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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Feliz Dia d@ Professor@

No dia 15 de outubro de 2009, inaugurei este blog para também servir como um espaço de reflexão e socialização de práticas pedagógicas, que preferencialmente caminhem para uma relação entre docentes e estudantes para além do trivial. Hoje, ele completa cinco anos de existência e decidi selecionar algumas imagens desta minha aparentemente curta trajetória como professor de Educação Física de diversas redes públicas. Saudosismos à parte, é muito bacana relembrar nomes, situações, festas, atividades fora da escola, perguntas engraçadas, abraços afetivos, esporros e perceber que a maioria dos estudantes para quem tive a honra de lecionar hoje estão crescid@s e se transformaram em homens e mulheres com potencial para fazer a diferença. 

Após passar como docente pelo Colégio de Aplicação da UFRJ (2008); Colégio Estadual Professor Ubiratan Reis Barbosa (2009/2010) em Nilópolis; Escola Municipal Edilson Vignoli Marins (2009/2010) em Saquarema; Escola Municipal Carlos Magno Legentil de Mattos (2010) em Maricá; Escola Municipal Vereador Pedro Moreira dos Santos e Escola Municipal Maria Teixeira de Paula (2010) em Rio das Ostras; Colégio Municipal Botafogo (2010-2014) em Macaé; Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (2013) na FIOCRUZ; e Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato (2010-2014) na rede do Rio de Janeiro, tenho certeza de que a trajetória possui falhas e sucessos, erros e acertos. Mas vale ressaltar que dedicação e interesse por um melhor futuro para esses estudantes sempre estiveram lado a lado com o planejamento e a intervenção de cada uma das aulas, trabalhando com os conhecimentos da cultura corporal e tentando, apesar de todas as limitações de materiais, de falta de espaço e em alguns casos de apoio institucional, oferecer uma Educação Física diversificada e participar de eventos fora do ambiente escolar e de torneios e campeonatos.

Exatamente neste ano de 2014, rumo para um desafio maior, atuando desde o dia 7 de outubro como professor da Educação Básica, Técnica e Tecnológica no campus Quissamã do Instituto Federal Fluminense e espero que a experiência anterior propicie uma atuação pedagógica cada vez mais consolidada, oferecendo práticas corporais com sentidos e significados positivos para os estudantes. E que, com a abertura do curso de Licenciatura em Educação Física no IFF, eu também possa ajudar a formar futur@s professor@s da nossa área. 

Como não poderia deixar de citar, que nossa categoria caminhe para uma unificação maior, defendendo a Educação Pública e lutando efetivamente para que conquistemos a valorização e a respeitabilidade que merecemos. E isto só conseguiremos garantir com muita mobilização, por meio da ação organizada a partir dos Sindicatos que nos representam, enfrentando patrões e governantes e realizando na práxis o nosso discurso de transformação, demonstrando aos discentes que apenas a Luta muda a Vida! Para mim, para meu pai, minha irmã, minha namorada e demais parentes professor@s, para meus e minhas ex-professor@s e para tod@s meus e minhas colegas da Educação em todo o país, um FELIZ DI@ D@ PROFESSOR@!

Saudações pedagógicas, 
Gabriel Marques.

Estudantes do CAp-UFRJ e Licenciandos da UFRJ (2008)

Turma do 1º ano do Ensino Médio do C. E. Professor Ubiratan Reis Barbosa (2009)

Caminhada até o Morro da Urca com estudantes do 3º ano do Ensino Médio do C. E. P. U. R. B. (2009)

Jogos Cooperativos na turma de 8º ano do Ensino Fundamental da E. M. Edilson Vignoli Marins (2009)

Jogos Cooperativos na turma de 9º ano na E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Turma de 6º ano do Ensino Fundamental da E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Jogos Cooperativos na turma de 9º ano na E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Formatura da turma do 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação da UFRJ (2008)

Ida ao Morro do Pão de Açúcar com o C. M. Botafogo (2011)

Festa surpresa no meu aniversário organizada pelos estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Festa surpresa no meu aniversário organizada pelos estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Visita ao Maracanã com os estudantes do C. M. Botafogo (2011)

Gabriel dos Santos medalhista de ouro no lançamento de disco dos JEEM de Macaé (2011)

Visita guiada ao Morro do Pão de Açúcar com os estudantes da E. M. Ministro Orosimbo Nonato (2011)

Aula de Esportes Radicais com a turma do 7º ano do Ensino Fundamental da E. M. Vereador Pedro Moreira dos Santos (2010)

Apresentação de Jogos Populares de um dos grupos do 8º ano do Ensino Fundamental da E, M. Maria Teixeira de Paula (2010)

Aulão de Forró na E. M. Ministro Orosimbo Nonato durante Festa da Primavera Folclórica (2011)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Não escolho, fui escolhido! Obrigado, C. M. Botafogo

Acabara de terminar a especialização e cursava ainda as disciplinas do Mestrado em Educação, aguardando para ser chamado para trabalhar no município de Rio das Ostras, quando apareceu o concurso para a rede municipal de Macaé, cidade vizinha. Mais distante ainda do Rio de Janeiro, salário então semelhante ao de Rio das Ostras e sem vontade para fazer nova prova, decidi próximo ao final do prazo me inscrever e garantir mais uma viagem com amigos para prestar o concurso. Um final de semana para socializar com os amigos em Rio das Ostras e papear sobre as questões do concurso, enquanto líamos por alto a Lei Orgânica de Macaé para garantir mais uns pontos importantes na prova. 

Chegou o domingo e parti para o Instituto Federal Fluminense - campus Macaé, onde fiz a prova. Mesmo sem grandes expectativas, após a prova, aguardava ansiosamente o gabarito, que surgiu trazendo um balde de água fria com apenas quatro questões corretas na parte de legislação. Apesar de terem chamado mais de uma centena de professor@s de Educação Física, eram vinte as vagas anunciadas no edital e a quantidade de erros me tiraria das primeiras colocações. Foi então que, após o gabarito inicial, veio outra notícia: todas as questões de legislação anuladas, pois a organizadora do concurso utilizada erroneamente a legislação mais antiga para elaborar as questões, colocando todos os candidatos com as dez questões de legislação corretas. Então eu voltava para as primeiras colocações, confirmando o nono lugar após a prova de títulos. 

Não demoraram para convocar. E colocaram a escolha justamente para um período em que eu participaria pela primeira vez como palestrante do Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física, em Fortaleza. O jeito foi correr para o cartório e assinar a procuração, nomeando meu pai para a escolha da escola onde eu começaria a trabalhar. Já trabalhava às segundas e terças em Rio das Ostras e cursava disciplina do Mestrado às sextas, sobrando as quartas e quintas para a nova instituição. Toda a orientação passada para o meu pai, que, no momento da escolha, ficou sem saber o que fazer. É aí que entra a frase: NÃO ESCOLHO, FUI ESCOLHIDO. Minha colega de período Andrea chegou e apontou: "é pra escolher esse aqui!". A diretora Luiziana já estava por lá buscando convencer novos professores para trabalhar com ela na periferia de Macaé. Quando telefono para o meu pai, a pergunta: "Adivinha o nome do Colégio"? Sem ter a mínima ideia, pois muitas vezes as escolas recebem nomes de pessoas da cidade, a resposta: "Botafogo. Colégio Botafogo, no bairro Botafogo. Foi sua amiga que falou pra escolher lá". 

Ao entrar em exercício, no primeiro dia, calculei que poderia sair às 6h de Rio das Ostras para estar às 7:20 no novo local de trabalho. Ledo engano. Além de não conhecer os atalhos para chegar, o motorista se esqueceu de me avisar para descer no ponto correto; tive que ir até o ponto final e voltar, andar ainda mais e chegar ao Colégio após 9h da manhã, sendo recebido pela então coordenadora de turno Flávia, que garantiu rapidamente minhas seis turmas nas manhãs de quarta e quinta. Logo depois, chegou Douglas, informando que no dia seguinte seria o torneio de futsal e que eu apitaria as partidas com ele. Os informes sobre o Colégio e o bairro eram os mais assustadores, sobre tiroteio, facções, furtos, não poder entrar com camisa vermelha etc. E foi justamente no torneio, no meu primeiro contato com os estudantes, que não pude me intimidar, mostrando que, apesar de aparentar pouca idade e de ser baixinho, precisava me apresentar sem dar brecha para abusos e desrespeitos. Era o dia primeiro de agosto de 2010 e começava ali uma trajetória de dedicação e amor por um Colégio e um bairro onde fui recebido de braços abertos, que ficarão para sempre no coração e na memória deste jovem professor.




Foi desafiador e angustiante trabalhar em um colégio de periferia, situado na denominada CAPITAL NACIONAL DO PETRÓLEO, cujos gestores se preocupam com as imagens externamente, mas não atendem às necessidades básicas da população. Trabalhamos por diversos e longos meses com a quadra passando por obras fictícias, com poucos materiais e até mesmo sob o perigo de sermos atingidos por uma bala diante dos confrontos entre a polícia e o tráfico. Apenas vivenciando no cotidiano essas situações podemos nos aproximar dos empecilhos e dos problemas que nossos estudantes passam em seus trajetos para a casa ou para o trabalho. E a cada catarse de um deles tentar lembrar o porquê das revoltas, o porquê das desobediências, o porquê de não aceitar determinadas "imposições". É difícil, mas o processo não é impossível, e devemos nos colocar ao lado das reivindicações de uma comunidade que clama por saneamento básico, por cultura, por lazer, por Saúde, por Educação... 




Em 2011, conseguimos garantir sessenta gratuidades para que os estudantes vivenciassem o bondinho e conhecessem o Maracanã e os Morros da Urca e do Pão de Açúcar. Apesar de cientes com quatro meses de antecedência, os gestores da SEMED enrolaram o quanto puderam e só viabilizaram o transporte, após muita pressão de nossa parte, na véspera do evento. Foi uma oportunidade incrível e a alegria dos estudantes é indescritível, pois muitos não costumam sair nem do próprio bairro onde residem. Mesmo sem apoio material e com atrasos no transporte, levamos os jovens para os Jogos Estudantis das Escolas Municipais de Atletismo, obtendo medalhas, mas principalmente sendo espaços para vivenciarem a prática esportiva junto a jovens de diversas outras instituições educacionais. Os projetos de Judô e Dança do Colégio também propiciam oportunidades diferenciadas para os estudantes, mas infelizmente é sempre necessário batalhar pela permanência dos mesmos, pois a SEMED e a Prefeitura sempre querem tentar economizar os gastos com quem mais precisa...

Por fim, também foi nesta cidade que pude crescer na defesa da Educação Pública, atuando nas lutas em 2011 que barraram o ataque xenofóbico da SEMED aos professores C e conquistando um Plano de Carreira melhor que o anterior. Em 2012, participei pela primeira vez de uma chapa para a gestão do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação - Núcleo Macaé, obtendo a segunda colocação no pleito e três cadeiras para a gestão 2012-2015 e tornando-me portanto Secretário de Imprensa e Comunicação. Faço um balanço positivo das paralisações e passeatas de 2012 e 2013, do crescimento e da respeitabilidade que o SEPE Macaé tiveram, do retorno da sede, do aumento considerável de filiações e de ter sido o primeiro grupo a denunciar e enfrentar o suposto "Governo da mudança", que permanece garantindo os interesses de poucos na capital nacional do petróleo e mente como o governo anterior ao anunciar que a Educação é a maior riqueza. Infelizmente, com o Doutorado em curso e atuando como docente do IFF em Quissamã, paulatinamente me retirarei do SEPE Macaé, mas estarei por perto acompanhando e apoiando as lutas que hão de vir.




No dia 7 de outubro, solicitei minha exoneração como professor C - Educação Física, do quadro de servidores municipais de Macaé. Todavia, meus laços não serão rompidos, pois a vivência com os colegas lutadores e a alegria de ter deixado alguma marca nas mentes e corações de centenas de crianças e jovens que passaram pelas minhas turmas nesses quatro anos e três meses me deixarão com saudades e pronto a ajudar com o máximo das forças, a defender com unhas e dentes, as lutas que precisamos travar em defesa da Escola Pública. 



À Direção, aos colegas e ex-colegas, aos estudantes e ex-estudantes, pais e responsáveis do Colégio Municipal Botafogo, aos ativistas da rede municipal, aos companheiros do Movimento Sindicalismo Militante, obrigado por compartilharem comigo o conjunto desses momentos vividos na capital nacional do petróleo.

Saudações pedagógicas,
Gabriel Marques.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Obrigado, E. M. Ministro Orosimbo Nonato

Era o ano de 2010. Após passar por algumas redes de ensino, parecia estabilizar-me nas redes de Rio das Ostras e Macaé. Parecia... Porque com os desmandos do coronelismo riostrense e os 20 tempos semanais cumpridos em dois dias, rodando de bicicleta de uma escola para outra, me forjaram a decisão de me inscrever para aquele que demorara, mas chegara: o concurso para a Prefeitura do Rio. Inscrevi-me para a 3ª CRE para poder trabalhar perto de casa. Veio o concurso e obtive a melhor nota para a referida região, passando em quarto lugar após as provas de títulos e os critérios de desempate. A convocação não demorara e já estava decidido a trocar as 25h semanais de Rio das Ostras pelas 16h semanais na rede do Rio de Janeiro. No dia da escolha da lotação, poucas opções, mas não demorei para optar pela Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato, situada no bairro cujo nome associam ao seu homônimo paulista - Higienópolis. 



Desde outubro de 2010, esta instituição foi uma de minhas casas, principalmente às segundas e terças, trabalhando a cada ano com seis turmas do Ensino Fundamental, usando as salas, os pátios, o auditório, a quadra, a área externa, buscando desenvolver atividades que integrassem os estudantes e diversificassem os conteúdos da Educação Física. Não sei se fui sempre exitoso, mas buscando reviver alguns momentos marcantes tenho certeza de que me esforcei para estabelecer boas relações profissionais, pedagógicas e emocionais com os colegas de trabalho e com os estudantes. 

O cotidiano cruel imposto por uma política pública de Educação meritocrática e elitista dificulta bastante a construção de uma Educação digna para os filhos da classe trabalhadora. As salas pequenas e superlotadas, a pressão para garantir a aprovação maciça, a ausência de apoios de psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais para os estudantes, dentre outras questões, são empecilhos claros para o desenvolvimento pleno de nossas crianças. Contudo, com todas as dificuldades, aos trancos e barrancos, somos desafiados a garantir um trabalho de qualidade.



Em 2011, tive a felicidade de conseguir as gratuidades para subirmos ao Morro do Pão de Açúcar, uma atividade externa que até hoje me recordo: os sorrisos e as brincadeiras, a vivência de aprender conhecimentos fora dos muros da escola, a cantoria no trajeto e o sensacional comportamento dos adolescentes naquela agradável tarde. Naquele mesmo ano, uma das turmas me pregou uma verdadeira pegadinha: só um desce para a aula na quadra; quando chega o segundo, diz que há uma briga física na sala de aula justamente no dia em que o inspetor não estava. Subo os lances de escada pulando de três em três degraus e chego à sala ao som de "Parabéns pra você!", com bolo, salgadinho, docinho e refrigerante. Como é gostoso receber essa sensação de carinho, de afeto, de admiração, por parte desses jovens! 

E foi por causa de alguns deles que usávamos do nosso tempo de almoço para treinar, pegávamos carros emprestados e nos desdobrávamos para sair com grupos de crianças e adolescentes, para outros bairros e participar dos Jogos Estudantis. Infelizmente, a relação de apoio por parte da Prefeitura é inversamente proporcional à alegria da participação nos torneios, mesmo nas situações de derrotas. Foi uma agradabilíssima experiência levar os estudantes da Orosimbo para disputar torneios de futsal e basquetebol, inclusive levando a Escola ao sexto lugar geral da 3ª CRE em 2013.






Falo sobre as flores, mas é preciso denunciar os espinhos! Apesar de ter me ouvido e dialogado até pessoalmente, a Secretária Claudia Costin, com quem discuti asperamente nas redes sociais em 2011, cumpriu um desserviço à Educação Pública. Por isso, aderi a todas as paralisações aprovadas pela categoria desde que entrei na rede!

Eduardo Paes, Adilson Pires, Claudia Costin, Helena Bomeny, Pedro Paulo, Paulo Figueiredo, vereadores representantes dos dominantes e demais asseclas: NÃO PASSARÃO! 2013 foi o ano em que mais me senti efetivamente em uma rede de Educação. Foi o ano em que vesti com orgulho a camisa preta informando à sociedade que fiz parte daquela história. Foi o ano em que colocamos cem mil nas ruas para defender os trabalhadores da Educação após a truculenta ação dos governantes e da Polícia Militar, que sitiou a Câmara de Vereadores para nos bombardear física e moralmente. Foi o ano em que a categoria ousou sonhar, ousou conquistar, ousou ir às ruas e enfrentar um governo tirano e uma secretaria meritocrática. Foi o ano em que não precisávamos abaixar as cabeças, pois tínhamos companheiros ao nosso lado para nos proteger a qualquer momento. Apesar dos pesares, essa energia de luta é incapaz de perecer. Tenho certeza de que devemos e podemos resgatar a chama de luta para a rede, nos juntando aos demais trabalhadores da Educação de outras redes e à sociedade como um todo, para buscar novos horizontes para a Cidade Maravilhosa.






Neste dia 6 de outubro, poderia até considerar meu pedido de exoneração como a carta de alforria por em breve não mais pertencer como professor I - Educação Física ao quadro de servidores municipais do Rio de Janeiro. Todavia, meus laços não serão rompidos, pois a vivência com os colegas lutadores e a alegria de ter deixado alguma marca nas mentes e corações de centenas de crianças e jovens que passaram pelas minhas turmas nesses quase quatro anos me deixarão com saudades e pronto a ajudar com o máximo das forças, a defender com unhas e dentes, as lutas que precisamos travar em defesa da Escola Pública. 

Aos colegas, aos estudantes, pais e responsáveis da Escola Municipal Ministro Orosimbo Nonato, aos ativistas da rede municipal, aos companheiros do Movimento Sindicalismo Militante, obrigado por compartilharem comigo o conjunto desses momentos vividos ao longo dos últimos quatro anos. 

Saudações pedagógicas, Gabriel Marques.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu troco Luan Santana...*

Desde 2004, ano em que ainda me encontrava cursando a Graduação, não havia concursos para o meu cargo (Professor 1 - Educação Física) para o município onde nasci, estudei, fui criado e até hoje resido, conhecido internacionalmente como a Cidade Maravilhosa. Enfim, em 2010 o concurso foi realizado e obtive êxito. No dia 25 de outubro, tomei posse e sou desde então funcionário público da capital fluminense.

No final de semana, folheando as páginas do jornal, deparo-me com a notícia de que a Prefeitura do Rio de Janeiro, atualmente gerida por Eduardo Paes/PMDB, realizará no próximo sábado um evento de final de ano(1).

A primeira questão a se levantar é que tal evento não permitirá a presença e a participação de todo o seu corpo de trabalhadores. Quem estivesse interessad@ deveria participar de um sorteio, que contemplaria 15.000 funcionári@s, cada um(a) destes(as) podendo levar acompanhante. O show, que ocorrerá na Praça da Apoteose, terá como contratado o cantor sertanejo Luan Santana, cuja existência soube há poucos meses. E aí está a segunda e principal questão, que me incentivou a tecer alguns comentários:

a) a maioria do público-alvo do artista certamente está concentrada na faixa etária abaixo dos 18 anos, ou seja, público não composto por funcionários públicos;
b) além de não consultar o que seus funcionários gostariam de ganhar como presente de Natal, a Prefeitura escolhe, a seu critério e arbitrariamente, quem será o artista; contratando-o por intermédio da empresa Cunha Locação de Equipamentos, propriedade do produtor Daniel Alves;
c) o total de gastos com o evento custará cerca de R$1.300.000,00 aos cofres públicos(2);
d) apenas o cachê e gastos de deslocamento de Luan Santana custarão aproximadamente R$525.000,00(2).

Recentemente, alavancado por uma ascensão meteórica à fama, o referido cantor adquiriu um jato particular, com valor avaliado em R$3 milhões, para poder realizar suas dezenas de shows e engordar sua conta bancária durante cada mês(3). E agora vemos a Prefeitura do Rio de Janeiro auxiliar nesse processo, prefeitura esta cujo professor I precisaria trabalhar numa matrícula de 16h semanais durante quase 389 meses ou cerca de 32 anos e meio para receber a quantia que Luan Santana receberá por algumas horas. Enquanto o jovem se desloca de jatinho, o professorado enfrenta salas de aula superlotadas, violência exacerbada, deslocamento por transporte público precário, engarrafamentos monstruosos e percebendo o desmantelamento da Educação Pública por meio da desvalorização do magistério, da Educação à distância e da privatização que favorece o terceiro setor.

Pois, quem tem algo a comemorar nesse final de ano?

Não tenho dúvidas de que a quantia de R$1.300.000 poderia e deveria ser melhor aplicada. Haverá alguma relação entre o governo municipal e/ou seu partido/coligação e a empresa de Daniel Alves? Enquanto essa grana, vinda dos impostos da população carioca, vai para os ares (a jato), a dita Cidade Maravilhosa transcende a desigualdade apresentada acima entre professores e Luan Santana: os contrastes são notados em cada itinerário que realizamos. Esse é o enredo desejado e necessário ao capital, modelo que devemos enfrentar, combater e superar! Não é possível que continuemos aceitando o enriquecimento de uma minoria a partir do trabalho da maioria.

Portanto, compartilho essa angústia para afirmar categoricamente que eu troco o show de Luan Santana por mais investimentos públicos na Saúde, na Educação, na Habitação etc. públicas Assim como eu troco todos esses Luans Santanas que se enriquecem às custas da classe trabalhadora por uma sociedade onde todos tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, sem fome, miséria, desemprego nem desigualdade social!


(1) Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/09/prefeitura-vai-gastar-1-3-milhao-em-show-de-luan-santana-para-servidores-publicos-923234280.asp

(2) Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?article-id=1380898


 
*Gabriel Marques
Professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro

sábado, 18 de setembro de 2010

De trajetos escolares a tabuadas*

O segundo semestre de dois mil e nove trouxe lágrimas e luto em seu primeiro dia. Vermelha ou laranja, a linha se dividiu: de um lado, mochilas, merendeiras, cadernos, materiais escolares; do outro, um carro capotado, com crianças e jovens mortos ou feridos. Mesmo com os olhos fechados para não acreditar na trágica cena, catracas, roletas, retrovisores surgem nas imagens e mais uma jovem tem sua vida perdida, sob as rodas de um ônibus.

O supersensacionalismo midiático e a culpabilização de indivíduos nos impedem de um olhar crítico e uma análise criteriosa dessas circunstâncias. Buscando transcender esse quadro, algumas questões valem ser problematizadas. A lógica de funcionamento da sociedade se estabelece por meio de exploração do trabalho alheio e também não permite à totalidade da humanidade o acesso aos bens sociais produzidos.

Enquanto é imposta a escassez de uma Educação Pública, Gratuita e de Qualidade, pais e familiares redobram seus esforços para garantir seus filhos e filhas em instituições de qualidade, mesmo a quilômetros de distância de seus lares. Esses mesmos pais precisam trabalhar durante longas jornadas por dia e não têm tempo para levar e buscá-los na escola. Podem encaminhá-los para o transporte público ou contratar serviços privados de transporte escolar.

Na primeira opção, talvez uma condução não baste, o tempo de espera se prolongue e o receio de exposição à violência urbana se torne cada vez mais evidente e necessário. Ademais, motoristas são cada vez mais superexplorados: não bastassem exaustivas e estressantes horas no caótico trânsito carioca, precisam atualmente dirigir e contabilizar pagamentos e trocos enquanto seus patrões aumentam sua lucratividade ao pagar apenas um salário para duas distintas ocupações.

Na segunda opção, precisam confiar no que há de mais próximo. Mais atacada pela mídia por conta da ilegalidade do transporte clandestino, o esvaziamento das manchetes é proposital e não nos leva para além do que enxergamos. Pode ser um desses motoristas algum trocador demitido por conta da paulatina extinção desse emprego e que optou (será que realmente podemos optar?) por buscar uma forma de sobrevivência? Quanto custa a legalização? Quem são os grupos do setor de transporte envolvidos nas licenças para liberar tal funcionamento? Esses mesmos pais que trabalham diariamente para sustentar suas famílias teriam condições de pagar ainda mais caro por um transporte legalizado? Os impostos, taxas e tarifas são direcionados para manutenção, sinalização ou melhorias de nossas ruas e estradas cada vez mais esburacadas e privatizadas?

Na Barra ou na Linha Vermelha, tragédias não surgem do nada, mas são impulsionadas pelas péssimas condições materiais de vida em nossa sociedade, onde seres humanos são explorados, coisificados e se transformam em estatísticas ou campanhas que jamais se aproximam da complexidade de nossos problemas reais.

O investimento em Educação propiciaria colégios com infra-estrutura, materiais didáticos e profissionais da Educação valorizados em cada município, em cada bairro, possibilitando que crianças e jovens se deslocassem caminhando ou pedalando. A estatização dos transportes coletivos acabaria com a farra de mafiosos empresários, melhoraria o planejamento urbano e diminuiria o próprio (insano) trânsito. Mas tais propostas sempre ficarão no futuro do pretérito enquanto o sustentáculo concentrador de riquezas permanecer vigorando.

Deixo aqui algumas reflexões in memorian de Luana da Silva Macedo, Rayanne da Silva Souza, Esther Reis Fernandes da Rocha, André Lucas Couto Telles e Vinícius Lopes da Silva. Esses quatro últimos tiveram abruptamente retirada a oportunidade de cantar sua última Tabuada! Com o coração e os olhos lacrimejando, envio os votos de solidariedade e força a amigos e familiares dessas jovens vítimas a quem devemos singelas homenagens.

Entristecido, as próximas contas e o orgulho de ex-aluno do Colégio Pedro II permanecerão abalados durante bastante tempo, mas continua acesa a chama e viva a luta, para que cada criança possa se referenciar numa Tabuada, contemplando-a com entusiasmo pelo pertencimento à escola, onde seus conhecimentos possam ser construídos com qualidade e destinados à humanidade. Pedro II, tudo ou nada? Alunos e ex-alunos optam por Tudo. E nós, que opção construiremos para o futuro da sociedade?

 
*Recupero acima um texto publicado no dia 3 de julho de 2009 no blog do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa, após o acidente de carro que deixou mortos e feridos estudantes do Colégio Pedro II.
Na data em questão, lecionava Educação Física na rede estadual de ensino,
além de Mestrando em Educação (UFRJ) e militante do Coletivo Marxista

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Foi lá...*

Ao longo desses quase 25 anos de idade, já participei de alguns concursos públicos, principalmente nos últimos anos após concluir o curso de Licenciatura em Educação Física. Em muitos deles, fiquei dentro das vagas; noutros, atingi o necessário para obter aprovação; em apenas um, fiquei reprovado. Independentemente dos resultados, retorno ao ano de 1995, período em que pela única vez efetivamente me preparei para encarar um concurso.

Foram diversos meses, deslocando-me do Méier para a Rua Alzira Brandão, na Tijuca, onde passava três tardes inicialmente e todas as tardes durante o período de férias, com apenas 10 anos de idade. Um intensivo de lições de Português e Matemática: exercícios, contas, expressões, pontuações, redações, leituras... Nunca é demais agradecer a oportunidade oferecida pela querida Dona Hanid, que me recebeu de braços abertos, sabendo das limitações financeiras, e apostou que seria possível concretizar o sonho paulatinamente construído: ser estudante do Colégio Pedro II. Vale destacar também o maciço apoio dos familiares mais próximos – Vó Dulce, além de preparar meu papá, me levava todas as tardes e meu pai me buscava – que chegavam a afirmar que no ano seguinte eu estaria estudando no Engenho Novo. Após obter 7,25 em Matemática – que era meu forte – Português foi mais uma superação: 8,25. Média de 7,75, garantindo o posicionamento entre os 25 primeiros para um total de aproximadamente 70 vagas.

Chegou o ano de 1996. Depois de sair duma escola pequena e privada, era tempo de encarar muros mais altos, professores variados e alunos de diferentes faixas etárias. Estava no segundo ciclo do Ensino Fundamental, na 5ª série. Acostumado com banheiros individuais, após perder corrida para os recém-colegas de sala, entrei subitamente na porta ao lado: era o banheiro feminino! Um micaço logo no primeiro dia de aula. Sapato preto, meias pretas, camisa branca com botões e emblema do CPII para dentro da calça de brim azul marinho: devidamente uniformizado, carregando a caderneta que continha uma breve história da instituição e marcações de carimbos com assiduidade e espaço para as notas. Foram 7 anos da minha vida lá dentro, sem nenhuma advertência e com apenas 2 provas finais em Física.

Saudosismo à parte, posso recordar que...

Foi lá que pela primeira vez votei, para escolher representantes de turma e professores conselheiros.

Foi lá que pela primeira vez escolhi uma chapa para representar o corpo discente – o Grêmio Estudantil.

Foi lá que pela primeira vez participei de uma equipe representativa – o time de basquete do CPII – sim, por pouco tempo, mas fui do time de basquete dirigido pelo Professor Mauro Raso.

Foi lá que terminei um curso técnico em Processamento de Dados – pasmem!

Foi lá que pela primeira vez representei uma turma – gostei tanto que fui pelo menos outras três vezes.

Foi lá que comecei a andar sozinho, de ônibus, pelas ruas cariocas.

Foi lá que tive minhas paqueras e paixões mais inocentes.

Foi lá que decidi participar do Movimento Estudantil, compondo a chapa vencedora do pleito para o Grêmio Estudantil num processo extremamente politizado.

Foi lá que fiz meu primeiro discurso em público.

Foi lá que escrevi meu primeiro texto para um jornal discente.

Foi lá que pela primeira vez fiz parte de um Comando de Greve.

Foi lá que pela primeira vez atuei numa peça de teatro – fantasiado de Chapolin Colorado, incentivado pelo Professor Mauro Veras.

Foi lá que consegui ler quase 100 livros em apenas um ano – excelente projeto da Professora Marília.

Foi lá que pela primeira vez ganhei um Concurso Literário – grande incentivo da Professora Isabel Vega.

Foi lá que vi minha mãe – trêmula – fazer um discurso em público, diante de centenas de pessoas, para me defender.

Foi lá que participei de minha primeira passeata – em defesa do Passe Livre.

Foi lá que aprendi a tocar flauta doce.

Foi lá que dancei quadrilha, organizei eventos artísticos e coordenei Assembléias Estudantis.

Foi lá que descobri que os alunos poderiam entoar hinos e tabuadas com orgulho e vigor.

Enfim, foi lá que cresci politicamente e comecei a entender e praticar o exercício da crítica, protagonizar lutas e perceber que é preciso nos organizarmos para modificar a situação ao nosso redor. Mas foi lá também que descobri que gostaria de ser professor, de lecionar, de ensinar. E foi lá que escolhi a disciplina de Educação Física, principalmente a partir das aulas do Professor Marco Santoro, diante de dúvidas de cursos como Medicina, Direito, História, Química, Biologia e Informática. Hoje tenho certeza da correta opção. E voltei ao CPII para realizar metade da carga horária de minha Prática de Ensino, sendo bem recepcionado pelas Professoras Ana Julia e Kátia Regina. Ironias do destino? No campo da História da Educação, atualmente chego ao Colégio Pedro II como objeto de minha dissertação de Mestrado na UFRJ. Como ex-aluno, há três anos freqüento a Feijoada de dezembro. Um caminho percorrido para um novo sonho: retornar ao CPII como docente.

Abril de 2010: aparece o edital para três vagas de professor de Educação Física. Imediatamente agi, fui o terceiro inscrito! Concomitante à empolgação pelo concurso, gestou-se a decepção ao ver a bibliografia assim como ao visualizar a prova do concurso de 2002. O embate não seria com os demais 635 inscritos no Concurso, mas com a banca e uma concepção de Educação Física senão antagônica, totalmente distinta da que pude construir na Graduação, no Movimento Estudantil e na pós-Graduação. No dia 2 de maio, o balde jorrou granizo. Foi um cumprimento burocrático comparecer na Unidade de São Cristóvão, local onde em 2001 acompanhava Assembléias lotadas por centenas de professores e técnico-administrativos enfrentando a implementação do neoliberalismo e defendendo a Educação Pública. Em 1h 15min, apressado, sem tesão e acompanhando meu desejo escapar, marquei as 40 questões da prova, sabendo que estaria satisfeito se conseguisse acertar 50%, o que seria insuficiente, já que o edital exigia 70% e ficar entre as 24 maiores notas.

Nesse dia, a banca atuou como fogo-amigo, atacando soldados da ciência, que não sucumbiram e continuarão resistindo, acumulando forças para construir uma visão de Educação Física atrelada à necessária transformação radical da sociedade desigual e opressora, inerente às relações capitalistas. Pode ser que o sonho de voltar ao CPII como docente tenha sido adiado ou até mesmo não seja possível se concretizar, mas permanece a chama de lutar em defesa de que todas as crianças possam ser soldados da ciência, tendo acesso a uma Educação de Qualidade tal como eu pude ter e continuarei persistindo para socializar nas escolas em que trabalho e trabalharei.

Foi lá que saí entristecido no último Domingo. Porém, foi lá que me propiciou começar a semana mais rejuvenescido, ciente das tarefas árduas que nos esperam enquanto sujeitos da história, visando melhorar, aperfeiçoar e enriquecer minha Práxis Pedagógica, que busque superações, subversões, transformações, revoluções...


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Ex-aluno do CPII – U. E. Engenho Novo II (1996 a 2002)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

I Jornada CESPEB - UFRJ

Nos próximos dias 24 a 26 de novembro, ocorrerá a I Jornada do Curso de Especialização Saberes e Práticas da Educação Básica, que congrega cursos de Educação Física Escolar, Ensino de História, Alfabetização e Leitura, Políticas Públicas, e Jovens e Adultos (por enquanto), reunindo entre o corpo discente professores e professoras da rede pública de ensino. A pós-graduação lato sensu funciona na Faculdade de Educação e no Colégio de Aplicação, Unidades do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ e é pública, gratuita e de qualidade.

Os(as) interessados(as) em participar como ouvintes devem preencher a ficha de inscrição abaixo e enviá-la para cespeb.alunos2008@yahoo.com.br ou cespeb@cfch.ufrj.br. A inscrição é gratuita e os(as) ouvintes receberão certificado de participação. O edital para seleção de alunos para 2010 já está disponível no seguinte endereço: http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2009/11/edital-de-selecao-de-alunos-para-o.html (inscrições até 18 de dezembro).

Muitos de nós, estudantes do CESPEB, apresentaremos nossas monografias durante a Jornada e contamos com a participação e contribuição com perguntas, críticas e sugestões nas noites de quarta e quinta. Na terça, teremos a Conferência de Abertura. A programação final também segue abaixo.


Formulário de Inscrição - participante externo


Nome completo:

CPF:

RG:

Endereço Eletrônico (e-mail):

Telefone:

Celular:

Endereço (rua, número e complemento):

Bairro:

CEP:

Cidade:

UF:

Instituição em que trabalha/estuda:

Município:

Cidade:

Bairro:

Categoria:
Estudantes de graduação ( )
Estudantes de pós-graduação ( )
Professores de ensino básico ( )
Professores de ensino superior ( )


1ª Jornada CESPEB - Programação



Universidade & Escola:
diálogo entre saberes na formação continuada


Dia 24 de novembro de 2009
18:00h – Coquetel de Abertura
19:00h às 21:00h
Conferência - Profª Alice Ribeiro Casimiro Lopes – sala Anísio Teixeira

Dias 25 e 26 de novembro de 2009
18:00h – Coquetel de Abertura
19:00h às 21:30h
Apresentação dos trabalhos dos alunos CESPEB/2008

Quarta-feira, 25/11
Sala de Vídeo (Faculdade de Educação)

19h - 19:20 - Avaliação das relações de gênero, corpo e sexualidade nas aulas de Educação Física Escolar a partir da visão discente.
Autor: Cinthia Ramos de Pinho Barreto
Orientador: José Jairo Vieira

19:20 - 19:40 - A precarização do trabalho de professores de Educação Física na escola publica
Autor: Ian Anderson de Andrade Nascimento
Orientador: Marcos Antonio Carneiro da Silva

19:40 - 20h - Folclore na escola: ampliando os conteúdos da Educação Física Escolar
Autor: Katia Laguna de Oliveira
Orientador: Tiago Lisboa Bartholo

20h - 20:20 - História e Historiografia da educação dos corpos e do ensino de Educação Física
Autor: Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Orientador: Marcos Antonio Carneiro da Silva

20:20 - 20:40 - As aulas de Educação Física na modalidade de ensino EJA: desafios e avanços
Autor: João Fabio Toniato
Orientador: Tiago Lisboa Bartholo

20:40 - 21h - Proposta Curricular para Educação Física: construção e aplicação em uma escola do município de Volta Redonda
Autor: João Ferreira Carvalho Junior
Orientador: Alvaro Rego Millen Neto

21h - 21:20 - A Educação Física e seu espaço nos documentos curriculares da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
Autor: Cassia Marques Cândido
Orientador: Tiago Lisboa Bartholo

Sala 214 (Faculdade de Educação)

19h - 19:20 - O Ensino de História na Educação de Jovens e Adultos: da concepção de tempo histórico à realização do ENEM
Autor: Philipe Augusto Saúde Ribeiro de Souza
Orientador: Carmen Teresa Gabriel

19:20 - 19:40 - Ensino de História com uso de jornais: construindo olhares investigativos
Autor: Raquel França dos Santos Ferreira
Orientador: Fabio Garcez de Carvalho

19:40 - 20h - Avaliação e Ensino de História: perspectivas e práticas
Autor: Marcus Leonardo Bomfim Martins
Orientador: Carmen Teresa Gabriel

20h - 20:20 - Patrimônio Cultural Imaterial em livros didáticos para o ensino de História nos anos iniciais
Autor: Karina Siciliano Oliva Saraiva
Orientador: Ana Maria Monteiro

20:20 - 20:40 - A escola vai ao teatro e o teatro vai à escola: a História e a Educação Artística
Autor: Ignacio Augusto dos Santos Neto
Orientador: Ana Maria Monteiro

20:40 - 21h - Ensinamos Português e Matemática ou isso é História?
Autor: Gizele Gonçalves Costa Lopes
Orientador: Ana Maria Monteiro

Quinta-feira, 26/11
Sala de vídeo (Faculdade de Educação)

19h - 19:20 - Linhas e entrelinhas da temporalidade infantil
Autor: Fernanda Leocadio Bittencourt
Orientador: Antonio Jorge Gonçalves Soares

19:20 - 19:40 - A Educação Física vivida e representada nas escolas de ensino supletivo no estado do Rio de Janeiro da coordenadoria metropolitana IV – um estudo de caso
Autor: Catarina Braga de Santana
Orientador: Tiago Lisboa Bartholo

19:40 - 20h - Saúde renovada: uma proposta de empowerment?
Autor: Marcos Felipe Zanco Felix
Orientadores: Antonio Jorge Gonçalves Soares e Marcos Santana Ferreira (UERJ)

20h - 20:20 - A Educação Física na escola: entre a teoria e a prática
Autor: Camila Ferreira
Orientador: Antonio Jorge Gonçalves Soares

20:20 - 20:40 - Como os professores da Educação Física do município de Nova Iguaçu descrevem estratégias, periodicidade e finalidades da avaliação em suas aulas.
Autor: Suellen Graziani Veloso Dutra
Orientador: Antonio Jorge Gonçalves Soares

20:40 - 21h - Educação Física nas escolas do município de Japeri: representação de professores e alunos
Autor: Luciane Eloy Cruz dos Anjos
Orientador: Antonio Jorge Gonçalves Soares

21h - 21:20 - Portfolio: uma proposta de avaliação para Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Educação Física
Autores: Cassia Marques Candido & Fernanda Leocadio Bitencourt
Orientador: Tiago Lisboa Bartholo

Sala 214 (Faculdade de Educação)

19h - 19:20 - A relação pedagógica entre o programa Escola Aberta e a escola formal
Autor: Ana Neri Gaspar Barreto
Orientador: Enio Serra

19:20 - 19:40 - A Escola Aberta é parceira na reintegração social
Autor: Fatima das Graças Lima Barros
Orientador: Enio Serra

19:40 - 20h - A escola que queremos: a construção do Projeto Político Pedagógico de uma escola pública no município do Rio de Janeiro
Autor: Sandra Olivia Reis de Souza
Orientador: Rejane Maria de Almeida Trisotto

20h - 20:20 - As parcerias do Bairro-Escola: relação sociedade escola
Autor: Elisangela Soares do Rosario
Orientador: Enio Serra

20:20 - 20:40 - A importância da literatura infantil nas turmas de educação infantil
Autor: Cristiane Dutra Lanor da Silva
Orientador: Patrícia Corsino

20:40 - 21h - Formação de professores – tecendo fios
Autor: Adriana Barbosa Soares
Orientador: Ludmila Thomé Andrade

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

REUNI e ocupações de Reitorias

Recupero abaixo um texto de 21 de outubro de 2007, 2 dias depois da absurda adesão da UFRJ ao REUNI, com o Reitor falando nove vezes ao microfone para os conselheiros levantarem os braços em meio ao tumulto generalizado. Após isso, numa Assembléia improvisada com mais de 700 participantes, foi a intervenção do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa, terceira fala do espaço, que defendeu a imediata OCUPAÇÃO da Reitoria da UFRJ, fortalecendo o novo Movimento Estudantil.

Um ano depois, no dia 30 de agosto de 2008, nova manifestação ocorreu no CONSUNI, dessa vez contra o Plano Diretor, também conseqüência da lógica nefasta do REUNI (http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2008/08/barrar-o-plano-diretor-do-reuni.html). Antes disso, outras atividades aconteceram, como no dia 10 de abril (http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2008/04/reitor-cancela-consuni-para-fugir-do.html) e no dia 12 de junho (http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/2008/06/12-de-junho-na-ufrj-sobre-namorados-e.html).


Alguma das Assembleias durante a segunda Ocupação da Reitoria em 2007.

Atualmente, diante dos sucessivos cortes de verbas, o próprio Ministro da Educação Fernando Haddad já explicitou que não há mais verbas para o REUNI. Várias vagas e cursos novos foram criados e estão com imensas dificuldades para ocorrer com qualidade. A luta hoje passa pelo enfrentamento à implementação do REUNI; na UFRJ, a campanha Revida, Minerva! foi organizada para potencializar a defesa da Educação Pública.



10/04/2008, época em que era representante estudantil no Conselho Universitário da UFRJ.


POR QUE AO REUNI EU DIGO NÃO


Gabriel Rodrigues Daumas Marques, em 21/10/2007*

Que os justos avancem
Solidários como abelhas
Aguerridos como feras
E empunhem todos seus nãos
Para instalar a grande afirmação

Mario Benedetti

Em 24 de abril do ano corrente, o Ministério da Educação lança o seu ‘Plano de Desenvolvimento da Educação’ (PDE), componente educacional do ‘Programa de Aceleração do Crescimento’. Inserido no PDE, o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, conhecido como REUNI, tem sido alvo de grandes polêmicas e mobilizações, por conta de seu nefasto significado de sucateamento da educação pública e chantagem com ‘esmola’ para adesão das Universidades Federais.

Discorrer acerca do REUNI requer uma análise da atual conjuntura em que vivemos. O Governo Lula/PT, reeleito por milhões de trabalhadores, não escolheu o lado dos oprimidos para governar. Desde o primeiro mandato, onde a coalizão governista já contava com representantes da classe patronal, inclusive na Vice-Presidência da República, o Governo tem seguido à risca a cartilha neoliberal, elaborada pelos organismos internacionais como Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

Quando o Governo tucano de FHC não conseguia mais implementar as reformas necessárias para dar sobrevida ao sistema opressor em que vivemos, Lula/PT ganha força para cumprir as exigências da ordem vigente e da manutenção do status quo, principalmente por conta de sua origem nos movimentos sindicais e de sua relação tênue com os principais Movimentos Sociais do país, como MST, CUT e UNE, facilitando a tal ‘governabilidade’ com aliados que historicamente atacaram os trabalhadores e os estudantes e freando as possibilidades de lutas existentes.(1)

No ano de 2003, o Governo demonstra seu principal ataque, através da Reforma da Previdência, alegando ser esse sistema deficitário.(2) No final desse mesmo ano, um Grupo Inter-Ministerial vai apontar algumas diretrizes para a realização de uma Reforma Universitária. Portanto, em 2004 a reorganização dos trabalhadores e da juventude começa a dar saltos de qualidade. Apesar da ‘traição’ do Governo Lula/PT e do papel cumprido pela Central Única dos Trabalhadores (cujo presidente vai virar Ministro do Trabalho) e pela União Nacional dos Estudantes (realiza caravanas pelas Universidades defendendo a Reforma Universitária e a cada ano se concretiza como a Juventude do Mensalão), alternativas de luta começam a surgir, como a CONLUTAS e a CONLUTE, que têm sido importantes ferramentas que demonstram que os Movimentos Sindical e Estudantil não estão ‘comprados’ e vão defender os interesses maiores da classe trabalhadora.

Porém, apesar do anteprojeto de Reforma Universitária (PL 7200/06) até o presente momento não ter sido votado (teve quatro versões, foi paralisado por conta da crise do ‘mensalão’ e sua versão final foi colocada como caráter de urgência solicitado pela UNE), diversas medidas privatizantes já foram aprovadas, através de Decretos e/ou Medidas Provisórias. A Lei de Inovação Tecnológica (que coloca nossa pesquisa a serviço de interesses privados e não de conhecimentos essenciais para o conjunto da sociedade), o Programa Universidade Para Todos – ProUNI (que isenta as instituições ‘pilantrópicas’, abrindo vagas ‘públicas’ nas mesmas, enquanto poderia triplicar os estudantes nas federais com a isenção de impostos realizada para a educação como mercadoria), a Educação a distância (cada vez mais precarizando o ensino e diminuindo o papel do docente), o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior – SINAES, que tem como um dos componentes o Exame Nacional de Avaliação do Desempenho Estudantil – ENADE, que ranqueia as instituições para ‘premiar’ com verbas as que obtiverem melhores resultados, inclusive possibilitando que as particulares ingressem nessa concorrência.

Todas essas medidas demonstram afinadamente a política educacional com a econômica do Governo Lula/PT, que pagou mais juros da dívida e(x)terna em quatro anos do que FHC em oito; onde banqueiros comemoram a cada mês recordes de lucros. Nesse segundo mandato, portanto, os ataques vêm com maior força e o Decreto 6096/07, denominado REUNI, segue a lógica do ataque à educação pública.

No Decreto, o Governo se utiliza de bandeiras históricas dos Movimentos Sociais, como aumento de vagas, para demagogicamente tentar receber apoio. Porém, inserido na lógica de precarização do ensino público, o REUNI realiza uma chantagem financeira para que as Universidades Federais realizem a adesão. Infelizmente, os burocratas e Reitores de norte a sul do país têm acatado essa chantagem, aceitando a esmola de 20% de aumento de verbas (que, inclusive, no próprio decreto, coloca-se que dependerá da capacidade orçamentária e operacional do MEC – ou seja, nem esses 20% estão garantidos) e tentando ‘enfiar goela abaixo’ da comunidade acadêmica, com poucas discussões e deixando essas importantes deliberações a cargo de órgãos restritos como os Conselhos Universitários, que possuem uma estrutura arcaica e anti-democrática.

Felizmente, a nível nacional, o ANDES-SN (sindicato dos professores)(3), os estudantes organizados através da CONLUTE e da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária e técnico-administrativos têm se mobilizado e fizeram com que a discussão fosse minimamente ampliada, pois, se dependesse do tripé Governo/UNE/Reitorias, essa adesão teria acontecido no próprio lançamento do PDE. Manifestações na UNIR, UFSC, UFJF, UFRGS, UFPR, UFMA, UFSM, UFF, UFMG, entre outras, têm acontecido e demonstrado que o REUNI não vai passar como o Governo esperava. Na UFRJ, foi proposto um Plebiscito para essa decisão, mas a Reitoria se nega a aceitar, pois sabe que a maioria da instituição é CONTRA O REUNI e quer construir uma Universidade pública e de qualidade.

O aumento da relação de 10 alunos para cada professor para 18/1, o índice de aprovação ser de 90% e a criação dos Bacharelados Interdisciplinares demonstram a lógica simplista de análise da realidade por parte dos setores conservadores que se dizem de esquerda. O PAC prevê praticamente congelamento do salário dos servidores (ou seja, dobra-se o trabalho sem aumentar o salário. Isso vai sobrecarregar a atividade docente, ou criar vagas através de educação à distância ou colocar estudantes da pós-graduação para lecionar). O índice de aprovação, que atualmente encontra-se em média de 60%, aumentar para 90% desconsiderando a inexistência de Bandejões, Alojamentos, Bolsas de Assistência Estudantil e Acadêmicas, é uma realidade que provavelmente será conseguida através da aprovação automática. E os Bacharelados Interdisciplinares, sob justificativa da especialização precoce, dentro de uma sociedade com índices de desemprego cada vez mais elevados e de desregulamentação do trabalho, tende a elitizar ainda mais a Universidade, bem como formar Bacharéis apenas para ter um ‘diploma de ensino superior’.

Na UFRJ, o Plano de Reestruturação e Expansão (PRE) é o reflexo do REUNI, ou seja, sua colateral. Por isso, dizer não ao anteprojeto é dizer não ao REUNI. E, no momento, a defesa da educação pública, passa por dizer NÃO AO REUNI, NÃO À REFORMA UNIVERSITÁRIA DO GOVERNO LULA/PT, para que, após garantirmos a defesa contra esses ataques, possamos consolidar e construir conjuntamente a Universidade que queremos, com amplas discussões entre professores, funcionários e estudantes, bem como o conjunto da sociedade que se encontra à margem desse processo. Pontos como a transferência de todos os cursos para o Fundão são problemáticos, mas não podemos fazer a crítica apenas por conta do deslocamento ou da falta de segurança, e sim por conta do que significa a totalidade da implementação do REUNI, que está junto à Reforma Universitária privatizante.

A Reitoria da UFRJ ‘passou o rodo’ nos ‘debates’ promovidos e no dia 18/10, em seu Conselho Universitário, fez uma ‘votação’ absurda (4), gritando nove vezes para os conselheiros levantarem os braços, com a presença de seguranças que agrediram os manifestantes e da União Nacional dos Estudantes ‘Juventude do Mensalão’ que levou cerca de 40 pessoas mais os ‘vendidos’ Professor Fernando Amorim (que socou um estudante) e da representante do PT na UFRJ e que se diz sindicalista Ana Maria Ribeiro para criar tumulto entre os mais de 600 que participaram para dizer Não ao REUNI e solicitar um PLEBISCITO para decisão!

Portanto, estamos OCUPADOS na Reitoria da UFRJ e temos Assembléia na próxima segunda-feira, às 22:30 para encaminharmos as próximas atividades! A participação é fundamental e em todo o país a organização cresce e o Governo estremece.


E O REUNI NEOLIBERAL...
NÃO VAI PASSAR
EM NENHUMA FEDERAL

VAMOS À LUTA
É OUSADIA!
OCUPAÇÃO EM TODA REITORIA!

(1) Conceitos como ‘social-chauvinismo’ ou ‘bonapartismo’, demonstram historicamente o papel dos ‘tentáculos’ da burguesia nos Movimentos Sociais

(2) Para maiores informações demonstrando que a Previdência não é deficitária, Denise Gentil tem entrevistas em jornais locais da UFRJ (SINTUFRJ, AdUFRJ e UFRJ)

(3) DOSSIÊ DO ANDES-SN SOBRE O REUNI, COM DIVERSOS DOCUMENTOS, TEXTOS, ETC.: http://www.andes.org.br/dossie_reuni.htm

(4) Ver vídeo do CONSUNI de 18/10 na íntegra: http://tv.ufrj.br/consuni/

*Licenciado em Educação Física e Estudante de Pedagogia da UFRJ
Ocupado na Reitoria
Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mercadoria

Desde o ano passado, o capitalismo passa por mais uma de suas crises cíclicas, inerentes ao seu funcionamento. Mais uma crise estrutural, que afeta todo o setor produtivo e reprodutivo a nível internacional. Os dominantes pedem que juntos superemos a crise que eles mesmos criam por conta da lógica funcional de exploração da força de trabalho alheia para a obtenção de taxas de lucro. Porém, na verdade impõem que os fracos paguem pela crise, aumentando o desemprego, retirando direitos e aprofundando perseguições políticas. Aqui no Brasil, Lula afirmou que a crise seria uma marolinha e considera que estamos indo de vento em popa diante dos mega-eventos esportivos e da presença brasileira no cenário internacional em casos como a vaga no Conselho de Segurança da ONU e do abrigo político a Zelaya em Honduras. Porém, precisamos explicitar que o atual Governo garantiu recursos públicos para salvar empresários, banqueiros e latifundiários e sistematicamente nos ataca, garantindo a manutenção da ordem vigente e servindo como excelente marionete ao subsidiar a política imperialista enviando tropas militares para reprimir e massacrar a população pobre e negra do Haiti e possibilitar a continuidade do projeto neoliberal dos governos antecedentes, atacando a Educação e a Saúde Públicas, por exemplo. É necessário que os trabalhadores, mundialmente, elaborem uma resposta política à crise, apontando para a transformação revolucionária do sistema em que vivemos - opressor, cruel, desigual, degenerativo.

Abaixo um quadrinho que expressa o quão supérfluo é o patrão, o que aponta para nosso entendimento da possibilidade de superação da atual lógica e criação de nova divisão social do trabalho. Senhores, patrões, chefes supremos / Nada esperamos de nenhum! é um interessante trecho do Hino da Internacional Socialista para relacionarmos à extração de mais-valia realizada pelo capital. Segue também uma recente reportagem sobre os rastros da crise econômica. E, para refletirmos, uma bela composição de Gonzaguinha: "Comportamento Geral".




Crise levou 89 milhões de pessoas
à pobreza extrema, diz Banco Mundial *


*Publicidade
da France Presse, na Cidade do México
da Folha Online

A crise financeira internacional foi responsável pela entrada de 89 milhões de pessoas na faixa de renda correspondente à pobreza extrema, disse nesta terça-feira (20) no México o vice-presidente do Banco Mundial, Justin Yifu Lin.

"Antes da crise, o mundo tinha mais ou menos 1,4 bilhão de pessoas abaixo da linha de pobreza internacional, e a crise acrescentou ao menos outras 89 milhões de pessoas", disse Yifu Lin, em um seminário organizado pelo banco central do México.

Pobreza extrema é definida pelo Banco Mundial como a situação das pessoas em países em desenvolvimento que vivem com menos de US$ 1,25 (US$ 2,19, no câmbio de hoje) por dia. Os dados do banco sobre pobreza cobrem 96% das populações dos países em desenvolvimento.

As Metas do Milênio são um conjunto de diretrizes fixadas pela ONU (Organização das Nações Unidas) para reduzir pela metade, até 2015, os níveis da pobreza extrema de 1990. O programa inclui ainda a redução da mortalidade infantil e a garantia da sustentabilidade ambiental, entre outros objetivos.

Para combater a pobreza, os países em desenvolvimento devem ter uma economia "semelhante à dos países com alta renda", acrescentou Yifu Lin, de origem chinesa, e em tempos de crise devem manter uma política monetária "mais pró-ativa", dado que o espaço para melhorar sua economia é maior.

Em um documento divulgado no último dia 5 pelo banco já constava a estimativa de que a crise econômica atual --a pior desde a Grande Depressão dos anos 30-- poderia deixar até 90 milhões de pessoas.

"A economia global tem mostrado sinais de recuperação, mas riscos permanecem. Em muitos países em desenvolvimento, o impacto sobre as pessoas mais pobres e vulneráveis está crescendo", diz o documento --que acrescenta que o progresso "duramente conquistado" sobre as metas do Milênio corre o risco de ser revertido.

"Para a proteção dos mais pobres, pedimos que os países-membros [do banco] cumpram seus compromissos de elevar a ajuda. Países em desenvolvimento desempenham um papel importante na recuperação global e seu progresso será essencial para o crescimento futuro", diz o documento.

 
Comportamento Geral

Gonzaguinha

Composição: Gonzaguinha

Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece

E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal