domingo, 18 de abril de 2010

Na estrada dos Loucos, no peito e na raça!*

Diferentemente da final da Taça Guanabara, dessa vez não estive presente no Maracanã. Com bem menos envolvimento de torcedor, mas com bastante emoção, fiquei pela Cobal do Humaitá para assistir à Final da Taça Rio. Certamente é muito mais interessante para a mídia e para patrocinadores a realização de mais dois jogos para a disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Como o Botafogo vem na seqüência de três vice-campeonatos estaduais, a situação poderia ser diferente esse ano. Além disso, desde 1998 um time não era campeão estadual vencendo os dois turnos, o que me deixou com ainda mais confiança, visto que o Fogão adora romper tabus.

Não sei se todos perceberam, mas hoje a escolha das imagens das câmeras televisivas praticamente boicotou as arquibancadas e a torcida! Será por que havia mais botafoguenses no estádio? Agora vai ter que engolir o Botafogo, capa de jornal e campeão! Outro problema que costuma perseguir o alvinegro em momentos decisivos dessa vez pouco influenciou, até mesmo porque o time não se entregou: a arbitragem marcou corretamente os pênaltis a favor; distribuiu com rigor necessário os cartões amarelos; e expulsou nosso guerreiro hermano depois de bravamente defender nossos interesses! Na minha avaliação, isso foi um erro, pois a motivação foi um pênalti mal marcado a favor da urubuzada.

Apesar de não ter estado lá, hoje a fachada da minha casa esteve assim.

O barrigudinho Joel confirmou sua fama de papa-títulos estaduais. Apesar de não me agradar seu estilo e opções de jogo, o papai Joel estimulou a equipe, que foi zilhões de vezes mais vibrante, raçuda e empolgante que os times – com elencos melhores – de 2007, 2008 e 2009. Pudemos observar isso em cada disputa de bola, em cada velocidade no ataque, em cada esticada de perna para impedir o gol do adversário, mas principalmente na gana e na vontade com que Herrera partiu para cima do juiz, situação que se tivesse ocorrido em 2007 quando Dodô fora expulso, poderia mudar os rumos da piada do chororô.

Jefferson ratificou o acerto de sua contratação para nosso elenco: fez importantes defesas e ensinou ao Bruno como se pega pênalti. A defesa, apesar de fraca, teve garra o tempo inteiro e evitou dois gols quase em cima da linha. Somália, que não conseguia dominar uma bola nos primeiros jogos, superou-se, tal como os anteriormente perseguidos Fahel e Alessandro. Ainda acho que Lucio Flávio é um bom reserva, mas sua saída forçada do time foi benéfica. O ATAQUE MERCOSUL foi outro grande acerto da temporada. Herrera, batendo mal; e El Loco, batendo com uma esplêndida categoria, detonaram o goleiro machista e fanfarrão Bruno! Pelo visto, teremos atacante na Copa do Mundo de 2010, enquanto o Império do Amor se afasta dessa possibilidade. Faltou experiência ao garoto Caio, que poderia nos brindar com uma elasticidade no placar, mas valeu o amuleto supersticioso pois o desempate veio com ele em campo. Apesar de não jogar seu melhor futebol, ele mereceu muito levantar a taça enquanto capitão do time: parabéns, Leandro Guerreiro!

Enquanto isso, a Gávea sofre derrotas em poucos dias, o que fará com que a crise estrutural do sistema flamenguista possa voltar com ainda maior intensidade, tal como a do sistema capitalista. Num jogo, são bi-vices (Taça Rio e Estadual) e já não ganham do Glorioso há quatro meses! Adriano treina e joga quando quer; Bruno ataca o gringo, que foi um dos destaques da campanha do título brasileiro. Petkovic tem dado shows fora do campo: primeiro detonou Ana Maria Braga ao defender a Sérvia na época do regime socialista em rede nacional no canal de televisão apoiador de ditaduras militares, do empresariado e da classe dominante (http://www.youtube.com/watch?v=UHHGZKMwSaI); depois, sem papas nas línguas, falou que o pior do Flamengo são seus dirigentes. Confesso que fiquei fã dele, diferentemente da presidente tucana Patrícia Amorim, que agora lidera o chororô rubro-negro por conta da Taça de Bolinhas. A intensidade da crise pode ser ainda maior se o time das terras de Hugo Chávez não perder por 2 x 0 e o Flamengo ser eliminado na primeira fase da Libertadores na próxima quarta.

Enfim, o Fogão matou dois coelhos com uma tacada, sendo campeão da Taça Rio e já garantindo o campeonato estadual. Nas semifinais dos turnos, despachou o Flamengo e o Fluminense; nas finais, o Vasco e o Flamengo freguês. Desde 2006, portanto, somos campeões de 3 das 5 Taças Guanabara; 3 das 5 Taças Rio; e 2 dos 5 Estaduais. Estivemos em 100% das finais do Rio em 2008, 2009 e 2010: uma significativa e marcante hegemonia nos últimos cinco anos. Nesse domingo 18 de abril, seguimos a estrada dos loucos; com a Estrela Solitária no peito guiando a raça dos jogadores, que mereceram entoar euforicamente: É CAMPEÃO! Agora, depois do repouso e de um jogo para entrega da faixa, é rearticular o time, contratar bons reforços e realizar uma boa pré-temporada para fazer bonito no Campeonato Brasileiro. Afinal, será a única competição do segundo semestre. Nós podemos comemorar e gozar os adversários, pois o Rio começa a semana alvinegro, com as cinzas do Botafogo.

Em General Severiano, hoje à noite, ONDE COMEÇOU A FESTA...

Ô, o meu vice amarelou...
O meu vice amarelou...
O meu vice amarelou...
Cadê o império do amor?

*Gabriel Marques, botafoguense desde 30/05/1985

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Estação Stand-up

Ultimamente tenho tentado acompanhar algumas comédias nos teatros, como as que contam com jogos de improviso e as que possuem o modelo stand-up. Na quinta passada, a convite da amiga e produtora cultural Érika Neves, estive no Teatro Maria Clara Machado - no Planetário da Gávea - para assistir à estréia de Estação Stand-up, que estará em cartas todas as quintas de abril a partir das 21h30min.

Com piadas atuais e contextualizadas ao cotidiano dos brasileiros - principalmente os cariocas -, os atores arrancaram muitos risos e aplausos da platéia, que lotou o teatro no primeiro dia. O grupo é bem jovem e possui considerável potencial. A peça tem duração de pouco mais de 1 hora; recomendo que assistam!

Seguem abaixo as informações e a filipeta com desconto.


Estação Stand-up de volta!

Daniel Belmonte
(Reco, de "Malhação ID", da TV Globo)

e Rafael Studart
(Beto, da série "Os Buchas", da Oi TV)

retornam em mais uma temporada e com convidados fixos:

- Murilo Couto (Beto Duarte, de "Malhação ID")
- Nigel Goodman (do grupo de stand-up comedy "Louco é Pouco")

Convidados de 08/04:
Gregório Duvivier ("ZÉ - Zenas Emprovisadas")
e, como open mic, em sua estreia no stand-up:
Matheus Souza (diretor do premiado filme "Apenas o Fim")

Imprima a filipeta abaixo (pode ser em preto e branco) e pague apenas R$ 10!!!

sábado, 3 de abril de 2010

X Encontro Regional de Estudantes de Educação Física

Na seqüência dos feriados de 21 e 23 de abril, lugar dos estudantes de Educação Física do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de Minas Gerais é na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica. Entre os dias 21 e 24 desse mês, ocorrerá o X Encontro Regional de Estudantes de Educação Física da Regional II (RJ, ES e MG): o EREEF RURAL 2010. Participe enviando trabalhos até o dia 16 para apresentar oralmente ou por meio de pôster! Converse com seus colegas de sala e procure o Centro ou Diretório Acadêmico para ajudar na divulgação e organizar os/as estudantes da faculdade para vivenciar o Encontro!

Entre 2003 e 2007, enquanto estudante de Educação Física da UFRJ, participei do Movimento Estudantil de Educação Física. Nos EREEFs da Regional II, desde então, estive em Viçosa (UFV-2004), apresentei trabalho em Seropédica (UFRRJ-2005), fui palestrante em Juiz de Fora (UFJF-2006), compus a Comissão Organizadora no Rio de Janeiro (UFRJ-2007). Já Licenciado em Educação Física, também estive como mediador do filme "A UNE somos nós?" em Minas Gerais (UFMG-2008) e dei uma espiadinha rápida em Niterói (UFF-2009). Esse ano, participarei como mediador do filme "Roger e eu", repetindo o evento na receptiva cidade de Seropédica.

Vamos nos encontrar lá!
Prof. Gabriel.



Seguem abaixo algumas informações contidas no panfleto de divulgação do EREEF 2010.


SEJAM BEM VINDOS/AS

O Encontro Regional de Estudantes de Educação Física ocorre anualmente, sendo um evento construído exclusivamente por estudantes e para os/as estudantes e trabalhadores/as da área. Realizado pela Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF). A ExNEEF é a entidade representativa dos estudantes de graduação do curso de Educação Física de nosso país, responsável por organizar e executar as ações do Movimento Estudantil de Educação Física – MEEF.

Os Encontros Regionais de Estudantes de Educação Física (EREEFs) surgiram como forma de preparação para os Encontros Nacionais (ENEEFs), onde ocorre a maior instância deliberativa do MEEF – a Plenária Final.

A formação acadêmica dos universitários acompanha o cenário político, econômico e social em que vivemos, refletindo-se em nossas salas de aula e espaços de atuação. Por conta da influência do pensamento e da política de implantação do neoliberalismo, é perceptível a ampliação gradual de individualismo e competitividade e a diminuição da participação política no dia-a-dia da Universidade. O Movimento Estudantil se configura como um importante instrumento de organização e formação dos estudantes, possibilitando discussões pertinentes e propositivas que visem criticar e superar a realidade em que estamos inseridos. Através dos seus espaços, o EREEF enquadra-se nessa perspectiva, possibilitando aos participantes reflexões acerca de temas que muitas vezes encontram-se como coadjuvantes em nossos currículos escolares, fundamentando e instrumentalizando.

INSCRIÇÕES EM

OBS: Enviar seu nome e instituição que faz parte;
Valor da inscrição R$20,00 incluindo alimentação e alojamento (trazer colchonete).
Pagar no ato do credenciamento.

MAIORES INFORMAÇÕES

Tels: Amanda 8823-2355, Leandro 9475-4026

NORMAS para APRESENTAÇÃO de TRABALHOS

-> Os trabalhos devem ser inscritos até o dia 16 de abril de 2010 e enviados para o e-mail: calef-rural@hotmail.com [campo “assunto”: inscrição de trabalho];
-> Os trabalhos poderão ter os seguintes formatos: apresentação oral ou painéis (pôster).
-> Cada autor poderá inscrever mais de um trabalho para apresentar no evento, contudo, os trabalhos de um mesmo autor devem ser em formatos diferentes. Poderá existir mais de 1 (um) autor por trabalho;
-> Os trabalhos podem estar conclusos ou em andamento. A Comissão Científica analisará seu trabalho e retornará o aceite, desde que o trabalho contemple as seguintes normas
-> Resumo - apresentação oral: até 4 laudas (introdução, metodologia, desenvolvimento, conclusão e referências);
Resumo - painéis: até 2000 caracteres e 3 palavras-chaves;
Critérios avaliados: consistência argumentativa; diálogo com a literatura; qualidade da escrita; relevância do tema.

Todos os tipos de trabalho deverão contemplar os seguintes requisitos quando enviados à análise: Word 6.0 for Windows ou superior; Titulo: caixa alta, centralizado e em negrito, á dois espaços abaixo do titulo; nome(s) do autor (es) seguido(s) do órgão ou entidade e e-mails alinhados à direita; A dois espaços abaixo segue o desenvolvimento do texto; Bibliografia segundo normas da ABNT; formato da página: tamanho A4 e margem com recuo 2,5 cm superior, inferior e à direita e 3,0 cm à esquerda; fonte arial, tamanho da fonte 11, espaçamento entre linhas 1,5;

PROGRAMAÇÃO

Quarta - feira / 21 de Abril
8:00 – 10:00 -> Credenciamento
10:00 – 11:00 -> Mesa de abertura
11:00 – 12:00 -> Almoço
13:30 – 17:00 -> Mesa Práxis – Artes Circenses, Jogos Populares e Lutas
18:00 - 20:00 -> Lanche
20:00 - 22:00 -> 1º COREEF
22:00 -> Cultural

Quinta - feira / 22 de Abril
6:30 – 8:00 -> Café da Manhã
08:30 – 11:30 -> Mesa I “A Universidade em Crise! A Copa do Mundo é Nossa?”
11:30 - 12:00 -> Almoço
14:00 – 17:00 -> Grupos de Discussão
18:00 – 20:00 -> Lanche
20:00 - 22:00 -> Grupo de Discussão – FILME: Roger e Eu.
22:00 -> Cultural

Sexta - feira / 23 e Abril
6:30 – 8:00 -> Café da Manhã
08:30 – 11:30 -> Mesa II “A copa do Mundo é Nossa. Solução ou Ilusão?
11:30 - 12:00 -> Almoço
13:30 - 17:00 -> Grupos de Trabalhos Temáticos: Universidade, Opressões, Esporte, Saúde e Licenciatura Ampliada
18:00 – 20:00 -> Lanche
20:00 –> 2º COREEF
22:00 -> Cultural

Sábado / 24 de Abril
6:30 – 8:00 -> Café da Manhã
08:30 – 11:30 -> Plenária
11:30 - 12:00 -> Almoço
14:00 – 17:00 -> Plenária
17:00 – 18:00 -> Avaliação do Evento
18:00 -> Encerramento / Confraternização

Doe sangue II

Na última quinta-feira, 1 de abril, o amigo Daniel Leal e eu estivemos no Gávea Medical Center para doação de sangue. Apesar de ser o "Dia da Mentira", nossa presença foi totalmente verídica. Foi a quarta vez que doei e é muito tranqüilo! Desde novembro do ano passado não doava, e mais uma vez a motivação foi solicitação de alguma pessoa conhecida com necessidade de reposição do banco de sangue. Essa postagem vai ser bastante curta, o que não diminui o peso da sua importância: podemos destinar algumas horas de nossas vidas, bimestral ou trimestralmente, para realizar esse gesto que pode salvar tantas outras!



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Construindo a Unidade Proletária - Tese para o Congresso da Classe Trabalhadora

Segue abaixo uma síntese da tese para o Congresso da Classe Trabalhadora, reivindicada pelo Coletivo Marxista e assinada pelos Movimentos Sindicalismo Militante, Universidade Crítica e Quem Vem Com Tudo Não Cansa.




CONSTRUINDO A UNIDADE PROLETÁRIA

Síntese da Tese para o Congresso da Classe Trabalhadora
Versão completa disponível em
http://coletivomarxista.blogspot.com/2010/04/construindo-unidade-proletaria.html

Assinam:

Movimento Sindicalismo Militante
atuação no SEPE-RJ

Movimento Universidade Crítica
atuação no movimento docente ensino superior

Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa
minoria DCE-UFRJ

Nos dias 5 e 6 de junho de 2010, ocorrerá em Santos-SP o Congresso da Classe Trabalhadora, parte e conseqüência de um processo de reorganização no movimento social em nosso país e que potencialmente se apresenta enquanto um marco para o avanço de nossas lutas e consolidação de alternativas para a classe trabalhadora brasileira.

Conforme Karl Marx já demonstrara, é inerente ao sistema capitalista a ocorrência de diminuição tendencial dos lucros, queda de salários e miserabilização das massas. Quase oito décadas após a crise de 1929, uma crise econômica mundial e de grandes proporções coloca em xeque o sistema do capital, com os Estados Unidos da América no epicentro, afetando o sistema financeiro mundial e provocando recessões nas grandes economias européias. Enquanto bilhões de dólares são injetados para auxiliar banqueiros e patrões, para os trabalhadores a situação é diferente e contínua: desemprego, diminuição de salários, direitos e pensões, precarização da Saúde e da Educação públicas.

Dos BRICs aos PIIGS, as trocas de siglas são feitas nos noticiários econômicos e políticos, enquanto a crise econômica iniciada em 2007 ameaça converter-se em crise fiscal. De forma dinâmica, o continente asiático emerge como centro econômico mundial, competindo o poder mundial com os EUA, cujo governo Obama prossegue o crescimento por meio do império militar na suposta “guerra contra o terror”.

Situamo-nos numa conjuntura dramática: milhares de trabalhadores dizimados, assassinados impunemente, em toda sorte de catástrofes naturais e políticas, como recentemente observadas no Haiti, no Chile, na Palestina, no Iraque, no Afeganistão, na Colômbia, no Sri Lanka etc. Ao invés de enfrentamento direto e explícita luta de classes, ocorrem showmícios e ajudas pretensamente humanitárias. A última etapa “do breve século XX”, marcada pelo fim do socialismo real com a queda do Muro de Berlim em 1989, faz recuar a esquerda, fertiliza a hegemonia estadunidense e inaugura o pensamento único neoliberal. A América Latina, subjugada, ainda busca sua real independência; todavia, o resultado do receituário econômico do Fundo Monetário Internacional é a crescente miserabilização das massas, escalada desenfreada da violência rumo à barbárie, lucros exorbitantes para o capital financeiro e enorme concentração de renda.

Lula é eleito no país num cenário de ataques às conquistas dos trabalhadores, iniciado por Collor e Fernando Henrique Cardoso. Quando o neoliberalismo começa a apresentar sinais de desgaste, cabe a um líder operário o aprofundamento e institucionalização do projeto neoliberal, conseguindo, com maior eficiência que os governantes anteriores, implantar as reformas necessárias à sobrevida do capital. Tal quadro é favorecido por ancorar-se num líder sindical enquanto presidente e em partido e entidades com significativo poder de representação – PT, CUT e UNE – que dificultam a retomada das lutas. Os escândalos de corrupção são outra faceta do projeto neoliberal; entretanto, a aceitação do governo é mantida alta graças aos programas assistencialistas, apoio do capital financeiro e bom desempenho econômico sob a ótica burguesa.

Considerado “o cara” por Obama, Lula é considerado herói por “salvar o país da crise”, escamoteando-se os ataques aos trabalhadores para sustentar o repasse de quantias do dinheiro público para empresários e banqueiros. Sabemos que a crise não foi superada. Sabemos igualmente que a sociedade capitalista é marcada e movida por conflitos de interesses entre trabalhadores e burgueses. Portanto, tais ataques se tornam mais fáceis diante da fragilidade da contraposição organizada da classe trabalhadora, num contexto de exaltação do individualismo e limitadas denúncias concretas contra Lula/PT.

Equivocadamente, o setor majoritário da esquerda anti-governista – PSTU e PSOL – ignorou nas manifestações e lutas o Governo que concretamente representa ricos e empresários, “unitariamente” esteve com CUT, UNE, CTB e outras entidades pelegas, enquanto Lula conseguiu dirigir uma recuperação parcial da crise e ser poupado da figura de inimigo da classe. É preciso um balanço sério e comprometido desse processo de lutas, pois não é possível depositarmos esperanças de que Lula se colocasse ao lado dos trabalhadores.

PT, Lula, CUT e UNE traem a classe trabalhadora! O PT se transformou em um partido burguês a serviço do capital ao passo que privilegia a via parlamentar; a CUT se converte em aparato governista após a ascensão de Lula, freando mobilizações e legitimando o governo e suas políticas. Hoje, a derrota do governo passa necessariamente pela derrota da CUT. Com isso, o debate sobre a reorganização dos trabalhadores em nosso país passa pela definição do caráter e do conteúdo das lutas que precisamos travar contra o capital e seus agentes.

Em 2004, em grande Encontro Nacional, foi criada a Coordenação Nacional de Lutas – CONLUTAS, que possibilitou em grande parte a reorganização da esquerda brasileira. Situamo-nos num período em que o velho não serve mais e abre espaço para o surgimento do novo, novo este que está para ser criado sobre os escombros do velho. Precisamos erguê-lo a partir de uma caracterização precisa do estágio em que se encontram as lutas de classe a nível mundial e nacional, do nível de organicidade em que a classe trabalhadora se encontra e principalmente por onde passam as possibilidades de avanço. Em 2008, no primeiro Congresso da CONLUTAS, o PSTU – setor majoritário – optou pela agitação esvaziada da construção da “unidade”, esvaziando o papel político da CONLUTAS como instrumento de lutas.

A unidade, que certamente defendemos, só é possível quando o movimento torna-se capaz de identificar objetivos comuns e traça ações unificadas para alcançá-los. Se Lula e seus aliados se encontram do outro lado, não é possível a construção de “unidade” com os que nos traíram e defendem o oposto de nós! É no combate à CUT e ao Governo que poderemos nos consolidar enquanto alternativa e fazer avançar a consciência da classe trabalhadora.

A construção de uma nova central necessita de discussões acerca do conteúdo dos debates, realizando um comprometido balanço das experiências de reorganização e uma análise rigorosa da realidade sobre a qual intervimos. Diante disso, a centralidade passa por um debate de programa e estratégia desse novo instrumento, hierarquizado pelos interesses históricos dos trabalhadores. A construção de uma nova central deve adotar um programa classista, jamais vaga ou abstrato, que coloque o capital como um fantasma, sem cara nem nome. É preciso identificar quem são os responsáveis pela implantação, manutenção e aprofundamento dos interesses capitalistas, construindo, portanto, um programa anti-capitalista e anti-governista. Seria um grande retrocesso a “coexistência pacífica” com a CUT; precisamos abandoná-la e destruí-la como referência para o proletariado.

Precisamos realizar uma análise concreta da realidade concreta. No Brasil, não vivemos atualmente um momento de unificação das lutas de classe. Esse é um desejo dos lutadores e lutadoras. Porém, apenas um desejo não basta! Apontamos a necessidade de uma nova central sindical de trabalhadores e de uma nova entidade de representação estudantil. A herança da unidade operário-estudantil deve ser resgatada, atuando em unidade contra o capital. O movimento sindical deve possuir uma central forte, consolidada, que em seus fóruns discuta conjuntamente com o Movimento Estudantil e/ou com o Movimento Popular. A participação de demais segmentos nos fóruns da central não substitui a construção de organizações de classe e categoria, capazes de atender às necessidades específicas de cada movimento, fazendo avançar os níveis de consciência e rumando a uma real unificação.


Resoluções

Programa e estratégia da nova central
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora resolve:

- Que a nova central deve adotar um programa classista, que coloque em primeiro lugar as lutas dos trabalhadores e sua independência de classe em seu enfrentamento aos ataques do capital.
- Que a nova central deve adotar um programa anti-capitalista e, na atual conjuntura, anti-governista.
- Que o programa da nova central deve ser princípio norteador para a construção da luta concreta, diária, para a construção de mobilizações e pautas de reivindicação.
- Que, programaticamente, a nova central entende a desconstrução do governo Lula e seus aparatos no movimento social como representantes da classe trabalhadora uma condição para avançar no nível de consciência dos trabalhadores e, portanto, eixo constitutivo das lutas a serem construídas.
- Que a nova central deve se pautar pro um marco claro de ruptura com a CUT e demais aparatos do governo no movimento social.
- Que a nova central, programaticamente, defende a unidade da classe trabalhadora tendo como princípio a independência de classe.

Caráter da nova central
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora resolve:

- Que a nova central deve ser uma central sindical de trabalhadores e agregar, em seus fóruns, delegações estudantis e de movimentos populares (organizadas por suas respectivas entidades e centrais) para discussão dos pontos de atuação unitária.

Plano de Lutas
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora resolve:

- Aprovar um plano unificado de lutas pautado pelos seguintes itens:
* contra as reformas neoliberais do governo Lula/PT, defender todos os direitos;
* mais verbas para saúde, educação, políticas de trabalho, moradia e transporte públicos;
* reestatização das empresas privatizadas; reestatização da Petrobrás, petróleo 100% estatal;
* participação ativa nas campanhas salariais das diversas categoriais, defendendo os direitos e salários dos trabalhadores;
* pelo fim do superávit primário e pelo rompimento com o FMI;
* contra a criminalização dos movimentos sociais; entre outros.

Concepção e estrutura sindical: o funcionamento da nova central
O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora resolve:

- Que a nova central deve desenvolver mecanismos e instrumentos que assegurem a mais ampla participação e controle dos trabalhadores sobre a entidade, através do fortalecimento dos fóruns de base, da garantia de participação dos trabalhadores em todos os organismos e da valorização das representações diretas dos trabalhadores.
- Eleger uma coordenação para a nova central, composta pelos sindicatos da classe trabalhadora. Os sindicatos devem enviar suas representações diretamente à coordenação, e essas representações devem ser eleitas ou indicadas em fóruns de base de cada uma das entidades. A coordenação da nova central deve realizar amplas reuniões nacionais a cada dois meses e, além de encaminhar as atividades da central, planos de lutas e ações, deve se ocupar da construção do primeiro congresso da nova central, que elegerá sua direção.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Proposta Curricular para o Ensino de Educação Física - Saquarema

Em 2008, fiz a prova para professor de Educação Física do município de Saquarema-RJ: 10 vagas divulgadas pelo edital. Como sempre, pelo critério de desempate, mesmo com número de pontos iguais ao do 6º colocado, fiquei na 11ª colocação. A primeira convocação veio apenas no início de 2009. No mesmo ano, mais professsores foram chamados numa segunda convocação e eu tomei posse no município em agosto, atuando na Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Edilson Vignoli Marins.

Por conta da elaboração de um projeto e planejamento na referida escola para lecionar Educação Física no turno da noite e de ter o trabalho comentado e elogiado, a Coordenação do 2º Segmento do Ensino Fundamental entrou em contato comigo no final do ano, solicitando a formulação de uma proposta curricular para a rede municipal. Em breve o documento estará disponível em .doc e .pdf. Por enquanto, compartilho aqui no blog. Tal documento certamente necessita de amplos debates a partir de sua gradativa materialização para que novas formulações possam ser feitas no município e compartilhadas com as demais locaidades.

Gabriel.

PROPOSTA CURRICULAR PARA O ENSINO
DE EDUCAÇÃO FÍSICA

TERCEIRO E QUARTO CICLOS
DO ENSINO FUNDAMENTAL - 6º AO 9º ANOS

SAQUAREMA, 2010



Contextualização


A Educação Física é considerada componente curricular obrigatório da Educação Básica(1) e sua proposta pedagógica deve encontrar-se integrada à proposta da instituição escolar, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9396/96), que também apresenta a necessidade da educação escolar vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Diante desse quadro, apresentamos esse documento ao corpo docente de Educação Física do município de Saquarema a fim de retomar algumas importantes discussões da área e emitir suporte e orientações curriculares para a elaboração dos planos de trabalho, que zelem pela aprendizagem dos alunos e auxiliem na articulação com as famílias e a comunidade (BRASIL, 1996).

Longe de querer moldar as práticas pedagógicas e/ou ferir a autonomia do profissional no que tange à elaboração de seus planos curriculares, consideramos esta uma iniciativa, um pontapé inicial em Saquarema para que nos aproximemos de um eixo comum que sistematize os conteúdos da disciplina ao longo dos quatro anos do terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Estamos certos de que nossa presença na escola pode contribuir de maneira significativa para a formação básica do cidadão, que desenvolva a capacidade de aprender; que compreenda a fundamentação da sociedade em seus valores e aspectos tecnológicos, artísticos, políticos e sociais; e que adquira conhecimentos e habilidades, formando atitudes e valores (BRASIL, 1996).

Importantes iniciativas já foram apresentadas em outras localidades, tanto para a formulação de uma proposta curricular (MINAS GERAIS, 2005a; ARACAJU, 2007; SÃO PAULO, 2008) quanto para elaboração de materiais e livro didático de Educação Física (MINAS GERAIS, 2005b; CURITIBA, 2006; RIO DE JANEIRO, 2006).

A compreensão da cidadania como participação social e política; o posicionamento de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais; o conhecimento de características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais; a valorização da pluralidade sociocultural brasileira; a percepção enquanto integrante e agente transformador do ambiente; o desenvolvimento do conhecimento ajustado sobre si próprio e do sentimento de confiança; o conhecimento do próprio corpo e sua devida valorização; a utilização de diversas linguagens para expressão e comunicação; a sapiência para utilização de diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos; e o questionamento à realidade configuram o escopo de objetivos para os alunos do Ensino Fundamental, objetivos estes orientados por três aspectos fundamentais, a saber: a) princípio da inclusão, realizado por meio da participação e reflexão e no qual se busca a superação do quadro histórico de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais; b) princípio da diversidade, aplicado na construção do processo de ensino aprendizagem e no qual se busca a legitimação de variadas possibilidades de aprendizagem nas dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos; c) categorias de conteúdos, apresentados sob as formas conceitual (fatos, conceitos e princípios), procedimentos (ligados ao fazer) e atitudinal (normas, valores e atitudes) (BRASIL, 1998).

Os objetivos acima explicitados e os aspectos fundamentais contidos nos PCNs estarão imersos no currículo escolar, onde nenhuma disciplina se legitima de maneira isolada, ou seja, cada matéria ou disciplina é considerada como um componente curricular ao passo que seu objeto está articulado aos diversos objetos dos demais componentes do currículo. É necessário que ocorra um

Tratamento articulado do conhecimento sistematizado nas diferentes áreas que permite[a] ao aluno constatar, interpretar, compreender e explicar a realidade social complexa, formulando uma síntese no seu pensamento à medida que vai se apropriando do conhecimento científico universal sistematizado pelas diferentes ciências ou áreas do conhecimento. (...)
A relação entre as matérias enquanto partes e o currículo enquanto todo é uma das referências do conceito de currículo ampliado que propomos. (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 28-29)

Diante desse panorama, fica explícita a importância de construção coletiva de projetos político-pedagógicos nas escolas, com a participação da comunidade escolar, alicerçados sobre uma base material que congregue o trato com o conhecimento, a organização escolar e a normatização escolar. Qualquer proposta curricular feita de forma separada está desafiada por consideráveis limites.

Para consubstanciar a proposta curricular abaixo apresentada, elencamos inicialmente quatro diferentes grupos, contendo cada um deles quatro propostas de conteúdos, que foram divididas entre os quatro anos dos terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Vilaça & Marques (2006) criticam o quadrado mágico formado por futsal, basquetebol, voleibol e handebol enquanto a hegemonia da educação física na escola atualmente vigente, explicitando duas características fundamentais que o desporto acarreta: a pronta e acrítica obediência e internalização de regras estabelecidas por entidades regulamentadoras; e a exclusão e discriminação diante dos aspectos relacionados ao talento e à competição exacerbada. Ademais, pautamo-nos pelo entendimento de que as atividades físicas tematizadas pela Educação Física—Jogo, Ginástica, Lutas, Dança, Capoeira—são mecanismos de linguagem, de comunicação, que carregam sentidos, significados e constituem um acervo, um patrimônio da humanidade. Podem ser observados, compreendidos, executados e aprimorados a partir de dimensões técnicas sem que sejam reduzidos à performance ou a uma abordagem tecnicista (SOARES, 2006). Os objetivos dos conteúdos na escola não devem se basear nos objetivos do esporte, da dança ou da luta profissionais; devem, portanto, oportunizar à totalidade dos estudantes o desenvolvimento de suas potencialidades e seu aperfeiçoamento enquanto seres humanos (BRASIL, 1998). Optamos, portanto, diversificar as propostas curriculares, caminhando ao encontro do que Marques (2009) defende

Não rebaixar a Educação Física ao desportivismo hegemônico que segrega, exclui e ressalta valores individualistas é um desafio, que deve ser complementado pela apresentação de inovações, incorporando elementos da cultura corporal como a Dança, o Folclore, a Capoeira, as Brincadeiras Populares e contextualizando nossas práticas à realidade cruel da sociedade em que vivemos, para que possamos questionar e acumular forças rumo à construção de novas relações. Para construir o diferente, a obtenção e a conquista de respeitabilidade e a participação discente são essenciais, que, somados ao prazer, à alegria, à satisfação, podem facilitar o alcance de objetivos que hoje nos aparentam ser árduos (p. 1)

Os grupos foram os seguintes: a) Jogos – Jogos Populares; Grandes Jogos; Jogos cooperativos; e Jogos de rebater e de tabuleiro; b) Esportes – Esportes coletivos com bola (duplicado); Esportes de aventura; Esportes aquáticos/de praia; c) Lutas, Atletismo e Ginásticas – Ginástica; Capoeira; Atletismo; e Lutas; d) Atividades rítmicas e expressivas e conhecimentos sobre o corpo – Corpo e Sociedade; Folcore; Dança, ritmo e movimento; e Expressão e Comunicação Corporal. Sugerimos também que o conjunto das aulas garanta as discussões sobre aspectos sociais, históricos e culturais de cada um dos conteúdos assim como outras atividades possam ser concomitantemente praticadas, como piques, alongamentos, utilização de filmes e até mesmo confecção coletiva dos materiais necessários a partir de recicláveis e/ou outras matérias-primas.

Em relação à avaliação, consideramos interessante que a mesma seja composta por instrumentos diversos, como trabalhos em grupo, provas, relatórios, fichas de observação etc., que se relacionem aos objetivos indicados, se distanciem de mecanismos de pressão ou castigo e possam fornecer um panorama sobre os caminhos da proposta curricular realizada, ou seja, que gere elementos para aprimorarmos nossas práticas pedagógicas e contribuir de maneira significativa para o crescimento dos estudantes. Darido & Rangel (2005) apresentam interessantes e breves questões sobre o processo de avaliação bem como os conteúdos sob as dimensões conceitual, atitudinal e procedimental. A própria LDB apresenta a necessidade de que a avaliação seja contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos sobre os quantitativos e os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais (BRASIL, 1996). Os estudantes devem estar cientes de como serão avaliados e podem participar da elaboração de alguns dos instrumentos, algo que pode fazer parte do próprio processo contínuo de diagnóstico da situação.



Proposta Curricular(2)


6º ano / Fase VI

Temas transversais prioritários: Ética e Meio Ambiente

6.1 → Jogos Populares

• Amarelinha

• Pique-bandeira

• Queimado

• Bola de gude

• Pipa

• Pião

• Boliche


6.2 → Esportes com bola

• Futsal

• Voleibol

• Basquetebol

• Handebol

• Futebol

• Rugby

• Corfebol

• Hóquei


6.3 → Ginástica

• Rolamentos

• Avião

• Vela

• Ponte

• Equilíbrio

• Pirâmide humana

• Paradas com apoio

• Estrela


6.4 → Expressão e Comunicação Corporal

• Reflexo

• Mímica

• Memória

• Criatividade

• Coordenação motora

• Elementos do circo e do teatro

• Raciocínio

• Lógica

• Yoga



7º ano / Fase VII


Temas transversais prioritários: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual


7.1 → Grandes Jogos

• Totó Humano

• Jogo dos cones

• Arremessobol

• Goleirobol


7.2 → Esportes de aventura

• Skate

• Patins

• Ciclismo

• Surfe

• Escalada

• Parkour


7.3 → Atletismo

• Saltos

• Corridas de curta e longa distância

• Arremessos

• Corrida de orientação


7.4 → Folclore

• Danças e personagens folclóricos

• Carnaval

• Tradições



8º ano / Fase VIII


Tema transversal prioritário: Saúde


8.1 → Jogos de rebater e de tabuleiro

• Tênis

• Tênis de mesa

• Peteca

• Badminton

• Basebol

• Taco

• Xadrez

• Damas

• Peteleco


8.2 → Esportes com bola

• Futsal

• Voleibol

• Basquetebol

• Handebol

• Futebol

• Rugby

• Corfebol

• Hóquei


8.3 → Lutas

• Esgrima

• Judô

• Karatê

• Boxe

• Taekwondo


8.4 → Dança, ritmo e movimento

• Coreografias

• Alongamentos

• Samba

• Forró

• Frevo

• Bambolês

• Dança da laranja


9º ano / Fase VIII


Tema transversal prioritário: Trabalho e Consumo


9.1 → Jogos cooperativos

• Passeio do bambolê

• Nó humano

• Lápis na garrafa

• Engrenagem humana

• João confiança


9.2 → Esportes aquáticos/de praia

• Natação

• Pólo aquático

• Nado sincronizado

• Vela

• Canoagem

• Remo

• Surfe

• Mergulho

• Voleibol de praia

• Futebol de areia

• Handebol de praia


9.3 → Capoeira

• Movimentos de ataque e defesa

• Roda

• Ladainha

• Instrumentos

• Maculelê


9.4 → Corpo e Sociedade

• Competição X cooperação

• Inclusão X exclusão

• Gênero e sexualidade

• Massagem e relaxamento

• Sentidos do corpo

• Lazer


(1) Vale mencionar seu aspecto facultativo ao aluno que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; maior de trinta anos de idade; que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; portador de afecções congênitas ou adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, determinando distúrbios agudos ou agudizados; que tenha prole.

(2) A proposta curricular é também direcionada para a modalidade de Ensino de Jovens e Adultos, ou seja, consideramos as fases equivalentes aos respectivos períodos do Ensino Fundamental. Em cada um dos períodos, estão contidas sugestões gerais de conteúdos, que podem ser divididos nos bimestres, de acordo com a realidade da turma. Os temas transversais devem ser trabalhados de maneira correlata aos conteúdos da disciplina, buscando um diálogo com as demais disciplinas para articulação de projetos e atividades conjuntas.

REFERÊNCIAS

ARACAJU. Proposta Curricular de Educação Física. Departamento de Educação Física. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação: 2007.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Educação Física. 1998a.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Temas Transversais. 1998b.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos. Campinas, SP: Papirus, 2006.

CURITIBA. Educação Física. 2 ed. Curitiba, Secretaria de Estado de Educação, 2006.

DARIDO, Suraya Cristina & RANGEL, Irene Conceição Andrade. Educação Física na Escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

MARQUES, Gabriel Rodrigues Daumas. Educação Física na escola pública: entre os ditames da ordem vigente e as possibilidades de resistência. Lecturas, Buenos Aires, v. 14, n. 138, nov. 2009.

MINAS GERAIS. Proposta Curricular: Educação Física. Ensinos Fundamental e Médio. CBC. Minas Gerais: Secretaria de Estado de Educação, 2005a.

______. Roteiro de Atividades. Educação Física. Ensino Fundamental. Minas Gerais: Secretaria de Estado de Educação, 2005b.

RIO DE JANEIRO. Reorientação Curricular: Educação Física. Materiais didáticos. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado de Educação, 2006.

SÃO PAULO. Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Educação Física. São Paulo: Secretaria de Estado de Educação, 2008.

SOARES, Carmen Lúcia. Educação Física Escolar: conhecimento e especificidade. Revista Paulista de Ed. Física, supl. 2, p. 6-12, 1996.

VILAÇA, Murilo Mariano; MARQUES, Gabriel Rodrigues Daumas. Educação Física desportivista: considerações críticas à prática, predominantemente vigente, de Educação Física escolar. In: ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, 10., 2006, Niterói. Lazer e Educação Física escolar. Anais... Niterói: Departamento de Educação Física e Desportos, Universidade Federal Fluminense, 2006.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Uma categórica vitória*

Desde a final da Taça Guanabara do ano passado, quando o Botafogo venceu a equipe do Resende por 3 x 0, não comparecia ao Maracanã, já que os jogos do clube têm sido no Engenhão. Estive nas finais da Taça Guanabara de 2006, 2009 e 2010 e na da Taça Rio em 2007 e saí comemorando título nas quatro ocasiões.

Alguns fantasmas acompanhavam fortemente o Glorioso: uma goleada de 6 x 0 semanas antes para o suposto time da virada em pleno Engenhão; dois anos depois, o retorno do árbitro Marcelo de Lima Henrique no sorteio para a arbitragem da final (o mesmo da decisão da Taça Guanabara de 2008, que garfou escandalosamente o alvinegro); e o binômio desconfiança-impaciência da oscilante torcida do Botafogo, boa parte acostumada a acompanhar o Fogão apelas pelo sofá!



Mas o domingo de 21 de fevereiro foi dos caça-fantasmas! O árbitro do chororô quase influenciou negativamente no primeiro tempo ao não marcar pênalti claríssimo em cima de El Loco Abreu, mas acertou ao expulsar o gângster Nilton – que merece uma severa punição após a falta criminosa – e marcar o pênalti de Titi e expulsá-lo. A Sofá-Fogo não compareceu em muito peso; estava em menor número que os vascaínos, mas apoiou o Fogão durante toda a partida, cantando, incentivando e vibrando com mais uma conquista, fazendo muito mais barulho que a torcida da Colina. Ainda há muitos daqueles que insistem em ir ao Maraca para assistir ao jogo sentadinho, vício dos dias que ficam sentados nos sofás! E certamente o Ghostbuster Joel Santana mostrou sua Estrela, referendando sua campanha em finais de turno.



Confesso que não sou muito fã de Joel, mas preciso destacar que nosso novo técnico conseguiu acertar a defesa do time e criar um estilo de jogo com o cartel – fraco para a história gloriosa do Botafogo, diga-se de passagem – que já demonstrara garra e dedicação para eliminar a urubuzada na semifinal e fazer uma boa campanha nos jogos restantes da primeira fase. Algumas contratações, como já se anunciam, são necessárias. Assim como um patrocinador, pois o Botafogo tem sido divulgado internacionalmente com seu ataque Mercosul e tem uma história a contar e ainda em curso para ser construída. Todavia, o que o Botafogo deve investir com seriedade é no aproveitamento da garotada. O goleiro Renan, o lateral-esquerdo Gabriel, o meia Wellington Junior e o agora xodó Caio devem receber chances para crescer profissionalmente e a torcida precisa apoiar e ter paciência com as pratas da casa!

Retornando ao jogo de domingo, dia de Maracanã, tivemos a certeza de que os 6 x 0 foram bem retribuídos. Phelipe Coutinho e Carlos Alberto firularam e não produziram nada. Dodô novamente sentiu a pressão de enfrentar a torcida alvinegra e viu que está no clube certo para ser vice-campeão! Aos vascaínos, portanto: Uh, aceita! Porque Vice é o Vasco! E no Maracanã o Bacalhau virou Sardinha! Infelizmente há ainda muitas pessoas que insistem em levar resultados e gozações para a porrada! Precisamos aprender e entender que o futebol deve ser um espetáculo harmônico. Entre as torcidas, precisa-se de paz. A guerra que precisamos é em outra instância: contra a fome, a miséria e as mazelas que se multiplicam pela base opressora e cruel em que vivemos.

Ao conjunto do time do Botafogo falta habilidade, qualidade no passe e criação de jogadas, dentre outros fatores. Talvez o atual quartel seja o pior dentre os quatro grandes do Rio. Mas não faltou determinação, garra e atitude para que em menos de uma semana derrotássemos os campeões brasileiros das Séries A e B e nos tornássemos com categoria bicampeões da Taça Guanabara. Ao finalizar o Estadual, teremos estado em pelo menos 12 das 15 finais, vencendo por enquanto 1 Estadual, 2 Taças Rio e 3 Taças Guanabara. Uma regularidade bastante relevante, que pode avançar com mais conquistas e servir como exemplo para as competições nacionais.


*Gabriel Marques, botafoguense desde 30/05/1985.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sem direito ao aborto*

Trabalhadora de padaria é atacada por ex-companheiro. A matéria poderia ser a mesma, recordada, reescrita, não fosse pela localidade, pelas características dos sujeitos envolvidos, pela data em que foi publicada e pelas conseqüências trágicas. Na padaria ao lado de minha casa, no Engenho de Dentro, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, na última terça-feira, Daiana Alves da Silva, de 24 anos, foi surpreendida pelo ex-marido e pai de suas duas filhas. Enquanto trabalhava, o sujeito chegou por trás, ateou gasolina e riscou o fósforo antes que Daiana conseguisse fugir.(1) Há pouco mais de 2 anos, em Araraquara-SP, uma balconista de padaria de 17 anos levou três tiros de seu ex-namorado, um jovem de 21 anos, que ainda amarrou seu corpo em pedras para que afundasse nas águas do Rio Jacaré.(2) Até onde sabemos, Daiana se encontra em estado grave no Hospital Municipal Salgado Filho, com queimaduras em 45% do corpo.

Infelizmente, o cotidiano é ainda mais cruel, pois não se trata apenas de mulheres que trabalham em padarias. Há menos de um mês, cenas horripilantes não eram ficção: Maria Islaine de Morais, proprietária de um salão de beleza, de 31 anos, levou sete tiros do ex-marido, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte-MG.(3) Em outubro de 2008, em Sorocaba-SP, Daniel Pereira de Souza assassinou com um tiro na cabeça sua ex-namorada Camila Silva Araújo, de 16 anos, com quem tinha um filho.(4) Em setembro do ano passado, em São José dos Campos-SP, Marta Batista do Nascimento, de 48 anos, foi baleada no peito pelo pedreiro Jerônimo, que se suicidou e matou outras duas pessoas.(5) Não tenho dúvidas de que esse breve levantamento é miúdo diante de casos que se multiplicam país afora e que possuem características em comum: muitas das vezes há queixas e denúncias por parte das mulheres vítimas de agressões, que são negligenciadas ou não recebem a devida atenção por parte das autoridades. Tal quadro se configura em mais um reflexo da podridão da lógica opressora e machista da sociedade capitalista.

Recentemente, fiquei impressionado ao ler uma chamada para leitura de matéria em um blog, publicada pelo mesmo veículo de comunicação que se alarma – ou se usa da matéria para vender mais? – com o caso de Daiana.(6) O cabalista Shmuel Lemle publicou O papel do homem e da mulher, explicitando que a mulher veio ao mundo para ajudar o marido na sua correção espiritual e no seu processo de desenvolvimento e que sem ela o homem não consegue atingir o máximo de seu potencial. Flávio Alves da Silva pode muito bem ter lido uma baboseira dessas e não aceitou não poder chegar ao máximo de seu potencial, já que Daiana decidira romper o relacionamento! Perdoai-os, será que eles não sabem o que fazem, o que escrevem e o que defendem?

A lição cabalística é mais uma das facetas sobre as quais se ergue a divisão sexual do trabalho. A partir dessa simplista postagem, nota-se um forte argumento, uma legitimação do machismo, que, ao chegar no seu extremo, pode desencadear assassinatos, ameaças e ações truculentas contra as mulheres! Em outros momentos ou em outras culturas, serve para garantir a poligamia ou a existência dos dotes. Elas não podem ter o direito de decidir? Historicamente, tem sido importante para a conservação da ordem vigente a fidelidade da mulher, objeto reprodutor e responsável pelos cuidados com a casa e os(as) filhos(as). O próprio Dia Internacional da Mulher é deturpado pela ideologia burguesa para expansão do consumo.(7) E dia-a-dia acompanhamos nos programas televisivos a exposição exacerbada de bundas, corpos-violões ou capôs de fuscas; em letras de músicas e coreografias que, sutil ou de maneira escrachada dignificam cachorras, galinhas, piranhas, novinhas, popozudas presas em gaiolas ou frutas transgênicas fresquinhas para serem chupadas e/ou comidas! O sentimento de propriedade privada é evidenciado na magnífica criação artística recente, que necessitou de duas pessoas para compor que a mulher é a mulher e melhor que uma mulher só dez mulher!(8)

Não, elas não podem ter o direito de decidir. As ricas até conseguem com maior segurança, de maneira escamoteada! As pobres terão maior dificuldade de enfrentar as avalanches ideológicas, fortalecidas pelas pressões de uma Igreja tirânica, que esteve sempre ao lado dos poderosos em busca de ouro, status e poder. Entretanto, aquela que já mandou para a fogueira e financiou guerras, hoje hipocritamente afirma que as mulheres devem prosseguir com seus instintos maternais e defender a vida!

No texto da Lei 11.340, em vigor desde 22 de setembro de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, encontra-se a criação de mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Poderia aprofundar os pormenores da Lei assim como a infra-estrutura necessária para implementação rígida da mesma, como uma maior existência de delegacias especializadas, proteção irrestrita às vítimas – antes das fatalidades – com apoio psicológico, educacional e de assistência social etc. Pode-se dizer que avanços aconteceram em alguns sentidos, como a participação de mulheres em profissões masculinizadas ou até mesmo a homologação da Lei mencionada. Todavia, os retrocessos possuem muita força, ao pagar salários desiguais para trabalhos iguais; ao não serem construídas creches para atender a real demanda; ao criminalizar o aborto etc.

Se a dominação da mulher pelo homem se origina a partir da necessidade da exploração do ser humano pelo ser humano, devemos radicalizar e fazer nascer novas necessidades e novas relações, sem que essas sejam abortadas.


*Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Professor de Educação Física e Mestrando em Educação (UFRJ)


(1) Matérias de 16/02/2010:

(2) Matérias de 20/01/2008:

(3) Matéria de 20/01/2010:

(4) Matéria de 20/10/2008:

(5) Matéria de 15/10/2009:

(6) Matéria de 07/02/2010:

(7) Luta Mulher, de Vivian Machado Dutra:

(8) Mulher, Mulher, Mulher (idéia fixa), de Neguinho da Beija-Flor e Murilo Rayol.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quanto riso, oh! Quanta alegria!

Em ritmo de festa, milhões de foliões já preparam seus apetrechos e fantasias, programam suas viagens e entoam refrões para se esbaldar nas ruas de diversas localidades de nosso extenso país.  Por diversos motivos, sempre gostei do Carnaval: quando criança, ia ver com meus pais os carros alegóricos e acompanhava os desfiles das escolas de samba e anotava as notas de cada quesito durante a apuração; já adolescente, usava fantasias, viajava, conhecia novas pessoas, beijava na boca etc. Planejo o terceiro ano consecutivo na simpaticíssima Cidade Maravilhosa, curtindo os blocos, as praias, cachoeiras e demais belezas. Porém, para fazer valer o nome do blog, tentarei compartilhar um pouco da angústia que tem me acompanhado freqüentemente.

Muitos esbravejam por aí que o ano oficialmente se inicia apenas após o Carnaval, que é tempo de afogar as mágoas, esquecer os problemas, se embebedar e por aí vai. É aí que reside algo bastante perigoso e conservador, visto que pretende preservar a realidade concreta ao nosso redor. Com auxílio da mídia, a criação, a irreverência, a ironia que poderiam ser mecanismos de crítica e superação são transformados em mercadorias a serem consumidas pragmaticamente a fim de gerar lucros para grandes corporações. 

Dois mil e dez já teve seu início há muito tempo, bem antes dos pirotécnicos foguetórios que iluminaram a virada para o dia primeiro de janeiro. Não nos esqueçamos de que em outubro teremos novamente o processo eleitoral, renovando, sucedendo, modificando presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Renovando, sucedendo, modificando o quê, cara pálida!? Mais falsas polarizações entre os tucanos e petistas serão apresentadas, ludibriando a população, que precisará digerir novas propagandas do sempre mesmo projeto vigente, com apenas trocas de máscaras e embalagens, mantendo o conteúdo: opressor, corrupto, burguês! Tal como a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, é um novo jogo de cartas marcadas, dessa vez com uma dama de estrela vermelha que hoje tem sua combatividade apagada.

E como vamos nos esquecer? Tivemos gripe suína e crise do capital no ano passado tomando conta dos noticiários! O mensalão DEMocrata e a permanência de Arruda no Distrito Federal tal como ocorre com o presidente Lula: caem-se as laranjas mas não derrubam a laranjeira (todas podres, diga-se de passagem). No início do ano, desastres em Angra dos Reis e no Haiti que ratificaram a hipocrisia dos poderosos ao apelar para a solidariedade enquanto suas contas bancárias possuem apenas uma direção: superávit! Logo essas capas de jornais serão trocadas por outras, com semelhantes desgraças, tristezas, choros e agonias, usando Joões e Marias como fantoches de um espetáculo com desfechos imprevisíveis, enquanto não mudamos o rumo da atual história. Tá com calor aí? Não esquenta! Pegue uma gelada, coloque a amarelinha, pois acompanharemos a nossa Seleção rumo ao Hexa! Será que as mãos que constroem o país levantam a taça?

É isso. Já estamos rumando às ruas para curtir o Carnaval, tempo de festas, mas também período no qual aumentam-se os índices de violência, conseqüência corriqueira informada de maneira trivial por aqueles que querem nos vender, nos comprar, nos matar de rir e nos cegar! São assaltos, roubos, furtos, estupros, acidentes de carro etc. que se multiplicam nesse período, que também consegue jogar a sujeira para debaixo do tapete, fingindo que não há miséria, fome ou desemprego. E é também num Carnaval que podemos vislumbrar lampejos e afirmar com confiança que há uma luz no fim do túnel. Em 2008, durante um bloco na Praia de Ipanema lotada, um daqueles ambulantes - sim, daqueles que muitas vezes atrapalha, empurra e vende caro - teve seu isopor repleto de bebidas caído ao chão, varando gelo, latinhas e garrafas pela rua e calçadas. De repente, homens e mulheres caminham, se abaixam, pegam os itens e... Colocam dentro do isopor do trabalhador!

Aprendamos a ir para as ruas com o Carnaval, para fazer com que os risos e as alegrias possam ser acessíveis e compartilhados com toda a humanidade.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Retrospectiva 2009




Que venha 2010!


Dois mil e nove se foi e é tempo de revigorarmos as energias para iniciar 2010, vislumbrando mudanças e superações que possibilitem melhorias em relação aos anos anteriores, principalmente no que tange à ordem social. Pessoalmente, tentarei resgatar um pouco do que se passou e apresentar uma ligeira retrospectiva desse ano de 2009, no qual...

... profissionalmente, houve dificuldades, superação e novidades. Depois de quatro anos atuando como professor da Colônia de Férias do Sport Club Mackenzie, assumi a coordenação das atividades de janeiro. Após ser aprovado em alguns concursos públicos, enfim chegaram duas convocações: para a rede estadual do Rio de Janeiro e para a rede municipal de Saquarema-RJ, tirando um professor do rol de desempregados. Como ponto negativo, fui obrigado a me registrar no famigerado sistema CONFEF/CREFs! Em contrapartida, as aulas de Educação Física nas duas instituições em que trabalho certamente configuram algo positivo: modificaram impressões e entendimentos sobre o significado e os objetivos da disciplina e os estudantes me ajudaram a crescer ainda mais.

... academicamente, foi vitorioso. Foram os primeiros meses do curto período do Mestrado em Educação na UFRJ, meses durante os quais pude trilhar um caminho para o projeto de dissertação e iniciar as pesquisas de campo no Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II. Tive que trancar o curso de Pedagogia e obtive o título de especialista em Educação Física Escolar após defender a monografia em dezembro. A participação na Comissão Organizadora do IX Congresso Ibero-Americano de História da Educação Latino-Americana e na Jornada do Curso de Especialização Saberes e Práticas na Educação Básica garantiu a presença em eventos acadêmicos e científicos.

... arrumei algum tempo para visitar, conversar e comemorar aniversários com amigos e parentes; dançar forró; participar de blocos carnavalescos na Cidade Maravilhosa; escutar música ao vivo; jogar algumas peladas de futebol e futsal; conhecer e revisitar alguns barzinhos e restaurantes; comer além do normal em rodízios de pizzas ou petiscos; mergulhar em praias e cachoeiras; criar e manter o blog Além do Trivial; realizar mais fotografias após comprar uma máquina digital etc. Pude acompanhar o Botafogo em um ano delicado, sendo campeão da Taça Guanabara, sendo eliminado da Copa do Brasil, perdendo a final do Campeonato Estadual e escapando na última rodada do rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro: estive lá para apoiar, por diversas vezes no Engenhão, no Maracanã e até mesmo no Estádio dos Aflitos, em Recife.

... culturalmente, vários novos livros, artigos e trabalhos foram lidos e estudados, aumentando o cabedal de conhecimento nos campos do Marxismo, da Educação, da Educação Física e da História da Educação. Filmes excelentes no cinema e em casa. Mesmo aos que já tinha assistido, novos olhares ocorreram ao revê-los. Cito e indico alguns deles: A Culpa é do Fidel; Cidadão Boilesen; Entre os Muros da Escola; O Caçador de pipa;, Ensaio sobre a cegueira; O Corte; Cronicamente inviável; Quem quer ser um milionário?; 12 homens e uma sentença; A vila; Capitães de Abril; Os gritos do silêncio; Vida de inseto; Fahrenheit 11/09; O pianista; O Jardineiro Fiel; FormiguinhaZ; Patch Adams; O curioso caso de Benjamin Button; e Em busca da Terra do Nunca. As comédias dominaram as idas ao teatro, com Os Deznecessários; Z.É. Zenas Emprovisadas; e Musicomédia! Vale ressaltar também a entrevista para o encarte Trabalho e Cidadania da Folha Dirigida e a participação ao vivo no programa da TV Brasil ATITUDE.COM para debater o trote nas Universidades.

... consegui realizar algumas viagens, revisitando Pentagna, Teresópolis, Piraí, Recife-PE, Maceió-AL, Macaé, Rio das Ostras, Campo Grande-MS e passando pela primeira vez em Engenheiro Paulo de Frontin, Penedo, Gaibu-PE, Porto de Galinhas-PE, Quissamã e Bonito-MS.

... a militância do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa prosseguiu firme e forte. Estive diretamente envolvido na Recepção da Calourada da UFRJ; na Calourada do DA de Farmácia da UFF; na Calourada do DCE Mario Prata; na Campanha Estágio Já do CA de Pedagogia da UFRJ; na barraquinha no Furdunço de Educação Física e Dança; nas últimas sessões como representante estudantil do Conselho Universitário; no Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia, na UFPE; no Luau na Praia Vermelha e no Arraiá com bingo em Piedade. Defendi a tese Para enfrentar a crise, organizar a juventude e consolidar o novo Movimento Estudantil no Congresso Nacional de Estudantes e novamente levei a voz do Movimento Estudantil para os estudantes secundaristas durante o Conhecendo a UFRJ. Perdemos as eleições para o CA de Pedagogia, mas obtivemos expressivos 1.436 votos nas eleições para o DCE da UFRJ, sendo a segunda maior força na maior Universidade Federal do país.

... conjunturalmente, prosseguiu a crise da economia capitalista, onerando os trabalhadores com desemprego, retirada de direitos e outros ataques, enquanto o presidente Lula mantém sua política de conciliação de classes, acima do bem e do mal, privilegiando a manutenção da ordem opressora, corrupta e exploradora no país, obtendo como premiação máxima a escolha do Rio de Janeiro como sede para os Jogos Olímpicos de 2016. Percebemos a importância de potencializar a reorganização da classe trabalhadora de maneira independente e oposta à burguesia. As atividades “Introdução ao Marxismo” e “Análise da crise numa perspectiva marxista” mais a publicação da 2ª edição de Marxismo Militante foram importantes instrumentos organizados e realizados pelo Coletivo Marxista.

... o Governo Sérgio Cabral/PMDB atacou os profissionais da Educação do Rio de Janeiro moral, econômica e politicamente. Teve de recuar por conta da mobilização crescente, que, por meio de reuniões e assembléias, deflagrou paralisações, greve e manifestações, uma delas duramente reprimida com gás de pimenta, bombas e cassetetes!

... foi ano de perda, choro e saudade! Moacyr Marques, vô ou Císar nos deixou, fechando em 5 de dezembro o ciclo da vida para o qual todos caminhamos. Meu avô fazia questão de estar em todos os momentos importantes; levava-me para a pracinha para dar pequenas voltas nas charretes, soltar bolas de sabão e comer salgadinho enquanto ele tomava o quente ou a cervejinha; acompanhava as peladas de futebol, perguntava sempre se jogaria de back, posição que ele jogara, e elogiava as atuações, mesmo quando eram complicadas; volta e meia, de maneira disfarçada, repassava-me dinheiro com desculpas de que era para eu comprar um refrigerante, piscando os olhos. Lembro-me dele em seu fusquinha quando ia nos visitar na vila duas vezes por semana, nas viagens para Praia Seca, Rio das Ostras, Pentagna ou nos churrascos e tira-gostos lá em casa. Seu carinho, seu apoio, sua presença estarão vivos em nossos corações e mentes, eternamente. Dedico o balanço e as conquistas de 2009 à memória de meu avô.