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quinta-feira, 6 de março de 2014

Quem quer ter um bilionário?*

Em meio à folia carnavalesca, uma notícia diferente da greve dos garis no Rio de Janeiro, dos blocos e desfiles na Sapucaí chamou-me bastante atenção: a publicação, pela Forbes, na última segunda, do tradicional ranking dos bilionários. A Revista Época1 não titubeou em ostentar o orgulho de ser brasileiro ao informar que em um ano temos novos dezenove bilionários que não desistiram nunca, chegando aos 65 afortunados nas terras tupiniquins.

            Variando entre os ramos das bebidas, dos bancos, da mídia, dos alimentos, da tecnologia, da mineração, dos cosméticos, da construção, de seguros, de investimentos e até mesmo da saúde e da educação, a lógica sobre a qual se ergue este ranking é a do Midas capitalismo: nele, todo o produto realizado a partir da transformação da natureza é transformado em mercadoria. Por sua vez, as mãos e as mentes que produzem esta mercadoria sempre recebem um salário que não condiz com o tempo que empregam em sua jornada de trabalho. Neste tempo excedente, produzem mais que o necessário para os patrões pagarem seus salários. E este excedente transforma-se no lucro que propicia a acumulação para que 65 brasileiros e outros 1.580 estrangeiros estejam hoje no pomposo ranking da Forbes.

            E até nas revistas a situação é desigual: quantas páginas seriam necessárias para divulgar o ranking, nome por nome, das oitocentas e quarenta e duas milhões de pessoas famintas no mundo?2 Quantos brasileiros e quantas brasileiras devem aparecer nesta listagem? Talvez a mídia que busca um lugar ao Sol até diga quantidades e divulgue números. Contudo, jamais questionará os porquês. Ela operará na trivialidade dos fatos para manter o status quo. Ou pedirá a tua doação de tempos em tempos num programa festivo para que faça a tua parte. Pautada na defesa da meritocracia, a mídia tenta nos fazer acreditar que os bilionários chegaram até o ápice porque fizeram por merecer, se esforçaram, trabalharam... Mas o que precisamos enxergar é que quem verdadeiramente trabalha não colhe os frutos que são expropriados para garantir a lógica da busca incessante pelo lucro.

            Com o pensamento infantil e ingênuo, pensava que os mais ricos poderiam conviver bem com os pobres, destinando parte de suas riquezas para impedir que houvesse pessoas sem lares nem alimentos. Ledo engano, Biel! E ao romper com a ingenuidade de uma criança que cria poder construir um mundo melhor, ficou claro que não quero ter bilionários – nem aqui nem em qualquer lugar do planeta! Mas para isso ocorrer não basta querer. É preciso questionar que país rico é um país sem pobreza, pois um mundo só poderá ser rico quando for um mundo sem ricos! É preciso combater a concentração de riquezas. E combater a concentração de riquezas é romper com o umbiguismo, é romper com o individualismo, é organizar-se coletivamente para lutar contra a lógica e a engrenagem do capital, cujo percurso aponta apenas para a coisificação dos seres humanos e a humanização das mercadorias, com o avanço da barbárie e a paulatina morte da sadia e necessária pureza do coração infantil.
           

2 “Uma em cada oito pessoas no mundo passa fome, diz relatório”: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/uma-em-cada-oito-pessoas-no-mundo-passa-fome-1.html



*Gabriel Marques, professor de Educação Física e inimigo da mais-valia.

Vale conferir a mais-valia em ritmo de samba:

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pra ficar legal? Que os sonhos transcendam as urnas!*

Semana passada prestei atenção em alguns momentos do debate entre os quatro dos nove candidatos à Presidência da República (por que não convidam todos os candidatos e não chamam um defensor do voto nulo?). Hoje novamente me esforcei para ouvir as “propostas” e as “diferenças” entre os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro. No todo, um saldo positivo dos debates na rede Bandeirantes! Mais do mesmo. Mais da mesmice. Mais da enrolação. Mais do continuísmo. Mais da conservação. Mais da ilusão. Mais da exploração.

            Conhecido internacionalmente por belas paisagens, excelentes e animados Carnavais e pelo bom futebol, o Rio sofre absurdamente as contradições e conseqüências inerentes à lógica do sistema opressor e desigual em que vivemos. A ordem do capital modifica os personagens: Moreira Franco, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Rosinha Matheus, Sergio Cabral... Todavia, mantém o conjunto da população silenciado, cabisbaixo, com medo e refém das escolhas que privilegiam o continuísmo, obviamente com apoio duma mídia televisiva e impressa lacaia dos dominantes.

            O atual governador afirma orgulhosamente que dirige o “Rio que enxerga a paz, a parceria e a união”, apoiado pela maioria maciça das Prefeituras e pelo Governo de Lula e futuramente Dilma. E continuará dirigindo, pois o circo está montado para Cabral Filho perdurar até 2014. Fernando Gabeira, que se auto-afirmou contundentemente como “o ex-Gabeira”, que não quer fazer a Revolução Socialista, algo do século passado, que não precisa definir uma identidade, pois isso é coisa de adolescente. É “o novo Gabeira que precisa fazer alianças para chegar ao poder”, alianças essas sem escrúpulo algum, com os direitistas PSDB de José Serra e DEM de César Maia. O outro Fernando – Peregrino – não passa de um fantoche na tentativa de defender a família Garotinho e recuperar parte de seu prestígio e influência políticas. O PSOL, apesar de se encontrar no campo anti-governista, esbarra na institucionalidade, na crença no Parlamento por meio do “voto consciente” e não avança na apresentação de uma real alternativa para a classe trabalhadora. Seu candidato à Presidência falara que o PSOL é o PT de antigamente. Hoje eu me pergunto: como pude acreditar nesse projeto em 2002 e 2004?

            Durante a troca de farpas e acusações, problemas cotidianos jamais vivenciados por aqueles senhores são levantados única e exclusivamente para a disputa de votos, já que depois de eleitos governarão para manter o status quo e no máximo apresentarão alguns paliativos para aparecer nos jornais. Antes de finalizar, apenas alguns pontos marcantes:

  • Cabral explicitou que colocou 30.000 professores em sala de aula. Quantos desses já pediram exoneração em virtude das péssimas condições de trabalho e do salário líquido inicial de pouco mais que R$600,00?
  • Quanto custou aos cofres públicos e quem realmente saiu beneficiado com os aluguéis dos aparelhos de ar condicionado para climatização das salas de aula e dos computadores para o corpo docente?
  • Os reajustes das passagens de trem, metrô, barcas e ônibus caminha na mesma proporção que os reajustes salariais da classe trabalhadora?
  • Por que mais uma obra do Maracanã para atender aos interesses da Fifa por conta da Copa do Mundo de 2014, que fará diminuir ainda mais a capacidade do estádio? Ou seja, menos torcedores poderão apreciar um jogo de futebol no espaço.
  • Se a chuva é natural, a catástrofe é social? Certamente! No século XXI, não temos condições de garantir moradias dignas, em áreas sem risco, para o conjunto da população? Mas as tragédias, nas quais vidas foram perdidas, no Morro do Bumba e em Ilha Grande serviram para clamar pela solidariedade da população e continuar sua “pacificação” sob os moldes de “Choque de Gestão”.
  • De onde vêm e virão os milhões de reais para financiar as campanhas de Cabral e Gabeira?
  • Segundo Cabral, o Rio hoje é de paz. Como ele explica a morte de crianças e jovens por balas perdidas e intervenções policiais? Ou sua própria postura “pacífica” ao denominar como “fábricas de marginais” mães moradoras de favelas e periferias; “vagabundos” os médicos; e “otário” um garoto de 17 anos que questiona?
  • Por fim, Gabeira ratifica que abre mão de sua história, jogada no lixo ao aliar-se com o DEMônio e o PSDB. Classifica de trágica a situação de países onde houve tentativas de construção do socialismo. Nosso Rio de Janeiro, sob os marcos capitalistas, conseguirá superar a atual tragédia em que se encontra?
             Pra ficar legal? A gente quer o melhor, Sergio Cabral! E o melhor é um Rio sem você, Gabeiras, Peregrinos, Garotinhos nem Maias ou Paes! No dia 3 de outubro, eu, como militante do Coletivo Marxista, anularei meu voto para Presidente, Governador, Senadores e Deputados Federal e Estadual. Nossos sonhos, de um Rio e um Brasil sem patrões e sem marionetes como os candidatos apresentados, não cabem nas urnas!

*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
VOTO NULO EM 2010!

domingo, 30 de maio de 2010

Fios brancos e rugas por um novo amanhã*

Em Laranjeiras, há praticamente vinte e cinco anos eu nascia. Tal acontecimento foi antecipado em algumas semanas, em virtude de minha genitora ficar presa no elevador horas antes. Era o ano de 1985 e o país onde cresci e de onde nunca tive a oportunidade de sair até o presente momento começava a engatinhar e preparar seus primeiros passos para apagar as marcas de um período conturbado de ditadura aberta controlada pelos militares e pelo empresariado.

Era retirado de um útero quente, úmido, que me alimentava a todo tempo, até uma equipe de profissionais com roupas brancas utilizar uma tesoura, romper o cordão umbilical, me escutar chorar/respirar e sorrir para informar que nascia um menino. Já estava escolhido o nome: Gabriel – homenagem ao avô materno que só conheci por fotos e histórias. É uma fase onde temos raras escolhas e acatamos, porque também enfrentamos eventualmente, os nomes, gostos e vontades, orientados por aqueles que com carinho e amor nos trazem à arena da sociedade. Em suma, parece (e é?) uma grande covardia: retiram-nos do ambiente prazeroso, tranqüilo, equilibrado para nos empurrarem à realidade concreta onde passamos por diversas instituições, lidamos com outros seres humanos que vivenciaram o mesmo processo com características diversas, gozamos do conjunto da natureza para viver e sobreviver e reproduzimos o ciclo ao gerarmos nossos próprios filhos.

Pode não ser a mais importante, mas deve ser a primeira ruptura de nossas vidas, ao mesmo tempo impositiva, libertadora e necessária: a segregação do elo anteriormente estabelecido pelo cordão umbilical. Necessidades, tensões, conflitos, aprendizagens, movimentos, diálogos, carinhos, sentimentos, desejos e mais rupturas... A dialética fica cada vez mais evidente assim como a importância de se aproveitar cada momento da vida, ao passo que a morte caminha não apenas ao nosso lado, mas internamente desde quando estamos no interior de nossas mães e nossas células nascem, crescem, se reproduzem e morrem desde então.

É por isso que nesse aniversário falo dos primeiros fios brancos e das rugas que começam a surgir. Conforme Brecht, em “Aos que virão depois de nós”, são sinais de que não estamos indiferentes, num contexto complexo, contraditório, cruel e capitalista em que comemos e bebemos, já que precisamos sobreviver, sabendo que tantos outros sentem fome, sede, todavia comerão restos e sobras – quando comerão – em meio à abundância existente suficiente para alimentar os bilhões espalhados pela Terra.

É essa a aparência (ou evidência?) de covardia a que me referi anteriormente, mas ao mesmo tempo é essa covardia que precisamos enfrentar e superar, criando e recriando rupturas. Diferentemente do nome, da comida e da roupa durante a infância, agora não só podemos como devemos escolher o que temos a oferecer para a humanidade, qual o roteiro que vamos seguir e se seremos espectadores ou protagonistas diante de um modelo de sociedade que visa nos coisificar ao exigir que sejamos mercadorias. Um modelo em que poucos concentram riquezas e muitos trabalham para poucos lucrarem e concentrarem as tais riquezas. Um modelo que pretende nos alienar daquilo que produzimos, daquilo que somos, daquilo que queremos. Um modelo que exporta barbárie para todos os cantos, que mata nossos filhos, destrói nossos sonhos, acorrenta nossas mentes.

Não sinto medo ou vergonha de apresentar minhas escolhas e explicitar meus projetos e objetivos, que passam necessária e fundamentalmente pela explosão do modelo atual, pela construção e consolidação de novas perspectivas, de novas relações, de novos sentimentos, de novas convicções, de novos horizontes.

Hoje, vinte e cinco anos depois do contexto em que o Brasil se encontrava, os desafios permanecem difíceis e os problemas nos parecem insolúveis. Diante de uma mídia conservadora e hipócrita que fornece respostas simplistas, superficiais, enfadonhas e enganadoras em suas novelas, propagandas e telejornais; diante de um governante do país que cede as mãos, os braços, a ideologia e o poder aos setores latifundiário, financeiro, industrial, enfim à classe dominante, e caminha fielmente ao lado daqueles que exterminaram companheiros e companheiras que impulsionavam as lutas para construir um outro modelo; diante de orientações que exacerbam o individualismo, a naturalização e a manutenção da ordem vigente, meu recado de um auto-feliz aniversário é simples e direto: será construído e erguido um novo amanhã!


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Necessariamente, orgulhosamente e combativamente Comunista

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mercadoria

Desde o ano passado, o capitalismo passa por mais uma de suas crises cíclicas, inerentes ao seu funcionamento. Mais uma crise estrutural, que afeta todo o setor produtivo e reprodutivo a nível internacional. Os dominantes pedem que juntos superemos a crise que eles mesmos criam por conta da lógica funcional de exploração da força de trabalho alheia para a obtenção de taxas de lucro. Porém, na verdade impõem que os fracos paguem pela crise, aumentando o desemprego, retirando direitos e aprofundando perseguições políticas. Aqui no Brasil, Lula afirmou que a crise seria uma marolinha e considera que estamos indo de vento em popa diante dos mega-eventos esportivos e da presença brasileira no cenário internacional em casos como a vaga no Conselho de Segurança da ONU e do abrigo político a Zelaya em Honduras. Porém, precisamos explicitar que o atual Governo garantiu recursos públicos para salvar empresários, banqueiros e latifundiários e sistematicamente nos ataca, garantindo a manutenção da ordem vigente e servindo como excelente marionete ao subsidiar a política imperialista enviando tropas militares para reprimir e massacrar a população pobre e negra do Haiti e possibilitar a continuidade do projeto neoliberal dos governos antecedentes, atacando a Educação e a Saúde Públicas, por exemplo. É necessário que os trabalhadores, mundialmente, elaborem uma resposta política à crise, apontando para a transformação revolucionária do sistema em que vivemos - opressor, cruel, desigual, degenerativo.

Abaixo um quadrinho que expressa o quão supérfluo é o patrão, o que aponta para nosso entendimento da possibilidade de superação da atual lógica e criação de nova divisão social do trabalho. Senhores, patrões, chefes supremos / Nada esperamos de nenhum! é um interessante trecho do Hino da Internacional Socialista para relacionarmos à extração de mais-valia realizada pelo capital. Segue também uma recente reportagem sobre os rastros da crise econômica. E, para refletirmos, uma bela composição de Gonzaguinha: "Comportamento Geral".




Crise levou 89 milhões de pessoas
à pobreza extrema, diz Banco Mundial *


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da France Presse, na Cidade do México
da Folha Online

A crise financeira internacional foi responsável pela entrada de 89 milhões de pessoas na faixa de renda correspondente à pobreza extrema, disse nesta terça-feira (20) no México o vice-presidente do Banco Mundial, Justin Yifu Lin.

"Antes da crise, o mundo tinha mais ou menos 1,4 bilhão de pessoas abaixo da linha de pobreza internacional, e a crise acrescentou ao menos outras 89 milhões de pessoas", disse Yifu Lin, em um seminário organizado pelo banco central do México.

Pobreza extrema é definida pelo Banco Mundial como a situação das pessoas em países em desenvolvimento que vivem com menos de US$ 1,25 (US$ 2,19, no câmbio de hoje) por dia. Os dados do banco sobre pobreza cobrem 96% das populações dos países em desenvolvimento.

As Metas do Milênio são um conjunto de diretrizes fixadas pela ONU (Organização das Nações Unidas) para reduzir pela metade, até 2015, os níveis da pobreza extrema de 1990. O programa inclui ainda a redução da mortalidade infantil e a garantia da sustentabilidade ambiental, entre outros objetivos.

Para combater a pobreza, os países em desenvolvimento devem ter uma economia "semelhante à dos países com alta renda", acrescentou Yifu Lin, de origem chinesa, e em tempos de crise devem manter uma política monetária "mais pró-ativa", dado que o espaço para melhorar sua economia é maior.

Em um documento divulgado no último dia 5 pelo banco já constava a estimativa de que a crise econômica atual --a pior desde a Grande Depressão dos anos 30-- poderia deixar até 90 milhões de pessoas.

"A economia global tem mostrado sinais de recuperação, mas riscos permanecem. Em muitos países em desenvolvimento, o impacto sobre as pessoas mais pobres e vulneráveis está crescendo", diz o documento --que acrescenta que o progresso "duramente conquistado" sobre as metas do Milênio corre o risco de ser revertido.

"Para a proteção dos mais pobres, pedimos que os países-membros [do banco] cumpram seus compromissos de elevar a ajuda. Países em desenvolvimento desempenham um papel importante na recuperação global e seu progresso será essencial para o crescimento futuro", diz o documento.

 
Comportamento Geral

Gonzaguinha

Composição: Gonzaguinha

Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece

E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal