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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Furtaram a cereja do bolo*


Talvez devido ao recesso, talvez devido à ansiedade por uma das estreias mais cobiçadas dos últimos tempos, talvez até mesmo por conta de estar junto a dezenas de milhares de corajosos e corajosas que se despencam de várias partes do Rio de Janeiro ou de fora de nosso Estado para torcer pelo clube de General Severiano, nunca senti passar tão devagar o tempo entre um jogo de quarta-feira e um de Domingo pelo Campeonato Brasileiro. E na Cidade Maravilhosa o Domingo nasceu formidável, daqueles em que as nuves aparecem apenas para fornecer o contraste em azul e branco com o céu, daqueles em que o Sol nos contempla sua aparição e seu calor em pleno inverno, daqueles em que certos tricolores – que só possuem o por do Sol para vislumbrar às margens do Rio Guaíba – invadem nossas belas praias e demais cartões postais. Escolhendo uma trilha no Morro da Urca como aquecimento para o jogo da noite, a cada botafoguense que passava pelas ruas, era notória a auto-estima por vestir esta camisa Gloriosa.

            Infelizmente, nem tudo foi perfeito. Volto a registrar o quanto é complicada essa avalanche de holofotes sobre o brilho da Estrela Solitária. Nós temos brilho próprio, incandescente, deslumbrante, que se sobressai sem querer humilhar ninguém. E foi justamente nesta escolha de nossa solitária constelação que acabamos ofuscados pelos tricolores gaúchos, que furtaram a cereja de nosso bolo e nós só pudemos perceber ao final dos noventa minutos.

Numa boa, não podemos levar gol daquele bonde do Marcelo Moreno! Não conseguiu dominar uma bola o jogo inteiro, mas acertou a finalização em cheio para o fundo das redes de Jefferson. Apesar do (novo) vacilo de nosso sistema defensivo, não preciso nem dizer que sua trombada fora falta, ignorada pela arbitragem, assim como um pênalti cometido pelo Gilberto Silva em cima do Elkeson. E não é que Fellype Gabriel mais uma vez acertou o travessão!? E o Leo Gago salvou em cima da linha o que seria nosso gol de pelo menos empate. Enfim, o segundo tempo foi digno de aplausos pela dedicação, mas são necessárias as críticas pelo afobamento, por equívocos táticos e pela morosidade em alguns momentos, principalmente no primeiro tempo.

            A vitória foi injusta? Obviamente. Era possível revertermos? Mais óbvio ainda. O que faltou para isso? É aí que entram os papeis da comissão técnica e da organização da equipe. Quando o Botafogo mais pressionou? Quando tinha pelo menos dois atacantes em campo! Não dá mais para nos resignarmos com esse esquema 4-6-0, Oswaldo! O único atacante em campo voltando para ajudar a marcar na defesa e buscar jogo!? Já chega! Andrézinho tem sido o melhor em campo nessa transição da defesa para o ataque, enquanto Vitor Junior caiu demasiadamente de produção e o Fellype Gabriel ainda está buscando ritmo de jogo. É preciso reconhecer: erraste na escalação inicial, treinador! Foi acertada a estreia do Seedorf por conta do bom momento vivido pelo marketing e pela euforia da torcida. Nosso surinameso estreou discretamente, mas seus bons passes e sua visão de jogo apontam que melhorias virão. Jefferson fechou o gol no primeiro tempo; Márcio Azevedo não estava numa boa noite; Elkeson continua atabalhoado; e o Rafael Marques entrou melhor ontem.

            Para não dizer que não falei da festa... A festa foi bem menos espalhafatosa que a apresentação. Será que faltou glamour? Não houve fogos, não houve chuva de papel, mas houve um estádio com a presença de mais de 34.000 pessoas, que cantaram, aplaudiram, vibraram e incentivaram. Oswaldo agora precisa morder a língua. O tal fator campo estava lá e o time não correspondeu com os três pontos. Nos minutos finais, a torcida impulsionava os avanços do time e entoava o Hino do nosso Botafogo. O árbitro soou o apito final e a galera ecoou que ninguém cala o nosso amor, mesmo com a amarga derrota. Faltou humildade ao treinador para não debochar no início do jogo ao afirmar que “era a primeira vez que via (o estádio cheio) assim”. Seriam tarefas uma retratação pelas infelizes declarações anteriores e um agradecimento público à presença e ao incentivo daqueles e daquelas que pagaram exagerados e absurdos R$60 para ver seu time dentro de um estádio construído com recursos públicos que ontem não oferecera sequer água para lavarmos as mãos no banheiro!

            Antes do jogo, estive com a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado em defesa da mudança do nome de nosso Estádio. Queremos no telão: SUDERJ informa: sai o tricolor, elitista e corrupto João Havelange, entra o botafoguense, comunista e sacado do comando da Seleção Brasileira pela Ditadura Militar João Saldanha! Complementando as ações da semana rumo à construção de uma nova sociedade, é tempo de convocar a torcida alvinegra para quinta-feira que vem lotarmos o HEMORIO para doarmos sangue. De 9h às 17h do dia 26 de julho, o evento ESTRELA SOLIDÁRIA acontecerá. Já doei umas seis ou sete vezes e marcarei presença desta vez. Pessoal, doar sangue não dói, salva vidas e ainda se ganha um lanchinho gostoso ao final! ;)

            Para doar, bebam Toddynho ao invés de se esbaldar nas bebidas alcoólicas na noite anterior, pois quarta é dia de voltarmos ao Saldanhão com nossa Estrela no peito para cantar e apoiar o Fogão. É clássico, é jogo de disputa na parte de cima da tabela. É só falarmos que é decisão, que os bacalhaus tremem diante do espectro do Manequinho! Pra cima deles, Fogão!

Mais informações sobre a doação de sangue na próxima quinta-feira: http://www.bfr.com.br/oclube/noticias/clube+convoca+torcida+para+mutirao+de+doacao+de+sangue+no+hemorio.asp

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

'Escalaminhada' rumo ao cume do Pão de Açúcar

O blog Além do Trivial surgiu para interagir a respeito de diversas temáticas, principalmente auxiliando para construirmos um efetivo processo de transformação da sociedade em que vivemos. Ultimamente, por conta dos compromissos acadêmicos, os textos acabaram centrando-se na relação das temáticas Botafogo, futebol, torcida, política e sociedade, que culminaram numa coletânea que será publicada no livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" daqui a algumas semanas.

Enfim, muitas pessoas em alguns momentos reclamam que só faço críticas ou acusações ao Estado do RJ e à 'Cidade Maravilhosa', mesmo reconhecendo na maioria das vezes que tais reflexões são importantes em tempos de farsas como o 'choque de ordem', de irresponsabilidades sociais que impulsionam catástrofes após a ação dos fenômenos da natureza e de privilégios aos setores dominantes para adequar nossa cidade aos mega-eventos esportivos. A postagem de hoje tentará socializar um pouco das belas imagens existentes em nossa cidade, obviamente apresentando questões que caminham além do trivial.

Já publicara em outro momento uma subida com minha antiga turma de alunos ao morro da Urca (http://alemdotrivial.blogspot.com/2009/12/turma-3001-do-cepurb-na-trilha-da-urca.html) e sempre tive vontade de realizar o trajeto (bem mais complicado) até o morro do Pão de Açúcar. Ontem, numa bela  e demasiadamente calorenta manhã de Domingo, tive a oportunidade de subir, numa caminhada com trecho de escalada, os cerca de 395m de altura do morro, conhecido nacional e internacionalmente, que fornece belos cartões postais de nossa cidade. Apesar do perrengue no finalzinho do trecho da escalada, devido ao excesso de calor, ao tênis escorregadio e à minha perda de virgindade em escaladas, foi uma aventura emocionante. Devo merecer uma média 6,0 pra atuação e desempenho. rs 

Lá de cima, era possível observar como realmente é maravilhosa a nossa cidade, que deve e precisa ser preservada para que todos e todas tenham acesso, incluindo as futuras gerações. Vale ressaltar a importância da segurança e da responsabilidade para realizar tais aventuras, que devem ser feitas com pessoas com experiência e conhecimento, evitando quaisquer problemas. Além disso, não sujar o espaço também é essencial para preservarmos essas belas paisagens. Aproveitando o ensejo, ainda está muito cara a passagem para subir e descer de bondinho (Praia Vermelha - Morro da Urca - Morro do Pão de Açúcar), que custa R$33,00. Tudo isso é patrimônio da população carioca, fluminense e brasileira e não deve ser um espaço de lucratividade para a administradora, mas um espaço de visitação acessível a todos e todas.

Sem esquecer o lado bem-humorado, deixo registrados também as congratulações e os agradecimentos pela companhia da 'Equipe Cão' no Pão de Açúcar - Amandinha Gouveia, Paolla Moura, Vanessa Leite, Caíque Tibiriçá, Bruno Leite e eu.

Como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, compartilho abaixo um pouco da experiência de ontem.























sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Turma 3001 do CEPURB na Trilha da Urca

Depois de dois meses de perturbação e insistência, conseguimos viabilizar o transporte para a atividade de Educação Física da turma 3001 do C. E. Professor Ubiratan Reis Barbosa, que ocorreu nesta quinta-feira, 17 de dezembro, na Trilha da Urca, no Rio de Janeiro. Dez alunos e a Professora Daisy participaram.


A Trilha da Urca faz parte da Mata Atlântica conservada na Zona Sul da cidade carioca. Seu acesso ocorre pela Pista Claudio Coutinho e sua duração de aproximadamente 40 minutos em ritmo lento leva até os 220 metros de altitude do Morro da Urca, de onde podemos visualizar belas paisagens, como a Enseada de Botafogo, o Aterro do Flamengo, a Praia Vermelha, a Ponte Rio-Niterói, o Morro do Pão de Açúcar, dentre outras. Podemos encontrar diferentes espécies da flaura e da fauna, respirar um ar purificado e vivenciar uma agradável caminhada nesse interessante ponto geográfico. Importante dica é que após às 19h, pode-se descer gratuitamente por meio do teleférico (Bondinho)!







Mesmo exaustos(as) e desgastados(as), essa atividade pedagógica foi bastante prazerosa e valeu a manhã de quinta-feira, que terminou com cachorro-quente e água de coco antes de voltarmos para Nilópolis. Uma pena não termos contado com todos(as) os(as) alunos(as) da turma, mas outras oportunidades virão. E certamente finalizamos o ano letivo com chave de ouro depois desses 6 meses de convivência. Boa sorte na continuidade dos estudos para a turma que em breve finaliza o Ensino Médio e ruma para novas etapas da vida! Que floresçam as chamas de indignação perante as injustiças e estejam sempre vivos e ativos em suas mentes, corações, transitando pelo sangue o poder da transformação!





Compartilho abaixo o Pré-Projeto enviado para a Direção do Colégio.


Colégio Estadual Professor Ubiratan Reis Barbosa
Nilópolis, 12 de novembro de 2009
Educação Física. Professor Gabriel Marques
Pré-Projeto para atividade externa. Turma 3001


Os estudantes da turma 3001 têm trabalhado a temática Corpo e Sociedade na disciplina Educação Física desde o mês de julho. Diversos assuntos e práticas corporais têm sido desenvolvidos ao longo de nossas aulas. Consideramos que o processo de ensino-aprendizagem pode ser assegurado não apenas em qualquer espaço da instituição educacional, como também podemos transportar seus sujeitos para outras localidades, em atividades externas que coadunem com a proposta político-pedagógica. Além disso, alguns dos alunos estão às vésperas de terminar o Ensino Médio e participarão de processos avaliativos como o Exame Nacional do Ensino Médio e concursos de seleção para o Ensino Superior em instituições públicas e particulares, sendo pertinente que desenvolvam e assimilem aspectos históricos, culturais, políticos e sociais para sua formação, integrando os conhecimentos de maneira interdisciplinar.

A partir dessa caracterização, vimos por meio deste pré-projeto solicitar à Direção do Colégio a disponibilização de recursos financeiros e materiais(1) que viabilizem a ida e o retorno ao bairro da Urca, por meio de transporte coletivo (ônibus ou vans), de aproximadamente vinte e cinco estudantes da turma 3.001 e pelo menos três profissionais da Educação(2). Temos como propósito oportunizar a vivência de uma caminhada ao Morro da Urca, iniciada com uma sessão de alongamento e aquecimento na Praia Vermelha. O acesso à trilha se dá pela pista Cláudio Coutinho e a chegada aos 220 metros de altitude do Morro dura cerca de 30 a 40 minutos. Acreditamos que a atividade externa propiciará o desenvolvimento de conhecimentos interdisciplinares, haja vista que:

 Estaremos em uma importante região da Mata Atlântica, conservada na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde podem ser integradas questões de Biologia, Geografia, Geologia, Botânica, História etc.;

 O deslocamento do bondinho entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca e entre o Morro da Urca e o Morro do Pão de Açúcar materializa conhecimentos de Física e Matemática, como roldanas, deslocamento, movimento etc.

 A região atrai diversos turistas de variadas regiões do planeta, onde podem ser utilizadas línguas estrangeiras, como espanhol e inglês;

 As fotografias a partir da vista panorâmica podem gerar discussões artísticas;

 O alongamento, a caminhada, a preservação da natureza, o contato do corpo com a natureza, a importância de estar bem alimentado e de ingerir líquidos, a utilização de filtro solar, dentre outras questões, farão parte de nossa manhã.

Nossa intenção é realizar a atividade externa numa quinta-feira (26 de novembro; 3 ou 10 de dezembro).

Nossa proposta de cronograma é dividida em:

 Ponto de encontro: 6:50, na porta do CEPURB
 Saída do ônibus: no máximo às 7:30
 Desembarque na Praia Vermelha: por volta de 8:20
 Orientações gerais, alongamento e aquecimento: 8:30 às 8:50
 Caminhada pela Pista Cláudio Coutinho: 8:50 às 9h
 Subida até o Morro da Urca: 9h às 9:40
 Lanche coletivo(3) e observação panorâmica da cidade do Rio de Janeiro: 9:40 às 10:30
 Descida e caminhada até o local de estacionamento do ônibus: 10:30 às 11:20
 Previsão de retorno para o CEPURB: 12:10

Por fim, seria interessante que fôssemos até o Morro do Pão de Açúcar, atividade gratuita para instituições públicas de ensino. Porém, a reserva precisa ser realizada no início do ano e para 2009 não há mais vagas(4). É nosso anseio organizar para garantir com maior qualidade essa atividade em 2010. Solicitamos, encarecidamente, à Direção, que viabilize as condições para que possamos materializar esse projeto inicial.

Atenciosamente,

Professor Gabriel Marques.


(1) Os recursos necessários serão destinados ao aluguel do transporte coletivo e pagamento de dois bilhetes para subida e descida ao Morro da Urca, visto que uma das alunas da turma se encontra impossibilitada de realizar a caminhada e será necessário o acompanhamento da mesma por um profissional do Colégio.


(2) Já foi mencionada com alguns professores do Colégio a possibilidade de realizarmos essa atividade ainda no ano de 2009.

(3) O lanche será levado pelos próprios estudantes para realizarmos um piquenique coletivo e garantirmos as condições para não sujar o ambiente.


(4) Estive pessoalmente na administração responsável pelo Bondinho para estudar as possibilidades de nossa atividade.