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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Antes da partida vem sempre a chegada! Bem-vindo, Seedorf!


            Era dia sete do mês sete. Após muito suor e animação na Festa Julina ocorrida na quadra – descoberta, sob o Sol escaldante – onde leciono no Colégio Municipal Botafogo, em Macaé, rumei faminto e ansioso para a Cidade Maravilhosa, desejando a comida da mamãe e da vovó, tomar banho e vestir aquela bela camisa em preto e branco para caminhar até o Engenhão. “O jogo não é só às 19h30min? Por que você vai agora?” – indagou minha avó. “Hoje o Seedorf chega, de helicóptero, às 17h. A festa começar antes do jogo!” E como é bom ir ao estádio com aquele sentimento iminente de vitória, de alegria, de vibração, de casa cheia. A euforia era tanta que não titubeei no bolão: 4 x 1 pro meu Glorioso. A casa não foi tão cheia devido ao absurdo preço de R$50,00 do ingresso. Porém, mais de 20.000 alvinegros compareceram! E, antecipando-me aos engraçadinhos... Maior que a média do Fla x Flu em festa que no dia seguinte reuniu cerca de 38.000.

Os minutos passavam e a antonímia se exacerbava. Chateado por não ter tido acesso à promoção que premiou dois sócio-torcedores com o translado de helicóptero de nossa mais recente contratação, mas deveras contente com a animação, a empolgação e a energia positiva presentes nas arquibancadas. Fogos, palmas, cantos, olas e gritos de Fogo deixavam as cinzas como síntese da certeza de que dias melhores e gloriosos virão! É hora de elogiar a torcida, não, Oswaldo!?

De certa maneira foi até bom não termos nem sentido os opostos sentimentos que nos trazem as saídas e as chegadas. Enquanto a tristeza e a nostalgia batiam pelas saídas de nossos guerreiros do MERCOSUL – Herrera e Loco Abreu – que, se não atuaram como craques, passaram boas temporadas com raça e gols (sendo os dois maiores artilheiros do Engenhão), exigiram respeito à história do Botafogo, não se subestimaram à FlaPress e foram protagonistas da conquista do título estadual de 2010. Uh, Herrera! Uh, El Loco! Mesmo sem a presença dos dois, a torcida entoou seus nomes e agradece por suas passagens pela História da trajetória de nossa Estrela Solitária! Maicosuel também partiu, mas rumo aos campos europeus. Embora não tenha resgatado os excelentes momentos de driblador e finalizador, seu retorno também mereceu nossos aplausos.

Quando a velocidade sonora do motor, da hélice, do vento, dos céus, das estrelas alcançou a audição dos alvinegros, a arquibancada sacudiu. O telão mostrava a chegada do helicóptero enquanto nosso querido humorista Marcelo Adnet, em campo, liderava a festa. “Seeeeee Doooorrrrr Feeeeee! Oba! Oba!” “Uh, ta maneiro! O Seedorf é alvinegro!” Quanto riso, quanta alegria! Mais um craque para nossa constelação, ovacionado pela galera do Engenhão e sob os olhares atentos da mídia de diversos cantos do Brasil e do mundo! E no duelo das antonímias, momentânea e singelamente tive a certeza de que antes da tristeza da partida há a vibração contagiante e feliz da chegada!

Houve jogo depois? O Bahia não teve tempo nem espaço para entrar em campo. Cada vez evoluindo mais, Márcio Azevedo acertou perfeito cruzamento para encontrar a testa daquele que avisara que seria o nome do jogo: Cidinho abriu 1 x 0 aos oito minutos. Querendo atrapalhar a bela festa, o ex-mulambo e marginal Souza distribuiu agressões a Antônio Carlos e Lucas, sob a conivência do frouxo árbitro da partida, que absurdamente ainda amarelou nosso xerife! Quando não tinha mais dúvidas de que haveria vermelho no segundo tempo, astutamente o técnico Falcão sacou aquele troglodita de campo durante o intervalo. Ôôôôôô, o Souza é um... ! Apesar de ainda apelar para a chatice dos recuos de bola para Jefferson (que só trabalhava após receber esses passes bisonhos), o Botafogo jogava bem, obrigando o goleiro Marcelo Lomba a trabalhar. Entretanto, faltava a bola chegar novamente aos pés do garoto que tem plenas condições de fornecer muitas alegrias ao Fogão! Antônio Carlos avançou até o campo adversário, tocou para Cidinho, que, de fora da área e contando com o auxílio do desvio de Tite, abriu o 2 x 0 para tirar do chão a torcida do Fogão e fornecer tranquilidade após o intervalo.

Novamente no segundo tempo, só deu Botafogo. Com excelente troca de passes, o Fogão dominava o meio e a defesa não deixava o ataque do Bahia passar. Enfim, noventa minutos sem levarmos gol, mais uma conquista a comemorar na noite de Sábado. E nosso terceiro gol foi uma obra de arte. De Vitor Junior para Cidinho; de Cidinho para Andrezinho; Andrezinho, de calcanhar, para Renato; Renato, para Elkeson; no alto, de esquerda, para o fundo das redes! Disparadamente, o gol mais bonito da rodada! Infelizmente, Elkeson ‘garoteou’ ao tirar a camisa para comemorar, levando o cartão amarelo. E, felizmente, ao ser substituído, saudou a torcida e declarou que ‘só quer ser feliz’ no Botafogo! Essa é a tônica, Elkeson! Gás em campo, apoio da torcida e felicidade tua, do clube e da torcida! Como em festa de aniversário, o Bahia só aguardava o ‘parabéns’ do apito final para ‘sair de fininho’.

            Hoje vamos a campo contra os ‘queridinhos da CBF’! Ano passado detonamos os gambás em São Paulo e temos totais condições de repetir a dose. Apesar dos polêmicos informes que surgem sobre a ‘compra do título’, o Corinthians jogou bola durante todo o torneio para sagrar-se campeão. E daqui a pouco nosso Botafogo pode e deve jogar com dedicação e vontade de vencer para buscar o Tri este ano e conquistar as Américas em 2013. Afinal, de 13 nós entendemos e gostamos!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Da euforia ao lamento*

            Durante o recesso de Campeonato Brasileiro, diversas notícias mantinham nossas atenções voltadas ao Botafogo. Enquanto a novela Seedorf caminha – ponto importante sua participação em evento contra o racismo! – e muitos aguardamos um desfecho feliz, deparávamo-nos com a triste notícia sobre Dona Célia, esposa de nosso ídolo Nilton Santos, diagnosticada com câncer no cérebro e com saúde debilitada. Nosso Botafogo já auxilia o eterno ídolo pagando suas mensalidades de internação na clínica e remédios, mas corretamente estuda a compra do acervo do craque de 86 anos. Vergonhosa permanece a atuação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que, ao passo que não se moveu nem se interessou em comprar o acervo do melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, acompanhou seu novo presidente aumentar o próprio salário de R$98 mil para R$160 mil, aumentar salários de diretores aliados e... Obviamente estourar a corda do lado mais fraco com a demissão de funcionários. Saiu Ricardo Teixeira, entrou José Maria Marin. Já avisara antes que seis por meia dúzia não se configura como troca e a necessidade é de mudanças políticas e administrativas, não de personalidades!

            Novamente os interesses da televisão foram colocados acima dos interesses dos torcedores trabalhadores. Em pleno feriado, o horário do jogo foi modificado das 20:30 para as 21h, horário complicado para aqueles e aquelas que precisam acordar cedo no dia seguinte. Além disso, o absurdo preço dos ingressos permanece! Senhor presidente, o que é melhor? 5.000 pagando R$60,00 ou 30.000 pagando R$10,00!? Um estádio construído com recursos públicos não pode nem deve ficar vazio por cobrar preços tão altos!

            Com um Departamento de Marketing ativo, criativo e participativo, a Promoção TORCEDOR VIP SOU BOTAFOGO foi lançada pelo perfil do Botafogo Oficial, e para concorrer bastava postar uma frase contendo as palavras BASE, FOGÃO e CAMPEÃO(Ã). A minha frase foi uma das dez selecionadas e pude fazer a visitação, acompanhado pela irmã, à Sala de Imprensa, ao campo antes do jogo, ao camarote, à Tribuna de Honra... Além de recepcionar nossos jogadores e a Comissão Técnica e desfrutar a Sala VIP com direito a comes e bebes!

Na Sala VIP do Setor Oeste Inferior, com a galera premiada.

            Numa noite chuvosa, jogo tarde e ingresso caro, pouco mais de 5.000 pagantes no Engenhão acompanharam o Botafogo partir para cima da raposa. Numa linda tabela com Vitor Junior, veio o primeiro desperdício de Herrera, cara a cara com Fábio. Porém, aos 20 minutos, em escanteio muito bem cobrado pelo ligeirinho, Amaral desviou contra o próprio gol para a euforia da torcida da Estrela Solitária, que, antes do jogo, pode aplaudir os juniores campeões da Spax Cup, na Europa, e acompanhar o ritmo de We will rock you durante a entrada em campo do Novo Caçador! O Botafogo jogava como há muito tempo eu gostaria de ver: disposição, toques de bola rápidos, tabelinhas, jogadas ensaiadas, faltas cobradas com rapidez para pegar o adversário desprevenido... Enfim, com bastante inteligência e visão de jogo, enquanto ao Cruzeiro restava dar chutões para fora, nas canelas dos jogadores alvinegros ou até aplicar golpes de judô para impedir os dribles. E todas estas pancadas bem distribuídas autorizadas pelo árbitro Fabrício Neves, que partilhava chances aos jogadores cruzeirenses antes de aplicar cartão amarelo. Já Fábio Ferreira, Jadson e Milton Raphael, na primeira infração cometida, foram amarelados. O Botafogo deve vetar qualquer assistente do sexo feminino: e tenho dito! A gaúcha Tatiana de Freitas foi a Ana Paula II ontem e envergonhou a necessária e importante presença feminina no futebol. Se estava desatenta ou agia por mau caráter, fato é que inverteu todos os lances que pode a favor do Cruzeiro! Sinceramente, a arbitragem de ontem pareceu muito ter recebido os dedos do senador do PDT de MG Zezé Perrella e suas cifras de R$160 milhões!

            Quando enfim neste Campeonato abríamos o placar, um show de oportunidades desperdiçadas, impossibilitando matar o jogo. E quando o Cruzeiro começava a se arriscar mais e encontrar chances, todas seguramente salvas pelo garoto Milton Raphael no gol, Herrera enfim resolveu fazer as pazes com a rede e abrir 2 x 0 após brilhante assistência de Vitor Junior. E a euforia pela liderança tomava conta da torcida, ainda mais por conta de uma atuação segura do elenco. Entretanto, bastaram seis novos minutos para o Cruzeiro diminuir, empatar e virar o resultado para 3 x 2, com Anselmo Ramon, Everton e Wellington Paulista, de pênalti. Apesar de ofensivo, dessa vez não conseguimos nova virada como nas rodadas anteriores e perdemos três pontos preciosos num campeonato em que cada jogo é uma final.

            Após vibrarmos com os dois gols e a liderança parcial, restou apenas lamentar as oportunidades desperdiçadas no ataque, as bobeadas nos contra-ataques adversários, as pancadas cruzeirenses sem punições da arbitragem e a péssima atuação da Ana Paula II, além da queda para a quarta colocação na tabela. É hora de recompor os brios e percebermos que reforços são não apenas bem-vindos como necessários. E domingo temos que partir com tudo na terra do frevo para garantir mais três pontos rumo ao Tri!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 5 de junho de 2012

Embalado pelos Hermanos*


            Compondo a semana de comemorações pelo meu aniversário de 27 anos, o confronto do Glorioso no Couto Pereira estava marcado na agenda. Infelizmente não pude ir a Curitiba, pois apenas no dia anterior ao jogo consegui trocar meu ingresso para o show do Los Hermanos, transferindo para o domingo posterior – e que show! Enquanto o fantasma da adversa goleada por 5 x 0 no ano passado assombrava, a chama pela derrubada da invencibilidade dos coxas brancas em sua casa se acendia. Já pronto para descer as escadas de minha casa e rumar para o Baixo Méier, leio a notícia de meus colegas furões de arquibancada desmarcando o encontro. E valeu acompanhar o Fogão com a família: na sala, meu pai alvinegro e eu, para manter a resistência, não ligamos na Rede Globo!

            Com diversos desfalques, a prata da casa teria mais uma oportunidade para demonstrar seu valor. Renan, Dória e Jadson entre os titulares – Cidinho e Lucas Zen no segundo tempo – e o banco repleto de jogadores formados pelas categorias de base. (Já que o calendário nos impôs o domingo 3 de junho sem Campeonato Brasileiro... Quase 10 mil alvinegros e alvinegras de todas as idades encaramos o escaldante Sol numa fila para prestigiar as Pratas na Casa! Excelente ação!). Enquanto o time ainda peca com a mania de chutões para a frente torcendo para sair algo de interessante, um ponto positivo foi a marcação que mordia os adversários já em seu campo, pressionando com agilidade na busca do desarme. Com o susto ocorrido aos míseros 29 segundos, para demonstrar certo otimismo, tive que postar nas redes: “Poxa, Botafogo, todo jogo tomar o primeiro gol apenas para vencer de virada e dar mais emoção!?

Não demorou muito para que Lucas, o nome do jogo, respondesse com um chutaço na trave. A partir daí, o Botafogo foi muito mais time e passou a se sentir à vontade para buscar a virada. Na boa troca de funções, Lucas partiu para a área e deixou Herrera como lateral. O argentino forneceu preciosa assistência para Lucas empatar. Minutos depois, a vez do outro lateral aparecer: Márcio Azevedo partiu para cima, chutou e, no rebote do goleiro, o ligeirinho Vitor Júnior marcou seu segundo gol. O Coxa ainda empataria no segundo tempo em uma cochilada da defesa alvinegra. Entretanto, era um domingo para a Estrela Solitária! Elkeson, em excelente virada de jogo; e Cidinho, num sutil toque, foram brilhantes coadjuvantes para a troca de passes entre Lucas e Herrera, que novamente deixou Lucas sozinho para balançar as redes. Os Emerson, Demerson e Evertons tiveram que se contentar com mais uma virada do Fogão para manter o fogo em nossos peitos!

Como eu sei que nada vai mudar entre nós, Botafogo!? Eu só sei... Que todo torcedor é Sentimental e é aquilo que se vê numa moldura clara e simples. Sem procurar entender, torcemos, vibramos, cantamos, brincamos de ser felizes e pintamos narizes, bochechas: na prática, um mito, uma prova de amor... Enquanto fora do campo temporariamente emprestamos um cara estranho, tropeçando a cada quarteirão e perigando nunca se encontrar – a quem desejo sorte – ao anoitecer do domingo era hora de tirar o som da TV pra gente comemorar mais três pontos e a liderança do campeonato. Empolgado com este bom início, mas certo de que precisamos de reforços e de melhorias táticas e técnicas, acredito no sonho do Tri e na preparação da avenida onde a gente vai passar, numa cena onde a Estrela possa brilhar, pois em 2012 eu quero ser O Vencedor!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Autor do Livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Domingo Fantástico sem música*


            Pouco menos de três horas para a estreia do Campeonato Brasileiro, minha torcida começava diretamente de São Paulo, para que o voo da GOL não atrasasse e pudesse chegar a tempo de torcer por muitos gols do meu Glorioso diretamente do Engenhão, usufruindo meu cartão de sócio-torcedor. Nunca viajara num voo tão vazio, a ponto de solicitarem que alguns passageiros fossem para a parte de trás para melhor distribuição do peso: seria um prenúncio do que encontraria no estádio!? Exatamente, a alcunha de vazião coube perfeitamente para o dia de ontem. Após uma pífia semana, com a perda do Estadual e a eliminação da Copa do Brasil, a bela tarde de domingo contou com pouco mais de sete mil presentes para acompanhar a estreia do Fogão. É absurda, imoral e inescrupulosa a opção dos mandatários do mundo futebolístico de cobrarem no mínimo R$40,00 para o ingresso num estádio construído com recursos públicos! Sem dúvidas a maior responsável pelas cadeiras vazias... Para deixar ainda mais esquisito o clima da estreia, as torcidas organizadas do Botafogo não apareciam com bandeiras, faixas e instrumentos, enquanto as do adversário faziam mais barulho. Parecia jogo fora de casa.

            Na semana em que a Enciclopédia do Futebol completava seus oitenta e sete anos de vida, justa homenagem foi feita com a bandeira estendida em General Severiano e levada a campo e a camisa 87 vestida pelo nosso atual lateral Márcio Azevedo. Entretanto, com toda sinceridade, torci muito para que nosso eterno lateral-esquerdo Nilton Santos não tenha visto o primeiro tempo do jogo. Parecia que o São Paulo enfrentava nove espantalhos reforçados por Jefferson e Vitor Junior, que corria, ora atabalhoado ora eficiente, e se dedicava em busca do gol. Todavia, foi numa jogada tramada pela direita que o adversário cruzou e a defesa do Botafogo assistia de camarote ao belo chute do Jadson paulista no ângulo de Jefferson. Era um festival de horror: a zaga, o meio-campo e Loco Abreu erravam tudo que tentavam!

Confesso que, mesmo com todo o otimismo de sempre, já me via preocupado com a possibilidade de fuga do rebaixamento. É notório que o time está sem comando. Oswaldo de Oliveira não define um padrão tático, uma jogada ensaiada, uma trama inteligente para surpreender os adversários e não fornece orientações básicas de posicionamento: se veio para conquistar títulos, precisa evoluir e muito; não dá para considerarmos a Taça Rio 2012 como o título conquistado em nossa casa! No primeiro tempo, os jogadores jogavam sem sangue, sem tesão, sem brio... Em suma, sem respeito à Gloriosa história do Botafogo!

O elenco do Botafogo tem limitações? Obviamente. Precisa de reforços? São sempre bem-vindos, desde que para somar à equipe. Porém, é importante mencionar que o Campeonato Brasileiro é um dos poucos em nível mundial em que há várias apostas de campeões e de rebaixados, onde as equipes se equiparam, infelizmente por baixo. Com isso, há três possibilidades de um time sobressair: destaques individuais – hoje podemos citar o Santos de Neymar e Ganso; esquema tático que potencialize as qualidades de cada jogador e viabilize maneiras de evitar erros crassos onde há limitações – hoje inexistente em nosso comando; ou empenho do time em campo – que ocorre quando pelo menos cinco ou seis resolvem acordar de seus cochilos e apagões. Uma vitória pode acontecer com o funcionamento de uma das três possibilidades. Se alguma equipe conseguir unir pelo menos duas das possibilidades simultaneamente, terá muitas chances de sagrar-se campeã. Então, Oswaldo, se ficar parado, vai tomar um Ta ligado! O Botafogo pode e deve unificar um bom padrão tático à doação dos jogadores em campo! E já passou da hora de mudarmos o comando de futebol do nosso Botafogo, que não merece o pensamento pequeno e desorganizado que tem pautado suas práticas.

             Desolado no intervalo, via e ouvia a torcida são-paulina comemorar a vitória parcial. A torcida alvinegra ficava marcada pelos olhares e pensamentos que mesclavam preocupação e esperança, raiva e paixão, desespero e glória... “Nada além de dívidas”, expunha a Fúria Jovem; “Meu Botafogo não é lugar de covardes”, acertadamente provocava a Loucos; e, quem diria, o banco Itaú, em sua propaganda, sintetizava de forma simples o que precisávamos: #vamosjogarbola. A entrada de Herrera no lugar de Loco apontava mais do mesmo. Todavia, a postura da equipe foi modificada. O terceiro fator resolveu entrar em campo: o time acordou!

Quando estava prestes a resmungar a respeito de chuveirinho na área sem o Loco em campo, Lucas acertou belo cruzamento e Herrera cabeceou com precisão para empatar a partida. Os momentos de lucidez foram castigados pelo desempate adversário: em nova bobeada do setor defensivo, o supostamente fabuloso cabeceou e, com o desvio de Brinner, Jefferson não conseguiu evitar. Não houve muito tempo para a torcida ensaiar vaias ou xingamentos. Herrera foi pisoteado na área, sofrendo pênalti e cobrando com chute cruzado para mostrar ao Loco como se faz e vibrar com a torcida do Fogão, que também acordou para pular, cantar e incentivar o time em busca da virada. Quando comentava sobre o 3 x 2 de 2009, falta na intermediária. Quem cobraria? Márcio Azevedo? Fábio Ferreira? Vitor Junior reapareceu e enfim a sorte nos brindou: desvio na barreira e bola no ângulo do fraco goleiro Dênis. Com velocidade e pressão, o Botafogo já havia roubado bolas da fraca zaga adversária. E foi assim que Fellype Gabriel, sem tanta intenção, forneceu assistência para Herrera cravar seu terceiro gol e garantir a virada alvinegra. E nosso argentino ainda deu show fora de campo ao esnobar mais uma das ações da toda-poderosa: “Música pra quê!? Nem em castelhano!” Herrera não é bobo; abaixo a Rede Globo!

Ontem, Jefferson novamente mitou! Além de garantir algumas ótimas defesas e sua segurança de quase sempre, fez uma defesa esplêndida em cabeceio de Luis Fabiano. Após o segundo gol do São Paulo, Brinner e o zagueiro mais estiloso do Carioca jogaram com seriedade e não vacilaram; Lucas não comprometeu e Márcio Azevedo manteve a raça para representar a posição de nosso Niltão; Jadson e Renato também melhoraram; Fellype Gabriel passou a acertar e Maicosuel, a driblar e partir para cima. Lucas Zen e Gabriel ainda entraram e é importante colocar mesmo a garotada formada em General Severiano para jogar! O Botafogo do segundo tempo é o Botafogo que honra sua História Gloriosa e é o que queremos ver nas próximas partidas! Pela primeira vez, ouvi a torcida entoar o nome do atual técnico. Enquanto Leão reclamava de tudo do outro lado, na primeira reclamação de Oswaldo de Oliveira, o árbitro – que esquecera os cartões amarelos em casa – resolveu disciplinar e expulsar nosso técnico, que não deixou barato e até encarou o bandeirinha bem maior que ele. Foi preciso até dois representantes de uma das vergonhas do Brasil – a PM – se aproximarem para Oswaldo sair do jogo. Menção a algo talvez não notado por muitos: a postura de Fellype Gabriel no banco, consolando Oswaldo e depois recepcionando Vitor Junior quando este foi substituído. Postura de capitão para o antigo menino grávido, que tem merecido nosso respeito e confiança.

            Enfim, o saldo da estreia foram voz debilitada para a semana de aulas e Botafogo na liderança e com o artilheiro do Brasileirão! O Domingo foi finalizado de maneira fantástica, mas sem música...
           
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Páscoa sem chocolate*

Nosso Engenhão amanhecera debilitado. Alguns vândalos que carregavam a Cruz de Malta no dia anterior resolveram malhar Judas com cento e vinte cadeiras de nosso estádio em vez de criar bonecos de dirigentes e ex-dirigentes que se aproveitam da nobreza da torcida para exercer mandatos legislativos em benefício próprio e contra o povo ou de ex-jogadores que perdem pênaltis em decisões... Indubitavelmente nós botafoguenses somos especialistas em acompanhar as arbitragens favorecerem o rubronegro da Gávea. Analisando o clássico de sábado, o árbitro poderia e deveria ter expulsado Fernando Prass e Alecsandro e o lance do pênalti sobre o Thiago Feltri foi tão duvidoso quanto à verdadeira autoria de Assim você me mata... Portanto, injustificáveis os chiliques dos vascaínos, que perderam a liderança para o simpático Bangu e novamente cederam favorecendo o Flamengo.


Sobre Jobson, a mídia burguesa adora lançar mão de suas bizarras artimanhas para vender jornal ou ganhar acesso nas matérias virtuais. Nosso JobGol questionou alguém ‘hierarquicamente superior’ tal como um aluno contraria um professor, um estudante ocupa uma reitoria ou um trabalhador realiza uma greve. Logo, o setor dominante arruma uma maneira de punir e culpabilizar, eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre a ação. Em breve, só vai dar JobGol, o jogador que não é vaca para ser leiloado e terá estrela para brilhar junto à Solitária (não a da prisão)!


Enfim resolveram abaixar o preço do ingresso, mas R$20 ainda é um preço alto para um jogo de fase classificatória do Campeonato Estadual. Menos de 4500 corajosos e corajosas decidiram não ouvir mais do mesmo dos narradores-comentaristas de uma tal emissora e foram para os Setores Oeste e Leste do Engenhão em pleno Domingo de Páscoa. No primeiro jogo que vou após assistir ao filme “Heleno”, tenho a convicção de que urge que os jogadores extraiam os elementos positivos de nosso ídolo dos anos 1940! Não basta ser jogador de futebol: é preciso ser jogador do Botafogo, que jamais pode ser covarde. Pelo menos em 2012 o elenco conseguiu garantir que o Fogão não perca para ninguém... Em vez de penteados exóticos ou chuteiras exorbitantes, carros do ano e baladas, os jogadores devem treinar e caprichar mais e perceber que cada jogo é uma guerra, observada atenta e apaixonadamente por uma torcida guiada pela Estrela Solitária. É para esta torcida e para esta Estrela que os jogadores precisam desempenhar com garra o seu papel!


O lançamento do produto exclusivo GuaraFogão nos deixou com água na boca: vídeos com jogadores provando, camisas anunciando e um copão inflável estavam presentes, mas nem um copinho com a bebida para a torcida provar foi vendido ou distribuído. E num Domingo de Páscoa um apático 3 x 1 sobre o Friburguense – cujo uniforme aparentava que os gandulas estavam em campo – não simbolizou o chocolate do mundo esportivo. Vale registrar ainda as congratulações aos atletas olímpicos, que se esforçam diante de poucos recursos para representar nosso alvinegro para além do futebol.


Estão tentando garfar o teu time!” O torpedo enviado por minha mãe contrariava meu acordo com o árbitro. Lá do cantinho da Oeste Superior, jurava que Marcelo Mattos tinha errado o chute e derrubado o adversário. No geral, a arbitragem foi boa, aplicando corretamente cartões amarelos e acertando a maior parte dos lances. Retomando o assunto da penalidade, há um elemento com maior influência que a máxima de que pênalti mal marcado não é convertido: a tranqüilidade e a confiança com as quais o melhor goleiro brasileiro se prepara diante do adversário. Apontou o dedo para sua esquerda, aguardou a cobrança de Rômulo e pulou para a direita em direção à bola, espalmando-a para escanteio. Jefferson tem conseguido se equiparar ao melhor defensor de pênaltis que vi atuando e no qual ele se espelha: Dida.


Após o susto e a alegria pela defesa, o Fogão abriu o placar depois de a bola sobrar no pé de Loco Abreu, que não perdoou. Diante da apatia generalizada em virtude de os jogadores considerarem 1 x 0 como goleada, muitos erros de passe e sobra de falta de vontade, apenas aguardando o apito final. Elkeson e Márcio Azevedo eram os que corriam e tentavam buscar jogo, em vão na maior parte das vezes. Em boa jogada de Fellype Gabriel pela direita, Herrera, que entrara no lugar de Loco e já perdera uma oportunidade, pegou de primeira e ampliou o placar. Em vez de oferecer como presente de Páscoa para Friburgo doações necessárias para as famílias desamparadas pelos corruptos governantes municipais e estaduais após as catástrofes da região serrana, nosso xerife Antonio Carlos decidiu dar uma assistência ao atacante adversário Douglas e assistir de camarote ao gol de honra do Friburguense, que ainda tocou em Fábio Ferreira para enganar Jefferson. Poscha que parola! Nosso time não consegue ficar um jogo sem tomar gol bobo!? Vamos acordar! Para nooossaaaa alegria, o momento de raiva passou rápido. Nova jogada pela direita, dessa vez com Lucas Zen, para conclusão de Herrera, artilheiro do Fogão no Estadual com nove gols. Os gringos do Fogão são os artilheiros do Engenhão e colaboraram ontem para ultrapassarmos a marca dos 300 gols do Botafogo no Estádio! Enquanto os jogadores marcaram, o MEU LIVRO DO FOGÃO “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” atingiu a marca de 700 livros vendidos. É hora de convocar o Túlio pra puxar a campanha rumo aos 1000 livros!


Enfim, hoje é dia da nova camisa ser oficialmente anunciada e divulgada, em evento fechado para a mídia e apenas 300 convidados. Infelizmente, a maior parte da torcida em segundo plano no evento, contando com as redes sociais para acompanhar o cotidiano de General Severiano. Domingo que vem é dia de cumprir tabela no chiqueirão, aguardando quem vamos enfrentar nas semifinais da Taça Rio. Faltam três jogos para nossa decisão de verdade contra os tricolores!



*Gabriel Marques

Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 5 de março de 2012

Água mole em pedra dura*

Mais uma feliz coincidência ocorreu neste Domingo. Depois de conseguir carona para Campos no jogo anterior, ontem foi a vez de ser presenteado com um ingresso. Caminhando pela Rua São Januário, um carro para e um senhor nos pergunta se tínhamos ingressos; quando já ia responder que não tinha, mas que compraria apenas na bilheteria, eis que reconheço o senhor, um dos dirigentes do clube, que nos cedeu gentilmente as cortesias para assistir ao jogo nas cadeiras sociais. Apesar de ser a parte aburguesada do estádio e da maioria dos presentes ficar sentada o jogo inteiro, valeu acompanhar o Fogão sob uma agradável sombra em vez de bronzear-me na arquibancada.


Diante de preços de ingressos ainda muito altos e da fórmula que necessita de mudanças urgentes do Campeonato Estadual, realizar jogos em outras regiões pode ser uma alternativa para aumentar a presença de público nos estádios, possibilitando até mesmo a participação de torcedores de outras cidades. Apesar do motivo do confronto com o Volta Redonda – com mando de campo do Glorioso – não ser realizado no Engenhão estar relacionado ao evento musical lá ocorrido, considero importantes duas questões: a preservação do gramado da nossa casa, que tem sofrido com a quantidade ainda exaustiva de partidas em sequência; e a utilização de estádios fora da capital e/ou de equipes pequenas, como o Estádio Godofredo Cruz, em Campos; o Estádio Moça Bonita, em Bangu; o Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé; e o próprio São Januário...


Provocações à parte, se durante a semana tivemos Andrezinho cedido ao Departamento Médico, Loco Abreu retornava após representar a celeste; e o banco de reservas estava ocupado pela garotada formada nas divisões de base. Em busca da segunda vitória na Taça Rio, o Botafogo poderia nos poupar de alguns momentos angustiantes e irritantes! Reconheço que a paciência é uma virtude importante do torcedor, que precisa apoiar e incentivar; que se queremos ver pontos a todo o momento, devemos ir a um jogo de voleibol ou basquetebol etc. Contudo, é extremamente possível aliviar o sofrimento e vencer alguns jogos sem causar sustos ao torcedor!


Após demonstrar que o ataque Mercosul estava de volta à ativa, com uma genial assistência de Loco para o hermano Herrera encobrir o goleiro adversário e abrir o placar, veio uma sequência de gols perdidos, duas vezes com o argentino e uma com o uruguaio, em lances cruciais que poderiam ter definido a vitória já no primeiro tempo. Com o time acomodando-se com a vitória parcial, a defesa voltou a vacilar, praticamente assistindo de camarote ao cabeceio do zagueiro Robson, que num momento Trapalhões de Jefferson e Marcio Azevedo, igualou o placar com o gol ratificado pelo árbitro da linha de fundo (Só quero ver quando eles precisarem marcar a favor do Fogão...). Era preciso chegar a esse ponto pro time acordar? Sem brilhantismo e usando muito mais a persistência para manter os 100% de aproveitamento, Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura sintetiza fidedignamente o que foram os momentos finais contra a equipe da cidade do aço. E foi justamente a defesa que acordou e partiu para o ataque. Infeliz em vários escanteios e tentativas de cruzamento, Renato enfim acertou na medida para Antonio Carlos, em ligeiríssima posição irregular, realizar linha de passe com Herrera, que se redimiu dos outros gols perdidos e chegou ao sétimo gol no Estadual, desempatando o placar. Doze minutos depois, novo cabeceio do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, mas dessa vez direto furando as redes! 3 x 1 pra nossa Estrela Solitária, mantendo a invencibilidade rumo à conquista da Taça Rio.


Mesmo com desfalques devido às contusões, Oswaldo de Oliveira tem conseguido imprimir um padrão tático ao plantel, com importante poderio ofensivo. Importantíssima atitude ao substituir nossa estrela uruguaia, que em toda a partida acertou dois lances e precisa saber que ninguém é intocável no time e se dedicar mais aos treinos já que ainda é jogador de futebol... Todavia, gostaria de ter visto as entradas de Sassá e Jefferson em vez de Willian e Lucas Zen. A defesa esteve menos desatenta que no último jogo, mas ainda precisa evoluir; os laterais apoiaram menos e precisam caprichar mais nos cruzamentos próximos à linha de fundo; Marcelo Mattos não está na melhor fase em campo, entretanto o recado dado de que o time precisa “suar sangue” foi uma fala de liderança e dedicação; e Renato comanda o meio com tranqüilidade e categoria. Cheguei a pensar que Fellype Gabriel estivesse grávido novamente, mas foi uma pancada que o tirou da partida para a entrada do garoto Caio, sempre esforçado e ágil; urge que Felipe Menezes saia de suas sonecas demoradas durante as partidas e não erre tantos passes, principalmente depois que se esgota a paciência da torcida; Willian ainda está muito afoito, mas os poucos minutos em campo foram melhores que o primeiro tempo do jogo passado; Lucas Zen precisa agir de acordo com seu sobrenome, com mais precisão nos passes; e Herrera assumiu a artilharia da equipe.


Balanço positivo e liderança isolada do grupo. Fluminense, Vasco e Flamengo voltaram a vencer e voltam os indícios de que teremos os quatro nas semifinais, já que em breve devem dar tchauzinho para a Libertadores. Para nosso Fogão, uma semaninha de repouso para consertar os erros, treinar e se preparar pra terceira vitória na Taça Rio, torcendo para uma excelente reestreia de Jobson. Até sábado, em Moça Bonita!



*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 9 de outubro de 2010

De grão em grão*


28ª rodada do Campeonato Brasileiro. De um lado, nosso Fogão, que não perdera nenhuma partida para os times paulistas; do outro, o Guarani, que não perdera nenhuma para os times cariocas. Por conta dos compromissos profissionais, quinto jogo assistido na cidade de Rio das Ostras e dessa vez o pastel foi substituído por uma porção de batata frita e suco de laranja. Além da comentada, conturbada, especulada e polêmica ausência de Jobson, nosso paredão Jefferson estava ausente devido aos jogos da Seleção Brasileira e o zagueiro de penteado exótico Fabio Ferreira cedido ao Departamento Médico por seis meses.

            Prata da casa e mais uma vítima da impaciência da torcida alvinegra, o goleiro Renan demonstrou, com apenas 2 minutos de jogo, que está à altura e preparado para substituir o melhor goleiro em atividade no país – Jefferson. Enquanto a zaga, com o retorno de Antonio Carlos e a entrada dos ex-reservas Danny Morais e Marcio Rosário buscava entrosamento, Fahel não comprometia e Leandro Guerreiro, com a raça e dedicação que lhe são peculiares, continuava apresentando seguro e bom futebol, inclusive arriscando subidas ao ataque. Somália tem lembrado os seus primeiros jogos no Botafogo, errando passes curtos, cruzamentos e dribles, ou seja, caiu demasiadamente de produção. No ataque, contávamos com o retorno da dupla Mercosul; e no meio, Túlio Souza e Lucio Flávio não repetiam a boa atuação contra a urubuzada. Com o cochilo da defesa e gol de cabeça do Barbosa aos 26 minutos, Joel Santana esperou apenas três minutos para sacar Túlio Souza, que obviamente saíra chateado, para a entrada do Edno, que há duas partidas também tem estado mal. O Guarani ainda pressionou aos 33 minutos, para nova defesa de Renan, até que o ataque Mercosul repetira jogada contra o Corinthians: cruzamento de Herrera para a mortal cabeceada do tsunami na área El Loco Abreu. 1 x 1 termina o primeiro tempo, mesmo placar da partida no Engenhão, do primeiro turno.

            Vindo o segundo tempo, o alviverde paulista quase desempatou, esbarrando em Renan aos 9 minutos e passando rente ao travessão aos 14 minutos. Um minuto depois, contra-ataque alvinegro. Herrera e Loco contra dois adversários e o goleiro, mas o argentino preferiu arriscar da entrada da área em vez de passar para o uruguaio. Aos 17 minutos, Herrera corria em direção ao ataque; por trás, o adversário dá uma cutucada de leve e o goleiro vem pela frente na bola: queda do argentino e ombro machucado, forçando sua substituição pelo garoto Caio, que voltou a incendiar a partida ao entrar no segundo tempo. Aos 28 minutos, jogada de craque driblando os adversários e chutando para que a bola caprichosamente esbarrasse na trave... O menino está mesmo azarado! Sete minutos depois da trave, Somália enfim acertou uma: lançou bem forte, mas com muita velocidade Caio alcançou e cruzou rasteiro para El Loco, que se desdobrou todo para chutar para fora de esquerda em vez de bater direto com a perna direita. Joel ainda substituiu Lucio Flávio para a entrada de Renato Cajá, que entraria sozinho, cara a cara com o goleiro e novamente deixaria de usar a perna direita para a tentativa ao gol, aos 41 minutos. No finalzinho do jogo, o então capitão Leandro Guerreiro cometeu falta providencial e levou o terceiro cartão amarelo, ocasionando mais um desfalque para o jogo contra o Palmeiras.

            Enfim, foi o sexto empate consecutivo do Alvinegro. Se, por um lado, não perdemos há seis rodadas; por outro, não vencemos há sete. Mantivemos a invencibilidade contra os paulistas e repetimos o resultado do primeiro turno. Foi o sétimo jogo com o placar de 1 x 1 e o 13º empate na competição. Dizem que de grão em grão a galinha enche o papo... Mas, nesse ritmo, não será possível acreditarmos no título. Como Fluminense e Corinthians foram derrotados nessa rodada, estamos a 9 pontos da primeira colocação e ainda há trinta pontos em disputa. No primeiro turno, nos 9 primeiros jogos, tínhamos 10 pontos; no segundo, estamos com 12 nos mesmos 9 confrontos. É preciso voltar a vencer e impulsionar o sprint final rumo ao bi. Amanhã vamos que vamos em peso para o Engenhão! Dá-lhe, Fogão!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bode expiatório ou garfada violenta?*


Depois de 1 vitória e 2 empates em jogos assistidos em Rio das Ostras, quarta-feira à noite era o momento de acompanhar o quarto jogo do Glorioso pelo Centro da cidade da Costa do Sol. Embora nosso último jogo no estádio trouxesse boas recordações, o prenúncio era assustador: o Timão vinha de 11 vitórias em 12 jogos realizados no Pacaembu. Enquanto as dificuldades por conta da suspensão de Jobson e do não pagamento da multa para o Edno poder jogar apareciam, a superstição poderia ser um trunfo nosso: 13º jogo do Corinthians em casa. E quem é o nosso camisa 13? O ataque Mercosul estava de volta à ativa. Colocando os prós e contras, dirigi-me animado para o jogo, com a sensação de vitória! Cheguei 16 minutos atrasados e o placar já apontava 1 x 0 para o adversário.

            Dez minutos depois, uma arisca jogada do Fogão: Lucio Flávio para Herrera, que cruza e... TSUNAMI NA ÁREA!!! Lá estava nosso uruguaio para empatar a partida e marcar seu sexto gol em seis jogos, dessa vez usando com muita categoria o fundamento do cabeceio. Com o empate, o Botafogo cresceu e é muito bom ver a disposição, a garra, a energia com as quais os dois atacantes gringos vão para os jogos. Enquanto a defesa do Botafogo ainda oscila demasiadamente, com momentos de total passividade, ficamos preocupados. Mas a maior preocupação nesse jogo de 29 de setembro não foi a defesa, que inclusive poderia ter protagonizado um golaço. Aos 37 minutos, Fabio Ferreira foi lançado e partia para a área adversária, sozinho, sem marcação, quando o defensor corinthiano acertou um carrinho e seria expulso! Porém, havia uma bandeirinha no meio do caminho! Impedimento equivocado.

            Em homenagem à vitória que parecia premente contra a paulistada, fui comer um pastel no intervalo. E com 3 minutos, os botafoguenses presentes na rua do shopping, junto aos tricolores cariocas, comemoravam a virada com o gol de Herrera. Entretanto, havia outra bandeirinha no meio do caminho! Novo absurdo a favor dos gambás! Prejuízo para o Botafogo, que prosseguia com jogadas aéreas. Herrera parecia ter aprendido com El Loco o fundamento do cabeceio e obrigou o goleiro do Corinthians a fazer ótima defesa. Depois disso, mesmo com a entrada de Renato Cajá no lugar do argentino e de Caio no lugar do Lucio Flavio, o Botafogo encolheu. O Corinthians pressionava e parecia mais próximo do desempate, mas tínhamos o paredão da Seleção Brasileira em nosso gol, que só parou com uma entrada do atacante corinthiano para derrubá-lo ao chão. Jefferson teve que jogar a bola à lateral para ser atendido pelo Departamento Médico. E qual foi a atitude dos gambás pelegos da Confederação Brasileira de Futebol??? Contrariando toda a lógica proposta do fair play, cobraram o lateral e partiram para o ataque, sem devolver a bola para o Botafogo! É um TIMINHO!

            Não bastassem os dois absurdos impedimentos, ainda acompanhamos o árbitro dar cartão amarelo para o Antonio Carlos, contundido e no chão. Cena inédita! Nos minutos finais, o Botafogo reacendeu suas chamas e teve duas oportunidades para concretizar a virada e conquistar mais uma vitória contra os paulistas, contra quem temos total invencibilidade nesse Campeonato Brasileiro. Todavia, na primeira delas, Somália se precipitou e chutou nas mãos do goleiro adversário. Na segunda delas, o garoto Caio arrancou após cobrança rápida de falta marcada sobre o Alessandro – que culminaria num contra-ataque ótimo – mas quis caprichar demais, driblar e marcar de fora da área. O árbitro, desesperado com a possibilidade de derrota do Corinthians, decretou o final do jogo: 1 x 1.

            O que temos acompanhado nos últimos dias é uma tentativa desenfreada de crucificar o xodó Caio pelo empate. Pera lá! Há muito tempo não temos jovens revelados pelo clube sendo tão bem aproveitados como o Caio e as palavras dele expressam a boa vontade da juventude, muitas vezes inexperiente: “Só quis ajudar!”. A torcida do Botafogo não pode entrar nesse clima de perseguição, querendo arrumar um bode expiatório! A grande culpa por não termos vencido a partida está atrelada à CBF, ao Ricardo Teixeira, ao Andrés Sanchez: foi o trio de arbitragem. Que os adversários não venham com histórias da carochinha de chororôs: o que presenciamos em São Paulo foi uma baita garfada violenta!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

No embalo da Primavera*


No dia que marca o início da Primavera, a covardia contra a torcida brasileira permanece em defesa dos interesses da minoria que domina o sistema televisivo e consequentemente determina os horários dos jogos que movem uma das paixões nacionais. O clássico da paz, no Engenhão, contou com cerca de 16.000 presentes, pouco mais de um terço da capacidade do Estádio construído com financiamento a partir de nossos impostos e que deveria estar lotado a cada jogo. Mas certamente às 21h de uma quarta-feira, com as precárias condições de transporte público em nosso país, dificulta acompanharmos constantemente os jogos diretamente dos estádios. Quando uma nova estação floresce, é tempo de renovar, de respirarmos novos ares. Enquanto Joel insistiu na escalação de certo jogador, a CONMEBOL resolveu surpreendentemente – pelo menos para mim – retirar uma vaga dos times brasileiros da Taça Libertadores de 2011, forçando uma concorrência ainda mais acirrada, agora pelo G-3.

            Por conta dos compromissos na Costa do Sol, foi o segundo jogo que assisti em Rio das Ostras, até então invicto, tal como o Glorioso no Engenhão. Pelo time dos descendentes de portugueses, alguns já estiveram em nossas trincheiras, como Zé Roberto, Carlos Alberto, Felipe Bastos e o próprio técnico Paulo César Gusmão. Ex-jogadores sempre costumam aprontar; o retrospecto histórico contra o bacalhau não é nada agradável. Somado a tudo isto, há coisas que só acontecem ao Botafogo(1): numa jogada desleal de Zé Roberto por trás de nosso zagueiro artilheiro Antonio Carlos, ignorada pelo árbitro, que deveria ter marcado falta E dado cartão amarelo para o meia vascaíno, saiu o primeiro gol. Chute de Ramon, bola desviada em Danny Morais e redes balançando! Para completar, mais uma baixa diretamente para o Departamento Médico. O time do Vasco foi desleal em diversos momentos. Num deles, Zé Roberto levou amarelo após entrada dura em Somália,  momento em que deveria ter sido expulso se o árbitro não tivesse problemas de visão, pois a falta mencionada anteriormente foi escandalosa! Quase veio o empate com Maicossuel na primeira tentativa. Na segunda, passou como quis e como sabe fazer pela defesa vascaína... De cara pro gol, havia um buraco no meio do caminho... Também diretamente para o Departamento Médico! Com o hermano Herrera em seu lugar e o xodó no lugar de Antonio Carlos, em uma das tentativas de drible de Caio, perda de bola no ataque, contra-ataque vascaíno, e a vulnerabilidade de nossa defesa reapareceu: Eder Luis de fora da área, após passar fácil por Alessandro e ninguém cobrir, fez 2 x 0. Gostaria de aproveitar para defender sim o garoto Caio, que tem habilidade para prender a bola e levar faltas, forjando cartões para os adversários. Isso é importante, mas o meio-campo e a defesa precisam estar atentos para que não levemos gols nos contra-ataques, principalmente quando a arbitragem ignorar faltas claras! No geral do primeiro tempo, foi o Vasco da Gama quem partiu com tudo para cima e o Botafogo errava muitos passes. Devido à falta de pontaria, não foi possível garantirem um placar elástico.

            Veio o segundo tempo e com 10 minutos retomei a esperança de mantermos a invencibilidade. Antes disso, vale ressaltar o momento de unidade entre botafoguenses e vascaínos: no Olímpico, 1 x 0 para o Grêmio e comemoração de ambas as torcidas! Numa jogada inteligente após saída equivocada de Fernando Prass, Herrera cabeceou e só aguardou a atabalhoada defesa do Vasco perceber as redes balançando. O argentino – e nervosinho – ainda protagonizaria um carrinho desnecessário, tomando amarelo; e outra jogada desleal, levando o segundo amarelo e sendo expulso da partida. Com Edno no lugar de Renato Cajá, ontem apagado, Fahel mantinha-se no time! O Botafogo dominava a partida, mas após perder um jogador, o Vasco cresceu. Após belo passe de Felipe, Carlos Alberto acertou a pontaria... E lá estava nosso goleiro novamente convocado para a Seleção Brasileira(2): Jefferson! Diante de inversões de faltas e faltas claras não marcadas, o nervosismo tomava conta do elenco do Fogão. Num momento de chutar o balde, no ataque, El Loco tentou acertar a bola no adversário e cedeu escanteio gratuitamente. Ainda levaria um amarelo por reclamação, tal como Alessandro. Faltando 5 minutos para o tempo regulamentar, com um a menos em campo e 2 x 1 para o time da Cruz de Malta, pedi a conta. Logo depois de pagá-la, bola cruzada na área e... havia um braço no meio do caminho, não permitindo que chegasse ao matador uruguaio. Pênalti! Sem chances para Fernando Prass mas também sem cavadinha, El Loco selou o empate, anotando seu quinto gol em cinco partidas. Por pouco não pudemos virar o jogo. Edno passou para Caio, em impedimento, em vez de rolar para El Loco, que vinha de trás. 2 x 2 o placar final, com gols de nosso ataque Mercosul.

            Esse campeonato tem mostrado uma nova configuração para os vascaínos: em vez de time da virada, o Vasco tem sido o time do empate! Se por um lado os empates das duas últimas rodadas nos afastam da liderança, por outro têm mostrado nossa capacidade de reação. Diante de tantas contusões e agora também as suspensões, as dificuldades se multiplicam e essa disposição para recuperarmos o gostinho da vitória após três rodadas sem ela é fundamental. No próximo jogo, é o momento inclusive de colocar a garotada para jogar.

Temos quatorze rodadas pela frente e uma vaga a menos para disputar a Taça Libertadores! Diante de uma nova estação, vamos nos embalar com a chegada da Primavera e materializar o possível sonho de debutar após 15 anos sem título no Campeonato Brasileiro.


(1) Impressionante! Por que o Fahel nunca se contunde? E ele não leva o terceiro cartão amarelo?
(2) Registro aqui a coerência do técnico Mano Menezes ao deixar o mimado Neymar de fora da escalação, após os conturbados acontecimentos envolvendo o adolescente.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 4 de setembro de 2010

Sonambulismo, balanço e perspectivas para o segundo turno*

Nunca é legal retornar do Engenhão sem a conquista dos três pontos referentes à vitória. Contudo, sou daqueles torcedores que vão ao Estádio para apreciar e torcer pelo time. O resultado é conseqüência do bom futebol apresentado. Mais um jogo do Fogão em um sábado à noite, dia de repouso e folia para muitas pessoas, não necessariamente nessa mesma ordem. É um horário não muito bom em termos de mídia e divulgação, mas prazeroso para a torcida e jogadores por não estarem sob um calor escaldante e terem a opção – no caso dos torcedores – de curtir uma festa ou ir para casa curtir a família.

Última rodada do primeiro turno. Obviamente, nunca estamos satisfeitos e essa é uma característica importante do ser humano para poder avançar, superar, melhorar e transformar o quadro anteriormente apresentado. Fechamos com 31 pontos dos 57 disputados, um aproveitamento de pouco mais que 54%. Muito melhor que os anos anteriores, mas ainda aquém do que podemos alcançar no Campeonato Brasileiro desse ano. Voltarei a comentar sobre o papel que a torcida pode cumprir.

Durante a semana, a mídia supervalorizou a polêmica em torno dos gestos de El Loco após ser substituído por Joel no jogo contra o Grêmio Prudente. Se repararmos bem, em vários momentos, as notícias sobre o clube da Estrela Solitária são reduzidas nas manchetes a fim de favorecer notícias dos demais clubes do Rio de Janeiro, mesmo com a campanha do Fogão sendo a segunda melhor do Estado. Deixando de lado a possibilidade de mania de perseguição, mas sendo realista com o cotidiano que se apresenta nas telinhas e nos jornais, isso é um elemento que pode desestabilizar. Somado às ausências de Jobson e Somália e aos momentos de sonambulismo que alguns jogadores insistem em apresentar, deixamos escapar uma vitória que aparentava ser tranqüilamente possível nesse dia 4 de setembro, contra o Grêmio gaúcho.

Os primeiros trinta minutos foram excelentes. Cruzamento perfeito de Maicossuel na cabeça do zagueiro artilheiro Antônio Carlos. Boa troca de passes: Maicossuel para Herrera. Ótimo passe do argentino para Marcelo Mattos, que devolve com perfeição para Herrera mandar para qualquer outro lugar o apelido de QuaseGol. 2 x 0 para o Fogão. Também bastante aquém do que pode fazer, a festa da torcida contou com pouco mais de 20.000 botafoguenses, que em alguns momentos entoaram o pedido de Mais Um! Mas foi o adversário quem atendeu nossos pedidos. Em cochilada grotesca dos zagueiros com apenas oito minutos da segunda etapa, Jonas chutou numa situação totalmente desprevenida para o melhor goleiro do Brasil, que, em seu duelo com Vitor, também acabou no empate! O Botafogo ainda foi para o ataque e desperdiçou pelo menos quatro oportunidades para ampliar a vantagem. E novamente pecou no final do jogo. Numa falta inexistente marcada a favor do Grêmio, cruzamento para Jonas novamente, dessa vez de cabeça, aparecer sozinho e decretar o empate. Sei reconhecer quando há favorecimento – raríssimo acontecer para a gente – mas é preciso declarar que a arbitragem no segundo tempo se atrapalhou em muitos lances. Entre os técnicos, o príncipe do Rio Renato Gaúcho armou para cima de Joel, que se auto-declarara O Rei e ficou com a pior no duelo. O Glorioso cochila mais uma vez diante de um time gaúcho... E ainda bem que só há dois nesse torneio!

Algumas lições desse primeiro turno podem e devem ser tiradas para a arrancada final que começa na próxima quinta-feira, fora de casa, contra a badalada equipe santista e espero que algumas delas estejam na prancheta do Joel. O ataque Mercosul tem batido cabeça, mas o que mais tem feito falta é uma ligação coesa entre os três setores. São muitos chutões improdutivos dos zagueiros e de Jefferson diretos para o ataque. E há qualidade no time para sair jogando. Apesar de não ter comprometido no jogo de hoje, Fahel não tem condições de ser titular. Com o time trabalhando a posse de bola, Lucio Flavio tem que retornar ao time titular. Por conta da forma física, temos opções para entrar em seu lugar no segundo tempo. Marcelo Cordeiro precisa ser barrado. Em seu lugar, pode-se retornar, mesmo torto, com Somália; ou ousar lançando o Edno como ala. O garoto Caio entrou muito bem e junto com Renato Cajá – que precisa aprender a chutar com a perna direita – darão trabalho para os adversários no segundo tempo, pois a rapaziada entra descansada e com muita disposição para mostrar seu trabalho. Resta-nos também torcer pela recuperação de Jobson, pois temos bons frutos a colher nesse segundo turno.

Sobre a torcida, é preciso maior paciência. Quando o time cochila, é tarefa nossa impulsionar para que eles acordem e possamos participar mais ativamente do resultado! Há espaços para criticar, para se incomodar e até mesmo vaiar. Entretanto, isso não pode acontecer no meio do jogo. Nosso incentivo é fundamental! Ainda estamos posicionados para garantir uma vaga na Libertadores de 2011. Os que estão à nossa frente irão se distanciar um pouco mais, mas nada alarmante. A briga pelo título é possível e devemos auxiliar no caminho a cada rodada.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 14 de agosto de 2010

Ainda é pouco*

Pelo nosso caminho, o lanterna do Brasileirão, que já perdera para Vasco, Fluminense e Flamengo. Por sinal, o Rio de Janeiro vive um bom momento no cenário nacional. Fizemos nosso dever, dessa vez fora de casa, mas com uma presença muito maior da torcida alvinegra no Estádio Serra Dourada. Outro adversário com o mando de campo – e rubro-negro – batido pelo Fogão. Terceira vitória consecutiva e já são seis rodadas de invencibilidade. Também é a terceira vitória como visitante, retrospecto importantíssimo para quem aspira as primeiras posições na tabela.

            O primeiro tempo foi extremamente morno. Um ou outro drible, mais por iniciativa de Jobson. Mas ainda faltava seria necessária maior precisão. Teria colocado o Caio no lugar de Herrera, que ainda não está em dia com as finalizações. Mas foi o guerreiro argentino quem, num belo passe de peito, como se jogasse uma partida de futevôlei, entregou a bola também no peito do incansável e batalhador Somália – que já xinguei muito nos primeiros jogos e duvidei de um futebol sequer fraco – para se esticar e fazer 1 x 0 para o Alvinegro. Com o gol, houve um recuo exagerado da equipe, que bateu cabeça em alguns momentos na defesa. Felizmente continuamos contando com a precisa, tranqüila e segura presença do melhor goleiro do Brasil: Jefferson! Em mais uma bobeada do time adversário, em lance rápido do Botafogo, Maicossuel lançou Jobson, que fingiu chutar, driblou o goleiro e marcou seu quarto gol no Campeonato. Tem tudo para ser o artilheiro e em breve estar na Seleção! Os gols forneceram direito às dancinhas, de certa forma desengonçadas e mal ensaiadas, dos rapazes de General Severiano, que prosseguem a ascensão do Glorioso! Vendo os dribles, a correria e os gols de Jobson, lembro apenas do jargão em voga: Ah, Moleque!

            Como nem tudo são flores, a entrada de Fahel após as câimbras de Somália, quando ganhávamos por 1 x 0, me preocupou. É impressionante como em todas as jogadas, dentro ou fora da área, ele se encontra segurando ou agarrando o adversário. Risco alto de pênaltis, principalmente para um clube que tem sofrido com a arbitragem nos últimos anos. A zaga ainda precisa melhorar o entrosamento, mas a formação com Antonio Carlos, Fabio Ferreira e Leandro Guerreiro é a mais prudente com o elenco que temos. Por sinal, parabenizar nosso atual capitão pelo ducentésimo jogo com a Estrela Solitária no peito. Vale o esforço de Alessandro, mas que bobeou ao tomar um cartão amarelo logo no início do jogo e está suspenso do próximo jogo. Edno, apesar do gol perdido cara a cara, entrou muito bem pela esquerda e é um potencial candidato para, no esquema 3-5-2, substituir o limitado Marcelo Cordeiro nessa posição. O tabuleiro-prancheta de Joel se encontra com peças boas e jogadas surpresas para somarmos mais pontos e nos aproximarmos dos líderes e irmos com tudo no segundo turno.

            Sobe para 25 gols o melhor ataque do campeonato. Temos dois jogos no Engenhão, com muitas possibilidades de garantir mais seis pontos. É hora da torcida comparecer, fazer festa e ajudar a empolgar o time para balançar ainda mais as redes dos adversários. Sábado que vem estarei lá contra o Avaí e não podemos vacilar como ano passado (Atenção, diretoria, carga total de ingressos!) que tivemos que buscar um empate no segundo tempo. Depois, encarar o Ceará, que caiu de produção depois da saída de Paulo César Gusmão e já não é mais a sensação. O Botafogo dorme em terceiro lugar na tabela, no G-4 e temos de aguardar resultados desse Domingo para saber a real posição após a 14ª rodada. Entretanto, com o elenco que temos e com as perspectivas apontadas, o terceiro lugar ainda é pouco!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 7 de agosto de 2010

Braço de Deus entrega presente antecipado de Dia dos Pais*

Voltando de Rio das Ostras, decidi qual presente dar para meu pai: o ingresso para assistir ao confronto contra o Atlético-MG, hoje no Engenhão. Uma pequena fila já antecipava que a presença da torcida seria significativa. Por volta de 18h, quando chegamos ao atualmente denominado Stadium Rio, uma longa e civilizada – excetuando-se poucos oportunistas – fila para passar pelas roletas nos esperava. Torcida do Botafogo comparecendo em peso sempre dá um friozinho na barriga, pois quando a SofáFogo aparece, a impaciência com o time geralmente é grande. Pouco mais de 24.000 pagantes e 27.000 presentes estiveram lá para acompanhar a reestréia de Maicossuel no Engenhão, o retorno de El Loco Abreu (dessa vez, na reserva) e torcer pela continuidade da ascensão do Fogão no Campeonato Brasileiro, marcando o quinto jogo de invencibilidade.

            Enfim, mudanças excelentes aconteceram e a tendência é o time crescer, com opções no banco do mesmo nível que os titulares. Antonio Carlos fez falta, pois a zaga e os laterais ainda contam com muitas falhas e deficiências, mas estão no mesmo nível dos demais times! Jefferson estreou seu uniforme amarelo, cor que poderá vestir durante a semana: o melhor goleiro do Brasil e da Seleção fez três defesas importantes no jogo e garantiu a segurança do nosso gol. Recuar Leandro Guerreiro no lugar de Fahel, lançar o Marcelo Mattos sacando o Lucio Flávio e iniciar com o trio Maicossuel, Jobson e Herrera me fizeram respeitar ainda mais o técnico Joel Santana, que ousou ainda mais com as substituições no segundo tempo, colocando Caio, Edno e o festejado Loco Abreu nos lugares de Marcelo Mattos, Maicossuel e Herrera, respectivamente. Com as opções do Glorioso, Joel mostra cada vez mais ousadia e menos retranca!

Maicossuel enfim estreou de verdade: driblou, correu, dominou, passou bem e com oportunismo fez o primeiro gol do Fogão. E a torcida não titubeou: Maicosuel voltou... Momentos depois, o tatuado Somália arriscou de fora da área e a bola desviou num braço de Deus, que só poderia ser argentino, para balançar pela segunda vez as redes do Galo, freguês assíduo e adimplente nos últimos anos. Tudo bem, jogada polêmica e na minha avaliação gol ilegal validado pela arbitragem. Chorem, Vanderlei Luxemburgo (em decadência), Fábio Costa e Diego Souza! Jobson merecia o dele: com traquinagens, irreverência e indo com tudo sem cansar, na hora do chute, travado por trás pelo adversário. É pênalti! Para afastar a zica, Herrera assumiu a artilharia do time, marcando seu quinto gol no campeonato. 3 x 0 com gostinho de quero mais na véspera do Dia dos Pais. Reconhecendo os limites de jogadores como Alessandro, Fabio Ferreira, Leandro Guerreiro e Somália, é preciso maior paciência dos torcedores, pois a garra e a força de vontade superaram as debilidades. Considerei fracas as atuações de Danny Moraes e do lateral que não sabe cruzar do fundo nem marcar Marcelo Cordeiro.

            Ponto fraco também para a administração do Stadium Rio, deveras desorganizada na entrada e na saída dos torcedores, com vários portões fechados. Assim como o tal legado dos megaeventos esportivos: até hoje não há uma rampa de acesso para cadeirantes passarem de um lado da linha do trem para o outro, na estação Engenho de Dentro. Além disso, as longas filas poderiam ser solucionadas com um mínimo de inteligência e investimento! Mas como não estamos na Copa do Mundo... Vale registrar que mandamos o Galo para alguns lugares esquisitos e ofendemos a arbitragem, enquanto não funcionam os mandamentos aprovados e sancionados do Estatuto do Torcedor (vão à m..., Congresso, Senado e Lula!)

            Retornando ao tema mais relevante, saltaremos algumas posições nessa décima terceira rodada e poderemos terminar como o melhor ataque do campeonato até o momento. Mais gols poderiam ter acontecido se o ímpeto permanecesse, mas o time segurou bem o resultado. Enquanto os meninos da Vila se divorciam e o tricolor carioca não tem crises em sua constelação, nossos rapazes de General Severiano ganham entrosamento e mais três pontos. Prosseguir a ascensão tem que ser a tônica das próximas rodadas.

Enfim, hoje, certamente foi um bom presente antecipado, não foi, pai?

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985