, não há por lá os soturnos, os merencórios, os augustos dos anjos. Os outros brasileiros deveriam aprender a rir com os alunos do Pedro II.



7- Volto ao texto-legenda. Em poucas linhas está descrita a comemoração da vitória. E não se lê, no jornal, uma palavra de simpatia, e pelo contrário: - é evidente a irritação. Quem redigiu a nota está indignado com a euforia total dos estudantes. Mas reparem como o jornal hipocondríaco está sendo bem brasileiro. De fato, nós somos uns ressentidos contra a alegria, e repito: - a alegria ofende e humilha os impotentes do sentimento.



8- Por fim, o colega chama os meninos de ‘pequenos vândalos’. Não se pode desejar uma incompreensão mais nostálgica. Por que ‘vândalos’? Porque andaram quebrando umas cadeiras e, sobretudo, porque andaram chupando chica-bom sem pagar. Vamos admitir, risonhamente, que é lamentável. Mas nunca houve um 7 de setembro, ou um 14 de junho, sem atropelos inevitáveis. Os apertões cívicos derrubam senhoras, asfixiam menores. E nas procissões há quem bata carteira, ou atropele, ou desmaie. Vamos concluir que os patriotas e os devotos são vândalos?



9- Numa terra de deprimidos, o alegre devia ser carregado na bandeja como um leitão assado. E devíamos subvencionar o Pedro II para inundar a cidade, diariamente, com a sua alegria total, ululante. E vamos arrancar a máscara de nossa hipocrisia. Pois, no fundo, invejamos amargamente a garotada que lambeu de graça tanto chica-bom.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário