sábado, 22 de junho de 2013

V de Vingança*

“V de Vingança” de James McTeigue
(2006)


)

"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."

Criada por Alan Moore (roteirista) e David Lloyd (arte) nos anos 1980, a HQ, V de Vingança (V for Vendetta, no original), chegou às telas dos cinemas em 2005, trazendo a figura do anti-herói de codinome V em sua missão de explodir o Parlamento britânico, repetindo a tentativa feita por Guy Fawkes em 1605 na “Conspiração da Pólvora”. A “Conspiração” foi orquestrada por um grupo de católicos insatisfeitos com a falta de isonomia no tratamento entre católicos e protestantes pelo então rei Jaime I. Guy Fawkes era o especialista em pólvora e fora preso estocando a pólvora sob o prédio do Parlamento, após a conspiração vazar aos ouvidos do rei. Aliás, são feitas várias referências à “Conspiração” durante o filme, como a rima supracitada, assim como o ideal de se explodir um símbolo como estratégia catalisadora para uma transformação social a partir da afirmação e revolta dos indivíduos.

Não é possível afirmar com clareza o momento temporal do filme, a não ser que se passa num futuro não muito distante assim. O contexto histórico-social é diluído no filme, ao contrário da HQ, em que se explica a ascensão ao poder do grupo fascista “Nórdica chama”, associado às corporações que restaram dos destroços da guerra nuclear que varreu os Estados Unidos, mas que atingiu a Inglaterra através da transformação criminosa dos efeitos climáticos. Aliás, a comparação da HQ e de sua adaptação às telonas é quase uma tentação para os fãs da série. Se a HQ dá a entender de que se instaurou uma ditadura empresarial-militar fascista decorrente de um golpe de estado (situação ainda muito presente no início dos anos 1980, quando foi escrita), no filme, o grupo chega ao poder através de eleições, o que já demonstra a incorporação da democracia formal pela burguesia no século XXI.



Destacaríamos como personagens principais V (Hugo Weaving), Evey (Natalie Portman) e Inspetor Finch (Stephen Rea). Todos esses personagens passam por transformações significativas. V é o resultado da frustrada experiência de testes comandados pela indústria farmacêutica dos membros do Partido e futuros governantes do país no campo de readaptação de Larkhill, onde eram levados os excluídos da nova sociedade, o que incluía minorias étnicas, sexuais, imigrantes e ativistas políticos. No filme, Larkhill se constitui a fonte experimental para riqueza posterior dos membros do Partido e sua ascensão ao controle do aparato do Estado. V é puro ódio contra aqueles que lhe torturaram, manipularam suas propriedades psíquicas e fisiológicas, e esse desejo de vingança, o combustível para suas ações “terroristas”, fazendo assim a sua justiça pessoal, já que a justiça legalmente constituída não pertenceria mais aos cidadãos, mas à classe dominante. A HQ nos ajuda a compreender o significado da Justiça para V. Ele diz que “Eu a admirava, apesar da distância (personificada pela estátua no alto do Old Bailey). Ainda criança, passando pela rua, eu admirava sua beleza”. Porém, naquele contexto a Justiça não passava de uma meretriz que flertava com os homens de uniforme. Quando “perguntado” pela estátua sobre quem tomou o seu lugar, ele responde que “seu nome é anarquia [...] com ela, aprendi que não há sentido na justiça sem liberdade” (p.43).

Evey é uma jovem bem instruída, amante das artes, porém assustada e temerosa. Seus pais foram executados pelas forças policiais por serem ativistas políticos que protestavam contra a ascensão do grupo fascista ao poder e ainda por cima, trabalha no canal BTN, a TV estatal rigidamente comandada pelo governo. Ela é salva por V após quase ser estuprada pelos Homens-Dedo (policiais). Seu personagem passa por uma verdadeira metamorfose no decorrer da película. Se no início do filme, mostrava-se servil e obediente ao sistema (apesar da plena consciência da tirania no poder) e às normas legais, depois passa a compreender os propósitos de V, forjando assim, não uma consciência de classe, mas uma consciência de luta contra a opressão da sociedade. Outro aspecto incorporado por Evey em decorrência de sua convivência com V é a ausência de uma identidade própria. Liberta de seus medos e fraquezas, Evey consegue sobreviver na Londres caótica sem se deixar reconhecer (e talvez sem reconhecer a mesma Evey).



Inspetor Finch, magistralmente interpretado por Rea, representa o fiel cumpridor de ordens do chanceler em assuntos investigativos da polícia. Também membro do Partido, ele acredita que sua missão em prol da sociedade é manter a ordem e a unidade através do trabalho na polícia. Honesto, ele leva seu trabalho a sério em seus princípios e quando as sucessivas revelações escusas sobre membros do Partido são trazidas à tona em suas investigações, começa a se questionar sobre quais interesses realmente representa.

Por conta da identificação do diferente enquanto perigoso, atitudes e discursos opressores e coercitivos transcorrem contra as minorias, como os imigrantes, os muçulmanos e os homossexuais, ao passo que nota-se a ausência de negros. Para que seja consolidada certa hegemonia, necessitamos abordar três pontos: a proliferação do elemento da fé, atrelada à união e à força; a utilização de aparelho repressivo, materializado pelos Homens-Dedo para fiscalizar e punir a desobediência até mesmo de maneira corrupta e pelo toque de recolher amarelo enquanto elemento de suposta proteção; e um farsante estado de ordem e paz trocados pelo consentimento silencioso do conjunto da sociedade.

Em tempos de Bush & Cia, observamos no filme a mesma fórmula que (costuma) justificar a ascensão dos regimes totalitários. Países em meio a uma recessão econômica, níveis elevados de criminalidade, desordem urbana ou então devastada por uma guerra civil são o prato cheio para a investida de um grupo, personificado por uma liderança, ora carismática, ora temida, mas que vem a público prometer que, em troca da perda da liberdade e direitos civis, tem-se de volta a segurança, a ordem, a paz e os valores perdidos. O resgate da família e a temência a Deus são temas recorrentes aos novos tempos. E qualquer um que venha a protestar por liberdade, será devidamente removido do convívio social. Não podemos deixar de citar a fala contida na HQ pelo Chanceler (na HQ, chamado de Líder): “Eu não ouvirei súplicas por liberdade. Sou surdo aos apelos por direitos civis. Eles são luxos. Eu não acredito em luxos. A guerra escorraçou os luxos. A guerra escorraçou a liberdade” (p.39).



Pareceu-nos importante comentar acerca de diversos destaques ao longo do filme às mais diversas manifestações artísticas. Através de referências a filmes e peças teatrais, da observação de pinturas e esculturas, a música dos instrumentos de percussão, bem como da encenação da prisão e da tortura de Evey e da dança realizada pelos protagonistas às vésperas da ‘revolução de V’, é levantado o papel do artista, que utiliza mentiras para contar as verdades e traz à tona a subversão e as potencialidades da Arte.

Ao transmitir mensagens ratificando a previsão de que ‘a Inglaterra triunfará’ além das certezas fabricadas—já que ‘dúvidas mergulharão o país no caos’—os dominantes revelam suas verdades universais, a fim de veicular ideologicamente a transmissão do medo, entreter a população e manter coesa a estrutura social vigente. Conforme citam Engels e Marx (s/d):

"Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa dada sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles a quem são recusados os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias do seu domínio (s/p).


Apesar da instigante aliteração utilizada com a letra V em sua apresentação para Evey e da afirmação de que não importa quem ele é, mas suas ações, sua identificação parte do algarismo romano estabelecido na porta de sua cela em Larkhill, local e ocasião de onde desponta o elemento catalisador da vingança concretizada posteriormente contra a cúpula dominante e diretamente envolvida com o caso—a Voz de Londres, o bispo, a legista, o chanceler e o que a este poderia substituir.

Nossa intenção é dialogar a partir da temática central do filme e oferecer subsídios para uma análise problematizadora da realidade complexa que nos cerca, traçando paralelos e questionando o método apresentado e a percepção das relações sociais estabelecidas que são apresentadas no enredo transcorrido.

Primeiramente, apesar da história situar-se em um futuro não muito distante2, carece de uma caracterização conjuntural do modo de produção existente, ou seja, a existência da propriedade privada dos meios de produção e a liberdade de compra e venda de força de trabalho enquanto mercadoria, necessidades básicas para existência e sobrevivência do sistema capitalista. Em segundo lugar, é notória a ausência de discussões acerca da divisão social em classes antagônicas, o que limita a centralidade do filme enquanto fornecedor de elementos para uma prática revolucionária na sociedade em que nos localizamos, pois não é mencionada a organização dos trabalhadores, uma séria análise das condições objetivas e subjetivas e majoritariamente é expressa a vingança de um indivíduo para com o sistema vigente. Pela opção de nos pautarmos a partir do materialismo histórico, Engels (2004) nos propicia com clareza:

"A concepção materialista da história parte da tese de que a produção, e com ela a troca de produtos, é a base de toda ordem social; (...) a distribuição dos produtos, e juntamente com ela a divisão social dos homens em classes ou camadas, é determinada pelo que a sociedade produz e como produz, e pelo modo de trocar os seus produtos. De conformidade com isso, as causas profundas de todas as transformações sociais e de todas as revoluções políticas não devem ser procuradas nas cabeças dos homens nem na idéia que eles façam da verdade eterna ou da eterna justiça, mas nas transformações operadas no modo de produção e de troca; devem ser procuradas não na filosofia, mas na economia da época de que se trata". (p. 61)
Essa superestimação do indivíduo pode influenciar em duas matizes: diretamente, a anarquista, através de práticas individualistas, terroristas e voluntaristas; metaforicamente, a marxista, cujos materialismos histórico e dialético nos servem de instrumentos para a práxis da transformação efetiva da sociedade. De acordo com Green (1982):
O anarquismo começa sua análise (...) a partir da situação do indivíduo—desrespeitado, oprimido, massacrado pelo jugo do poder centralizado da burocracia.

Já o marxismo inicia sua análise da sociedade a partir de sua divisão em classes conflitantes, exploradores e explorados, considerando essa divisão a raiz de toda opressão e a razão pela qual nenhum homem pode ser realmente livre. (p. 19, grifos do autor)
Em diversos momentos, é enaltecida a primeira pessoa do singular—‘depois que eu destruir o Parlamento’ ou ‘durante 20 anos busquei apenas este dia’, sendo atribuídas a V caracterizações de ‘terrorista psicótico espalhando mensagens de ódio’, o que recai sobre problemas morais—e faltam conseqüências responsáveis com o processo empregado, já que inexiste uma atuação centralizada e organizada de um Partido revolucionário enquanto vanguarda de uma classe oprimida. Fica-nos obscuro e omisso o que fazer após a explosão do prédio e a morte do setor dominante, pois um Estado socialista centralizado—ou ditadura do proletariado—“é imperativo absoluto enquanto a luta entre o novo e o velho sistema não estiver resolvida de modo conclusivo em escala mundial” (idem, p. 86); além da irresponsabilidade de estimular e levar as massas às ruas sem nenhuma possibilidade de autodefesa, pois elas poderiam ter sido esmagadas pelo exército, que recua pela falta de comando.

Cabe uma metáfora de nossa parte com algumas contribuições advindas do marxismo, caso identifiquemos o indivíduo V enquanto a figura de um Partido, já que o mesmo afirma haver por trás da máscara um rosto que a ele não pertence, que sob a mesma há mais do que carne; há idéias que são à prova de balas. Como de nada valem idéias sem homens que as coloquem em ação, poderíamos extrair daí o elemento subjetivo para a transformação social, amparado pela resposta de Evey ao detetive após questionar quem era V: ‘Era Edmond Dantes, meu pai, minha mãe, meu irmão, meu amigo, eu, você, todos nós’ e que teria clandestinamente organizado a Galeria Sombria e preparado a distribuição das máscaras para a população e o trem com explosivos para derrubada do Parlamento.

Apesar da metáfora proposta, são perceptíveis os desvios de método para correlação com a revolução socialista, alguns destes advindos de teorias anarquistas. Questionado por Evey se a explosão do Parlamento faria o país melhor, a resposta é que apenas há oportunidades, não certezas; ‘o prédio é apenas um símbolo, tal como o ato de sua destruição e o poder dos símbolos emana do povo’. Porém, “lançar uma bomba em um banco, incendiar um edifício (...) não é conduzir a revolução, mas brincar com ela (...) Não dá nascimento à consciência de classe” (ibidem, p. 108). Além do apontamento de que o povo precisa de esperança mais do que de um prédio, uma outra situação importante é quando deixa a decisão de puxar a alavanca às pessoas que construirão o novo, já que ele ajudou a construir o atual mundo. Também é comentada a importância da espontaneidade das massas para o sucesso de um movimento revolucionário, ampliando a discussão, pois “(...) sem uma teoria e liderança revolucionárias, a espontaneidade das massas é insuficiente para substituir o velho por algo fundamentalmente novo”. (p. 54).

A despeito das condições objetivas e subjetivas para o marxismo, Lênin menciona que a “revolução é impossível sem uma situação revolucionária, mas nem toda situação revolucionária tende à revolução” (p.216-7), apresentando três índices concomitantes para essa situação revolucionária, a saber, a crise das cúpulas, o agravamento extremo da miséria e da angústia das classes oprimidas e a atividade independente das massas. Junto a estas mudanças objetivas, é necessária uma mudança subjetiva, ou seja, a capacidade da classe revolucionária conduzir ações revolucionárias de massas a fim de destruir completa ou parcialmente o “velho Governo, que não cairá jamais, mesmo em épocas de crises, se não for forçado a sucumbir”.

Por fim, reproduzimos o questionamento do Inspetor Finch. Às vésperas do “Grande Dia”, imerso em seus pensamentos, como se perguntasse a V e a si mesmo: “Está pronto? Nós estamos prontos?”. Ocorrerá um 5 de novembro no século XXI, com data e local tão bem marcados? Ou será uma revolução absolutamente espontânea, surgida das massas? Ou sequer haverá uma revolução? Vivamos e construamos esses caminhos!

REFERÊNCIAS

ENGELS, Friedrich, MARX, Karl. A ideologia alemã. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br, Acesso em: 3 nov. 2007.

ENGELS, Friedrich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. São Paulo: José Luiz e Rosa Sundermann, 2004.

GREEN, Gilbert. Anarquismo ou Marxismo: uma opção política. Rio de Janeiro: Achiamé, 1982.

LENIN, V. I. La Faillitte de la Deuxième Internationale. Oeauvres. V. XXI, p. 216-217. In: NÚCLEO DE EDUCAÇÃO POPULAR. Apostila História das Revoluções e do Pensamento Marxista, São Paulo.

MOORE, Alan. V de Vingança. Edição Especial. Barueri: Panini Comics, 2006.


*Texto de 2007, publicado na revista Tela Crítica:

Bruno Gawryszewski
Bacharel em Educação Física pela UFRJ
Mestrando em Educação pela UFRJ

Gabriel Rodrigues Daumas Marques
Licenciado em Educação Física pela UFRJ
Graduando de Pedagogia pela UFRJ

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tem caroço no nosso angu!

Uma intensa campanha pelas redes sociais já é tema de diversos veículos de comunicação. Torcedores do meu querido Glorioso lançaram o evento "Nossa Torcida Acordou", convocando para um abraço ao Engenhão no sábado 8 de junho a partir das 15h, principalmente após a "merda lançada no ventilador" denunciando um suposto envolvimento entre a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e a Rede Globo de Televisão. É indubitável que tal "denúncia" tenha mexido com os brios da torcida e é muito interessante que uma proposta de manifestação avance além da hashtag #EduardoPaesdevolvaonossoestadio. Em todas as esferas da vida social, apenas com LUTAS podemos modificar a realidade.

Tal momento nos exige reflexões importantes e posicionamentos rígidos para que as ações não sejam somente oba-oba tampouco representem apenas interesses corporativistas de um clube. Como botafoguense, é óbvio que não gosto de ver meu clube prejudicado, principalmente sabendo que dois dos principais atores - o Prefeito Eduardo Paes/PMDB e a toda-poderosa Rede Globo de Televisão - são meus inimigos históricos, pois representam interesses de uma pequena parcela da sociedade. Portanto, o que e como podemos e devemos agir para que a campanha alcance o conjunto da população, colocando cidadãos cariocas como protagonistas deste levante em vez de fornecer ibope ao sensacionalismo midiático assim como sem promover politiqueiros oportunistas que desejarão aparecer mas que também não representam os nossos interesses?

Como estarei em Campinas no dia do ato, procurarei explicitar algumas contribuições ao debate neste texto.

A reivindicação pela "devolução do nosso estádio" é mais que legítima. Paulatinamente, com muitas dificuldades, começamos (torcedores do Botafogo) a nos acostumar com o Engenhão, compreendendo que era uma "casa nova". Às vésperas de levantarmos o título do Campeonato Estadual, aparece uma pedra em nosso caminho, com o prefeito anunciando a interdição mesmo tendo dito meses antes que não havia qualquer problema com o Estádio. Mas o que deve significar a consigna "Eduardo Paes, devolva o nosso estádio"?

Na minha opinião, temos que avançar! Não podemos simplesmente defender que o Engenhão volte a funcionar. Se o Estádio foi erguido com o suor diário de trabalhadores da construção civil e seus recursos de aproximadamente R$380 milhões vieram majoritariamente dos impostos pagos pela classe trabalhadora, devemos exigir a retirada de quaisquer homenagens a um corrupto e elitista que durante anos mandou e desmandou na Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). No retorno do Engenhão, é importante defendermos que sejam apagadas as menções ao Sr. João Havelange e que seja feito uma consulta à população sobre o nome do Estádio que pagamos - sem sermos consultados! Nilton Santos e João Saldanha são duas propostas que agradam a mim e a diversos torcedores, inclusive de outros clubes.

Outro debate importante refere-se ao acesso aos estádios. O plim-plim da Globo impõe horários absurdos para trabalhadores e suas famílias frequentarem o Engenhão. Além disso, a CBF e a FERJ - com a conivência do clube, importante mencionar - tabela preços exorbitantes de ingressos! Estas duas ações intencionais pouco a pouco afastam a torcida dos estádios, diminuindo a euforia coletiva e transformando o torcedor num telespectador com a bunda no sofá e o controle remoto na mão. Temos que brigar pela mudança dos horários e por preços populares para os estádios voltarem a encher.

Não podemos deixar de mencionar a retirada de direitos historicamente conquistados, que também se apresenta nos estádios de futebol! Na luta contra a ditadura empresarial e militar - tempos totalmente apoiados pela Rede Esgoto de Televisão - conquistamos a Liberdade de Expressão! E hoje, a Polícia Militar é acionada para coibir e censurar as faixas e bandeiras levadas para manifestação de opiniões. Se eles querem fazer com que o Futebol seja o ópio do povo, nós devemos responder com mensagens críticas sobre diversos temas da sociedade em busca de efetivamente termos uma Cidade Maravilhosa!

É nítido que o Futebol envolve corações e mentes; e a emoção, a paixão pelo Botafogo de Futebol e Regatas possibilitam que milhares de pessoas já confirmem a participação na manifestação de sábado 8 de junho. Mas é preciso mais. Temos plenas condições de avançar nas denúncias, pois a falácia eleitoral de Eduardo Paes e seu slogan de que SOMOS UM RIO - diferentemente do teto do Engenhão - PRECISAM SER DERRUBADOS pela população! Acompanhamos o caos no transporte público; a precarização das escolas municipais e a superexploração de professores e funcionários; o aumento da violência e a diminuição das oportunidades de lazer; a inexistência de um eficiente e eficaz sistema público de saúde devido à não destinação de recursos etc. Enquanto isso, milhões são destinados para empreiteiras e empresários, que se enriquecem cada vez mais, com o auxílio do argumento das obras para os megaeventos esportivos. A coalizão de Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e Eduardo Paes - que recebeu mais de R$21 milhões para sua campanha eleitoral de reeleição, com o apoio de cerca de 20 "partidos" - é maléfica não apenas à torcida do Botafogo, mas à população do Rio em geral! 

Por fim, as relações obscuras desta capilaridade de poderes da classe dominante querem nos esconder o que há por trás dos panos. Se é certo que colocaram caroço no nosso angu, é hora de respondermos à altura! No que depender de mim, todo apoio à devolução do Engenhão! No que depender de mim, a resposta à altura passa por conquistar cada telespectador para se somar à palavra de ordem "O POVO NÃO É BOBO! ABAIXO A REDE GLOBO" e à defesa de uma outra Cidade Maravilhosa, sem playboyzinhos da Barra governando para a elite nem agredindo quem já percebeu seu nefasto papel no Rio de Janeiro. Ou seja, FORA PAES tem que entrar na ordem do dia! 

Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985
Professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro

sábado, 11 de maio de 2013

Nunca houve um amigo como Scott


Podemos dizer que foi uma das semanas mais dolorosas de nossa família e que o dia 10 de maio deixará aquele gostinho amargo que nos faz lacrimejar e sentir a saudade apertando no coração. Cerca de 10 anos e 7 meses atrás, o "bola sete" chegou aqui em casa para trazer alegria, companheirismo e amizade. Apesar de não querer outro cachorrinho em casa naquele momento, a opção de não gostar desse "garotão" ou ignorar sua presença jamais passara pela minha cabeça, tampouco pelas minhas atitudes. Parecendo uma bolinha de sinuca peluda, nosso "negão" formou uma bela parceria com a querida e eterna Laica e conquistava todos quando chegava com sua carinha de "pidão" para ganhar um tira-gosto, um biscoito de polvilho ou um ossinho, além de fazer questão de recepcionar com o rabo abanando qualquer visita na casa: simpaticíssimo!



Quantas boas lembranças passam como um filme neste momento... Cada balançada de rabicó, cada latido, cada fuga após ouvir alguém espirrar, cada festa ao chegarmos em casa, cada encostar de cabeça sobre nossas pernas, calçados ou sofá, cada "pedido" de "me tira daqui" ao tomar banho, cada desespero com os gritos eufóricos de gol, cada incômodo ao ver um beijo ou alguém abraçando demais ou simulando brigas e palmadas... Era meu parceiro de "MMA" e adorava "brincar de brigar"! Até o momento em que eu fingia que sua mordida tinha me machucado e vinham os lambidos no "machucado" como pedido de desculpas! Seu jeitinho heróico de Lassie passava pela preocupação quando alguém passava mal, chorava ou estava triste. Ele fazia questão de ser a companhia, pois nunca gostou de sofrimento. Quando minha vó escorregou em casa, seus momentos Marley vieram à tona, pois queria ajudar, mas acabava passando por cima dela. O "Cottinho" até acreditava ser humano, quando por muito tempo andou pelas ruas sobre duas patas, saltitando, recusando-se a demonstrar aos demais que ele era quadrúpede.  

Todas as situações e vivências são belos e emocionantes capítulos de uma história que deveria ser eterna no tempo e no espaço, mas só pode ser eterna enquanto dura. Scott assumiu o papel de mais velho da casa após a morte da nossa saudosa Laica. Além de ter sido quem, desesperadamente, informou ao meu pai que Laica se fora, de maneira rápida e impressionante, ele amadureceu após passar por este choque. Depois que ficou "mocinho", trocou o estilo brincalhão e atabalhoado por um mais responsável e sério, obviamente sem deixar de querer brincar! Com a chegada de Bebel, a desconfiança do primeiro dia foi substituída pelo "matrimônio". Com ela, foi pai de seis filhotes lindos, dentre eles a Fiosa, que mora conosco.

O tempo passa tão rápido e nesses momentos de perda e dor acabamos nos lamentando por ter deixado de nos divertir durante mais minutos e horas dos dias com essas criaturas que nos fazem tão bem; que mostram mais humanidade que muitos seres humanos deste planeta; que, com ingenuidade ou esperteza, cativam nossos corações e extraem sorrisos de nossos rostos, trazendo vivacidade aos lares! Todo ser humano deveria experimentar ter um cachorro como amigo, assim como todo cachorro merece ser bem tratado por qualquer ser humano! Sem dúvidas Scott recebeu carinhos e mimos. Por não gostar de sofrimento, partiu serenamente neste dia 10 de maio, certamente para minimizar nossa dor, nos braços de minha irmã. A saudade bate e aperta bastante, mas o choro tem que ser por alegria, pois para mim, nunca houve um amigo como Scott!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Promoção Boas-Vindas

Acabo de chegar de General Severiano, onde pela manhã, junto a outros sócio-torcedores, dei as boas-vindas aos novos jogadores do Glorioso: Rodrigo, Edilson, Bolívar, Julio Cesar e Henrique. Eles também tiveram a oportunidade de conhecer o MEU LIVRO DO FOGÃO!








Confira as frases vencedoras:

1 - RICARDO MICELLI COSTA – “Esta camisa representa glória, tradição e paixão de milhões de torcedores brasileiros e estrangeiros. A torcida é exigente porque é fanática! Sejam fortes e joguem com amor e raça! Saudações alvinegras!”
 
2 - LUIZ PAULO ROCHA SERAPHIM – “Foco , Força e Fé ... Alvinegros guerreiros nossa torcida agradece desde já a presença de vocês nessa predestinação celestial chamada Botafogo. Espero que vocês todos sejam muito felizes e que honrem essa camisa! Acima de Tudo e de todos!”
 
3 – PEDRO NOGUEIRA FAÇANHA DA COSTA – “Forca e fé aos guerreiros alvinegros comandados pelo major Oswaldo, seguidos pelo general Bolívar e guiados pelos seus companheiros de time”
 
4 – MATEUS LINS KLEIN GOUVÊA – “Sejam bem-vindos à General Severiano, casa de glórias eternizadas por lendas! Marcado por seu futebol artistico, digno de acervo de museu. Envolvente e apaixonado sempre foi a marca do time Botafoguense! Sejam bem-vindos ao Glorioso, que as conquistas passadas, sirvam de força para as inúmeras que cruzarão a estrada dos louros!”
 
5 – JEAN CARVALHO – “Essa camisa tem muita historia e espero que vocês tragam sucesso, garra, amor e glórias para o nosso time! Estaremos sempre apoiando-os, aonde for! Forte abraco!”
 
6 – JULIANA LIMA MACIEL – “Bem-vindos ao Glorioso, que em 2013 vocês façam a estrela alvinegra brilhar mais forte para sermos campeões! Nosso desejo é que vocês gravem seus nomes em nossa história!”
 
7 – CATI ALINE SERAFIM MUZY MOZER – “Uma nova temporada se inicia e junto com ela sonhos seguidos de realizações. Realizações que só são possíveis quando podemos contar com craques como vocês, que vieram pra somar. Lutaremos juntos pelas conquistas de nossa estrela solitária. Sejam bem-vindos, sintam-se envolvidos por esse amor que a nossa torcida transmite ao Botafogo, pois agora vocês fazem parte dele. Contamos com vocês e o Glorioso está contando com a gente! Obrigada por fazerem parte dessa família!”
 
8 – THIAGO PEREIRA DE MELO CAMARGO – “Primeiramente gostaria de desejar boa sorte nesta nova caminhada que vocês escolheram. Tenham em mente uma coisa: o Botafogo é muito mais que um clube. Honrem esta camisa assim como ela foi honrada por todos os nosso ídolos! Esperamos muito de vocês e apoiaremo-os até o fim, para conquistarmos muitos títulos!”
 
9 – GABRIEL RODRIGUES DAUMAS MARQUES – “Vestir esta camisa que carrega a singela combinação em preto e branco e sua magnífica Estrela Solitária no lugar onde palpitam nossas emoções certamente é uma responsabilidade além do trivial, pois nosso Glorioso carrega uma brilhante tradição. Para fazer jus a esta História, sejam bem-vindos ao Clube de General Severiano, com a expectativa de que destinem seus esforços para abrilhantar ainda mais a nossa Estrela rumo aos títulos na temporada 2013"
 
10 – DOUGLAS GABRIEL PACHECO DE SOUZA – “Que a Estrela Solitária possa invadir os seus corações e passar toda a energia e motivação necessárias para vocês brilharem com a camisa alvinegra e marcarem as suas histórias no Botafogo com glórias e conquistas!”

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

I Recopa Alternativa*

12/10/2012: Pelada da Esquerda FC 2 x 0 Autônomos FC - Jogo de volta da I Recopa Alternativa


            Após a incursão na Argentina em janeiro, os cartolas do Pelada da Esquerda FC tiveram a genial ideia de realizar um confronto entre o campeão da I Copa América Alternativa e o campeão de La Liguita, aproveitando que ambos são brasileiros e não desistem nunca.

Com a ideia materializada, no dia 19 de maio, partimos para São Paulo com apenas 9 jogadores, precisando buscar na Lapa paulistana peladeiros dispostos a completar nosso time. Sem um prévio reconhecimento do gramado, tampouco sem encontrá-lo no campo de várzea, o Pelada da Esquerda até começou bem, mantendo o placar zerado. Até que os adversários descobriram a mina de ouro: nosso revezamento de goleiros passou a ficar tão rápido quanto o 4 x 100 jamaicano no que diz respeito à busca das bolas nos fundos da rede... Um autônomo cedido no segundo tempo até colaborou para garantirmos um de honra e Bruninho até hoje aguarda sua camisa do Inacreditável FC pelo lance que resultaria em nosso segundo gol. Enfim, o placar de 8 x 1 só foi exacerbado devido às limitadíssimas condições objetivas. O placar moral seria 4 x 2...

Embalados por jogar em território fluminense – no campo do campus Gragoatá da UFF, um campo público, gratuito e de qualidade – e pelas festividades de Dia das Crianças, no jogo de volta de 12 de outubro contamos com 17 peladeiros, com imensa dificuldade de concentração para organizar o elenco previamente e evitar as discussões que vieram a posteriori. Infelizmente, as brincadeiras e desatenções típicas do Ensino Fundamental não permitiram concretizar certos objetivos. De nossa trincheira, dois foram cedidos para completar o time adversário, que veio para a disputa com apenas 9 jogadores. Num campo gramado, os paulistas tiveram dificuldades de se adaptar, mesmo com a garoa, que não fora convidada, chegando de penetra durante todo o feriadão no Rio. Apesar de momentos de chororô devido à inexperiência de nossa arbitragem – que deveria já ter expulsado uns cinco deles – o Autônomos desenvolveu um bom jogo e aliviou a pressão feita pelos consecutivas investidas do Pelada da Esquerda. Após a primeira etapa sem gols, os 35 minutos finais foram suficientes para garantirmos nossa primeira vitória no tempo regulamentar (Na Argentina, vencemos uma por W x O e outra nos pênaltis)!

O placar de 2 x 0 não foi suficiente para revertermos o placar real do jogo de ida. Se levarmos em consideração o placar moral, o Pelada da Esquerda FC foi campeão da Recopa devido aos “gols marcados” na casa do adversário. Enfim, que caminhemos em busca de espaços públicos para consolidar o nome e a equipe no cenário futebolístico da esquerda no Rio de Janeiro! E os preparativos já começaram rumo à II Copa América Alternativa, de 14 a 17 de fevereiro de 2013, no Parque Gualeguaychu, próximo a Buenos Aires. Mais informações sobre o evento: http://csdyclacuchimarra.wix.com/csdyclacuchimarra#!home/mainPage

            Eis os comentários e notas de cada um de nossos jogadores no dia 12 de outubro:

Claudio (C1): apesar do longo período de inatividade, relembrou os tempos de Bonsucesso. Nosso arqueiro-xeroqueiro protagonizou alguns lances de Trapalhões, tropeçando na área, mas distribuiu bem as bolas nas saídas, não foi vazado, evitou um gol adversário cara a cara e contou com a trave amiga. Nome forte para ser nosso Capitão de Abril. Nota 8,0.

Caio: novato, integrou-se bem ao elenco em virtude de sua relação quase familiar com certo integrante. No auge da vitalidade de seus 19 anos, correu o campo todo para defender e apoiar e prendeu em demasia a bola em diversos momentos. Faltaram cruzamentos a la Cafu. Nota 6,5.

Brunão: não pôde desenvolver tanto suas habituais categoria e visão de jogo a fim de colaborar com o sistema defensivo. Orientou os companheiros em campo, fez bons passes e  levou escorregão grotesco no início da partida. Enquanto perdeu pontos por sua postura pós-moderna de levantar o punho direito na foto e acusar a organização de burocrática, manteve a pontuação por já garantir as passagens para a II Copa América, na Argentina. Nota 6,5.

Marcelão Dominguez (MD-24): nosso Rafael Nadal da zaga. Estava presente em todas para tentar dominar, tentar passar, tentar lançar, mas no fundo, no fundo, conseguir livrar a bola das chances do adversário atacar. Cobrou com categoria a penalidade que resultou no primeiro gol da partida e sua atitude falastrona irritou contundentemente o garçom do jogo. Nota 7,5.

Gustavo: sua típica cabeleira não permitiu que a chuva fina esfriasse a cabeça. Precisou de momentos de reflexão segurando a bandeira para acalmar-se. Importantíssima contribuição na ala esquerda, defendendo e apoiando. Só não foi melhor devido à insistência do time em romper com certos princípios e priorizar o setor direito, menosprezando a liberdade da esquerda. Nota 6,5.

Thiago: trouxe o toque e a velocidade dos quais a cabeça de área necessitava. Encontrou sua posição. Afinal, não pode jogar no ataque devido à protuberância de seu abdômen estar sempre em impedimento. Nota 6,5.

Rodrigo Mourelle: cedeu uma bola oficial para a partida. Contribuindo em outra posição, não desencadeou seus bons passes para a transição entre a defesa e o ataque. Nota 6,0.

Christiano: beneficiou a equipe adversária num erro infantil como bandeirinha no primeiro tempo! Revezando com Rodrigo, saiu-se melhor protegendo a zaga do que na Argentina como zagueiro. Nota 6,0

Bruninho: arriscou jogadas pela ponta e deu bons passes. Falta garantir o preparo físico para acompanhar mais minutos e chegar com velocidade. Como árbitro, foi totalmente imparcial e cobrou o respeito aos jogadores. Nota 6,0.

Felipe Demier: além de novato no elenco, chegou com toda a pinta de segunda divisão querendo virar a mesa. Perdeu três oportunidades de gol e sua nota foi salva pelo tapetão ao retornar no segundo tempo e sofrer a penalidade que resultou em nosso primeiro gol na partida. Nota 5,0.

Cadu Marconi: nosso combatente centroavante ainda vai nos brindar com seu faro de gol apurado, mas não foi dessa vez. Boa movimentação do meio para a frente. Nota 6,5.

Gabriel Marques (GM-7): fora de campo, assumiu a função de Secretário Geral. Em campo, incorporou Clarence Seedorf nas conversas com cada jogador. No segundo tempo, um chute no ângulo defendido pelo goleiro na primeira finalização. Na segunda, não teve jeito e materializou a marca do artilheiro, encobrindo o arqueiro paulista. Nota 9,5.

Diego: foi temporariamente emprestado ao adversário e ficou os 70 minutos por lá. Não cumpriu sua função de infiltrar-se para facilitar a vida do Pelada da Esquerda FC na busca pelos sete a zero. Todavia, mostrou que pode contribuir em nosso sistema defensivo em outras oportunidades. Nota 4,0.

Pedro: em virtude de já ter jogado pelo Autônomos FC e de sua amizade com a paulistada, foi cedido para os dois tempos. Depois da fracassada experiência como atacante, encontrou sua posição como lateral direito. Nota 4,0.

Maurício Mileo (MM-9): após momentos perdidos em campo visando à contribuição em diversas posições de carência do time, simplesmente calou a boca dos críticos ao encarnar o Pantera Donizete, roubando a bola no meio e fornecendo assistência no contra-ataque que garantiu o segundo gol. Nota 7,0.

Aloísio: novato mais compreensivo, contribuiu na bandeira na primeira etapa. Bom fôlego para acompanhar as jogadas de ataque, faltou voltar um pouco mais para ajudar na distribuição de bola. Um bom chute de esquerda defendido pelo goleiro paulista. Nota 6,5.

Bruno G. (BG-69): como árbitro, velocidade da reação diametralmente oposta à de Flash ao acompanhar as marcações dos auxiliares. Postura centrada de nosso presidente ao se oferecer para a tarefa e cumpri-la bem. Na etapa final, contribuiu como zagueiro, entendendo a tônica de chuta pro mato que é campeonato e agüentou quase todo o período. Nota 8,0.

Carlos Felipão Leal: com um preparo físico cada vez mais despreparado e a vestimenta adequada, ganhou a vaga de técnico. Sua insistência pelas duas linhas de quatro necessita de treinos. Só falta a prancheta! Nota 7,5.


*Karl Leirbag, jornalista alemão, que analisou o jogo com dificuldades de concentração por conta de desfrutar o que Niterói nos oferece de melhor: a vista para a Cidade Maravilhosa.


Obs. 1: vale registrar os agradecimentos ao Professor Waldyr Lins, diretor do Instituto de Educação Física da UFF, por autorizar a realização do jogo no referido campo.

Obs. 2: há nova palavra de ordem para a equipe:


"Hoje é dia de Festa
A Esquerda vai jogar
No campo, na quadra ou nas ruas
Nosso lema é transformar
Se você também é de Luta
Pode vir, pode chegar
Mas que beleza!
Que beleza...
Eu sou de Esquerda
e a Pelada eu Vou Jogar
Olá lá Olê lê
A Esquerda vem aí
E a direita vai tremer
Olá lá Olê lê
A Esquerda vem aí
E a direita vai tremer!"

Vejam - se aguentarem - os dois tempos da partida. Certamente a dificuldade é saber o que foi pior: o jogo ou a narração/comentários de causar inveja a Galvão Bueno e equipe da Rede Glóóóbo.



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Posição do COLETIVO MARXISTA nas eleições municipais




Nas eleições municipais do Rio de Janeiro, voto crítico em Marcelo Freixo. Derrotar os ataques do capital e avançar na organização independente e autônoma dos trabalhadores!

Coletivo Marxista apresenta, neste manifesto, sua posição em relação às eleições municipais do Rio de Janeiro. As eleições se realizam em um momento em que os trabalhadores e a juventude cariocas sentem mais, a cada dia que passa, as consequências do projeto do capital em suas vidas: remoções em favelas e comunidades pobres, criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, precarização dos serviços públicos, privatização na saúde, educação e cultura, transporte público em péssimas condições, restrições à utilização do espaço público, desvalorização do funcionalismo público e muitos outros são ataques que vivenciamos cotidianamente.

Enquanto isso, às vésperas da realização de grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, as empreiteiras lucram mais do que nunca, assim como os grandes empresários dos transportes e dos setores imobiliário e hoteleiro. Na saúde e na educação, a implementação das OSs e Oscips (Organizações Sociais e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) soma-se à precarização salarial e ao corte de direitos dos funcionários desses setores, aprofundando a privatização e transformando direitos dos trabalhadores em mercadorias. A política de segurança oprime e assassina diariamente trabalhadores e jovens, sobretudo os moradores de favelas, buscando “limpar” a cidade e torná-la atrativa ao grande capital.

A prefeitura de Eduardo Paes (PMDB), profundamente comprometida com os interesses do grande capital, atua para garantir as melhores condições de lucro para o empresariado, o que se faz às custas de mais e mais ataques aos trabalhadores. A “limpeza social” busca preparar a cidade para receber grandes investimentos, com exploração dos trabalhadores, retirada de direitos e confinamento da pobreza nas periferias da cidade. Toda essa política se constrói a partir de uma atuação unificada com o governo estadual de Sergio Cabral (PMDB) e o governo federal de Dilma/PT. É um mesmo projeto de cidade, estado e país, voltado a garantir os interesses da burguesia.

A célebre caracterização de Marx sobre o Estado burguês como um comitê executivo dos negócios da burguesia parece mais atual do que nunca: não é à toa que vemos os grandes escândalos de corrupção com empreiteiras, financiadoras das campanhas eleitorais e beneficiadas pelas grandes obras superfaturadas com dinheiro público. Em um cenário de crise econômica internacional, a saída da burguesia, no Brasil e no mundo, é colocar o ônus nas costas dos trabalhadores e tentar fazê-los pagar essa conta, através da retirada de direitos, cortes de salários, aumento da exploração e da utilização do dinheiro público para salvar empresários e banqueiros.

Nesse cenário, começam a despontar, em ritmos diferentes pelo mundo, processos de contestação ao projeto do capital e mobilizações em defesa dos direitos dos trabalhadores e da juventude. No Brasil, importantes greves e lutas questionam os ataques do governo petista.

Por que apoiamos criticamente a candidatura de Marcelo Freixo?

É nesse cenário que começa a crescer, também no Rio de Janeiro, uma contestação a essa lógica instituída e, agora, representada no governo de Eduardo Paes. E, no momento das eleições municipais, assistimos a uma polarização entre o projeto de Paes e o projeto em torno do qual se organiza a campanha de Marcelo Freixo, do PSOL. A candidatura de Freixo tem crescido e mobilizado setores importantes da juventude, dos trabalhadores e dos movimentos sociais, questionando a lógica da cidade voltada ao grande capital, as remoções, o financiamento público às grandes empreiteiras, a política de limpeza social e as privatizações.

Acreditamos que essa polarização representa um momento importante para as lutas dos trabalhadores e expressa algo maior do que a candidatura e as eleições em si: trata-se de um processo em que o questionamento à lógica representada por Paes começa a crescer e em que, significativamente, importantes setores despertam para a política e para o debate coletivo em relação aos rumos de nossas vidas. Sobretudo entre a juventude, marcada fortemente pela lógica do pensamento único, que viveu e cresceu educada a não acreditar em perspectivas de transformação social, nota-se um crescente interesse pela crítica e participação política.

É a partir desse entendimento que achamos importante apoiar e declarar nosso voto crítico em Marcelo Freixo, por ser uma candidatura que consegue, hoje, expressar um polo real de resistência e questionamento ao projeto implementado por Paes, Cabral e Dilma. Ao declarar nosso apoio crítico, dizemos aberta e claramente que a candidatura de Freixo tem importantes limites, e que esses precisam ser debatidos desde já. Preocupada em atrair amplos setores para seu campo, deixa de apresentar pontos que são essenciais para levar às últimas consequências o enfrentamento ao projeto do capital para o Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo.

Entre outros, Freixo abre mão do repúdio aos investimentos privados (que sempre cobram uma contrapartida de benefício ao capital em detrimento dos interesses da maioria da população), de apresentar a necessidade de estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e do questionamento à lógica da instituição das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas. Na verdade, o mais importante é que por trás dessa postura está a concepção de que é preciso atrair mais e mais setores para o campo da candidatura, torná-la “palatável” e, assim, criar as “condições reais” para a eleição. Por essa lógica, as questões estruturais ficam “para depois”, e a prioridade, que hierarquiza toda a prática política, é a eleição. O socialismo, aí, é apenas uma referência vaga e distante.

O maior problema é que, instituída a lógica de que a eleição é o ponto de partida para iniciarmos um processo posterior de discussão sobre a estrutura da sociedade em que vivemos, se coloca a necessidade de “jogar o jogo” das eleições burguesas, fazendo as concessões impostas pela própria lógica da democracia burguesa para uma possível eleição. Ao mesmo tempo, toda uma geração que agora desperta e se dispõe a lutar pode ser envolvida pela ilusão de que a saída para a mudança de suas vidas e para as transformações sociais é simplesmente depositar um voto na urna e eleger um prefeito que irá fazê-lo por si. 

Se há, nesse momento, um crescente questionamento à ordem instituída e sua representação na prefeitura de Paes, precisamos intervir nesse processo para dizer claramente que as transformações sociais só virão a partir da luta e organização dos trabalhadores e da juventude. Precisamos, nesse processo, denunciar o jogo de cartas marcadas das eleições no regime burguês, determinadas pelo grande capital que financia campanhas que irão os beneficiar quando eleitas. É preciso denunciar toda a lógica que organiza as eleições burguesas, e não depositar expectativas de que precisamos entrar nesse jogo, garantir uma eleição, e só depois, um dia, quem sabe, iniciar as discussões estruturais que as determinam.

Precisamos tirar as consequências e lições do que foi a experiência do PT e dos profundos problemas do programa democrático-popular. Não podemos encarar o processo de incorporação do PT à ordem como um problema de algumas pessoas que, individualmente, falharam em seus compromissos morais – pensando, assim, que bastaria elegermos pessoas sérias, honestas e confiáveis para garantir que o mesmo não acontecesse novamente. Precisamos, isso sim, questionar a lógica que orientou esse programa, que criou ilusões de que seria possível adiar o debate programático, adiar o socialismo e a revolução, ganhando eleições para depois mudar.

Nós, do Coletivo Marxista, defendemos que não há mudança possível dentro da lógica capitalista. “Humanizar o capitalismo” é uma ilusão que ignora os fundamentos básicos de funcionamento desse sistema, já que ele só existe com a exploração da maioria da população trabalhadora. É preciso que tenhamos o socialismo como perspectiva, mas para isso ele não pode ser apenas um nome em um horizonte distante, que em nada se relaciona à nossa prática diária. Se acreditamos que o socialismo é a alternativa consequente, que pode romper com a dominação burguesa e avançar em direção à sociedade sem classes - o comunismo -, essa perspectiva precisa orientar as nossas lutas cotidianas.

Nossos sonhos não cabem nas suas urnas!

Não estamos dizendo, com isso, que uma candidatura da esquerda revolucionária deva propagandear que vai “implementar o socialismo na cidade”, obviamente. O que está em jogo é que precisamos, nesse momento, entender como o socialismo se casa com a intervenção diária, nas lutas e nas eleições. Para isso, precisamos de um programa que tenha lado: o lado da classe trabalhadora. Precisamos apresentar um programa que atenda diretamente aos seus interesses, que entre em contradição com os interesses daqueles que lucram com sua miséria, que incentive a organização autônoma e independente dos trabalhadores e da juventude, que impulsione as lutas dos movimentos sociais.

Enfim, que esteja a serviço das lutas e do socialismo, o que passa, necessariamente, por incentivar a organização autônoma e independente da classe trabalhadora e dizer claramente que as transformações sociais virão da sua luta direta, e não das eleições da democracia burguesa. Um programa que seja capaz de relacionar as condições de vida e os problemas dos trabalhadores e da juventude com o capitalismo, e que apresente a necessidade de a classe estar organizada em seu próprio partido, um Partido Revolucionário que possa unificá-la em direção à ruptura com esse sistema.

Sabemos que o programa de Marcelo Freixo tem muitos limites e que sua candidatura está longe de apresentar toda a reflexão que julgamos ser essencial nesse momento. A partir dessa identificação, o que está em jogo é a nossa tarefa de intervir junto a um processo que, como dissemos, é maior do que a candidatura em si. Trata-se, portanto, de intervirmos junto a um processo que expressa a crescente insatisfação e disposição para a luta de segmentos fundamentais na luta de classes brasileira, diante de uma polarização que é real no atual cenário, e tem peso nas lutas concretas. A conjuntura de mobilização e aglutinação em torno à candidatura de Freixo precisa ser compreendida como um espaço que permita à esquerda avançar, a partir do enfrentamento ao projeto do grande capital no Rio de Janeiro, inclusive nos inadiáveis debates programáticos e estratégicos.

Por isso, partimos dos acordos que temos com o projeto que ora polariza com o projeto de Paes, Cabral e Dilma para o Rio de Janeiro para apresentar nossos desacordos e a necessidade de um programa que vá para além do que está dado. Sem dúvida, o próprio cenário de unificação da esquerda para enfrentamento a esse projeto fica comprometido diante da não constituição de uma Frente que aglutinasse todos os partidos e organizações da esquerda socialista carioca. Consideramos que esse cenário de unificação e mobilização da esquerda, que nos direciona ao apoio crítico a Freixo, estaria muito mais qualificado com a constituição dessa Frente.

A Frente deixou de ser constituída, sobretudo entre PSOL e PSTU, por cálculos meramente eleitorais, e não por um legítimo debate programático: o PSOL se negou a uma coligação para as eleições proporcionais, mais interessado em eleger unicamente seus vereadores do que em constituir um campo mais amplo com segmentos importantes da esquerda. Ao mesmo tempo, o PSTU, que hoje apresenta importantes críticas (com muitas das quais concordamos) ao programa de Freixo, certamente o faria de dentro da campanha caso tivesse a oportunidade de eleger seus candidatos a vereador a partir da base eleitoral do PSOL. Ou seja: o que justifica a candidatura própria do PSTU não são suas críticas ao programa de Freixo, mas sim o fato de não ter sido aceito na coligação proporcional para a eleição de vereadores. Caso tivesse, certamente defenderia que é possível fazer críticas ao programa a partir de um apoio à candidatura.

Assim, o Coletivo Marxista, a partir das importantes críticas colocadas, entende que é preciso posicionar-se frente à polarização que hoje se apresenta no cenário eleitoral carioca e da constituição de uma alternativa ao projeto do capital implementado por Paes, Cabral e Dilma. Não são indiferentes aos revolucionários as condições concretas em que se luta e a correlação de forças na sociedade. A possibilidade objetiva de um segundo turno entre Freixo e Paes incide, de maneira importante, no cenário sobre o qual lutamos. Isso é muito diferente de dizer que uma possível eleição de Freixo seria, necessariamente, um avanço decisivo para a luta de classes. Colocamo-nos ao lado dessa alternativa buscando fortalecer um cenário que garanta melhores condições de enfrentamento e consciência nas lutas que travamos, sempre apresentando nosso programa, nossas críticas e enfatizando que não devemos ter nenhuma ilusão na democracia burguesa, lembrando que apenas a luta e organização autônoma dos trabalhadores e da juventude serão capazes de realmente transformar a situação de miséria, exploração e opressão que ora vivemos.                                                  


Coletivo Marxista                     
http://coletivomarxista.blogspot.com 
                                                      

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Seminário de 40 anos do PPGE-UFRJ

Nos dias 8 e 9 de outubro, o Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFRJ realizará Seminário Comemorativo por conta do aniversário de 40 anos, das 9h às 21h.

Na segunda-feira, dia 8 de outubro, participarei da Sessão 3 do evento, na sala 220, das 16h às 17:30, apresentando os resultados e debates de minha dissertação defendida em março de 2011: "A Educação do Corpo e o Protagonismo Discente no Colégio Pedro II: mediações entre o ideário republicano e a memória histórica da instituição (1889-1937)". O trabalho completo está disponível para visualização na página a seguir: http://www.educacao.ufrj.br/ppge/ppge-dissertacoes-2011.html

Sintam-se convidad@s!


domingo, 12 de agosto de 2012

Afundados por Barcos*


            Uma partida de Campeonato Brasileiro às 21h 50min de uma quarta-feira já é algo patético. Com preços de ingressos altos então, complica a presença da torcida. Pouco mais de 5.000 torcedores estivemos na última quarta-feira no Engenhão para acompanhar o confronto válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois de jogar muito melhor no primeiro tempo contra o Palmeiras pelo jogo de ida da Copa Sul-Americana e vacilar ao levar dois gols de Barcos no segundo tempo, tinha a certeza de que a Comissão Técnica e a defesa do Botafogo teriam aprendido algumas lições e estudariam o estilo de jogo e as armas ofensivas do adversário para garantir a terceira vitória consecutiva no Brasileirão e continuar se aproximando dos primeiros colocados.

             Apesar de um bom volume de jogo, criando algumas jogadas, minha certeza transformou-se em ledo engano aos 14 minutos do primeiro tempo. Em falha coletiva da defesa somada ao vacilo individual de Antônio Carlos, Barcos apareceu sozinho para balançar mais uma vez as redes de Jefferson. Mesmo com o placar adverso, nosso Fogão até tentava, mas o goleiro Bruno estava inspirado. Continuávamos com boa construção de jogadas no segundo tempo e parecia possível acreditar em mais uma virada no campeonato. Logo aos 13 minutos, número para nós tão querido, Lima – que entrara bem no lugar de Márcio Azevedo – fez bom cruzamento para Andrezinho marcar mais um gol e empatar a partida. Se virássemos, seria a décima terceira vitória contra os porcos em Brasileirões. Se virássemos... Contudo, aos 27 minutos, Fernandinho deu um drible desconcertante no fraquíssimo Lennon e forneceu assistência para... BaBarcos me mordam! Novamente o argentino, sozinho na área, tocou para o fundo das redes e desempatou o confronto. Após (outra) falha grotesca de Fábio Ferreira, Pirata¸ fantasma ou não, Barcos ainda fez o terceiro gol, erroneamente anulado pela arbitragem. De toda maneira, mais uma vez nos afundou... Sem precisar jogar batalha naval. Resumindo: sexta derrota em 15 rodadas, sendo absurdas quatro em pleno Engenhão! Já foi mais que provado que a torcida não pode ser culpabilizada pelos vexames em casa. Está na hora de mudar o nome oficial do Estádio para que este traga melhores fluidos! Ou colocar os jogos em Juiz de Fora, Brasília, Belém... Levando caravanas de sócios-torcedores.

            É, Oswaldo, a situação está complicadíssima. Vários torcedores já perdem a paciência com o treinador e alguns jogadores. Faltam treinos, faltam conversas, faltam acertos de posicionamentos, faltam finalizações, falta dedicação, falta amor à camisa, falta respeito à tradição da Estrela Solitária, falta identificação com a torcida, enquanto sobram displicência, festinhas e penteados exuberantes! Às vezes sinto pena de Seedorf e Jefferson, com tantas cabeças de bagre ao redor. Em vez de colocar o tal do Lennon, é bom dar uma chance ao garoto Gabriel; Renato está apagadíssimo, errando passes e não marcando ninguém; Fábio Ferreira tem sido a mina de ouro dos adversários; Elkeson quase não finaliza; mais uma finalização do Botafogo bate na trave... Enfim, a conjuntura não é favorável, embora tenha confiança de que é possível reverter com trabalho e compromisso.

            A alegria de quarta à noite ficou por conta de mais uma loucura! Após ser provocado pela mulambada no jogo do Flamengo contra o Figueirense, Loco Abreu beijou o escudo do Glorioso e rememorou a cavadinha de 2010. Para mim, é o jogador mais inteligente, culto e sagaz – reunindo estas três características simultaneamente – em atividade no Brasil. Ele sabe o que faz e, independente de suas intencionalidades ou inintencionalidades, é respeitado e merece ter seu nome gritado pela torcida!

            Antes de falar sobre a data, publicizo aqui uma cartinha (ainda bem educada) à diretoria do Botafogo de Futebol e Regatas: “forneço meus serviços de peladeiro ao Departamento de Futebol. Possuo média de gols nas peladas infinitamente superior à do Rafael Marques pelo Campeonato Japonês. Prometo não realizar raves na minha casa, não pentear o cabelo de maneira extravagante, não recuar a bola pro goleiro e entender que o objetivo do futebol é marcar gols, situação ocorrida quando a bola ultrapassa a linha localizada entre as duas traves e abaixo do travessão. Serei pontual e assíduo aos treinos e posso dar entrevistas para além do trivial, das baboseiras e cretinices faladas por muitos por aí. Honrarei a camisa já vestida por Heleno, Didi, Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha, Túlio e tantos outros. Em troca, podem me pagar o salário que recebo como professor.

            Para fechar, hoje é Dia dos Pais e fica registrada também aqui minha homenagem ao Mario Luiz, meu pai botafoguense! Daqui a pouco é hora de ficarmos na torcida por mais uma vitória fora de casa para parabenizar todos os papais alvinegros e comemorarmos ainda mais efusivamente os 108 anos de fundação do Botafogo Football Club. Parabéns aos Pais e ao Fogão!

*Gabriel Marques
Botafoguense desde 30/05/1985

terça-feira, 7 de agosto de 2012

IX Pelada da Esquerda*



            Em meio à greve das Instituições Federais de Ensino, do Arquivo Nacional, à ocupação do Canecão e às variadas lutas em defesa da Educação e Saúde Públicas e visando à construção de uma nova sociedade, mais de trinta companheiros fizeram uma breve pausa na agenda de estudo, trabalho e militância para a confraternização semestral, desta vez em novos gramados. A nona edição da Pelada da Esquerda, no Rio de Janeiro, ocorreu na Associação Atlética Light, no Grajaú, e foi paulatinamente organizada ao longo de um mês e meio para que os peladeiros pudessem aproveitar ao máximo as duas horas oscilando momentos de categoria e trapalhadas no dia 4 de agosto. Infelizmente, algumas baixas por contusões, as ausências não informadas e os atrasos impossibilitaram que a organização chegasse à plenitude. Porém, o churrasco no Andaraí fechou o Sábado com chave de ouro, com o auxílio do golaço do surinameso Clarence Seedorf, agora em terras tupiniquins como nós.

            Depois de sagrarem-se campeões de La Liguita – torneio de consolação durante a I Copa América Alternativa na Argentina – e de disputarem o jogo de ida da Recopa Alternativa contra o Autônomos FC, em São Paulo, o time Pelada da Esquerda já se encontra requisitado nacional e internacionalmente. Em datas a serem confirmadas, há um amistoso apontado contra o time de Maromba, distrito de Itatiaia; o jogo de volta, no Rio, contra o Autônomos, onde há totais condições de reverter o placar negativo de 8 x 1, já que o jogo será em casa e a equipe contará com seu plantel reforçado. Entre os dias 24 e 26 de agosto, nosso artilheiro Gabriel Marques – GM-7, que alcançou a marca dos 29 gols em 9 edições – representará o Pelada da Esquerda na Copa do Mundo Alternativa, em Bristol, na Inglaterra, integrando o combinado que contará também com integrantes do Autônomos FC e do FC Vova, da Lituânia. Durante o churrasco, foi dado o pontapé inicial para a organização do elenco que disputará a II Copa América Alternativa, entre 14 e 17 de fevereiro do próximo ano.

            Como de praxe, seguem nossas impressões e avaliações – dessa vez consolidando a parceria entre dois conceituados e premiados comentaristas – sobre o desempenho dos jogadores na tarde de sábado.

Cláudio Lopes: como bom xeroqueiro e microempresário do ramo das papelarias, prometeu a distribuição de canetas, mas não foi capaz de cumprir enquanto esteve na linha. Recordou seus tempos de categorias de base do Bonsucesso, mas não evitou vários gols, comprovando que precisa de muitos treinos para recuperar a vaga hoje ocupada por Bruno G. Nota 7,0.

Murilo Vilaça: dedicando-se a dois Doutorados, teve seu faro de artilheiro afetado. A finalização que mais chamou a atenção foi quando achou que jogava na NFL, ao tentar marcar um touchdown. Além do mais, tinha uma morena do lado de fora do campo que lhe dispersou a atenção. Nota 4,0.

Bruno Gawryszewski: aumentando seu cabedal como goleiro, BG-69 foi disparado o melhor arqueiro do evento. Só levou alguns gols porque machucou um dedinho no início da Pelada e jogou contra a equipe de GM-7. É Seleção! Nota 9,5.

Gabriel Marques: tinha dois objetivos na Pelada da Esquerda: preparar-se para a Copa do Mundo e aproximar-se da marca dos 30 gols. GM-7 agarrou durante uma partida, forneceu assistência e balançou as redes adversárias por cinco vezes, contribuindo para a invencibilidade do time Marx. Preferiu deixar o Gol 30 para a glamourosa décima edição. Nota 9,5.

Thiago Coqueiro: com relativa categoria no início, não honrou o nome do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa ao se desgastar enquanto os minutos passavam. Apesar de não beber, não fumar e não..., seu abdômen proeminente acusa as limitações de preparo físico. Seria melhor ter brincado de pique-se-esconde ou ter soltado cafifa nas terras gonçalenses. Nota 4,5.

Alex Lauriano: distribuindo lindeza Brasil afora, nesta edição ficou marcado como o chorão. Resmungou o tempo todo reivindicando o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva e a Comissão de Arbitragem e não repetiu os dribles e a malandragem de outrem. Nota 3,5.

Luiz Carlos: vangloria-se por um ovinho dado no melhor jogador de linha da partida. Ainda não tomou vergonha na cara de cortar o cabelo. Excetuando-se este único lance de lucidez e categoria, só apareceu por conta do acessório usado no cabelo, para desespero e provocações de Bruno Adriano. Nota 5,5.

Matheus Cidão: evidenciou o total desgaste da viagem de Campo Grande até o Grajaú. Sua presença foi notada apenas na Foto Oficial. Nota 4,0.

Renato Sarti: soberano no meio-campo, quase sempre fazendo boa ligação entre a defesa e o ataque e marcando dois gols. Apesar das incursões burocráticas no CONSUNI, cumpriu um bom papel na equipe Marx. Nota 7,5.

Elielsom: enquanto esteve em campo, deu trabalho aos adversários. Sorte deles que suportou apenas uma partida e meia, o pior preparo físico dentre os 32 jogadores. Nota 4,5.

Maurício Mileo: não repetiu as atuações que o consagraram como o camisa 9 da Pelada da Esquerda. MMs-9 não cabeceou em direção ao gol, não executou um chute decente e quase teve um ataque cardíaco. Nota 4,5.

Marcelo Dominguez: MD-24. Correu como nunca, jogou como sempre (com direito a gol contra no BG-69). Declamou a frase impagável: “Porra, eu não sei mais jogar bola!”. Pelo esforço... Nota 6,5.

Gustavo Oliveira: a cabeleira satânica começa a pesar, afetando o seu desempenho futebolístico. Recomenda-se comprar a máquina GAMA ou Philips. Nota 5,0.

Bruno Rodolfo: o amigo do CAEFD... E o mais satisfeito por ter sido incluído no time Marx. Nota 5,0.

Wagner Marretovic Angelim: o sérvio-cearense mostrou disposição em ajudar. Contudo, ficou tímido e não se aventurou em mostrar um futebol mais habilidoso. Foi oportunista ao marcar gol após jogada de contra-ataque e assistência de GM-7. Nota 5,0.

Bruno Adriano: quando viu o primeiro confronto entre a equipe de colete vermelho e a de colete preto, frustrou-se com as cores que evidenciam a crise cíclica do sistema flamenguista e desertou. Com dúvidas pós-modernas acerca do caminho a percorrer, não ficou muito longe acompanhando os setores de esquerda e voltou ao jogo. Faltou a companhia de Bruno Lima para aparecer mais com suas incansáveis discussões em campo. Nota 4,5.

Ian: sua melhor atuação foi pilotando a churrasqueira (mó bração, hein, Fino!). Nota 7,0.

Vinícius: foi um dos poucos que conseguiu furar o BG-69 (sim, vale o duplo sentido). Mostrou-se preocupado com a ausência de seu amigo “Magrinho du Fonca”, escalado para fazer uma incursão na Pedreira. Nota 5,0.

Felipe Formoso: a campanha do Freixo está lhe consumindo todas as energias, porque o que se viu em campo foi um jogador “amarelão”. “Amarelou” ainda mais quando soube que havia pessoas por perto moradoras da Zona Oeste. Nota 4,5.

Carlos Leal: estrategicamente, repetiu a prática de atrasar-se para entrar em campo com os demais já cansados. Pragmaticamente, repetiu a mesma jogada por mais de três vezes: recebia a bola na ponta esquerda, ajeitava pra dentro e tocava pro meio. Mérito porque conseguiu mostrar preparo físico melhor que o do Elielsom, jogando quase três partidas inteiras. Nota 6,0.

Carlos Augusto “Carlinhos”: foi bastante notado ao buscar a bola várias vezes dentro do gol. Nota 4,0.

Cadu Marconi: foi o jogador quase: quase fez gol, quase deu um belo chute, quase deu uma boa assistência, quase jogou até o fim das 2 horas e quase apareceu na Foto Oficial. Foi embora de balão, acompanhado de um padre. Nota 4,0.

Rodrigo Mourelle: diferentemente da Copa América, dessa vez conseguiu escorar para o gol as assistências dos companheiros de equipe. Nota 6,0.

Rian Rodrigues: na NBA, as equipes são ranqueadas pelo seu average (relação percentual vitórias / derrotas). O average deste jogador foi 0.000. Nota 0.000.

Rodrigo Magalhães: Cínthia atrapalhou decisivamente seu desempenho... Nota 4,0.

Pedro Cardoso: oscilou bons e maus momentos. Como não precisou cobrar tiro de meta, ficou na média. Nota 5,0.

Marcelo “Forró”: Perdeu uma chance de gol clara, devido ao famoso pé mole pra chutar. Acostumado a correr meia maratona, chegou atrasado, a tempo de jogar meio jogo. Nota 4,0.

Pedro Santos: não fez valer o seu tipo físico avantajado e ainda se perdeu em discussões com Luiz Carlos “Monstro”. Escapou do trote como calouro. Nota 4,0.

Bruno Gonçalves: tendo como cartas na manga as desculpas pelos pés ralados e pelo joelho bichado por conta de uma atuação irregular por inspirar-se em Fábio Ferreira, o alvinegro ex-CPII teve sorte ao cair de pára-quedas na equipe Marx após desistência de Elielsom. Nota 4,5.

Rodrigo (UniRio): Como jogador da Pelada da Esquerda,  é um ótimo militante que ocupa antigas casas de shows. Nota 5,0.

João Gabriel: sua incursão na Ásia e suas práticas de relaxamento não contribuíram para uma excelente atuação. Duvidaram de sua presença, mas ele apareceu e encarou até o final. Nota 5,0.

Juliano: a “bebida liberada” da noite anterior acabou com sua pretensão de fazer uma boa atuação. Nota 4,5.


*Karl Leirbag, jornalista alemão
Breno Strozenberg, crítico de cinema para filmes de animação da Mongólia