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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tem caroço no nosso angu!

Uma intensa campanha pelas redes sociais já é tema de diversos veículos de comunicação. Torcedores do meu querido Glorioso lançaram o evento "Nossa Torcida Acordou", convocando para um abraço ao Engenhão no sábado 8 de junho a partir das 15h, principalmente após a "merda lançada no ventilador" denunciando um suposto envolvimento entre a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e a Rede Globo de Televisão. É indubitável que tal "denúncia" tenha mexido com os brios da torcida e é muito interessante que uma proposta de manifestação avance além da hashtag #EduardoPaesdevolvaonossoestadio. Em todas as esferas da vida social, apenas com LUTAS podemos modificar a realidade.

Tal momento nos exige reflexões importantes e posicionamentos rígidos para que as ações não sejam somente oba-oba tampouco representem apenas interesses corporativistas de um clube. Como botafoguense, é óbvio que não gosto de ver meu clube prejudicado, principalmente sabendo que dois dos principais atores - o Prefeito Eduardo Paes/PMDB e a toda-poderosa Rede Globo de Televisão - são meus inimigos históricos, pois representam interesses de uma pequena parcela da sociedade. Portanto, o que e como podemos e devemos agir para que a campanha alcance o conjunto da população, colocando cidadãos cariocas como protagonistas deste levante em vez de fornecer ibope ao sensacionalismo midiático assim como sem promover politiqueiros oportunistas que desejarão aparecer mas que também não representam os nossos interesses?

Como estarei em Campinas no dia do ato, procurarei explicitar algumas contribuições ao debate neste texto.

A reivindicação pela "devolução do nosso estádio" é mais que legítima. Paulatinamente, com muitas dificuldades, começamos (torcedores do Botafogo) a nos acostumar com o Engenhão, compreendendo que era uma "casa nova". Às vésperas de levantarmos o título do Campeonato Estadual, aparece uma pedra em nosso caminho, com o prefeito anunciando a interdição mesmo tendo dito meses antes que não havia qualquer problema com o Estádio. Mas o que deve significar a consigna "Eduardo Paes, devolva o nosso estádio"?

Na minha opinião, temos que avançar! Não podemos simplesmente defender que o Engenhão volte a funcionar. Se o Estádio foi erguido com o suor diário de trabalhadores da construção civil e seus recursos de aproximadamente R$380 milhões vieram majoritariamente dos impostos pagos pela classe trabalhadora, devemos exigir a retirada de quaisquer homenagens a um corrupto e elitista que durante anos mandou e desmandou na Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). No retorno do Engenhão, é importante defendermos que sejam apagadas as menções ao Sr. João Havelange e que seja feito uma consulta à população sobre o nome do Estádio que pagamos - sem sermos consultados! Nilton Santos e João Saldanha são duas propostas que agradam a mim e a diversos torcedores, inclusive de outros clubes.

Outro debate importante refere-se ao acesso aos estádios. O plim-plim da Globo impõe horários absurdos para trabalhadores e suas famílias frequentarem o Engenhão. Além disso, a CBF e a FERJ - com a conivência do clube, importante mencionar - tabela preços exorbitantes de ingressos! Estas duas ações intencionais pouco a pouco afastam a torcida dos estádios, diminuindo a euforia coletiva e transformando o torcedor num telespectador com a bunda no sofá e o controle remoto na mão. Temos que brigar pela mudança dos horários e por preços populares para os estádios voltarem a encher.

Não podemos deixar de mencionar a retirada de direitos historicamente conquistados, que também se apresenta nos estádios de futebol! Na luta contra a ditadura empresarial e militar - tempos totalmente apoiados pela Rede Esgoto de Televisão - conquistamos a Liberdade de Expressão! E hoje, a Polícia Militar é acionada para coibir e censurar as faixas e bandeiras levadas para manifestação de opiniões. Se eles querem fazer com que o Futebol seja o ópio do povo, nós devemos responder com mensagens críticas sobre diversos temas da sociedade em busca de efetivamente termos uma Cidade Maravilhosa!

É nítido que o Futebol envolve corações e mentes; e a emoção, a paixão pelo Botafogo de Futebol e Regatas possibilitam que milhares de pessoas já confirmem a participação na manifestação de sábado 8 de junho. Mas é preciso mais. Temos plenas condições de avançar nas denúncias, pois a falácia eleitoral de Eduardo Paes e seu slogan de que SOMOS UM RIO - diferentemente do teto do Engenhão - PRECISAM SER DERRUBADOS pela população! Acompanhamos o caos no transporte público; a precarização das escolas municipais e a superexploração de professores e funcionários; o aumento da violência e a diminuição das oportunidades de lazer; a inexistência de um eficiente e eficaz sistema público de saúde devido à não destinação de recursos etc. Enquanto isso, milhões são destinados para empreiteiras e empresários, que se enriquecem cada vez mais, com o auxílio do argumento das obras para os megaeventos esportivos. A coalizão de Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e Eduardo Paes - que recebeu mais de R$21 milhões para sua campanha eleitoral de reeleição, com o apoio de cerca de 20 "partidos" - é maléfica não apenas à torcida do Botafogo, mas à população do Rio em geral! 

Por fim, as relações obscuras desta capilaridade de poderes da classe dominante querem nos esconder o que há por trás dos panos. Se é certo que colocaram caroço no nosso angu, é hora de respondermos à altura! No que depender de mim, todo apoio à devolução do Engenhão! No que depender de mim, a resposta à altura passa por conquistar cada telespectador para se somar à palavra de ordem "O POVO NÃO É BOBO! ABAIXO A REDE GLOBO" e à defesa de uma outra Cidade Maravilhosa, sem playboyzinhos da Barra governando para a elite nem agredindo quem já percebeu seu nefasto papel no Rio de Janeiro. Ou seja, FORA PAES tem que entrar na ordem do dia! 

Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro

sábado, 28 de julho de 2012

Entrevista concedida ao Fut Blog



Ontem, participei ao vivo como entrevistado do FUT BLOG (episódio 22), apresentado por Yuri Braule e Doug Fagundes. A reprise já está disponível no link acima!

Foi um bate-papo de quase duas horas, falando sobre o livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" e suas atividades de lançamento e divulgação pelo Brasil e na Argentina, sobre as recentes atuações do Glorioso Botafogo no Campeonato Brasileiro e sobre diversas temáticas relacionadas ao mundo do futebol, como a defesa da mudança do nome oficial do Engenhão, a relação das torcidas organizadas com o clube, os campeonatos alternativos de Futebol, o absurdo preço dos ingressos etc.

Para quem quiser conhecer mais sobre o Fut Blog:

http://conexaoruim.blogspot.com.br/2012/07/fut-blog-22.html 


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Furtaram a cereja do bolo*


Talvez devido ao recesso, talvez devido à ansiedade por uma das estreias mais cobiçadas dos últimos tempos, talvez até mesmo por conta de estar junto a dezenas de milhares de corajosos e corajosas que se despencam de várias partes do Rio de Janeiro ou de fora de nosso Estado para torcer pelo clube de General Severiano, nunca senti passar tão devagar o tempo entre um jogo de quarta-feira e um de Domingo pelo Campeonato Brasileiro. E na Cidade Maravilhosa o Domingo nasceu formidável, daqueles em que as nuves aparecem apenas para fornecer o contraste em azul e branco com o céu, daqueles em que o Sol nos contempla sua aparição e seu calor em pleno inverno, daqueles em que certos tricolores – que só possuem o por do Sol para vislumbrar às margens do Rio Guaíba – invadem nossas belas praias e demais cartões postais. Escolhendo uma trilha no Morro da Urca como aquecimento para o jogo da noite, a cada botafoguense que passava pelas ruas, era notória a auto-estima por vestir esta camisa Gloriosa.

            Infelizmente, nem tudo foi perfeito. Volto a registrar o quanto é complicada essa avalanche de holofotes sobre o brilho da Estrela Solitária. Nós temos brilho próprio, incandescente, deslumbrante, que se sobressai sem querer humilhar ninguém. E foi justamente nesta escolha de nossa solitária constelação que acabamos ofuscados pelos tricolores gaúchos, que furtaram a cereja de nosso bolo e nós só pudemos perceber ao final dos noventa minutos.

Numa boa, não podemos levar gol daquele bonde do Marcelo Moreno! Não conseguiu dominar uma bola o jogo inteiro, mas acertou a finalização em cheio para o fundo das redes de Jefferson. Apesar do (novo) vacilo de nosso sistema defensivo, não preciso nem dizer que sua trombada fora falta, ignorada pela arbitragem, assim como um pênalti cometido pelo Gilberto Silva em cima do Elkeson. E não é que Fellype Gabriel mais uma vez acertou o travessão!? E o Leo Gago salvou em cima da linha o que seria nosso gol de pelo menos empate. Enfim, o segundo tempo foi digno de aplausos pela dedicação, mas são necessárias as críticas pelo afobamento, por equívocos táticos e pela morosidade em alguns momentos, principalmente no primeiro tempo.

            A vitória foi injusta? Obviamente. Era possível revertermos? Mais óbvio ainda. O que faltou para isso? É aí que entram os papeis da comissão técnica e da organização da equipe. Quando o Botafogo mais pressionou? Quando tinha pelo menos dois atacantes em campo! Não dá mais para nos resignarmos com esse esquema 4-6-0, Oswaldo! O único atacante em campo voltando para ajudar a marcar na defesa e buscar jogo!? Já chega! Andrézinho tem sido o melhor em campo nessa transição da defesa para o ataque, enquanto Vitor Junior caiu demasiadamente de produção e o Fellype Gabriel ainda está buscando ritmo de jogo. É preciso reconhecer: erraste na escalação inicial, treinador! Foi acertada a estreia do Seedorf por conta do bom momento vivido pelo marketing e pela euforia da torcida. Nosso surinameso estreou discretamente, mas seus bons passes e sua visão de jogo apontam que melhorias virão. Jefferson fechou o gol no primeiro tempo; Márcio Azevedo não estava numa boa noite; Elkeson continua atabalhoado; e o Rafael Marques entrou melhor ontem.

            Para não dizer que não falei da festa... A festa foi bem menos espalhafatosa que a apresentação. Será que faltou glamour? Não houve fogos, não houve chuva de papel, mas houve um estádio com a presença de mais de 34.000 pessoas, que cantaram, aplaudiram, vibraram e incentivaram. Oswaldo agora precisa morder a língua. O tal fator campo estava lá e o time não correspondeu com os três pontos. Nos minutos finais, a torcida impulsionava os avanços do time e entoava o Hino do nosso Botafogo. O árbitro soou o apito final e a galera ecoou que ninguém cala o nosso amor, mesmo com a amarga derrota. Faltou humildade ao treinador para não debochar no início do jogo ao afirmar que “era a primeira vez que via (o estádio cheio) assim”. Seriam tarefas uma retratação pelas infelizes declarações anteriores e um agradecimento público à presença e ao incentivo daqueles e daquelas que pagaram exagerados e absurdos R$60 para ver seu time dentro de um estádio construído com recursos públicos que ontem não oferecera sequer água para lavarmos as mãos no banheiro!

            Antes do jogo, estive com a Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado em defesa da mudança do nome de nosso Estádio. Queremos no telão: SUDERJ informa: sai o tricolor, elitista e corrupto João Havelange, entra o botafoguense, comunista e sacado do comando da Seleção Brasileira pela Ditadura Militar João Saldanha! Complementando as ações da semana rumo à construção de uma nova sociedade, é tempo de convocar a torcida alvinegra para quinta-feira que vem lotarmos o HEMORIO para doarmos sangue. De 9h às 17h do dia 26 de julho, o evento ESTRELA SOLIDÁRIA acontecerá. Já doei umas seis ou sete vezes e marcarei presença desta vez. Pessoal, doar sangue não dói, salva vidas e ainda se ganha um lanchinho gostoso ao final! ;)

            Para doar, bebam Toddynho ao invés de se esbaldar nas bebidas alcoólicas na noite anterior, pois quarta é dia de voltarmos ao Saldanhão com nossa Estrela no peito para cantar e apoiar o Fogão. É clássico, é jogo de disputa na parte de cima da tabela. É só falarmos que é decisão, que os bacalhaus tremem diante do espectro do Manequinho! Pra cima deles, Fogão!

Mais informações sobre a doação de sangue na próxima quinta-feira: http://www.bfr.com.br/oclube/noticias/clube+convoca+torcida+para+mutirao+de+doacao+de+sangue+no+hemorio.asp

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

domingo, 1 de julho de 2012

Quem convida dá banquete?*


            Em mais um Domingo de Campeonato Brasileiro, era dia de separar a camisa preta e branca, o cartão de sócio-torcedor e caminhar meus quinze minutos em direção ao Engenhão. Chegando ao estádio, evidenciava uma gigantesca contradição: enquanto funcionários checavam rigorosamente a documentação que fornece direito à meia-entrada, em frente à própria bilheteria alguns torcedores vendiam “por menor preço e sem fila” os ingressos que a diretoria do Botafogo repassara. Não sou contrário às torcidas organizadas; pelo contrário, acredito que as mesmas possuem papel fundamental para impulsionar os cantos, as palmas e o ritmo da torcida nas arquibancadas. Entretanto, por que essa permissividade em relação aos ingressos doados às organizadas e a rigorosidade com a documentação da meia-entrada dos ‘torcedores comuns’? As organizadas querem ingresso gratuito? Tudo bem, mas que coloquem os ingressos nominais e apresentem a documentação para ingressar e torcer como todos os demais!

            Além das ações de marketing que entretêm a torcida, vale destacar e enaltecer a faixa levada a campo pelo Botafogo de Futebol em Regatas em apoio aos médicos federais contra a medida provisória 568/12, que gera prejuízo aos trabalhadores que merecem melhores condições salariais e de trabalho. Enquanto fora de campo o clube manda bem em diversas ações, no gramado a equipe tem oscilado e irritado, gerando ruídos problemáticos que vou comentar adiante. Após partir para cima da Ponte Preta, criando oportunidades de gol, o time vacilou e levou mais um gol de contra-ataque segundos depois de Márcio Azevedo não conseguir completar um balão sobre o adversário pela esquerda. O pênalti sofrido por nosso lateral esquerdo e bem cobrado por Andrezinho – que tem se destacado positivamente – estimulou a esperança da torcida pela manutenção do título de time da virada neste Campeonato. Todavia, veio o segundo tempo e em nova jogada de velocidade Ricardinho nos deu um banho de água fria, desempatando a favor da macaca aos oito minutos e garantindo o que seria o placar final do jogo. Ora, Botafogo, é realmente necessário em casa oferecer ao adversário o apetitoso banquete dos 3 pontos na corrida rumo ao título nacional?

            Sem muito a comentar sobre mais esta bobeada, quero dessa vez dialogar acerca dos tópicos da entrevista coletiva concedida por Oswaldo de Oliveira. Ele reclamou da torcida? SIM! Citou as torcidas do Náutico, do Coritiba, do Inter, que encheram seus estádios e apoiaram mesmo nos momentos adversos!? SIM! Temos muitos corneteiros, que usam mais a voz pra vaiar ou xingar que entoar cantos de apoio!? SIM! Agora, quer reclamar da falta de público!? Então, professor, DEFENDA O INGRESSO A R$10,00 EM VEZ DOS ATUAIS R$50,00!!!

Os demais torcedores citados apoiavam porque, mesmo com seus times perdendo, os jogadores se dedicavam em campo para mudar o placar! Diferentemente de vários dos nossos, que ganham dezenas ou centenas de milhares de reais por mês e ficam andando em campo enquanto curtem noitadas por aí... Muitos na arquibancada trabalham 40 horas por semana para poder bancar o ingresso e ir ao jogo torcer! Depois da derrota por 4 x 1 para o Fluminense, vários foram ao segundo jogo da final e aplaudiram o time! Em vários jogos, a torcida está apoiando e os jogadores não dão a mínima ao final, seja para agradecer, aplaudir ou sequer acenar! Alguns ainda querem fazer gracinhas, como questionar a torcida, não é, Sr. Elkeson!? Por que Oswaldo não enaltece a presença e a cantoria de vários lá o tempo inteiro, como a incansável torcida Loucos Pelo Botafogo?

Como já citei em outros momentos, não ligo se o time perde, empata ou ganha! Vou ao estádio para ver o futebol e ver JOGADORES SE DEDICAREM!!! É o mínimo! E o treinador tem que treinar!!! O Botafogo não consegue jogar contra times que fecham a defesa!? Ora, que descoberta, Oswaldo! Agora: o que vocês podem fazer durante a SEMANA INTEIRA para preparar o time para jogar contra adversários desse estilo!? Não é possível simplesmente culpabilizar a torcida e/ou a intranquilidade e a insegurança do elenco, supostamente com limitações relacionadas ao trabalho psicológico!

Por que o Departamento de Futebol não trabalha como o Departamento de Marketing!? São questionamentos que não querem calar, após ficar chateado com o banquete ofertado à Ponte Preta e as declarações infelizes de um bom técnico como o Oswaldo de Oliveira. Enfim, com o adiamento do confronto contra os queridinhos da CBF, que serão o Vasco da Gama na Taça Libertadores na próxima quarta, temos tempo de sobra para treinar, apurar as arestas a fim de voltar a vencer contra o Bahia no próximo dia 7/7! É um Sábado para comparecermos em peso ao Engenhão, embalados pelo número cabalístico para todos nós alvinegros, que, com o acerto de Seedorf e a imprescindível chegada de outros reforços, faremos a contagem regressiva para o Tri!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Da euforia ao lamento*

            Durante o recesso de Campeonato Brasileiro, diversas notícias mantinham nossas atenções voltadas ao Botafogo. Enquanto a novela Seedorf caminha – ponto importante sua participação em evento contra o racismo! – e muitos aguardamos um desfecho feliz, deparávamo-nos com a triste notícia sobre Dona Célia, esposa de nosso ídolo Nilton Santos, diagnosticada com câncer no cérebro e com saúde debilitada. Nosso Botafogo já auxilia o eterno ídolo pagando suas mensalidades de internação na clínica e remédios, mas corretamente estuda a compra do acervo do craque de 86 anos. Vergonhosa permanece a atuação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que, ao passo que não se moveu nem se interessou em comprar o acervo do melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, acompanhou seu novo presidente aumentar o próprio salário de R$98 mil para R$160 mil, aumentar salários de diretores aliados e... Obviamente estourar a corda do lado mais fraco com a demissão de funcionários. Saiu Ricardo Teixeira, entrou José Maria Marin. Já avisara antes que seis por meia dúzia não se configura como troca e a necessidade é de mudanças políticas e administrativas, não de personalidades!

            Novamente os interesses da televisão foram colocados acima dos interesses dos torcedores trabalhadores. Em pleno feriado, o horário do jogo foi modificado das 20:30 para as 21h, horário complicado para aqueles e aquelas que precisam acordar cedo no dia seguinte. Além disso, o absurdo preço dos ingressos permanece! Senhor presidente, o que é melhor? 5.000 pagando R$60,00 ou 30.000 pagando R$10,00!? Um estádio construído com recursos públicos não pode nem deve ficar vazio por cobrar preços tão altos!

            Com um Departamento de Marketing ativo, criativo e participativo, a Promoção TORCEDOR VIP SOU BOTAFOGO foi lançada pelo perfil do Botafogo Oficial, e para concorrer bastava postar uma frase contendo as palavras BASE, FOGÃO e CAMPEÃO(Ã). A minha frase foi uma das dez selecionadas e pude fazer a visitação, acompanhado pela irmã, à Sala de Imprensa, ao campo antes do jogo, ao camarote, à Tribuna de Honra... Além de recepcionar nossos jogadores e a Comissão Técnica e desfrutar a Sala VIP com direito a comes e bebes!

Na Sala VIP do Setor Oeste Inferior, com a galera premiada.

            Numa noite chuvosa, jogo tarde e ingresso caro, pouco mais de 5.000 pagantes no Engenhão acompanharam o Botafogo partir para cima da raposa. Numa linda tabela com Vitor Junior, veio o primeiro desperdício de Herrera, cara a cara com Fábio. Porém, aos 20 minutos, em escanteio muito bem cobrado pelo ligeirinho, Amaral desviou contra o próprio gol para a euforia da torcida da Estrela Solitária, que, antes do jogo, pode aplaudir os juniores campeões da Spax Cup, na Europa, e acompanhar o ritmo de We will rock you durante a entrada em campo do Novo Caçador! O Botafogo jogava como há muito tempo eu gostaria de ver: disposição, toques de bola rápidos, tabelinhas, jogadas ensaiadas, faltas cobradas com rapidez para pegar o adversário desprevenido... Enfim, com bastante inteligência e visão de jogo, enquanto ao Cruzeiro restava dar chutões para fora, nas canelas dos jogadores alvinegros ou até aplicar golpes de judô para impedir os dribles. E todas estas pancadas bem distribuídas autorizadas pelo árbitro Fabrício Neves, que partilhava chances aos jogadores cruzeirenses antes de aplicar cartão amarelo. Já Fábio Ferreira, Jadson e Milton Raphael, na primeira infração cometida, foram amarelados. O Botafogo deve vetar qualquer assistente do sexo feminino: e tenho dito! A gaúcha Tatiana de Freitas foi a Ana Paula II ontem e envergonhou a necessária e importante presença feminina no futebol. Se estava desatenta ou agia por mau caráter, fato é que inverteu todos os lances que pode a favor do Cruzeiro! Sinceramente, a arbitragem de ontem pareceu muito ter recebido os dedos do senador do PDT de MG Zezé Perrella e suas cifras de R$160 milhões!

            Quando enfim neste Campeonato abríamos o placar, um show de oportunidades desperdiçadas, impossibilitando matar o jogo. E quando o Cruzeiro começava a se arriscar mais e encontrar chances, todas seguramente salvas pelo garoto Milton Raphael no gol, Herrera enfim resolveu fazer as pazes com a rede e abrir 2 x 0 após brilhante assistência de Vitor Junior. E a euforia pela liderança tomava conta da torcida, ainda mais por conta de uma atuação segura do elenco. Entretanto, bastaram seis novos minutos para o Cruzeiro diminuir, empatar e virar o resultado para 3 x 2, com Anselmo Ramon, Everton e Wellington Paulista, de pênalti. Apesar de ofensivo, dessa vez não conseguimos nova virada como nas rodadas anteriores e perdemos três pontos preciosos num campeonato em que cada jogo é uma final.

            Após vibrarmos com os dois gols e a liderança parcial, restou apenas lamentar as oportunidades desperdiçadas no ataque, as bobeadas nos contra-ataques adversários, as pancadas cruzeirenses sem punições da arbitragem e a péssima atuação da Ana Paula II, além da queda para a quarta colocação na tabela. É hora de recompor os brios e percebermos que reforços são não apenas bem-vindos como necessários. E domingo temos que partir com tudo na terra do frevo para garantir mais três pontos rumo ao Tri!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Domingo Fantástico sem música*


            Pouco menos de três horas para a estreia do Campeonato Brasileiro, minha torcida começava diretamente de São Paulo, para que o voo da GOL não atrasasse e pudesse chegar a tempo de torcer por muitos gols do meu Glorioso diretamente do Engenhão, usufruindo meu cartão de sócio-torcedor. Nunca viajara num voo tão vazio, a ponto de solicitarem que alguns passageiros fossem para a parte de trás para melhor distribuição do peso: seria um prenúncio do que encontraria no estádio!? Exatamente, a alcunha de vazião coube perfeitamente para o dia de ontem. Após uma pífia semana, com a perda do Estadual e a eliminação da Copa do Brasil, a bela tarde de domingo contou com pouco mais de sete mil presentes para acompanhar a estreia do Fogão. É absurda, imoral e inescrupulosa a opção dos mandatários do mundo futebolístico de cobrarem no mínimo R$40,00 para o ingresso num estádio construído com recursos públicos! Sem dúvidas a maior responsável pelas cadeiras vazias... Para deixar ainda mais esquisito o clima da estreia, as torcidas organizadas do Botafogo não apareciam com bandeiras, faixas e instrumentos, enquanto as do adversário faziam mais barulho. Parecia jogo fora de casa.

            Na semana em que a Enciclopédia do Futebol completava seus oitenta e sete anos de vida, justa homenagem foi feita com a bandeira estendida em General Severiano e levada a campo e a camisa 87 vestida pelo nosso atual lateral Márcio Azevedo. Entretanto, com toda sinceridade, torci muito para que nosso eterno lateral-esquerdo Nilton Santos não tenha visto o primeiro tempo do jogo. Parecia que o São Paulo enfrentava nove espantalhos reforçados por Jefferson e Vitor Junior, que corria, ora atabalhoado ora eficiente, e se dedicava em busca do gol. Todavia, foi numa jogada tramada pela direita que o adversário cruzou e a defesa do Botafogo assistia de camarote ao belo chute do Jadson paulista no ângulo de Jefferson. Era um festival de horror: a zaga, o meio-campo e Loco Abreu erravam tudo que tentavam!

Confesso que, mesmo com todo o otimismo de sempre, já me via preocupado com a possibilidade de fuga do rebaixamento. É notório que o time está sem comando. Oswaldo de Oliveira não define um padrão tático, uma jogada ensaiada, uma trama inteligente para surpreender os adversários e não fornece orientações básicas de posicionamento: se veio para conquistar títulos, precisa evoluir e muito; não dá para considerarmos a Taça Rio 2012 como o título conquistado em nossa casa! No primeiro tempo, os jogadores jogavam sem sangue, sem tesão, sem brio... Em suma, sem respeito à Gloriosa história do Botafogo!

O elenco do Botafogo tem limitações? Obviamente. Precisa de reforços? São sempre bem-vindos, desde que para somar à equipe. Porém, é importante mencionar que o Campeonato Brasileiro é um dos poucos em nível mundial em que há várias apostas de campeões e de rebaixados, onde as equipes se equiparam, infelizmente por baixo. Com isso, há três possibilidades de um time sobressair: destaques individuais – hoje podemos citar o Santos de Neymar e Ganso; esquema tático que potencialize as qualidades de cada jogador e viabilize maneiras de evitar erros crassos onde há limitações – hoje inexistente em nosso comando; ou empenho do time em campo – que ocorre quando pelo menos cinco ou seis resolvem acordar de seus cochilos e apagões. Uma vitória pode acontecer com o funcionamento de uma das três possibilidades. Se alguma equipe conseguir unir pelo menos duas das possibilidades simultaneamente, terá muitas chances de sagrar-se campeã. Então, Oswaldo, se ficar parado, vai tomar um Ta ligado! O Botafogo pode e deve unificar um bom padrão tático à doação dos jogadores em campo! E já passou da hora de mudarmos o comando de futebol do nosso Botafogo, que não merece o pensamento pequeno e desorganizado que tem pautado suas práticas.

             Desolado no intervalo, via e ouvia a torcida são-paulina comemorar a vitória parcial. A torcida alvinegra ficava marcada pelos olhares e pensamentos que mesclavam preocupação e esperança, raiva e paixão, desespero e glória... “Nada além de dívidas”, expunha a Fúria Jovem; “Meu Botafogo não é lugar de covardes”, acertadamente provocava a Loucos; e, quem diria, o banco Itaú, em sua propaganda, sintetizava de forma simples o que precisávamos: #vamosjogarbola. A entrada de Herrera no lugar de Loco apontava mais do mesmo. Todavia, a postura da equipe foi modificada. O terceiro fator resolveu entrar em campo: o time acordou!

Quando estava prestes a resmungar a respeito de chuveirinho na área sem o Loco em campo, Lucas acertou belo cruzamento e Herrera cabeceou com precisão para empatar a partida. Os momentos de lucidez foram castigados pelo desempate adversário: em nova bobeada do setor defensivo, o supostamente fabuloso cabeceou e, com o desvio de Brinner, Jefferson não conseguiu evitar. Não houve muito tempo para a torcida ensaiar vaias ou xingamentos. Herrera foi pisoteado na área, sofrendo pênalti e cobrando com chute cruzado para mostrar ao Loco como se faz e vibrar com a torcida do Fogão, que também acordou para pular, cantar e incentivar o time em busca da virada. Quando comentava sobre o 3 x 2 de 2009, falta na intermediária. Quem cobraria? Márcio Azevedo? Fábio Ferreira? Vitor Junior reapareceu e enfim a sorte nos brindou: desvio na barreira e bola no ângulo do fraco goleiro Dênis. Com velocidade e pressão, o Botafogo já havia roubado bolas da fraca zaga adversária. E foi assim que Fellype Gabriel, sem tanta intenção, forneceu assistência para Herrera cravar seu terceiro gol e garantir a virada alvinegra. E nosso argentino ainda deu show fora de campo ao esnobar mais uma das ações da toda-poderosa: “Música pra quê!? Nem em castelhano!” Herrera não é bobo; abaixo a Rede Globo!

Ontem, Jefferson novamente mitou! Além de garantir algumas ótimas defesas e sua segurança de quase sempre, fez uma defesa esplêndida em cabeceio de Luis Fabiano. Após o segundo gol do São Paulo, Brinner e o zagueiro mais estiloso do Carioca jogaram com seriedade e não vacilaram; Lucas não comprometeu e Márcio Azevedo manteve a raça para representar a posição de nosso Niltão; Jadson e Renato também melhoraram; Fellype Gabriel passou a acertar e Maicosuel, a driblar e partir para cima. Lucas Zen e Gabriel ainda entraram e é importante colocar mesmo a garotada formada em General Severiano para jogar! O Botafogo do segundo tempo é o Botafogo que honra sua História Gloriosa e é o que queremos ver nas próximas partidas! Pela primeira vez, ouvi a torcida entoar o nome do atual técnico. Enquanto Leão reclamava de tudo do outro lado, na primeira reclamação de Oswaldo de Oliveira, o árbitro – que esquecera os cartões amarelos em casa – resolveu disciplinar e expulsar nosso técnico, que não deixou barato e até encarou o bandeirinha bem maior que ele. Foi preciso até dois representantes de uma das vergonhas do Brasil – a PM – se aproximarem para Oswaldo sair do jogo. Menção a algo talvez não notado por muitos: a postura de Fellype Gabriel no banco, consolando Oswaldo e depois recepcionando Vitor Junior quando este foi substituído. Postura de capitão para o antigo menino grávido, que tem merecido nosso respeito e confiança.

            Enfim, o saldo da estreia foram voz debilitada para a semana de aulas e Botafogo na liderança e com o artilheiro do Brasileirão! O Domingo foi finalizado de maneira fantástica, mas sem música...
           
*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 19 de março de 2012

Contra nuvens e caravelas*

            No último final de semana do Verão, o Sol resolveu sobressair no comecinho da tarde. Com as nuvens recém-saídas de cena, a Estrela maior iluminava a Cidade Maravilhosa, fornecendo ainda mais brilho às prévias do clássico em preto e branco no Engenhão. Com ingressos custando R$30, R$40 ou R$60 num confronto pela fase de classificação da Taça Rio, obviamente três quartos dos assentos do estádio ficaram desocupados! Infelizmente os dirigentes dos clubes se submetem aos ditames de federações, confederações e aos interesses da grande mídia que controla horários, ao passo que não confrontam as autoridades governamentais minimamente para a garantia de melhores condições e menos preços no transporte públicos.

Uma faixa no setor Leste Superior clamava por Clássicos em São Januário, supostamente considerando que jogos da magnitude de Botafogo x Vasco pudessem ser disputados em campos de várzea... Tamanha inocência! Enquanto os torcedores do Vasco se dividiam em mais de uma dezena de torcidas organizadas, com faixas e bandeiras, estas mesmas do Glorioso não foram escaladas para a arquibancada. Nos setores Norte e Oeste, torcedores pulavam, cantavam e incentivavam com seus próprios corpos e vozes, sem acessórios como bandeiras e faixas. Mais um episódio para a discussão acerca da relação entre o clube e as torcidas organizadas...

Em campo, o Glorioso recebia o retorno de Marcelo Mattos, Andrezinho e Fellype Gabriel, além de Elkeson que voltara no jogo anterior válido pela Copa do Brasil: outra faceta ao meio-de-campo! Minha surpresa foi não ver Loco Abreu entre os titulares tampouco no banco de reservas, mas ontem não foi preciso recorrer ao seu futebol, que tem estado ausente nos últimos jogos. Assim como as nuvens que tentavam impedir que o Sol prevalecesse, no clássico um trio tentou em vão exercer o papel das nuvens contra a Estrela Solitária, mas nosso Fogão conseguiu passar por cima dos árbitros que provavelmente carregavam uma Cruz de Malta no peito – o Vasco de almirantes e caravelas já fora favorecido em vários jogos da Taça Guanabara – ou um chaveirinho de urubu, preocupados com a liderança disparada do Macaé e o retorno do bom futebol alvinegro enquanto o time da manguaça sofrera pra vencer com um único gol a equipe do Friburguense...

Pressionando a maior parte do tempo, com boa troca de passes, faltavam detalhes para o Botafogo abrir o placar. Honrando seu esplêndido segundo nome, Fellype Gabriel foi o nome da partida ao demonstrar como finalizar a gol e avançando para apagar seu passado maculado pelas cores rubronegras. No primeiro lance, Elkeson fez boa jogada pela direita e como um digno ponta, cruzou rasteiro para trás para que Fellype Gabriel enviasse com categoria ao ângulo do fraco goleiro adversário. O vice – ops – Vasco da Gama se apequenava ainda mais diante do poder ofensivo do Fogão e apelava para a pancadaria – faltou coerência aos vascaínos, que saíram do último jogo da Taça Libertadores reclamando das posturas adversárias. O aprendiz do badboy Edmundo – o tal do Diego Souza – deveria ter sido novamente expulso contra o Botafogo: entrou deslealmente de carrinho no Jefferson ao tomar um drible do goleirão e ainda se jogou em diversos lances para cavar pênalti e faltas. Enfim, tendo o azar por diversas vezes ao nosso lado em outras partidas, ontem a sorte apareceu: numa tabelinha com atabalhoado bate-e-rebate, a bola sobrou para Fellype Gabriel caprichar novamente e enviar para o fundo das redes. Antes de acabar o primeiro tempo, o atacante vascaíno se jogou na área enquanto nossa zaga dava conta do recado. Antônio Carlos, por favor, para quê tirar satisfação!? Não dá pra apenas jogar futebol e fazer gols!? Ganhou um amarelo de bobeira e quase a arbitragem mal-intencionada marca o pênalti.

Veio o segundo tempo e o adversário queria fazer valer a alcunha de time da virada. Outro Felipe, dessa vez o Bastos, cobrou falta com categoria e o goleiro Jefferson estava ligeiramente adiantado: mais um gol que levamos de ex-jogadores alvinegros... O Vasco foi para cima objetivando buscar o empate, impulsionado pelas inversões de falta e invenções de escanteios do trio de arbitragem. Entretanto, o garoto Jobson voltou, substituindo o guerreiro Herrera. Não deixou sua marca nesse retorno ainda, mas foi garçom ao girar o corpo depois de receber passe de cobrança de lateral e cruzou na área, a bola passou para Andrezinho e sobrou em cima da linha para Fellype Gabriel marcar o terceiro e devolver a tranqüilidade ao Fogão com o 3 x 1. Minutos depois, pela direita o jogador do Vasco, em posição irregular recebeu a bola, mas Márcio Azevedo chegou antes e mandou para escanteio. O árbitro apita e assinala pênalti!!!??? Bizarro! O tal reizinho, protegido pelo Estatuto do Idoso, não podia ser encostado que o árbitro marcava faltas. E foi o mesmo Juninho que pôs a bola para cobrar a penalidade. No duelo contra o melhor goleiro do Brasil, a terceira idade levou a pior! Não fossem os excessos de tentativas de dribles, poderíamos ter ampliado o placar.

Enquanto os times do grupo A vencem a maioria das partidas da Taça Rio, a disputa fica acirrada entre Macaé, Botafogo, Resende e Flamengo pelas vagas nas semifinais. No grupo B, Vasco e Fluminense, mesmo com campanhas pífias, seguem com facilitadas chances de classificação. O Botafogo de ontem, com brio, é o que desejamos para todas as partidas: trocando passes com tranqüilidade, marcando os adversários sem ficar fazendo linha burra, finalizando corretamente a gol etc. Enfim, é o Botafogo que nos enche de orgulho.

Já está em cartaz em diversos cinemas o filme sobre um de nossos principais artilheiros: Heleno de Freitas. É anotar na agenda para assistir e aumentar nossa identificação com a história do clube da Estrela Solitária! Quarta-feira é necessária uma goleada contra o Treze paraibano para avançar na Copa do Brasil: tem que ser um jogo de ataque contra defesa! Alô, diretoria: queremos promoção de ingresso a R$1,00 para a torcida comparecer! E sábado que vem direcionamos novamente as atenções à Taça Rio, contra o time das terras do tucano privatista Zito. 13 jogos de invencibilidade: vamos que vamos, Fogão!


*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

segunda-feira, 5 de março de 2012

Água mole em pedra dura*

Mais uma feliz coincidência ocorreu neste Domingo. Depois de conseguir carona para Campos no jogo anterior, ontem foi a vez de ser presenteado com um ingresso. Caminhando pela Rua São Januário, um carro para e um senhor nos pergunta se tínhamos ingressos; quando já ia responder que não tinha, mas que compraria apenas na bilheteria, eis que reconheço o senhor, um dos dirigentes do clube, que nos cedeu gentilmente as cortesias para assistir ao jogo nas cadeiras sociais. Apesar de ser a parte aburguesada do estádio e da maioria dos presentes ficar sentada o jogo inteiro, valeu acompanhar o Fogão sob uma agradável sombra em vez de bronzear-me na arquibancada.


Diante de preços de ingressos ainda muito altos e da fórmula que necessita de mudanças urgentes do Campeonato Estadual, realizar jogos em outras regiões pode ser uma alternativa para aumentar a presença de público nos estádios, possibilitando até mesmo a participação de torcedores de outras cidades. Apesar do motivo do confronto com o Volta Redonda – com mando de campo do Glorioso – não ser realizado no Engenhão estar relacionado ao evento musical lá ocorrido, considero importantes duas questões: a preservação do gramado da nossa casa, que tem sofrido com a quantidade ainda exaustiva de partidas em sequência; e a utilização de estádios fora da capital e/ou de equipes pequenas, como o Estádio Godofredo Cruz, em Campos; o Estádio Moça Bonita, em Bangu; o Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé; e o próprio São Januário...


Provocações à parte, se durante a semana tivemos Andrezinho cedido ao Departamento Médico, Loco Abreu retornava após representar a celeste; e o banco de reservas estava ocupado pela garotada formada nas divisões de base. Em busca da segunda vitória na Taça Rio, o Botafogo poderia nos poupar de alguns momentos angustiantes e irritantes! Reconheço que a paciência é uma virtude importante do torcedor, que precisa apoiar e incentivar; que se queremos ver pontos a todo o momento, devemos ir a um jogo de voleibol ou basquetebol etc. Contudo, é extremamente possível aliviar o sofrimento e vencer alguns jogos sem causar sustos ao torcedor!


Após demonstrar que o ataque Mercosul estava de volta à ativa, com uma genial assistência de Loco para o hermano Herrera encobrir o goleiro adversário e abrir o placar, veio uma sequência de gols perdidos, duas vezes com o argentino e uma com o uruguaio, em lances cruciais que poderiam ter definido a vitória já no primeiro tempo. Com o time acomodando-se com a vitória parcial, a defesa voltou a vacilar, praticamente assistindo de camarote ao cabeceio do zagueiro Robson, que num momento Trapalhões de Jefferson e Marcio Azevedo, igualou o placar com o gol ratificado pelo árbitro da linha de fundo (Só quero ver quando eles precisarem marcar a favor do Fogão...). Era preciso chegar a esse ponto pro time acordar? Sem brilhantismo e usando muito mais a persistência para manter os 100% de aproveitamento, Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura sintetiza fidedignamente o que foram os momentos finais contra a equipe da cidade do aço. E foi justamente a defesa que acordou e partiu para o ataque. Infeliz em vários escanteios e tentativas de cruzamento, Renato enfim acertou na medida para Antonio Carlos, em ligeiríssima posição irregular, realizar linha de passe com Herrera, que se redimiu dos outros gols perdidos e chegou ao sétimo gol no Estadual, desempatando o placar. Doze minutos depois, novo cabeceio do zagueiro-artilheiro Antonio Carlos, mas dessa vez direto furando as redes! 3 x 1 pra nossa Estrela Solitária, mantendo a invencibilidade rumo à conquista da Taça Rio.


Mesmo com desfalques devido às contusões, Oswaldo de Oliveira tem conseguido imprimir um padrão tático ao plantel, com importante poderio ofensivo. Importantíssima atitude ao substituir nossa estrela uruguaia, que em toda a partida acertou dois lances e precisa saber que ninguém é intocável no time e se dedicar mais aos treinos já que ainda é jogador de futebol... Todavia, gostaria de ter visto as entradas de Sassá e Jefferson em vez de Willian e Lucas Zen. A defesa esteve menos desatenta que no último jogo, mas ainda precisa evoluir; os laterais apoiaram menos e precisam caprichar mais nos cruzamentos próximos à linha de fundo; Marcelo Mattos não está na melhor fase em campo, entretanto o recado dado de que o time precisa “suar sangue” foi uma fala de liderança e dedicação; e Renato comanda o meio com tranqüilidade e categoria. Cheguei a pensar que Fellype Gabriel estivesse grávido novamente, mas foi uma pancada que o tirou da partida para a entrada do garoto Caio, sempre esforçado e ágil; urge que Felipe Menezes saia de suas sonecas demoradas durante as partidas e não erre tantos passes, principalmente depois que se esgota a paciência da torcida; Willian ainda está muito afoito, mas os poucos minutos em campo foram melhores que o primeiro tempo do jogo passado; Lucas Zen precisa agir de acordo com seu sobrenome, com mais precisão nos passes; e Herrera assumiu a artilharia da equipe.


Balanço positivo e liderança isolada do grupo. Fluminense, Vasco e Flamengo voltaram a vencer e voltam os indícios de que teremos os quatro nas semifinais, já que em breve devem dar tchauzinho para a Libertadores. Para nosso Fogão, uma semaninha de repouso para consertar os erros, treinar e se preparar pra terceira vitória na Taça Rio, torcendo para uma excelente reestreia de Jobson. Até sábado, em Moça Bonita!



*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

sábado, 9 de outubro de 2010

Estrelas x Aves*

Quando criança, lembro que organizava algumas armadilhas para pegar pássaros. Com muita paciência, deixava pedacinhos de pão, com uma caixa de sapato vazia sustentada por um galho amarrado a um barbante, que seria puxado assim que o pequeno animal estivesse em posição para ser preso. Hoje, quando vejo animais presos em gaiolas que impedem sua liberdade de voar e cantarolar mundo afora, tenho muita vontade de abrir as portinhas para libertá-los dessa prisão. Já no sábado passado, 2 de outubro, véspera de eleições parlamentares, a sensação em relação aos mascotes era diferente, pois queria vê-los caírem, como na época das armadilhas.

            Às 18:10 cheguei em casa e restavam apenas 20 minutos para iniciar o jogo. Com a vantagem de morar no Engenho de Dentro, foi possível, nesse parco tempo, estacionar o carro, separar a carteirinha de estudante e o dinheiro, ir até o ponto de ônibus, descer, andar até a bilheteria, comprar o ingresso, entrar no setor certo depois de alguns segundos perdidos no local errado e sentar antes da partida ser iniciada. Raras são as vezes em que vou ao clássico Botafogo x Flamengo devido às preocupações maternas, mas dessa vez não teve escapatória. Em péssima fase, o Glorioso estava diante da oportunidade de afundar ainda mais os urubus rumo à Segunda Divisão.

Uma pausa: absurdamente aumentam os preços dos ingressos nos clássicos; há muito tempo não assistia jogos do Fogão no setor Oeste Inferior e paguei R$30,00 a meia entrada, porque ainda sou estudante! Imaginando um casal e seus dois filhos, num clássico lá se vai quase metade do parco salário mínimo de nosso país! O pior: para ingressar em estádios cujas construções e reformas são constantemente patrocinadas pelos recursos vindo dos impostos pagos por todos nós! Não é à toa que apenas pouco mais de 13.000 pessoas pagaram para assistir a essa partida.

            Apesar dos desfalques, da falta de entrosamento e de diversos erros bobos vindos de jogadores profissionais, que treinam quase diariamente, o Botafogo segurava o placar sem gols e criava poucas chances. E, numa cobrança espetacular de falta, o maestro e capitão Lucio Flávio ratificou que ainda tem condições de ajudar com sua categoria e precisão. Enquanto Leandro Guerreiro sobrava na defesa, Túlio Souza e Lucio Flávio garantiam a qualidade do meio-campo e Jefferson segurava os ataques dos flamenguistas, El Loco e Edno estavam apagados no ataque, Somália errava tudo que tentava e Marcelo Cordeiro confirmava toda sua limitação. Tínhamos tudo para vencer, até mesmo porque enfim Fahel estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo... Tínhamos... Pretérito Imperfeito! Imperfeito tal como o lateral Alessandro, que eu vinha elogiando por conta de seu crescimento, amadurecimento e confiança adquiridos nos últimos jogos. Num lance de pelada de várzea – com todo o respeito aos peladeiros – em vez de chutar a bola para fora, tentou chutar em cima do adversário, que caminhava para a entrada da área, totalmente sem ângulo. Não bastasse a primeira burrada, Alessandro ainda cometeu o pênalti e foi expulso. $#&*¨@!% Esse seria o primeiro palavrão publicado no blog – e merecidamente! Mas não vou apelar às palavras de baixo calão. É, temos o melhor goleiro em atividade no Brasil e algo me dizia: Jefferson vai pegar, enquanto recordava o gol do vascaíno Felipe após rebote de pênalti em rodada anterior. Os números da Mega-Sena nunca me vêm à cabeça... Para variar, o Flamengo contaria com uma regra ludibriada. Leo Moura correu antes da cobrança e estava em total vantagem sobre os adversários para pegar o rebote e empatar a partida... Ainda houve tempo para a expulsão do rubro-negro Renato. E, apesar de ter gostado dos poucos minutos da atuação do Marcio Rosário, é de lamentar mais uma baixa no elenco por conta da contusão do Fabio Ferreira.

            Todavia, cravamos o quinto empate seguido no campeonato e não fomos capazes de liquidar o Urubu, que tem na liderança de suas crises externa e interna a presidente tucana Patrícia Amorim. Os tucanos, apesar das pesquisas de intenções de votos, conseguiram levar o apático José Serra para o segundo turno no dia seguinte. Na briga das estrelas contra as aves, teremos de aguardar mais alguns dias para saber quais serão as consequências. Entretanto, é certo, nítido e notório que a estrela petista não brilhe mais como antes e hoje esteja ao lado dos ricos, poderosos e dominantes, aplicando a mesma política dos 8 anos de tucanato. Ainda é duvidoso que a urubuzada caia, situação que seria interessante e completaria o ciclo dos quatro maiores clubes do Rio de Janeiro terem passado pela Série B.

            Diante dessa espera, prossigo com a minha Estrela Solitária no peito, torcendo pela queda de urubus, tucanos e também da estrela petista. É Fogão na cabeça e no coração e VOTO NULO nas urnas!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985