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sábado, 9 de outubro de 2010

Estrelas x Aves*

Quando criança, lembro que organizava algumas armadilhas para pegar pássaros. Com muita paciência, deixava pedacinhos de pão, com uma caixa de sapato vazia sustentada por um galho amarrado a um barbante, que seria puxado assim que o pequeno animal estivesse em posição para ser preso. Hoje, quando vejo animais presos em gaiolas que impedem sua liberdade de voar e cantarolar mundo afora, tenho muita vontade de abrir as portinhas para libertá-los dessa prisão. Já no sábado passado, 2 de outubro, véspera de eleições parlamentares, a sensação em relação aos mascotes era diferente, pois queria vê-los caírem, como na época das armadilhas.

            Às 18:10 cheguei em casa e restavam apenas 20 minutos para iniciar o jogo. Com a vantagem de morar no Engenho de Dentro, foi possível, nesse parco tempo, estacionar o carro, separar a carteirinha de estudante e o dinheiro, ir até o ponto de ônibus, descer, andar até a bilheteria, comprar o ingresso, entrar no setor certo depois de alguns segundos perdidos no local errado e sentar antes da partida ser iniciada. Raras são as vezes em que vou ao clássico Botafogo x Flamengo devido às preocupações maternas, mas dessa vez não teve escapatória. Em péssima fase, o Glorioso estava diante da oportunidade de afundar ainda mais os urubus rumo à Segunda Divisão.

Uma pausa: absurdamente aumentam os preços dos ingressos nos clássicos; há muito tempo não assistia jogos do Fogão no setor Oeste Inferior e paguei R$30,00 a meia entrada, porque ainda sou estudante! Imaginando um casal e seus dois filhos, num clássico lá se vai quase metade do parco salário mínimo de nosso país! O pior: para ingressar em estádios cujas construções e reformas são constantemente patrocinadas pelos recursos vindo dos impostos pagos por todos nós! Não é à toa que apenas pouco mais de 13.000 pessoas pagaram para assistir a essa partida.

            Apesar dos desfalques, da falta de entrosamento e de diversos erros bobos vindos de jogadores profissionais, que treinam quase diariamente, o Botafogo segurava o placar sem gols e criava poucas chances. E, numa cobrança espetacular de falta, o maestro e capitão Lucio Flávio ratificou que ainda tem condições de ajudar com sua categoria e precisão. Enquanto Leandro Guerreiro sobrava na defesa, Túlio Souza e Lucio Flávio garantiam a qualidade do meio-campo e Jefferson segurava os ataques dos flamenguistas, El Loco e Edno estavam apagados no ataque, Somália errava tudo que tentava e Marcelo Cordeiro confirmava toda sua limitação. Tínhamos tudo para vencer, até mesmo porque enfim Fahel estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo... Tínhamos... Pretérito Imperfeito! Imperfeito tal como o lateral Alessandro, que eu vinha elogiando por conta de seu crescimento, amadurecimento e confiança adquiridos nos últimos jogos. Num lance de pelada de várzea – com todo o respeito aos peladeiros – em vez de chutar a bola para fora, tentou chutar em cima do adversário, que caminhava para a entrada da área, totalmente sem ângulo. Não bastasse a primeira burrada, Alessandro ainda cometeu o pênalti e foi expulso. $#&*¨@!% Esse seria o primeiro palavrão publicado no blog – e merecidamente! Mas não vou apelar às palavras de baixo calão. É, temos o melhor goleiro em atividade no Brasil e algo me dizia: Jefferson vai pegar, enquanto recordava o gol do vascaíno Felipe após rebote de pênalti em rodada anterior. Os números da Mega-Sena nunca me vêm à cabeça... Para variar, o Flamengo contaria com uma regra ludibriada. Leo Moura correu antes da cobrança e estava em total vantagem sobre os adversários para pegar o rebote e empatar a partida... Ainda houve tempo para a expulsão do rubro-negro Renato. E, apesar de ter gostado dos poucos minutos da atuação do Marcio Rosário, é de lamentar mais uma baixa no elenco por conta da contusão do Fabio Ferreira.

            Todavia, cravamos o quinto empate seguido no campeonato e não fomos capazes de liquidar o Urubu, que tem na liderança de suas crises externa e interna a presidente tucana Patrícia Amorim. Os tucanos, apesar das pesquisas de intenções de votos, conseguiram levar o apático José Serra para o segundo turno no dia seguinte. Na briga das estrelas contra as aves, teremos de aguardar mais alguns dias para saber quais serão as consequências. Entretanto, é certo, nítido e notório que a estrela petista não brilhe mais como antes e hoje esteja ao lado dos ricos, poderosos e dominantes, aplicando a mesma política dos 8 anos de tucanato. Ainda é duvidoso que a urubuzada caia, situação que seria interessante e completaria o ciclo dos quatro maiores clubes do Rio de Janeiro terem passado pela Série B.

            Diante dessa espera, prossigo com a minha Estrela Solitária no peito, torcendo pela queda de urubus, tucanos e também da estrela petista. É Fogão na cabeça e no coração e VOTO NULO nas urnas!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 18 de setembro de 2010

Meus pintinhos, venham cá!*


Já era previsto. Não falo do resultado do jogo – ainda. Mas da quantidade de torcedores presentes. Depois de uma exagerada derrota para o Goiás e diante da ameaça de chuva, pouco mais de 16.000 torcedores estiveram presentes no Engenhão. Ainda temos muitos adeptos da Sofá-Fogo! Embalado pelo verso Experimente tomar banho de chuva... fui acompanhar a disputa momentânea pela terceira colocação no Campeonato Brasileiro no Estádio em que o Fogão defendia sua invencibilidade. A equipe cruzeirense tem ascendido bem no Brasileirão, é séria candidata ao título (a meu ver, mais que Corinthians e Fluminense e tanto quanto Botafogo e Internacional), tem ótimos jogadores e um técnico que dificilmente deixarei de gostar.

            Foi notória a mudança de postura da equipe e o crescimento em qualidade e disposição com o retorno de Somália. No jogo de hoje, o técnico Joel Santana vacilou em alguns momentos. O principal dos vacilos é a manutenção do jogador Fahel na equipe. Se ele tem contrato com o clube, coloquem-no para jogar o torneio sub-23! Joel, tira o Fahel! Sem dúvida foi a mais correta ponderação dos torcedores presentes.  Edno deveria ter iniciado como titular, mas Joel o colocou no lugar do Renato Cajá! Alguém entende por que não sacou o Fahel? Danny Moraes não comprometeu e o considero um bom reserva. A ligação entre os setores do Alvinegro ainda deixa bastante a desejar: algumas reposições equivocadas de Jefferson e muitos chutões dos zagueiros para que os atacantes se virem. Um jogador em especial tem crescido bastante durante a ascensão da Estrela Solitária: perseguido em outros momentos, Alessandro tem feito ótimas partidas e hoje foi premiado com um golaço, de muita categoria e tranqüilidade. Óbvio que ainda comente algumas falhas, mas o Cabeçudo tem muita raça. 1 x 0 para o Fogão com poucos minutos do primeiro tempo.

            Além da qualidade do adversário, tivemos de lidar com as falhas excessivas da pista de pouso de mosquito, o árbitro paranaense Héber Roberto Lopes, que deixou de marcar inúmeras faltas a nosso favor. Após o intervalo, parecia que Caio tinha brincado de Meus pintinhos, venham cá, respondendo tenho medo da Raposa! Num pênalti infantil cometido pelo atacante, veio o empate mineiro. Minutos depois, nova perda de bola do xodó. Enquanto Papai Joel mantinha nosso Hermano no banco, o indigesto argentino cruzeirense passou fácil ao passo que a defesa alvinegra cochilava e mandou para os fundos da rede de Jefferson, que simplesmente pôde assistir ao golaço alheio. Quanto tudo parecia caminhar para a derrota, o time enfim despertou, Maicossuel mostrou que pode desequilibrar ao ousar e abusar nos dribles e sofreu o pênalti para nosso carismático atacante converter. El Loco, enfim de esquerda, marcou seu quarto gol em quatro jogos. A torcida também acordou e tentou impulsionar o Glorioso, que partiu para cima. Todavia, saímos derrotados na disputa pela medalha de bronze provisória. Mas valeu pelo esforço, pela manutenção da invencibilidade em casa e pelo jogo, que foi bem disputado!

            Antes de finalizar, três questões. A primeira delas é a cisma dos jogadores de futebol de pararem em determinados lances aguardando a marcação do árbitro. Que amadorismo! É preciso correr atrás da bola, principalmente em lances de perigo. Se ouvir o apito depois, ótimo. Em segundo lugar, sei que a torcida alvinegra é impaciente em demasia. E que aqui no Brasil ocorrem vaias para times que estão entre as primeiras colocações. Irônico? Mas o garoto Caio não pode ter síndrome neymariana. Não devemos culpabilizá-lo pelo empate, tampouco o mesmo pode  fazer gestos obscenos quando os torcedores o criticarem! Por fim, não saio triste com o empate de hoje: pior foi termos perdido por 1 x 0 para o Cruzeiro no Mineirão no primeiro turno, num jogo em que o Botafogo foi bem superior mas desperdiçou inúmeras oportunidades, inclusive um pênalti.

            O líder Corinthians está seis pontos à frente, com um jogo a menos. Restam ainda 15 rodadas e temos condições plenas de alcançar e ultrapassar os atuais três primeiros colocados. Após o empate de hoje – sétimo no Engenhão – Joel precisa reorganizar a equipe, que tende a melhorar com o retorno progressivo dos que estavam no Departamento Médico. Com o fundamental e imprescindível apoio da torcida, podemos vencer o Bacalhau e o Atlético-PR e recuperar a confiança para disputar o título.


Obs: em tempo, bacana a iniciativa da diretoria ao lançar a Revista Preliminar.
 
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985