Talvez devido ao recesso, talvez
devido à ansiedade por uma das estreias mais cobiçadas dos últimos tempos,
talvez até mesmo por conta de estar junto a dezenas de milhares de corajosos e
corajosas que se despencam de várias partes do Rio de Janeiro ou de fora de
nosso Estado para torcer pelo clube de General Severiano, nunca senti passar
tão devagar o tempo entre um jogo de quarta-feira e um de Domingo pelo
Campeonato Brasileiro. E na Cidade Maravilhosa o Domingo nasceu formidável, daqueles em que as nuves aparecem
apenas para fornecer o contraste em azul e branco com o céu, daqueles em que o
Sol nos contempla sua aparição e seu calor em pleno inverno, daqueles em que certos tricolores – que só
possuem o por do Sol para vislumbrar às margens do Rio Guaíba – invadem nossas
belas praias e demais cartões postais. Escolhendo uma trilha no Morro da
Urca como aquecimento para o jogo da noite, a cada botafoguense que passava
pelas ruas, era notória a auto-estima por vestir esta camisa Gloriosa.
Infelizmente,
nem tudo foi perfeito. Volto a registrar o quanto é complicada essa avalanche de holofotes sobre o brilho da Estrela
Solitária. Nós temos brilho próprio, incandescente, deslumbrante, que se
sobressai sem querer humilhar ninguém. E foi justamente nesta escolha de
nossa solitária constelação que
acabamos ofuscados pelos tricolores gaúchos, que furtaram a cereja de nosso bolo e nós só pudemos perceber
ao final dos noventa minutos.
Numa boa, não
podemos levar gol daquele bonde do
Marcelo Moreno! Não conseguiu dominar uma bola o jogo inteiro, mas acertou a
finalização em cheio para o fundo das redes de Jefferson. Apesar do (novo)
vacilo de nosso sistema defensivo, não preciso nem dizer que sua trombada fora falta, ignorada pela
arbitragem, assim como um pênalti cometido pelo Gilberto Silva em cima do
Elkeson. E não é que Fellype Gabriel mais uma vez acertou o travessão!? E o
Leo Gago salvou em cima da linha o que seria nosso gol de pelo menos empate. Enfim, o
segundo tempo foi digno de aplausos pela dedicação, mas são necessárias as críticas
pelo afobamento, por equívocos táticos e pela morosidade em alguns momentos,
principalmente no primeiro tempo.
A
vitória foi injusta? Obviamente. Era possível revertermos? Mais óbvio ainda. O
que faltou para isso? É aí que entram os papeis da comissão técnica e da
organização da equipe. Quando o Botafogo mais pressionou? Quando tinha pelo
menos dois atacantes em campo! Não dá
mais para nos resignarmos com esse esquema 4-6-0, Oswaldo! O único atacante
em campo voltando para ajudar a marcar na defesa e buscar jogo!? Já chega!
Andrézinho tem sido o melhor em campo nessa transição da defesa para o ataque,
enquanto Vitor Junior caiu demasiadamente de produção e o Fellype Gabriel ainda
está buscando ritmo de jogo. É preciso
reconhecer: erraste na escalação inicial, treinador! Foi acertada a estreia
do Seedorf por conta do bom momento vivido pelo marketing e pela euforia da
torcida. Nosso surinameso estreou
discretamente, mas seus bons passes e sua visão de jogo apontam que melhorias
virão. Jefferson fechou o gol no primeiro tempo; Márcio Azevedo não estava
numa boa noite; Elkeson continua atabalhoado; e o Rafael Marques entrou melhor
ontem.
Para
não dizer que não falei da festa... A festa foi bem menos espalhafatosa que a apresentação. Será que faltou glamour? Não houve fogos, não houve
chuva de papel, mas houve um estádio com
a presença de mais de 34.000 pessoas, que cantaram, aplaudiram, vibraram e
incentivaram. Oswaldo agora precisa morder
a língua. O tal fator campo
estava lá e o time não correspondeu com os três pontos. Nos minutos finais, a torcida impulsionava os avanços do time e entoava
o Hino do nosso Botafogo. O árbitro soou o apito final e a galera ecoou que
ninguém cala o nosso amor, mesmo com a amarga derrota. Faltou humildade ao
treinador para não debochar no início do jogo ao afirmar que “era a primeira
vez que via (o estádio cheio) assim”. Seriam tarefas uma retratação pelas
infelizes declarações anteriores e um agradecimento
público à presença e ao incentivo daqueles e daquelas que pagaram exagerados e
absurdos R$60 para ver seu time dentro de um estádio construído com
recursos públicos que ontem não oferecera sequer água para lavarmos as mãos no
banheiro!
Antes
do jogo, estive com a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras
recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado em defesa da mudança do nome de
nosso Estádio. Queremos no telão: SUDERJ
informa: sai o tricolor, elitista e corrupto João Havelange, entra o
botafoguense, comunista e sacado do comando da Seleção Brasileira pela Ditadura
Militar João Saldanha! Complementando as ações da semana rumo à construção
de uma nova sociedade, é tempo de convocar a torcida alvinegra para
quinta-feira que vem lotarmos o HEMORIO para doarmos sangue. De 9h às 17h do dia 26 de julho, o evento
ESTRELA SOLIDÁRIA acontecerá. Já doei umas seis ou sete vezes e marcarei
presença desta vez. Pessoal, doar sangue
não dói, salva vidas e ainda se ganha um lanchinho gostoso ao final! ;)
Para
doar, bebam Toddynho ao invés de se esbaldar nas bebidas alcoólicas na noite
anterior, pois quarta é dia de voltarmos
ao Saldanhão com nossa Estrela no peito para cantar e apoiar o Fogão. É
clássico, é jogo de disputa na parte de cima da tabela. É só falarmos que é decisão, que os bacalhaus tremem diante do espectro
do Manequinho! Pra cima deles, Fogão!
Mais informações sobre a doação
de sangue na próxima quinta-feira: http://www.bfr.com.br/oclube/noticias/clube+convoca+torcida+para+mutirao+de+doacao+de+sangue+no+hemorio.asp
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
