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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Em defesa da garotada*

A semana iniciou-se com bons fluidos, com a presença de Túlio Maravilha em General Severiano, grande ídolo e um dos grandes responsáveis pela conquista do título nacional em 1995. Todavia, devido à frustrante atuação da semana anterior, o Engenhão recebeu pouco mais de 6.000 torcedores para acompanhar a última atuação do Glorioso como mandante nesse Campeonato Brasileiro. Interessante comparar que ano passado, quando o Fogão lutava para fugir do rebaixamento, a torcida compareceu em peso; esse ano, ainda com chances de conquistar uma vaga para a Taça Libertadores e com a equipe entre as melhores do país, apesar dos inúmeros constantes e importantíssimos desfalques, o estádio ficou vazio. Coisas incoerentes de torcedores no Brasil... Importante comentar também mais uma boa edição da revista Preliminar, inclusive contendo informação interessante sobre a promoção do clube da Estrela Solitária para publicar livros: “Meu livro do Fogão”. Quem sabe dessas linhas escritas durante 2010 para o blog Além do Trivial não sairá uma obra sobre o Alvinegro?

O adversário da 37ª rodada foi o Grêmio Prudente, ano passado Grêmio Barueri, e ano que vem já não sabemos qual será a cidade diante da saga itinerante adotada pelos empresários do futebol, que enriquecem mesmo sem criar vínculos do time muito menos sem torcedores para os jogadores contratados serem incentivados. Em diversas oportunidades, critiquei o comportamento da torcida alvinegra durante os jogos, pois a mesma se manifesta com muito maior empenho para reclamar, criticar e vaiar do que para cantar, aplaudir e incentivar a equipe. Concordo plenamente que jogadores como Lucio Flávio, Fahel, Marcelo Cordeiro e até mesmo Leandro Guerreiro têm falhado bastante e deixado a desejar, mas precisamos entender que Maicossuel, Herrera, Marcelo Mattos, Somália, Fabio Ferreira estão lesionados e desfalcaram a equipe. Na minha opinião, Joel Santana já deveria lançar a garotada prata-da-casa para os jogos há muito tempo, mas o Papai Joel é esperto e não quer queimar os garotos. A torcida do Botafogo precisa apoiar os jogadores criados nas categorias de base, uma ferramenta importante para não dependermos das contratações envolvendo milhares e até mesmo milhões de dólares e euros para montar uma equipe competitiva. Entretanto, perseguições ao lateral-esquerdo Gabriel e até mesmo durante a má fase ao xodó Caio são exemplos lastimáveis de parte considerável da torcida, em vez de apoiar a juventude promissora.

Com o ingresso comprado há quase duas semanas, parti contente para o Engenhão. Como estava vazio, enfim consegui posar à frente da estátua da Enciclopédia do Futebol, o melhor lateral-esquerdo da história do futebol e botafoguense Nilton Santos. Outro motivo de satisfação foi ver a prévia da escalação, com Caio como titular e o garoto Lucas Zen no plantel – este, além de ser cria do Fogão, é, assim como eu, ex-aluno do Colégio Pedro II [instituição que completa 173 anos neste 2 de dezembro]. Com o início do jogo e a ansiedade da torcida para comemorar logo um gol, que demorou a sair, de destaque apenas uma bela jogada de Caio para Lucio Flávio chutar e o goleiro adversário defender. Em seguida, com bela cobrança de córner, o maestro encontrou a cabeça do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos para abrir o placar e anotar seu sétimo gol na competição. Muito apagado na frente, num lance em que a torcida já se preparava para reclamar da demora em passar a bola, Edno acertou com sua canhota um belo chute de fora da área para ampliar a vantagem. Talvez a única jogada lúcida do atacante durante todo o jogo... No segundo tempo, apesar dos pedidos de mais um por parte da torcida, a equipe alvinegra parecia contente com o placar e jogava de maneira displicente. Afirmo com tranqüilidade que os dois melhores em campo eram Caio e Lucas Zen! Numa tarde em que nosso carismático atacante uruguaio não estava bem, palmas para ele por reconhecer as limitações da atuação e solicitar sua substituição. O lanterna da competição já havia diminuído o placar, quando mais um garoto – Alex – entrara para substituir El Loco. Em duas oportunidades de chutes atabalhoados, o jovem atacante mostrara disposição. Mas foi em bela jogada que partiu para cima da defesa adversário e sofreu pênalti. Com Loco e Lucio Flávio no banco, com categoria Marcelo Cordeiro fechou o placar em 3 x 1 para o Fogão, voltando a vencer na competição e garantindo os 3 pontos em seu último jogo como mandante.

Não sei se pelo adversário ou por pouca pressão principalmente de seus torcedores, mas o fraco jogo foi fácil para o Botafogo. Muito bacana ter visto do Setor Oeste Superior que no segundo tempo as Torcidas Fúria Jovem e Loucos Pelo Botafogo demonstraram que as organizadas pode se unir para realizar uma grande festa e fortalecer o apoio ao Botafogo! Uma dúvida que tem ficado é se o Botafogo treme diante de grande público ao seu favor ou se a impaciência e chatice de boa parte da torcida atrapalham o desempenho da equipe. Enfim, alcançamos 59 pontos, campanha inimaginável para diversos analistas do futebol, jornalistas e até mesmo para alguns torcedores pouco sonhadores. Temos uma tarefa homérica contra o Grêmio de Renato Gaúcho no próximo domingo, no Olímpico. Só a vitória nos interessa, além da necessidade de torcer pelos argentinos contra o rebaixado Goiás na final da Sul-Americana. A Arrancada Final ficou difícil, mas não impossível e a vaga para a disputa da Taça Libertadores será um grande desfecho para 2010. Pra cima deles, Fogão!


Obs.: alguém terá sentido falta do Jobson¿ Só percebi no segundo tempo, quando os jogadores se aqueciam, que nem no banco ele estava.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 6 de novembro de 2010

Comer pelas beiradas*


Em Rio das Ostras, já eram 17:30 de quarta-feira quando minha mãe me telefonou para avisar que eu precisaria estar às 14h do dia seguinte no Rio para escolha da escola onde lecionarei em breve em minha cidade natal. Infelizmente, não dava mais tempo de voltar a tempo de chegar ao Engenhão para mais um jogo do Glorioso e tive que rumar para a Rua do Shopping, onde pelo menos degustei uma suculenta porção de filet mignon com fritas. Queria muito me somar aos quase 20.000 torcedores presentes no Engenhão, principalmente numa semana em que a agora mais vibrante torcida alvinegra marcou presença inclusive nos treinos da equipe. Era a trigésima terceira rodada e um rubro-negro – dessa vez goiano – pelo caminho, com seu destino ainda incerto em relação à permanência na Série A ou a queda para a Série B.
                                                                                      
            Apesar de todas as limitações, os desfalques dos laterais Alessandro e Marcelo Cordeiro certamente atrapalharam, até mesmo porque ambos possuem bastante raça nas disputas de jogadas. O Papai Joel conseguiu readaptar o esquema com o polivalente Somália e o xodó Caio pelas alas. Além de mais esses dois desfalques, a escalação do trio de arbitragem tinha como protagonista Heber Roberto Lopes, o árbitro com uma pista de pouso de aeroporto de mosquito, que já tentara atrapalhar o brilho da Estrela Solitária. E, aos 15 min do primeiro tempo, o atacante uruguaio tocou a bola, antecipando-se ao zagueiro adversário, que o derrubou. Todos esperando o apito... E nada. Pênalti claro e claramente ignorado pelo árbitro. Num primeiro tempo em que apenas o Atlético-GO finalizara a gol em algumas oportunidades, todas sem trabalho para o paredão Jefferson, eis que o apoio maternal se fez presente. Jobson driblou, tocou para Marcelo Mattos, que cruzou na medida para o xodó enfim balançar as redes no Campeonato Brasileiro, em cabeceio estiloso, dedicando o gol para sua mãe, presente no Engenhão e com quem se reencontrara na rodada anterior após quatro anos. Um gol importantíssimo que mudou os rumos do jogo antes da descida para o vestiário e jogou a urucubaca que acompanhava Caio para longe! E vale destacar a atuação brilhante de Marcelo Mattos. Além do passe açucarado para o xodó, o cara desarmou, deu ótimos passes, marcou... Peça fundamental deste tabuleiro alvinegro!

            No intervalo, o fantasma das contusões forçou a substituição de nosso grande zagueiro Marcio Rosário, entrando Danny Morais em seu lugar. Logo aos 3 minutos da segunda etapa, Somália cruza, Fahel cabeceia de maneira atabalhoada, a zaga do Dragão realiza um momento Trapalhões e a bola sobra para Somália novamente, que, num toque, deixou Jobson livre para mandar uma bomba de esquerda para os fundos da rede e aumentar a vantagem! Outro que fez as pazes com o gol... Quinze minutos depois, momento crucial para novas pazes: Caio cobra lateral rapidamente e Lucio Flávio, após ser continuamente puxado pela camisa, deu um mergulho nota dez dentro da área. Dessa vez não houve cegueira ou desprezo por parte do árbitro. É pênalti para o Fogão, em cima do Maestro, que vem jogando abaixo das expectativas, mas que merece todo o apoio da torcida. Sem cavadinha, no meio do gol, El Loco anotou seu nono gol na competição. 3 x 0 para o Botafogo! Aos 31 minutos, Lucio Flavio deu lugar a Edno e... A torcida ovacionou o capitão: importante papel cumprido pelos torcedores numa conjuntura em que o apoio ao time é fundamental. Ainda houve tempo para Caio levar um soco do adversário mas não haver uma punição rigorosa e de eu quase acertar o placar que sugeri num Bolão no twitter: 4 x 0. Mas... o gol do zagueiro artilheiro Antonio Carlos – que voltara ao time em ótimas condições depois de um período no Departamento Médico – foi anulado. E, num certeiro cruzamento de Jobson, El Loco cabeceou com estilo, mas desviou no zagueiro antes de ir à linha de fundo. Com três gols de vantagem e secando o Fluminense no jogo contra o Internacional, houve tempo apenas para certos fantasmas darem a cara – o da contusão e o do cochilo alvinegro! Aos 40 minutos, Somália saiu machucado para a entrada de Renato Cajá. Três minutos antes, Juninho diminuiu o placar após driblar Leandro Guerreiro e seu chute desviar em Danny Morais, enganando Jefferson. Aos 47 minutos, com o meio-campo totalmente voltado para o ataque, Robston entrou sozinho pelo meio para chutar com força e fazer o segundo gol dos goianos. Havia quatro partidas que o Botafogo não sofria gols...

            Enfim, a vitória foi confirmada. Terceira consecutiva e onze jogos de invencibilidade. Cinqüenta e quatro pontos. Com os resultados da rodada, a quatro pontos do líder Fluminense, faltando quinze pontos para disputar. É fundamental que a sequência de vitórias prossiga, pois estamos três vitórias atrás do líder e esse é o primeiro critério de desempate. Enquanto isso, é bom deixarmos nosso recado para a mídia: continuem menosprezando o Botafogo! Preferimos assim, pois o bicampeonato será ainda melhor vindo no estilo da criança comendo mingau ou do botafoguense Zeca Pagodinho: pelas beiradas e bem devagarzinho. Agora que a possibilidade de título é iminente, – projeção que eu já aponto desde a 12ª rodada aqui no blog – colocam o Fogão nas manchetes para vender jornais. Nossa Estrela Solitária tem luz própria e só precisa ser exaltada pela própria torcida! A Arrancada Final continua e os três primeiros já enxergam a totalidade de nosso rastro pelo retrovisor!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 9 de outubro de 2010

De grão em grão*


28ª rodada do Campeonato Brasileiro. De um lado, nosso Fogão, que não perdera nenhuma partida para os times paulistas; do outro, o Guarani, que não perdera nenhuma para os times cariocas. Por conta dos compromissos profissionais, quinto jogo assistido na cidade de Rio das Ostras e dessa vez o pastel foi substituído por uma porção de batata frita e suco de laranja. Além da comentada, conturbada, especulada e polêmica ausência de Jobson, nosso paredão Jefferson estava ausente devido aos jogos da Seleção Brasileira e o zagueiro de penteado exótico Fabio Ferreira cedido ao Departamento Médico por seis meses.

            Prata da casa e mais uma vítima da impaciência da torcida alvinegra, o goleiro Renan demonstrou, com apenas 2 minutos de jogo, que está à altura e preparado para substituir o melhor goleiro em atividade no país – Jefferson. Enquanto a zaga, com o retorno de Antonio Carlos e a entrada dos ex-reservas Danny Morais e Marcio Rosário buscava entrosamento, Fahel não comprometia e Leandro Guerreiro, com a raça e dedicação que lhe são peculiares, continuava apresentando seguro e bom futebol, inclusive arriscando subidas ao ataque. Somália tem lembrado os seus primeiros jogos no Botafogo, errando passes curtos, cruzamentos e dribles, ou seja, caiu demasiadamente de produção. No ataque, contávamos com o retorno da dupla Mercosul; e no meio, Túlio Souza e Lucio Flávio não repetiam a boa atuação contra a urubuzada. Com o cochilo da defesa e gol de cabeça do Barbosa aos 26 minutos, Joel Santana esperou apenas três minutos para sacar Túlio Souza, que obviamente saíra chateado, para a entrada do Edno, que há duas partidas também tem estado mal. O Guarani ainda pressionou aos 33 minutos, para nova defesa de Renan, até que o ataque Mercosul repetira jogada contra o Corinthians: cruzamento de Herrera para a mortal cabeceada do tsunami na área El Loco Abreu. 1 x 1 termina o primeiro tempo, mesmo placar da partida no Engenhão, do primeiro turno.

            Vindo o segundo tempo, o alviverde paulista quase desempatou, esbarrando em Renan aos 9 minutos e passando rente ao travessão aos 14 minutos. Um minuto depois, contra-ataque alvinegro. Herrera e Loco contra dois adversários e o goleiro, mas o argentino preferiu arriscar da entrada da área em vez de passar para o uruguaio. Aos 17 minutos, Herrera corria em direção ao ataque; por trás, o adversário dá uma cutucada de leve e o goleiro vem pela frente na bola: queda do argentino e ombro machucado, forçando sua substituição pelo garoto Caio, que voltou a incendiar a partida ao entrar no segundo tempo. Aos 28 minutos, jogada de craque driblando os adversários e chutando para que a bola caprichosamente esbarrasse na trave... O menino está mesmo azarado! Sete minutos depois da trave, Somália enfim acertou uma: lançou bem forte, mas com muita velocidade Caio alcançou e cruzou rasteiro para El Loco, que se desdobrou todo para chutar para fora de esquerda em vez de bater direto com a perna direita. Joel ainda substituiu Lucio Flávio para a entrada de Renato Cajá, que entraria sozinho, cara a cara com o goleiro e novamente deixaria de usar a perna direita para a tentativa ao gol, aos 41 minutos. No finalzinho do jogo, o então capitão Leandro Guerreiro cometeu falta providencial e levou o terceiro cartão amarelo, ocasionando mais um desfalque para o jogo contra o Palmeiras.

            Enfim, foi o sexto empate consecutivo do Alvinegro. Se, por um lado, não perdemos há seis rodadas; por outro, não vencemos há sete. Mantivemos a invencibilidade contra os paulistas e repetimos o resultado do primeiro turno. Foi o sétimo jogo com o placar de 1 x 1 e o 13º empate na competição. Dizem que de grão em grão a galinha enche o papo... Mas, nesse ritmo, não será possível acreditarmos no título. Como Fluminense e Corinthians foram derrotados nessa rodada, estamos a 9 pontos da primeira colocação e ainda há trinta pontos em disputa. No primeiro turno, nos 9 primeiros jogos, tínhamos 10 pontos; no segundo, estamos com 12 nos mesmos 9 confrontos. É preciso voltar a vencer e impulsionar o sprint final rumo ao bi. Amanhã vamos que vamos em peso para o Engenhão! Dá-lhe, Fogão!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bode expiatório ou garfada violenta?*


Depois de 1 vitória e 2 empates em jogos assistidos em Rio das Ostras, quarta-feira à noite era o momento de acompanhar o quarto jogo do Glorioso pelo Centro da cidade da Costa do Sol. Embora nosso último jogo no estádio trouxesse boas recordações, o prenúncio era assustador: o Timão vinha de 11 vitórias em 12 jogos realizados no Pacaembu. Enquanto as dificuldades por conta da suspensão de Jobson e do não pagamento da multa para o Edno poder jogar apareciam, a superstição poderia ser um trunfo nosso: 13º jogo do Corinthians em casa. E quem é o nosso camisa 13? O ataque Mercosul estava de volta à ativa. Colocando os prós e contras, dirigi-me animado para o jogo, com a sensação de vitória! Cheguei 16 minutos atrasados e o placar já apontava 1 x 0 para o adversário.

            Dez minutos depois, uma arisca jogada do Fogão: Lucio Flávio para Herrera, que cruza e... TSUNAMI NA ÁREA!!! Lá estava nosso uruguaio para empatar a partida e marcar seu sexto gol em seis jogos, dessa vez usando com muita categoria o fundamento do cabeceio. Com o empate, o Botafogo cresceu e é muito bom ver a disposição, a garra, a energia com as quais os dois atacantes gringos vão para os jogos. Enquanto a defesa do Botafogo ainda oscila demasiadamente, com momentos de total passividade, ficamos preocupados. Mas a maior preocupação nesse jogo de 29 de setembro não foi a defesa, que inclusive poderia ter protagonizado um golaço. Aos 37 minutos, Fabio Ferreira foi lançado e partia para a área adversária, sozinho, sem marcação, quando o defensor corinthiano acertou um carrinho e seria expulso! Porém, havia uma bandeirinha no meio do caminho! Impedimento equivocado.

            Em homenagem à vitória que parecia premente contra a paulistada, fui comer um pastel no intervalo. E com 3 minutos, os botafoguenses presentes na rua do shopping, junto aos tricolores cariocas, comemoravam a virada com o gol de Herrera. Entretanto, havia outra bandeirinha no meio do caminho! Novo absurdo a favor dos gambás! Prejuízo para o Botafogo, que prosseguia com jogadas aéreas. Herrera parecia ter aprendido com El Loco o fundamento do cabeceio e obrigou o goleiro do Corinthians a fazer ótima defesa. Depois disso, mesmo com a entrada de Renato Cajá no lugar do argentino e de Caio no lugar do Lucio Flavio, o Botafogo encolheu. O Corinthians pressionava e parecia mais próximo do desempate, mas tínhamos o paredão da Seleção Brasileira em nosso gol, que só parou com uma entrada do atacante corinthiano para derrubá-lo ao chão. Jefferson teve que jogar a bola à lateral para ser atendido pelo Departamento Médico. E qual foi a atitude dos gambás pelegos da Confederação Brasileira de Futebol??? Contrariando toda a lógica proposta do fair play, cobraram o lateral e partiram para o ataque, sem devolver a bola para o Botafogo! É um TIMINHO!

            Não bastassem os dois absurdos impedimentos, ainda acompanhamos o árbitro dar cartão amarelo para o Antonio Carlos, contundido e no chão. Cena inédita! Nos minutos finais, o Botafogo reacendeu suas chamas e teve duas oportunidades para concretizar a virada e conquistar mais uma vitória contra os paulistas, contra quem temos total invencibilidade nesse Campeonato Brasileiro. Todavia, na primeira delas, Somália se precipitou e chutou nas mãos do goleiro adversário. Na segunda delas, o garoto Caio arrancou após cobrança rápida de falta marcada sobre o Alessandro – que culminaria num contra-ataque ótimo – mas quis caprichar demais, driblar e marcar de fora da área. O árbitro, desesperado com a possibilidade de derrota do Corinthians, decretou o final do jogo: 1 x 1.

            O que temos acompanhado nos últimos dias é uma tentativa desenfreada de crucificar o xodó Caio pelo empate. Pera lá! Há muito tempo não temos jovens revelados pelo clube sendo tão bem aproveitados como o Caio e as palavras dele expressam a boa vontade da juventude, muitas vezes inexperiente: “Só quis ajudar!”. A torcida do Botafogo não pode entrar nesse clima de perseguição, querendo arrumar um bode expiatório! A grande culpa por não termos vencido a partida está atrelada à CBF, ao Ricardo Teixeira, ao Andrés Sanchez: foi o trio de arbitragem. Que os adversários não venham com histórias da carochinha de chororôs: o que presenciamos em São Paulo foi uma baita garfada violenta!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães*


Depois de mais uma aprontada pela Prefeitura de Rio das Ostras, que trocou por sábados letivos os pontos facultativos de segundas-feiras, tive que assistir ao jogo do Fogão num quiosque na Praia do Centro. Pela terceira vez nesse Brasileirão, fiquei na torcida a cerca de 180 km de distância do Engenhão. Era a 25ª rodada e o jogo de ida contra o Atlético-PR não trazia boas recordações, pois o Glorioso permitira a virada após abrir dois gols de vantagem no primeiro tempo. O conjunto de desfalques era outra preocupação para esse jogo e a torcida também desfalcou, comparecendo com pouco peso. Na própria entrada para o campo, atitude bacana do elenco, ao carregar a faixa “Força, Maicosuel, estamos contigo!”.

            Apesar de muitas mudanças na equipe, o entrosamento inicialmente aparentou estar em dia. Com 22 minutos, uma excelente e habilidosa tabelinha entre Jobson e Túlio Souza desencadeou dribles do ousado atacante alvinegro dentro da área, que apenas escorou para o canhotinho Edno não vacilar e marcar 1 x 0. Infelizmente, a ligação entre os setores permanece complicada: em diversos momentos, o Botafogo tem a bola no campo de ataque e atrasa para a defesa dar chutões e contar com a sorte de sair alguma boa jogada. No primeiro tempo, mais uma vez tivemos de enfrentar os equívocos dos auxiliares ou bandeirinhas. Numa cabeçada para trás do jogador atleticano, a bola sobrara livre para Jobson, que rumava para ficar frente a frente com o goleiro Neto. Equivocadamente, foi marcado o impedimento, em jogada que talvez definisse algum vitorioso no duelo entre os goleiros convocados por Mano Menezes, ambos em ação no Engenhão. Os passes errados no meio são outro problema seríssimo. E num deles, o Atlético-PR armou o contra-ataque e obrigou nosso paredão Jefferson a mostrar serviço e o porquê de estar na Seleção Brasileira! A mania de se jogar em lances polêmicos e abrir mão da tentativa de gol ainda é hegemônica entre os atacantes. E a fantasia pouco antes de terminar a etapa inicial custou um cartão amarelo a Jobson e sua suspensão para o jogo seguinte.

            O jogo demonstrava que temos bons jogadores e, com mais atenção e cautela, é possível vencer os jogos, mesmo desfalcado. Lucio Flávio subiu de produção e ainda é uma excelente opção para jogar uns 60 minutos. O meia até deu carrinho para disputar a bola! Edno se movimentou muito bem e armou boas jogadas e dribles pretensiosos. A entrada de Paulo Baier é sempre preocupante; ele adora aprontar contra o Fogão. Enquanto o Atlético-PR tinha facilidade em cima da lentidão do cansado Túlio Souza e do limitadíssimo Fahel, contávamos com a segurança do Jefferson e a falta de pontaria do adversário. Caio e Renato Cajá fornecem maior movimentação, mas precisam de maior eficiência com a bola nos pés. Apesar dos diversos problemas, os 3 pontos se aproximavam cada vez mais, até que... Elizeu, que acabara de entrar, errou um passe primário – desses que são ensinados em escolinhas para crianças de 6 anos de idade – e possibilitou um contra-ataque do rubro-negro paranaense: Guerrón passou facilmente por Fabio Ferreira e chutou quase sem ângulo para empatar a partida nos minutos finais. Só deu tempo para o detalhe, o azar, o quase... surgir como protagonista. Numa sobra de bola na entrada da área, chute (quase) perfeito do garoto Caio... Quase comemoramos, mas a bola caprichosamente espancou o travessão, ratificando o décimo empate no campeonato. Ah, se essa bola tivesse entrado, se o Elizeu não tivesse errado o passe, se o impedimento não fosse marcado...

            Como não podemos nos submeter à lógica do Quase ou Se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães, não adianta lamentarmos os problemas, os desfalques, as suspensões, os erros de arbitragem (impressionante, voltaram a acontecer todo jogo) e a desatenção e o cochilo da equipe nos momentos finais. É preciso acertar onde os equívocos têm acontecido e ficar acordado de verdade até o apito final. Todavia, contrariando os torcedores pessimistas, o sonho do título ainda é muito possível e temos de apoiar para torná-lo real. Nas seis primeiras rodadas do primeiro turno, o Botafogo conquistara 8 pontos; nesse segundo turno, são 9. Nossa arrancada começou contra o Vitória, na 12ª rodada, após uma sequência de 3 empates...

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 18 de setembro de 2010

Meus pintinhos, venham cá!*


Já era previsto. Não falo do resultado do jogo – ainda. Mas da quantidade de torcedores presentes. Depois de uma exagerada derrota para o Goiás e diante da ameaça de chuva, pouco mais de 16.000 torcedores estiveram presentes no Engenhão. Ainda temos muitos adeptos da Sofá-Fogo! Embalado pelo verso Experimente tomar banho de chuva... fui acompanhar a disputa momentânea pela terceira colocação no Campeonato Brasileiro no Estádio em que o Fogão defendia sua invencibilidade. A equipe cruzeirense tem ascendido bem no Brasileirão, é séria candidata ao título (a meu ver, mais que Corinthians e Fluminense e tanto quanto Botafogo e Internacional), tem ótimos jogadores e um técnico que dificilmente deixarei de gostar.

            Foi notória a mudança de postura da equipe e o crescimento em qualidade e disposição com o retorno de Somália. No jogo de hoje, o técnico Joel Santana vacilou em alguns momentos. O principal dos vacilos é a manutenção do jogador Fahel na equipe. Se ele tem contrato com o clube, coloquem-no para jogar o torneio sub-23! Joel, tira o Fahel! Sem dúvida foi a mais correta ponderação dos torcedores presentes.  Edno deveria ter iniciado como titular, mas Joel o colocou no lugar do Renato Cajá! Alguém entende por que não sacou o Fahel? Danny Moraes não comprometeu e o considero um bom reserva. A ligação entre os setores do Alvinegro ainda deixa bastante a desejar: algumas reposições equivocadas de Jefferson e muitos chutões dos zagueiros para que os atacantes se virem. Um jogador em especial tem crescido bastante durante a ascensão da Estrela Solitária: perseguido em outros momentos, Alessandro tem feito ótimas partidas e hoje foi premiado com um golaço, de muita categoria e tranqüilidade. Óbvio que ainda comente algumas falhas, mas o Cabeçudo tem muita raça. 1 x 0 para o Fogão com poucos minutos do primeiro tempo.

            Além da qualidade do adversário, tivemos de lidar com as falhas excessivas da pista de pouso de mosquito, o árbitro paranaense Héber Roberto Lopes, que deixou de marcar inúmeras faltas a nosso favor. Após o intervalo, parecia que Caio tinha brincado de Meus pintinhos, venham cá, respondendo tenho medo da Raposa! Num pênalti infantil cometido pelo atacante, veio o empate mineiro. Minutos depois, nova perda de bola do xodó. Enquanto Papai Joel mantinha nosso Hermano no banco, o indigesto argentino cruzeirense passou fácil ao passo que a defesa alvinegra cochilava e mandou para os fundos da rede de Jefferson, que simplesmente pôde assistir ao golaço alheio. Quanto tudo parecia caminhar para a derrota, o time enfim despertou, Maicossuel mostrou que pode desequilibrar ao ousar e abusar nos dribles e sofreu o pênalti para nosso carismático atacante converter. El Loco, enfim de esquerda, marcou seu quarto gol em quatro jogos. A torcida também acordou e tentou impulsionar o Glorioso, que partiu para cima. Todavia, saímos derrotados na disputa pela medalha de bronze provisória. Mas valeu pelo esforço, pela manutenção da invencibilidade em casa e pelo jogo, que foi bem disputado!

            Antes de finalizar, três questões. A primeira delas é a cisma dos jogadores de futebol de pararem em determinados lances aguardando a marcação do árbitro. Que amadorismo! É preciso correr atrás da bola, principalmente em lances de perigo. Se ouvir o apito depois, ótimo. Em segundo lugar, sei que a torcida alvinegra é impaciente em demasia. E que aqui no Brasil ocorrem vaias para times que estão entre as primeiras colocações. Irônico? Mas o garoto Caio não pode ter síndrome neymariana. Não devemos culpabilizá-lo pelo empate, tampouco o mesmo pode  fazer gestos obscenos quando os torcedores o criticarem! Por fim, não saio triste com o empate de hoje: pior foi termos perdido por 1 x 0 para o Cruzeiro no Mineirão no primeiro turno, num jogo em que o Botafogo foi bem superior mas desperdiçou inúmeras oportunidades, inclusive um pênalti.

            O líder Corinthians está seis pontos à frente, com um jogo a menos. Restam ainda 15 rodadas e temos condições plenas de alcançar e ultrapassar os atuais três primeiros colocados. Após o empate de hoje – sétimo no Engenhão – Joel precisa reorganizar a equipe, que tende a melhorar com o retorno progressivo dos que estavam no Departamento Médico. Com o fundamental e imprescindível apoio da torcida, podemos vencer o Bacalhau e o Atlético-PR e recuperar a confiança para disputar o título.


Obs: em tempo, bacana a iniciativa da diretoria ao lançar a Revista Preliminar.
 
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quinta-feira louca*

Há um bom tempo o Fogão não jogava numa quinta-feira à noite. E a primeira rodada do segundo turno, quando a arrancada precisa ser impulsionada, reservava, além desse dia, o Pacaembu e um badalado adversário, campeão paulista e da Copa do Brasil. Clássico de muita história, de clubes que formaram a base de Seleções Brasileiras campeãs mundiais e altamente equilibrado nas quantidades de vitórias para cada uma das equipes.

            Se os garotos da Vila claramente sentem a ausência de Ganso, Robinho e André; os rapazes de General Severiano lamentam os desfalques de Somália e Jóbson. À espera de muitos gols por conta do estilo ofensivo de Botafogo e Santos, o que prevaleceu foi a disciplina tática da defesa alvinegra, que conseguiu segurar o ímpeto santista. Quando a defesa vacilava, um elemento-surpresa mostrava por que é um dos melhores goleiros do país. 

            Os bem mais antigos que eu devem ter sentido falta dos clássicos de antigamente, quando erros grotescos de passe aconteciam, sem contar as pisadas e outras trapalhadas com a redondinha – Não falo da barriga do Joel! Nosso técnico continua enfrentando a fama de retranqueiro e hoje adaptou seu esquema à realidade do adversário, colocando Leandro Guerreiro e Marcelo Mattos para impossibilitar as investidas traquinas do time da Vila. Aos 39min do primeiro tempo, nosso zagueiro artilheiro Antonio Carlos foi puxado dentro da área, quando poderia ter feito seu sexto gol. Alessandro oscila momentos de altos e baixos e Marcelo Cordeiro segue sem acertar cruzamentos, inclusive feitos por meio dos escanteios. Fahel não comprometeu e até ajudou em alguns momentos, situação atípica; ainda prefiro o retorno de Lucio Flávio. E Renato Cajá, depois de alguns equívocos, acertou seu posicionamento e protagonizou bons momentos e disposição. Maicossuel continua sem o seu potencial de inspiração. E nosso guerreiro hermano, jogador que mais sofre faltas e o segundo que mais comete no Brasileirão 2010, recebeu novo cartão amarelo após resmungar da arbitragem, o que demonstra a garra do atual elenco. Caio novamente entrou bem no jogo, driblando, arriscando e sendo parado com pelo menos cinco faltas.

Quando a torcida sempre impaciente do Botafogo começava a dar sinais de insatisfação e eu próprio comentava a dificuldade dele jogar com os pés – o que é notório – nosso carismático El Loco Abreu mostrou sua estrela: domínio, lençol no fraco goleiro santista e bola nas redes, no final do jogo para garantir mais um placar de 1 x 0, mais três pontos fora de casa e ratificar a invencibilidade contra os paulistas na competição esse ano – três vitórias e quatro empates. E se a Vila não tem um paredão, nós contamos com Jefferson: sete importantes defesas e mais um jogo em que o Glorioso não sofre gol. Bacana a atitude de incentivo do elenco alvinegro, que ao final do jogo, cumprimentou e festejou loucamente com o uruguaio, consolidando essa quinta-feira louca.

Começamos bem o segundo turno, retornando ao G-4. Domingo é dia da torcida lotar o Engenhão para apoiar a Estrela Solitária contra mais um time paulista e prosseguirmos a ascensão, pois agora a reta é final.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 4 de setembro de 2010

Sonambulismo, balanço e perspectivas para o segundo turno*

Nunca é legal retornar do Engenhão sem a conquista dos três pontos referentes à vitória. Contudo, sou daqueles torcedores que vão ao Estádio para apreciar e torcer pelo time. O resultado é conseqüência do bom futebol apresentado. Mais um jogo do Fogão em um sábado à noite, dia de repouso e folia para muitas pessoas, não necessariamente nessa mesma ordem. É um horário não muito bom em termos de mídia e divulgação, mas prazeroso para a torcida e jogadores por não estarem sob um calor escaldante e terem a opção – no caso dos torcedores – de curtir uma festa ou ir para casa curtir a família.

Última rodada do primeiro turno. Obviamente, nunca estamos satisfeitos e essa é uma característica importante do ser humano para poder avançar, superar, melhorar e transformar o quadro anteriormente apresentado. Fechamos com 31 pontos dos 57 disputados, um aproveitamento de pouco mais que 54%. Muito melhor que os anos anteriores, mas ainda aquém do que podemos alcançar no Campeonato Brasileiro desse ano. Voltarei a comentar sobre o papel que a torcida pode cumprir.

Durante a semana, a mídia supervalorizou a polêmica em torno dos gestos de El Loco após ser substituído por Joel no jogo contra o Grêmio Prudente. Se repararmos bem, em vários momentos, as notícias sobre o clube da Estrela Solitária são reduzidas nas manchetes a fim de favorecer notícias dos demais clubes do Rio de Janeiro, mesmo com a campanha do Fogão sendo a segunda melhor do Estado. Deixando de lado a possibilidade de mania de perseguição, mas sendo realista com o cotidiano que se apresenta nas telinhas e nos jornais, isso é um elemento que pode desestabilizar. Somado às ausências de Jobson e Somália e aos momentos de sonambulismo que alguns jogadores insistem em apresentar, deixamos escapar uma vitória que aparentava ser tranqüilamente possível nesse dia 4 de setembro, contra o Grêmio gaúcho.

Os primeiros trinta minutos foram excelentes. Cruzamento perfeito de Maicossuel na cabeça do zagueiro artilheiro Antônio Carlos. Boa troca de passes: Maicossuel para Herrera. Ótimo passe do argentino para Marcelo Mattos, que devolve com perfeição para Herrera mandar para qualquer outro lugar o apelido de QuaseGol. 2 x 0 para o Fogão. Também bastante aquém do que pode fazer, a festa da torcida contou com pouco mais de 20.000 botafoguenses, que em alguns momentos entoaram o pedido de Mais Um! Mas foi o adversário quem atendeu nossos pedidos. Em cochilada grotesca dos zagueiros com apenas oito minutos da segunda etapa, Jonas chutou numa situação totalmente desprevenida para o melhor goleiro do Brasil, que, em seu duelo com Vitor, também acabou no empate! O Botafogo ainda foi para o ataque e desperdiçou pelo menos quatro oportunidades para ampliar a vantagem. E novamente pecou no final do jogo. Numa falta inexistente marcada a favor do Grêmio, cruzamento para Jonas novamente, dessa vez de cabeça, aparecer sozinho e decretar o empate. Sei reconhecer quando há favorecimento – raríssimo acontecer para a gente – mas é preciso declarar que a arbitragem no segundo tempo se atrapalhou em muitos lances. Entre os técnicos, o príncipe do Rio Renato Gaúcho armou para cima de Joel, que se auto-declarara O Rei e ficou com a pior no duelo. O Glorioso cochila mais uma vez diante de um time gaúcho... E ainda bem que só há dois nesse torneio!

Algumas lições desse primeiro turno podem e devem ser tiradas para a arrancada final que começa na próxima quinta-feira, fora de casa, contra a badalada equipe santista e espero que algumas delas estejam na prancheta do Joel. O ataque Mercosul tem batido cabeça, mas o que mais tem feito falta é uma ligação coesa entre os três setores. São muitos chutões improdutivos dos zagueiros e de Jefferson diretos para o ataque. E há qualidade no time para sair jogando. Apesar de não ter comprometido no jogo de hoje, Fahel não tem condições de ser titular. Com o time trabalhando a posse de bola, Lucio Flavio tem que retornar ao time titular. Por conta da forma física, temos opções para entrar em seu lugar no segundo tempo. Marcelo Cordeiro precisa ser barrado. Em seu lugar, pode-se retornar, mesmo torto, com Somália; ou ousar lançando o Edno como ala. O garoto Caio entrou muito bem e junto com Renato Cajá – que precisa aprender a chutar com a perna direita – darão trabalho para os adversários no segundo tempo, pois a rapaziada entra descansada e com muita disposição para mostrar seu trabalho. Resta-nos também torcer pela recuperação de Jobson, pois temos bons frutos a colher nesse segundo turno.

Sobre a torcida, é preciso maior paciência. Quando o time cochila, é tarefa nossa impulsionar para que eles acordem e possamos participar mais ativamente do resultado! Há espaços para criticar, para se incomodar e até mesmo vaiar. Entretanto, isso não pode acontecer no meio do jogo. Nosso incentivo é fundamental! Ainda estamos posicionados para garantir uma vaga na Libertadores de 2011. Os que estão à nossa frente irão se distanciar um pouco mais, mas nada alarmante. A briga pelo título é possível e devemos auxiliar no caminho a cada rodada.

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985