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sexta-feira, 20 de julho de 2012

O time foi presunçoso*



            Envolvido com as finais da Taça Libertadores da América no ano passado, o Santos solicitou e a CBF acatou o pedido de adiamento do confronto. Quando chegou a data do jogo, tivemos que ir à Vila Belmiro desfalcados de Jefferson (então na Seleção) e Renato, com sua primeira e única suspensão na carreira. Acabamos levando por 2 x 0 nesse clássico entre dois dos principais clubes da História do Futebol Brasileiro, que formaram e ofereceram protagonistas para as Seleções em diversas Copas do Mundo.

            Com a sala vazia do curso de inglês, a professora não entrou na onda de liberar mais cedo, forçando-me a perder os primeiros 11 minutos de jogo. Quando cheguei ao quarto para ligar a televisão, parece que o único lance perdido foi a infeliz contusão do Edu Dracena, aumentando o rol de desfalques da equipe santista – sem Neymar, Ganso e Rafael, que estão com a Seleção Olímpica. Ou seja, mesmo fora de casa, um jogo típico para nosso Glorioso garantir mais um triunfo em terras alheias ao Rio de Janeiro.

            Com um primeiro tempo arrebatador – excetuando-se os últimos 5 minutos durante os quais o Santos forneceu algum perigo – o Fogão criou várias oportunidades, trocou bons passes e aproveitou as avenidas fornecidas pela marcação desguarnecida do adversário. Todavia, o goleiro santista, que não é espetacular, mas é o Aranha, conseguiu defender nossas tentativas. E quando não teve elasticidade suficiente, lá estava o travessão para evitar um golaço num chute do meio da rua de Fellype Gabriel, que alcançou a velocidade de quase 120 km/h. O segundo tempo foi tão frio quanto a atual temperatura nestes dias chatos de inverno. Muricy Ramalho acertou a marcação de seu time e segurou as investidas do Fogão, cujo melhor ataque do Brasileirão pela primeira vez passou em branco. Em compensação, nossa defesa garantiu o segundo jogo sem ter suas redes balançadas. Melhor em campo no saldo geral da partida e com um pênalti em cima do Antonio Carlos ignorado, a vitória era bastante plausível. Em minha humilde opinião, a equipe considerou que o jogo estava fácil e foi presunçosa; com um pouco mais de dedicação, sairíamos da Vila Belmiro com os três pontos.

            Oswaldo tem acertado bem a equipe, mas na quarta demorou para fazer pelo menos uma substituição. Quando preciso, Jefferson fechou o gol com suas excelentes defesas. A dupla de zaga evoluiu, tendo levado apenas dois gols nos últimos quatro jogos. Lucas está bem e Márcio Azevedo, aprimorando ainda mais a marcação e tendo mais eficiência nos cruzamentos, sei não, mas está pintando a amarelinha! Renato voltou a jogar muito bem e, nos últimos três jogos, apresentou um repertório excelente de balões, chapéus e lençois. Lucas Zen tem sido peça importante, que ainda peca na marcação, mas atualmente é o melhor para a posição. Vitor Junior foi um que caiu muito de produção e seu gás tem feito falta nos contra-ataques fulminantes. Fellype Gabriel aos poucos retoma o bom futebol e com sequência de jogos pode ganhar a vaga. Andrezinho deixou de ser chinelinho para jogar quase sempre os 90 minutos e impulsionar a equipe no ataque. Para a estreia, foi razoável a atuação de Rafael Marques, que deixou de dominar algumas bolas que poderiam ter gerado perigo ao gol adversário; hoje, Elkeson é o centro-avante preferido! Melhora logo, Elkeson! E, Cidinho, chuta, carambola!!!

            Meu cartão de sócio-torcedor, desde maio, já está na mão. É importantíssimo que a galera se associe em peso a algum dos planos, pois vale a pena financeiramente; assim como é importantíssimo que ocorra uma mudança de postura no clube, permitindo poder de decisão aos sócio-torcedores para definirmos os rumos da Estrela Solitária! Até concordo que devemos incentivar a adesão dos torcedores aos planos. Contudo, isso não vem por meio do absurdo preço de R$60,00 no ingresso! Lembrando que o futuro Estádio Olímpico João Saldanha ou Nilton Santos foi construído com muitos recursos públicos...

            A estréia de Seedorf está confirmada para Domingo. Vamos lotar o Engenhão, pessoal! E que me desculpem os tricolores gaúchos, podem até comer um pedaço do bolo, mas Domingo a festa e os três pontos são nossos! Pra cima deles, Glorioso!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quinta-feira louca*

Há um bom tempo o Fogão não jogava numa quinta-feira à noite. E a primeira rodada do segundo turno, quando a arrancada precisa ser impulsionada, reservava, além desse dia, o Pacaembu e um badalado adversário, campeão paulista e da Copa do Brasil. Clássico de muita história, de clubes que formaram a base de Seleções Brasileiras campeãs mundiais e altamente equilibrado nas quantidades de vitórias para cada uma das equipes.

            Se os garotos da Vila claramente sentem a ausência de Ganso, Robinho e André; os rapazes de General Severiano lamentam os desfalques de Somália e Jóbson. À espera de muitos gols por conta do estilo ofensivo de Botafogo e Santos, o que prevaleceu foi a disciplina tática da defesa alvinegra, que conseguiu segurar o ímpeto santista. Quando a defesa vacilava, um elemento-surpresa mostrava por que é um dos melhores goleiros do país. 

            Os bem mais antigos que eu devem ter sentido falta dos clássicos de antigamente, quando erros grotescos de passe aconteciam, sem contar as pisadas e outras trapalhadas com a redondinha – Não falo da barriga do Joel! Nosso técnico continua enfrentando a fama de retranqueiro e hoje adaptou seu esquema à realidade do adversário, colocando Leandro Guerreiro e Marcelo Mattos para impossibilitar as investidas traquinas do time da Vila. Aos 39min do primeiro tempo, nosso zagueiro artilheiro Antonio Carlos foi puxado dentro da área, quando poderia ter feito seu sexto gol. Alessandro oscila momentos de altos e baixos e Marcelo Cordeiro segue sem acertar cruzamentos, inclusive feitos por meio dos escanteios. Fahel não comprometeu e até ajudou em alguns momentos, situação atípica; ainda prefiro o retorno de Lucio Flávio. E Renato Cajá, depois de alguns equívocos, acertou seu posicionamento e protagonizou bons momentos e disposição. Maicossuel continua sem o seu potencial de inspiração. E nosso guerreiro hermano, jogador que mais sofre faltas e o segundo que mais comete no Brasileirão 2010, recebeu novo cartão amarelo após resmungar da arbitragem, o que demonstra a garra do atual elenco. Caio novamente entrou bem no jogo, driblando, arriscando e sendo parado com pelo menos cinco faltas.

Quando a torcida sempre impaciente do Botafogo começava a dar sinais de insatisfação e eu próprio comentava a dificuldade dele jogar com os pés – o que é notório – nosso carismático El Loco Abreu mostrou sua estrela: domínio, lençol no fraco goleiro santista e bola nas redes, no final do jogo para garantir mais um placar de 1 x 0, mais três pontos fora de casa e ratificar a invencibilidade contra os paulistas na competição esse ano – três vitórias e quatro empates. E se a Vila não tem um paredão, nós contamos com Jefferson: sete importantes defesas e mais um jogo em que o Glorioso não sofre gol. Bacana a atitude de incentivo do elenco alvinegro, que ao final do jogo, cumprimentou e festejou loucamente com o uruguaio, consolidando essa quinta-feira louca.

Começamos bem o segundo turno, retornando ao G-4. Domingo é dia da torcida lotar o Engenhão para apoiar a Estrela Solitária contra mais um time paulista e prosseguirmos a ascensão, pois agora a reta é final.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985