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sábado, 13 de novembro de 2010

Hora de secar*


A chance de retornar à bela capital cearense era grande com o jogo num final de semana do feriadão de 15 de novembro. Mas a toda-poderosa Rede Glóbo de Televisão antecipou o confronto para quarta-feira, prejudicando significativamente o Botafogo por conta de duas viagens seguidas e de pouco tempo para treinar. Diante disso, para alguns torcedores, como eu, Fortaleza ficou mais distante e o jeito foi acompanhar pela televisão a participação da Estrela Solitária na 35ª rodada. Devido aos compromissos profissionais, assisti ao jogo em Rio das Ostras, num restaurante com a alcunha da competição: Brasileirão!

Além de Maicossuel, Herrera e Fabio Ferreira, – liberados só ano que vem – Marcelo Cordeiro e Somália, – que não estiveram presentes nas ultimas rodadas – Marcelo Mattos e Antonio Carlos cumpriam suspensão. Ou seja, quase um time titular completo ausente da partida no Castelão. Com 55 pontos 6 pontos atrás do líder Fluminense, um fluido positivo estava no ar de que poderíamos encostar nos 3 primeiros e permanecer acreditando bastante em conquistar esse Campeonato Brasileiro. O Vozão, que já fora líder este ano, caiu de produção, mas é nítido como há bastante qualidade nesse time, principalmente com o meio de campo extremamente ágil, arisco, arriscando chutes, trocando passes e se movimentando o tempo todo! Tudo que o meio-campo do Fogão deveria ser mas não é!

Em 5 minutos, o Ceará já finalizara em três oportunidades e o árbitro, além de não marcar a falta em cima de El Loco, equivocadamente amarelou o jogador. El Loco, de “cara limpa”, seis minutos depois, mostraria sua estrela. Em um bate-rebate, Edno cruzou, Alessandro tentou de letra (faz o simples, cabeção!) e furou, o maestro desafinado Lucio Flávio chutou cruzado e a bola encontrou a perna esquerda do uruguaio matador: 1 x 0! As investidas cearenses esbarravam no melhor goleiro do Brasil, que salvou dois chutes de Magno Alves, aos 16 e aos 18 minutos. Aos 22 minutos, os jogadores de futebol deveriam aprender com uma regra do basquete: bola no campo de ataque NÃO pode voltar para o campo de defesa. Entretanto, Edno passou para trás, Marcio Rosário dominou e na fogueira tocou para trás, Leandro Guerreiro cochilando deixou a bola passar por baixo do pé e Magno Alves agradeceu a bobeada, carregando a bola até chutar no canto de Jefferson e empatar a partida. Aos 26 minutos, quase o árbitro se atrapalha, chegando a tirar o cartão vermelho do bolso para Túlio Souza, que não tinha recebido amarelo! Com 34 minutos, Geraldo acertou uma bomba de canhota de fora da área, acertando o ângulo e virando a partida para os donos da casa. Por que só depois disso o Fogão começou a sair de seu cochilo? Aos 41, pênalti não marcado em cima de Túlio Souza; e aos 46, no único lance acertado de Jobson, um belo passe para Túlio Souza chutar rente à trave e sair caprichosamente pela linha de fundo, duas oportunidades que poderiam nos garantir o empate antes do intervalo.

No segundo tempo, o Botafogo ousava mais. Fahel quase acertou de cabeça aos 6 minutos (seria querer demais, né?); e Jobson, em duas situações semelhantes pela esquerda, dentro da área, chutou de qualquer jeito para fora, aos 4 e aos 7 minutos. Ainda levou um cartão amarelo depois de reclamação. Porém, a estrela da noite era realmente solitária e era gringa. Aos 11 minutos, Túlio Souza cruzou, Alessandro dominou e tocou para trás. Lá estava El Loco, na grande área, para inteligentemente chutar de esquerda, com ligeira curva, no cantinho do gol e empatar novamente a partida! Passando-se três minutos, momento Trapalhões da zaga do Botafogo: Fahel chuta de qualquer jeito para afastar a bola da área em cima de Leandro Guerreiro... A bola vai na direção do gol e fica na trave direita de Jefferson. Com Caio, Bruno Thiago e Renato Cajá nos lugares de Fahel, Túlio Souza e Lucio Flávio, o time ficou mais ofensivo e vulnerável. Mas realmente era preciso arriscar nessa reta final e buscar a virada. Apesar do Ceará ainda ter acertado uma cabeçada na trave direita que salvou novamente, os minutos finais reservaram a expulsão do adversário Michel ao receber o segundo cartão amarelo em falta sobre o xodó, duas oportunidades de cabeceio para fora de Caio e El Loco e a melhor oportunidade, aos 36 minutos: novamente livre pela esquerda, o afoito, atabalhoado e nada inteligente em finalização Jobson chutou em cima do fraco goleiro do Ceará, finalização que poderia sacramentar a vitória.

No jogo entre duas das melhores defesas da competição, 2 gols para cada lado e mais um empate do Botafogo. Foi um jogo muito melhor que o anterior contra o Avaí. Somamos 56 pontos faltando 3 rodadas apenas: 5 pontos atrás do primeiro colocado e 3 à frente de dois concorrentes pela vaga na Taça Libertadores. O Botafogo é o time com menor número de derrotas e está invicto há 13 rodadas. A campanha é digna de elogios sim, embora fiquemos frustrados porque a possibilidade do título era muito maior! São vários desfalques, foram bobeadas em minutos finais de alguns jogos e erros de arbitragem. É hora de secar os jogos de sábado e domingo! E a torcida tem uma grande responsabilidade para impulsionar a Arrancada Final nos jogos contra Internacional e Grêmio Itinerante no Engenhão. Avante, Glorioso!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

Pé no freio?*

            A empolgação está grande nesse ano com o desempenho do Fogão no Campeonato Brasileiro. Não só pelas reflexões apresentadas após os jogos, mas também pela vontade de viajar para outras cidades e torcer nos jogos fora de casa. Todavia, não foi possível visitar a bela capital catarinense para o jogo na Ressacada contra a equipe cujo maior conhecido é o torcedor e ex-tenista Gustavo Kuerten, o “Guga”.

            Depois de três boas vitórias e da chama do título receber um grande estímulo, vimos grande parte da mídia, que até então menosprezava o Botafogo em suas matérias, alardear a ascensão alvinegra. Não gostei nada disso. Essa situação influencia psicologicamente, e, somada aos inúmeros desfalques de importantes jogadores, que determinam física e tecnicamente, contribuíram para a apatia do time e para o frustrante retorno da sina do empate.

            Apesar das investidas do Leão, seus ataques não foram dos melhores. Quando a oportunidade de gol era mais iminente, tínhamos o grande goleiro e destaque alvinegro no ano de 2010 – Jefferson! Nosso ataque diminuiu o ímpeto de gols. Quando se aproxima do gol adversário, passes cruciais são errados ou chutes atabalhoados vão para fora ou para as mãos do goleiro. O meio-campo não tem criado e na maioria das vezes quem tem tentado armar a ligação entre a defesa e o ataque é Leandro Guerreiro, que cumpre a função de zagueiro! Para complicar ainda mais, nesse jogo o zagueiro artilheiro Antonio Carlos e o invicto e excelente jogador Marcelo Mattos receberam o terceiro cartão amarelo.

            Enfim, quando foi o momento de enfiarmos o pé no acelerador, o elenco Glorioso confundiu o pedal, freando a ascensão e retomando o espírito Robin Hood, que não nos visitava há um tempinho. Mais um empate em 0 x 0 num jogo de baixa qualidade técnica. A situação mais inusitada ficou por conta do destempero e do desequilíbrio emocionais de Jobson, envolvido em mais uma polêmica. Após ser provocado pelos torcedores do Avaí – que devem caber num fusquinha – realizou gestos obscenos e ficamos no aguardo do que virá. É um jogador importantíssimo para o elenco, mas ainda deveras imaturo, imprudente e inexperiente em diversas ocasiões.

            Com o pé no freio, o sonho do bicampeonato brasileiro fica mais longínquo, embora ainda haja esperança. E se quisermos retornar à disputa da Taça Libertadores após 15 anos, é preciso engatar a marcha, acelerar para vencer e deixar a concorrência para longe da aparição em nosso retrovisor. Essa deve ser a tônica de nossa Arrancada Final!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 24 de outubro de 2010

Desjejum e hora do incentivo*

Ontem foi mais um sábado de Engenhão. Pelo caminho, um rubro-negro baiano seriamente ameaçado em cair pelo abismo. Até a 11ª rodada do primeiro turno, o Botafogo tinha doze pontos; nas onze primeiras rodadas do segundo turno, com a incômoda sequência de empates, somamos quatorze, dois a mais que a campanha do turno. No dia primeiro de agosto, no Barradão, enfrentamos o Vitória e foi lá que o time começou a empolgar, estabelecendo cinco vitórias consecutivas, saindo das proximidades da zona de rebaixamento e ascendendo às primeiras colocações da tabela. E foi a partir desse jogo, sob chuva na Bahia, que explicitei a importância de nosso apoio para materializarmos a hora de debutar, após 15 anos sem sermos campeões brasileiros(1)!

            O garoto Caio, suspenso, reforçou o time sub-23 do Botafogo, que venceu a equipe vascaína – já classificada para as semifinais – por 4 x 3, precisando torcer por combinação de resultados para prosseguir no torneio. Apesar de tudo quase certo para eu ir no Setor Leste Inferior, junto às torcidas organizadas mais animadas e para apimentar um pouco de superstição – já que vinha acompanhando nos setores Oeste Inferior, Oeste Superior e Leste Superior apenas empates do Fogão – acabei retornando para a Oeste Superior para encontrar um grupo de amigos e o nosso novo amuleto, o Gabrielzinho, de cinco anos. Após recebermos a quinta edição da revista Preliminar, boa iniciativa que traz informações sobre a preparação do elenco, entrevista e reportagens sobre personagens históricos do Glorioso, subimos a longa rampa antes da chuva nos fazer recordar do jogo no Barradão: vitória do Fogão! Uma novidade do clube é a presença exótica da marca Guaraviton no uniforme até pelo menos o final do campeonato brasileiro desse ano. Foi nesta 31ª rodada que a trambiqueira CBF homenageava os 70 anos do Rei Pelé. Pelé, que certamente foi excepcional jogador, mas como Edson Arantes do Nascimento é um grande conservador e aliado das forças reacionárias no país. Ao passar a placa homenageando Pelé, a torcida coerentemente ecoou: “Garrincha é melhor que Pelé!!!”.

            Os altos preços dos ingressos e a sequência de oito empates colocaram apenas 13.000 torcedores no Engenhão, sendo quase 11.000 pagantes. Para os supersticiosos, o 13 cravado poderia significar noite de El Loco Abreu, mas que teve atuação apagada com as fortes gotas de chuva. Para os oportunistas de plantão, nem 13 nem 45; é voto nulo dia 31! Antes de comentar sobre os jogadores, é preciso insistir no importante papel que a torcida pode cumprir. Durante os jogos, temos potencialidade para atuar como o décimo segundo jogador, pulando, cantando, torcendo, incentivando... Mas as elementares forças da Sofá-Fogo ainda são hegemônicas na torcida alvinegra: boa parte vaiando impacientemente Lucio Flávio e entoando o adjetivo de burro para Papai Joel. Isso tudo quando vencíamos por 1 x 0. Certas práticas equivocadas são culturais aqui nas torcidas brasileiras: nossa equipe saltando para a quinta colocação, com reais chances de vaga na Libertadores do ano que vem e até mesmo de título para mais empolgados e sonhadores como eu e a torcida...? Em vez de pedir “Mais um”, gritar para jogadores com muita raça em campo ou cantar o hino do clube... Refutava seu papel de décimo segundo jogador! Lastimável. Mais alguns doidos e eu tentamos berrar, mas percebi que era mais importante poupar minha voz pela atuação profissional docente.

            Para o adversário de ontem, um empate estaria ótimo. Nas vezes em que o Botafogo acertava bem jogadas, dribles ou tabelas, era parado com faltas, a maioria delas bem punidas pela arbitragem! (Eu também falo bem quando a arbitragem atua corretamente!). E nos momentos em que se aproximou de nosso paredão Jefferson, nosso goleiro deu conta do recado, contou com a sorte ou a limitação das finalizações rubro-negras. A confiança e a tranqüilidade de Leandro Guerreiro, somada à disposição e marcação de Marcio Rosário, a meu ver, apontam a titularidade da zaga para o ano que vem. Danny Morais não comprometeu, mas também não foi tão eficiente quanto os demais. Alessandro só precisa não fazer caquinhas como a feita contra o Flamengo, pois se encontra em sua melhor fase no Botafogo. Geralmente critico a inoperância de Marcelo Cordeiro, que ontem fez valer mais um ingresso, em cobrança de falta com extrema categoria para garantir os três pontos do Fogão. E aqui está a razão de considerar o Gabrielzinho o amuleto: com a torcida já impaciente, falei para ele sentar no meu colo e dar sorte para o Fogão. 1 x 0 com um golaço! E, para variar, mais um contundido!? Marcelo Mattos já cresceu de produção e é peça fundamental; Somália melhorou sua atuação quando foi migrado para a ala esquerda no lugar de Marcelo Cordeiro, sendo inclusive ovacionado pela torcida. Lucio Flávio está muito lento, não acompanha as jogadas, errou muitos passes... Todavia, não se justificam as vaias durante o jogo ao capitão da equipe. Houve dois momentos e a torcida parece não enxergar que o maestro deixou Marcelo Mattos e Jobson na cara do gol, e ambos desperdiçaram as oportunidades para ampliar o placar. Jobson ousou, driblou, partiu para cima, mas ainda precisa ter calma para a finalização e acabar com o jejum de gols. E o Loco ontem, nem de cabeça, conseguiu produzir algo de útil. Pela segunda partida consecutiva, Edno entra e corre menos que Lucio Flávio! Renato Cajá e Fahel completaram as substituições. Em vez de simplesmente gritar burro para Joel, a torcida deveria elogiar o treinador por reconhecer que se equivocou ao sacar Jobson em vez do uruguaio.

            Enfim, o desjejum aconteceu. Agora somos a equipe que menos perdeu no campeonato, há três jogos não levamos gol, estamos invictos há nove rodadas e dormimos de sábado para domingo classificados para a Libertadores. Para mim, ainda é pouco. Joel tem razão ao afirmar que os da frente já podem enxergar o Glorioso pelo retrovisor. Não dava mais para aguardarmos os três pontos em uma partida e temos (torcedores) que incentivar demasiadamente para garantir uma sequência de vitórias, que empurrem a Estrela Solitária para o local onde ela tem condições de chegar: a primeira colocação. E hoje, é dia de secar!


(1) “É hora de debutar” -> http://alemdotrivial.blogspot.com/2010/08/e-hora-de-debutar.html

 Eu com o Gabrielzinho. Gabriel + Gabriel = Botafogo 1 x 0 .

  Após a vitória no Engenhão, em ótima companhia!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eu acredito em duendes*

Acho que desde a primeira vez em que estive no Engenhão, não pisava no Setor Oeste Superior. Pensando de maneira supersticiosa, poderia ser um incentivo para exterminar a sequência de empates e acompanhar o Glorioso voltar a vencer na competição. Coincidentemente, acabei encontrando a galera da Educação Física da UFRJ que torce pelo Botafogo e que vinha sendo pé-quente. Apesar da vitória não ter vindo, do oitavo empate consecutivo, do segundo empate sem gols, de nove jogos sem vencer, de não quebrar o tabu de vencer clássicos no estádio desde 2007, de cair para a oitava colocação na tabela... Mantivemos a invencibilidade no Engenhão, somos o time que menos perdeu nessas 30 rodadas e ficamos mais esperançosos com o retorno das 4 vagas do Campeonato Brasileiro para a Libertadores de 2011. Para os mais empolgados, como eu, a rodada foi excelente e diminuímos em 1 ponto a distância para o líder Cruzeiro, agora com o equivalente a três vitórias a nossa frente. Volto a frisar: nossa arrancada no primeiro turno começou no Barradão, na décima segunda rodada, contra o Vitória. Temos a chance de repetir esse filme, com uma boa sequência de jogos, mesmo com os diversos desfalques. E para o sonho de debutar-se campeão brasileiro novamente o apoio da torcida é primordial.

            Durante o jogo de Domingo passado, um comentário deveras pertinente do amigo Renato Sarti: “Prefiro vir ao jogo a pagar o pay per view; aqui a gente paga o ingresso e ouve diversas pessoas falando besteira enquanto no PPV apenas um fala!” Essa merece ir para o twitter. Mas a famosa Sofá-Fogo tem sua chance nas próximas rodadas de demonstrar o seu apoio à equipe, enchendo o estádio. Vale aproveitar o momento para cutucar as autoridades esportivas, administrações de clubes, mídia televisiva – principalmente – e governantes do país, que são os verdadeiros responsáveis pelos péssimos horários dos jogos, pelos altos preços dos ingressos e pela diminuição do acesso aos estádios (com a diminuição da capacidade, dificuldades de transporte etc.). Os momentos anteriores ao clássico marcaram a primeira manifestação da recém-fundada Associação Nacional dos Torcedores(1), iniciativa importante que deve ser abraçada de Norte a Sul do país para defendermos a socialização do futebol e demais esportes.

            Infelizmente, meu celular apagou a mensagem salva no rascunho com os comentários acerca do Clássico Vovô. Entretanto, levantarei alguns pontos relacionados ao Botafogo. Apesar de Renan ter dado conta do recado nas duas rodadas anteriores, foi legal ter o retorno da segurança de Jefferson, o paredão da Seleção Brasileira! A volta do Leandro Guerreiro após cumprir suspensão também foi algo positivo. Por incrível que pareça, Fahel parecia fazer falta nos trinta minutos iniciais. O setor defensivo sofreu com os ataques tricolores: enquanto Somália cumpria a função de anular totalmente o baixinho e habilidoso argentino, Marcelo Mattos ainda estava fora de ritmo de jogo, Marcio Rosário se encontrava atabalhoado e Lucio Flávio não corria para auxiliar. Joel Santana conseguiu acertar o conjunto do time e depois disso as principais jogadas de ataque e de perda de gols eram alvinegras. O ataque formado por Jobson e El Loco precisa caprichar mais nas conclusões. E, para variar: perdemos Antonio Carlos, mais um importante jogador contundido; e sofremos com as perseguições e inversões de falta por parte do árbitro Djalma Beltrami. Foram pelo menos dois cartões amarelos para o Botafogo que, em lances idênticos pelo lado do Fluminense, o árbitro relevou. Além de outros diversos pequenos lances ao longo da partida, fazendo com que o trio saísse pelo lado em que se encontrava a torcida tricolor. Eu até pensei que o nome do árbitro fosse João, já que a torcida do Fluminense pedia: “A benção, João de Deus...”. Assim como no primeiro turno, os tricolores só foram superiores aos alvinegros na quantidade de cores, porque no geral o Botafogo foi melhor, mas não conseguiu obter a vitória.

            Enfim, há oito jogos pela frente. São vinte e quatro pontos em disputa. A coluna do Márcio Guedes de hoje sobre o Botafogo(2) diz que “imaginar que repetirá a campanha do turno contra os mesmos adversários, é quase acreditar em duendes”. Pois estarei amanhã no Engenhão e para mudar voltarei ao setor das torcidas – Leste Inferior – para incentivar o elenco alvinegro no ainda possível sonho do título e da vaga na Libertadores. Nosso apoio é fundamental, não apenas acreditando em duendes, mas forjando seu aparecimento com os cantos, irreverência, palmas, apoio e pulos que colocará de volta a Estrela Solitária no caminho da vitória!


(1) Conheça a Associação Nacional dos Torcedores: http://www.torcedores.org/

(2) “Cálculo Difícil”; Coluna Contra-Ataque; Jornal O DIA; 22/10/2010.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

No embalo da Primavera*


No dia que marca o início da Primavera, a covardia contra a torcida brasileira permanece em defesa dos interesses da minoria que domina o sistema televisivo e consequentemente determina os horários dos jogos que movem uma das paixões nacionais. O clássico da paz, no Engenhão, contou com cerca de 16.000 presentes, pouco mais de um terço da capacidade do Estádio construído com financiamento a partir de nossos impostos e que deveria estar lotado a cada jogo. Mas certamente às 21h de uma quarta-feira, com as precárias condições de transporte público em nosso país, dificulta acompanharmos constantemente os jogos diretamente dos estádios. Quando uma nova estação floresce, é tempo de renovar, de respirarmos novos ares. Enquanto Joel insistiu na escalação de certo jogador, a CONMEBOL resolveu surpreendentemente – pelo menos para mim – retirar uma vaga dos times brasileiros da Taça Libertadores de 2011, forçando uma concorrência ainda mais acirrada, agora pelo G-3.

            Por conta dos compromissos na Costa do Sol, foi o segundo jogo que assisti em Rio das Ostras, até então invicto, tal como o Glorioso no Engenhão. Pelo time dos descendentes de portugueses, alguns já estiveram em nossas trincheiras, como Zé Roberto, Carlos Alberto, Felipe Bastos e o próprio técnico Paulo César Gusmão. Ex-jogadores sempre costumam aprontar; o retrospecto histórico contra o bacalhau não é nada agradável. Somado a tudo isto, há coisas que só acontecem ao Botafogo(1): numa jogada desleal de Zé Roberto por trás de nosso zagueiro artilheiro Antonio Carlos, ignorada pelo árbitro, que deveria ter marcado falta E dado cartão amarelo para o meia vascaíno, saiu o primeiro gol. Chute de Ramon, bola desviada em Danny Morais e redes balançando! Para completar, mais uma baixa diretamente para o Departamento Médico. O time do Vasco foi desleal em diversos momentos. Num deles, Zé Roberto levou amarelo após entrada dura em Somália,  momento em que deveria ter sido expulso se o árbitro não tivesse problemas de visão, pois a falta mencionada anteriormente foi escandalosa! Quase veio o empate com Maicossuel na primeira tentativa. Na segunda, passou como quis e como sabe fazer pela defesa vascaína... De cara pro gol, havia um buraco no meio do caminho... Também diretamente para o Departamento Médico! Com o hermano Herrera em seu lugar e o xodó no lugar de Antonio Carlos, em uma das tentativas de drible de Caio, perda de bola no ataque, contra-ataque vascaíno, e a vulnerabilidade de nossa defesa reapareceu: Eder Luis de fora da área, após passar fácil por Alessandro e ninguém cobrir, fez 2 x 0. Gostaria de aproveitar para defender sim o garoto Caio, que tem habilidade para prender a bola e levar faltas, forjando cartões para os adversários. Isso é importante, mas o meio-campo e a defesa precisam estar atentos para que não levemos gols nos contra-ataques, principalmente quando a arbitragem ignorar faltas claras! No geral do primeiro tempo, foi o Vasco da Gama quem partiu com tudo para cima e o Botafogo errava muitos passes. Devido à falta de pontaria, não foi possível garantirem um placar elástico.

            Veio o segundo tempo e com 10 minutos retomei a esperança de mantermos a invencibilidade. Antes disso, vale ressaltar o momento de unidade entre botafoguenses e vascaínos: no Olímpico, 1 x 0 para o Grêmio e comemoração de ambas as torcidas! Numa jogada inteligente após saída equivocada de Fernando Prass, Herrera cabeceou e só aguardou a atabalhoada defesa do Vasco perceber as redes balançando. O argentino – e nervosinho – ainda protagonizaria um carrinho desnecessário, tomando amarelo; e outra jogada desleal, levando o segundo amarelo e sendo expulso da partida. Com Edno no lugar de Renato Cajá, ontem apagado, Fahel mantinha-se no time! O Botafogo dominava a partida, mas após perder um jogador, o Vasco cresceu. Após belo passe de Felipe, Carlos Alberto acertou a pontaria... E lá estava nosso goleiro novamente convocado para a Seleção Brasileira(2): Jefferson! Diante de inversões de faltas e faltas claras não marcadas, o nervosismo tomava conta do elenco do Fogão. Num momento de chutar o balde, no ataque, El Loco tentou acertar a bola no adversário e cedeu escanteio gratuitamente. Ainda levaria um amarelo por reclamação, tal como Alessandro. Faltando 5 minutos para o tempo regulamentar, com um a menos em campo e 2 x 1 para o time da Cruz de Malta, pedi a conta. Logo depois de pagá-la, bola cruzada na área e... havia um braço no meio do caminho, não permitindo que chegasse ao matador uruguaio. Pênalti! Sem chances para Fernando Prass mas também sem cavadinha, El Loco selou o empate, anotando seu quinto gol em cinco partidas. Por pouco não pudemos virar o jogo. Edno passou para Caio, em impedimento, em vez de rolar para El Loco, que vinha de trás. 2 x 2 o placar final, com gols de nosso ataque Mercosul.

            Esse campeonato tem mostrado uma nova configuração para os vascaínos: em vez de time da virada, o Vasco tem sido o time do empate! Se por um lado os empates das duas últimas rodadas nos afastam da liderança, por outro têm mostrado nossa capacidade de reação. Diante de tantas contusões e agora também as suspensões, as dificuldades se multiplicam e essa disposição para recuperarmos o gostinho da vitória após três rodadas sem ela é fundamental. No próximo jogo, é o momento inclusive de colocar a garotada para jogar.

Temos quatorze rodadas pela frente e uma vaga a menos para disputar a Taça Libertadores! Diante de uma nova estação, vamos nos embalar com a chegada da Primavera e materializar o possível sonho de debutar após 15 anos sem título no Campeonato Brasileiro.


(1) Impressionante! Por que o Fahel nunca se contunde? E ele não leva o terceiro cartão amarelo?
(2) Registro aqui a coerência do técnico Mano Menezes ao deixar o mimado Neymar de fora da escalação, após os conturbados acontecimentos envolvendo o adolescente.


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 28 de agosto de 2010

Um cochilo de sábado à noite*

            Desde que comecei a escrever sobre os jogos do Botafogo nesse Campeonato Brasileiro, é hora de inaugurar reflexões após uma derrota. O ataque que há duas rodadas era o melhor do campeonato, passou em branco. A defesa, que não tomava gol há quatro rodadas, levou apenas um, suficiente para a oferenda de três pontos para o atual Campeão da Libertadores da América. O time adversário conta com ótimos jogadores, boa troca de passes. Contudo, com um pouco mais de ousadia e categoria, poderíamos pelo menos ter mantido a invencibilidade com um empate.

            No último texto, desafiei a superstição. O jogo passado não acompanhei, pois não encontrei nenhum local que transmitisse a vitória contra o Ceará na capital maranhense, onde me localizava. Não foi possível comentar o jogo passado no Engenhão. Apenas pude ver a bela jogada tramada por Herrera, que resultou no bonito gol de Jobson. Não ter comentado a última vitória e ver essa derrota hoje volta a deixar uma pulga atrás da orelha.

            O histórico do confronto entre as duas equipes continua extremamente equilibrado. Em 2009, o Glorioso venceu as duas partidas contra o Internacional, sendo um dos grandes responsáveis pelo vice-campeonato do time gaúcho, que ainda esbarrou na atitude benevolente de seu arquirrival contra os rubro-negros cariocas para os mesmos garantirem a primeira colocação. É interessante percebermos que o Fogão, apesar das duas recentes vitórias em casa, caiu de produção. Vencemos duas por apenas 1 x 0, com dificuldades aparecendo. E hoje veio a quarta derrota no campeonato, custando a queda na tabela, que nos tirará temporariamente do G-4 para a Libertadores 2011.

            No jogo de hoje, tanto o time quanto Joel cochilaram demais, respeitaram uma boa equipe demasiadamente. Os primeiros 35 minutos de jogo foram dominados pelo Colorado, com o alvinegro assistindo às investidas do adversário. E numa bobeada conjunta da zaga, Jefferson não pôde garantir o paredão. Nos últimos 10 minutos do primeiro tempo, cinco oportunidades criadas mostraram que seria possível virarmos o jogo após o intervalo. Logo nos primeiros minutos da segunda etapa, vale destacar o erro crasso do bandeirinha que marcou impedimente inexistente de Jobson, que ficaria cara a cara com o Renan! Já declarei em outras oportunidades não gostar da presença de Fahel no time, mas ele não comprometeu a ponto de ser o primeiro substituído. Édson errou tudo que tentou e a melhor opção seria sacá-lo para entrar logo com o Edno na ala esquerda. Marcelo Mattos fez falta. Maicossuel não rendeu e Somália errou todas as tentativas de dribles e passes. Com a contusão de Jóbson, Joel se equivocou posteriormente ao retirar Herrera, que vinha batalhando e arriscando jogadas, para trocá-lo por El Loco, que também entrou bem. O mais coerente teria sido a saída do Édson, totalmente perdido, que ainda quase entregou de bandeja o segundo gol do Inter numa recuada de peito para o Jefferson com a bola a 10 cm do chão.

            Seria bem mais legal comentar a continuidade da ascensão, interrompida com o cochilo neste sábado, 28 de agosto. Mas valeu retornar de viagem e curtir o tira-gosto em família, sempre uma boa companhia. E aguardar as próximas duas rodadas desse turno, em que podemos retomar a expectativa de 100% de aproveitamento contra os dois Grêmios. O primeiro, paulista e fora de casa. E o segundo, com a torcida transformando o Engenhão num grande caldeirão para apoiar nosso retorno ao G-4 e começar o returno pronto para uma arrancada ainda mais ousada!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985