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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

'Escalaminhada' rumo ao cume do Pão de Açúcar

O blog Além do Trivial surgiu para interagir a respeito de diversas temáticas, principalmente auxiliando para construirmos um efetivo processo de transformação da sociedade em que vivemos. Ultimamente, por conta dos compromissos acadêmicos, os textos acabaram centrando-se na relação das temáticas Botafogo, futebol, torcida, política e sociedade, que culminaram numa coletânea que será publicada no livro "Botafogo, uma Paixão Além do Trivial" daqui a algumas semanas.

Enfim, muitas pessoas em alguns momentos reclamam que só faço críticas ou acusações ao Estado do RJ e à 'Cidade Maravilhosa', mesmo reconhecendo na maioria das vezes que tais reflexões são importantes em tempos de farsas como o 'choque de ordem', de irresponsabilidades sociais que impulsionam catástrofes após a ação dos fenômenos da natureza e de privilégios aos setores dominantes para adequar nossa cidade aos mega-eventos esportivos. A postagem de hoje tentará socializar um pouco das belas imagens existentes em nossa cidade, obviamente apresentando questões que caminham além do trivial.

Já publicara em outro momento uma subida com minha antiga turma de alunos ao morro da Urca (http://alemdotrivial.blogspot.com/2009/12/turma-3001-do-cepurb-na-trilha-da-urca.html) e sempre tive vontade de realizar o trajeto (bem mais complicado) até o morro do Pão de Açúcar. Ontem, numa bela  e demasiadamente calorenta manhã de Domingo, tive a oportunidade de subir, numa caminhada com trecho de escalada, os cerca de 395m de altura do morro, conhecido nacional e internacionalmente, que fornece belos cartões postais de nossa cidade. Apesar do perrengue no finalzinho do trecho da escalada, devido ao excesso de calor, ao tênis escorregadio e à minha perda de virgindade em escaladas, foi uma aventura emocionante. Devo merecer uma média 6,0 pra atuação e desempenho. rs 

Lá de cima, era possível observar como realmente é maravilhosa a nossa cidade, que deve e precisa ser preservada para que todos e todas tenham acesso, incluindo as futuras gerações. Vale ressaltar a importância da segurança e da responsabilidade para realizar tais aventuras, que devem ser feitas com pessoas com experiência e conhecimento, evitando quaisquer problemas. Além disso, não sujar o espaço também é essencial para preservarmos essas belas paisagens. Aproveitando o ensejo, ainda está muito cara a passagem para subir e descer de bondinho (Praia Vermelha - Morro da Urca - Morro do Pão de Açúcar), que custa R$33,00. Tudo isso é patrimônio da população carioca, fluminense e brasileira e não deve ser um espaço de lucratividade para a administradora, mas um espaço de visitação acessível a todos e todas.

Sem esquecer o lado bem-humorado, deixo registrados também as congratulações e os agradecimentos pela companhia da 'Equipe Cão' no Pão de Açúcar - Amandinha Gouveia, Paolla Moura, Vanessa Leite, Caíque Tibiriçá, Bruno Leite e eu.

Como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, compartilho abaixo um pouco da experiência de ontem.























terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu troco Luan Santana...*

Desde 2004, ano em que ainda me encontrava cursando a Graduação, não havia concursos para o meu cargo (Professor 1 - Educação Física) para o município onde nasci, estudei, fui criado e até hoje resido, conhecido internacionalmente como a Cidade Maravilhosa. Enfim, em 2010 o concurso foi realizado e obtive êxito. No dia 25 de outubro, tomei posse e sou desde então funcionário público da capital fluminense.

No final de semana, folheando as páginas do jornal, deparo-me com a notícia de que a Prefeitura do Rio de Janeiro, atualmente gerida por Eduardo Paes/PMDB, realizará no próximo sábado um evento de final de ano(1).

A primeira questão a se levantar é que tal evento não permitirá a presença e a participação de todo o seu corpo de trabalhadores. Quem estivesse interessad@ deveria participar de um sorteio, que contemplaria 15.000 funcionári@s, cada um(a) destes(as) podendo levar acompanhante. O show, que ocorrerá na Praça da Apoteose, terá como contratado o cantor sertanejo Luan Santana, cuja existência soube há poucos meses. E aí está a segunda e principal questão, que me incentivou a tecer alguns comentários:

a) a maioria do público-alvo do artista certamente está concentrada na faixa etária abaixo dos 18 anos, ou seja, público não composto por funcionários públicos;
b) além de não consultar o que seus funcionários gostariam de ganhar como presente de Natal, a Prefeitura escolhe, a seu critério e arbitrariamente, quem será o artista; contratando-o por intermédio da empresa Cunha Locação de Equipamentos, propriedade do produtor Daniel Alves;
c) o total de gastos com o evento custará cerca de R$1.300.000,00 aos cofres públicos(2);
d) apenas o cachê e gastos de deslocamento de Luan Santana custarão aproximadamente R$525.000,00(2).

Recentemente, alavancado por uma ascensão meteórica à fama, o referido cantor adquiriu um jato particular, com valor avaliado em R$3 milhões, para poder realizar suas dezenas de shows e engordar sua conta bancária durante cada mês(3). E agora vemos a Prefeitura do Rio de Janeiro auxiliar nesse processo, prefeitura esta cujo professor I precisaria trabalhar numa matrícula de 16h semanais durante quase 389 meses ou cerca de 32 anos e meio para receber a quantia que Luan Santana receberá por algumas horas. Enquanto o jovem se desloca de jatinho, o professorado enfrenta salas de aula superlotadas, violência exacerbada, deslocamento por transporte público precário, engarrafamentos monstruosos e percebendo o desmantelamento da Educação Pública por meio da desvalorização do magistério, da Educação à distância e da privatização que favorece o terceiro setor.

Pois, quem tem algo a comemorar nesse final de ano?

Não tenho dúvidas de que a quantia de R$1.300.000 poderia e deveria ser melhor aplicada. Haverá alguma relação entre o governo municipal e/ou seu partido/coligação e a empresa de Daniel Alves? Enquanto essa grana, vinda dos impostos da população carioca, vai para os ares (a jato), a dita Cidade Maravilhosa transcende a desigualdade apresentada acima entre professores e Luan Santana: os contrastes são notados em cada itinerário que realizamos. Esse é o enredo desejado e necessário ao capital, modelo que devemos enfrentar, combater e superar! Não é possível que continuemos aceitando o enriquecimento de uma minoria a partir do trabalho da maioria.

Portanto, compartilho essa angústia para afirmar categoricamente que eu troco o show de Luan Santana por mais investimentos públicos na Saúde, na Educação, na Habitação etc. públicas Assim como eu troco todos esses Luans Santanas que se enriquecem às custas da classe trabalhadora por uma sociedade onde todos tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, sem fome, miséria, desemprego nem desigualdade social!


(1) Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/09/prefeitura-vai-gastar-1-3-milhao-em-show-de-luan-santana-para-servidores-publicos-923234280.asp

(2) Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?article-id=1380898


 
*Gabriel Marques
Professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quanto riso, oh! Quanta alegria!

Em ritmo de festa, milhões de foliões já preparam seus apetrechos e fantasias, programam suas viagens e entoam refrões para se esbaldar nas ruas de diversas localidades de nosso extenso país.  Por diversos motivos, sempre gostei do Carnaval: quando criança, ia ver com meus pais os carros alegóricos e acompanhava os desfiles das escolas de samba e anotava as notas de cada quesito durante a apuração; já adolescente, usava fantasias, viajava, conhecia novas pessoas, beijava na boca etc. Planejo o terceiro ano consecutivo na simpaticíssima Cidade Maravilhosa, curtindo os blocos, as praias, cachoeiras e demais belezas. Porém, para fazer valer o nome do blog, tentarei compartilhar um pouco da angústia que tem me acompanhado freqüentemente.

Muitos esbravejam por aí que o ano oficialmente se inicia apenas após o Carnaval, que é tempo de afogar as mágoas, esquecer os problemas, se embebedar e por aí vai. É aí que reside algo bastante perigoso e conservador, visto que pretende preservar a realidade concreta ao nosso redor. Com auxílio da mídia, a criação, a irreverência, a ironia que poderiam ser mecanismos de crítica e superação são transformados em mercadorias a serem consumidas pragmaticamente a fim de gerar lucros para grandes corporações. 

Dois mil e dez já teve seu início há muito tempo, bem antes dos pirotécnicos foguetórios que iluminaram a virada para o dia primeiro de janeiro. Não nos esqueçamos de que em outubro teremos novamente o processo eleitoral, renovando, sucedendo, modificando presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Renovando, sucedendo, modificando o quê, cara pálida!? Mais falsas polarizações entre os tucanos e petistas serão apresentadas, ludibriando a população, que precisará digerir novas propagandas do sempre mesmo projeto vigente, com apenas trocas de máscaras e embalagens, mantendo o conteúdo: opressor, corrupto, burguês! Tal como a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, é um novo jogo de cartas marcadas, dessa vez com uma dama de estrela vermelha que hoje tem sua combatividade apagada.

E como vamos nos esquecer? Tivemos gripe suína e crise do capital no ano passado tomando conta dos noticiários! O mensalão DEMocrata e a permanência de Arruda no Distrito Federal tal como ocorre com o presidente Lula: caem-se as laranjas mas não derrubam a laranjeira (todas podres, diga-se de passagem). No início do ano, desastres em Angra dos Reis e no Haiti que ratificaram a hipocrisia dos poderosos ao apelar para a solidariedade enquanto suas contas bancárias possuem apenas uma direção: superávit! Logo essas capas de jornais serão trocadas por outras, com semelhantes desgraças, tristezas, choros e agonias, usando Joões e Marias como fantoches de um espetáculo com desfechos imprevisíveis, enquanto não mudamos o rumo da atual história. Tá com calor aí? Não esquenta! Pegue uma gelada, coloque a amarelinha, pois acompanharemos a nossa Seleção rumo ao Hexa! Será que as mãos que constroem o país levantam a taça?

É isso. Já estamos rumando às ruas para curtir o Carnaval, tempo de festas, mas também período no qual aumentam-se os índices de violência, conseqüência corriqueira informada de maneira trivial por aqueles que querem nos vender, nos comprar, nos matar de rir e nos cegar! São assaltos, roubos, furtos, estupros, acidentes de carro etc. que se multiplicam nesse período, que também consegue jogar a sujeira para debaixo do tapete, fingindo que não há miséria, fome ou desemprego. E é também num Carnaval que podemos vislumbrar lampejos e afirmar com confiança que há uma luz no fim do túnel. Em 2008, durante um bloco na Praia de Ipanema lotada, um daqueles ambulantes - sim, daqueles que muitas vezes atrapalha, empurra e vende caro - teve seu isopor repleto de bebidas caído ao chão, varando gelo, latinhas e garrafas pela rua e calçadas. De repente, homens e mulheres caminham, se abaixam, pegam os itens e... Colocam dentro do isopor do trabalhador!

Aprendamos a ir para as ruas com o Carnaval, para fazer com que os risos e as alegrias possam ser acessíveis e compartilhados com toda a humanidade.