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sábado, 6 de novembro de 2010

Comer pelas beiradas*


Em Rio das Ostras, já eram 17:30 de quarta-feira quando minha mãe me telefonou para avisar que eu precisaria estar às 14h do dia seguinte no Rio para escolha da escola onde lecionarei em breve em minha cidade natal. Infelizmente, não dava mais tempo de voltar a tempo de chegar ao Engenhão para mais um jogo do Glorioso e tive que rumar para a Rua do Shopping, onde pelo menos degustei uma suculenta porção de filet mignon com fritas. Queria muito me somar aos quase 20.000 torcedores presentes no Engenhão, principalmente numa semana em que a agora mais vibrante torcida alvinegra marcou presença inclusive nos treinos da equipe. Era a trigésima terceira rodada e um rubro-negro – dessa vez goiano – pelo caminho, com seu destino ainda incerto em relação à permanência na Série A ou a queda para a Série B.
                                                                                      
            Apesar de todas as limitações, os desfalques dos laterais Alessandro e Marcelo Cordeiro certamente atrapalharam, até mesmo porque ambos possuem bastante raça nas disputas de jogadas. O Papai Joel conseguiu readaptar o esquema com o polivalente Somália e o xodó Caio pelas alas. Além de mais esses dois desfalques, a escalação do trio de arbitragem tinha como protagonista Heber Roberto Lopes, o árbitro com uma pista de pouso de aeroporto de mosquito, que já tentara atrapalhar o brilho da Estrela Solitária. E, aos 15 min do primeiro tempo, o atacante uruguaio tocou a bola, antecipando-se ao zagueiro adversário, que o derrubou. Todos esperando o apito... E nada. Pênalti claro e claramente ignorado pelo árbitro. Num primeiro tempo em que apenas o Atlético-GO finalizara a gol em algumas oportunidades, todas sem trabalho para o paredão Jefferson, eis que o apoio maternal se fez presente. Jobson driblou, tocou para Marcelo Mattos, que cruzou na medida para o xodó enfim balançar as redes no Campeonato Brasileiro, em cabeceio estiloso, dedicando o gol para sua mãe, presente no Engenhão e com quem se reencontrara na rodada anterior após quatro anos. Um gol importantíssimo que mudou os rumos do jogo antes da descida para o vestiário e jogou a urucubaca que acompanhava Caio para longe! E vale destacar a atuação brilhante de Marcelo Mattos. Além do passe açucarado para o xodó, o cara desarmou, deu ótimos passes, marcou... Peça fundamental deste tabuleiro alvinegro!

            No intervalo, o fantasma das contusões forçou a substituição de nosso grande zagueiro Marcio Rosário, entrando Danny Morais em seu lugar. Logo aos 3 minutos da segunda etapa, Somália cruza, Fahel cabeceia de maneira atabalhoada, a zaga do Dragão realiza um momento Trapalhões e a bola sobra para Somália novamente, que, num toque, deixou Jobson livre para mandar uma bomba de esquerda para os fundos da rede e aumentar a vantagem! Outro que fez as pazes com o gol... Quinze minutos depois, momento crucial para novas pazes: Caio cobra lateral rapidamente e Lucio Flávio, após ser continuamente puxado pela camisa, deu um mergulho nota dez dentro da área. Dessa vez não houve cegueira ou desprezo por parte do árbitro. É pênalti para o Fogão, em cima do Maestro, que vem jogando abaixo das expectativas, mas que merece todo o apoio da torcida. Sem cavadinha, no meio do gol, El Loco anotou seu nono gol na competição. 3 x 0 para o Botafogo! Aos 31 minutos, Lucio Flavio deu lugar a Edno e... A torcida ovacionou o capitão: importante papel cumprido pelos torcedores numa conjuntura em que o apoio ao time é fundamental. Ainda houve tempo para Caio levar um soco do adversário mas não haver uma punição rigorosa e de eu quase acertar o placar que sugeri num Bolão no twitter: 4 x 0. Mas... o gol do zagueiro artilheiro Antonio Carlos – que voltara ao time em ótimas condições depois de um período no Departamento Médico – foi anulado. E, num certeiro cruzamento de Jobson, El Loco cabeceou com estilo, mas desviou no zagueiro antes de ir à linha de fundo. Com três gols de vantagem e secando o Fluminense no jogo contra o Internacional, houve tempo apenas para certos fantasmas darem a cara – o da contusão e o do cochilo alvinegro! Aos 40 minutos, Somália saiu machucado para a entrada de Renato Cajá. Três minutos antes, Juninho diminuiu o placar após driblar Leandro Guerreiro e seu chute desviar em Danny Morais, enganando Jefferson. Aos 47 minutos, com o meio-campo totalmente voltado para o ataque, Robston entrou sozinho pelo meio para chutar com força e fazer o segundo gol dos goianos. Havia quatro partidas que o Botafogo não sofria gols...

            Enfim, a vitória foi confirmada. Terceira consecutiva e onze jogos de invencibilidade. Cinqüenta e quatro pontos. Com os resultados da rodada, a quatro pontos do líder Fluminense, faltando quinze pontos para disputar. É fundamental que a sequência de vitórias prossiga, pois estamos três vitórias atrás do líder e esse é o primeiro critério de desempate. Enquanto isso, é bom deixarmos nosso recado para a mídia: continuem menosprezando o Botafogo! Preferimos assim, pois o bicampeonato será ainda melhor vindo no estilo da criança comendo mingau ou do botafoguense Zeca Pagodinho: pelas beiradas e bem devagarzinho. Agora que a possibilidade de título é iminente, – projeção que eu já aponto desde a 12ª rodada aqui no blog – colocam o Fogão nas manchetes para vender jornais. Nossa Estrela Solitária tem luz própria e só precisa ser exaltada pela própria torcida! A Arrancada Final continua e os três primeiros já enxergam a totalidade de nosso rastro pelo retrovisor!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 14 de agosto de 2010

Ainda é pouco*

Pelo nosso caminho, o lanterna do Brasileirão, que já perdera para Vasco, Fluminense e Flamengo. Por sinal, o Rio de Janeiro vive um bom momento no cenário nacional. Fizemos nosso dever, dessa vez fora de casa, mas com uma presença muito maior da torcida alvinegra no Estádio Serra Dourada. Outro adversário com o mando de campo – e rubro-negro – batido pelo Fogão. Terceira vitória consecutiva e já são seis rodadas de invencibilidade. Também é a terceira vitória como visitante, retrospecto importantíssimo para quem aspira as primeiras posições na tabela.

            O primeiro tempo foi extremamente morno. Um ou outro drible, mais por iniciativa de Jobson. Mas ainda faltava seria necessária maior precisão. Teria colocado o Caio no lugar de Herrera, que ainda não está em dia com as finalizações. Mas foi o guerreiro argentino quem, num belo passe de peito, como se jogasse uma partida de futevôlei, entregou a bola também no peito do incansável e batalhador Somália – que já xinguei muito nos primeiros jogos e duvidei de um futebol sequer fraco – para se esticar e fazer 1 x 0 para o Alvinegro. Com o gol, houve um recuo exagerado da equipe, que bateu cabeça em alguns momentos na defesa. Felizmente continuamos contando com a precisa, tranqüila e segura presença do melhor goleiro do Brasil: Jefferson! Em mais uma bobeada do time adversário, em lance rápido do Botafogo, Maicossuel lançou Jobson, que fingiu chutar, driblou o goleiro e marcou seu quarto gol no Campeonato. Tem tudo para ser o artilheiro e em breve estar na Seleção! Os gols forneceram direito às dancinhas, de certa forma desengonçadas e mal ensaiadas, dos rapazes de General Severiano, que prosseguem a ascensão do Glorioso! Vendo os dribles, a correria e os gols de Jobson, lembro apenas do jargão em voga: Ah, Moleque!

            Como nem tudo são flores, a entrada de Fahel após as câimbras de Somália, quando ganhávamos por 1 x 0, me preocupou. É impressionante como em todas as jogadas, dentro ou fora da área, ele se encontra segurando ou agarrando o adversário. Risco alto de pênaltis, principalmente para um clube que tem sofrido com a arbitragem nos últimos anos. A zaga ainda precisa melhorar o entrosamento, mas a formação com Antonio Carlos, Fabio Ferreira e Leandro Guerreiro é a mais prudente com o elenco que temos. Por sinal, parabenizar nosso atual capitão pelo ducentésimo jogo com a Estrela Solitária no peito. Vale o esforço de Alessandro, mas que bobeou ao tomar um cartão amarelo logo no início do jogo e está suspenso do próximo jogo. Edno, apesar do gol perdido cara a cara, entrou muito bem pela esquerda e é um potencial candidato para, no esquema 3-5-2, substituir o limitado Marcelo Cordeiro nessa posição. O tabuleiro-prancheta de Joel se encontra com peças boas e jogadas surpresas para somarmos mais pontos e nos aproximarmos dos líderes e irmos com tudo no segundo turno.

            Sobe para 25 gols o melhor ataque do campeonato. Temos dois jogos no Engenhão, com muitas possibilidades de garantir mais seis pontos. É hora da torcida comparecer, fazer festa e ajudar a empolgar o time para balançar ainda mais as redes dos adversários. Sábado que vem estarei lá contra o Avaí e não podemos vacilar como ano passado (Atenção, diretoria, carga total de ingressos!) que tivemos que buscar um empate no segundo tempo. Depois, encarar o Ceará, que caiu de produção depois da saída de Paulo César Gusmão e já não é mais a sensação. O Botafogo dorme em terceiro lugar na tabela, no G-4 e temos de aguardar resultados desse Domingo para saber a real posição após a 14ª rodada. Entretanto, com o elenco que temos e com as perspectivas apontadas, o terceiro lugar ainda é pouco!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985