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terça-feira, 17 de julho de 2012

Nostalgia e Lutas num Domingo de clássico*



            Numa espécie de contagem regressiva para os dias da semana de feiras, Domingo sempre apresenta um ar nostálgico diante do desejo de continuidade do final de semana. Apesar desse sentimento ligeiramente amargo, ele também nos reserva bons sentimentos quando nos contempla o jogo de Futebol. Quando é clássico então... Ficamos mais ansiosos, apreensivos, envolvidos com a espera do resultado final, para saber se elaboraremos desculpas pela derrota ou diversas piadas para zoar os adversários depois de nosso êxito. E, apesar de toda a minha simpatia pelo Fluminense por ser o time das minhas avós e da minha mãe, hoje quero duramente criticar duas temáticas relacionadas ao pó de arroz.

            Na madrugada de sábado para domingo, a Polícia Militar do Rio de Janeiro – submissa aos ditames do Governador – cumpriu a ordem para retirar dezenas de pacientes do Hospital do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (IASERJ). Cenas entristecedoras marcam mais um absurdo cometido pelo (des)Governador Sérgio Cabral. Cabral é vascaíno e você deve estar me perguntando o que isso tem a ver com o Fluminense. Ora, quem patrocina, manda e desmanda no Fluminense é uma empresa privada da saúde – UNIMED. Enquanto a Saúde Pública desmorona em nosso país, sendo precarizada diariamente, a UNIMED aumenta seus lucros. Enquanto faltam leitos em hospitais públicos e trabalhadores da Saúde são sobrecarregados, sobram rios de dinheiro para contratar e pagar salários astronômicos a jogadores de futebol. Enfim, ainda temos como nos organizar para dizer ao ditador do Rio que TIRE SUAS MÃOS SUJAS DO IASERJ!

            Como vocês podem ler, jamais escrevo o nome oficial da atual casa do Fogão. Ler o nome do tricolor João Havelange me causa ojeriza! É um absurdo que o José Sarney do Futebol brasileiro – e mundial – seja homenageado num estádio construído com recursos públicos e pelas mãos, corações e mentes de centenas de operários. É um contrassenso, um anacronismo, equivalente a convidar o Netinho de Paula para palestrar sobre a Lei Maria da Penha, a chamar o Dado Dolabella pra fazer uma saudação ao movimento feminista ou erguer uma estátua do Michael Jackson em frente a uma Escola de Educação Infantil! Anedotas à parte, é tempo de potencializarmos a luta pela MUDANÇA DO NOME OFICIAL DO ESTÁDIO OLÍMPICO do Engenho de Dentro! João Saldanha e Nilton Santos largam na frente e são duas excelentes opções para substituir qualquer menção a corruptos e elitistas do Futebol! Ricardo Teixeira e seu padrinho e ex-sogro são persona non grata!

             Aproveitando a postagem enfurecida diante das injustiças em nosso país, recado ao Sr. Maurício Assumpção: não queira simplificar a apresentação de Seedorf no Palácio da Cidade como inveja! Todos sabemos de sua filiação ao Partido da Mão com Dinheiro no Bolso (PMDB) e sua campanha tosca pelo prefeitinho Eduardo Paes! Seedorf, festa para a torcida sempre, mas não caia nessas artimanhas burguesas promovidas por meia dúzia de oportunistas! Se o Suriname foi explorado pela Holanda, a população pobre do Rio de Janeiro é explorada por essa corja do PMDB! Eleições à vista, eis que surgem aquelas propagandas contendo apenas números e poses nos abordando ao chegarmos ao Engenhão, sendo que durante dois anos não voltaram para fornecer uma satisfação sobre seus mandatos...

            Será que cabem linhas para abordar o jogo? Preparado para rumar ao clássico vovô, a cachorrada lá de casa me segurou mais alguns bons minutos no lar. Falo dos caninos mesmo, que fizeram meu coração palpitar mais forte já que o jogo não reservaria tantas emoções... Chegando em cima da hora, novamente vi a festa dos cambistas organizados, realizada na frente da própria bilheteria, enquanto o rigor com o torcedor mortal prevalece: triste contradição. Em homenagem ao adversário, nossa revista Preliminar foi a vigésima quarta! E enquanto nosso goleirão Jefferson completou 250 jogos vestindo o manto Glorioso e Márcio Azevedo tem sido um guerreiro digno de convocação para a Seleção... Hey, Fred! Cacilda! De novo gol contra a gente!? Alguém segura o Fred, por favor! Andrézinho mandou mais uma para as redes, dessa vez de cabeça após assistência milimétrica do melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro. Infelizmente, Fellype Gabriel desperdiçou a chance de virarmos mais uma partida e acabarmos com a invencibilidade pó de arroz. Com o 1 x 1, se não vamos zoar pela vitória, também não seremos zoados por uma derrota.

            Ah, não poderia me esquecer das discussões ao meu ladinho no Setor Oeste Superior. Alegando “ter chegado antes que vocês”, um casal queria arrumar tumulto com @s Amig@s Alvinegr@s que estavam de pé na primeira fileira. Cabe uma enquete! Torcedor(a) no Estádio tem que: a) manter-se sentado, em silêncio, comendo pipoca e admirando a tela verde; b) resmungando e vaiando a cada erro e fazendo barulho positivo apenas quando sai gol a favor do seu time; c) prezar pela prática viva e dinâmica da palavra torcer, cantar, vibrar, aplaudir e ter disposição para ver o jogo de pé ao invés do senta e levanta dignos de cerimônia religiosa. Qual sua opinião?

            Sou mais a letra C. Ainda mais a favor do bom senso. No jogo passado, um pentelho levou um abridor e fazia um barulho estridente batendo nas ferragens do estádio bem atrás de mim. Eu tinha chegado primeiro, mas não me incomodei em passar para outro local e deixar seus tímpanos se divertirem sozinhos. Em vez de longas discussões e bate-bocas, sou mais os dizeres expostos pelos Loucos pelo Botafogo: PAZ E FESTA NOS ESTÁDIOS!

            O Galo disparou na liderança. Nosso Glorioso permanece no G-4 e amanhã temos que derrubar mais um time de São Paulo, dessa vez na Vila Belmiro. Preparemos o peixe para a janta desta quarta, para digerirmos bem e nos prepararmos para a estreia de Seedorf domingo contra o Grêmio em nossa casa! Dá-lhe, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 13 de março de 2012

Jobson voltou e mulheres junto ao Fogão*

Quarenta e oito horas após o Dia Internacional da Mulher, já estava anotado na agenda o duelo do nosso Botafogo contra o Bangu. Indubitavelmente, a lembrança, a homenagem e a comemoração são merecidas no 8 de março. Contudo, é preciso transcendermos a simples vinculação com uma data e reconhecermos que são necessários novos avanços na sociedade, considerando cada dia um dia de luta contra o machismo e quaisquer formas de subjugar as mulheres, buscando relações humanas que não se construam a partir da exploração ou da opressão de qualquer ser humano sobre outro! O dia 8 de março não pode nem deve ser uma data comercializada, com descontos em salões de beleza ou o estímulo ao uso de produtos cosméticos! NÃO! O dia 8 de março é muito mais do que isso e certamente o Futebol deve se enquadrar nesta lógica de rupturas.

            Algumas iniciativas importantes têm aparecido. Ano passado, em um plebiscito, a ANT passou a se chamar oficialmente Associação Nacional de Torcedores e Torcedoras! Uma das mais animadas e contagiantes torcidas organizadas levou a faixa LoucAs pelo Botafogo! Recomendo inclusive a leitura do bonito texto acerca da temática: “A Mulher e o Botafogo”, publicado no BotafogoNews: http://www.botafogonews.com/sem-categoria/a-mulher-e-o-botafogo/  Apesar da constante presença do público feminino nas arquibancadas, ainda é tímido o avanço que podemos conquistar. Enquanto Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo por cinco vezes, acompanhamos calados a inexistência do estímulo ao futebol feminino; em diversos locais como as próprias escolas que deveriam ser o espaço para a formação de um novo olhar e de novas práticas, observamos a hegemonia masculina nas práticas desportivas e muitas vezes um preconceito e uma negação às mulheres que ousam romper a lógica imposta. De nada nos adianta termos a primeira presidente da República mulher, querendo ser designada presidenta e mantendo uma prática política e econômica a favor dos ricos e dominantes ao passo que as mulheres recebem salários mais baixos, sofrem assédios, são constrangidas ao denunciar cônjuges agressores e não podem decidir sobre os rumos do próprio corpo em nome da moral religiosa! Enfim, certo de que dias melhores virão, reafirmo que lugares de mulheres não são o tanque ou a cozinha; e as mulheres alvinegras podem e devem estar ao lado do Fogão, não aquele que toda casa tem, mas este iniciado por letra maiúscula que flameja em preto e branco uma Estrela Solitária!

            Não havia nome melhor de estádio para o jogo após 8 de março: Moça Bonita! Concordo com a crítica de nosso carismático uruguaio acerca do gramado ruim, que estraga o espetáculo. Em contrapartida, o jogo em Bangu possibilita a presença de outros torcedores – moradores da Zona Oeste – e nos obriga a conhecer a estação de trem Guilherme da Silveira... Os próximos quatro jogos voltam a ser em nossa casa, além da semifinal e da final da Taça Rio que disputaremos no Engenhão! Vale registrar a entrevista concedida à BrahmaFogo, falando sobre o livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” e sobre a reestreia de Jobson, disponível no youtube:



    
Num dos bairros mais quentes da capital fluminense, o Sol foi escamoteado pelas nuvens que tomaram conta do céu, amenizando o calor, assim como o preto e o branco que invadiram as arquibancadas banguenses e ofuscaram o alvirrubro. Ainda bem que não precisei usar o guarda-chuva nem para me proteger dos raios solares nem da chuva que só ficou na ameaça. Apesar do absurdo preço de R$30, o público foi grande. E se a torcida que quase lotou Moça Bonita não assistia a um futebol vistoso, podia vislumbrar um festival de pipas nos ares da Zona Oeste, muitas delas interrompendo a partida ao cair sobre o gramado. Tarefa para a Federação: além dos gandulas, contratar dois meninos para aparar as pipas... Além do artefato popular que, com simples materiais, alcança magníficas alturas, a torcida teve a oportunidade de ouvir a charanga do Bangu tocar animadas músicas, dentre outros, de Balão Mágico e da minha querida Mocidade Independente de Padre Miguel.

Tantas coisas bacanas para comentar que certamente o jogo em si ficou como coadjuvante. Com um primeiro tempo morníssimo, a inexistência de gols foi óbvia. Enquanto os ex-jogadores do Fogão Almir e Thiago Galhardo mais o lateral Renan Oliveira construíram boas jogadas, o Glorioso sentia muito a ausência de seus principais jogadores da meiúca. Apesar de pouco mais esforçado que em jogos anteriores, Loco Abreu precisava realmente ser substituído; Herrera lutou, lutou e lutou, mas não concluiu as finalizações para o fundo das redes; e Caio, também esforçado, demonstrou novamente que ajuda muito mais a equipe quando entra no segundo tempo. Lucas Zen não entrou bem no lugar de Marcelo Mattos; Marcio Azevedo e Lucas não apoiaram como podem e o lateral-direito ainda errou muitas jogadas; a defesa vacilou em momentos que não comprometeram por conta das limitações do adversário; e Jefferson quase nos deu um baita susto numa bola para ele recuada que quicou em algum montinho de sua área; enquanto isso, Felipe Menezes comprovou que só pode ser novo Kaká se ele for alguma espécie de pastor do elenco, porque em campo está sempre dormindo...

Os destaques ficam por conta do segundo tempo: Jobson voltou e a torcida do Fogão saiu do chão para entoar euforicamente seu retorno! Depois de 6 meses cumprindo suspensão, o garoto será nosso 48º jogador convocado para defender a Seleção Brasileira em Copas do Mundo – Jefferson e ele titulares em 2014! Com seus contagiantes piques, continua afobado nas finalizações, cansou rápido, mas forneceu a assistência para um moleque franzino, com categoria, balançar as redes pela segunda vez como profissional do Botafogo: boa, Cidinho! Para completar, outro Jefferson, formado pela base, postura de gente grande, substituiu o inoperante Felipe Menezes. Com categoria, cobrou uma falta no ângulo esquerdo, mas o arqueiro adversário mandou para escanteio. Lembrando os tempos de “Almir, faz um gol aí!”, infelizmente o meia acertou um belo chute de fora da área e empatou a partida.

Apesar da manutenção da invencibilidade, com o empate permitimos que o Macaé assumisse a liderança do grupo. Quarta é tarefa primordial liquidar o time que tem número como nome, número este sempre bem-vindo na história de superstições alvinegras! Domingo que vem é dia de cozinhar o bacalhau para continuarmos entre os dois melhores e rumarmos à conquista da Taça Rio. Saudações às mulheres de todo o mundo e um bom retorno a Jobson!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Como se fosse um funeral*

Com considerável antecedência, comprei os ingressos promocionais para as duas últimas rodadas do Glorioso em casa nesse Campeonato Brasileiro. Um preço promocional, mais em conta, que deveria ser usado em todas as rodadas para tornar os estádios mais acessíveis à população. Uma hora antes do jogo, estava marcada mais uma maniFESTAção da recém-fundada Associação Nacional dos Torcedores e enfim consegui participar, auxiliando na panfletagem para convocar mais pessoas a se somarem a essa importante luta pela democratização do futebol em nosso país.

Às vésperas da disputa do Mundial Interclubes, o Internacional de Porto Alegre vinha cumprir tabela, pois já tem sua vaga garantida na Taça Libertadores de 2011 e não tem mais chances de ser campeão brasileiro em 2010. Os gremistas – nossos adversários diretos na briga pela possível quarta vaga no torneio sul-americano do ano que vem e protagonistas por auxiliar a urubuzada a ser campeã brasileira em 2009 e deixar o Colorado na segunda colocação – já apontavam que o Inter entregaria o jogo para o Fogão. Infelizmente, a torcida alvinegra não aderiu à promoção feita pela diretoria e apenas pouco mais de 20.000 torcedores estiveram presentes no Engenhão. E novamente a supremacia era da impaciente, angustiada e equivocada Sofá-Fogo, vaiando mais que apoiando, reclamando mais que torcendo e impulsionando as energias negativas em vez de tentar incentivar para modificar a apática, lenta e sonolenta atuação alvinegra. Pra não dizer que não falei das flores, vale destacar a aguerrida presença da galera de Rio das Ostras e região se somando à torcida Loucos pelo Botafogo.

Tivemos três chances de abrir o placar no primeiro tempo, com Loco e Fahel duas vezes; este último, na primeira, cara a cara chutou em cima do goleiro e no segundo lance com categoria encobriu o goleiro mas a bola caprichosamente encontrou o travessão e a linha de fundo em seguida. Numa jogada desconcertante, o atacante colorado passou como quis por Marcio Rosário e escolheu o ângulo, mas o travessão também esteve do nosso lado. Destaque dos primeiros quarenta e cinco minutos¿ A queda cinematográfica do bandeirinha após marcar uma falta a favor do Botafogo. Lindo lance!!! Com a vinda do segundo tempo, Murphy deu sinal de vida: nada está tão ruim que não possa piorar... Numa bobeada incrível da defesa botafoguense, a bola sobra para chute certeiro do adversário: 0 x 1. Aparentemente, o Internacional realmente não queria a vitória, jogava de maneira displicente. O pior era: parecia que o Botafogo também não queria a vitória. Nos bons lances que criava muito mais por conta da sorte e do marasmo colorado do que pela técnica e categoria de seus jogadores, esbarrávamos no quarto goleiro do Internacional [Este deve ser gremista mas só conseguiu passar na peneira do principal rival!], que fez defesas com grande reflexo. Momentos depois, Rafael Sóbis, também parecendo não querer marcar o gol, encostou na bola, que bateu na trave e ultrapassou a linha, cravando 0 x 2 no placar. Foi o gol mais silencioso de todos os jogos de futebol que eu já acompanhei. Parecia não haver torcedores no estádio, todos desanimados, desolados, entristecidos, cabisbaixos... O silêncio foi quebrado com as discussões internas, confusões que poderiam gerar brigas na Oeste Superior. Com uma briga quase acontecendo, nem vi o sexto gol do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, diminuindo o placar num momento em que havia chance de virarmos o placar! Que nem um louco, tirei a camisa, subi na cadeira e comecei a gritar para a torcida incentivar. Esforço em vão lá de cima, retribuído por uma rouquidão durante algumas horas.

O único time invencível nos jogos em casa perdia num momento crucial da Arrancada Final. É o time que menos perdeu no campeonato brasileiro deste ano, mas também o que mais empatou. Estivéssemos na fórmula idosa de 2 pontos para cada vitória, estaríamos disputando o título... Enfim, a saída do estádio só não foi inerte pois dependia da movimentação da torcida para buscar seus carros, caminhar para a estação de trem ou pontos de ônibus. Silenciosa, decepcionada, com certezas de que tudo acabou. Parecia uma procissão para um funeral, prestes a enterrar um defunto ou cremá-lo. Mas esperem... Cremação precisa de Fogo! E o Fogo gera cinzas! Essas cinzas podem renovar! Antes do jogo, comentara que há coisas que só acontecem ao Botafogo e elocubrava: é bem capaz do Botafogo perder aqui e ganhar do Grêmio no Olímpico... O Glorioso nunca adota caminhos triviais, gosta daquela sensação de sofrimento tão peculiar que torna as vitórias ainda mais especiais. A tarefa é voltar a vencer no próximo Domingo e levar a ‘decisão’ para a última rodada. Meu ingresso já está na mão!



Obs. 1: um dos principais responsáveis por ter me animado a escrever após os jogos, devido à sua declaração de não ser vaca pra ser leiloado entre os clubes, Jobson, além de cair de rendimento nas últimas rodadas, tem vacilado bastante, menosprezando o clube que o resgatou e tem dado grande suporte. Uma pena que pareça que seu pensamento esteja em outro local... Lastimável.

Obs. 2: apesar dos empates do Grêmio e do Atlético-PR, com a derrota para o Internacional perdemos a oportunidade de depender apenas de nossos resultados para a garantia da quarta colocação.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985