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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Na alegria e na tristeza*


Em mais um segundo domingo de maio, comemoramos o dia daquelas que durante nove meses nos carregaram em suas barrigas e só puderam desfazer os laços fisicamente ao termos cortado o cordão umbilical. Emocionalmente, os laços na maioria das vezes se fortalecem, ao amamentar, ao fazer carinho, ao ouvir proferir mãe como a primeira palavra, ao ver os primeiros passos e consequentemente as primeiras quedas, ao ouvir o choro e chorar junto nos primeiros dias de escola... Enfim, elas nos acompanham, se preocupam demasiadamente, brigam, vibram com as conquistas e até torcem pela vitória de nossos times para não nos verem tristes. Sim, TODA MÃE É UMA ESTRELA! Apesar de minhas avós e minha mãe serem tricolores, elas são minhas estrelas e ficariam contentes por qualquer resultado no jogo de ontem.

            O dia 13 de maio também é marcado por um acontecimento de 124 anos atrás, quando, ainda monárquico, nosso país acompanhava a assinatura da Lei Áurea, demonstrando que há mais de um século nossos governantes elaboram e assinam leis tentando ludibriar a população. Mesmo farsante, é triste saber que foi o último país das Américas a reconhecer por meio da legislação a liberdade dos negros e negras, conquistada por meio de muita luta e resistência. Várias famílias enriqueceram às custas da escravidão e continuam enriquecendo na atualidade devido à propriedade privada dos meios de produção, possibilitando inclusive que planos de saúde sustentem salários astronômicos de um elenco para as disputas de torneios de futebol...

            No jogo de ontem, até que o Botafogo demonstrou valentia. Partiu para cima do Fluminense. Loco Abreu perdeu gol e Jefferson salvou logo no início do jogo após perda de bola de Elkeson no meio-campo. O primeiro tempo foi bem movimentado, com o Glorioso arriscando mais e buscando abrir o placar. Inteligentemente, o Fluminense se fechava, acuado, mas gozando a vantagem dos três gols obtida no primeiro jogo após o imbecilóide Lucas ser expulso – e não é que o lateral conseguiu a façanha de expulsão contra o Vitória pela Copa do Brasil, novamente prejudicando a equipe!? Brinner, com seus chutões; Gabriel, sem comprometer; e Jadson fechando a retaguarda não foram mal ao substituir Antônio Carlos, Lucas e Marcelo Mattos, respectivamente. Por mim, Lucas tem que ser limado para a entrada imediata de Gabriel, que, ganhando experiência, ainda demonstra a valorização da prata da casa! Márcio Azevedo tem sido um leão nos últimos jogos: se a técnica não é muito apurada, tem superado com a disposição e a vontade de acertar; Renato começa a errar passes e isso é muito preocupante; Fellype Gabriel foi uma boa aquisição e merece nossa confiança ao afirmar que trocaria tudo pelo título; Elkeson vai de mal a pior; Maicosuel cisca, cisca, cisca, mas não rende o que esperamos; e Loco Abreu afunda com a equipe abalada psicologicamente. Herrera, Caio, Vitinho... Entraram, mas não puderam alterar o curso do jogo. E o Jobson? Será o novo Wally?

FAÇA BONITO! Proteja nossas crianças e adolescentes da violência sexual” foi o recado mostrado no intervalo do jogo após um primeiro tempo sem redes balançadas. Importante iniciativa que merece ser registrada! Enfim, no domingo frio, chuvoso e triste para a Estrela Solitária, ainda fiquei por 10 minutos no Engenhão após o gol de Rafael Moura para o tricolor, que mais uma vez teve a oportunidade de gritar É Campeão no nosso estádio. Mesmo menosprezando a competição, tendo cinco derrotas, o Fluminense teve a capacidade de ganhar quando necessário, nos momentos decisivos, sagrando-se campeão. O efeito Fernandinha Maia parece não ter feito bem ao Glorioso, infelizmente. Após vinte e três partidas sem perder em 2012, vieram três derrotas seguidas, com eliminação da Copa do Brasil e vice-campeonato Estadual. Foi uma semana para ser apagada de nossas mentes e corações.

No sábado, tive a felicidade de acompanhar o casamento dos amigos Michelle e Egberto, que namoram desde nossos tempos de Colégio Pedro II e possuem todas as condições de conservar a relação respeitosa e amorosa durante longos anos. Qualquer relação pode oscilar entre ótimos e péssimos momentos e entre conquistas e perdas, precisando de balanços e mudanças para não se desfazer. E é assim que nós, torcedores, devemos nos sentir com o Glorioso: ficamos tristes, abalados, revoltados com as recentes derrotas. Portanto, mudanças são urgentes e necessárias para que, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, a relação permaneça forte, intensa e preparada para vivermos novas emoções já a partir do próximo domingo, quando começa o Campeonato Brasileiro. A torcida não pode nem deve sucumbir e merece uma diretoria e um elenco comprometidos com a História Gloriosa dessa Estrela Solitária, um patrimônio mundial do futebol!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Autor do livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial”

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A final só acaba quando termina!*


Obviamente a vontade é escrever sobre qualquer outro assunto e esquecer um pouco a temática do futebol após um resultado que há vinte e quatro jogos não compreendíamos. Uma invencibilidade repleta de empates e atuações não muito convincentes, mas honrando o trecho importante de nosso lindíssimo hino. Camisas, bandeiras e acessórios com a Estrela Solitária enfeitavam as ruas com o singelo, simpático e necessário contraste entre o preto e o branco, enquanto as/os botafoguenses estampavam sorrisos após a conquista da Taça Rio e um razoável resultado na Bahia pela Copa do Brasil, principalmente por conta da presença de vários reservas que mantiveram certa qualidade ao time.

            Primeira tarefa do mês foi aderir ao plano SOU BOTAFOGO, não precisando mais ficar nas filas para comprar meus ingressos. Fui buscar a carteirinha na sexta-feira e o clima de otimismo estava presente em General Severiano, onde a busca por ingressos era maior que em Laranjeiras. A sexta-feira e o sábado se tornavam coadjuvantes do final de semana, à espera do domingo que amanhecia com formoso Sol após a pintura da Lua cheia que chegava mais pertinho de nosso planeta. Teriam o satélite natural e a Estrela-Rei com suas intervenções nos céus ofuscado o brilho da Estrela Solitária no Engenhão!?

            Iniciando a atuação mostrando poder ofensivo, mais uma vez o Fogão abriu o placar contra os tricolores. Na sobra de bola, Renato pegou de primeira e balançou as redes pelo canto direito do goleiro tricolor. Uh, Renato! O gol parece ter feito mal ao esquema tático. Equivocadamente, o time recuou após um único tento e se encolheu diante do Fluminense. Oswaldo de Oliveira comandou muito mal a equipe ontem. Numa final de cento e oitenta minutos, não podemos nos contentar com 1 x 0. Qualquer erro poderia mudar o decorrer da partida e ele apareceu poucos minutos antes de fechar o primeiro tempo, onde a zaga do Botafogo – a menos pior dos quatro grandes do Rio... – assistiu à assistência de cabeça de Thiago Neves e ao golaço de bicicleta de Fred.

            Se o empate esfriou a torcida e a equipe, a expulsão do inoperante, atabalhoado e limitadíssimo Lucas foi um balde de água fria para apagar qualquer chama que ainda havia. O lateral direito está muito mal! Digna de aplausos diante da mediocridade do Botafogo principalmente no segundo tempo foi a atuação esforçada, segura e dedicada de Márcio Azevedo! Enfim, tudo que não poderia acontecer era um gol do adversário após a expulsão. Mas ele aconteceu segundos depois. Era nesse momento que a tática deveria ser adaptada a uma final de cento e oitenta minutos! Entretanto, o Botafogo se expôs ao atacar sem garantir a retaguarda. Jefferson não foi páreo para defender outras duas certeiras finalizações tricolores, que abriram três gols de vantagem. Parecia que nosso Glorioso brincava de pique-esconde enquanto o Fluminense jogava e acertava o golzinho...

            Enfim, quarta-feira temos que apoiar contra o Vitória e carimbar o passaporte para as quartas-de-final da Copa do Brasil! Mesmo com a desvantagem, Domingo que vem é dia de dividir o almoço com as mamães e as avós e partir para o Engenhão em seguida! Com dedicação e capricho, não ficaremos à espera de um milagre para comemorar três gols na fraca defesa adversária após um duelo contra o Internacional na quinta-feira pela Libertadores. O campeão não está definido. AFINAL, A FINAL SÓ ACABA QUANDO TERMINA...

           
 *Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 22 de abril de 2012

Tente outra vez*


Após obtermos a classificação para as oitavas-de-final da Copa do Brasil por meio de um 0 x 0 nada convincente e deveras monótono, aguardávamos ansiosamente o sábado para mais uma partida decisiva. E eu, que não pude assistir ao jogo-treino contra o Boavista, contava as horas e minutos para voltar ao Engenhão neste feriado de Tiradentes nem tão feriado assim. Considero muito bacana quando os clubes de menor investimento conseguem interromper a lógica do futebol e desbancar algum dos times grandes ao conquistar vagas para disputar as finais nas decisões aqui no Rio de Janeiro. É digna de congratulações a reação banguense: o time superou as sete derrotas no primeiro turno para ficar em primeiro lugar no segundo e deixar o Fluminense de fora das semifinais! Com uma cajadada só, angariou a permanência na primeira divisão.

Entretanto, o Bangu teve má sorte ao saber que precisaria enfrentar aquele time que não pode perder para ninguém e que em 2012 tem seguido à risca o trecho do hino que Lamartine Babo nos brindou! Se em 1999 o meteoro já não aparecera para fornecer o título de campeão estadual ao Bangu, não seria no último ano dos Maias que ele romperia a lógica matemática da idade de Cristo a favor do alvirrubro. Por mais simpatia que eu tenha com o time da Zona Oeste, quando o tempo se fechou afastando o calor e enviando a chuva para abaixar ainda mais a temperatura, tive a certeza de que a covardia aumentou! Um confronto do Bangu diante de queda abrupta de temperatura deve ser equivalente às equipes que saem do nível do mar para jogar na altitude. Portanto, a tônica do recado do Fogão para a animada torcida do Bangu deveria ser: “Tente outra vez!”.

Há muito não acompanhávamos o atual elenco tão envolvido, concentrado e aguerrido numa partida como ontem. Marcando o adversário em cima, passando rapidamente a bola, correndo, lutando para ganhar uma jogada e atacando constantemente com finalizações. De frente para o gol do adversário, no setor Oeste Superior, o coração batia forte com a expectativa iminente do primeiro gol. Nosso Botafogo trabalhava bem as jogadas, se aproximada da área, mas esbarrava no goleiro adversário ou nos equívocos de finalização de nossos próprios jogadores. Aos 22 minutos, o zagueiro banguense Santiago passou a merecer convocação para a seleção: de voleibol ou de basquetebol! Num misto de bloqueio ou toco, impediu o cabeceio de Loco Abreu, que retornava como titular. Nosso capitão ficou ainda mais louco, reclamando com árbitro e auxiliares, que ignoraram o pênalti claro. Como há coisas que só acontecem ao Botafogo... Foi até bom esse pênalti não ter sido marcado.

Com dedicação, o Botafogo pressionava e Loco Abreu se movimentava demasiadamente em campo, sendo o protagonista nas jogadas ofensivas e organizando o time com sua eficaz liderança. Faltando 6 minutos para o fim do primeiro tempo, Andrezinho cobrou escanteio, Marcelo Mattos desviou e lá estava o uruguaio para abrir o placar e fazer a torcida do Fogão sair do chão. O ponto negativo fica pela perda do maestro Renato, que saiu contundido e pode desfalcar a final da Taça Rio. Contudo, Oswaldo de Oliveira escolheu ampliar o poder ofensivo, colocando Maicosuel em campo.      

O segundo tempo reservava ainda mais emoções. É muito boa a sensação de comemorar um gol antes que ele aconteça. Logo aos 2 minutos, assim que vi a bola lançada por Andrezinho em cobrança de falta a 1 segundo da cabeça de Loco e o goleiro abandonando a pequena área, corri para comemorar: 2 x 0! Precisávamos gritar “Mais um”, pensava, já ansioso por uma satisfatória goleada. Cinco minutos depois, o setor defensivo do Fogão resolveu dar o ar da graça. Num lançamento despretensioso do adversário para a área, sem nenhum atacante por perto, o lateral Lucas recuou de cabeça para Jefferson, que saíra na direção da bola. Resultado? Ambos tentando impedir com os olhos a trajetória da bola, que caprichosamente tocou a trave e ultrapassou a linha do gol, fornecendo esperanças para o Bangu e levantando a torcida alvirrubra. Com a volta cada vez mais firme de Maicosuel e Loco Abreu inspiradíssimo, o Mago atuou como ladrão pela esquerda, observou o atacante desmarcado na área, lançou de trivela por cima do zagueiro, encontrando a louca testa a balançar as redes pela terceira vez e retomar a tranquilidade para a torcida e o time alvinegros. Em outro lance de displicência, o Botafogo levaria o segundo gol. Sérgio Junior foi lançado e nenhum defensor acompanhou; Jefferson saiu no tempo certo mas furou a bola que o banguense dominou e completou para as redes. Falha bizonha autoreconhecida pelo melhor goleiro do Brasil! Com excesso de vontade por enfrentar seu ex-clube, o garoto Thiago Galhardo entrou de carrinho, recebeu o segundo amarelo e foi expulso de campo, possibilitando a superioridade numérica do Fogão.

Redimindo-se do gol contra, Lucas avançou pela direita passou pelo adversário e foi puxado. Dessa vez a arbitragem marcou a penalidade. Em ritmo de “Tente outra vez”, a torcida fez coro para o dono da noite: “Uh, El Loco!” Na cobrança, bola isolada para a direita das balizas e a sexta cobrança desperdiçada em 2012. Também fui a favor de que Loco cobrasse ontem. Entretanto, agora chega! Cobrança de pênalti por Loco Abreu a partir de agora, só se for de peixinho! Nos minutos finais, o Mago ainda protagonizaria dois brilhantes lances. No primeiro, arrancou após driblar facilmente o zagueiro adversário e, em vez de finalizar, passou para Elkeson, que, distraído o jogo inteiro, não acreditou na assistência. No segundo, Márcio Azevedo lançou rasteiro e na medida para Maicosuel dominar e chutar no canto esquerdo do goleiro, fazendo o quarto gol do Botafogo e indo comemorar junto à torcida.

Manutenção da invencibilidade, vitória com excelente atuação da equipe e classificação para a final da Taça Rio. Hoje vamos aguardar qual será o almoço do próximo domingo: bacalhau ou urubu!? Enquanto temos dúvidas de quem vencerá o clássico de hoje, certo é que nossas partidas têm que ser muito emocionantes e nos deixar apreensivos para comemorar com mais paixão em seguida; certo é que torcemos para que o perdedor da partida de hoje não destrua nosso estádio; e ainda mais certo é que os tricolores já tremem diante do espectro da Estrela Solitária que eles terão de enfrentar na final do Estadual. Avante, Glorioso!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Páscoa sem chocolate*

Nosso Engenhão amanhecera debilitado. Alguns vândalos que carregavam a Cruz de Malta no dia anterior resolveram malhar Judas com cento e vinte cadeiras de nosso estádio em vez de criar bonecos de dirigentes e ex-dirigentes que se aproveitam da nobreza da torcida para exercer mandatos legislativos em benefício próprio e contra o povo ou de ex-jogadores que perdem pênaltis em decisões... Indubitavelmente nós botafoguenses somos especialistas em acompanhar as arbitragens favorecerem o rubronegro da Gávea. Analisando o clássico de sábado, o árbitro poderia e deveria ter expulsado Fernando Prass e Alecsandro e o lance do pênalti sobre o Thiago Feltri foi tão duvidoso quanto à verdadeira autoria de Assim você me mata... Portanto, injustificáveis os chiliques dos vascaínos, que perderam a liderança para o simpático Bangu e novamente cederam favorecendo o Flamengo.


Sobre Jobson, a mídia burguesa adora lançar mão de suas bizarras artimanhas para vender jornal ou ganhar acesso nas matérias virtuais. Nosso JobGol questionou alguém ‘hierarquicamente superior’ tal como um aluno contraria um professor, um estudante ocupa uma reitoria ou um trabalhador realiza uma greve. Logo, o setor dominante arruma uma maneira de punir e culpabilizar, eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre a ação. Em breve, só vai dar JobGol, o jogador que não é vaca para ser leiloado e terá estrela para brilhar junto à Solitária (não a da prisão)!


Enfim resolveram abaixar o preço do ingresso, mas R$20 ainda é um preço alto para um jogo de fase classificatória do Campeonato Estadual. Menos de 4500 corajosos e corajosas decidiram não ouvir mais do mesmo dos narradores-comentaristas de uma tal emissora e foram para os Setores Oeste e Leste do Engenhão em pleno Domingo de Páscoa. No primeiro jogo que vou após assistir ao filme “Heleno”, tenho a convicção de que urge que os jogadores extraiam os elementos positivos de nosso ídolo dos anos 1940! Não basta ser jogador de futebol: é preciso ser jogador do Botafogo, que jamais pode ser covarde. Pelo menos em 2012 o elenco conseguiu garantir que o Fogão não perca para ninguém... Em vez de penteados exóticos ou chuteiras exorbitantes, carros do ano e baladas, os jogadores devem treinar e caprichar mais e perceber que cada jogo é uma guerra, observada atenta e apaixonadamente por uma torcida guiada pela Estrela Solitária. É para esta torcida e para esta Estrela que os jogadores precisam desempenhar com garra o seu papel!


O lançamento do produto exclusivo GuaraFogão nos deixou com água na boca: vídeos com jogadores provando, camisas anunciando e um copão inflável estavam presentes, mas nem um copinho com a bebida para a torcida provar foi vendido ou distribuído. E num Domingo de Páscoa um apático 3 x 1 sobre o Friburguense – cujo uniforme aparentava que os gandulas estavam em campo – não simbolizou o chocolate do mundo esportivo. Vale registrar ainda as congratulações aos atletas olímpicos, que se esforçam diante de poucos recursos para representar nosso alvinegro para além do futebol.


Estão tentando garfar o teu time!” O torpedo enviado por minha mãe contrariava meu acordo com o árbitro. Lá do cantinho da Oeste Superior, jurava que Marcelo Mattos tinha errado o chute e derrubado o adversário. No geral, a arbitragem foi boa, aplicando corretamente cartões amarelos e acertando a maior parte dos lances. Retomando o assunto da penalidade, há um elemento com maior influência que a máxima de que pênalti mal marcado não é convertido: a tranqüilidade e a confiança com as quais o melhor goleiro brasileiro se prepara diante do adversário. Apontou o dedo para sua esquerda, aguardou a cobrança de Rômulo e pulou para a direita em direção à bola, espalmando-a para escanteio. Jefferson tem conseguido se equiparar ao melhor defensor de pênaltis que vi atuando e no qual ele se espelha: Dida.


Após o susto e a alegria pela defesa, o Fogão abriu o placar depois de a bola sobrar no pé de Loco Abreu, que não perdoou. Diante da apatia generalizada em virtude de os jogadores considerarem 1 x 0 como goleada, muitos erros de passe e sobra de falta de vontade, apenas aguardando o apito final. Elkeson e Márcio Azevedo eram os que corriam e tentavam buscar jogo, em vão na maior parte das vezes. Em boa jogada de Fellype Gabriel pela direita, Herrera, que entrara no lugar de Loco e já perdera uma oportunidade, pegou de primeira e ampliou o placar. Em vez de oferecer como presente de Páscoa para Friburgo doações necessárias para as famílias desamparadas pelos corruptos governantes municipais e estaduais após as catástrofes da região serrana, nosso xerife Antonio Carlos decidiu dar uma assistência ao atacante adversário Douglas e assistir de camarote ao gol de honra do Friburguense, que ainda tocou em Fábio Ferreira para enganar Jefferson. Poscha que parola! Nosso time não consegue ficar um jogo sem tomar gol bobo!? Vamos acordar! Para nooossaaaa alegria, o momento de raiva passou rápido. Nova jogada pela direita, dessa vez com Lucas Zen, para conclusão de Herrera, artilheiro do Fogão no Estadual com nove gols. Os gringos do Fogão são os artilheiros do Engenhão e colaboraram ontem para ultrapassarmos a marca dos 300 gols do Botafogo no Estádio! Enquanto os jogadores marcaram, o MEU LIVRO DO FOGÃO “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” atingiu a marca de 700 livros vendidos. É hora de convocar o Túlio pra puxar a campanha rumo aos 1000 livros!


Enfim, hoje é dia da nova camisa ser oficialmente anunciada e divulgada, em evento fechado para a mídia e apenas 300 convidados. Infelizmente, a maior parte da torcida em segundo plano no evento, contando com as redes sociais para acompanhar o cotidiano de General Severiano. Domingo que vem é dia de cumprir tabela no chiqueirão, aguardando quem vamos enfrentar nas semifinais da Taça Rio. Faltam três jogos para nossa decisão de verdade contra os tricolores!



*Gabriel Marques

Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Clássico de mentirinha*

A participação na Assembleia do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ) impossibilitou que estivesse no Engenhão contra o Duque de Caxias, precisando apelar para o radinho para acompanhar nosso Glorioso na rodada anterior. Com isso, volto a escrever hoje, após a manutenção da invencibilidade em 2012 neste Domingo, quando mais uma vez foi deixada a vitória escapar.

            Domingo 1º de abril, dia popularmente querido e extrovertido por conta das animadas, criativas e implicantes mentirinhas e pegadinhas elaboradas e realizadas por crianças, adolescentes, adultos e idosos para comemorar o Dia da Mentira. Entretanto, se por um lado há esta cultura popular, por outro lado há algo que não deve ser apagado. Deve sim ser recuperado, pesquisado e investigado. Há quarenta e oito anos, militares e empresários aplicavam o golpe que jamais pode receber a nomenclatura de Revolução. Determinaram por mais de duas décadas os rumos políticos e econômicos do país, censurando, prendendo, torturando e aniquilando seres humanos que minimamente se chocassem com a ordem estabelecida. Portanto, precisamos caminhar para que as verdades sejam apuradas, assassinos recebam punições e que sejam retiradas quaisquer menções aos ditadores e seus simpatizantes em nomes de logradouros, salas e repartições de prédios públicos etc., além de uma necessária reviravolta na conjuntura político-econômica do país, hoje governado por uma ex-militante a favor da classe dominante!

            Ontem, ao ser entrevistado pela BrahmaFogo, o único caso de Pinochio que me recordei entre jogadores de futebol foi Somália, que ano passado criou a mentira do sequestro-relâmpago. Todavia, no mundo do futebol, certamente há dezenas e dezenas de mentirosos espalhados pela Confederação Brasileira de Futebol, pelas Federações Estaduais e comandando as gestões de diversos clubes. O principal deles pediu para sair depois de mais de duas décadas à frente da CBF. É tempo de modificar a política da entidade e não simplesmente trocar seis por meia dúzia. No nosso Botafogo de Futebol e Regatas, é preciso questionar: por que e como um saldo negativo de mais de R$160 milhões em 2011!? Esquisito, muito esquisito...

            Muito tem se falado sobre o enfraquecimento do Campeonato Estadual, sobre a pouca presença de torcedores nos estádios. Entretanto, pouquíssimas propostas inteligentes surgem, até mesmo porque o problema de falta de público é uma síntese de múltiplas determinações, como por exemplo o alto preço dos ingressos, os horários complicados para atender aos interesses midiáticos, a péssima qualidade do serviço de transportes públicos e os infelizes e insistentes confrontos entre torcidas organizadas. Como simpatizante dos clubes pequenos, não sou a favor da diminuição da quantidade de equipes. Pelo contrário, defendo inclusive que pode aumentar a presença deles e diminuir a quantidade de jogos do Fogão e dos outros três que se dizem grandes. Como? Uma das possibilidades seria: no segundo semestre do ano anterior, quatro grupos com cinco times disputam em jogos de ida e volta, passando à fase de mata-mata os três melhores de cada grupo, até restar o triangular para decidir o campeão. Os doze melhores estariam automaticamente classificados para as oitavas-de-final do Campeonato Estadual, que já contaria com Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Em um mata-mata com jogos de ida e volta, o campeão seria definido disputando oito partidas. #FicaUmaDica

            O clássico vovô de ontem em diversos momentos assemelhou-se a uma razoável pelada de várzea, com sucessivos erros e chutões de ambas as partes. Após início arrebatador, com boa troca de passes que culminou com a certeira finalização de Elkeson para abrir o placar, o elenco da Estrela Solitária resolveu entrar no clima da data e enganar a torcida. Sem nenhum tesão em campo, parecia que nós já estávamos classificados para as oitavas-de-final da Taça Libertadores e para a final do Campeonato Estadual... Com isso, novamente nas costas de Márcio Azevedo, o cruzamento de Wellington Nem para Fred concluir não foi interceptado e o empate foi cedido. Não fossem as duas bolas na trave acertadas – ou erradas – por Herrera e umas duas grandes defesas de cada um dos goleiros, o jogo teria sido ainda mais frustrante em termos de emoção.

            Jefferson assustou em dois lances de saídas de gol; Lucas está em péssima fase, deixando até alguns torcedores com saudades de Alessandro – pasmem! –; Fábio Ferreira precisa se preocupar menos com seu penteado calopsita e mostrar melhor futebol; Antônio Carlos não esteve tão bem ontem; Márcio Azevedo mostra disposição, mas é fraquíssimo na marcação; Marcelo Mattos apresentou ligeiros sinais de melhora enquanto Renato passou a errar passes; Elkeson prossegue afoito e atrapalhado, perdendo muitas bolas; Andrezinho tem gostado de usar chinelo antes do apito final; Fellype Gabriel pode e deve aparecer mais para construir as jogadas; Herrera precisa mudar o radical de seu nome; Jobson e Caio entraram e pouco fizeram; Oswaldo de Oliveira precisará de mais do que palavrões e esporros durante os treinos. A ausência de Loco Abreu ainda é sentida e reforços de peso são mais que necessários para prosseguirmos na Copa do Brasil e chegarmos com boas perspectivas ao Campeonato Brasileiro.

            Enfim, ao empatarmos com o time da UNIMED ao passo que Almir, Tiago Galhardo e cia. não conseguiram retirar pontos dos mulambos, o Fogão ficou na segunda colocação. Quarta que vem é importantíssimo ganhar o Guarani por pelo menos dois gols de diferença e garantir logo a vaga nas oitavas-de-final da Copa do Brasil! Faltam dois jogos para fechar a Taça Rio e caminhar para uma disputa de verdade contra os tricolores, pois o clássico de ontem foi de mentirinha!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 19 de março de 2012

Contra nuvens e caravelas*

            No último final de semana do Verão, o Sol resolveu sobressair no comecinho da tarde. Com as nuvens recém-saídas de cena, a Estrela maior iluminava a Cidade Maravilhosa, fornecendo ainda mais brilho às prévias do clássico em preto e branco no Engenhão. Com ingressos custando R$30, R$40 ou R$60 num confronto pela fase de classificação da Taça Rio, obviamente três quartos dos assentos do estádio ficaram desocupados! Infelizmente os dirigentes dos clubes se submetem aos ditames de federações, confederações e aos interesses da grande mídia que controla horários, ao passo que não confrontam as autoridades governamentais minimamente para a garantia de melhores condições e menos preços no transporte públicos.

Uma faixa no setor Leste Superior clamava por Clássicos em São Januário, supostamente considerando que jogos da magnitude de Botafogo x Vasco pudessem ser disputados em campos de várzea... Tamanha inocência! Enquanto os torcedores do Vasco se dividiam em mais de uma dezena de torcidas organizadas, com faixas e bandeiras, estas mesmas do Glorioso não foram escaladas para a arquibancada. Nos setores Norte e Oeste, torcedores pulavam, cantavam e incentivavam com seus próprios corpos e vozes, sem acessórios como bandeiras e faixas. Mais um episódio para a discussão acerca da relação entre o clube e as torcidas organizadas...

Em campo, o Glorioso recebia o retorno de Marcelo Mattos, Andrezinho e Fellype Gabriel, além de Elkeson que voltara no jogo anterior válido pela Copa do Brasil: outra faceta ao meio-de-campo! Minha surpresa foi não ver Loco Abreu entre os titulares tampouco no banco de reservas, mas ontem não foi preciso recorrer ao seu futebol, que tem estado ausente nos últimos jogos. Assim como as nuvens que tentavam impedir que o Sol prevalecesse, no clássico um trio tentou em vão exercer o papel das nuvens contra a Estrela Solitária, mas nosso Fogão conseguiu passar por cima dos árbitros que provavelmente carregavam uma Cruz de Malta no peito – o Vasco de almirantes e caravelas já fora favorecido em vários jogos da Taça Guanabara – ou um chaveirinho de urubu, preocupados com a liderança disparada do Macaé e o retorno do bom futebol alvinegro enquanto o time da manguaça sofrera pra vencer com um único gol a equipe do Friburguense...

Pressionando a maior parte do tempo, com boa troca de passes, faltavam detalhes para o Botafogo abrir o placar. Honrando seu esplêndido segundo nome, Fellype Gabriel foi o nome da partida ao demonstrar como finalizar a gol e avançando para apagar seu passado maculado pelas cores rubronegras. No primeiro lance, Elkeson fez boa jogada pela direita e como um digno ponta, cruzou rasteiro para trás para que Fellype Gabriel enviasse com categoria ao ângulo do fraco goleiro adversário. O vice – ops – Vasco da Gama se apequenava ainda mais diante do poder ofensivo do Fogão e apelava para a pancadaria – faltou coerência aos vascaínos, que saíram do último jogo da Taça Libertadores reclamando das posturas adversárias. O aprendiz do badboy Edmundo – o tal do Diego Souza – deveria ter sido novamente expulso contra o Botafogo: entrou deslealmente de carrinho no Jefferson ao tomar um drible do goleirão e ainda se jogou em diversos lances para cavar pênalti e faltas. Enfim, tendo o azar por diversas vezes ao nosso lado em outras partidas, ontem a sorte apareceu: numa tabelinha com atabalhoado bate-e-rebate, a bola sobrou para Fellype Gabriel caprichar novamente e enviar para o fundo das redes. Antes de acabar o primeiro tempo, o atacante vascaíno se jogou na área enquanto nossa zaga dava conta do recado. Antônio Carlos, por favor, para quê tirar satisfação!? Não dá pra apenas jogar futebol e fazer gols!? Ganhou um amarelo de bobeira e quase a arbitragem mal-intencionada marca o pênalti.

Veio o segundo tempo e o adversário queria fazer valer a alcunha de time da virada. Outro Felipe, dessa vez o Bastos, cobrou falta com categoria e o goleiro Jefferson estava ligeiramente adiantado: mais um gol que levamos de ex-jogadores alvinegros... O Vasco foi para cima objetivando buscar o empate, impulsionado pelas inversões de falta e invenções de escanteios do trio de arbitragem. Entretanto, o garoto Jobson voltou, substituindo o guerreiro Herrera. Não deixou sua marca nesse retorno ainda, mas foi garçom ao girar o corpo depois de receber passe de cobrança de lateral e cruzou na área, a bola passou para Andrezinho e sobrou em cima da linha para Fellype Gabriel marcar o terceiro e devolver a tranqüilidade ao Fogão com o 3 x 1. Minutos depois, pela direita o jogador do Vasco, em posição irregular recebeu a bola, mas Márcio Azevedo chegou antes e mandou para escanteio. O árbitro apita e assinala pênalti!!!??? Bizarro! O tal reizinho, protegido pelo Estatuto do Idoso, não podia ser encostado que o árbitro marcava faltas. E foi o mesmo Juninho que pôs a bola para cobrar a penalidade. No duelo contra o melhor goleiro do Brasil, a terceira idade levou a pior! Não fossem os excessos de tentativas de dribles, poderíamos ter ampliado o placar.

Enquanto os times do grupo A vencem a maioria das partidas da Taça Rio, a disputa fica acirrada entre Macaé, Botafogo, Resende e Flamengo pelas vagas nas semifinais. No grupo B, Vasco e Fluminense, mesmo com campanhas pífias, seguem com facilitadas chances de classificação. O Botafogo de ontem, com brio, é o que desejamos para todas as partidas: trocando passes com tranqüilidade, marcando os adversários sem ficar fazendo linha burra, finalizando corretamente a gol etc. Enfim, é o Botafogo que nos enche de orgulho.

Já está em cartaz em diversos cinemas o filme sobre um de nossos principais artilheiros: Heleno de Freitas. É anotar na agenda para assistir e aumentar nossa identificação com a história do clube da Estrela Solitária! Quarta-feira é necessária uma goleada contra o Treze paraibano para avançar na Copa do Brasil: tem que ser um jogo de ataque contra defesa! Alô, diretoria: queremos promoção de ingresso a R$1,00 para a torcida comparecer! E sábado que vem direcionamos novamente as atenções à Taça Rio, contra o time das terras do tucano privatista Zito. 13 jogos de invencibilidade: vamos que vamos, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 13 de março de 2012

Jobson voltou e mulheres junto ao Fogão*

Quarenta e oito horas após o Dia Internacional da Mulher, já estava anotado na agenda o duelo do nosso Botafogo contra o Bangu. Indubitavelmente, a lembrança, a homenagem e a comemoração são merecidas no 8 de março. Contudo, é preciso transcendermos a simples vinculação com uma data e reconhecermos que são necessários novos avanços na sociedade, considerando cada dia um dia de luta contra o machismo e quaisquer formas de subjugar as mulheres, buscando relações humanas que não se construam a partir da exploração ou da opressão de qualquer ser humano sobre outro! O dia 8 de março não pode nem deve ser uma data comercializada, com descontos em salões de beleza ou o estímulo ao uso de produtos cosméticos! NÃO! O dia 8 de março é muito mais do que isso e certamente o Futebol deve se enquadrar nesta lógica de rupturas.

            Algumas iniciativas importantes têm aparecido. Ano passado, em um plebiscito, a ANT passou a se chamar oficialmente Associação Nacional de Torcedores e Torcedoras! Uma das mais animadas e contagiantes torcidas organizadas levou a faixa LoucAs pelo Botafogo! Recomendo inclusive a leitura do bonito texto acerca da temática: “A Mulher e o Botafogo”, publicado no BotafogoNews: http://www.botafogonews.com/sem-categoria/a-mulher-e-o-botafogo/  Apesar da constante presença do público feminino nas arquibancadas, ainda é tímido o avanço que podemos conquistar. Enquanto Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo por cinco vezes, acompanhamos calados a inexistência do estímulo ao futebol feminino; em diversos locais como as próprias escolas que deveriam ser o espaço para a formação de um novo olhar e de novas práticas, observamos a hegemonia masculina nas práticas desportivas e muitas vezes um preconceito e uma negação às mulheres que ousam romper a lógica imposta. De nada nos adianta termos a primeira presidente da República mulher, querendo ser designada presidenta e mantendo uma prática política e econômica a favor dos ricos e dominantes ao passo que as mulheres recebem salários mais baixos, sofrem assédios, são constrangidas ao denunciar cônjuges agressores e não podem decidir sobre os rumos do próprio corpo em nome da moral religiosa! Enfim, certo de que dias melhores virão, reafirmo que lugares de mulheres não são o tanque ou a cozinha; e as mulheres alvinegras podem e devem estar ao lado do Fogão, não aquele que toda casa tem, mas este iniciado por letra maiúscula que flameja em preto e branco uma Estrela Solitária!

            Não havia nome melhor de estádio para o jogo após 8 de março: Moça Bonita! Concordo com a crítica de nosso carismático uruguaio acerca do gramado ruim, que estraga o espetáculo. Em contrapartida, o jogo em Bangu possibilita a presença de outros torcedores – moradores da Zona Oeste – e nos obriga a conhecer a estação de trem Guilherme da Silveira... Os próximos quatro jogos voltam a ser em nossa casa, além da semifinal e da final da Taça Rio que disputaremos no Engenhão! Vale registrar a entrevista concedida à BrahmaFogo, falando sobre o livro “Botafogo, uma Paixão Além do Trivial” e sobre a reestreia de Jobson, disponível no youtube:



    
Num dos bairros mais quentes da capital fluminense, o Sol foi escamoteado pelas nuvens que tomaram conta do céu, amenizando o calor, assim como o preto e o branco que invadiram as arquibancadas banguenses e ofuscaram o alvirrubro. Ainda bem que não precisei usar o guarda-chuva nem para me proteger dos raios solares nem da chuva que só ficou na ameaça. Apesar do absurdo preço de R$30, o público foi grande. E se a torcida que quase lotou Moça Bonita não assistia a um futebol vistoso, podia vislumbrar um festival de pipas nos ares da Zona Oeste, muitas delas interrompendo a partida ao cair sobre o gramado. Tarefa para a Federação: além dos gandulas, contratar dois meninos para aparar as pipas... Além do artefato popular que, com simples materiais, alcança magníficas alturas, a torcida teve a oportunidade de ouvir a charanga do Bangu tocar animadas músicas, dentre outros, de Balão Mágico e da minha querida Mocidade Independente de Padre Miguel.

Tantas coisas bacanas para comentar que certamente o jogo em si ficou como coadjuvante. Com um primeiro tempo morníssimo, a inexistência de gols foi óbvia. Enquanto os ex-jogadores do Fogão Almir e Thiago Galhardo mais o lateral Renan Oliveira construíram boas jogadas, o Glorioso sentia muito a ausência de seus principais jogadores da meiúca. Apesar de pouco mais esforçado que em jogos anteriores, Loco Abreu precisava realmente ser substituído; Herrera lutou, lutou e lutou, mas não concluiu as finalizações para o fundo das redes; e Caio, também esforçado, demonstrou novamente que ajuda muito mais a equipe quando entra no segundo tempo. Lucas Zen não entrou bem no lugar de Marcelo Mattos; Marcio Azevedo e Lucas não apoiaram como podem e o lateral-direito ainda errou muitas jogadas; a defesa vacilou em momentos que não comprometeram por conta das limitações do adversário; e Jefferson quase nos deu um baita susto numa bola para ele recuada que quicou em algum montinho de sua área; enquanto isso, Felipe Menezes comprovou que só pode ser novo Kaká se ele for alguma espécie de pastor do elenco, porque em campo está sempre dormindo...

Os destaques ficam por conta do segundo tempo: Jobson voltou e a torcida do Fogão saiu do chão para entoar euforicamente seu retorno! Depois de 6 meses cumprindo suspensão, o garoto será nosso 48º jogador convocado para defender a Seleção Brasileira em Copas do Mundo – Jefferson e ele titulares em 2014! Com seus contagiantes piques, continua afobado nas finalizações, cansou rápido, mas forneceu a assistência para um moleque franzino, com categoria, balançar as redes pela segunda vez como profissional do Botafogo: boa, Cidinho! Para completar, outro Jefferson, formado pela base, postura de gente grande, substituiu o inoperante Felipe Menezes. Com categoria, cobrou uma falta no ângulo esquerdo, mas o arqueiro adversário mandou para escanteio. Lembrando os tempos de “Almir, faz um gol aí!”, infelizmente o meia acertou um belo chute de fora da área e empatou a partida.

Apesar da manutenção da invencibilidade, com o empate permitimos que o Macaé assumisse a liderança do grupo. Quarta é tarefa primordial liquidar o time que tem número como nome, número este sempre bem-vindo na história de superstições alvinegras! Domingo que vem é dia de cozinhar o bacalhau para continuarmos entre os dois melhores e rumarmos à conquista da Taça Rio. Saudações às mulheres de todo o mundo e um bom retorno a Jobson!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 5 de março de 2012

Água mole em pedra dura*

Mais uma feliz coincidência ocorreu neste Domingo. Depois de conseguir carona para Campos no jogo anterior, ontem foi a vez de ser presenteado com um ingresso. Caminhando pela Rua São Januário, um carro para e um senhor nos pergunta se tínhamos ingressos; quando já ia responder que não tinha, mas que compraria apenas na bilheteria, eis que reconheço o senhor, um dos dirigentes do clube, que nos cedeu gentilmente as cortesias para assistir ao jogo nas cadeiras sociais. Apesar de ser a parte aburguesada do estádio e da maioria dos presentes ficar sentada o jogo inteiro, valeu acompanhar o Fogão sob uma agradável sombra em vez de bronzear-me na arquibancada.


Diante de preços de ingressos ainda muito altos e da fórmula que necessita de mudanças urgentes do Campeonato Estadual, realizar jogos em outras regiões pode ser uma alternativa para aumentar a presença de público nos estádios, possibilitando até mesmo a participação de torcedores de outras cidades. Apesar do motivo do confronto com o Volta Redonda – com mando de campo do Glorioso – não ser realizado no Engenhão estar relacionado ao evento musical lá ocorrido, considero importantes duas questões: a preservação do gramado da nossa casa, que tem sofrido com a quantidade ainda exaustiva de partidas em sequência; e a utilização de estádios fora da capital e/ou de equipes pequenas, como o Estádio Godofredo Cruz, em Campos; o Estádio Moça Bonita, em Bangu; o Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé; e o próprio São Januário...


Provocações à parte, se durante a semana tivemos Andrezinho cedido ao Departamento Médico, Loco Abreu retornava após representar a celeste; e o banco de reservas estava ocupado pela garotada formada nas divisões de base. Em busca da segunda vitória na Taça Rio, o Botafogo poderia nos poupar de alguns momentos angustiantes e irritantes! Reconheço que a paciência é uma virtude importante do torcedor, que precisa apoiar e incentivar; que se queremos ver pontos a todo o momento, devemos ir a um jogo de voleibol ou basquetebol etc. Contudo, é extremamente possível aliviar o sofrimento e vencer alguns jogos sem causar sustos ao torcedor!


Após demonstrar que o ataque Mercosul estava de volta à ativa, com uma genial assistência de Loco para o hermano Herrera encobrir o goleiro adversário e abrir o placar, veio uma sequência de gols perdidos, duas vezes com o argentino e uma com o uruguaio, em lances cruciais que poderiam ter definido a vitória já no primeiro tempo. Com o time acomodando-se com a vitória parcial, a defesa voltou a vacilar, praticamente assistindo de camarote ao cabeceio do zagueiro Robson, que num momento Trapalhões de Jefferson e Marcio Azevedo, igualou o placar com o gol ratificado pelo árbitro da linha de fundo (Só quero ver quando eles precisarem marcar a favor do Fogão...). Era preciso chegar a esse ponto pro time acordar? Sem brilhantismo e usando muito mais a persistência para manter os 100% de aproveitamento, Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura sintetiza fidedignamente o que foram os momentos finais contra a equipe da cidade do aço. E foi justamente a defesa que acordou e partiu para o ataque. Infeliz em vários escanteios e tentativas de cruzamento, Renato enfim acertou na medida para Antonio Carlos, em ligeiríssima posição irregular, realizar linha de passe com Herrera, que se redimiu dos outros gols perdidos e chegou ao sétimo gol no Estadual, desempatando o placar. Doze minutos depois, novo cabeceio do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, mas dessa vez direto furando as redes! 3 x 1 pra nossa Estrela Solitária, mantendo a invencibilidade rumo à conquista da Taça Rio.


Mesmo com desfalques devido às contusões, Oswaldo de Oliveira tem conseguido imprimir um padrão tático ao plantel, com importante poderio ofensivo. Importantíssima atitude ao substituir nossa estrela uruguaia, que em toda a partida acertou dois lances e precisa saber que ninguém é intocável no time e se dedicar mais aos treinos já que ainda é jogador de futebol... Todavia, gostaria de ter visto as entradas de Sassá e Jefferson em vez de Willian e Lucas Zen. A defesa esteve menos desatenta que no último jogo, mas ainda precisa evoluir; os laterais apoiaram menos e precisam caprichar mais nos cruzamentos próximos à linha de fundo; Marcelo Mattos não está na melhor fase em campo, entretanto o recado dado de que o time precisa “suar sangue” foi uma fala de liderança e dedicação; e Renato comanda o meio com tranqüilidade e categoria. Cheguei a pensar que Fellype Gabriel estivesse grávido novamente, mas foi uma pancada que o tirou da partida para a entrada do garoto Caio, sempre esforçado e ágil; urge que Felipe Menezes saia de suas sonecas demoradas durante as partidas e não erre tantos passes, principalmente depois que se esgota a paciência da torcida; Willian ainda está muito afoito, mas os poucos minutos em campo foram melhores que o primeiro tempo do jogo passado; Lucas Zen precisa agir de acordo com seu sobrenome, com mais precisão nos passes; e Herrera assumiu a artilharia da equipe.


Balanço positivo e liderança isolada do grupo. Fluminense, Vasco e Flamengo voltaram a vencer e voltam os indícios de que teremos os quatro nas semifinais, já que em breve devem dar tchauzinho para a Libertadores. Para nosso Fogão, uma semaninha de repouso para consertar os erros, treinar e se preparar pra terceira vitória na Taça Rio, torcendo para uma excelente reestreia de Jobson. Até sábado, em Moça Bonita!



*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 2 de março de 2012

Em terra de garotinhos, quem tem Russão é Fogão*


Na semana em que a assombrosa foto da aliança entre as famílias Maia e Garotinho foi publicada nas redes sociais, parece um prenúncio de que os outros Maias estão corretos acerca dos rumos do presente ano. E, no Norte Fluminense, o município de Campos – e adjacências – talvez esteja para a família Garotinho tal como o Maranhão está para a família Sarney...   No primeiro dia do mês que fecha nosso escaldante Verão, jogo do Botafogo marcado para o Estádio Godofredo Cruz, local tão assombroso quanto à foto supracitada, pois relembra os tempos em que o alvinegro campista era deveras beneficiado por arbitragens e malandragens comandadas pelo antigo ditador da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro – o falecido Eduardo Viana, o Caixa d’água. A estreia da Taça Rio no dia anterior mostrara que a zebra está à solta com as derrotas de Flamengo e Fluminense e o empate do Vasco. E em General Severiano, contusões de Maicosuel, Elkeson e a convocação de Loco Abreu forçavam a ausência de três titulares do Glorioso.

                Até o dia de ontem, apenas havia passado por Campos durante viagens feitas pela BR-101. Depois de lecionar em Macaé e procurar companhias alvinegras para ir à cidade torcer pelo Fogão, em vão, esperava o tempo passar para tomar a decisão: encarar cerca de 105 km de viagem ou voltar para Rio das Ostras e assistir ao jogo em algum barzinho. Por volta das 15h, decidi partir só, quando uma feliz coincidência surgiu no caminho: um trabalhador da Editora SM, que mostrava seus livros para minha diretora botafoguense, é morador de Campos e partiria para sua residência horas depois. Uma caroninha sagaz permitiu que eu chegasse ao Estádio junto ao desembarque do elenco do Botafogo, que recebia as energias positivas de alguns torcedores que acompanhavam a chegada. Um bom presságio para enfrentar os fantasmas citados anteriormente. E na terra de garotinhos, com seus diminutivos e falcatruas, quem tem aumentativos e paixões estaria em vantagem! E nós tivemos Russão, torcedorzão do Fogão, que falecera esta semana nos deixando um legado de amor, envolvimento e adesão à escolha de Ser Botafoguense, liderando a torcida, vibrando, acompanhando e cantando com entusiasmo o Hino e os cantos de apoio durante vários anos. Vale registrar a atitude bacana de o time entrar em campo com a faixa #Russãoparasempre!

                O público presente ocupou a maior parte das arquibancadas do Estádio Godofredo Cruz. Reforçada por alguns torcedores do Goytacaz – adversário campista do Americano – a torcida do Botafogo era ampla maioria. Devido à imensa fila na bilheteria, com poucos funcionários, vários torcedores entravam com o jogo já em andamento. As torcidas organizadas demoravam a entrar com os instrumentos e tomei a liberdade de começar a puxar algumas de nossas músicas na arquibancada. Ora cantava sozinho ora a galera se somava e o canto ecoava incentivando nossos jogadores. Numa fase mais zen para evitar brigas, respirava fundo a cada fumaça de cigarro vinda na minha cara e a cada grito de “Senta” dos representantes da Sofá-Fogo. Conversava com meu ego: “são só alguns segundos como fumante passivo, acalme-se” e “P... Querem ver o jogo sentadinhos, aluguem um camarote ou paguem pra ficar no sofá e ver pela televisão!”. Esse negócio de senta e levanta a cada lance de perigo parece ritual de algumas Igrejas ou a brincadeira infantil de vivo ou morto! Eu quero é sair do chão com a torcida do Fogão!

                O setor defensivo do Botafogo ainda bate cabeça – e pés – em momentos cruciais e é preocupante a desatenção em alguns momentos, como os que ocasionaram os dois gols do Americano, sendo o segundo praticamente uma tabelinha de cabeça dentro da pequena área! Mesmo com uma arbitragem confusa, que ignorou dois pênaltis claríssimos sobre nosso hermano Herrera quando o jogo estava 1 x 1 e simplesmente amarelava os jogadores do Americano que pareciam querer brincar de UFC, nossa Estrela Solitária teve brio para honrar a Cidade Maravilhosa no dia de seu aniversário de 447 anos. O estreante Fellype Gabriel não foi brilhante e sumia em alguns momentos do jogo, mas esteve na hora e local corretos para empatar a partida. Jefferson não foi tão acionado e, apesar de poder ter saído no lance do segundo gol do adversário, está em fase muito melhor que a demonstrada pela pífia tentativa de defesa da Julio César na Seleção do Mano – não dá para chamar aquilo de Seleção Brasileira, né!? Fábio Ferreira, Antonio Carlos e Marcelo Mattos precisam alcançar um entrosamento melhor, pois ainda cometem erros estapafúrdios que em campeonato com times de maior calibre podem nos complicar. Lucas e Marcio Azevedo oscilaram e não são fortes na defesa: entretanto, vale ressaltar as assistências para os gols de Herrera e Renato, respectivamente! Além do gol da virada, Renato cadencia o jogo com a qualidade e visão de jogo de costumes. Willian não entrou bem, mas a torcida precisa incentivar o garoto formado pela base. Na minha opinião, Caio merecia uma chance como titular, pois sempre entra com disposição e tem muito a crescer. Merecido seu gol para fechar a vitória! Com a ausência de Loco Abreu, quem deveria entrar em campo era o jovem Alex! Contudo, a diretoria preferiu emprestá-lo ao Joinville...

                Enfim, prosseguimos invictos no Estadual e na temporada e nosso técnico Oswaldo de Oliveira foi ovacionado pela torcida ao final do jogo, merecidamente. No duelo entre o Fogão e os apadrinhados da caixa d’água, supremacia da cozinha: 4 x 2. Apesar de ter perdido a hora pra acordar pra trabalhar hoje, valeu a ida a Campos para acompanhar mais um êxito da Estrela Solitária! E domingo tem mais, contra o Volta Redonda, em São Januário, rumo à conquista da Taça Rio!


Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985