segunda-feira, 19 de março de 2012

Contra nuvens e caravelas*

            No último final de semana do Verão, o Sol resolveu sobressair no comecinho da tarde. Com as nuvens recém-saídas de cena, a Estrela maior iluminava a Cidade Maravilhosa, fornecendo ainda mais brilho às prévias do clássico em preto e branco no Engenhão. Com ingressos custando R$30, R$40 ou R$60 num confronto pela fase de classificação da Taça Rio, obviamente três quartos dos assentos do estádio ficaram desocupados! Infelizmente os dirigentes dos clubes se submetem aos ditames de federações, confederações e aos interesses da grande mídia que controla horários, ao passo que não confrontam as autoridades governamentais minimamente para a garantia de melhores condições e menos preços no transporte públicos.

Uma faixa no setor Leste Superior clamava por Clássicos em São Januário, supostamente considerando que jogos da magnitude de Botafogo x Vasco pudessem ser disputados em campos de várzea... Tamanha inocência! Enquanto os torcedores do Vasco se dividiam em mais de uma dezena de torcidas organizadas, com faixas e bandeiras, estas mesmas do Glorioso não foram escaladas para a arquibancada. Nos setores Norte e Oeste, torcedores pulavam, cantavam e incentivavam com seus próprios corpos e vozes, sem acessórios como bandeiras e faixas. Mais um episódio para a discussão acerca da relação entre o clube e as torcidas organizadas...

Em campo, o Glorioso recebia o retorno de Marcelo Mattos, Andrezinho e Fellype Gabriel, além de Elkeson que voltara no jogo anterior válido pela Copa do Brasil: outra faceta ao meio-de-campo! Minha surpresa foi não ver Loco Abreu entre os titulares tampouco no banco de reservas, mas ontem não foi preciso recorrer ao seu futebol, que tem estado ausente nos últimos jogos. Assim como as nuvens que tentavam impedir que o Sol prevalecesse, no clássico um trio tentou em vão exercer o papel das nuvens contra a Estrela Solitária, mas nosso Fogão conseguiu passar por cima dos árbitros que provavelmente carregavam uma Cruz de Malta no peito – o Vasco de almirantes e caravelas já fora favorecido em vários jogos da Taça Guanabara – ou um chaveirinho de urubu, preocupados com a liderança disparada do Macaé e o retorno do bom futebol alvinegro enquanto o time da manguaça sofrera pra vencer com um único gol a equipe do Friburguense...

Pressionando a maior parte do tempo, com boa troca de passes, faltavam detalhes para o Botafogo abrir o placar. Honrando seu esplêndido segundo nome, Fellype Gabriel foi o nome da partida ao demonstrar como finalizar a gol e avançando para apagar seu passado maculado pelas cores rubronegras. No primeiro lance, Elkeson fez boa jogada pela direita e como um digno ponta, cruzou rasteiro para trás para que Fellype Gabriel enviasse com categoria ao ângulo do fraco goleiro adversário. O vice – ops – Vasco da Gama se apequenava ainda mais diante do poder ofensivo do Fogão e apelava para a pancadaria – faltou coerência aos vascaínos, que saíram do último jogo da Taça Libertadores reclamando das posturas adversárias. O aprendiz do badboy Edmundo – o tal do Diego Souza – deveria ter sido novamente expulso contra o Botafogo: entrou deslealmente de carrinho no Jefferson ao tomar um drible do goleirão e ainda se jogou em diversos lances para cavar pênalti e faltas. Enfim, tendo o azar por diversas vezes ao nosso lado em outras partidas, ontem a sorte apareceu: numa tabelinha com atabalhoado bate-e-rebate, a bola sobrou para Fellype Gabriel caprichar novamente e enviar para o fundo das redes. Antes de acabar o primeiro tempo, o atacante vascaíno se jogou na área enquanto nossa zaga dava conta do recado. Antônio Carlos, por favor, para quê tirar satisfação!? Não dá pra apenas jogar futebol e fazer gols!? Ganhou um amarelo de bobeira e quase a arbitragem mal-intencionada marca o pênalti.

Veio o segundo tempo e o adversário queria fazer valer a alcunha de time da virada. Outro Felipe, dessa vez o Bastos, cobrou falta com categoria e o goleiro Jefferson estava ligeiramente adiantado: mais um gol que levamos de ex-jogadores alvinegros... O Vasco foi para cima objetivando buscar o empate, impulsionado pelas inversões de falta e invenções de escanteios do trio de arbitragem. Entretanto, o garoto Jobson voltou, substituindo o guerreiro Herrera. Não deixou sua marca nesse retorno ainda, mas foi garçom ao girar o corpo depois de receber passe de cobrança de lateral e cruzou na área, a bola passou para Andrezinho e sobrou em cima da linha para Fellype Gabriel marcar o terceiro e devolver a tranqüilidade ao Fogão com o 3 x 1. Minutos depois, pela direita o jogador do Vasco, em posição irregular recebeu a bola, mas Márcio Azevedo chegou antes e mandou para escanteio. O árbitro apita e assinala pênalti!!!??? Bizarro! O tal reizinho, protegido pelo Estatuto do Idoso, não podia ser encostado que o árbitro marcava faltas. E foi o mesmo Juninho que pôs a bola para cobrar a penalidade. No duelo contra o melhor goleiro do Brasil, a terceira idade levou a pior! Não fossem os excessos de tentativas de dribles, poderíamos ter ampliado o placar.

Enquanto os times do grupo A vencem a maioria das partidas da Taça Rio, a disputa fica acirrada entre Macaé, Botafogo, Resende e Flamengo pelas vagas nas semifinais. No grupo B, Vasco e Fluminense, mesmo com campanhas pífias, seguem com facilitadas chances de classificação. O Botafogo de ontem, com brio, é o que desejamos para todas as partidas: trocando passes com tranqüilidade, marcando os adversários sem ficar fazendo linha burra, finalizando corretamente a gol etc. Enfim, é o Botafogo que nos enche de orgulho.

Já está em cartaz em diversos cinemas o filme sobre um de nossos principais artilheiros: Heleno de Freitas. É anotar na agenda para assistir e aumentar nossa identificação com a história do clube da Estrela Solitária! Quarta-feira é necessária uma goleada contra o Treze paraibano para avançar na Copa do Brasil: tem que ser um jogo de ataque contra defesa! Alô, diretoria: queremos promoção de ingresso a R$1,00 para a torcida comparecer! E sábado que vem direcionamos novamente as atenções à Taça Rio, contra o time das terras do tucano privatista Zito. 13 jogos de invencibilidade: vamos que vamos, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 13 de março de 2012

Jobson voltou e mulheres junto ao Fogão*

Quarenta e oito horas após o Dia Internacional da Mulher, já estava anotado na agenda o duelo do nosso Botafogo contra o Bangu. Indubitavelmente, a lembrança, a homenagem e a comemoração são merecidas no 8 de março. Contudo, é preciso transcendermos a simples vinculação com uma data e reconhecermos que são necessários novos avanços na sociedade, considerando cada dia um dia de luta contra o machismo e quaisquer formas de subjugar as mulheres, buscando relações humanas que não se construam a partir da exploração ou da opressão de qualquer ser humano sobre outro! O dia 8 de março não pode nem deve ser uma data comercializada, com descontos em salões de beleza ou o estímulo ao uso de produtos cosméticos! NÃO! O dia 8 de março é muito mais do que isso e certamente o Futebol deve se enquadrar nesta lógica de rupturas.

            Algumas iniciativas importantes têm aparecido. Ano passado, em um plebiscito, a ANT passou a se chamar oficialmente Associação Nacional de Torcedores e Torcedoras! Uma das mais animadas e contagiantes torcidas organizadas levou a faixa LoucAs pelo Botafogo! Recomendo inclusive a leitura do bonito texto acerca da temática: “A Mulher e o Botafogo”, publicado no BotafogoNews: http://www.botafogonews.com/sem-categoria/a-mulher-e-o-botafogo/  Apesar da constante presença do público feminino nas arquibancadas, ainda é tímido o avanço que podemos conquistar. Enquanto Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo por cinco vezes, acompanhamos calados a inexistência do estímulo ao futebol feminino; em diversos locais como as próprias escolas que deveriam ser o espaço para a formação de um novo olhar e de novas práticas, observamos a hegemonia masculina nas práticas desportivas e muitas vezes um preconceito e uma negação às mulheres que ousam romper a lógica imposta. De nada nos adianta termos a primeira presidente da República mulher, querendo ser designada presidenta e mantendo uma prática política e econômica a favor dos ricos e dominantes ao passo que as mulheres recebem salários mais baixos, sofrem assédios, são constrangidas ao denunciar cônjuges agressores e não podem decidir sobre os rumos do próprio corpo em nome da moral religiosa! Enfim, certo de que dias melhores virão, reafirmo que lugares de mulheres não são o tanque ou a cozinha; e as mulheres alvinegras podem e devem estar ao lado do Fogão, não aquele que toda casa tem, mas este iniciado por letra maiúscula que flameja em preto e branco uma Estrela Solitária!

            Não havia nome melhor de estádio para o jogo após 8 de março: Moça Bonita! Concordo com a crítica de nosso carismático uruguaio acerca do gramado ruim, que estraga o espetáculo. Em contrapartida, o jogo em Bangu possibilita a presença de outros torcedores – moradores da Zona Oeste – e nos obriga a conhecer a estação de trem Guilherme da Silveira... Os próximos quatro jogos voltam a ser em nossa casa, além da semifinal e da final da Taça Rio que disputaremos no Engenhão! Vale registrar a entrevista concedida à BrahmaFogo, falando sobre o livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” e sobre a reestreia de Jobson, disponível no youtube:



    
Num dos bairros mais quentes da capital fluminense, o Sol foi escamoteado pelas nuvens que tomaram conta do céu, amenizando o calor, assim como o preto e o branco que invadiram as arquibancadas banguenses e ofuscaram o alvirrubro. Ainda bem que não precisei usar o guarda-chuva nem para me proteger dos raios solares nem da chuva que só ficou na ameaça. Apesar do absurdo preço de R$30, o público foi grande. E se a torcida que quase lotou Moça Bonita não assistia a um futebol vistoso, podia vislumbrar um festival de pipas nos ares da Zona Oeste, muitas delas interrompendo a partida ao cair sobre o gramado. Tarefa para a Federação: além dos gandulas, contratar dois meninos para aparar as pipas... Além do artefato popular que, com simples materiais, alcança magníficas alturas, a torcida teve a oportunidade de ouvir a charanga do Bangu tocar animadas músicas, dentre outros, de Balão Mágico e da minha querida Mocidade Independente de Padre Miguel.

Tantas coisas bacanas para comentar que certamente o jogo em si ficou como coadjuvante. Com um primeiro tempo morníssimo, a inexistência de gols foi óbvia. Enquanto os ex-jogadores do Fogão Almir e Thiago Galhardo mais o lateral Renan Oliveira construíram boas jogadas, o Glorioso sentia muito a ausência de seus principais jogadores da meiúca. Apesar de pouco mais esforçado que em jogos anteriores, Loco Abreu precisava realmente ser substituído; Herrera lutou, lutou e lutou, mas não concluiu as finalizações para o fundo das redes; e Caio, também esforçado, demonstrou novamente que ajuda muito mais a equipe quando entra no segundo tempo. Lucas Zen não entrou bem no lugar de Marcelo Mattos; Marcio Azevedo e Lucas não apoiaram como podem e o lateral-direito ainda errou muitas jogadas; a defesa vacilou em momentos que não comprometeram por conta das limitações do adversário; e Jefferson quase nos deu um baita susto numa bola para ele recuada que quicou em algum montinho de sua área; enquanto isso, Felipe Menezes comprovou que só pode ser novo Kaká se ele for alguma espécie de pastor do elenco, porque em campo está sempre dormindo...

Os destaques ficam por conta do segundo tempo: Jobson voltou e a torcida do Fogão saiu do chão para entoar euforicamente seu retorno! Depois de 6 meses cumprindo suspensão, o garoto será nosso 48º jogador convocado para defender a Seleção Brasileira em Copas do Mundo – Jefferson e ele titulares em 2014! Com seus contagiantes piques, continua afobado nas finalizações, cansou rápido, mas forneceu a assistência para um moleque franzino, com categoria, balançar as redes pela segunda vez como profissional do Botafogo: boa, Cidinho! Para completar, outro Jefferson, formado pela base, postura de gente grande, substituiu o inoperante Felipe Menezes. Com categoria, cobrou uma falta no ângulo esquerdo, mas o arqueiro adversário mandou para escanteio. Lembrando os tempos de “Almir, faz um gol aí!”, infelizmente o meia acertou um belo chute de fora da área e empatou a partida.

Apesar da manutenção da invencibilidade, com o empate permitimos que o Macaé assumisse a liderança do grupo. Quarta é tarefa primordial liquidar o time que tem número como nome, número este sempre bem-vindo na história de superstições alvinegras! Domingo que vem é dia de cozinhar o bacalhau para continuarmos entre os dois melhores e rumarmos à conquista da Taça Rio. Saudações às mulheres de todo o mundo e um bom retorno a Jobson!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 5 de março de 2012

Água mole em pedra dura*

Mais uma feliz coincidência ocorreu neste Domingo. Depois de conseguir carona para Campos no jogo anterior, ontem foi a vez de ser presenteado com um ingresso. Caminhando pela Rua São Januário, um carro para e um senhor nos pergunta se tínhamos ingressos; quando já ia responder que não tinha, mas que compraria apenas na bilheteria, eis que reconheço o senhor, um dos dirigentes do clube, que nos cedeu gentilmente as cortesias para assistir ao jogo nas cadeiras sociais. Apesar de ser a parte aburguesada do estádio e da maioria dos presentes ficar sentada o jogo inteiro, valeu acompanhar o Fogão sob uma agradável sombra em vez de bronzear-me na arquibancada.


Diante de preços de ingressos ainda muito altos e da fórmula que necessita de mudanças urgentes do Campeonato Estadual, realizar jogos em outras regiões pode ser uma alternativa para aumentar a presença de público nos estádios, possibilitando até mesmo a participação de torcedores de outras cidades. Apesar do motivo do confronto com o Volta Redonda – com mando de campo do Glorioso – não ser realizado no Engenhão estar relacionado ao evento musical lá ocorrido, considero importantes duas questões: a preservação do gramado da nossa casa, que tem sofrido com a quantidade ainda exaustiva de partidas em sequência; e a utilização de estádios fora da capital e/ou de equipes pequenas, como o Estádio Godofredo Cruz, em Campos; o Estádio Moça Bonita, em Bangu; o Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé; e o próprio São Januário...


Provocações à parte, se durante a semana tivemos Andrezinho cedido ao Departamento Médico, Loco Abreu retornava após representar a celeste; e o banco de reservas estava ocupado pela garotada formada nas divisões de base. Em busca da segunda vitória na Taça Rio, o Botafogo poderia nos poupar de alguns momentos angustiantes e irritantes! Reconheço que a paciência é uma virtude importante do torcedor, que precisa apoiar e incentivar; que se queremos ver pontos a todo o momento, devemos ir a um jogo de voleibol ou basquetebol etc. Contudo, é extremamente possível aliviar o sofrimento e vencer alguns jogos sem causar sustos ao torcedor!


Após demonstrar que o ataque Mercosul estava de volta à ativa, com uma genial assistência de Loco para o hermano Herrera encobrir o goleiro adversário e abrir o placar, veio uma sequência de gols perdidos, duas vezes com o argentino e uma com o uruguaio, em lances cruciais que poderiam ter definido a vitória já no primeiro tempo. Com o time acomodando-se com a vitória parcial, a defesa voltou a vacilar, praticamente assistindo de camarote ao cabeceio do zagueiro Robson, que num momento Trapalhões de Jefferson e Marcio Azevedo, igualou o placar com o gol ratificado pelo árbitro da linha de fundo (Só quero ver quando eles precisarem marcar a favor do Fogão...). Era preciso chegar a esse ponto pro time acordar? Sem brilhantismo e usando muito mais a persistência para manter os 100% de aproveitamento, Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura sintetiza fidedignamente o que foram os momentos finais contra a equipe da cidade do aço. E foi justamente a defesa que acordou e partiu para o ataque. Infeliz em vários escanteios e tentativas de cruzamento, Renato enfim acertou na medida para Antonio Carlos, em ligeiríssima posição irregular, realizar linha de passe com Herrera, que se redimiu dos outros gols perdidos e chegou ao sétimo gol no Estadual, desempatando o placar. Doze minutos depois, novo cabeceio do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, mas dessa vez direto furando as redes! 3 x 1 pra nossa Estrela Solitária, mantendo a invencibilidade rumo à conquista da Taça Rio.


Mesmo com desfalques devido às contusões, Oswaldo de Oliveira tem conseguido imprimir um padrão tático ao plantel, com importante poderio ofensivo. Importantíssima atitude ao substituir nossa estrela uruguaia, que em toda a partida acertou dois lances e precisa saber que ninguém é intocável no time e se dedicar mais aos treinos já que ainda é jogador de futebol... Todavia, gostaria de ter visto as entradas de Sassá e Jefferson em vez de Willian e Lucas Zen. A defesa esteve menos desatenta que no último jogo, mas ainda precisa evoluir; os laterais apoiaram menos e precisam caprichar mais nos cruzamentos próximos à linha de fundo; Marcelo Mattos não está na melhor fase em campo, entretanto o recado dado de que o time precisa “suar sangue” foi uma fala de liderança e dedicação; e Renato comanda o meio com tranqüilidade e categoria. Cheguei a pensar que Fellype Gabriel estivesse grávido novamente, mas foi uma pancada que o tirou da partida para a entrada do garoto Caio, sempre esforçado e ágil; urge que Felipe Menezes saia de suas sonecas demoradas durante as partidas e não erre tantos passes, principalmente depois que se esgota a paciência da torcida; Willian ainda está muito afoito, mas os poucos minutos em campo foram melhores que o primeiro tempo do jogo passado; Lucas Zen precisa agir de acordo com seu sobrenome, com mais precisão nos passes; e Herrera assumiu a artilharia da equipe.


Balanço positivo e liderança isolada do grupo. Fluminense, Vasco e Flamengo voltaram a vencer e voltam os indícios de que teremos os quatro nas semifinais, já que em breve devem dar tchauzinho para a Libertadores. Para nosso Fogão, uma semaninha de repouso para consertar os erros, treinar e se preparar pra terceira vitória na Taça Rio, torcendo para uma excelente reestreia de Jobson. Até sábado, em Moça Bonita!



*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 2 de março de 2012

Em terra de garotinhos, quem tem Russão é Fogão*


Na semana em que a assombrosa foto da aliança entre as famílias Maia e Garotinho foi publicada nas redes sociais, parece um prenúncio de que os outros Maias estão corretos acerca dos rumos do presente ano. E, no Norte Fluminense, o município de Campos – e adjacências – talvez esteja para a família Garotinho tal como o Maranhão está para a família Sarney...   No primeiro dia do mês que fecha nosso escaldante Verão, jogo do Botafogo marcado para o Estádio Godofredo Cruz, local tão assombroso quanto à foto supracitada, pois relembra os tempos em que o alvinegro campista era deveras beneficiado por arbitragens e malandragens comandadas pelo antigo ditador da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro – o falecido Eduardo Viana, o Caixa d’água. A estreia da Taça Rio no dia anterior mostrara que a zebra está à solta com as derrotas de Flamengo e Fluminense e o empate do Vasco. E em General Severiano, contusões de Maicosuel, Elkeson e a convocação de Loco Abreu forçavam a ausência de três titulares do Glorioso.

                Até o dia de ontem, apenas havia passado por Campos durante viagens feitas pela BR-101. Depois de lecionar em Macaé e procurar companhias alvinegras para ir à cidade torcer pelo Fogão, em vão, esperava o tempo passar para tomar a decisão: encarar cerca de 105 km de viagem ou voltar para Rio das Ostras e assistir ao jogo em algum barzinho. Por volta das 15h, decidi partir só, quando uma feliz coincidência surgiu no caminho: um trabalhador da Editora SM, que mostrava seus livros para minha diretora botafoguense, é morador de Campos e partiria para sua residência horas depois. Uma caroninha sagaz permitiu que eu chegasse ao Estádio junto ao desembarque do elenco do Botafogo, que recebia as energias positivas de alguns torcedores que acompanhavam a chegada. Um bom presságio para enfrentar os fantasmas citados anteriormente. E na terra de garotinhos, com seus diminutivos e falcatruas, quem tem aumentativos e paixões estaria em vantagem! E nós tivemos Russão, torcedorzão do Fogão, que falecera esta semana nos deixando um legado de amor, envolvimento e adesão à escolha de Ser Botafoguense, liderando a torcida, vibrando, acompanhando e cantando com entusiasmo o Hino e os cantos de apoio durante vários anos. Vale registrar a atitude bacana de o time entrar em campo com a faixa #Russãoparasempre!

                O público presente ocupou a maior parte das arquibancadas do Estádio Godofredo Cruz. Reforçada por alguns torcedores do Goytacaz – adversário campista do Americano – a torcida do Botafogo era ampla maioria. Devido à imensa fila na bilheteria, com poucos funcionários, vários torcedores entravam com o jogo já em andamento. As torcidas organizadas demoravam a entrar com os instrumentos e tomei a liberdade de começar a puxar algumas de nossas músicas na arquibancada. Ora cantava sozinho ora a galera se somava e o canto ecoava incentivando nossos jogadores. Numa fase mais zen para evitar brigas, respirava fundo a cada fumaça de cigarro vinda na minha cara e a cada grito de “Senta” dos representantes da Sofá-Fogo. Conversava com meu ego: “são só alguns segundos como fumante passivo, acalme-se” e “P... Querem ver o jogo sentadinhos, aluguem um camarote ou paguem pra ficar no sofá e ver pela televisão!”. Esse negócio de senta e levanta a cada lance de perigo parece ritual de algumas Igrejas ou a brincadeira infantil de vivo ou morto! Eu quero é sair do chão com a torcida do Fogão!

                O setor defensivo do Botafogo ainda bate cabeça – e pés – em momentos cruciais e é preocupante a desatenção em alguns momentos, como os que ocasionaram os dois gols do Americano, sendo o segundo praticamente uma tabelinha de cabeça dentro da pequena área! Mesmo com uma arbitragem confusa, que ignorou dois pênaltis claríssimos sobre nosso hermano Herrera quando o jogo estava 1 x 1 e simplesmente amarelava os jogadores do Americano que pareciam querer brincar de UFC, nossa Estrela Solitária teve brio para honrar a Cidade Maravilhosa no dia de seu aniversário de 447 anos. O estreante Fellype Gabriel não foi brilhante e sumia em alguns momentos do jogo, mas esteve na hora e local corretos para empatar a partida. Jefferson não foi tão acionado e, apesar de poder ter saído no lance do segundo gol do adversário, está em fase muito melhor que a demonstrada pela pífia tentativa de defesa da Julio César na Seleção do Mano – não dá para chamar aquilo de Seleção Brasileira, né!? Fábio Ferreira, Antonio Carlos e Marcelo Mattos precisam alcançar um entrosamento melhor, pois ainda cometem erros estapafúrdios que em campeonato com times de maior calibre podem nos complicar. Lucas e Marcio Azevedo oscilaram e não são fortes na defesa: entretanto, vale ressaltar as assistências para os gols de Herrera e Renato, respectivamente! Além do gol da virada, Renato cadencia o jogo com a qualidade e visão de jogo de costumes. Willian não entrou bem, mas a torcida precisa incentivar o garoto formado pela base. Na minha opinião, Caio merecia uma chance como titular, pois sempre entra com disposição e tem muito a crescer. Merecido seu gol para fechar a vitória! Com a ausência de Loco Abreu, quem deveria entrar em campo era o jovem Alex! Contudo, a diretoria preferiu emprestá-lo ao Joinville...

                Enfim, prosseguimos invictos no Estadual e na temporada e nosso técnico Oswaldo de Oliveira foi ovacionado pela torcida ao final do jogo, merecidamente. No duelo entre o Fogão e os apadrinhados da caixa d’água, supremacia da cozinha: 4 x 2. Apesar de ter perdido a hora pra acordar pra trabalhar hoje, valeu a ida a Campos para acompanhar mais um êxito da Estrela Solitária! E domingo tem mais, contra o Volta Redonda, em São Januário, rumo à conquista da Taça Rio!


Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

22 anos em 37 minutos: eu vou andar de trem... Você também...?

No dia em que completei 22 anos, escrevi o texto abaixo. Como o blog Além do Trivial foi criado em 2009, vou postar alguns textos publicados antes deste espaço virtual existir. O texto é de 30 de maio de 2007, quando eu caminhava para finalizar a Licenciatura em Educação Física na UFRJ. Perdi a minha vaga em Nova Iguaçu; a passagem de trem custava já absurdos R$2,00; o Engenhão está construído... E eu ainda prossigo organizado no COLETIVO MARXISTA visando à construção de uma nova sociedade!


22 anos em 37 minutos
Eu vou andar de trem... Você também...?*

22 era o número de anos que completava na última quarta-feira dia 30 de maio.  Mas 37 foram os minutos que levei sobre os trilhos do Engenho de Dentro até Nova Iguaçu, município onde em breve estarei lecionando Educação Física.  Além de estar comemorando meu aniversário, estava ansioso para resolver as pendências de minha convocação após aprovação no concurso público.

            Apesar de pouco mais de meia hora, esse período fez-me refletir e entender que esse foi um dos aniversários mais interessantes e instigantes de minha vida.  Na estação do Engenho de Dentro, pude “apreciar” as obras sendo feitas às pressas, passarelas sendo montadas, paredes sendo pintadas, guindastes sendo erguidos para que o famoso “Engenhão” fique pronto para os “nossos” Jogos Pan-Americanos.  O nome do estádio? Será João Havelange! Quem o construiu? Centenas de trabalhadores, que não estarão dentro do espaço que construíram durante as festividades e os jogos, pois, além de estarem realizando o trabalho pesado enquanto outros compravam seus ingressos pela internet, dificilmente poderiam usar o suado dinheiro de seu sustento para tal fim.

            Já não faltava pagar a passagem, mas veio o velho trem! E velho mesmo, bem cacareco, apesar dos R$2 que nos cobraram.  Nos 8 vagões, para cada pessoa sentada, havia 2 ou 3 em pé, que também pagaram passagem.  Nesse trem obsoleto, fiquei imaginando quando a SuperVia lucrava às nossas custas duas vezes: através dos impostos revertidos em obras e novos trens (e nós no velho trem...) pagos pelo Governo do Estado do RJ e da passagem que acabamos de pagar.  Parte desse dinheiro é usada para a contratação de capitães do mato, seguranças que expulsam, expropriam, ameaçam e até violentam os que chamarei de mercadores ambulantes.

            O trem caminha... E lá vêm: BANANADA 10 CENTAVOS! 3 AMENDOINS POR 1 REAL! Cotonetes, balas, utensílios domésticos etc. eram vendidos nos diversos vagões! Até os piratas Piratas do Caribe 3 me foram oferecidos! Como o brasileiro é criativo; esse é o povo do futuro.  E tentam nos vender essa idéia, pois nós nos viramos diante das dificuldades.  Esses mercadores ambulantes não entram para as estatísticas do desemprego.  Silêncio!!!!! Próxima estação.  E de vagões eles trocam, prestando atenção e escondendo suas especiarias para que os capitães do mato não realizem a sua repressão.

            Ouço uma música se aproximando, sons advindos de um belo acordeão.  Que agradável e bacana – ingenuamente pensei: os R$2 me reservam o direito de ouvir música!  Um senhor idoso e cego se equilibrava com o trem em movimento tocando o acordeão, solicitando humildemente alguns trocados e invocando a bênção de Deus para quem o ajudasse.  Será que esse Deus de quem falamos nos deixaria chegar à situação calamitosa em que nos encontramos?  Ao mesmo tempo, vejo nos olhos de um pai o amor fluindo, se segurando com uma das mãos e com a outra protegendo o filho de aproximadamente 5 anos de idade, que, de tanto insistir, ganhou um pé-de-moleque.

            Decidi olhar um pouco para fora do trem e me distrair com a paisagem.  Distração?  Boa ou má, deixo que opinem acerca de minha opção: casas, casebres e barracos construídos a poucos metros da linha do trem e junto a um rio que se transformou em puro esgoto!  Não, não tinham peidado no vagão; o cheiro horrível vinha do lado de fora.  Crianças brincavam com as pedrinhas dos trilhos e em ambientes asquerosos e adultos conseguiram ocupar alguns terrenos para criar um lar(?), uma moradia para não ficarem pelas ruas, avenidas ou embaixo de pontes.

            Uma lágrima escorreu.  O trem parou e estava na estação onde devia descer.  Percebi meus 22 anos passarem durante esses 37 minutos e consegui não apenas me solidarizar, mas me identificar na pele dos operários do “Engenhão”, do senhor cego que tocava acordeão, do pai com um brilho nos olhos e o amor lançado ao filho, das dezenas de mercadores ambulantes que conseguem seu mísero sustento vagando de trem em trem durante horas de seus dias, das crianças que brincavam próximas aos trilhos e ao horrível cheiro de esgoto...  

            Nesses 22 anos, pude ratificar o sentido que quero dar à minha vida, que não é individual, mas social.  Eu quero estar ao lado dos que sofrem, das vítimas da fome e da miséria, dos que são oprimidos e explorados, assim como eu e a maior parte de vocês.  É uma escolha de vida, um projeto de sociedade, pois é com essas pessoas que unirei forças para reverter essa situação e modificar os rumos dos trilhos.  É no trem da contramão que eu quero andar.  Vem no vagão comigo?

*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Estudante de Educação Física

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Há sempre algo positivo*


Ainda em ritmo de Carnaval, o clássico vovô de ontem dificilmente conseguiria a proeza de desbancar a notícia da semana, certamente uma das maiores piadas do mundo do futebol: o gol que o atacante flamenguista Deivid salvou ao atuar como emblemático zagueiro cruzmaltino.

Com o anseio de que assistiria a um bonito confronto entre meu Glorioso e o time das Laranjeiras, cujas campanhas ascendiam após tropeços contra os times de menor expressão, fiz meu aquecimento como torcedor bebendo uma garrafinha de Guaraviton enquanto observava a imensa fila da torcida alvinegra para comprar o ingresso em cima da hora – com a quantidade insuficiente de trabalhadores nas bilheterias somada à burocracia para anotar a documentação da meia entrada, a fila se potencializa.

Em um jogo truncado, Botafogo e Fluminense se equilibravam com ligeira vantagem de organização para o Fogão, tal como suas campanhas nos primeiros sete jogos da Taça Guanabara. Com poucos lances de impacto no primeiro tempo, foi coerente o placar passar em branco. Nada de gols assim como nada de água no banheiro masculino para a rapaziada garantir o mínimo de higiene no intervalo...

Ingressando no segundo tempo de maneira sonolenta, a Estrela Solitária só começou a acordar após a parada técnica. Pontos positivos a jogada ensaiada após falta sofrida por Lucas Zen e o contra-ataque bem trabalhado que resultou no gol de Elkeson após providencial arrancada de Herrera e lançamento de Antonio Carlos. Entretanto, provamos do próprio veneno cinco minutos depois. O Botafogo precisa aprender a jamais trabalhar com a linha de impedimento: ou o bandeirinha se equivoca ou a zaga fica na linha burra! No caso de ontem, a segunda opção permitiu que Leandro Euzébio empatasse a partida e levasse a decisão para a disputa de pênaltis.

Após boa atuação, Jefferson animava a torcida, que entoava sua confiança no melhor goleiro do Brasil. Misturando apreensão e euforia, a torcida não sabia se cantava, rezava ou fechava os olhos. E a confiança em enfrentar o Vasco aumentou assim que Jefferson defendeu a cobrança de Jean. Bastava aos cobradores alvinegros converter suas penalidades. Pois é, bastava... Foi neste bastava que o filme da semifinal da Taça Guanabara do ano passado se repetiu. Lucas desperdiçou sua cobrança, garantindo o empate tricolor. E o uruguaio Loco Abreu mais uma vez cobrou pênalti de maneira displicente na quinta cobrança do Botafogo, garantindo a classificação tricolor para a final. Após as cavadinhas na Taça Rio em 2010 e na Copa do Mundo pelo Uruguai, El Loco não precisava cobrar pênaltis na vida nunca mais. E, a meu ver, esta tem que ser a tônica para os próximos jogos. Temos excelentes cobradores e o atacante carismático pode cumprir outras funções como a de capitão e referência na área. Por favor, chega de cobranças de pênaltis para El Loco, mesmo com ele apontando que tem colhões.

Oswaldo de Oliveira está correto ao solicitar reforços à diretoria pois teremos competições de maior porte a disputar. Maicosuel, apesar de não estar numa grande fase, fez falta no jogo de ontem; e vimos que Herrera é uma ótima opção para o banco. A zaga deixou Fred cabecear sozinho em vários lances e o ataque só conseguiu fazer um gol nessa fraquíssima zaga tricolor! Marcelo Mattos não estava bem no jogo e ao meio-campo como um todo faltava criatividade.

Enfim, bacana a esmagadora maioria da torcida aplaudir o time mesmo com a eliminação! É sinal de que podemos construir uma saudável relação entre torcida e elenco, que permita alçadas maiores ao nosso Glorioso! Jobshow voltará em breve com suas traquinagens EM CAMPO e o Fogão terá um tempinho para recarregar suas energias para a Taça Rio e para a Copa do Brasil. Como há sempre algo positivo, a ausência do Botafogo na final permitirá que domingo os botafoguenses possamos desfrutar a praia, curtir os últimos blocos e aguardar quem nos enfrentará na decisão do Estadual!

*Gabriel Marques - @grdmarques
Texto escrito para a coluna "Paixão Além do Trivial", do BLOG ALVINGRO
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Lançamento Internacional de MEU LIVRO DO FOGÃO




No dia 29 de janeiro de 2012, em Colonia Caroya, cidade que pertence à Província de Córdoba,, na Argentina, ocorreu o lançamento internacional do livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" como parte da programação da I Copa América Alternativa de Futebol. O autor e integrante da equipe Pelada da Esquerda Gabriel Marques realizou uma breve explanação em "portunhol" após os participantes, de diversas partes do mundo, entoarem o hino do Botafogo de Futebol e Regatas.

Segue abaixo o texto que saiu na Revista Digital sobre o evento, em português e em espanhol.
Para ter acesso à Edição Digital da Revista Hombre Nuevo, acesse o link: http://issuu.com/colectivohombrenuevo/docs/edicion_especial_caa2012 

MEU LIVRO DO FOGÃO é uma parceria entre a Editora Livros Ilimitados e o Botafogo de Futebol e Regatas, um projeto revolucionário que visa à publicação de livros escritos por torcedores. Durante 2010, foram publicados diversos textos após os jogos do Glorioso no blog Além do Trivial, que formaram a coletânea que compõe o primeiro livro publicado pelo projeto: “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, título vencedor da enquete promovida no próprio blog. O livro contém trinta crônicas, que não apenas analisam as questões táticas e técnicas dos jogos, mas também relacionam as iniciativas e a história do clube, o papel da torcida e a paixão pelo Futebol a temas gerais da Sociedade, como cultura, educação, política e economia.
                Ao utilizar uma linguagem descontraída, o livro tem como um dos objetivos realizar as necessárias críticas às situações absurdas que têm ocorrido principalmente no Brasil utilizando o Futebol como pano de fundo. Sede de diversos megaeventos esportivos, estádios são construídos com milionários recursos públicos e transferidos em seguida para a iniciativa privada lucrar enquanto ocorre arrocho salarial e direitos historicamente conquistados são retirados dos trabalhadores; famílias são removidas violenta e compulsoriamente de suas comunidades para que obras de reorganização do espaço urbano aconteçam e enriqueçam os empreiteiros; os meios de transporte púbicos encontram-se cada vez mais precarizados; os horários se submetem aos interesses da televisão, estimulando a lógica individualista de cada um assistir aos jogos em sua casa; os preços dos ingressos são elevados etc. Todas estas condições dificultam o acesso da torcida aos jogos. Enquanto isso, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, há diversos anos ditando os rumos do Futebol no Brasil, prossegue sua atuação antidemocrática, mesmo com diversas denúncias de corrupção. Vale registrar que em 2010 foi criada a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras (ANT), que tem realizado ações de Luta contra a Elitização do Futebol Brasileiro, construindo um abaixo-assinado para que o ditador da CBF seja investigado e defendendo a democratização do Futebol.
                Na visão do autor de “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, como professor de Educação Física e membro da ANT, o Futebol, como um fenômeno social, pode e deve contribuir para a formação de uma juventude crítica, leitora e apaixonada. O Glorioso Botafogo, clube de referência e história nos cenários brasileiro e mundial, possui importante papel de vanguarda nesta tarefa de incentivar as relações entre a Literatura e este Esporte conhecido e praticado mundialmente. Após diversas atividades de lançamento e divulgação, em programas de rádio e eventos no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Brasília, ocorreu no dia 29 de janeiro de 2012 o lançamento internacional do livro, em Colonia Caroya, no distrito de Córdoba-ARG, durante a I Copa América Alternativa de Futebol.
                A oportunidade em vivenciar como jogador a I CAA e praticar um Futebol alheio aos fins mercadológicos e competitivistas vão ao encontro das concepções expressas pelo autor acerca do Esporte. O autor tem como anseio que o conteúdo do livro apresente debates para Além do Trivial e que nossas ações cotidianas apontem para a perspectiva de construção de um novo ser humano, em uma Sociedade para Além do Capital. Hasta la victoria siempre!



MEU LIVRO DO FOGÃO es una asociación entre la Editora Livros Ilimitados y el Botafogo de Futebol e Regatas, un proyecto revolucionario que visa a publicación de libros escribidos por los hinchas. Durante 2010, se han publicado diversos textos después de los juegos Del Glorioso em el blog Além do Trivial, que se formó la coletanea que compone el primero libro publicado por el proyecto: “Botafogo, uma passión allá del trivial”, título ganador de la encuesta patrocinada por el blog. El libro contiene treinta crónicas, que no sólo analizan las cuestiones tácticas y técnicas de los juegos, pero también interactúan las iniciativas y la historia del club, el papel de los hinchas e la pasión por el fútbol a los temas generales de la sociedad, como la cultura, educación, política y la economía.
Por medio de la utilización de una lenguaje diferenciado, el libro tiene como uno de los objetivos hacer la crítica necesaria a las situaciones absurdas que se ha producido principalmente en Brazil haciendo uso del fútbol como fondo. El hogar donde hay muchos megaeventos desportivos, los estadios se construyen con millonarios recursos públicos y transferidos entonces para el beneficio privado mientras que se produce compresión de los salarios y se toman los derechos históricamente ganados de los trabajadores; familias son retiradas de modo violento y obligatorio de sus comunidades para obras de reorganización del espacio urbano se sucedan y enriquezcan contratistas; los medios de lo transporte público son cada vez más precarios; los horarios obedecen los intereses de la televisión fomentando la lógica individualista de asistir juegos solo en su casa; los precios de las entradas son altos etc. Mientras tanto el presidente de la Confederación Brasileña de Fútbol (CBF) Ricardo Teixeira, hay muchos anos dictando el rumo del fútbol en Brazil, continúa con sus acciones antidemocráticas, mismo con diversas de corrupción. Vale la pena destacar que en lo ano de 2010 fue criada la Asociación Nacional de Hinchas (ANT), que ven a realizar acciones de Lucha contra la elitismo del futbol brasileño, buscando construir una petición para que el dictador de la CBF sea investigado  y defendiendo la democratización del fútbol.
En la visión de lo autor de “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, como profesor de educación física y miembro da ANT, el fútbol, como un fenómeno social, puede e debe contribuir a la formación de una juventud critica, lectora y apasionada. El Glorioso Botafogo, club de referencia y historia en lo Brazil y en lo mundo, tiene importante papel de vanguardia en la incentivación de las relaciones entre la literatura y el deporte conocido y practicado mundialmente. Después de diversas actividades de lanzamiento y divulgación en radios y eventos en lo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul y Brasília, se produjo en lo día 29 de Enero de 2012 el lanzamiento internacional del libro, en Colonia Caroya no distrito de Córdoba-ARG, durante la I Copa América Alternativa de Fútbol.
La oportunidad de vivencia como jugador na I CAA y practicar un Fútbol ajeno a los fines mercadológicos y competitivistas  vano cumplir el encontró de las concepciones expresó por el autor sobre del Deporte. El autor tiene como deseo que el contenido del libro lleve a debates para Alla del Trivial y que nuestras acciones diarias apunten a la perspectiva de construcción de un nuevo ser humano, en una Sociedad para Alla del Capital. Hasta la victoria siempre!           
 
Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Professor de Educação Física
Integrante da Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras
Militante do Coletivo Marxista


CONFIRAM TAMBÉM O TRAILER DO DOCUMENTÁRIO
SOBRE A COPA AMÉRICA ALTERNATIVA DE FUTEBOL 2012:

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fidedigno relato do 'Pelada da Esquerda' na I Copa América Alternativa de Futebol

Balanço da I Copa América Alternativa*


Entre os dias 27 e 29 de janeiro, ocorreu em Colonia Caroya, na Província de Córdoba, na Argentina, a I Copa América Alternativa de Futebol. Tive a feliz oportunidade de ser o correspondente não oficial do “Pelada da Esquerda”, equipe que pela primeira vez disputou um torneio de futebol de campo e contou com 14 participantes, sendo 9 do Rio de Janeiro, 2 de Juiz de Fora-MG, 1 de Porto Alegre-RS, 1 colombiano e 1 cordobês.

Após 8 edições semestrais no Rio de Janeiro e 2 edições anuais em Juiz de Fora, “Pelada da Esquerda” passou a ser reconhecido internacionalmente como uma equipe de Futebol. No dia 26 de janeiro, realizou seus primeiros amistosos internacionais, em Córdoba, em campo de futebol society, como preparativo para a Copa América. No dia seguinte, ocorreu o sorteio dos grupos. Doze equipes masculinas ficaram divididas em três grupos e o “Pelada da Esquerda” teve a infelicidade de ingressar no “Grupo da Morte”, que continha as equipes La Filial, do Chile; Vova, com três jogadores da Lituânia mais o time sub-18 do Club Che Guevara, da Argentina; e o Club Che Guevara, os anfitriões! Uma demorada reunião para decidir os 11 que começariam em campo ocorreu na parte da noite e vários debates foram realizados para saber quem sairia e quem entraria no decorrer do jogo, decisões totalmente desnecessárias pois durante os jogos a “disputa maior” era pra definir quem descansaria no banco. Na manhã de Sábado, 27 de janeiro, após passarmos a noite alojados no Exército Argentino, a equipe chegou ao Club Deportivo Cólon – local do torneio – no horário marcado, enquanto a organização ainda utilizava cal para efetuar as marcações do campo. Foi a oportunidade perfeita para o plantel apresentar seu diferencial no torneio: com um triângulo, palmas e voz, um gostoso forrózinho animava a manhã e entrosava os participantes. A maior parte do elenco fez valer suas práticas rubro-negras, já derramando álcool como café da manhã após terem passado a noite em festa sem se concentrar... Certamente fator que contribuiu para uma queda exacerbada de resistência para as três partidas da primeira fase!

Com significativo atraso, sob um Sol escaldante e baixíssima umidade, o jogo de abertura foi entre o “Pelada da Esquerda” e o Vova. Inicialmente perdidos num campo que oscilava entre partes gramadas e partes de terra, os jogadores não se entendiam e viram o adversário desperdiçar algumas oportunidades. Numa falta equivocadamente marcada pelo árbitro próxima à intermediária, nosso arqueiro não alcançou e a garotada sub-18 abriu o placar! A correria era grande e o setor defensivo não conseguia acompanhar. Uma “Avenida sem trânsito” pela direita permitiu o segundo gol do Vova ainda no primeiro tempo. Numa boa jogada de ataque, nosso meia-atacante Gabriel sofreu um pênalti ignorado pela arbitragem! Na segunda etapa, outro futebol começou a ser apresentado. Com um preciso toque de bolas e velocidade no ataque, o Vova foi obrigado a se defender. Raphael cobrou uma falta que bateu na trave e saiu. Nosso time pressionava até que o goleiro adversário se assustou, segurou, largou, segurou e largou a bola novamente, Gabriel acreditou, carregou pela esquerda e tocou para o fundo da rede, balançando-a e anotando o primeiro gol da equipe! O goleiro adversário ainda salvaria um belo chute de Bruninho numa ágil jogada de contra-ataque, mantendo o placar em 2 x 1 para o Vova.

Além de ficar no “Grupo da Morte”, ainda tivemos o azar de pegar a pior sequência de jogos. Após o horário do almoço, o segundo jogo foi contra o entrosado e combativo Club Che Guevara. Jogando num campo com mais grama que o anterior, a equipe sentiu o Sol ainda mais escaldante. Todavia, conseguiu segurar o 0 x 0 no primeiro tempo. Num jogo bastante truncado, as equipes se equilibravam até que nosso zagueiro gaúcho Leandro Balejos – eleito o jogador mais cortês do torneio – resolveu presentear a equipe adversária, com uma preciosa assistência para que abrissem o placar. O “Pelada da Esqueda” ficou desnorteado com o gol numa partida que caminhava para o empate e passou a arriscar mais para tentar seu gol, deixando a defesa desguarnecida, causando dois outros gols em jogadas ariscas de contra-ataque do adversário. Com alguns chutões para a frente e cobranças de falta e escanteio, houve chances para diminuirmos, mas o placar acabou em 3 x 0 para o Club Che Guevara.

Após um acordo de cúpulas – não aceito por todos os jogadores – entre os cartolas dos dois times, a terceira partida do grupo teve a diminuição de 5 minutos cada tempo! Era o jogo do “tudo ou nada” para decidir qual das duas equipes iria para a fase do mata-mata, com o objetivo de garantir o primeiro ou o segundo melhor terceiro colocado dentre os três grupos. Inicialmente equilibrada, a partida tinha bons lances para ambas as equipes, obrigando os goleiros a trabalharem ou lançarem mão da sorte. Numa jogada muito bem tramada, Raphael lançou Forró pela direita, que carregou a bola pela ponta e cruzou na área para Gabriel arrebatar de primeira... Infelizmente, o goleiro chileno estava de prontidão para espalmar no canto direito e jogar para escanteio. O “Pelada da Esquerda” ainda seria prejudicado após uma marcação deveras equivocada de impedimento, num lançamento perfeito de Raphael para Gabriel, que já estava cara a cara com o goleiro chileno, que desta vez não seria páreo. Ainda no primeiro tempo, La Filial conseguiu abrir o placar. Até o final do jogo, ainda marcariam mais três gols, eliminando a equipe brasileira em sua primeira competição internacional.

Uma sequência de infelicidades custou a eliminação: estar no “Grupo da Morte”; pegar a pior sequência de jogos; ter poucos reservas, ainda mais pelas baixas durante os jogos; o calor; o gramado ruim; a bola de baixa qualidade; a bebedeira e as farras noturnas de certos “atletas”; o desfalque do zagueiro Brunão, que não pode viajar; a influência significativa de alguns jogadores de centro-esquerda que não querem aceitar a foice e o martelo no escudo da equipe; além de influentes erros da arbitragem! Sem a classificação para as Quartas-de-Final, houve um tempo maior para descanso à noite no Alojamento do Exército. No Domingo, iniciava-se a disputa de La Liguita, entre os quatro eliminados: Pelada da Esquerda x Comunidade Boliviana (Bolívia); Easton Cowboys (Inglaterra) x World Eleven (miscelânea).

Durante La Liguita, o “Pelada da Esquerda” obteve sua primeira vitória! O time da Comunidade Boliviana não se fez presente e garantimos o W x O, ou seja, 2 x 0 e a vaga para a final de La Liguita, contra o Easton Cowboys, que também venceu por W x O. Após a definição dos semi-finalistas da I Copa América, foi a vez da decisão de La Liguita. Os espectadores depositavam todas as fichas na vitória dos ingleses, que tiveram seu time reforçado por alguns garotos do sub-18 do Club Che Guevara e uma oportunista atacante do Easton CowGirls! Nesta partida, além do Sol escaldante, apenas um reserva no banco e o desgaste físico exacerbado após as três partidas do dia anterior prometiam atrapalhar a apresentação de um bom futebol. Com um toque de bola mais consistente, porém uma defesa ainda atabalhoada, oportunidades apareciam para ambas as equipes. Enfim conseguido utilizar as pontas no ataque, Forró lançou Gabriel, que disparou em velocidade pela direita até a área e chutou de direita. A defesa rebateu, a bola voltou para Gabriel, que dominou e chutou de esquerda para abrir o placar! 1 x 0 foi o placar do primeiro tempo. Os ingleses lançaram mão de mais garotos argentinos do sub-18 na segunda etapa, que impulsionaram a velocidade no ataque, mas se precipitavam nas finalizações. Dessa vez tramada pelo meio, Raphael tocou para Cadu, que resolveu retribuir os bons lançamentos feitos por seu companheiro Gabriel. Bem posicionado, o meia-atacante dominou a bola à frente do zagueiro adversário dentro da grande área, carregou por alguns metros e tocou no canto esquerdo do goleiro inglês, aumentando a diferença! Os contra-ataques foram a tônica do “Pelada da Esquerda” a partir de então, que em dois lances do “fominha” Raphael e um de Cadu, que não passaram a bola para companheiros em melhores condições de finalizar, não permitindo um placar elástico. Além disso, foram anotados erroneamente três impedimentos em lançamentos para nosso artilheiro, que não perdoaria. Diante de mais duas bobeadas da defesa, o Easton conseguiu chegar ao empate em 2 x 2, levando a decisão para os pênaltis, fornecendo maior emoção à conquista.

Depois de quase ficar conhecido como “Mão de quiabo”, Pablo conseguiu se consagrar, defendendo a primeira cobrança. O aniversariante Leandro Balejos cobrou com categoria e não quis dar presente pro goleiro desta vez. Pablo pegou a segunda cobrança dos ingleses. Diretamente contratado das terras colombianas, o estudante de Sociologia Camilo marcou o segundo gol do “Pelada da Esquerda”. Na terceira cobrança, os ingleses diminuíram. O “capita” Bruno Gawryszewski enganou a todos, inclusive a si próprio, cobrando no meio do gol e fazendo 3 x 1. Todas as atenções voltadas para a atacante do Easton CowGirls, que cobrou forte, no meio do gol, mas acertou o travessão! É CAMPEÃO! Los campeones de La Liguita!

Cada equipe levava um troféu, pois a ideia da Copa América Alternativa é que todos os times saiam presenteados. Fomos então contemplados com o cachecol do Republica Internacionale e uma camisa do time que ficou com o vice-campeonato de La Liguita e retribuímos com um troféu artisticamente confeccionado e uma legítima cachaça brasileira. Como o Autônomos FC, equipe de São Paulo, sagrou-se campeão da I Copa América após vencer as três partidas decisivas nas cobranças de pênaltis, em breve haverá a I Recopa Alternativa, com um jogo no RJ e outro em SP entre Pelada da Esquerda e Autônomos! Vale registrar que também tivemos destaque na arbitragem de duas partidas decisivas e o lançamento internacional do livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”, com explanação em portunhol feita pelo autor e “chuteira de bronze” da Copa América Gabriel Marques. Em breve postarei os comentários com as notas referentes às atuações de cada um dos jogadores do combativo e simpático “Pelada da Esquerda” – ou “Players of the Left”.


*Karl Leirbag, jornalista alemão, correspondente não oficial e defensor da foice e do martelo como símbolo do “Pelada da Esquerda”.