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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Só a faixa deles entrou em campo*


Por conta das finais da Taça Libertadores, o Corinthians solicitou à CBF o adiamento do confronto com nosso Glorioso. E para a CBF, se seu queridinho solicita, é ordem! Nosso duelo referente à sétima rodada aconteceu então após a oitava. Como a ordem dos fatores não altera o produto... O sete é nosso! O sete é Fogo! Após emprestar nosso atual ligeirinho e perceber que o mesmo tem fornecido grande suporte ao meio-campo, também não permitiram sua entrada em campo sem o pagamento da multa. Mais de 25.000 pessoas no Pacaembu, a maioria absoluta delas cantando ‘É campeão!’...

            Entretanto, da mesma maneira que no ano passado contra este a quem não sei por que cargas d’água fornecem a alcunha de Timão, o Botafogo entrou no Pacaembu como se estivesse em sua própria casa. Afinal, não deixa de ser depois de conquistarmos lá o saudoso título de 1995! Curtindo a quarta-feira de Sofá-Fogo e com várias camisas alvinegras por lavar, o jeito foi esquentar-me com o lindo casaco preto que ostenta no peito a Estrela Solitária.

            Seedorf e Rafael Marques ainda não estrearam, mas o ambiente já carrega uma energia extremamente positiva. Oswaldão de Oliveira tem mandando muito bem depois das besteiras ditas na entrevista coletiva contra a Ponte Preta. O time está bem armado, com posse de bola consistente, marcando de maneira adiantada e diminuiu consideravelmente os chutões para frente, o que tem sido infelizmente trocado por alguns irritantes recuos de bola da ponta de ataque até o melhor goleiro do Brasil. E, ontem, com esse estilo de jogo e muita disposição, o Botafogo só permitiu que as faixas do campeão da Libertadores entrassem em campo, porque os jogadores corinthianos foram totalmente envolvidos por nosso sistema (SISTEMA, NÃO ESQUEMA, hein!), tendo dificuldades de marcar, de trocar meia-dúzia de passes e ainda mais de atacar com perigo. E para parar o alvinegro, o time paulista distribuiu leves pancadas, ignoradas pelo árbitro Heber Roberto Lopes. O Botafogo cometeu menos infrações que os gambás e absurdamente venceu de goleada nos cartões amarelos por 5 x 1.

            Apesar do volume de jogo, o Botafogo precisa arriscar mais finalizações! Cidinho mandou com perigo pela direita e Elkeson de falta antes da bela roubada de bola de Lucas Zen, que lançou muito bem para Andrezinho correr, carregar a bola, cruzar certinho para o grosso Paulo André desviar contra para o fundo das redes! O final do primeiro tempo ainda reservaria fortes emoções após Lucas Zen e Antônio Carlos saírem de campo para colocarem o Departamento Médico para trabalhar – e como ele trabalhou ontem! Apenas com dois a mais, o suposto Timão conseguiu chegar ao ataque com perigo e lá estava ele: São Jefferson fez excelente defesa. No rebote, o adversário acertou a trave. No novo rebote, Elton dominou com a mão e seu gol foi corretamente anulado. Ufa! E o segundo tempo veio para apenas ampliarmos a confortável e importante vitória. Pela direita, Cidinho tocou para Lucas, que acertou excelente cruzamento rasteiro para Elkeson – nosso novo centroavante e artilheiro, com 3 gols em 2 jogos – desviar de esquerda aos 11 minutos. Aos 23, pela esquerda, Fellype Gabriel tocou para Andrezinho, que carregou até a área adversária e, como um excelente garçom, passou para Elkeson dominar e guardar o terceiro gol do Fogão! O restante do jogo foi apenas para o Botafogo treinar passes e o Corinthians diminuir num pênalti que foi pênalti, mas aconteceu segundos depois da bola ter batido na mão do adversário e este levado a melhor no lance. Jefferson deixou entrar para garantir que eu acertasse o placar do bolão: 1 x 3!

            Nossa defesa ficou quase 180 minutos sem levar um gol e essa tônica do ataque concluindo bem a gol e a defesa protegendo precisa prevalecer nas próximas rodadas. O tal do Romarinho achou que seria fácil como contra o Boca, mas Márcio Azevedo incorporou um Fogão de seis bocas e ganhou todas as roubadas e dribles em cima dele. Renato consubstanciou o espírito da Festa Julina do próximo sábado e ficou distribuindo com categoria balões aos corinthianos. Andrezinho, depois do gol contra o Inter, lidera o meio-campo com dribles, bons passes e velocidade extrema! E o Elkeson será o artilheiro do Brasileirão, sendo importante referência na conquista do Tri!

            Podem adiar, podem jogar em casa, podem estar com a maioria da torcida, podem barrar o ligeirinho. Isso aqui é Botafogo! Estamos de volta ao G-4 e domingo vamos com tudo dominar nosso Engenhão e fiscalizar quaisquer vândalos ou vândalas destruindo nossas cadeiras. Domingo então é dia de apoiar nosso Glorioso no confronto direto da parte de cima da tabela contra os tricolets. Dá-lhe, Fogão!

           *Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Antes da partida vem sempre a chegada! Bem-vindo, Seedorf!


            Era dia sete do mês sete. Após muito suor e animação na Festa Julina ocorrida na quadra – descoberta, sob o Sol escaldante – onde leciono no Colégio Municipal Botafogo, em Macaé, rumei faminto e ansioso para a Cidade Maravilhosa, desejando a comida da mamãe e da vovó, tomar banho e vestir aquela bela camisa em preto e branco para caminhar até o Engenhão. “O jogo não é só às 19h30min? Por que você vai agora?” – indagou minha avó. “Hoje o Seedorf chega, de helicóptero, às 17h. A festa começar antes do jogo!” E como é bom ir ao estádio com aquele sentimento iminente de vitória, de alegria, de vibração, de casa cheia. A euforia era tanta que não titubeei no bolão: 4 x 1 pro meu Glorioso. A casa não foi tão cheia devido ao absurdo preço de R$50,00 do ingresso. Porém, mais de 20.000 alvinegros compareceram! E, antecipando-me aos engraçadinhos... Maior que a média do Fla x Flu em festa que no dia seguinte reuniu cerca de 38.000.

Os minutos passavam e a antonímia se exacerbava. Chateado por não ter tido acesso à promoção que premiou dois sócio-torcedores com o translado de helicóptero de nossa mais recente contratação, mas deveras contente com a animação, a empolgação e a energia positiva presentes nas arquibancadas. Fogos, palmas, cantos, olas e gritos de Fogo deixavam as cinzas como síntese da certeza de que dias melhores e gloriosos virão! É hora de elogiar a torcida, não, Oswaldo!?

De certa maneira foi até bom não termos nem sentido os opostos sentimentos que nos trazem as saídas e as chegadas. Enquanto a tristeza e a nostalgia batiam pelas saídas de nossos guerreiros do MERCOSUL – Herrera e Loco Abreu – que, se não atuaram como craques, passaram boas temporadas com raça e gols (sendo os dois maiores artilheiros do Engenhão), exigiram respeito à história do Botafogo, não se subestimaram à FlaPress e foram protagonistas da conquista do título estadual de 2010. Uh, Herrera! Uh, El Loco! Mesmo sem a presença dos dois, a torcida entoou seus nomes e agradece por suas passagens pela História da trajetória de nossa Estrela Solitária! Maicosuel também partiu, mas rumo aos campos europeus. Embora não tenha resgatado os excelentes momentos de driblador e finalizador, seu retorno também mereceu nossos aplausos.

Quando a velocidade sonora do motor, da hélice, do vento, dos céus, das estrelas alcançou a audição dos alvinegros, a arquibancada sacudiu. O telão mostrava a chegada do helicóptero enquanto nosso querido humorista Marcelo Adnet, em campo, liderava a festa. “Seeeeee Doooorrrrr Feeeeee! Oba! Oba!” “Uh, ta maneiro! O Seedorf é alvinegro!” Quanto riso, quanta alegria! Mais um craque para nossa constelação, ovacionado pela galera do Engenhão e sob os olhares atentos da mídia de diversos cantos do Brasil e do mundo! E no duelo das antonímias, momentânea e singelamente tive a certeza de que antes da tristeza da partida há a vibração contagiante e feliz da chegada!

Houve jogo depois? O Bahia não teve tempo nem espaço para entrar em campo. Cada vez evoluindo mais, Márcio Azevedo acertou perfeito cruzamento para encontrar a testa daquele que avisara que seria o nome do jogo: Cidinho abriu 1 x 0 aos oito minutos. Querendo atrapalhar a bela festa, o ex-mulambo e marginal Souza distribuiu agressões a Antônio Carlos e Lucas, sob a conivência do frouxo árbitro da partida, que absurdamente ainda amarelou nosso xerife! Quando não tinha mais dúvidas de que haveria vermelho no segundo tempo, astutamente o técnico Falcão sacou aquele troglodita de campo durante o intervalo. Ôôôôôô, o Souza é um... ! Apesar de ainda apelar para a chatice dos recuos de bola para Jefferson (que só trabalhava após receber esses passes bisonhos), o Botafogo jogava bem, obrigando o goleiro Marcelo Lomba a trabalhar. Entretanto, faltava a bola chegar novamente aos pés do garoto que tem plenas condições de fornecer muitas alegrias ao Fogão! Antônio Carlos avançou até o campo adversário, tocou para Cidinho, que, de fora da área e contando com o auxílio do desvio de Tite, abriu o 2 x 0 para tirar do chão a torcida do Fogão e fornecer tranquilidade após o intervalo.

Novamente no segundo tempo, só deu Botafogo. Com excelente troca de passes, o Fogão dominava o meio e a defesa não deixava o ataque do Bahia passar. Enfim, noventa minutos sem levarmos gol, mais uma conquista a comemorar na noite de Sábado. E nosso terceiro gol foi uma obra de arte. De Vitor Junior para Cidinho; de Cidinho para Andrezinho; Andrezinho, de calcanhar, para Renato; Renato, para Elkeson; no alto, de esquerda, para o fundo das redes! Disparadamente, o gol mais bonito da rodada! Infelizmente, Elkeson ‘garoteou’ ao tirar a camisa para comemorar, levando o cartão amarelo. E, felizmente, ao ser substituído, saudou a torcida e declarou que ‘só quer ser feliz’ no Botafogo! Essa é a tônica, Elkeson! Gás em campo, apoio da torcida e felicidade tua, do clube e da torcida! Como em festa de aniversário, o Bahia só aguardava o ‘parabéns’ do apito final para ‘sair de fininho’.

            Hoje vamos a campo contra os ‘queridinhos da CBF’! Ano passado detonamos os gambás em São Paulo e temos totais condições de repetir a dose. Apesar dos polêmicos informes que surgem sobre a ‘compra do título’, o Corinthians jogou bola durante todo o torneio para sagrar-se campeão. E daqui a pouco nosso Botafogo pode e deve jogar com dedicação e vontade de vencer para buscar o Tri este ano e conquistar as Américas em 2013. Afinal, de 13 nós entendemos e gostamos!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985