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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

São tantas emoções...*


19 de dezembro de 2010. Uma data memorável. Um domingo vibrante. Uma tarde mágica. Um Domingo inesquecível, tal como o 17 de dezembro de 15 anos atrás. 

            Era o ano de 1995 e eu somava 10 anos de idade. Usava a camisa alvinegra, estampando a Estrela Solitária no peito e uma marca esverdeada, com um número cabalístico representando um refrigerante. Eis o Sete! O Sete de Seven Up. O Sete de Garrincha. E o Sete do Artilheiro do Campeonato Brasileiro: o saudoso Túlio Maravilha, que, sempre fanfarrão e marqueteiro, prometia gols nos jogos, cumprindo quase a totalidade de suas promessas. Com o então desconhecido Paulo Autuori treinando a equipe, contávamos com Wagner no gol; Wilson Goiano e André Silva nas laterais; Wilson Gottardo e Gonçalves formando o paredão na excelente dupla de zaga; Beto, Jamir, Leandro Ávila e Sérgio Manoel compondo o meio-de-campo; e o pantera Donizete potencializando o ataque com Túlio! Carlão, Grotto, Moisés, Iranildo, Narcizio e Dauri também foram importantes jogadores do elenco.

            Na vila em que morava, colocávamos a TV do lado de fora e eram organizados churrascos e outros comes e bebes. Foi numa dessas tardes que vibrei, gritei e me emocionei com o título obtido em cima do Santos, num duelo que relembrou certamente os tempos de Garrincha e Pelé para os mais antigos.

 Estátua de Garrincha.

            E, ontem, numa tarde ensolarada, rumamos para o Engenhão, local do evento Boteco 95. Passando pelas estátuas de Nilton Santos, Garrincha e Jairzinho, percebemos que ainda há espaço para novas estrelas memoráveis dessa história em preto e branco. 

Com direito à comida de boteco, sorvete e bebidas, curtimos o show do grupo Carioca da Gema vestindo a camisa do evento que homenageava a Geração Gloriosa de 1995 e também acompanhamos o desfile de atletas da base com os modelos de uniformes alvinegros para o verão carioca. 

 
Show do grupo Carioca da Gema.

Mas certamente tudo isso ficou com o prêmio de coadjuvante. Porque a camisa infantil que retirara do armário, que ganhei em 1995, voltou do Engenhão com os registros de Carlão, Moisés, André Silva, Gottardo, Gonçalves, Leandro Ávila, Beto, Sérgio Manoel, Donizete e Túlio Maravilha, além do simpático médico Joaquim da Matta. Não bastasse a camisa autografada, uma foto com cada um desses presentes ao evento, que me fizeram recordar momentos da infância, do ano em que prometi beber apenas Seven Up para ter o imenso prazer de ver o Fogão Campeão. E a torcida cantava com convicção: “Que saudade eu sinto! Daquele time de Noventa e Cinco!”

Foi uma justa e bela homenagem aos jogadores e à comissão técnica do período! Apesar das fanfarronices de Túlio, atualmente vereador em Goiânia pelo oportunista PMDB, acompanhamos mais uma vez o jogador cumprir sua promessa. Avisou que atenderia cada um dos presentes até o final e pacientemente posou para fotos e distribuiu autógrafos para a imensa fila de torcedores. Eu certamente gostaria que fosse materializada a segunda promessa do jogador: seu retorno em 2012, para ser campeão brasileiro pelo Botafogo e marcar o milésimo gol no Engenhão!

O eco dos gritos de Bi-Campeão da torcida é pertinente. A Taça Brasil de 1968 agora destina ao clube a grata tarefa de realizar o Boteco 68. Todavia, mais ainda a tarefa de honrar as tradições botafoguenses, para que, conduzidos pela Estrela Solitária, triunfemos ainda mais nos próximos anos. 

Foi um Domingo sem jogo de futebol, mas com sabor e alegria muito mais que especiais! Rever a Geração Gloriosa de 1995 e ratificar sua identificação, seu amor, seu carinho e sua história com o Botafogo foram a tônica deste 19 de dezembro. Chorando ou sorrindo, o importante são as emoções cotidianamente vividas! Obrigado, Botafogo!


 Com Vanessa e Túlio Maravilha.

Com o xerifão Wilson Gottardo e Vanessa.

 André Silva e a camisa de 1995 ainda sem os autógrafos.

 Com o Beto. 
 Com o goleiro reserva Carlão.



 Da esquerda para a direita, eu, Gabriel, Waldir Luiz, Maurício, Vanessa e Wilson Gottardo.

 "Dança, dança, dança da bundinha, no Maracanã, Bacalhau virou Sardinha!" 
Grande Gonçalves!

 
 O médico Joaquim da Matta.

 Com Leandro Ávila.

 Com Moisés.
 
 O atual presidente Maurício Assumpção.
Sérgio Manoel!!!!

 Com a Taça do Campeonato Brasileiro de 1995.

Com o Pantera Donizete.

 "Túlio Maravilha, nós gostamos de você!"


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 30 de outubro de 2010

Uma boa ideia*


            Na semana em que um dos principais ídolos da Gloriosa história do Botafogo completaria 77 anos caso estivesse vivo, a magia do ex-camisa 7 teria de embalar o elenco. O saudoso Garrincha, que não pude ver jogar, possui uma vitoriosa e folclórica carreira no clube da Estrela Solitária, com seus famosos dribles e humildes frases. Faltando 7 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o jogo contra um dos principais fregueses dos últimos tempos ocorreu na Arena do Jacaré, no município de Sete Lagoas. Com o histórico supersticioso da torcida alvinegra, twittaram mais uma: hoje é dia 30/10/2010: pela numerologia, 3 + 1 + 2 + 1 = 7. Nos últimos dezoito confrontos entre Atlético-MG e Botafogo, contabilizavam-se onze vitórias cariocas, uma vitória mineira e seis empates. Que retrospecto! Infelizmente não pude ir a Minas Gerais para torcer pelo Fogão e o jeito foi acompanhar pelo PPV.

            O Galo vinha embalado com uma boa sequência de resultados para se afastar da degola do rebaixamento, situação complicada que Vanderlei Luxemburgo deixou de herança para o técnico que ousou enfrentar Neymar – Dorival Junior. Pelo lado do Fogão, uma vitória feia por 1 x 0 sobre o Vitória após uma sequência de oito empates consecutivos, ou seja, a defesa de nove jogos de invencibilidade. A rodada não foi muito favorável com as vitórias de Fluminense e Cruzeiro, que mantiveram seis pontos à frente do Botafogo. Mas podemos comemorar o empate da urubuzada contra os queridinhos da CBF e o empate no qual o Peixe fora garfado contra o Colorado. Com a vitória, ascendemos à quarta posição e ratificamos a Estrela Solitária no retrovisor dos três primeiros colocados.

            O primeiro tempo foi morno demais. Num campo de pequenas dimensões, a bola chegava rapidamente ao ataque. Antes do jogo iniciar, já me perguntava por que não escalar o Edno no lugar de Fahel para explorar os contra-ataques, com um trio formado pelo canhotinha, Jobson pela direita e El Loco de centro-avante. Mas o empresário de Fahel realmente merece uma salva de palmas por conseguir a proeza dele ser quase sempre escalado como titular. O meia conseguiu errar um bizonho passe aos 33 min que possibilitou contra-ataque atleticano e chute de Obina. E, aos 37 min, lá estava ele com a velha mania: puxar a camisa do adversário dentro da área... Sua atuação sempre me dá medo! Marcio Rosário oscilou com boas antecipações e falhas grotescas que poderiam ter prejudicado. Os únicos lances de finalização do Botafogo foram chutes por cima do gol de Fahel, Lucio Flávio e Somália. O maestro, que não vive bom momento, apareceu apenas para fazer um bom cruzamento na área, em que o afoito Jobson se jogou para cavar o pênalti. Mas, essa cavadinha não é a especialidade do Fogão.

            No segundo tempo, um duelo entre Jobson e Obina que culminou apenas em chances desperdiçadas por ambos os atacantes. Quando o ataque do Atlético-MG acertava em gol, lá estava nosso paredão da Seleção Brasileira para garantir mais um jogo sem tomarmos gol. Segundos depois de El Loco perder um gol incrível após rebote em chute de Jobson, eu tive a certeza de que sairíamos com os três pontos: com muita categoria, Diego Tardelli arriscou de fora da área e caprichosamente a bola tocou o travessão. No minuto seguinte, Lucio Flávio deu lugar a Edno, que vinha entrando mal nos últimos jogos. E seis minutos depois, a canhotinha de Edno voltou a funcionar, lançando El Loco, que não fomeou e devolveu para o carequinha completar para as redes. Caio entrou no lugar de Jobson quando o placar já nos estava favorável. E começou a preocupação após duas faltas invertidas a favor do Galo, uma em cima de Somália e outra em cima do xodó. Apreensivo e comemorando a cada bicão para longe do gol de Jefferson, eis que Edno protagonizou um novo contra-ataque, deixando El Loco sozinho para carregar a bola, contar com o montinho artilheiro para executar sua mortal cavadita e sacramentar uma boa vitória por 2 x 0 em cima do Atlético-MG.

            Terminado o jogo, o que mais ouvia após nossa comemoração eram os latidos da cachorrada aqui em casa! É canja de galinha! Mais uma vitória contra o Galo, duas vitórias consecutivas para embalar a Arrancada Final da equipe disparadamente com o menor número de derrotas na competição. Mais um jogo sem tomar gols e com o ataque voltando a marcar! Apesar de todos os desfalques, alcançamos a décima segunda vitória e atingimos 51 pontos. E a boa ideia é a torcida lotar o Engenhão, apoiando o elenco do início ao fim, fazendo a nossa parte para o Botafogo vencer e prosseguir na busca pelo bi-campeonato. Enquanto isso, outra boa ideia é secar Fluminense, Cruzeiro e Corinthians, para que em breve sejam ultrapassados pela Estrela Solitária, brilhando isoladamente no céu da tabela.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 24 de outubro de 2010

Desjejum e hora do incentivo*

Ontem foi mais um sábado de Engenhão. Pelo caminho, um rubro-negro baiano seriamente ameaçado em cair pelo abismo. Até a 11ª rodada do primeiro turno, o Botafogo tinha doze pontos; nas onze primeiras rodadas do segundo turno, com a incômoda sequência de empates, somamos quatorze, dois a mais que a campanha do turno. No dia primeiro de agosto, no Barradão, enfrentamos o Vitória e foi lá que o time começou a empolgar, estabelecendo cinco vitórias consecutivas, saindo das proximidades da zona de rebaixamento e ascendendo às primeiras colocações da tabela. E foi a partir desse jogo, sob chuva na Bahia, que explicitei a importância de nosso apoio para materializarmos a hora de debutar, após 15 anos sem sermos campeões brasileiros(1)!

            O garoto Caio, suspenso, reforçou o time sub-23 do Botafogo, que venceu a equipe vascaína – já classificada para as semifinais – por 4 x 3, precisando torcer por combinação de resultados para prosseguir no torneio. Apesar de tudo quase certo para eu ir no Setor Leste Inferior, junto às torcidas organizadas mais animadas e para apimentar um pouco de superstição – já que vinha acompanhando nos setores Oeste Inferior, Oeste Superior e Leste Superior apenas empates do Fogão – acabei retornando para a Oeste Superior para encontrar um grupo de amigos e o nosso novo amuleto, o Gabrielzinho, de cinco anos. Após recebermos a quinta edição da revista Preliminar, boa iniciativa que traz informações sobre a preparação do elenco, entrevista e reportagens sobre personagens históricos do Glorioso, subimos a longa rampa antes da chuva nos fazer recordar do jogo no Barradão: vitória do Fogão! Uma novidade do clube é a presença exótica da marca Guaraviton no uniforme até pelo menos o final do campeonato brasileiro desse ano. Foi nesta 31ª rodada que a trambiqueira CBF homenageava os 70 anos do Rei Pelé. Pelé, que certamente foi excepcional jogador, mas como Edson Arantes do Nascimento é um grande conservador e aliado das forças reacionárias no país. Ao passar a placa homenageando Pelé, a torcida coerentemente ecoou: “Garrincha é melhor que Pelé!!!”.

            Os altos preços dos ingressos e a sequência de oito empates colocaram apenas 13.000 torcedores no Engenhão, sendo quase 11.000 pagantes. Para os supersticiosos, o 13 cravado poderia significar noite de El Loco Abreu, mas que teve atuação apagada com as fortes gotas de chuva. Para os oportunistas de plantão, nem 13 nem 45; é voto nulo dia 31! Antes de comentar sobre os jogadores, é preciso insistir no importante papel que a torcida pode cumprir. Durante os jogos, temos potencialidade para atuar como o décimo segundo jogador, pulando, cantando, torcendo, incentivando... Mas as elementares forças da Sofá-Fogo ainda são hegemônicas na torcida alvinegra: boa parte vaiando impacientemente Lucio Flávio e entoando o adjetivo de burro para Papai Joel. Isso tudo quando vencíamos por 1 x 0. Certas práticas equivocadas são culturais aqui nas torcidas brasileiras: nossa equipe saltando para a quinta colocação, com reais chances de vaga na Libertadores do ano que vem e até mesmo de título para mais empolgados e sonhadores como eu e a torcida...? Em vez de pedir “Mais um”, gritar para jogadores com muita raça em campo ou cantar o hino do clube... Refutava seu papel de décimo segundo jogador! Lastimável. Mais alguns doidos e eu tentamos berrar, mas percebi que era mais importante poupar minha voz pela atuação profissional docente.

            Para o adversário de ontem, um empate estaria ótimo. Nas vezes em que o Botafogo acertava bem jogadas, dribles ou tabelas, era parado com faltas, a maioria delas bem punidas pela arbitragem! (Eu também falo bem quando a arbitragem atua corretamente!). E nos momentos em que se aproximou de nosso paredão Jefferson, nosso goleiro deu conta do recado, contou com a sorte ou a limitação das finalizações rubro-negras. A confiança e a tranqüilidade de Leandro Guerreiro, somada à disposição e marcação de Marcio Rosário, a meu ver, apontam a titularidade da zaga para o ano que vem. Danny Morais não comprometeu, mas também não foi tão eficiente quanto os demais. Alessandro só precisa não fazer caquinhas como a feita contra o Flamengo, pois se encontra em sua melhor fase no Botafogo. Geralmente critico a inoperância de Marcelo Cordeiro, que ontem fez valer mais um ingresso, em cobrança de falta com extrema categoria para garantir os três pontos do Fogão. E aqui está a razão de considerar o Gabrielzinho o amuleto: com a torcida já impaciente, falei para ele sentar no meu colo e dar sorte para o Fogão. 1 x 0 com um golaço! E, para variar, mais um contundido!? Marcelo Mattos já cresceu de produção e é peça fundamental; Somália melhorou sua atuação quando foi migrado para a ala esquerda no lugar de Marcelo Cordeiro, sendo inclusive ovacionado pela torcida. Lucio Flávio está muito lento, não acompanha as jogadas, errou muitos passes... Todavia, não se justificam as vaias durante o jogo ao capitão da equipe. Houve dois momentos e a torcida parece não enxergar que o maestro deixou Marcelo Mattos e Jobson na cara do gol, e ambos desperdiçaram as oportunidades para ampliar o placar. Jobson ousou, driblou, partiu para cima, mas ainda precisa ter calma para a finalização e acabar com o jejum de gols. E o Loco ontem, nem de cabeça, conseguiu produzir algo de útil. Pela segunda partida consecutiva, Edno entra e corre menos que Lucio Flávio! Renato Cajá e Fahel completaram as substituições. Em vez de simplesmente gritar burro para Joel, a torcida deveria elogiar o treinador por reconhecer que se equivocou ao sacar Jobson em vez do uruguaio.

            Enfim, o desjejum aconteceu. Agora somos a equipe que menos perdeu no campeonato, há três jogos não levamos gol, estamos invictos há nove rodadas e dormimos de sábado para domingo classificados para a Libertadores. Para mim, ainda é pouco. Joel tem razão ao afirmar que os da frente já podem enxergar o Glorioso pelo retrovisor. Não dava mais para aguardarmos os três pontos em uma partida e temos (torcedores) que incentivar demasiadamente para garantir uma sequência de vitórias, que empurrem a Estrela Solitária para o local onde ela tem condições de chegar: a primeira colocação. E hoje, é dia de secar!


(1) “É hora de debutar” -> http://alemdotrivial.blogspot.com/2010/08/e-hora-de-debutar.html

 Eu com o Gabrielzinho. Gabriel + Gabriel = Botafogo 1 x 0 .

  Após a vitória no Engenhão, em ótima companhia!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985