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domingo, 29 de julho de 2012

Um alívio de Sábado à noite*


Depois de quatro jogos sem vencer e três sem marcar gols, jogar contra o lanterna do Campeonato na décima terceira rodada apresentava indícios de que voltaríamos a vencer. Descanso, banho, escolher a camisa mais bonita e passar o perfume foram as tarefas antes de partir para a night de Sábado, que precisou ser no Engenhão diante deste horário grotesco de 21h. E mais de cinco mil pessoas estiveram presentes para novamente cantar, vibrar e apoiar o Glorioso nesta fase conturbada pela qual passamos.

            Com um minuto de silêncio como homenagem póstuma a Aloísio Teixeira, grande botafoguense e ex-reitor da UFRJ, o luto pareceu atingir nosso time nos primeiros trinta minutos. Nervosos, ansiosos, atabalhoados e sem finalizar, os jogadores do Botafogo pareciam testar a torcida, que, mesmo com a equipe deixando muito a desejar, tem feito um bonito papel de apoio e incentivo.

A mania de recuar a bola para o Jefferson dar chutão prosseguiu e quase complicou nossa vida, enquanto Fábio Ferreira tem sido uma mãe querendo presentear o ataque adversário com suas lambanças. E se hoje não temos contado com a eficiência dos passes de Renato, a cada jogo a lucidez do surinameso Seedorf aponta que ainda agradeceremos muito por sua presença em General Severiano, mesmo que nos momentos de apagão alvinegro pareça que ele tenha caído numa furada. De trivelinha pela esquerda, Seedorf deixou Rafael Marques em plenas condições de marcar, mas este furou; depois, lançou Elkeson, que acertou a trave direita; além de roubar uma bola e passar de letra para Márcio Azevedo. Apesar do antigo ataque mais positivo da competição ficar mais um tempo sem marcar, fomos para o intervalo com o sentimento de que cerca de 350 minutos sem balançar as redes adversárias era absurdo. E venhamos e convenhamos, mais um jogo em que a bola bate na trave... É preciso caprichar um pouco mais nas finalizações, ou um pouco menos, sei lá!

E no segundo tempo, o solitário gol veio lacrimejando. Andrezinho carregou pelo meio, carregou... Enfim, chutou! E com o desvio de Anderson Conceição, a bola foi parar no fundo das redes. Ufa! 1 x 0! A defesa do Fogão ainda fez questão de testar os corações dos torcedores, mas Jefferson e Brinner, que tiveram excelentes atuações, evitaram um vexame diante do lanterninha. Os laterais Lucas e Márcio Azevedo também estiveram muito bem, driblando e apoiando em diversos momentos. Aplaudindo e sendo aplaudido ao ser substituído quase no final da partida, Seedorf se mostra importantíssimo líder dentro e fora de campo: orquestrou a equipe, coordenando jogadas, recuperando bola perdida, driblando; e impondo respeito aos adversários, que até pediam desculpas ao cometer faltas em cima dele. No intervalo, pediu palmas à torcida quando muitos vaiavam Rafael Marques e durante o jogo gritou aos companheiros: “Vamos!”. Se o jogo de Sábado à noite não embalou nem empolgou, aliviou nossos nervos, fazendo valer os três pontos e principalmente a louvável atitude da equipe de ir ao meio do campo agradecer e aplaudir a torcida presente!

Oswaldo de Oliveira resolveu deixar a teimosia de lado e modificar o tal sistema de jogo. Entretanto, pudemos perceber que não basta mudarmos o sistema; é necessário ter peças habilidosas e experientes para o jogo! A torcida não titubeou ao criticar a inexistência de um artilheiro e o mau planejamento da diretoria: “Uh, El Loco!” A diretoria não pode passar a mão na cabeça do novo baladeiro! Quando parecia que agüentaria jogar pelo menos 45 minutos, de uma só tacada Vitor Júnior foi para casa mais cedo (havia festinha marcada para incomodar a vizinhança?) e ficará suspenso durante a viagem para Goiânia no próximo sábado com sua infantil suspensão. Tem que dar esporro, multa e avisar: “veio de graça, mas isso aqui é Botafogo! Se não respeitar a História, que volte para os gambás!” Outro que precisa ser enquadrado – e barrado – é o sr. Fábio Ferreira, que ontem deveria estar chateadinho com o horário do jogo e queria entregar a paçoca, já que não conseguiu ir ao cabeleireiro para ajeitar seu penteado calopsita antes de se entregar à noitada.

A vitória traz alívio e mostra o rumo do clube que não pode perder para ninguém! Chegamos aos 20 pontos e a tônica do momento é não deixar os primeiros colocados deslancharem na classificação. Quarta-feira que vem é dia de iniciarmos nossa ajuda rumo à conquista de mais um título Sul-americano! O Palmeiras já está na Libertadores do ano que vem e a Copa Sul-Americana perde seu principal atrativo para o alviverde paulista. Ficaremos mais de uma semana sem jogo no Engenhão. Então, sábado que vem é dia de ligar a televisão para acompanhar mais um triunfo fora de casa, contra o vice-lanterna. Pra cima deles, Fogão!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bode expiatório ou garfada violenta?*


Depois de 1 vitória e 2 empates em jogos assistidos em Rio das Ostras, quarta-feira à noite era o momento de acompanhar o quarto jogo do Glorioso pelo Centro da cidade da Costa do Sol. Embora nosso último jogo no estádio trouxesse boas recordações, o prenúncio era assustador: o Timão vinha de 11 vitórias em 12 jogos realizados no Pacaembu. Enquanto as dificuldades por conta da suspensão de Jobson e do não pagamento da multa para o Edno poder jogar apareciam, a superstição poderia ser um trunfo nosso: 13º jogo do Corinthians em casa. E quem é o nosso camisa 13? O ataque Mercosul estava de volta à ativa. Colocando os prós e contras, dirigi-me animado para o jogo, com a sensação de vitória! Cheguei 16 minutos atrasados e o placar já apontava 1 x 0 para o adversário.

            Dez minutos depois, uma arisca jogada do Fogão: Lucio Flávio para Herrera, que cruza e... TSUNAMI NA ÁREA!!! Lá estava nosso uruguaio para empatar a partida e marcar seu sexto gol em seis jogos, dessa vez usando com muita categoria o fundamento do cabeceio. Com o empate, o Botafogo cresceu e é muito bom ver a disposição, a garra, a energia com as quais os dois atacantes gringos vão para os jogos. Enquanto a defesa do Botafogo ainda oscila demasiadamente, com momentos de total passividade, ficamos preocupados. Mas a maior preocupação nesse jogo de 29 de setembro não foi a defesa, que inclusive poderia ter protagonizado um golaço. Aos 37 minutos, Fabio Ferreira foi lançado e partia para a área adversária, sozinho, sem marcação, quando o defensor corinthiano acertou um carrinho e seria expulso! Porém, havia uma bandeirinha no meio do caminho! Impedimento equivocado.

            Em homenagem à vitória que parecia premente contra a paulistada, fui comer um pastel no intervalo. E com 3 minutos, os botafoguenses presentes na rua do shopping, junto aos tricolores cariocas, comemoravam a virada com o gol de Herrera. Entretanto, havia outra bandeirinha no meio do caminho! Novo absurdo a favor dos gambás! Prejuízo para o Botafogo, que prosseguia com jogadas aéreas. Herrera parecia ter aprendido com El Loco o fundamento do cabeceio e obrigou o goleiro do Corinthians a fazer ótima defesa. Depois disso, mesmo com a entrada de Renato Cajá no lugar do argentino e de Caio no lugar do Lucio Flavio, o Botafogo encolheu. O Corinthians pressionava e parecia mais próximo do desempate, mas tínhamos o paredão da Seleção Brasileira em nosso gol, que só parou com uma entrada do atacante corinthiano para derrubá-lo ao chão. Jefferson teve que jogar a bola à lateral para ser atendido pelo Departamento Médico. E qual foi a atitude dos gambás pelegos da Confederação Brasileira de Futebol??? Contrariando toda a lógica proposta do fair play, cobraram o lateral e partiram para o ataque, sem devolver a bola para o Botafogo! É um TIMINHO!

            Não bastassem os dois absurdos impedimentos, ainda acompanhamos o árbitro dar cartão amarelo para o Antonio Carlos, contundido e no chão. Cena inédita! Nos minutos finais, o Botafogo reacendeu suas chamas e teve duas oportunidades para concretizar a virada e conquistar mais uma vitória contra os paulistas, contra quem temos total invencibilidade nesse Campeonato Brasileiro. Todavia, na primeira delas, Somália se precipitou e chutou nas mãos do goleiro adversário. Na segunda delas, o garoto Caio arrancou após cobrança rápida de falta marcada sobre o Alessandro – que culminaria num contra-ataque ótimo – mas quis caprichar demais, driblar e marcar de fora da área. O árbitro, desesperado com a possibilidade de derrota do Corinthians, decretou o final do jogo: 1 x 1.

            O que temos acompanhado nos últimos dias é uma tentativa desenfreada de crucificar o xodó Caio pelo empate. Pera lá! Há muito tempo não temos jovens revelados pelo clube sendo tão bem aproveitados como o Caio e as palavras dele expressam a boa vontade da juventude, muitas vezes inexperiente: “Só quis ajudar!”. A torcida do Botafogo não pode entrar nesse clima de perseguição, querendo arrumar um bode expiatório! A grande culpa por não termos vencido a partida está atrelada à CBF, ao Ricardo Teixeira, ao Andrés Sanchez: foi o trio de arbitragem. Que os adversários não venham com histórias da carochinha de chororôs: o que presenciamos em São Paulo foi uma baita garfada violenta!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985