Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de março de 2017

Exaltemos o Niltão! Abaixo o cretinismo clubista!

Exaltemos o Niltão! Abaixo o cretinismo clubista!

Gabriel Marques
Botafoguense desde 30 de maio de 1985
Autor do livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”

                Uma desnecessária e mesquinha polêmica tem aparecido nas redes sociais e no jornalismo esportivo nas últimas semanas.

No Estado do Rio de Janeiro, nas últimas décadas, acompanhamos milionárias obras que absurdamente utilizaram recursos públicos, diminuíram a capacidade do até então maior Estádio do mundo, retiraram a sua folclórica geral, culminando com sua transferência para a iniciativa privada. Em suma, o resultado do legado dos megaeventos esportivos para o Estádio Jornalista Mario Filho foi sua adequação ao elitista padrão FIFA e sua subutilização, não apenas afastando muitos torcedores devido aos altos preços dos ingressos, como também não sediar jogos devido à ausência de acordos com o consórcio que nos tomou de assalto o querido Maracanã!

Seguindo algumas estações da linha de trem, em virtude da realização dos Jogos PanAmericanos, em 2007, houve a construção de um novo Estádio na Cidade Maravilhosa. Bastante ouvido pela voz de Jorge Ben Jor, o suburbano bairro Engenho de Dentro ficou nacional e até mesmo internacionalmente famoso, recebendo shows como da banda Guns N’ Roses e do ex Beatles Paul McCartney e sendo o palco de emocionantes momentos nos Jogos Olímpicos de 2016, como as vitórias de Usain Bolt no Atletismo. Contudo, estes marcantes momentos estão precedidos de algumas histórias importantes.

Em 2007, foi aberto um edital de licitação para administração do então denominado Estádio Olímpico Municipal João Havelange, que recebeu a alcunha de Engenhão devido à localização geográfica. Neste mesmo ano, apesar da divulgação midiática sobre interesses de Fluminense e Flamengo, o único concorrente ao edital, sagrando-se vencedor, fora o Consórcio Botafogo. Estabelece-se, assim, uma relação de concessão para administração por duas décadas, vinculada ao Botafogo de Futebol e Regatas. Portanto, durante este período, a casa está alugada e pertence ao Glorioso – que inclusive foi o maior prejudicado quando os governos estadual e municipal do PMDB forçaram a suspensão temporária da concessão, sob a infundada alegação do risco de queda de sua cobertura. Passados este absurdo e os Jogos Olímpicos 2016, o Estádio ganhou vida nova. Com significativa adesão da torcida, o Estádio ficou a cada dia mais alvinegro, com a bela Estrela Solitária brilhando por diversas partes, com tremendo potencial de ser um trunfo para belíssimas campanhas do Fogão.

Como vocês perceberam, o nome de 2007 nunca teve forte adesão. Não por João Havelange ser tricolor, mas pelo fato do ex-mandatário da FIFA e seu ex-genro e ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira serem cartolas conhecidos por medidas contrárias ao futebol para o povo e por terem envolvimento em casos de corrupção mundo afora. O nome do Estádio era um incômodo, um engodo para os verdadeiros amantes do Futebol. Foram realizadas campanhas públicas defendendo a retirada da homenagem a João Havelange. Houve inicialmente uma proposta pelo nome de João Saldanha. Em seguida, a Câmara de Vereadores rejeitou o nome de Nilton Santos, após projeto de lei apresentado pelos vereadores Paulo Pinheiro e Renato Cinco (PSOL) e Marcelino de Almeida (PROS). Apesar dos apelos da população carioca, os governantes só recuaram na defesa do antigo nome após o FBI entrar em cena, incluindo oficialmente os nomes de João Havelange e Ricardo Teixeira em esquemas internacionais de propina.

Créditos: Botafogo de Futebol e Regatas. Disponível em: http://www.botafogo.com.br/estadioniltonsantos/index.php?cat=estadioniltonsantos#ad-image-17 

Apesar de aproximadamente dez anos de vida, é nesse conturbado contexto que a partir de 2016 podemos dizer que o Estádio Nilton Santos se consolida como um importante local para o futebol carioca e brasileiro – até mesmo porque é uma das poucas obras dos megaeventos esportivos que tem sido bem utilizada. Pois bem, se temos vida nova, podemos e devemos exaltar seu novo nome. Nilton dos Santos, durante sua carreira, vestiu duas camisas no Futebol: a do Botafogo e a da Seleção Brasileira. Marcou presença em quatro Copas do Mundo, sagrando-se bicampeão mundial. Conhecido como A Enciclopédia do Futebol, o camisa 6 também é considerado o maior lateral esquerdo da história deste esporte que envolve bilhões de apaixonados por todo o mundo. Uma das histórias inclusive aponta que foi o pivô da contratação do Mané Garrincha, após este ter lhe aplicado um ovinho durante o treinamento. Além da estátua no Setor Oeste do Estádio que agora recebeu seu nome e diversas outras homenagens, Nilton Santos publicou o livro “Minha Bola, Minha Vida” e é enredo do filme “Ídolo”. Infelizmente, muitos de nós não tivemos a grata oportunidade de vê-lo nos gramados com as bolas nos pés e revolucionando a posição de lateral esquerdo ao rumar para o ataque e marcar gols. Mas basta perguntar a pais, avós ou consultar a história do Futebol, que perceberemos que a homenagem é deveras merecida.


Portanto, é fundamental que nós, botafoguenses, contra tudo e contra todos que, por pirraça, desconhecimento, ou inveja, insistam em utilizar outro tipo de nomenclatura, exaltemos o apelido Niltão! Nas redes sociais, nas conversas, nos locais de estudo e trabalho, podemos e devemos ressaltar que houve um rebatizado e agora temos no Engenho de Dentro o ESTÁDIO NILTON SANTOS. E você, torcedor de outros times, que tenha alguma ética e ame o futebol, contamos com você nesta empreitada, até mesmo porque muitos ajudaram a criticar o nome anterior. Agora, quem não quer aceitar e inventar desculpas alegando que ‘o nome não pegou’ e seguindo o desserviço cumprido por parte da mídia, sinto muito, mas tal prática não passa de um cretinismo clubista.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

22 anos em 37 minutos: eu vou andar de trem... Você também...?

No dia em que completei 22 anos, escrevi o texto abaixo. Como o blog Além do Trivial foi criado em 2009, vou postar alguns textos publicados antes deste espaço virtual existir. O texto é de 30 de maio de 2007, quando eu caminhava para finalizar a Licenciatura em Educação Física na UFRJ. Perdi a minha vaga em Nova Iguaçu; a passagem de trem custava já absurdos R$2,00; o Engenhão está construído... E eu ainda prossigo organizado no COLETIVO MARXISTA visando à construção de uma nova sociedade!


22 anos em 37 minutos
Eu vou andar de trem... Você também...?*

22 era o número de anos que completava na última quarta-feira dia 30 de maio.  Mas 37 foram os minutos que levei sobre os trilhos do Engenho de Dentro até Nova Iguaçu, município onde em breve estarei lecionando Educação Física.  Além de estar comemorando meu aniversário, estava ansioso para resolver as pendências de minha convocação após aprovação no concurso público.

            Apesar de pouco mais de meia hora, esse período fez-me refletir e entender que esse foi um dos aniversários mais interessantes e instigantes de minha vida.  Na estação do Engenho de Dentro, pude “apreciar” as obras sendo feitas às pressas, passarelas sendo montadas, paredes sendo pintadas, guindastes sendo erguidos para que o famoso “Engenhão” fique pronto para os “nossos” Jogos Pan-Americanos.  O nome do estádio? Será João Havelange! Quem o construiu? Centenas de trabalhadores, que não estarão dentro do espaço que construíram durante as festividades e os jogos, pois, além de estarem realizando o trabalho pesado enquanto outros compravam seus ingressos pela internet, dificilmente poderiam usar o suado dinheiro de seu sustento para tal fim.

            Já não faltava pagar a passagem, mas veio o velho trem! E velho mesmo, bem cacareco, apesar dos R$2 que nos cobraram.  Nos 8 vagões, para cada pessoa sentada, havia 2 ou 3 em pé, que também pagaram passagem.  Nesse trem obsoleto, fiquei imaginando quando a SuperVia lucrava às nossas custas duas vezes: através dos impostos revertidos em obras e novos trens (e nós no velho trem...) pagos pelo Governo do Estado do RJ e da passagem que acabamos de pagar.  Parte desse dinheiro é usada para a contratação de capitães do mato, seguranças que expulsam, expropriam, ameaçam e até violentam os que chamarei de mercadores ambulantes.

            O trem caminha... E lá vêm: BANANADA 10 CENTAVOS! 3 AMENDOINS POR 1 REAL! Cotonetes, balas, utensílios domésticos etc. eram vendidos nos diversos vagões! Até os piratas Piratas do Caribe 3 me foram oferecidos! Como o brasileiro é criativo; esse é o povo do futuro.  E tentam nos vender essa idéia, pois nós nos viramos diante das dificuldades.  Esses mercadores ambulantes não entram para as estatísticas do desemprego.  Silêncio!!!!! Próxima estação.  E de vagões eles trocam, prestando atenção e escondendo suas especiarias para que os capitães do mato não realizem a sua repressão.

            Ouço uma música se aproximando, sons advindos de um belo acordeão.  Que agradável e bacana – ingenuamente pensei: os R$2 me reservam o direito de ouvir música!  Um senhor idoso e cego se equilibrava com o trem em movimento tocando o acordeão, solicitando humildemente alguns trocados e invocando a bênção de Deus para quem o ajudasse.  Será que esse Deus de quem falamos nos deixaria chegar à situação calamitosa em que nos encontramos?  Ao mesmo tempo, vejo nos olhos de um pai o amor fluindo, se segurando com uma das mãos e com a outra protegendo o filho de aproximadamente 5 anos de idade, que, de tanto insistir, ganhou um pé-de-moleque.

            Decidi olhar um pouco para fora do trem e me distrair com a paisagem.  Distração?  Boa ou má, deixo que opinem acerca de minha opção: casas, casebres e barracos construídos a poucos metros da linha do trem e junto a um rio que se transformou em puro esgoto!  Não, não tinham peidado no vagão; o cheiro horrível vinha do lado de fora.  Crianças brincavam com as pedrinhas dos trilhos e em ambientes asquerosos e adultos conseguiram ocupar alguns terrenos para criar um lar(?), uma moradia para não ficarem pelas ruas, avenidas ou embaixo de pontes.

            Uma lágrima escorreu.  O trem parou e estava na estação onde devia descer.  Percebi meus 22 anos passarem durante esses 37 minutos e consegui não apenas me solidarizar, mas me identificar na pele dos operários do “Engenhão”, do senhor cego que tocava acordeão, do pai com um brilho nos olhos e o amor lançado ao filho, das dezenas de mercadores ambulantes que conseguem seu mísero sustento vagando de trem em trem durante horas de seus dias, das crianças que brincavam próximas aos trilhos e ao horrível cheiro de esgoto...  

            Nesses 22 anos, pude ratificar o sentido que quero dar à minha vida, que não é individual, mas social.  Eu quero estar ao lado dos que sofrem, das vítimas da fome e da miséria, dos que são oprimidos e explorados, assim como eu e a maior parte de vocês.  É uma escolha de vida, um projeto de sociedade, pois é com essas pessoas que unirei forças para reverter essa situação e modificar os rumos dos trilhos.  É no trem da contramão que eu quero andar.  Vem no vagão comigo?

*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Estudante de Educação Física

sábado, 11 de junho de 2011

Enfrentemos o touro e conquistemos um mundo!

Que seja um diferente Domingo

que não peça cachimbo de ouro

que os seres humanos estejam com a força para enfrentar um touro

que se acha valente e bate na gente porque nos considera fracos

que do buraco em que nos encontramos, nos ergamos, por mais fundo que ele seja

pois o mundo não acaba

mas podemos acabar com um mundo - de hipocrisias, explorações e misérias

para construir um novo - de respeito, dignidade e verdadeira igualdade

Trabalhador@s do Rio de Janeiro, temos um mundo a derrubar e outro a conquistar!

Gabriel Marques


Tod@s à Manifestação a partir das 10h na Praia de Copacabana!

Pela anistia dos 439 bombeiros presos politicamente!

Por aumento de salários e melhorias das condições de trabalho!

Por uma Greve Geral! Fora Cabral!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Educação não é negócio nem Educação Física celeiro de atletas!*


Para esta segunda-feira 7 de fevereiro estava marcada a abertura da Semana de Capacitação no município do Rio de Janeiro para o corpo docente da rede. O professorado de Educação Física1 teria especificamente palestras realizadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) abordando temas como os valores olímpicos. Diretora cultural do COB, Christiane Paquelet falaria sobre um suposto “legado cultural dos Jogos Olímpicos para a educação na cidade do Rio de Janeiro” enquanto o presidente da Academia Olímpica Brasileira (??????!!!!!), Jorge Steinhilber palestraria sobre “a importância da Educação Física para o desenvolvimento integral do aluno”. O local escolhido para receber o professorado foi a Universidade Livre do Circo (UniCirco), na Quinta da Boa Vista.
            Pelo twitter2, tomei a liberdade de me manifestar quanto às concepções de Educação Física e de Educação como um todo materializadas pela gestão de Eduardo Paes/Claudia Costin. Com o objetivo de “rir para não chorar”, os traços de humor encontravam-se presentes nos 140 caracteres de cada publicação. Eis as duas primeiras:

            Prefeitura do Rio convoca p/ hj tds os profs. de Ed. Física p/ palestras no circo! Pior que devem achar que os palhaços estão na plateia...
            Minha participação daqui a pouco será: vaia p/ Eduardo Paes, vaia p/ @ClaudiaCostin e vaia para a múmia do Jorge Steinhilber! #ForaTODOS

            Como professor, estimo o uso de elementos do Circo compondo a diversidade da cultura corporal bem como respeito e admiro o trabalho artístico e criativo dos profissionais circenses. O uso de “palhaços na platéia” refere-se às condições salariais e de trabalho fornecidas nas escolas públicas de nossa cidade e tenho certeza de que não podemos ser marionetes para aplaudir e elogiar os atuais rumos da Educação Pública em nosso município. Portanto, vaiaria o prefeito, a secretária e o presidente do Conselho Federal de Educação Física, um dos principais responsáveis pela filiação compulsória ao sistema CONFEF/CREFs para podermos tomar posse após sermos aprovados em concursos públicos3!
            Adepta frequente do twitter, a secretária Claudia Costin sempre publica os elogios a ela direcionados e em outros momentos não respondeu a perguntas que fiz. Para minha surpresa, ela me citou com a seguinte resposta:

            “@grdmarques Sim, pela 1ª vez teremos capacitação para professores de Educ Física.

            Discordando dela, retruquei:
            Ouvir vcs e Steinhilber ñ é capacitação, é ALIENAÇÃO!
            Hora de ir pro circo, mas preferia ver palhaços, mágicos, malabaristas... Em vez de ouvir Eduardo Paes, @ClaudiaCostin e Jorge Steinhilber!

            Já estava no ônibus rumo à Quinta da Boa Vista quando recebo um telefonema da direção da escola onde leciono, perguntando se tinha sido eu o responsável por publicar tais postagens. Ou seja, procuraram meu nome, onde trabalho, quando entrei no município, percebendo inclusive que estou na situação de ESTÁGIO PROBATÓRIO! Como se pudéssemos escolher, a Secretária de Educação me responde:

            “@grdmarques A capacitação será ao longo da semana. Mas, se preferir não ir, não o faça.”

            Enfim, o evento não ocorreu por conta do excessivo calor das 15h num picadeiro fechado sem qualquer sistema de refrigeração. A maioria dos presentes estava totalmente descontente com a tal “capacitação” e sobraram vaias até para o apresentador e dono da UniCirco Marcos Frota. Após um leve pisão no meu pé, a Secretária, caminhando e conversando de grupo a grupo de professores, nos dirigiu a palavra pedindo desculpas e informando que sua intenção era a melhor possível para reunir os professores de Educação Física todos juntos principalmente nesse ano olímpico e informando que se quiséssemos poderíamos ir embora.

            Publicizo o relato acima pois não podem nos calar. Temos a liberdade de nos expressar e apontar os equívocos, os retrocessos e os problemas que se multiplicam pela lógica que toma conta da Educação Pública em nosso município! Não tolerarei quaisquer relações entre a minha situação de estágio probatório e a minha liberdade de criticar e me organizar para a defesa da Educação Pública e de melhores condições para os profissionais da Educação. Se a Secretária de Educação pede “respeito dos educadores” após ser vaiada, nós exigimos: NÃO TRATE A EDUCAÇÃO COMO NEGÓCIO NEM A EDUCAÇÃO FÍSICA COMO CELEIRO DE ATLETAS!
            Pra não dizer que não falei das flores... O lanchinho preparado pra gente estava muito bom!
E viva o Circo!
           

2) Funcionando como um microblog, o twitter tem sido uma ferramenta virtual importante para diálogos, informes e também manifestações políticas de descontentamento. Algumas destas, denominadas “twittaço”, usam expressões para que apareçam nos “Trending Topics”, tópicos mais citados, de uma cidade, um país ou do mundo.
3) Nos editais de concursos públicos, tem sido absurdamente exigida a filiação dos professores ao Conselho Federal de Educação Física e respectivo Conselho Regional de Educação Física, tendo o professor que pagar anualmente uma taxa, situação que acontece apenas com nossa disciplina.

*Gabriel Marques
Professor de Educação Física

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

'Escalaminhada' rumo ao cume do Pão de Açúcar

O blog Além do Trivial surgiu para interagir a respeito de diversas temáticas, principalmente auxiliando para construirmos um efetivo processo de transformação da sociedade em que vivemos. Ultimamente, por conta dos compromissos acadêmicos, os textos acabaram centrando-se na relação das temáticas Botafogo, futebol, torcida, política e sociedade, que culminaram numa coletânea que será publicada no livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" daqui a algumas semanas.

Enfim, muitas pessoas em alguns momentos reclamam que só faço críticas ou acusações ao Estado do RJ e à 'Cidade Maravilhosa', mesmo reconhecendo na maioria das vezes que tais reflexões são importantes em tempos de farsas como o 'choque de ordem', de irresponsabilidades sociais que impulsionam catástrofes após a ação dos fenômenos da natureza e de privilégios aos setores dominantes para adequar nossa cidade aos mega-eventos esportivos. A postagem de hoje tentará socializar um pouco das belas imagens existentes em nossa cidade, obviamente apresentando questões que caminham além do trivial.

Já publicara em outro momento uma subida com minha antiga turma de alunos ao morro da Urca (http://alemdotrivial.blogspot.com/2009/12/turma-3001-do-cepurb-na-trilha-da-urca.html) e sempre tive vontade de realizar o trajeto (bem mais complicado) até o morro do Pão de Açúcar. Ontem, numa bela  e demasiadamente calorenta manhã de Domingo, tive a oportunidade de subir, numa caminhada com trecho de escalada, os cerca de 395m de altura do morro, conhecido nacional e internacionalmente, que fornece belos cartões postais de nossa cidade. Apesar do perrengue no finalzinho do trecho da escalada, devido ao excesso de calor, ao tênis escorregadio e à minha perda de virgindade em escaladas, foi uma aventura emocionante. Devo merecer uma média 6,0 pra atuação e desempenho. rs 

Lá de cima, era possível observar como realmente é maravilhosa a nossa cidade, que deve e precisa ser preservada para que todos e todas tenham acesso, incluindo as futuras gerações. Vale ressaltar a importância da segurança e da responsabilidade para realizar tais aventuras, que devem ser feitas com pessoas com experiência e conhecimento, evitando quaisquer problemas. Além disso, não sujar o espaço também é essencial para preservarmos essas belas paisagens. Aproveitando o ensejo, ainda está muito cara a passagem para subir e descer de bondinho (Praia Vermelha - Morro da Urca - Morro do Pão de Açúcar), que custa R$33,00. Tudo isso é patrimônio da população carioca, fluminense e brasileira e não deve ser um espaço de lucratividade para a administradora, mas um espaço de visitação acessível a todos e todas.

Sem esquecer o lado bem-humorado, deixo registrados também as congratulações e os agradecimentos pela companhia da 'Equipe Cão' no Pão de Açúcar - Amandinha Gouveia, Paolla Moura, Vanessa Leite, Caíque Tibiriçá, Bruno Leite e eu.

Como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, compartilho abaixo um pouco da experiência de ontem.























terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu troco Luan Santana...*

Desde 2004, ano em que ainda me encontrava cursando a Graduação, não havia concursos para o meu cargo (Professor 1 - Educação Física) para o município onde nasci, estudei, fui criado e até hoje resido, conhecido internacionalmente como a Cidade Maravilhosa. Enfim, em 2010 o concurso foi realizado e obtive êxito. No dia 25 de outubro, tomei posse e sou desde então funcionário público da capital fluminense.

No final de semana, folheando as páginas do jornal, deparo-me com a notícia de que a Prefeitura do Rio de Janeiro, atualmente gerida por Eduardo Paes/PMDB, realizará no próximo sábado um evento de final de ano(1).

A primeira questão a se levantar é que tal evento não permitirá a presença e a participação de todo o seu corpo de trabalhadores. Quem estivesse interessad@ deveria participar de um sorteio, que contemplaria 15.000 funcionári@s, cada um(a) destes(as) podendo levar acompanhante. O show, que ocorrerá na Praça da Apoteose, terá como contratado o cantor sertanejo Luan Santana, cuja existência soube há poucos meses. E aí está a segunda e principal questão, que me incentivou a tecer alguns comentários:

a) a maioria do público-alvo do artista certamente está concentrada na faixa etária abaixo dos 18 anos, ou seja, público não composto por funcionários públicos;
b) além de não consultar o que seus funcionários gostariam de ganhar como presente de Natal, a Prefeitura escolhe, a seu critério e arbitrariamente, quem será o artista; contratando-o por intermédio da empresa Cunha Locação de Equipamentos, propriedade do produtor Daniel Alves;
c) o total de gastos com o evento custará cerca de R$1.300.000,00 aos cofres públicos(2);
d) apenas o cachê e gastos de deslocamento de Luan Santana custarão aproximadamente R$525.000,00(2).

Recentemente, alavancado por uma ascensão meteórica à fama, o referido cantor adquiriu um jato particular, com valor avaliado em R$3 milhões, para poder realizar suas dezenas de shows e engordar sua conta bancária durante cada mês(3). E agora vemos a Prefeitura do Rio de Janeiro auxiliar nesse processo, prefeitura esta cujo professor I precisaria trabalhar numa matrícula de 16h semanais durante quase 389 meses ou cerca de 32 anos e meio para receber a quantia que Luan Santana receberá por algumas horas. Enquanto o jovem se desloca de jatinho, o professorado enfrenta salas de aula superlotadas, violência exacerbada, deslocamento por transporte público precário, engarrafamentos monstruosos e percebendo o desmantelamento da Educação Pública por meio da desvalorização do magistério, da Educação à distância e da privatização que favorece o terceiro setor.

Pois, quem tem algo a comemorar nesse final de ano?

Não tenho dúvidas de que a quantia de R$1.300.000 poderia e deveria ser melhor aplicada. Haverá alguma relação entre o governo municipal e/ou seu partido/coligação e a empresa de Daniel Alves? Enquanto essa grana, vinda dos impostos da população carioca, vai para os ares (a jato), a dita Cidade Maravilhosa transcende a desigualdade apresentada acima entre professores e Luan Santana: os contrastes são notados em cada itinerário que realizamos. Esse é o enredo desejado e necessário ao capital, modelo que devemos enfrentar, combater e superar! Não é possível que continuemos aceitando o enriquecimento de uma minoria a partir do trabalho da maioria.

Portanto, compartilho essa angústia para afirmar categoricamente que eu troco o show de Luan Santana por mais investimentos públicos na Saúde, na Educação, na Habitação etc. públicas Assim como eu troco todos esses Luans Santanas que se enriquecem às custas da classe trabalhadora por uma sociedade onde todos tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, sem fome, miséria, desemprego nem desigualdade social!


(1) Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/09/prefeitura-vai-gastar-1-3-milhao-em-show-de-luan-santana-para-servidores-publicos-923234280.asp

(2) Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?article-id=1380898


 
*Gabriel Marques
Professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pra ficar legal? Que os sonhos transcendam as urnas!*

Semana passada prestei atenção em alguns momentos do debate entre os quatro dos nove candidatos à Presidência da República (por que não convidam todos os candidatos e não chamam um defensor do voto nulo?). Hoje novamente me esforcei para ouvir as “propostas” e as “diferenças” entre os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro. No todo, um saldo positivo dos debates na rede Bandeirantes! Mais do mesmo. Mais da mesmice. Mais da enrolação. Mais do continuísmo. Mais da conservação. Mais da ilusão. Mais da exploração.

            Conhecido internacionalmente por belas paisagens, excelentes e animados Carnavais e pelo bom futebol, o Rio sofre absurdamente as contradições e conseqüências inerentes à lógica do sistema opressor e desigual em que vivemos. A ordem do capital modifica os personagens: Moreira Franco, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Rosinha Matheus, Sergio Cabral... Todavia, mantém o conjunto da população silenciado, cabisbaixo, com medo e refém das escolhas que privilegiam o continuísmo, obviamente com apoio duma mídia televisiva e impressa lacaia dos dominantes.

            O atual governador afirma orgulhosamente que dirige o “Rio que enxerga a paz, a parceria e a união”, apoiado pela maioria maciça das Prefeituras e pelo Governo de Lula e futuramente Dilma. E continuará dirigindo, pois o circo está montado para Cabral Filho perdurar até 2014. Fernando Gabeira, que se auto-afirmou contundentemente como “o ex-Gabeira”, que não quer fazer a Revolução Socialista, algo do século passado, que não precisa definir uma identidade, pois isso é coisa de adolescente. É “o novo Gabeira que precisa fazer alianças para chegar ao poder”, alianças essas sem escrúpulo algum, com os direitistas PSDB de José Serra e DEM de César Maia. O outro Fernando – Peregrino – não passa de um fantoche na tentativa de defender a família Garotinho e recuperar parte de seu prestígio e influência políticas. O PSOL, apesar de se encontrar no campo anti-governista, esbarra na institucionalidade, na crença no Parlamento por meio do “voto consciente” e não avança na apresentação de uma real alternativa para a classe trabalhadora. Seu candidato à Presidência falara que o PSOL é o PT de antigamente. Hoje eu me pergunto: como pude acreditar nesse projeto em 2002 e 2004?

            Durante a troca de farpas e acusações, problemas cotidianos jamais vivenciados por aqueles senhores são levantados única e exclusivamente para a disputa de votos, já que depois de eleitos governarão para manter o status quo e no máximo apresentarão alguns paliativos para aparecer nos jornais. Antes de finalizar, apenas alguns pontos marcantes:

  • Cabral explicitou que colocou 30.000 professores em sala de aula. Quantos desses já pediram exoneração em virtude das péssimas condições de trabalho e do salário líquido inicial de pouco mais que R$600,00?
  • Quanto custou aos cofres públicos e quem realmente saiu beneficiado com os aluguéis dos aparelhos de ar condicionado para climatização das salas de aula e dos computadores para o corpo docente?
  • Os reajustes das passagens de trem, metrô, barcas e ônibus caminha na mesma proporção que os reajustes salariais da classe trabalhadora?
  • Por que mais uma obra do Maracanã para atender aos interesses da Fifa por conta da Copa do Mundo de 2014, que fará diminuir ainda mais a capacidade do estádio? Ou seja, menos torcedores poderão apreciar um jogo de futebol no espaço.
  • Se a chuva é natural, a catástrofe é social? Certamente! No século XXI, não temos condições de garantir moradias dignas, em áreas sem risco, para o conjunto da população? Mas as tragédias, nas quais vidas foram perdidas, no Morro do Bumba e em Ilha Grande serviram para clamar pela solidariedade da população e continuar sua “pacificação” sob os moldes de “Choque de Gestão”.
  • De onde vêm e virão os milhões de reais para financiar as campanhas de Cabral e Gabeira?
  • Segundo Cabral, o Rio hoje é de paz. Como ele explica a morte de crianças e jovens por balas perdidas e intervenções policiais? Ou sua própria postura “pacífica” ao denominar como “fábricas de marginais” mães moradoras de favelas e periferias; “vagabundos” os médicos; e “otário” um garoto de 17 anos que questiona?
  • Por fim, Gabeira ratifica que abre mão de sua história, jogada no lixo ao aliar-se com o DEMônio e o PSDB. Classifica de trágica a situação de países onde houve tentativas de construção do socialismo. Nosso Rio de Janeiro, sob os marcos capitalistas, conseguirá superar a atual tragédia em que se encontra?
             Pra ficar legal? A gente quer o melhor, Sergio Cabral! E o melhor é um Rio sem você, Gabeiras, Peregrinos, Garotinhos nem Maias ou Paes! No dia 3 de outubro, eu, como militante do Coletivo Marxista, anularei meu voto para Presidente, Governador, Senadores e Deputados Federal e Estadual. Nossos sonhos, de um Rio e um Brasil sem patrões e sem marionetes como os candidatos apresentados, não cabem nas urnas!

*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
VOTO NULO EM 2010!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quanto riso, oh! Quanta alegria!

Em ritmo de festa, milhões de foliões já preparam seus apetrechos e fantasias, programam suas viagens e entoam refrões para se esbaldar nas ruas de diversas localidades de nosso extenso país.  Por diversos motivos, sempre gostei do Carnaval: quando criança, ia ver com meus pais os carros alegóricos e acompanhava os desfiles das escolas de samba e anotava as notas de cada quesito durante a apuração; já adolescente, usava fantasias, viajava, conhecia novas pessoas, beijava na boca etc. Planejo o terceiro ano consecutivo na simpaticíssima Cidade Maravilhosa, curtindo os blocos, as praias, cachoeiras e demais belezas. Porém, para fazer valer o nome do blog, tentarei compartilhar um pouco da angústia que tem me acompanhado freqüentemente.

Muitos esbravejam por aí que o ano oficialmente se inicia apenas após o Carnaval, que é tempo de afogar as mágoas, esquecer os problemas, se embebedar e por aí vai. É aí que reside algo bastante perigoso e conservador, visto que pretende preservar a realidade concreta ao nosso redor. Com auxílio da mídia, a criação, a irreverência, a ironia que poderiam ser mecanismos de crítica e superação são transformados em mercadorias a serem consumidas pragmaticamente a fim de gerar lucros para grandes corporações. 

Dois mil e dez já teve seu início há muito tempo, bem antes dos pirotécnicos foguetórios que iluminaram a virada para o dia primeiro de janeiro. Não nos esqueçamos de que em outubro teremos novamente o processo eleitoral, renovando, sucedendo, modificando presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Renovando, sucedendo, modificando o quê, cara pálida!? Mais falsas polarizações entre os tucanos e petistas serão apresentadas, ludibriando a população, que precisará digerir novas propagandas do sempre mesmo projeto vigente, com apenas trocas de máscaras e embalagens, mantendo o conteúdo: opressor, corrupto, burguês! Tal como a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, é um novo jogo de cartas marcadas, dessa vez com uma dama de estrela vermelha que hoje tem sua combatividade apagada.

E como vamos nos esquecer? Tivemos gripe suína e crise do capital no ano passado tomando conta dos noticiários! O mensalão DEMocrata e a permanência de Arruda no Distrito Federal tal como ocorre com o presidente Lula: caem-se as laranjas mas não derrubam a laranjeira (todas podres, diga-se de passagem). No início do ano, desastres em Angra dos Reis e no Haiti que ratificaram a hipocrisia dos poderosos ao apelar para a solidariedade enquanto suas contas bancárias possuem apenas uma direção: superávit! Logo essas capas de jornais serão trocadas por outras, com semelhantes desgraças, tristezas, choros e agonias, usando Joões e Marias como fantoches de um espetáculo com desfechos imprevisíveis, enquanto não mudamos o rumo da atual história. Tá com calor aí? Não esquenta! Pegue uma gelada, coloque a amarelinha, pois acompanharemos a nossa Seleção rumo ao Hexa! Será que as mãos que constroem o país levantam a taça?

É isso. Já estamos rumando às ruas para curtir o Carnaval, tempo de festas, mas também período no qual aumentam-se os índices de violência, conseqüência corriqueira informada de maneira trivial por aqueles que querem nos vender, nos comprar, nos matar de rir e nos cegar! São assaltos, roubos, furtos, estupros, acidentes de carro etc. que se multiplicam nesse período, que também consegue jogar a sujeira para debaixo do tapete, fingindo que não há miséria, fome ou desemprego. E é também num Carnaval que podemos vislumbrar lampejos e afirmar com confiança que há uma luz no fim do túnel. Em 2008, durante um bloco na Praia de Ipanema lotada, um daqueles ambulantes - sim, daqueles que muitas vezes atrapalha, empurra e vende caro - teve seu isopor repleto de bebidas caído ao chão, varando gelo, latinhas e garrafas pela rua e calçadas. De repente, homens e mulheres caminham, se abaixam, pegam os itens e... Colocam dentro do isopor do trabalhador!

Aprendamos a ir para as ruas com o Carnaval, para fazer com que os risos e as alegrias possam ser acessíveis e compartilhados com toda a humanidade.